Notas iniciais
HEY HEY HEY Esse é o prólogo ainda, ou seja, mostra o que aconteceu um pouco antes do tempo real da fic. (Mais precisamente quando a Syndra salva a Ahri, mas isso foi meio que um spoiler) :3 Espero que gostem, e lá vai:

Syndra sentiu seus pés chocando-se contra a terra fofa da trilha e seguiu na mesma direção do pequeno córrego ao seu lado.

O barulho do gorgolejar da água era quase que tranquilizante, embora a tênue luz que vinha da lua se contorcesse entre as árvores – formando sombras sinuosas que apareciam e desapareciam conforme as folhas se balançavam. A noite estava bastante fria.

A feiticeira apertou os braços contra o próprio corpo e tentou enxergar alguma coisa em meio à escuridão. Como sempre, esquecera de pegar alguma lanterna, tocha ou qualquer coisa que pudesse iluminar a floresta.

Maldito sensor de movimento. Por que tinha que apitar sempre que algo fora do normal acontecesse ao redor do templo flutuante?

Syndra revirou os olhos, levantando a mão direita. Poderia criar uma esfera iluminadora naquele instante, mas hesitou. Usar sua magia por muito tempo a deixava fraca. Se algo ou alguém aparecesse para atacá-la, não teria forças o bastante para lutar.

Naqueles dias, estava ficando mais cansada que o normal. O que estava acontecendo?

Parou de andar, olhando para trás. A ilha flutuava a muitos metros dali, praticamente estática. Os contornos da sua casa, que lembravam um templo chinês, eram um pouco perceptíveis na escuridão e, graças aos deuses (segundo Syndra), de um pouco mais longe seria impossível vê-la.

Isso era bom porque ela estava sinceramente cansada de matar invasores. Por que eles insistiam em entrar na floresta com suas armas e tochas, chamando-a de bruxa e querendo matá-la? Por que insistiam em procurar o templo do "demônio" que eles diziam viver naqueles bosques, sendo que sabiam que nunca ninguém havia voltado vivo?

Revirou os olhos na escuridão. "Ionianos...".

Estava cansada de ser tratada como um monstro.

Voltou a caminhar, dessa vez um pouco mais rápido. Algo dentro de si dizia que ela estava perto do que estava andando naquela floresta. Fechou os olhos, virando-se para a direita.

Perto, cada vez mais perto.

Um grupo. Um grupo grande. Estavam armados.

Mas um só vinha sozinho. Mais próximo, mais rápido. Estava fugindo.

Syndra ergueu os braços e, sem nenhum esforço, estendeu-os para a frente. Uma breve corrente de energia percorreu seu corpo, indo até suas mãos e passeando por seus dedos. Uma explosão de poder tomou conta de si e, ao abrir os olhos, quatro esferas roxas flutuavam ao redor de uma mulher.

Ela parecia assustada. Usava um vestido branco com adornos que, no escuro, Syndra chutava serem vermelhos e dourados. Mas o que mais a chamou a atenção foram, definitivamente, as nove caudas que surgiram de detrás do seu corpo, balançando-se em todas as direções, e as orelhas de raposa sobre sua cabeça. Syndra apertou os olhos, tentando observar o rosto da mulher, mas seus cabelos negros escondiam boa parte da sua face e o breu da floresta não a ajudava muito.

A feiticeira girou o dedo indicador, fazendo as quatro esferas rodarem ao redor da mulher raposa. Ela, que já estava a alguns metros de distância, recuou alguns passos e desfez a pose ameaçadora.

– Por favor... – Sussurrou. Syndra franziu o cenho ao perceber os cortes e hematomas que estavam distribuídos por seu corpo.

A mulher-raposa afastou os cabelos do rosto, revelando olhos redondos e amarelos que pareciam emitir brilho próprio. Estava chorando.

– Ela foi por aqui! – Ouviu ao longe. – Matem o demônio!

As orelhas da raposa movimentaram-se em uma direção e ela pareceu encolher, abaixando os ombros. Suas pernas tremiam, suas caudas pararam de se movimentar e ela abraçou o próprio corpo, olhando para Syndra.

– Por favor... – Sussurrou novamente.

Syndra respirou fundo, tentando se controlar. Podia ver a si mesma ali, naquele estado, fugindo das pessoas que insistiam em a perseguir e sendo odiada por motivo algum. Podia lembrar dos terríveis momentos que passou sendo chamada de aberração e monstro, e podia lembrar como correu.

Correu, correu, correu, e quando achou um lar ele foi destruído novamente.

Agora podia sentir o grupo se aproximando.

– Não se esconda, bruxa! – Os homens bradavam.

A feiticeira sorriu, girando uma das mãos. Ahri foi "segurada" por duas das esferas e empurrada para o lado quando o grupo de homens comuns armados com facas e lanças emergiu de onde ela antes estava, passando entre as árvores.

Eles pararam de olhar ao redor e mostrar expressões de raiva quando finalmente notaram quem estava a sua frente.

Seus cabelos prateados eram o que menos chamava a atenção. Um par de olhos violeta analisava cada um a sua frente e encarava-os com ódio – eles brilhavam como duas chamas.

– A Soberana... – Um dos homens murmurou, recuando alguns passos.

– Não. – Sorriu perversamente – Soberana ainda não. Vocês devem me chamar de... Syndra.

Os homens recuaram mais alguns passos, mostrando feições confusas e aterrorizadas quando a feiticeira tirou os pés do chão, flutuando calmamente ao lado de pequenas esferas roxas que surgiram ao seu redor.

– Lembrem-se desse nome, rapazes... – Ela sussurrou, erguendo as mãos. As esferas passaram a voar por cima de sua cabeça e, de repente, todas pareceram se voltar contra os invasores – ...E lembrem-se de nunca mais voltar.

As esferas dispararam contra os homens, enrolando-se em seus pescoços. Eles balbuciaram coisas, segurando-as com esperança de conseguir retirá-las, e andaram entre si sem mais armas nas mãos ou expressões a não ser desespero em seus rostos.

Syndra sorriu ao erguer delicadamente o dedo indicador, fazendo as esferas ficarem cada vez mais fortes, e virou-se para a mulher raposa, que foi jogada a alguns metros dali.

Sentiu seus pés chocando-se contra o chão novamente e caminhou até ela, ouvindo com atenção os gritos roucos e desesperados que mal conseguiam sair das gargantas de seus inimigos. A mulher-raposa a observou do chão, parecendo um pouco menos assustada, e analisou Syndra antes de aceitar sua mão para levantar.

– Meu nome é Ahri. – Ela murmurou, parecendo estar fraca e cansada demais para aumentar o tom de voz – Muito obrigada por me salvar. Eu... Eu estava andando pela floresta e eles vieram... Me chamaram de bruxa... Eu...

– Tudo bem. – Syndra sussurrou, tentando manter a voz calma e firme, e mostrou um sorriso amigável – Você está a salvo agora.

Ahri olhou por cima do ombro da mulher, vendo os cerca de dez homens contorcerem-se em busca de oxigênio, e olhou-a nos olhos antes de tentar sorrir também.

– Vamos. – Syndra passou o braço de Ahri por cima de seu ombro, dando-a apoio para andar, e se dirigiu à trilha de onde veio.

– O que você vai fazer com eles? – Ela perguntou, esforçando-se para caminhar.

– Ah. É mesmo.

Syndra estalou os dedos e deixou escapar um sorriso ao ouvir os gemidos cessarem.

Notas finais
YOOOOOOO o/