Saving Regina
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Boa leitura!
Meu despertador tocou precisamente as 06:15 da manhã. Tateei no escuro a procura do mesmo e logo o desliguei, abri os olhos com cuidado e me espreguicei na cama. Olhei para o teto onde estrelas e planetas de plástico brilhavam ali, sempre fui fascinada pelo espaço. Costumava comparar o vazio que sentia dentro de mim com o vácuo do universo.
Contei cinco segundos na minha cabeça.
1...
2...
3...
4...
5...
A porta se abriu e Cora Mills surgiu no quarto, acendeu a luz sem avisar e me analisou.
- Bom dia, querida. – Ele me deu um sorriso e logo saiu.
- Bom dia, mamãe. – Respondi mesmo sabendo que ela não me escutaria.
Me levantei da cama e andei até o enorme espelho que tinha no quarto. Parei diante e me analisei, o pijama de cor azul bebe com pequenos corações me dava um ar infantil apesar dos 17 anos. Minha cara estava amassada por mais uma noite mal dormida, e meu cabelo se espetava em todas as direções.
Sai logo da frente do espelho, detestava minha imagem pela manhã. Detestava minha imagem em qualquer momento do dia. Exceto quando estava com Emma. Ela fazia eu me sentir especial e a garota mais bonita do mundo. Eu a amava com todas as minhas forças.
Eu estava detestando a mim mesma nas últimas duas semanas, Emma havia sumido. Ela sempre desaparecia quando ia se encontrar com o clube de motocicleta. Me sentia um lixo toda vez que ela fazia isso, ficar sem notícias era uma tortura, mas eu entendia. Aquela era a sua paixão.
Fui para o banheiro e me despi, rapidamente ligando o chuveiro e mudando a temperatura para a mais gelada possível. Eu tinha costume de tomar banhos gelados, me ajudava a limpar minha mente dos pensamentos conflituoso que sempre tinha.
Deixei a agua escorrer pelo meu corpo e limpar toda a sujeira, tanto externamente quando internamente.
Depois de uns bons quinzes minutos, me enrolei numa toalha felpuda e fui para o quarto. Abri o guarda roupa e peguei uma calça jeans preta, uma blusa com listrada, e roupas intimas. Me vesti e voltei para a frente do espelho. Estava um pouco mais apresentável, mas ainda assim não gostava da minha imagem refletida. Sequei meus curtos cabelos e os escovei até deixar todos os fios no lugar.
Levei meu olhar até a mesinha de estudos no canto do quarto, a jaqueta vermelha de Emma estava jogada na cadeira. Dei um sorriso ao lembrar da minha loira. Peguei a jaqueta e a levei até meu nariz, inalei profundamente e senti o cheiro de Emma.
Duas semanas e eu já estava louca de saudade.
- Regina, desça logo ou vai se atrasar para a escola. – Ouvi minha mãe gritar do andar de baixo. Olhei para o relógio que marcava 06:45, se eu não me apressasse iria de fato me atrasar.
Vesti a jaqueta sem pensar duas vezes, eu adorava usar a jaqueta de Emma. Tanto é que sempre insistia para deixa-la comigo quando ela entrava escondia no meu quarto de madrugada.
Peguei minha mochila e desci as escadas correndo.
- Bom dia, papai. – Depositei um beijo em sua bochecha e me sentei na mesa para o café. Logo minha mãe colocou panquecas no meu prato e um copo de suco de maça.
Devorei tudo rapidamente e bebi o suco num gole só. Não queria me atrasar.
- Tomou seus remédios? — Mamãe me questionou quando fiz menção de levantar da mesa.
- Sim. – Menti descaradamente e sai porta afora, se ficasse la ela iria começar a questionar e eu acabaria me entregando na mentira. Detestava aqueles remédios, me deixavam com sono e não me permitiam pensar direito.
Já estava dobrando a esquina de casa quando avistei uma cabeleira loura do outro lado da rua. Forcei minha vista até a imagem entrar e foco e vi Emma sorrindo para mim. Ela estava linda numa calça preta, regata branca, botas também pretas e o colete de couro do seu clube de motocicleta.
Atravessei a rua correndo e me joguei em seus braços, ela envolveu minha cintura e capturou meus lábios num beijo cheio de saudade. Logo correspondi e coloquei meus braços ao redor do seu pescoço. Nossa, como senti falta disso.
Apenas nos separamos porque o ar se fez necessário.
- Oi, linda. – Ela disse com aquele sorriso sacana que eu tanto amava.
- Senti tanto a sua falta, Em. – Emma me apertou mais ainda ao ouvir o apelido que só eu usava. – Da próxima vez pelo menos me dê notícias.
- Pode deixar, meu amor. – Eu sempre me derretia quando ela me chamava assim. – Posso te levar até a escola?
- Sim. – Olhei para o lado e estranhei a falta de sua moto. – Onde está sua moto?
- Er, houve um pequeno acidente na estrada. – Ela falou acanhada e passou as mãos no cabelo. – Minha moto agora é um monte de ferro retorcido.
- Acidente? O que houve? Voce está bem? — Disparei a perguntar, a preocupação evidente em minha voz.
- Não foi nada demais, eu estou otima. – Emma deu uma voltinha se exibindo e mostrando que estava completamente inteira. — Desculpe, mas a carona vai ter que ser a pé. Tem problema?
- Nenhum, desde que eu esteja com voce.
Agarrei sua mão e juntas caminhamos pelas ruas de Storybrook, com Emma me contando tudo sobre suas aventuras enquanto estava na estrada. Ela fazia parte do clube de motocicleta chamado Crow’s. Emma era órfã, e foi adotada com 7 anos por David e Mary Swan. David era fundador do clube, então quando Emma fez 16 anos, ele comprou uma harley para ela e lhe deu um colete. Agora com 19 anos, Emma viajava o tempo todo com os outros membros, e nas horas vagas trabalhava na oficina do clube.
Nunca entendi o que ela havia visto em mim. Garota do interior, filha única de pais ricos, que evitava chamar atenção. Já eu sabia perfeitamente o que tinha visto em Emma Swan. Não era por causa da pose de bad girl motoqueira que ela tinha, apesar de isso ser extremamente sexy. Me apaixonei por causa do que Emma me mostrou quando estávamos sozinhas. Ela podia ser a motoqueira má na frente de todo mundo, mas entre quatro paredes ela era a minha Emma.
Chegamos na rua da minha escola depois de quinze minutos de caminhada. Antes de chegarmos perto da multidão de alunos, ela me beijou apressadamente.
- Tenho que ir agora, linda. Meu pai está me esperando na oficina. – Dei um suspiro desanimada, queria que ela me levasse até a porta da escola. – Deixe a janela destrancada, passo na sua casa hoje à noite.
- Tudo bem. – Dei mais um beijo longo nela e logo minha loira se foi.
Vi Ruby correndo na minha direção, ela usava um short minúsculo vermelho e uma regata azul mostrando a barriga. Minha melhor amiga não tinha pudor nenhum quando se tratava de vestuário.
- Re. – Ela pulou em mim assim que me alcançou. – Com quem estava falando? — Fiz uma cara de confusão ao escutar sua pergunta pois Ruby conhecia Emma, inclusive foi ela quem nos apresentou um ano atrás quando começamos a namorar.
Antes de responder, Belle apareceu e agarrou a nos duas.
- Meninas, que saudade eu estava de voces. – Belle exclamou enquanto nos apertava no abraço.
- Calma, só estamos separadas a dois dias. – Ri do seu exagero e me soltei das duas.
Fomos logo para dentro da escola, pois o sinal havia batido e não queríamos nos atrasar.
A manhã passou lenta e tediosa, como todos os dias na escola. Eu sempre fui uma aluna nota A, e gostava bastante de estudar. Mas aquele dia nada me prendeu a atenção. Minha mente viajava em outro universo onde apenas eu e Emma habitávamos. Uma utopia perfeita onde eu vivia feliz para sempre com a minha loira.
Voltei ao planeta Terra depois de Ruby me sacudir e avisar que estava na hora da saida, recolhi rapidamente meu material e me despedi de minhas amigas. Sai da escola e fui andando até a rua principal da cidade, onde ficava o consultório do Dr. Hopper. Ele era psiquiatra e eu me consultava la duas vezes por semana.
Cheguei la ele já estava à minha espera, me recebeu com um sorriso acolhedor, como sempre fazia.
- Como vai, Regina? — Ele perguntou enquanto nós estávamos nas poltronas do consultório.
- Estou otima, doutor. – Não perguntei de volta, nunca fazia isso. E mesmo que perguntasse, ele não responderia. Ele sempre tentava manter o foco na minha vida, sem desvios.
- Recebi uma ligação interessante de sua mãe, cerca de uma hora atrás. – Arqueei uma sobrancelha para que ele continuasse. – Ela me disse que entrou em seu quarto depois que saiu para a aula, e viu que não tomou seus remédios.
- Eles me deixam com sono. – Respondi simplesmente.
- Voce precisa tomar os remédios, Regina. – O doutor disse calmamente, enfezei minha cara e cruzei os braços.
- Por que? Por que eu preciso tomar esses remédios idiotas? — Já tinha perdido todo controle sobre minha raiva e gritei. – Eu não sou louca.
- Não acredito que seja. Mas isso... – Ele apontou para mim. – Essas mudanças de humor, estão te impedindo de ser quem voce realmente é.
Abaixei a cabeça e encarei meus pés, eu fazia isso quando me sentia envergonhada.
- Quer me contar como foi seu dia hoje? — Ele perguntou com sua calma usual.
Eu não queria falar, mas sabia que ele não me deixaria ir a não ser que o fizesse.
- Emma voltou de viagem hoje. – Eu ainda não o encarava, então não sabia sua expressão. Mas o vi se remexer na poltrona como se estivesse incomodado.
- Conte-me mais sobre isso. – Seu tom parecia preocupado, ele sempre parecia preocupado quando eu falava de Emma.
- Ela me levou até a escola. – Deixei escapar um sorriso enquanto me lembrava de hoje mais cedo. – Me contou como foi a viagem dela. – Desatei a tagarelar sobre tudo o que Emma tinha me contado, eu adorava falar sobre ela. Era o meu assunto preferido.
- Quanto tempo Emma ficou fora dessa vez?
- Duas semanas.
Ele assentiu e anotou alguma coisa no seu caderninho.
- Muito bem, Regina. Quero que volte a me ver amanhã, está bem? — Olhei para ele questionando essa decisão. – Quero te ver todos os dias por um tempo. E tome os seus remédios.
Me despedi dele e fui logo para casa. O restante do dia passou normalmente, fiz meus deveres, jantei com minha familia, e passei horas lendo.
Quando o relógio bateu 23:00hrs eu já estava impaciente. Geralmente Emma aparecia esse horario. As luzes do meu quarto estavam apagadas, mas eu estava bem acordada e a janela estava aberta. Do jeito que Emma pediu.
Ouvi o barulho dos galhos da arvore que ficava perto da minha janela, e logo Emma pulou para dentro do quarto. Sorri ao vê-la e ela andou em minha direção. Tirou as botas, puxou as cobertas e se deitou ao meu lado.
- Hey.
- Hey. – Respondi encarando seus olhos esverdeados.
- Como foi seu dia?
- Péssimo, não passei com voce. – Ela deu uma risadinha. – Tive uma consulta com o Dr. Hopper hoje.
- E como foi? — Emma me perguntou com genuína preocupação. Ela sabia que eu odiava essas consultas, odiava esses remédios, e odiava meus pais por aparecem com essa ideia a seis meses atrás.
- Deixei de tomar os remédios hoje, e minha mãe me dedurou.
- Esses são novos? — Ela perguntou enquanto analisava o frasco que estava ao lado da minha cama.
- Sim, recebi eles a duas semanas.
- E estão funcionando? — Dei de ombros, a única coisa que eu sabia é que eles me deixavam com sono. – Não acho que voce precise de remédios.
- Meu médico e meus pais discordam de voce.
- E o que é que eles sabem sobre voce ein? — Sorri para Emma, só ela conseguia me proporcionar alegria mesmo com a confusão que era minha vida.
- Eu não sou louca. – Disse baixinho enquanto me aconchegava nela e enterrava minha cabeça em seu pescoço.
- É claro que voce não é. – Emma disse enquanto acariciava meu cabelo. – Vamos jogar todos fora. – Olhei para ela e Emma tinha seu costumeiro sorriso sacana.
- Acha uma boa ideia? — Sussurrei.
- Acho uma otima ideia.
Emma juntou todos os frascos que estavam do lado da minha cama e foi até a janela, olhou para mim e me chamou com um dedo. Me juntei a ela e juntas esvaziamos todos os frascos, jogando os comprimidos pela janela.
Voltamos para a cama e Emma me envolveu em seus braços, me fazendo cafuné até que eu caísse no sono.
- Boa noite, meu amor. – Essa foi a última coisa que escutei antes de adormecer completamente.
Notas finais
E ai, o que acharam? Me digam se gostaram, dependendo da resposta de voces eu continuo.
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