Scary Deep Love
2 Boatos e Suspeitas
Numa localidade mais afastada de PandoraVille, dois irmãos tomavam o pequeno almoço.
- Não consegui dormir bem, não sei o que se passa... — Disse o mais novo doos dois.
- O que se passa Sam, é que estás a precisar de uma rapariga, para uma noite pelo menos, à quanto tempo não namoras com uma rapariga?
- Dean, vamos mesmo ter esta conversa? Eu não gosto de um caso de uma noite, e visto que não me é permitido mais nada, não o faço. — Logo a segui, disse muito rápido — Mas não te preocupes que não é este o meu problema!
- Sam, olha para mim, aprende comigo, não te apaixones, concentra-te só no que fazes, e enquanto o fazes, não penses, sinceramente não penses no que…
Dean não conseguiu terminar a frase, pois o dono do café mandou fazer pouco barulho
- O que é que este… — resmungou Dean, mas o som da televisão foi levantado.
Desta vez era um repórter que falava:
- … Já possuímos mais detalhes da morte, a idosa Agnes García foi estrangulada, não foram ainda encontrados nenhuns vestígios de impressões digitais em casa a não ser da própria, e as marcas no pescoço da vitima também não dão amostras de impressões. Tudo acerca da morte desta senho pacata de PandoraVille, é um perfeito mistério! A policia nem tem ideia de quem possa ter cometido o crime, não possui suspeitos…
- Nós sabemos o que significa palhaço! – Gritou um homem par aa televisão, como se esta lhe pudesse dar resposta – Sabemos que se não há ideia de quem cometa o crime, é que não há suspeitos!
- Dean, achas que possa ser…?
- Eu não sei Sammy, mas pensei exactamente no mesmo que tu, ma stambém não podemos tirar conclusões assim…
- Dean, não há impressões digitais! – Sam levantou-se e foi ao balcão buscar o jornal para ler
Enquanto este lia, o irmão limitava-se a falar:
- E se não é o que pensamos…. E se estás enganado – Recostou-se na cadeira.
- Não seria a primeira vez – disse Sam
O som da televisão ficou mais alto e toda a gente do café se dispôs a olhar para a tv.
- Aqui connosco temos uma nova moradora da zona, Dafne Hall, aliás mudou-se para cá ontem não foi? – disse o repórter, que com aquela voz, quase que queria afirmar que a rapariga tinha cometido o crime.
- Sim, foi. Mudei-me para cá ontem, já nem sei a quantos repórteres o disse
Sam falou por cima.
- Verdade, está aqui – Apontou para a linha no jornal onde dizia
- SHIU! – gritaram as pessoas do café incluindo Dean. Sam baixou a voz
- Tu também?! – Olhou para o irmão como se dissesse “Não acredito!”
- O quê? – disse Dean olhando para ele com uma cara meio-ofendida – Ela é gira…
- Lá estás tu… — Sam revirou os olhos.
A rapariga continuou a falar:
- Como já disse esta manhã ao xerife White, eu pareceu-me senti uma presença, não algo, mas alguém. Posso estar enganada como não estar… Era por volta da hora do jantar, mas, talvez seja só da mudança…
- E pronto, esta foi uma “testemunha” pois, nenhum vizinho ouviu nada durante a noite – o repórter ouviu umas instruções através do auricular – E foi tudo. Continue a ver por mais noticias.
A televisão foi apagada, e os clientes começaram a conversar sobre o crime
- Talvez fosse a rapariga, pensem bem, ela era nova, primeira noite na vila, não me admira nada que possa ter morto a velha…
- A porta estava trancada, e não me parece que possa ter sido a rapariga! Coitada, para que é que ela ia ter o trabalho de se mudar e depois na mesma noite estragar a vida dela? John , isso não faz sentido!
- A mim também não Dean, precisamos de ir ver, ou a rapariga na minha opinião se este boato de ter sido ela se espalha, não arranja naquelas redondezas trabalho em sitio nenhum!
- Está bem Sammy, eu faço-te a vontade, vamos lá – tirou a carteira do bolso, pôs 5 dólares na mesa e saíram.
Entretanto em PandoraVille.
Dafne entrava numa loja, com Flora de mão dada a ela.
- Boa tarde –cumprimentou
- Boa tarde menina – Sorriu a dona da loja- Sou a Bride Murray, e tu já sei que és a Dafne, e a pequena a Flora, numa vila destas, as noticias correm como o vento…
- Bem, eu na verdade, vim ver era se conseguia o trabalho, vi o anuncio, e preciso mesmo de qualquer coisa… — Dafne estava um pouco desconfortável com a situação, mas aquela senhora parecia acreditar na sua inocência.
- Bem, estás disposta? Já tens um sitio para por a menina? – sorriu, com um sorriso caloroso de mãe para as duas.
- Pois sabe, como eu cheguei mesmo ontem, ainda não tive tempo de procurar por qualquer coisa.. Mas isso quer dizer que eu consegui o trabalho? –Dafne tinha esperança no olhar.
- Claro, e enquanto procuras por trabalho, a menina pode ficar aqui, e tomas conta dela e olhas pela loja, temos cafetaria também, mas é fácil, como a maquina do café está atrás de mim e os bolos aqui, a maquina registadora ao lado, é fácil, consegues controlar tudo. Acredita, já passei pelo mesmo. Quando queres começar? – Bride viu que ela tinha uma espécie de confusão na cabeça – Não aches estranho eu estar a agir assim contigo querida, só que eu e o meu marido também viemos de fora, não nascemos nem crescemos aqui e foi difícil as pessoas aceitarem-nos aqui, agora adoram.nos, mas no inicio foi difícil, e não queres passar por isso. Ou queres?
Dafne ajeitou o cabelo que lhe caía em cima dos olhos.
- Não, claro que não – pegou na mao de Bride – Só que sabe, quando para aqui vim, soube que ia ser difícil, só não pensei, que realmente pudesse achar logo uma amiga, assim no meu segundo dia.
Bride saiu detrás do balcão e abraçou Dafne, esta ficou com lágrimas nos olhos.
- Que foi querida? – questionou Bride, enquanto lhe limpava as lagrimas.
- Sabe, é que a minha irmã e eu não temos pais, e a sua atitude para comigo, a sua vontade de falar… — Dafne soluçava – E o seu abraço, parecia mesmo a minha mae! Desculpe Mrs. Murray..
- Bride, chamam-me Bride, e tu estavas a precisar de chorar, aguentas por ela não é? – Dafne assentiu — Quem em dera que o meu filho Jeremy apreciasse os pais assim… Quando queres começar?
- Bem, honestamente, já. Estou a precisar de algum dinheiro, e a melhor maneira é começar já, honestamente…
Bride foi à arrecadação da loja, tirou uma bata e deu-a a Dafne.
- Dafne querida, vou só a casa, que preciso de fazer uma coisa, precisava mesmo e tu foste uma espécie de anjo caído do céu. Volto já está bem?
- Com certeza Bride. Tenha cuidado com a estrada – Dafne concentrou-se em tentar perceber, o verdadeiro funcionamento da maquina de café e da registadora.
Bride despiu a sua bata, pôs a mala ao ombro, sorriu para as duas meninas e saiu da loja, não se preocupou muito, porque perto da hora de almoço a loja não tem muitos clientes. Esquecera-se de estender a roupa, e logo a noite precisaria dela… Bem, ela não Jeremy, ia ao baile do mês, que PandoraVille todos os meses fazia.
Ao virar a esquina viu as três senhoras mais cuscas da vila. Anne Lohan, Kimberly Walker e Claude Figgins.
- Bom dia meninas, então tudo bem? – disse, sabendo que se não o fizesse, seria dito dela sapos e saramelas
- Sim Bride… Bem não, sabes quem é a miúda nova? – perguntou Anne
- Claro, a Dafne, uma miúda excelente…
- Excelente, já vistes o andar dela? Devia querer competir comigo quando era mais nova, ainda agora não consegue! Foi ela! – Claude, sempre tão egocêntrica
Bride olhou para o céu a pedir por ajuda, porque aquelas três eram inevitáveis, nunca falam bem de ninguém, independentemente do que se faça.
- O que fez ela? – Quis saber Bride
Foi a única que ainda não tinha falado que se pronunciou:
- Foi ela quem matou Agnes! – Oh, Kimberly era uma mulher mázinha, aquele carrapito e toda aquela historia da viuvez, não desculpam o quão má ela é a falar das pessoas, dizer que ela não lavava a roupa, como fez com Bride quando esta chegara à vila, era uma coisa, agora acusar a pobre rapariga de homicídio, isso era um exagero.
- Kim, você tem a certeza do que diz? – Bride já não acreditava, e só por ser dito da boca de Kim, bride tinha a certeza que podia ser impossível.
Despediu-se e continuou o seu caminho até casa.
Dafne estava aborrecida, não aparecia ninguém na loja, e Flora adormecera no carrinho. Bem, trabalhar naquela loja, era mesmo fácil, já entendera como tirar os cafés e mexer na maquina, aquilo era fácil. Só esperava que Bride não demorasse muito. Ela tinha ficado a gostar muito de Bride.
Ao fim de meia hora Bride ainda não voltara, ouviu a sineta que dá aviso que alguém vai entrar na loja, Bride estava na despensa da loja a arrumar a confusão de caixotes que Bride lá tinha-
- Estou uma fome Sam, nem sabes o que sou capaz de comer… — Dean estava a percorrer as prateleiras à procura de algo que lhe fosse apetecível para comer.
- Sim depois de quatro horas de viagem, mas não sejas assim, vê o lado positivo, já cá estamos.
- Sim, espero que valha a pe… — Ouviram um barulho perto do balcão, foram a correr ver o que se passava, na despensa, estava uma rapariga coberta com jornais e revistas, e enlatados todos por cima dela, ela estava estendida no chão.
- Obrigada… — eles tiraram-lhe as coisas de cima, e ajudaram-na a levantar.
- Estás bem? – Sam agarrava-a no braço – Não vais cair pois não? Dean vem cá! A rapariga caiu e tu voltas para ir buscar comida! – Sam enviou-lhe um olhar repreendedor
- Que foi!? – exclamou Dean, tinha aberto um pacote de batatas e estava a comer.
- Está tudo bem… É isto que vão levar? – E apontou para a comida que estava em cima do balcão – Apoiou-se no mesmo e ficou a olhar para os dois rapazes.
Estavam os dois com um olhar estranho para ela. Um era alto e outro um pouco mais baixo. Ambos eram muito giros.
- Sim, é só isso. Tu és a rapariga que aparareceu na tv hoje de manhã não és?
- Sim sou eu… Pensam que sou maluca não é…? – Ela baixou o olhar, e não olhou para eles.
- Qual é o teu nome mesmo? Eu sou o Sam, e este é o meu irmão Dean – Foi o mais alto que falou.
- Dafne Hall –sorriu para os dois, registou os produtos, pediu o dinheiro e pôs as compras num saco e deu-lhes.
Dean era realmente muito giro, e pareceu olhar para ela.
- Vocês vão ficar por aqui ?
- Sim, estamos hospedados naquele motel… — disse Dean
Dafne lembrou-se da sensação que teve ontem e arrepiou-se.
- Gostavam de jantar lá em casa…? Eu sei que parece estranho ou assim… — perguntou ela um pouco com receio que não aceitassem.
Ambos concordaram, e aceitaram em ir lá. Combinaram para as sete horas da tarde, e estranhamente, Dafne sentiu-se muito melhor, pois julga que não precisa de voltar a sentir aquela sensação de alguém em casa. Não os conhece, mas sentiu-se aliviada.
Bride voltara para a loja, pagara-lhe adiantado, pois viu que a rapariga precisava, e mandou-a para casa, para se habituar, no próximo dia era folga, e no dia seguinte, se apresentasse ás 10 horas, que era a loja a que a loja abria.
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