Notas iniciais
Muito obrigada pelos comentários e por quem incentivou. Já que gostaram, vou continuar. Vou responder os comentários de todas, mas sem dar spoiler. Logo todas as duvidas em relação a Emma e a doença da Regina vão ser explicadas. Boa leitura.

FLASHBACK

Storybrook — Maine

01 ano atras

Estou a trinta minutos caminhando pela cidade com Ruby ao meu lado, a cada passo que dou me xingo e xingo minha amiga. Mas que merda eu estava fazendo? Já passava das 22hrs, era uma dia de semana. Eu deveria estar em casa, dormindo. Amanhã teriamos aula, que merda. Por que deixei Ruby me arrastar pra essa festa mesmo?

Eu nem ao mesmo gostava de motocicleta, e sabia que Ruby também não. Por que raios estavamos indo para a sede do clube Crow's então? E o mais importante, por que deixei ela me arrastar?

– Você só está indo para ver aquele garoto. Tenho certeza. — Resmunguei pela milessima vez. — Qual é mesmo o nome dele?

– Killian. — Ela respondeu enquanto se apertava para proteger-se do frio.

– Pra que quer encontrar ele? Sei muito bem que você é louca pela Belle. — Ruby achava que conseguia disfarçar, mas eu ja havia notado que ela era completamente apaixonada por nossa amiga Belle.

– Belle está nesse exato momento dando para o nosso professor Gold, então a Belle pode ir se ferrar. — Ela cuspiu as palavras com raiva.

– Que merda, pra que vamos nessa festa? Aquele lugar é cheio de marginais.

– Não é cheio de marginais, Regina. E talvez você conheça alguém, sair dessa bolha em que vive vai te fazer bem.

– Eu não vivo numa bolha. — Respondi baixinho e fechei a cara.

Continuamos caminhando até chegar perto das docas, todo mundo da cidade sabia que a sede do clube era ali. Eu nunca tinha ido, e nem conhecia ninguém que fosse membro. Mas Ruby vivia se pegando com esse tal de Killian, que fazia parte do clube.

E lá estava eu, numa quarta-feira a noite, parada na frente de uma sede de clube de motocicleta, com um bando de pessoas que eu considerava verdadeiros marginais. Mas Ruby quis vir, e ela é minha amiga. Não a deixaria entrar nesse bordel sozinha.

– Ruby! Finalmente chegou, Killian está que nem louco atrás de você. — Uma loira alta se aproximou de minha amiga e a acolheu num abraço. Percebi que ela usava o colete do clube, então era um membro. Fiquei impressionada, não sabia que garotas podiam fazer parte.

– Emma! — Ruby correspondeu o abraço no mesmo entusiasmo. — Emma, essa é minha amiga Regina. Regina, essa é Emma. — Minha amiga nos apresentou.

A primeira coisa que notei na garota eram seus cabelos extremamente loiros, a segunda coisa que notei foram seu olhos esverdeados. Nossa, ela era linda.

– Oi, linda. — Emma me estendeu a mão num comprimento. Eu apenas apertei de volta e fiquei a encarando, não consegui reagir diante de tanta beleza.

– Eu vou atrás do Killian e já volto, Emma cuide da minha amiga. Não deixe nenhum "marginal" sequestrar ela. — Ruby riu e antes mesmo que eu pudesse protestar ela saiu correndo.

– Então, você fala? — Ela ironizou se referindo a minha mudez diante dela.

– É claro que eu falo. — Revirei os olhos.

– Regina, certo? É um lindo nome, tão lindo quanto a dona. — Já percebi que ela estava jogando charme pra cima de mim, mas iria precisar mais do que um rostinho bonito pra me ganhar.

– Essas cantadas baratas que você usa pode dar certo com as meninas daqui, mas não comigo. — Disse de uma vez e sai andando. Ela veio atrás de mim.

– Tudo bem, tudo bem. Me desculpe. — Senti suas mãos nos meus ombros e parei de andar. — Vamos começar de novo, ok? Quer beber algo comigo?

– Eu não sou muito de beber. — Sorri timida. Na verdade eu não era muito de fazer nada, nem sei porque ela estava se dando o trabalho de conversar comigo.

– Não é dificil. — Ela deu um sorriso. Meu deus, que sorriso lindo. — Eu te ensino. — Ela me puxou pela mão para dentro da sede do lugar.

Lá dentro estava lotado de pessoas, a maioria motoqueiros vestidos com o colete do clube. E varias garotas ao redor deles. Avistei Ruby num canto se atracando violentamente com o rapaz. Devia ser o Killian.

Emma me arrastou até o bar que tinha ali, deu a volta no balcão e se abaixou. Segundos depois apareceu com uma garrafa de tequila e dois copos nas mãos.

– Não! Eu não vou beber isso. — Exclamei assustada. — Eu nunca nem bebi e já vou logo começar com tequila? Você é doida?

Emma deu uma risada gostosa.

– Vamos, Regina. Tenho certeza que você vai gostar.

Ela me guiou até os fundos da sede, passamos por Ruby e ela me deu um sorrisinho safado ao ver que eu estava acompanhada da Emma. Com certeza já estava imaginando besteiras.

Saimos por uma porta lateral e subimos uma escada, que nos levou direto ao telhado do prédio. Ela me puxou até a borda e nos sentamos com as pernas balançando pra fora. O que eu estava fazendo ali? Prestes a me embebedar com uma completa estranha. Isso não é tipico da minha pessoa.

Emma encheu os dois copos com o conteudo da garrafa. Levou um copo a boca e o virou, me ofereceu o outro para que eu fizesse o mesmo. Hesitei por um segundo e a olhei, seus olhos esverdeados me pedindo pra ir em frente. E assim o fiz.

Senti o liquido descer queimando pela minha gargante, e uma sensação de leveza tomou meu corpo logo em seguida. Aquilo era bom, muito bom.

– Viu? Não é tão dificil. — Emma deu risada e encheu os copos novamente.

Um monte de perguntas estavam rondando meu consciente. Por que eu estava fazendo aquilo? Por que estava me deixando levar por Emma Swan? Por que ela tinha que ser tão linda?

Um tempo depois e meia garrafa já tinha ido embora. Me sentia completamente bebada, e toda minha timidez havia sumido. Eu andava pelo telhado dando saltos, e Emma apenas dava risada de mim. Devia estar me achando uma idiota, mas não me importei. O som da sua risada era tão gostoso que me fazia continuar com minhas palhaçadas.

Ruby e Killian apareceram um tempo depois, dizendo que iria dormir ali na sede do clube e se Emma podia me levar para casa. Emma apenas confirmou e disse que tomaria conta de mim. Eu estava bebada demais para me importar com qualquer coisa que minha amiga tinha dito.

Descemos do telhado e andamos em direção as motos, pareciam todas iguais para mim, mas Emma sabia qual era a dela. Ela me entregou um capacete e me ajudou a coloca-lo, depois subiu na moto e me ajudou a subir.

– Se segure em mim. — Ela disse. Mas nem precisou, eu já estava agarrada na sua cintura, morrendo de medo de cair.

Emma deu partida e a moto saiu cantando pneu, me agarrei mais ainda nela. Seus cabelos voaram pelo meu rosto, e senti o cheiro adocicado de seus fios. Que sensação maravilhosa.

Nem deu tempo para que eu aproveitasse direito o passeio e ela encostou na frente da minha casa. Eu desci ainda meio cambaleante e lhe devolvi o capacete.

– Isso foi divertido, deveriamos repetir. — Emma disse enquanto descia da moto e ficava a minha frente.

– Eu adoraria.

– Está entregue, sã e salva. — Emma se aproximou um pouco mais de mim, minha respiração de repente se tornou ofegante. Encarei seus lábios e eles estavam tão perto. Uma vontade louca de beijar seus lábios tomou conta de mim. Não sei o que me deu coragem, provavelmente a bebida que ainda estava em meu sistema sanguineo. Mas eu dei um passo a frente e colei meus lábios nos dela.

Estava pronta pra uma rejeição, mas Emma correspondeu a altura. Agarrou minha cintura e invadiu minha boca com sua lingua. Me entreguei completamente ao beijo. Apenas uma noite e Emma Swan havia me ganhado, e aquele beijo. Nossa, ninguém nunca tinha me beijado com tanta paixão.

Só nos separamos pois o ar se fez necessário. Eu tinha um sorriso gigantesco no rosto, e o mesmo se podia dizer de Emma.

– Posso te ver amanhã? — Ela perguntou.

– Sim.

Nos despedimos com mais um beijo e eu entrei para dentro. Agradeci em pensamento mil vezes por Ruby ter me arrastado para aquele lugar, a noite tinha valido a pena.

FLASHBACK

Acordei com o barulho incessante do despertador, mais um maravilhoso dia havia começado. Sonhei com Emma e o dia que nos conhecemos, ou seja, eu estava de bom humor.

Contei os cinco segundos na minha cabeça, mas mamãe não apareceu na porta de meu quarto. Ao invés disso, escutei seu grito estridente lá de baixo.

– REGINA MILLS, DESÇA AQUI AGORA. — Droga, o que será que eu fiz dessa vez?

Desci as escadas apressada, encontrei ela e meu pai na mesa já com o café da manhã. Passei os olhos pelo local e encontrei os frascos de remedio que eu e Emma tinhamos esvaziados na noite anterior. Merda. Isso vai ser uma tremenda merda, tenho certeza disso.

– Quer me explicar por que jogou todos os seus remedios fora? — Cora Mills questionou. Olhei para meu pai em busca de apoio, mas ele balançou a cabeça mostrando que concordava com a minha mãe.

– Mamãe... — Comecei a tentar me explicar, mas ela logo me cortou.

– Não quero saber das suas desculpas, Regina. Você vai para a escola, depois vai para a sua consulta. E vai comprar os seus remedios e toma-los. Entendeu?

Bufei e sai batendo o pé de lá. O que tinha começado com um dia maravilhoso, já estava se transformando num inferno.

Me arrumei rapidamente e sai de casa sem tomar café, não queria olhar pra cara dos dois. O caminho da escola, que geralmente eu fazia em vinte minutos, fiz em dez. Quando estou com raiva começo a andar rapido, e naquele momento em estava a ponto de explodir.

Cheguei a aula e não falei com ninguém, me sentei no fundo e coloquei os fones de ouvido no ultimo volume. A playlist que eu entitulei como "Emma Swan" começou a tocar, eram todas as músicas que me faziam lembrar da minha loira. Queria que ela estivesse comigo agora, só ela conseguiria me acalmar.

A manhã passou e eu nem percebi, deve ser pelo fato de que fiquei o tempo todo remoendo minha briga com mamãe. Sai da escola "voando" e fui para o consultório do Dr. Hopper.

Ele me deu bom dia, mas eu não fiz questão de responder. Estava irritada demais para isso.

– Você parece nervosa. — Minha perna balançava de um lado para o outro. — Quer me contar o que houve?

– Eu e mamãe brigamos hoje de manhã.

Ele suspirou.

– E qual o motivo da briga, Regina?

Detestava ter que contar as coisas para aquele cara, não estava me ajudando em nada.

– Não importa.

– Regina, se você quiser melhorar, tem que começar a me contar o que se passa dentro da sua cabeça.

– Minha cabeça vai muito bem, obrigada. — Respondi com grosseria.

– Conte-me sobre essa briga. — Ele não iria desistir até que eu contasse, então resolvi ceder para sair logo dali.

– Mamãe encontrou os frascos dos meus remédios vazios.

– Você os jogou fora? — Ele me questionou.

Que pergunta imbecil. Ele achava o que? Que eu tinha engolido um por um? Estaria estirada morta no chão ou num hospital agora mesmo se esse fosse o caso.

– Joguei. — Embora minha vontade de debochar dele fosse grande, me segurei. Queria ir embora logo.

– Foi ideia sua?

Merda. Merda. Merda. Não podia dizer que foi Emma quem teve a ideia. Ele provavelmente iria contar aos meus pais, e eles já odiavam Emma o suficiente.

– Sim, foi ideia minha. — Assumi toda a culpa.

– Regina, você se lembra do que aconteceu seis meses atrás?

– Lembro, comecei a me consultar com o senhor.

– Você se lembra o por que? — Franzi o cenho, eu sabia que algo ruim tinha acontecido seis meses atras, e por isso meus pais me obrigaram a vir nas consultas.

– Eu... — Forcei minha memoria, mas parecia que algo dentro da minha cabeça estava gritando para eu não pensar nisso.

Dr. Hopper pareceu perceber meu esforço, pois encerrou a sessão naquele instante.

– Venha me ver amanhã no mesmo horario. E aqui... — Ele eme entregou uma receita. — Passe na farmacia e compre os remedios novamente, não saia do tratamento Regina.

Peguei a receita e sai logo dali, quando botei os pés pra fora senti mãos me agarrando pela cintura e alguém depositar um beijo em meus lábios. Emma.

Dei o primeiro sorriso verdadeiro naquele dia ao ver a minha loira.

– Como você está? — Ela perguntou.

– Tive uma briga horrivel com minha mãe hoje cedo. E olha aqui, vou ter que voltar com os remedios. — Mostrei a receita.

– Você não precisa de remédios.

Suspirei.

–Talvez eu precise. — Murmurei. — Talvez só assim eu vá melhorar.

– Você já está ótima, meu amor. — Emma segurou minha mão e começamos a caminhar.

– Você se lembra do que aconteceu seis meses atrás? — Questionei. Se eu não me lembrava, talvez Emma lembrasse.

– Não. — Seu tom de voz mudou completamente, indo de carinhoso para frio no mesmo instante.

– Dr. Hopper mencionou isso, mas eu não consigo me lembrar de jeito nenhum. — Comentei.

– Talvez seja melhor assim.

– É, talvez.

Caminhamos em silencio até a esquina da minha casa, apenas aproveitando a companhia uma da outra.

– Você vem me ver hoje a noite? — Perguntei.

– Não sei se vou poder, amor. — Fiz uma carinha triste quando ela me disse isso. — Vou tentar, eu prometo.

– Vou deixar a janela aberta. — Respondi e a beijei.- Eu te amo, Emma Swan.

– Eu te amo, Regina Mills.

Nos despedimos e ela ficou me olhando da esquina até que eu entrasse em casa.

Deixei a receita para os remedios em cima da mesa, mamãe trataria de comprar aquilo logo. Me tranquei no meu quarto, a única que eu queria ver era Emma e ela estava ocupada no momento. Então me isolei do mundo pelo resto do dia.

Notas finais
Desculpem se o flashback ficou muito grande, mas queria mostrar como elas se conheceram. Comentem dizendo o que estão achando, beijos.