Say Something
1 Prologo
Notas iniciais
musica: http://letras.mus.br/rae-morris/grow/traducao.html
enjoy
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Prologo
GrowE certas conexões são únicas
e
fogem do entendimento dos demais.
-Afrodite de Marcel Baron
Dean se sentia perdido, acabado. Ela tinha prometido. Ela nunca o deixaria. Era essa a promessa. Nunca, nunca o deixar. Para sempre e sempre. Droga, porque?
Ele a olhou, fixamente. Olhou o rosto de Caroline e esperou. Esperou que ela acordasse, que ela soubesse o que tinha feito a ele era uma estúpida brincadeira. Nada. Caroline não se mexia, não respirava. Então seria assim? Não teria nada. Não restaria mais nada. Estava quebrado. Dean estava completamente quebrado. O loiro saiu pela abertura do caminhão, correndo.
Dean corria pela floresta densa de Mystic Falls. Era quase tranquilizador toda a adrenalina no seu corpo, era quase suportável. Sufocava um pouco da dor gritante em seu peito. Não era somente a raiva do Caçador que queimava seu interior, era também a raiva de si mesmo.
Ele havia prometido para si mesmo nunca deixar Caroline, sempre a proteger e amar. Havia fracassado amargamente, fracassado com Caroline. Mas não tinha problema, não é? Ele sentia agora. Sentia que havia sido machucado, quebrado.
O Loiro corria para se livrar da dor e da raiva que habitava seu ser, corria para se livrar das imagens que surgiam em sua mente, imagens suas e de Caroline. Corria para longe de seu fracasso. Corria sem rumo, sem um lugar certo em que chegar. Ela simplesmente corria para o mais distante possível do ser oco que Caroline se transformara. Ela estava morta.
Mas não adiantava, e sabia disso, quanto mais longe ficava de Caroline, mais doía. Mais seu coração clamava para voltar para ela. Ele precisava parar, parar de sempre fugir. Fugir do que sentia, parar de fugir de Caroline.
Mas, antes, precisava deixar tudo o que sentia sair. Se deixar cair para então desligar. Acabar com sua própria dor. Dean parou, olhando ao redor.
Não havia nada mais que pedras e grama alta. O céu azul tocava o verde da grama em uma imensidão de nada. Perdido e sozinho. Exatamente como ele se sentia. Ele precisava dizer adeus. Adeus a tudo que perdeu. Perdera tudo por Caroline e perdera Caroline.
Sozinho e sufocado como se sentia, era fácil perceber como o destino pode ser cruel. Porque, de tantos em tantos no mundo, se apaixonar por quem nunca vai ter é lei. Quase como uma regra pré estabelecida: Ame o que nunca vai ter. Ame para odiar. Ame para se machucar. Ame quem esta longe e que sempre vai estar longe. Caroline era intocável. Completamente intocável.
E por isso, talvez, tornasse a dor ainda mais esmagadora. E, apesar de saber que jamais mudaria, ou que jamais a teria de volta sem um preço, ele não podia simplesmente aceitar o fato que Caroline estava morta e seguir em frente. Não, não seria tão fácil assim. Sabia que sofreria muito, e que mesmo assim, tudo o que queria agora, era agarra-la para sempre.
A questão é: Seguir ou não enfrente? E se decidir que sim, e não conseguir? O que resta? Nada. Pareceu um bom dia para se apaixonar quando Caroline entrou em sua frente e roubou sua atenção. E se permanecesse na cama aquele dia, mudaria de algo? Claro que não, ela sempre pertenceu a ele. E não importava de verdade o dia, acabaria por se apaixonar por ela. E, não importava nada, ela continuaria inalcançável.
Era, enfim, um grande paradoxo: Não podia esquecer Caroline. Nem por mil anos conseguiria isso. A amava de mais. Não dava para aceitar que estava morta. Ele precisava te-la novamente.
Ele só precisava admitir em voz alta uma vez, só precisava dizer uma vez. Uma única vez e se desligaria. Acabaria com tudo que pudesse machuca-lo e traria Caroline de volta.
– Eu sempre me perguntei o real significado de todas as canções de amor, ou poesias... E finalmente consegui entender. Amar alguém, e querer que o ser amado seja feliz, mesmo que você abra mão da sua própria felicidade. Você deixa de ter a mente no lugar. Você esquece o que era importante pra você e faz aquilo que é importante para a pessoa. Você se entrega, cai de cabeça, fecha os olhos e os ouvidos. É como andar no escuro. — as lagrimas rolavam pelo rosto do loiro . Doía? sim, doía. Muito. Por que ele admitia a verdade, admitia que a amava. Mas, com isso, também tinha que admitir que ela não pertencia mais a ele. — Eu te amo. E, por um momento, a tive para mim, e nunca vou me esquecer disso. Mesmo que por pouco tempo. E, mais uma coisa, me perdoe pelo que vou fazer. Você ira me odiar assim que acordar, e vou perde-la para sempre. Mas não posso abrir mão de você. Não consigo, Car. Não dá. Me perdoa. Eu não posso viver em um mundo que Caroline Forbes não exista.
Dean respirou fundo, vendo o céu escurecer pouco a pouco. Secou as lagrimas do rosto, prometeu que paparia de chorar e deitou-se no gramado, deixando tudo que sentia com relação à morte de Car sair. As mãos apoiando o queixo, os dentes mordendo o lábio inferior e os olhos, verdes e amargos, brilhando com lagrimas não derramadas. O frio típico da região, açoitando seu rosto, que com o tempo, havia tomado uma coloração avermelhada. Ele estava com frio e fome, mas não queria sair dali. E, principalmente, não queria dormir. Esperaria pacientemente até a meia noite.
Estava com medo de fechar os olhos, e pronto. Tudo o que viveu com Car se tornasse um pesadelo sem fim. Estava com medo de sonhar com o que Caroline faria quando descobrisse o que ele estava prestes a fazer. Sabia que sua mente não deixaria de se lembrar. A imagem do corpo de Caroline havia se tornado assustadora ao suficiente para temer repousar a cabeça em qualquer lugar, e simplesmente dormir. Como ervas daninhas, a imagem da carcaça da menina atormentava sua mente.
-Está ai há muito tempo.- O sussurro era suave mas vibrante.
-Estava esperando a hora certa. – Ele se sentou, curvando-se sobre si mesmo.
Ele se virou para a ruiva alta. A mulher era bela, calma, fria.
- Não tem hora certa para fazer um pacto, Dean. — Ele deu de ombros, ignorando seu comentário, voltando a observar a Lua com admiração. Com um suspiro resignado, sentiu a aproximação silenciosa da mulher. – O que você quer, Dean Winchester?
- Eu a quero. De novo. – Pela primeira vez, Dean parecia frágil. Como uma criança. – Eu sei que você pode trazê-la de volta para mim. Não pode?- a voz de Dean era fraca. Um sussurro rouco.- Me diga que pode.
- Não. –Dean a olhou assustado. Os lábios em formato de “O”. Os olhos? Ah os olhos eram belos vidros quebrados. – Não sem um preço, Dean.
- Que preço? Dou tudo o que quiser.- A voz rouca, chorosa.
- Só quero a sua alma, Dean.- Ela sorriu, os cabelos grudados em suas têmporas, os olhos perdidos em algum ponto do rosto de Dean.- Agora. A sua vida pela da garota.
- E o prazo de 10 anos?- A ruiva encarou- o nos olhos, negros nos verdes. Mas, diferente de todos os olhares que Dean já vira, ali não havia carinho. Era algo primitivo, animalesco e raivoso.
- Não terá o prazo de 10 anos, Dean.- Ele se aproximou, tocando sua face-. E você sabe o porquê. Não se faça de desentendido, Winchester. O trato é simples, a sua vida pela da garota.
-Eu preciso me despedir. 5 anos. — Ela se virou, soltando-se dele. Os olhos enraivecidos.
- Agora, Dean. A sua pela menina. – Ela sorriu. Sabia que ele não negaria, se fosse para salvar Caroline.
- Um ano. Só um ano. Pra eu me despedir de Caroline. Um único ano. – Ele nunca se imaginou implorando para um maldito demônio. Mas era exatamente o que fazia agora. Estava implorando.
- Não terá um ano, Dean Winchester. Porem, tem algo que você pode me dar, bonitinho. – Ela sorriu, de um jeito que fez todos os pelos de Dean se arrepiarem
-Qual quer coisa. – Ele abaixou a cabeça, quase submisso. – O que você quer?
- você vai saber. Trato feito, pequeno Dean – Ela se ajoelhou ao lado do garoto, juntando seus lábios aos dele em um toque calmo. Dean sentiu todo o seu corpo queimar. E, logo após, ela sumiu.
Então era isso, só isso. Ele, no hora, não deu a mínima importância para preço, mas foi um grande erro. Virando-se correu de volta para o alojamento de Caroline.
Ele entrou no ambiente quente do quarto, vendo sua pequena menina deitada na cama. Todos a sua volta. Elena chorava ao lado de Caroline. Ele se aproximou, tocando a mão fria da menina. Não faltava muito.
Com um espasmo, Caroline abriu os olhos, fazendo com que todos ofegassem a sua volta. Dean a apertou em um abraço esmagador. Sua menina. Finalmente, sua menina. Graças a Deus. Sua menina. Caroline estava bem. Estava viva. Mas diferente, ele sentia isso.
Dean a olhou nos olhos. Não era possível, Caroline era humana novamente.
- Dean, o que você fez?
“All of the lies we bent
Under the weight of the world
Caught beaten by the edge
Of the weight of the world
Long live this pain
Long live this feeling
Don't need to change
Need to believe in
Blind and childish
I won't fight it
Here i hide
Underneath my innocence
Grow, grow”
— Grow, Rae Morris
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