Seaweed Brain
23 Uma rápida visita a Roma
O que estiver em itálico é porque está sendo falado em latim.
Os meninos foram obrigados a vestirem togas em estilo Romano cor roxa, o que gerou briga, mas Ella calou todos com seus gritos super sónicos de harpia.
— Eu sou Romana e isso que vocês estão fazendo é preconceito. – disse a harpia.
— Na verdade Ella, o ato de pré-julgar é tomar como certo um conceito ou ideia sem nem ao menos conhecer determinada coisa. Perante a gramática, o termo correto é xenofobia, que á o desprezo por pessoas de nacionalidade distinta da sua. – explicou Annabeth.
— Me perdi... – disse Ella.
Os meninos seguraram o riso. A carruagem (se é que se pode chamar assim) parecia um ônibus feito de bronze e metal, o automóvel foi decorado com desenhos romanos e com todo o design Romano (eu não sei se, historicamente falando, isso tudo é possível, mas qual é galera, licença poética!). No fundão Leo, Connor, Travis, Charlie, Lee, Michael e Nico faziam a palhaçada; no meio Katie, Bianca, Miranda e Thalia consolavam Silena e na frente estavam Zoë, Ella e Malcom. Annabeth estava ao lado do motorista juntamente com sua cadela a Sra. O’Leary. Argo, o chefe de segurança de Annabeth e Malcom, estava guiando o “min-ônibus” em direção até Roma. Pelo mar, Bessie saiu puxando uma biga imensa com Percy, Tyson, Rachel, Clarisse e Chris. Blackjack e Guido ajudavam o peixe-serpente.
Depois de um dia de viagem, eles avistaram as terras Romanas. O coliseu era o ponto de destaque da bela cidade, Annabeth poderia ficar o dia inteiro admirando o local, mas eles tinham que correr contra o tempo. Ella, como uma harpia fugitiva Romana, ajudou todos com a maquiagem e o cabelo, até no modo em como se arrumavam, os Romanos eram cheios de frescura. Alguns reclamaram do novo corte de cabelo (Nico quase fez um escândalo quando teve que cortar e pentear seus lindos cabelos negros), outros com a maquiagem e todos reclamaram das roupas, mas tinham que fazer isso por Luke e Piper.
— Lembrem-se, em Roma se fala latim. – disse Zoë.
— Ah qual é... – Connor reclamou.
— Ei! – Annabeth censurou. – Estamos aqui por nossos primos e para impedir que esses imbecis tomem a Grécia! Todos aqui sabem falar latim, então não reclamem.
— Na dúvida, fiquem de boca fechada. – disse Thalia.
— Papai nos obrigou a aprender a fazer haicais em latim, podemos fazer alguns caso eles suspeitem. – sugeriu Lee.
— Haicais? Sério? – Bianca reclamou.
— Eu também não gosto de haicais, mas até que não é uma péssima ideia. – disse Annabeth. – EVITEM A QUALQUER CUSTO falar grego. Nem que seja por brincadeira. Latim e somente latim.
— Tá. – todos reclamaram.
— E ajam naturalmente. – acrescentou.
— O que é “naturalmente” quando se está entrando disfarçado na cidade inimiga do seu reino para resgatar um príncipe e uma princesa? – perguntou Malcom.
— Malcom... não faz pergunta difícil... – disse Thalia.
— Apenas finjam que estão em uma excursão escolar! E que na escola só é permitido falar latim. – disse Zoë.
— Tentem não brigar. Agora vamos. – disse Annabeth.
Sra. O’Leary, Ella e Argos deram meia volta com a carruagem e seguiram rumo à Atenas. Os guardas de Roma nem sequer prestaram atenção no grupo de crianças lideradas por Charlie (o mais alto e corpulento dos primos e o único que podia se passar por professor). Annabeth, Thalia e Zoë analisavam o mapa da cidade e logo concluíram que Piper e Luke estavam mantidos no palácio da rainha Romana: Belona, a impiedosa. Ela ganhou esse apelido por motivos bem literais. Annabeth já havia lutado contra a filha caçula da rainha, Reyna, e conhecia o jeito reto e duro de lutar dos roxos.
— Muito bem. Charlie guie os meninos pela cidade até a Fontana di Trevi, lá... vocês já sabem o que fazer. Percy os espera. – disse Annabeth.
- Uma perguntinha, como é que Percy conseguiu chegar a Fontana di Trevi com os demais? – disse Katie arranhando no latim.
— Pelos aquedutos. Não há tempo para detalhes. Vão e que os deuses os acompanhem. – disse Annabeth.
— Que os deuses os tenham. – disse Travis com um latim pior que o de Katie.
(pelo que eu prestei atenção na aula de história da arte, os aquedutos eram espalhados pela cidade, só que eu não sei se chegavam ou chegam a Fontana di Trevi, lembrando que isso é um texto fictício e que eu uso muita licença poética)
O grupo partiu rumo a Fontana enquanto Annabeth, Thalia, Nico e Bianca foram em direção ao palácio de Belona. Entrar no palácio foi à parte fácil, se guiar é que foi o labirinto de Dédalo. Depois de perder bem duas horas tentando não serem pegos, eles encontraram Luke no calabouço.
— Luke! – Thalia exclamou indo em direção à cela dele.
— O que vocês estão fazendo aqui? Estão doidos? Querem morrer? Por que estão falando em Latim? – ele disse assustado.
Para a sorte dos meninos, o guarda apagou com um leve soco na cara dado por Nico. Bianca e Annabeth tentaram feito doidas abrir a grade, mas não obtiveram muito sucesso.
— Deem o fora daqui. Se algum guarda os pegar, ou pior, se um dos Centuriões os pegarem... vocês não terão direito a um julgamento, serão mortos na hora. – disse Luke.
— Não vou te deixar aqui. – disse Thalia.
— Meu amor, por favor, me escuta! Esse povo aqui é doido! Fujam! – disse Luke olhando nos olhos de Thalia.
— Onde está Piper? – perguntou Nico.
— Com Belona e suas filhas, Reyna e Hylla. Aparentemente o chefe do exército Romano é sobrinho da rainha e ele se engraçou para Piper desde que ela chegou aqui. – explicou Luke.
— Jason não tem cara de conquistador barato. – disse Bianca.
— Eu não ligo se ele tem cara de conquistador barato ou não. Não vou deixar a Pipes aqui. – disse Annabeth. – DROGA! PORQUE ISSO NÃO ABRE?!
— Charlie saberia abrir isso. – comentou Bianca.
— Mensagem de Íris. – sorriu Nico.
Achar luz do sol foi à parte fácil, conseguir criar um arco-íris é que foi demorado.
— Ó Íris, deusa do arco-íris, mostre Charlie, príncipe filho de Hefesto. – rezou Thalia em grego.
A imagem mostrou o grupo comendo sanduíche com a belíssima vista da Fontana di Trevi. Todos estavam quietos, parecendo mesmo uma excursão escolar Romana, estavam até discutindo em latim! Mas se a pessoa parasse para prestar atenção, ia nota que todos tinham traços parecidos. Obviamente os irmãos eram parecidos, mas os primos, querendo ou não, haviam herdados traços semelhantes ao seu nada querido vovô Cronos.
— Charlie! – exclamou Luke.
“Ei! Olá Luke!” respondeu Charlie.
“Onde está Piper?” disse Silena.
— Acalmem-se! Ela está bem, mas antes precisamos da sua ajuda para abrir essa fechadura. – disse Nico.
“Eu sabia que deveria ter ido com eles.” Disse Leo.
“Não invente Repair Boy! Eu prometi a mamãe que não ia deixar você se meter em nenhum perigo que pudesse lhe matar” disse Charlie.
— Podemos deixar o belo momento família para depois que a gente consiga fugir dessa cidade? – Nico disse sínico.
“É a Sabidinha?” disse Percy.
O coração de Annabeth foi à boca e voltou. Ela levantou mais a cabeça e pode ver os cabelos negros dele dentro da fonte.
“Abaixe-se!” ordenou Zoë.
“Ah, desculpa.” Percy abaixou a cabeça. “Ei Sabidinha, como vai ai?”
— Er... bem. Desde quando você sabe falar latim? – Annabeth perguntou surpresa.
“Ah, Paul me ensinou. Ele disse que eu não sabia antes de perder a memória, mas agora eu sei.”
— Depois vocês namoram tá. Temos que abrir esse cadeado. – disse Thalia.
Charlie e Leo observaram e chegaram à rápida conclusão de que era um cadeado autômato, programado para servir apenas ao chefe do exército Romano.
— Então... como configuraremos esse troço? – perguntou Nico.
“Não se pode configurar um autômato tão pequeno quanto esse.” Disse Charlie.
“Mas se pode ‘concertar’ a cabeça dele, por assim dizer.” Acrescentou Leo.
— Latim, por favor. – disse Annabeth.
Leo e Charlie falaram o que eles deveriam fazer. Thalia, Bianca, Luke e Nico votaram em Annabeth para fazer o que os irmãos sugeriram.
— Eu não posso fazer isso. – disse Annabeth.
— Você é a mais inteligente daqui. Além do mais, sabe mexer com mecânica e é boa em matemática e física. – disse Luke.
— Eu sei mexer com o BÁSICO de mecânica! Não posso “consertar” essa cabeça! – reclamou Annabeth.
“Se eu tivesse que escolher alguém no mundo para consertar a minha cabeça, esse alguém seria você, Annabeth.” Disse Percy.
“AWN!” disseram Silena, Katie e Miranda.
Annabeth corou e começou a fazer o que Leo e Charlie disseram, segundos depois de conseguir abrir e libertar Luke, a mensagem terminou. Eles seguiram sozinhos pelos conselhos de Luke em direção a onde ele achava que estavam mantendo Piper prisioneira e só faltaram ter um troço quando viram o quarto. Todo banhado a ouro e prata, com objetos e pinturas de fazer a Capela Sistina parecer um desenho de criança do primário. Os meninos estavam com o queixo caído e na cama, havia uma agitação. Logo Piper e Jason colocaram a cabeça para fora do cobertor.
— DI IMMORTALES, EU ESTOU CEGO! – gritou Nico ao ver Jason pelado.
— Mas que Plutão...?! – exclamou Jason cobrindo sua parte da frente com uma almofada.
— Pi...Pi... Piper...?! – disse Bianca.
— Oi. – Piper respondeu corando de vergonha, o rosto molhado de suor.
— Piper... que Hades você tá fazendo? – gaguejou Thalia.
— Ah fala sério que tu não sabe?! – Piper respondeu sarcástica.
— Que tipo de sequestro é esse? Desde quando você virou Helena de Tróia? – disse Annabeth.
— Eu tenho a adaga dela, serve? – disse Piper.
— Quer fazer o favor de cobrir seus seios? – disse Nico.
— Qual é Nico, todo mundo aqui já viu seios. – disse Piper cobrindo seu busto com um lençol de seda branca.
— Eu ainda sou virgem, Piper. – disse Nico. – E você é minha sobrinha... é estranho...
— Não sou sua sobrinha. Minha mãe casou com o seu primo. Não temos nenhum parentesco. – respondeu Piper.
— Piper... achamos que você havia sido sequestrada. – disse Thalia.
— Por que tártaros vocês achariam isso? – ela franziu o cenho.
— Talvez porque os Romanos mandaram um mensageiro dizendo que ou nós entregamos Grécia, ou você e Luke seriam mortos?! – disse Bianca.
— Não fizemos isso. – Jason disse com um grego tão ruim que fazia o latim de Travis parecer perfeito.
— Eu não fui sequestrada. Eu vim aqui porque eu quis. Deixei um bilhete em cima da cama. – disse Piper.
— Você por acaso colocou um peso em cima do bilhete? – disse Annabeth já entendendo tudo.
— Ah... não... droga! – exclamou Piper.
— Quem, em sã consciência, ia trocar Grécia por Roma? – perguntou Thalia.
— EI! – gritou Jason.
— Eu não troquei Grécia por Roma. Jason e eu estamos aqui por enquanto, mas iremos fugir para o norte, Babilônia. Os jardins de lá são lindos! – ela disse com a expressão sonhadora.
— Estamos apaixonados. – disse Jason.
— É, dá pra ver! – disse Nico ainda traumatizado.
Luke, Thalia, Annabeth e Bianca se entreolharam.
— Belona se aproveitou que Piper estava aqui como hospede de Jason e mandou avisar que Piper estava presa, assim atrairia o exército Ateniense e o líder do exército Espartano. Assim ganharia um príncipe militar como verdadeira moeda de troca. – disse Annabeth irritada.
— E agora? – perguntou Bianca.
Annabeth analisou o casal, se bem que a pintura meio que lhe tirava o foco. Não precisava ser a doce e delicada Silena para saber que o que havia entre Piper e Jason era amor.
— Seguimos com o plano. Só que não haverá um lugar para Piper, ela tem que seguir o próprio caminho. – disse Annabeth.
— Afrodite irá lhe matar. – disse Nico.
— Não ligo. Eles se amam isso sim é o que importa. – disse Annabeth.
Piper levantou da cama e deu um abraço em Annabeth.
— PELO AMOR DE AFRODITE, VÊNUS E EROS! CUBRA ESSES SEIOS! – disse Nico.
— Desculpa. – Piper levantou o cobertor. – Obrigada Annabeth. Você também merece a felicidade, Percy é um tritão de sorte.
— Acho que ele sabe disso. – Bianca brincou.
Piper abraçou Thalia e Bianca. Jason, com seu péssimo Grego, mostrou uma rota de fuga que dava bem ao lado da Fontana. Com um belo sorriso de “minha vida agora está perfeita” no rosto de Piper, os meninos seguiram as instruções de Jason e chegaram ao ponto turístico. Chegaram a tempo de ver as tropas Romanas encurralando os demais, com o imbecil do Octavian liderando.
— Vocês devem ser muito burros, ou então, é a maior tentativa de suicídio que eu já vi! – disse o magrela esquelético.
Bianca procurou suas flechas e Thalia sua lança, mas elas não levaram armamentos, seria difícil entrar na cidade se carregassem algo do gênero. Eles só tinham a adaga de Annabeth, que não era de ajuda nenhuma.
— Precisam de ajuda? – disse uma voz grossa atrás deles.
Luke quase que deu um golpe sem querer em Frank. Ele e Hazel estavam atrás dos amigos, também se escondendo de Octavian e dos Centuriões.
— Frank... Hazel... – Annabeth sorriu.
— Sei que deveríamos ajudar Octavian a capturar vocês. Afinal, somos Centuriões, mas você é uma pessoa legal Annabeth. Pode contar com nossa ajuda. – Hazel sorriu.
— Podemos confiar neles? – Luke perguntou.
— Pode sim. Nem todos os Romanos são egocêntricos. – Thalia sorriu.
— Ora, obrigado. – disse Frank alegre.
— Precisamos que vocês digam aos meninos para comerem a planta. – disse Annabeth.
Frank e Hazel se entreolharam confusos.
— Como é que é hein? – eles disseram juntos.
— Para comer a planta, eles saberão o que quer dizer. Por favor, é a única forma de escaparmos daqui sem que alguém morra. – disse Annabeth.
O casal de noivos se entreolhou e concordou com a cabeça, enquanto Octavian recitava um bocado de baboseira com o latim mais difícil possível (que estava dando dor de cabeça nos próprios cidadãos Romanos), Hazel e Frank adentraram no grupo de Centuriões e Hazel conseguiu chegar perto de Connor e deu a mensagem de Annabeth. Octavian estava tão ocupado com seu discurso que não viu e nem deu atenção ao fato de todos tiraram do bolso um pedaço de planta e comerem. Nico, Annabeth, Thalia, Luke e Bianca já estavam mastigando quando os demais seguiram com o plano.
— PERCY, AGORA! – Annabeth gritou.
Então Octavian e os demais Centuriões (Bianca reconheceu dois como Dakota e Gwen) olharam para as escadarias em que a loira e os demais se encontravam. Antes que Octavian gritasse “Fugitivo” uma onda de dois metros caiu na cabeça dos Romanos, deixando todos atordoados. Os Gregos correram enquanto ainda tinham pernas para a fonte e se jogaram na água. Tyson e Percy movimentaram o curso da água para que os aquedutos levassem os demais em direção ao rio. Era como está caindo em um brinquedo de escorrega bem alto em um parque aquático, só que há 300 Km/h, sem nenhuma segurança e com caldas de peixe. A pressão era tão grande que eles nem conseguiram ouvir os gritos de raiva de Octavian, só ouviam um zumbido muito forte. Depois de dez minutos assim, eles foram jogados no rio, mas a dor de cabeça era imensa. Se não fosse por Grover, Rachel, Clarisse e Chris, os meninos teriam ficado boiando até a enxaqueca passar. Quando todos vieram recobrar a consciência, já era noite e estavam no mar.
— Sobrevivemos? – perguntou Leo quase vomitando.
— Sim. – Rachel sorriu.
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