Scarlet Roses
5 Kiss
Notas iniciais
Syndra respirou fundo e apoiou-se na parede do quarto, apertando as unhas contra a capa de couro do livro. Seu coração batia tão rápido que o barulho incomodava o seu necessário desejo de pensar, martelando seus ouvidos. Primeiro: ela não fazia a mínima ideia do que tinha acabado de acontecer, segundo: sua única certeza era a raiva gritante que sentia de Zed naquele momento. Por que ele tinha que ser... Ele mesmo?
Fechou os olhos, respirando fundo. Seu corpo se acalmou um pouco, mas suas bochechas ainda queimavam como brasa. Tudo que ela conseguia pensar era contato físico e mais contato físico.
Olhou para o corredor atrás de si e desejou que Zed não aparecesse vindo em sua direção naquele momento. Alguns segundos se passaram e ele não veio, e Syndra sentiu-se à vontade para dar mais alguns passos para dentro do cômodo. Depositou o enorme livro sobre a cama. Observou a armadura de Zed encostada na outra parede e suspirou, observando as manchas de sangue seco. Por que diabos tinha salvo alguém que quase a matou por motivo nenhum?
O quarto, apesar de espaçoso, fazia-a sentir-se presa. Mesmo sua boa iluminação e suas paredes altas e claras a davam vontade de sair dali para respirar um pouco. Tinha que se distrair até conseguir esquecer o que Zed a causava, e era uma pena que naquela situação seria bem difícil ela conseguir sair do templo.
Ah, se Ahri estivesse lá tudo seria muito mais fácil. Syndra poderia andar com ela para outros lugares – Demacia, Freljord, Bandle City... Era tão bom ter uma amiga que conhecia gente em tudo que era lugar... Mas, infelizmente, ela teria que esperar três dias para sair. Passaria três dias dentro daquele enorme templo com O Grande e Misterioso Zed, O Mestre das Sombras, O Gatinho das Trevas... Syndra revirou os olhos. Sentia-se uma idiota e algo dentro de si insistia a dizer que ela realmente era.
Sua intuição apitou. Zed estava indo ao quarto naquele momento.
Syndra entrou em desespero, como se o seu pior pesadelo estivesse se tornando realidade. Olhou ao redor com rapidez, procurando algum lugar para se esconder. A cama era baixa demais para que ela se enfiasse por baixo, o armário velho no canto do quarto era muito empoeirado e estava trancado e... Bem, ela não caberia na gaveta da cômoda. Seus olhos foram parar na janela e ela suspirou, aliviada, ignorando totalmente seu senso de “Tu tá ficando louca?”.
Ok, esse era o plano: Zed demoraria em torno de dez segundos para chegar, então ela teria tempo para correr até a janela do outro lado e se jogar para o jardim. Naquele momento pareceu uma ideia genial, embora ela pudesse cair em cima de algum arbusto espinhento ou por cima de um braço. Sem outra solução, ela se viu correndo até a janela como se não houvesse amanhã.
Logo depois de tropeçar no tapete e quase cair de cara com o chão, ela percebeu que seria difícil suspender o próprio corpo. Primeiramente, Syndra nunca fora reconhecida por sua força física, então ficaria difícil apoiar-se no batente e erguer-se com a maior facilidade do mundo. Mordeu o lábio inferior e impulsionou o próprio corpo para o outro lado, observando ansiosamente a grama verde e fofinha. Zed estava prestes a entrar no quarto.
O desespero bateu de vez. Syndra segurou no batente com ambas as mãos e conseguiu jogar-se com quase êxito, ficando deitada por cima dele. Suas pernas não tocavam o chão.
Ela só percebeu em que situação havia se metido quando percebeu que Zed já havia entrado no quarto e estaria observando sua bunda com um interesse incomum. Ela esperava que esse interesse fosse a vontade de saber por que ela estava ali, pendurada, sem a menor possibilidade de sair sozinha sem cair no chão.
Syndra soltou um grunhido triste. O batente pressionava sua barriga, dificultando sua respiração, e ela quase que conseguia sentir o olhar de Zed queimando sobre sua pele. Ele passou longos segundos em silêncio, até sua risada finalmente ecoar pelo quarto.
E ele riu, riu e riu enquanto Syndra esperava ansiosamente algum tipo de ajuda para descer daquele lugar. Pensou em impulsionar o corpo para trás, mas as suas mãos não alcançavam mais o batente direito e os seus cabelos insistiam em cair pelos lados da sua face, a incomodando.
A risada de Zed era o que mais a incomodava. Até a risada dele conseguia ser incrivelmente bonita. Syndra olhou para baixo, observando a grama. A altura era um pouco maior do que ela se lembrava. Depois de um tempo, Zed parou de rir. Syndra ouviu seus passos, e logo sentiu suas mãos segurarem-na pela cintura. Exatamente, ele a segurou pela cintura e a levantou com delicadeza, até Syndra recuperar o equilíbrio e conseguir ficar de pé.
Syndra prendeu a respiração e colocou as mãos sobre o batente da janela, encostada contra a parede. Sabia que Zed ainda estava atrás de si. Virou-se para ele, esperando poder sair, mas mudou de ideia imediatamente quando fitou seu sorriso de canto. Agora queria ficar observando-lhe para sempre.
— O que você estava fazendo? – Ele perguntou. Syndra sentiu o rosto esquentar, tentando ficar o mais distante possível dele. Era difícil, afinal Zed estava quase a pressionando contra a parede com o próprio corpo.
— Observando a paisagem. – Respondeu. Ele ergueu uma sobrancelha. Syndra não precisava que ele dissesse nada para expor que estava achando aquilo muito estranho.
— Tudo bem, então.
Ele continuou a encarando. Syndra corou e desviou o olhar, esperando que ele a deixasse sair. Não conseguia falar nada, e mesmo que conseguisse teria vergonha de dizer alguma coisa. Ah, era difícil se manifestar quando aqueles olhos escarlate analisavam o fundo da sua alma.
Zed se aproximou. Syndra achava que não era possível ele ficar mais perto que aquilo, mas se surpreendeu quando a distância entre seus rostos se tornou quase nula. Agora tinha que observá-lo, mesmo estando tão envergonhada.
Havia algo estranho em seus olhos. Algo diferente e confuso. Imediatamente, Syndra voltou a pensar em coisas como “Quero me pegar com ele” e “Socorro”. Zed não parecia muito menos confuso. Syndra conseguiu pensar “uh-oh” ao perceber o que estava prestes a acontecer.
As mãos de Zed guiaram-se até sua cintura. Syndra prendeu a respiração quando percebeu como o olhar dele intensificou-se milhões de vezes mais. Zed aproximou-se mais um pouco, e até ele parecia não saber o que estava fazendo.
Syndra fechou os olhos quando ele ficou perto demais. Sentiu seus lábios se tocarem.
Sua mente piscava em diversas cores, como luzes de uma boate, e a música que tocava apenas dizia “Oh, meu Deus” diversas vezes. Sua mini-Syndra responsável pelas emoções pulava e dançava como se tivesse ganhado na loteria.
Zed inclinou o corpo sobre o seu, e Syndra quase surtou ao sentir o calor da sua pele a colocando cada vez mais para baixo. Finalmente, o beijo tomou forma. Ela sentiu um arrepio percorrer sua espinha e as mãos de Zed fixaram-se em sua cintura com força, enquanto ele passou a mexer os lábios lentamente.
Ah, os lábios dele eram macios e quentes. Syndra sentia vontade de empurrá-lo contra o chão e subir nele imediatamente, mas não conseguia fazer nada – apenas ser conduzida. De qualquer forma, sentia algo de diferente naquele beijo.
Tentou começar a pensar nisso, mas as suas línguas se tocaram e um arrepio violento tomou conta do seu corpo. Seu coração começou a bater mais rápido, e agora sentia que ia perder o equilíbrio. Syndra colocou as mãos sobre os ombros de Zed. Arranhou-os levemente. O beijo continuou calmo. Não tomou um ritmo acelerado, para tornar-se apenas carnal e desesperado. Parecia mais um descarregar de forças.
Syndra apertou os olhos mais severamente ao perceber que precisava respirar. Eles se separaram e ela abriu os olhos. Zed estava um pouco ofegante, com os lábios avermelhados e igualmente confuso. Ele a fitou e depois de alguns segundos conseguiu murmurar:
— Isso não é bom.
Syndra continuou parada. Bem, ainda estava em choque por seu maior crush de todos os tempos ter a beijado. O encarou. Ah, queria montar nele e não sair nunca mais. Observou seu tronco, descendo os olhos lentamente por seus músculos, e olhou-o nos olhos por mais alguns segundos.
Sentiu o rosto esquentar como nunca havia esquentado antes, e saiu do quarto o mais rápido que pode. Aquela fora sua terceira saída dramática daquele dia.
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