Notas iniciais
OI OLHA EU AQUI GOSTARIA DE AGRADECER À KATALON BR LUUH PELO COMENTÁRIO, VOCÊ É D+. ENTÃO NÉ GENTE O MAIS ESPERADO CHEGOU BEIJINHOS LEIAM

Syndra pigarreou e cruzou os braços, notando Ahri caminhar discretamente para fora do templo.

– Poderia me dizer para onde está indo? – Perguntou alto o bastante para que sua voz, normalmente doce e agora autoritária, ecoasse pelo enorme salão, chegando em breve às orelhas felpudas da mulher. Ela virou o seu rosto lentamente, notando uma Syndra de sobrancelhas franzidas, e deixou escapar um "Ah, merda." baixinho.

– Me desculpa, me desculpa, sério! – Ahri gritou, correndo em direção a Syndra. A feiticeira deu de ombros como não se importasse e virou o rosto – Eu sei que te prometi que ficaria aqui pelo final de semana todo, mas eu tenho que voltar agora!

– Você provavelmente vai se encontrar com um namorado. – Syndra murmurou, virando-se de costas para a amiga e andando em direção ao corredor – Sempre que você tem que voltar é pra isso, aí quando você volta pra cá você fica pedindo "Desculpa, desculpa, eu dei uma recaída!".

Ahri franziu o cenho, andando atrás dela.

– Eu não falo tão fino assim... – Resmungou, caminhando preguiçosamente e parecendo praguejar em uma língua desconhecida (que Syndra a dizia ser a "Língua da Floresta", mas ela alegava estar falando normalmente mas só um pouco mais baixo).

– Fala sim! E mente muito também! – Syndra exclamou, virando-se para ela – Você não sabe como é horrível ficar aqui presa sem poder sair! Eu fico o dia todo andando pra um lado e pro outro sem nada pra fazer!

– Me desculpa! – Ahri choramingou – Eu sei como você fica, mas dessa vez eu saio e volto rapidinho!

Syndra estreitou os olhos e analisou a mulher a sua frente, observando seus olhos amarelos.

– Quanto tempo você vai demorar? – Murmurou, olhando Ahri fixamente. Ela sempre ficava nervosa quando era encarada por muito tempo.

– Umas duas horas...?

Syndra mostrou a cara de tristeza e desapontamento mais poderosa que podia fingir.

– Eu sabia! Sabe, eu fico pensando se você é realmente minha amiga! Por que eu te ajudei mesmo? – Murmurou, balançando a cabeça algumas vezes para os lados – Depois de tudo que fiz pra você... E ainda diz que eu posso confiar em você... Ah, eu sempre sou enganada!

– Uma hora! – Ela exclamou, unindo as mãos como se estivesse pedindo perdão – Uma hora, eu prometo, ok? Ou até menos de uma hora, sabe? Eu vou só buscar um negócio, rapidinho, e volto pra passar o fim de semana todo com você! Conversando vinte e quatro horas por dia!

– Buscar o quê? – Syndra perguntou, cruzando os braços – Ahri... Não me diga que você está metida com essa nova droga que apareceu... Você é tão jovem, não deveria gastar seu tempo com isso! Eu fiquei sabendo que os negócios estão sendo bons mas isso é totalmente desnecessário...

– Droga? Eu nem conheço esse tal de Teemo e não ando pelas bandas de Noxu! – Ahri exclamou, erguendo os braços – E jovem demais? Syndra, você é só um ano mais velha que eu! Você tem, tipo, vinte e três?

Syndra rolou os olhos e gesticulou com a cabeça em direção à saída do templo, sinalizando para que ela fosse logo. Ahri deu um gritinho, mandou um beijo e fez um coração com ambas as mãos, correndo até o lado de fora. Em poucos segundos ela estava além do jardim e já tinha pulado da ilha, segurando seu amuleto com força. Seu grito empolgado ecoou pelo céu e Syndra notou os pássaros que assustaram-se e voaram das árvores.

Syndra respirou fundo, olhando ao seu redor. A decoração avermelhada e antiga do seu templo ainda era a mesma de quando havia chegado, infelizmente. Mesmo teto alto, mesmo salão enorme e vazio, mesmo corredor que escuro que levava a vários e vários cômodos inutilizados. Apoiou-se na parede, olhando para cima, e fechou os olhos buscando ter paciência. Estava com um mal pressentimento.

Abriu os olhos novamente, fitando a saída. Um pequeno anel negro repousava perto da escada, emitindo um brilho tímido. Syndra bufou, caminhou até ele e segurou-o com ambas as mãos, analisando seu formato e material. Era feito da mesma magia que as esferas.

Ahri esquecera o amuleto necessário para que subisse novamente à ilha.

Syndra suspirou, fitando o jardim que se estendia em frente ao templo. Metros e metros além das plantas a grama sumia, revelando o céu extremamente azul e sem nenhuma nuvem que a rodeava. Era estranho pensar que estava constantemente flutuando sobre uma floresta inabitada e sinistra.

Syndra estalou os dedos, fazendo uma pequena esfera roxa surgir em sua frente, e segurou-a com uma mão. Desceu as escadas de pedra do templo, observando as pequenas árvores ao seu redor e sorriu conforme se aproximava da extremidade da ilha.

Virou-se para observar o templo, andando para trás, e sorriu com a visão dos pessegueiros antes de ser engolida pelo vento e cair livremente.

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Syndra ajeitou a barra do vestido ao pousar os pés na floresta e jogou a pequena esfera para o alto, que girou e sumiu rapidamente. Bem, para ela era fácil subir e descer o tempo todo, já que podia criar uma esfera transportadora, mas Ahri não conseguia fazer algo desse tipo com sua magia.

Para facilitar sua inda e vinda, Syndra fez uma mini-esfera portátil para Ahri, mas ela perdeu umas duas ou três alegando que “caíam do bolso”. Depois delas, Syndra fez quase cinco colares com uma mini-esfera de pingente, mas sempre que Ahri tomava banho no rio a correnteza levava. Por fim, fez um anel e ela finalmente passou mais de uma semana com ele, até perdê-lo no templo naquele exato momento.

Ahri só não perdia a esfera utilizada para descer pois ela ficava na entrada no templo e Syndra sempre a lembrava de deixá-la na porta. A feiticeira rodou o anel mágico no ar, observando-o conforme andava pela trilha sem pressa. Se Ahri estivesse indo para o Norte (e ela sempre estava), seguiria naquela direção.

Sentiu um mal pressentimento novamente mas continuou a caminhar, olhando ao redor quando ouvia algum barulho. Em questão de dez minutos o seu sensor apitou e ela recuou alguns passos, fechando os olhos para tentar sentir o que vinha. A princípio não conseguia perceber nada, até que notou algo diferente. E agora parecia estar a sua frente.

Syndra abriu os olhos com rapidez, criando quatro esferas e jogando-as para a frente, mas uma sombra passou pela frente dos seus olhos e ela apenas sentiu algo frio contra a sua garganta. Uma lâmina.

Prendeu a respiração, tentando não se movimentar. Quem quer que segurava aquilo deixou-a rente ao seu pescoço, como se a indicasse para não fazer nenhum barulho. Syndra não conseguia identificar o que estava atrás de si.

Era como um vazio. Uma sombra.

– Quem é você? – Murmurou, observando as esferas no chão, a sua frente, tremendo levemente como se esperassem um comando. Tentou fazer com que elas se movimentassem aos poucos sem chamar atenção, mexendo as mãos – rentes às laterais do seu corpo – lentamente.

Seu pulso direito – justamente o utilizado para coordenar as esferas – foi puxado para trás e pressionado contra suas costas, arrancando de Syndra um resmungo.

– Nem pense nisso, Soberana. – Uma voz rouca e masculina murmurou, parecendo vir de atrás de si. Syndra franziu o cenho, afinal, não sentia nenhuma presença ali fora a lâmina rente ao seu pescoço e uma força que pressionava seu pulso, imobilizando-o.

– Não sou a Soberana. – Ela murmurou de volta, mordendo o próprio lábio inferior – Quem é você?

– Vamos pular essa parte. – Ele sussurrou. Syndra sentiu seu pulso sendo liberto e a lâmina distanciar-se de seu pescoço. Rapidamente, virou-se de costas e chocou-se com o inimigo.

Era alto. Trajava uma armadura com vestes vermelhas e duas enormes lâminas prosseguiam além de suas mãos, bifurcando-se em duas cada. Como se isso já não fosse o bastante, algumas enormes shurikens pareciam estar presas às suas costas. Sua presença parecia seduzi-la e assustá-la ao mesmo tempo.

Syndra tentou não parecer muito intimidada, embora a máscara que o ninja usava cobrisse seu rosto, deixando exposto apenas o brilho de um par de olhos escarlates e o silêncio a perturbava mais a cada segundo. Esperava muito ouvi-lo falando algo – só não sabia por quê.

Os olhos escarlates eram até que atraentes e Syndra continuou observando-os em silêncio por alguns segundos, até ouvir um murmúrio que parecia ter sido um risada por parte do homem. Ah, ela terminou de lembrar que teria que matá-lo agora.

Ergueu as mãos, recuando rapidamente e ordenando as esferas para atacarem aquele ponto.

O ninja sumiu diante dos seus olhos. Syndra franziu o cenho, olhando ao redor, mas ele parecia ter sumido completamente. Recuperou o controle das esferas e caminhou com cuidado em círculos, olhando para o topo das árvores – que criavam um espectro sinistro naquele ponto.

Ouviu um ruído à esquerda e, rapidamente, fez com que uma esfera fosse até lá e gerasse uma pequena explosão. Atentamente, ouviu o som de um pulo até o outro lado e jogou outra esfera para a direita, criando um barulho ensurdecedor.

A risada rouca que arrepiou seu corpo por completo chegou ao seus ouvidos e ela olhou para cima. Uma sombra passou por cima da copa das árvores e brevemente ela sentiu uma pontada de dor nas costas.

Tinha sido atingida por algo pontudo.

Virou-se de costas e pegou impulso no chão, jogando-se para trás e empurrando o homem com as esferas. Tentou ignorar a dor com um sorriso sarcástico.

– Te mandaram para me matar? – Perguntou, observando-o recompor-se do impacto, e trouxe as esferas para perto de si novamente. Ele ergueu o rosto e seus olhos escarlate pareceram brilhar com mais intensidade.

– Eu mato por diversão. – A feiticeira prendeu a respiração, sentindo que ele tinha aparecido atrás de si e agora tinha tinha a lâmina no seu pescoço novamente. Ele puxou seu pulso com mais força dessa vez, pressionando-o contra seu quadril, e sussurrou próximo a sua orelha – E eu não trabalho para Ionia.

Syndra sentiu como se sua voz grave ecoasse por todo seu corpo, enfraquecendo-a mais ainda. Uma repentina tortura a fez gemer conforme o ferimento em suas costas parecia sangrar cada vez mais e, aos poucos, sua visão escurecia. Droga, agora estava fraca demais para conseguir mexer qualquer uma de suas esferas.

– Pelo menos eu não morrerei pelas mãos deles. – Syndra sussurrou, piscando os olhos lentamente, e esboçou um fino sorriso – Mas morrerei sem completar minha vingança.

A lâmina e a força contra seu pulso pareceram recuar um pouco, mas não hesitaram. Iria morrer.

Antes de cair no chão, ouviu Ahri gritando seu nome e o barulho do seu orbe atravessando algo.

Notas finais
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