Estava mais uma vez na costa, quando o barco chegou. Na sua proa, a escultura de uma bela sereia e um rapaz de cabelos cor de fogo estava… raspando a madeira de seus seios?

– Tch… mais um hentai.-

Logo que o barco atracou, ele saltou da escultura e saiu a correr pelas docas gritando:

Estou de volta, estou de volta! – parou um momento ao ver-me – Daarin? Sou eu Drako!

Correu ao meu encontro e abraçou-me.

Tu… como é que te lembras de mim? – perguntei ainda espantada pelo seu jesto.

És simplesmente inesquecível – respondeu.

O meu coração palpitou ao fitar os seus olhos de um azul imenso, tão imenso que o azul do mar ou mesmo o do céu parecia infinitamente pequeno. Os meus colegas fitavam aquele estranho, por parte admirando e por outra invejando a sua coragem de se dirigir a mim de forma intima.

Vamos para casa? – perguntou sorrindo estupidamente.

Ainda tenho que acabar o meu turno. – respondi, voltando ao trabalho.

Drako sentou-se num pilar de caixas, abanando as pernas, seguindo o bater de asas de qualquer inseto que passasse e ocasionalmente sorrindo as raparigas que passeavam pela doca. Era como uma criança presa no corpo de um adulto.

Mais uma vez, o sino anunciou o final do turno e ao voltar dos cacifos, encontrei Drako sentado no chão e encostado ao pilar. Dormia tranquilamente.

Drako havia sem duvida, se tornado num másculo adulto. Antes que me apercebesse, passava a mão pela sua bela face.

Pyõõõn! – disse ele, segurando a minha mão de repente – Pfft, não te assustaste. – acrescentou amuado.

Vamos para casa.

……

Este jardim…– disse Drako ao entrarmos. – Aposto que és tu que trabalha nele, tem a tua cara. Suave, doce e lindo.

– Vamos entrar. – respondi virando-me para esconder a minha cara corada. – Tadaima.

Esel e Liese, que estavam de folga hoje, vieram rapidamente dar as boas vindas ao seu primo. E assim a tarde foi passando entre risos e boas novas.

Ao fim do dia, subi ao telhado para ver o por do sol e pouco depois Drako apareceu.

É lindo, não é? – perguntou-me.

Abanei a cabeça afirmativamente e ele sentou-se ao meu lado. Havia algo de diferente nele agora. Emanava uma calma intensa, o olhar sábio de quem tinha a resposta para todos os mistérios da vida.

Já não parece uma criança. – murmurei.

Drako olhou para mim e riu-se as gargalhadas. Aquela gargalhada era familiar.

A água quente escorria pelas minhas costas, relaxando os meus músculos e levando consigo parte do cansaço desse dia.

Nada melhor do que um banho certo? – perguntou Drako, do outro lado da porta.

Pois. – ele não havia parado de falar desde que descêramos do telhado.

Dirigi-me ao meu quarto e ele ao dele, acenando como um pivete. O sono tomou conta de mim quase imediatamente.

Ah! – gritei

Estava escuro; provavelmente haviam-se passado poucas horas desde que fora dormir.

Shhh. Calma Daarin. – disse uma voz.

Senti alguém afagando o meu cabelo, mas por mais que tentasse levantar-me, a cansaço travava os meus movimentos.

Eventualmente acabei por voltar a adormecer…….