Sayonaara Daarin
2 Da-Chin
Notas iniciais
Abri os olhos por breves instantes.
– Vocês não podem fazer isso! – gritava um homem – É só uma criança.
– Prisioneiro de guerra – repetia o soldado, fazendo pouco caso.
Escuro….
Voltei a abrir os olhos. Sentia-me fraca e o máximo que pude fazer foi sentar. Estava numa cela espaçosa e impressionante bem cuidada. Do outro lado, sentado num banco, dormitava o soldado que a pouco havia discutido com aquele senhor cuja cara não me era estranha.
– Já de pé? – perguntou ao notar que estava acordada – com esses ferimentos, suponho que não consigas fazer muitos movimentos.
Com isso entrou na minha cela, carregando uma travessa cheia de comida. Sentou-se a meu lado.
– Vá, abre a boca. – disse, levantando a colher.
A sopa estava quente e sabia a paraíso. Lagrimas vieram-me aos olhos enquanto saboreava aquela pequena bênção… Nem sequer tinha notado o quão esfomeada estava.
Tinha terminado de comer quando voltou aquele homem de antes.
– Soldado! – disse, com a sua voz trovejante – A prisioneira pertence-me. – acrescentou, exibindo um contrato.
O soldado virou-se para mim e sorriu.
…….
O homem carregou-me pela prisão a fora, pelas ruas cheias de gente ate sua casa. Era o seu belo semblante que eu havia visto naquela noite, a face da salvação que agora me outorgava a liberdade.
Ao chegarmos, poisou-me num banco e duas crianças, pelo menos dois anos mais velhas do que eu, vieram ao nosso encontro.
– Kyaaaa! Tão fofa! – disse a menina.
– Parece uma múmia. – retorquiu o rapaz puxando as minhas ligaduras.
– Quietos. – rugiu o homem, virando-se depois para mim com um sorriso – Eu sou Spitz e estes são, o meu filho Esel e minha filha Liese.
– E eu sou Heim, a mãe deles. – disse uma mulher fascinantemente bela, que saia pela porta principal.
Os meninos faziam- me uma serie de perguntas, as que eu tentava responder antes que lançassem outra.
– Oh! Mas nós não sabemos o teu nome, nem a tua idade.– disse a menina.
– Daarin. Tenho 6.– respondi enquanto me puxavam o cabelo.
–Da-Chiiiin! – gritaram abraçando-me. Estava segura.
Ou isso achava………
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