Scarlet Roses
3 Look
Notas iniciais
Zed abriu os olhos, sentindo-os doer com a repentina claridade. Não reconhecia o teto de madeira que observava e nem fazia a mínima ideia de onde tinha parado, embora a lembrança de algo perfurando sua barriga ecoasse em sua mente. Olhou de canto para a esquerda, percebendo uma mulher. Seus cabelos longos, lisos e prateados escondiam boa parte de sua face, enquanto ela permanecia sentada e imóvel numa cadeira a poucos metros de onde Zed estava. Parecia estar cochilando.
Será que tinha sido capturado?
Zed mexeu os pulsos, assegurando que eles não estavam amarrados, e tentou girar o corpo para levantar de onde estava deitado. A mulher levantou o rosto, revelando as íris roxas que destacavam-se em sua pele branca, e estreitou os olhos de forma desafiadora. Ela permanceu encarando Zed por dolorosos segundos, até descer o olhar ao seu abdômen e morder o lábio inferior.
Ele franziu o cenho, notando as faixas curativas que enrolavam a sua barriga. Zed colocou a mão no rosto, sentindo a própria pele e não a superfície gelada de metal da máscara e fitou a mulher novamente, que desviou o olhar e ficou de pé.
– Você está bem? – Ela murmurou, fitando o chão. Zed a analisou por alguns segundos, tentando a reconhecer, mas seus cabelos insistiam em esconder boa parte de sua face. Bufou, girando o corpo completamente e sentando-se na beira da cama.
– Quem é você? – Perguntou, passando uma das mãos nos cabelos. A mulher pareceu estremecer e ergueu o rosto vagarosamente.
– Meu nome é Syndra. – Sussurrou, preservando sua expressão séria.
– Onde eu estou? – Zed questionou, olhando-a nos olhos. Ela pareceu não gostar de sua expressão, provavelmente rude e dura como sempre, pois desviou o olhar para o lado.
– Meu quarto. – Ela murmurou, respirou fundo e cruzou os braços na altura da barriga, fazendo com que seu vestido negro (que deixava sua cintura a mostra) subisse um pouco. Zed passeou os olhos pelas linhas do seu corpo, analisando-o atentamente, e subiu-os aos seus lábios.
– Por quê? – Ele perguntou novamente, percebendo a mulher encolher-se sob o peso do seu olhar – Eu dormi com você, ou algo assim?
O rosto dela tornou-se totalmente vermelho e seus lábios se entreabriram, soltando um suspiro desesperado. Zed sorriu mentalmente quando a respiração dela começou a se descontrolar, fazendo seus seios subirem e descerem num ritmo hipnotizante.
– Não! – Exclamou, tentando voltar à sua postura séria e imóvel – N-Nós lutamos ontem de noite, na floresta.
Zed ergueu uma sobrancelha, observando a mulher recuperar-se e voltar a respirar normalmente.
– E por que eu estou aqui?
– Porque você se machucou muito. – Ela murmurou – E me machucou muito também. Você enfiou aquilo na minha barriga.
Zed observou para onde ela havia apontado e percebeu o resto da armadura no chão, encostada numa parede. Uma das lâminas que levava nos braços estava suja de sangue seco, assim como alguns pontos do torso em geral. Ele voltou os olhos para Syndra e a observou de cima a baixo novamente, quase apertando suas coxas com os olhos.
– E por que você não morreu? – Perguntou, subindo os olhos lentamente ao seu rosto. Ela pareceu ranger os dentes e revirou os olhos, respirando fundo novamente.
– Porque eu me curei. Mas eu não sei direito curar outras pessoas, então eu fiz o possível com você.
Zed passou os dedos sobre as faixas curativas enroladas em seu tronco e finalmente percebeu as pontadas de dor que o incomodavam naquela região. Preparou-se para fazer outra pergunta, mas uma voz feminina vinda de longe dali atrapalhou seus pensamentos.
– Syndra!
A mulher a sua frente ergueu o rosto e deu as costas, abrindo a porta atrás de si. Uma outra mulher, de olhos amarelos e cabelos negros estava do outro lado, sorrindo animadamente. Seu olhar caiu sobre Zed e ela, rapidamente, puxou Syndra pela mão e fechou a porta, deixando o rapaz sozinho no quarto.
Ele suspirou e olhou ao redor, observando as paredes claras e o chão de madeira. Uma janela a sua esquerda revelava um jardim simpático do lado de fora, e, mais ao longe, uma floresta escura que parecia estar... Embaixo deles?
Zed franziu o cenho ao perceber onde estava, mas desviou a atenção para a conversa das duas garotas que podia ser ouvida perfeitamente.
– Quem é esse? – A que acabara de chegar perguntou, parecendo nervosa.
– É o cara de ontem! — Syndra murmurou, parecendo bastante nervosa também.
– Mas... Por que ele tá sem camisa? E por que ele é tão gato?
– Ahri, para com isso! Eu tirei a parte de cima da roupa porque, sabe, seu orbe atravessou o corpo dele e ele tava sangrando!
– Mas por que ele é tão gato? Ele quase te matou! – A que ele deduziu ser "Ahri" exclamou, soltando uma espécie de gritinho muito fino. Ele pôde ouvir Syndra dando uma risadinha baixa e animada, e quase pôde imaginar as duas se sacudindo como duas adolescentes.
– Ah, tá, eu sei, eu também acho ele muito bonito! – Ela falou um pouco mais baixo – Eu não sei como agir!
– Qual o nome dele? – Ahri perguntou. Zed respirou fundo e observou as próprias mãos, sorrindo de canto. Quando percebeu que Syndra estava prestes a dizer alguma coisa, pigarreou e falou alto o bastante para que elas ouvissem:
– Zed. Meu nome é Zed.
O silêncio permaneceu por longos segundos, e o rapaz já conseguia imaginar como Syndra estaria completamente envergonhada. Ahri, após resmungar alguma coisa, murmurou um pouco mais baixo que antes:
– É... O nome dele é sexy.
Zed ficou de pé e caminhou até a porta, girando a maçaneta. Do outro lado, Syndra estava de costas para ele, totalmente imóvel, e Ahri estava a sua frente com suas orelhas felpudas – que ele só percebeu naquele momento – abaixadas.Ela, rapidamente, deu as costas e andou alguns metros, virando para a direita e sumindo no corredor.
– Syndra. – Zed murmurou, parado atrás da mulher. Ela virou-se lentamente e olhou-o nos olhos, mesmo parecendo tão envergonhada a ponto de poder explodir a qualquer momento. O rapaz divertiu-se em silêncio com sua vulnerabilidade e com a diferença de altura interessante entre eles, e ela continuou o encarando como se seus olhos perolados pudessem ler seus pensamentos. Mordeu o lábio inferior, desviando o olhar para o lado.
– Zed, não é? – Perguntou, corando mais um pouco. Ele rendeu-se a dar um sorriso de canto e a observou dar as costas e andar pelo corredor – Vamos.
Zed analisou seu corpo novamente e mordeu o lábio inferior, observando o movimentar dos seus quadris. Depois de alguns segundos, decidiu a seguir.
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