Sayonaara Daarin
3 Drako I
Os anos passavam tranquilos e os meus irmãos adotivos cresciam fortes como o pai e belos como a mãe.
Eu também havia mudado bastante. O meu corpo que outrora fora esquálido, tinha-se tornado robusto e adquirido um bronze atraente, devido às longas horas de trabalho na costa. E tal como nos últimos 5 anos, hoje estava na costa, carregando material de construção de barcos. Transpirava devido ao sol escaldante do meio-dia. Uma gota de suor escorregava pela base do meu pescoço, entre os seios, desaparecendo por baixo do meu top e reaparecendo para continuar a sua trajetória pelo meu torneado abdómen ate a borda das minhas calças de trabalho.
Tinha agora 18 anos e ainda me lembrava perfeitamente do dia em que Spitz-sensei me salvou… a 12 anos atrás.
……..
O sino de troca de turnos soou e eu dirigi-me ao meu cacifo.
E lá estavam, mais uma vez, a olhar para mim. Não havia nada que me irritasse mais do que ter os meus colegas de trabalho seguindo os meus movimentos com seus olhares abusivos.
Hoje havia menos movimento nas docas, por isso acabei chegando muito mais cedo a casa. Spitz-sensei estava fora do país e meus irmãos trabalhavam até tarde.
Entrei pelo nosso jardim, que como todas as tardes, reluzia ao por do sol e exalava o doce cheiro das Rainha da noite, prontas para desabrochar.
–Tadaima – gritei, sem resposta – Aloooww?
Quando já me convencia de que a casa estava vazia quando ouvi um leve murmuro vindo do quarto de Heim, que estava virada para o seu espelho.
– As marcas voltam, minha linda. – disse um velho minúsculo sentado na cama dela.
– Eu sei. – resmungou — faz algo quanto a isso.
– Mas tu já sabes o que fazer. – disse o velho, mostrando o seu horrendo sorriso amarelo.
– Ajuda-me raios! – gritou já perdendo a paciência.
–Claaarooo. – sussurrou o velho, esfumando-se no ar com uma gargalhada.
Voltei pata o jardim antes de ser vista.
– Tadaima! – gritei, reentrando em casa.
– Okaeri Da-chin – disse Heim sorrindo.
Virou-se para a cozinha e pude, por breves instantes, ver a mancha preta que o seu cabelo escondia.
Que seria aquilo?......
……….
Já a noite caia quando Esel e Liese voltaram dos campos de caça nos arredores da cidade. Sentamo-nos a mesa como todas as noites.
– Daqui a um mês Spitz volta.– disse Heim – e passa o aniversario conosco.
– Feeestaaa! – gritou Esel
– Podíamos convidar o primo Drako.
E assim, a conversa prolongou-se pela noite dentro.
Drako…..
A única vez que ouvira esse nome, voltava de um funeral. O funeral dos pais de Drako; e mesmo assim só tive um pequeno vislumbre da sua pequena face.
Como estaria agora?.....
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