Scary Deep Love
3 O jantar... E o grito
- Mana, quando é que eles chegam? – perguntou Flora enquanto comia uma fatia de bolo de chocolate.
- Não sei pequena, mas já não deve faltar muito. – Dafne olhou para o relógio e eram sete menos um quarto. Estava a por a mesa, quando de repente bateram à porta.
Dafne foi abrir. Não era Sam, nem Dean.
- Boa tarde, sou o Adam, o filho do xerife. O Adam White. Queria dar as boas vindas – ele sorriu para ela, e ela vi que parecia tudo menos um sorriso de amizade, ele tinha outro interesse.
- Olá, Dafne, Dafne Hall. Sorriu e estendeu a mão, para que o outro a pudesse apertar.
- Bem, estava a pensar se não gostarias de sair comigo um dia… — rapidamente acrescentou – Como amigos claro! E bem, pergunto isto, como conheces aqui poucas pessoas.
Bem, realmente não era tão bonito como Dean… E porque raios estaria ela a pensar em Dean neste momento? Abanou a cabeça, como que para deixar o pensamento passar. Mas tinha uns olhos azuis bonitos, e aquele sorriso não era dos mais feios que já tinha visto, era bonito, por acaso.
- Claro — respondeu depois de uma pausa que fez o rapaz pensar se não tinha metido a pata na poça… Outra vez. A verdade, é que todas as raparigas que Adam via, suscitava-lhe a curiosidade de as pedir para sair com ele, não que tivesse namorado com muitas…
- Obrigada – sorriu- Que tal hoje? – acrescentou
- Bem, hoje não posso, sabes eu tenho a minha irmã comigo, quando sairmos ela vai connosco, e vou ter visitas…
- Quem? – perguntou num tom mais imperativo
- Bem, honestamente não é da tua conta – apercebeu-se do que disse e levou uma mão à boca – Desculpa, eu não queria ofender, mas é que eu não te conheço o suficiente para te poder andar a dizer estas coisas…
Ele olhou para ela de uma forma que demonstrava alguma ofensa no olhar, permaneceram assim, por mais dois minutos.
Ouviu-se o som de um carro, e quando Dafne olhou, saiam do carro Dean e Sam. Suspirou aliviada.
Dean quase que tendo percebido o alivio pela sua chegada disse:
- Então boneca, como é que estás? – sorriu, aquele sorriso derreteu o interior dela, mas ela rapidamente se apercebeu que o que mais odiava num homem era como eles podiam materializar as mulheres.
- Eu estou bem e não sou a tua boneca! – cruzou os braços como se indicasse uma posição de mulher forte e independente.
Sam riu.
- Calma Dafne, já sabemos que o Dean é um macho! – riram e Dean e Adam ficaram a olhar.
Adam falou:
- Bem eu vou andando, pensa na minha proposta e depois diz qualquer coisa – deu-lhe um papel para a mão e saiu.
- Adeus! – gritou na esperança que ele ainda a pudesse ouvir, e um aceno de mão foi o suficiente para ela perceber que ela a tinha ouvido.
Eles entraram.
Dean foi o primeiro a falar, e quando o fez, tinha uma voz um pouco possessiva, algo que ela tanto agradou como desagradou.
- Ele estava a perturbar-te? É que a tua cara quando nós chegamos parecia indicar isso mesmo.
- Não, não era nada, alias como me podia ele perturbar, quando na verdade, eu nem o conheço? – a voz dela tentava despachar o assunto, mas na realidade percebia-se que não se sentia muito à vontade com ele ali – Convidou-me para sair… — esfregou o braço direito, como se dissesse que só o aceitara para não parecer mal educada.
- Ah boa e aceitaste sair com ele? – respingou Dean como se mandasse nela.
- Olha lá mas…. – Dafne não acabou o seu discurso que ele iria ouvir sobre homens mandões e com a mania que são bonzões, mas foi interrompida pela irmã que se vinha apresentar.
- Olá, meu nome… Flora Hall – sorriu para eles.
Sam ajoelhou-se para falar com a menina e Dafne foi para a cozinha ver o comer que tinha no forno, foi seguida por Dean.
- Olá pequena, sou o Sam e aquele é o Dean, mas ele foi para a cozinha com a tua irmã…. – pegou nela
- Eiiiiiiiii! Agora eu sou grande! Queres ver os meus brinquedos na sala? – aquilo parecia um sonho para Flora, ser tão alta – A minha irmã está sempre a dizer que sou baixinha quero ver agora.
A menina disse-lhe onde era a sala, e foram para lá.
Na cozinha.
- Uff! Estava quase a deixar queimar o comer… — Dafne tirava o lombo assado do fogão enquanto Dean estava sentado na cadeira e a olhar de visão periférica para o rabo dela.
- Bem, se não abrires a porta a qualquer um que te apareça à frente, talvez isso não aconteça… — disse virando-se par a janela que dava visão para a praia, para ela não se aperceber que ele andava a olhar para o rabo dela.
- Talvez se eu não te tivesse convidado a minha casa, e mesmo assim, ainda és um estranho, eu não sou uma pessoa que vê o pior lado das pessoas… — estava a cortar o lombo e a pô-lo numa travessa ao lado – Imagina, se não te convidasse? – Não passavas de um gajo com ujm belo traseiro que entrou na loja, pensou.
- Até parece que não pensaste qualquer coisa de nós! – Ele pegava na travessa onde ela tinha acabado de tirar o lombo e punha-a no lava-loiça – Aliás não podes negar o quão giro eu sou… Sobre aquela senhora que morreu…
Dafne cortou-se sem querer, reacção àquela pergunta.
- É por isso que estão aqui? – ela era forte, estava a tentar não chorar, e ele percebeu que a tinha magoado – Vão comendo, vou desinfectar a mão, o corte ainda foi grande…
Ele tirou-lhe a travessa das mãos, e colocou-a na mesa, de seguida abriu a torneira e pôs a mão dela a ser passada por água. Quando voltou a olhar para ela, ela estava a chorar, as lágrimas estavam a começar a cair, e ele não conseguiu, simplesmente ver aqueles olhos castanhos ficarem tristes por algo que ele tinha dito, o cabelo caía-lhe na cara, tapando um pouco as orelhas.
Onde estavam Sam e Flora, quando ela os queria ali? Não lhe apetecia estar na mesma divisão que um tipo que só queria saber sobre a morte de uma velhota. Mas ele agora massajava-lhe a mão enquanto a água escorria… E nem parecia o mesmo, a verdade é que ela não conseguira aguentar mais aquelas lágrimas, ninguém a confortara depois de se aleijar como ele fazia agora, nem ninguém ficava assim do lado dela. Fazia-se forte pela irmã, mas a verdade é que não o era, de forma alguma. Encostou a cabeça no peito dele e chorou… Quando parara, já ele lhe tinha começado a enrolar um pano na mão não deixar que a ferida apanhasse ar.
Ele levou a travessa para a sala, e quando lá chegaram Sam via desenhos animados com Flora.
- Então que se passou? Porque demoraram tanto tempo? – Sam olhava para mão de Dafne que estava agora coberta com um pano.
- Andaram aos beijinhos, foi não foi? – disse Flora num ar matreiro antes de olhar para a irmã — Que foi Daffy? Está tudo bem? Oh, é doí doí, eu sei que é!
Correu para ao pé da irmã e beijou-lhe a mão como se passasse a dor.
- Sammy, vai à cozinha, e traz o resto das coisas – Sam depressa foi à cozinha e voltou.
Jantaram, conversaram, riram e por fim, Flora deixou-se dormir no sofá. Dean levou-a para a cama que Dafne lhe indicou.
- É isso não é? Pensam que fui eu que a matei não é? – Dafne olhava para o colo, incapaz de os olhar na cara – Quer dizer, eu encaixo-me no padrão, muda-se para a vila e nessa mesma noite, existe uma morte… Em quem caiem as culpas? Na rapariga nova que se muda…
- Bem, não é isso, nós não julgamos que tu a tenhas morto… -Sam esclarecia os olhos alarmados de Dafne.
- Então porque é que o teu irmão me perguntou… Aliás porque querem saber? – Dafne dirigia-se à porta e abria-a para que eles pudessem sair, não tinha sido a melhor abordagem que podiam te rusado para falar come ela sobre o assunto …
- Porque… bem, nós somos do F.B.I e temos realmente de saber o que se passou… — mostraram-lhe os distintivos que traziam com eles.
Droga! Ela já tinha feito asneira, pessoas do F.B.I? Nunca mais a deixariam em paz
- Já disse tudo à policia estadual, e à tv, não há mesmo mais nada que possa dizer, já estou farta de entrevistas, de perguntas, só queria poder estar aqui, e ter a minha vida sossegada, onde aí ninguém me iria chatear, infelizmente não posso. Simplesmente, escolhi uma má altura de mudança… Lamento não puder ajudar muito mais.
Eles ficaram a olhar um para o outro, ele tinha um ar sério e zangado, o que significa que eles não a iriam conseguir demover…
- Bem gostei do jantar… — disseram em uníssono.
- Obrigada, agora se não se importam… Agradecia que saíssem – enquanto ela chegava porta, um grito masculino ouviu-se.
Dafne correu para o pé deles o mais depressa que pode, eles tinham ido para a janela observar. Não se via nada nem ninguém. Faltava cinco minutos para a meia-noite, e de repente, as luzes de todas as casas simplesmente começaram a acender. Dean dera-lhe a mão, para ela se sentir segura. Tinha ocorrido mais uma morte.
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