Save me...Take me... Hold me
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Sinto meu corpo flutuando, como se deitado em nuvens, segundos depois, o colchão plano e sólido abaixo de mim, não abro os olhos com medo de me ver presa jogada no porão de Eric, respiro, abrindo os olhos, luz branca os machucando, fecho os novamente, respiro, minutos depois os abro novamente, levo segundos para me acostumar com a claridade, vejo um teto branquinho sobre mim em vez de madeiras sujas, ouço um "bip" viro minha cabeça para o lado, torcicolo no pescoço, vejo uma maquina que pega meus batimentos cardíacos, me sento sendo atingida por dores por todo meu corpo, minha cabeça lateja nas têmporas e uma dor horrível na parte frontal, vejo estrelinhas, dou risada, dor aguda em meu braço, olho para o mesmo, uma agulha que supostamente leva soro para minha veia, um filete de sangue escorre do mesmo, o local arde pra inferno, sinal de que estou viva.
Dou risada como idiota, me encosto na cama e respiro, abro os olhos, observo o quarto, paredes brancas, uma porta que suponho ser o banheiro, uma parede de vidro se encontra a minha frente, um armário branco perto a parede, um outro armário mas esse temas portas de vidro e esta cheio de remédios, um sofá, que me parece bem confortável se encontra de frente para a parede de vidro, e só agora percebo uma tv "grudada" a parede e me pergunto como conseguiram tal feito, minha cama, e duas mesinhas de cabeceira ao lado cada uma delas ostentando um lindo vaso azul, cheios de flores, pego um flor à levando ao nariz, uma orquídea com um cheiro maravilhoso.
Respiro mordendo os lábios, olho para o quarto novamente, isso não esta certo, Eric não gastaria seu dinheiro de tráfico comigo, ele normalmente depois de me espancar me largava em um hospital da periferia de Chicago com um de seus capangas para que eu não fuja, hospitais com paredes e chão sujos de sangue, corredores cheios de pessoas chorando de dor ou até mesmo já mortos, grávidas dando a luz nos banheiros e policiais com bandidos baleados, dez médicos para duzentos pacientes, esse é o lado de Chicago a qual quase ninguém conhece, o lado da favela de Chicago, onde criminosos fazem o que quer e não vão presos a não ser que matem um policial, onde a prostituição, tráfico e tudo de ilegal acontece, onde as vadias, os ladrões, os assassinos, e os pobres, e drogados vivem, onde o governo, o perfeito não esta nem ai, como se fôssemos animais, onde direitos e moralidade não existe.
Em meus pensamentos acabo me lembrando do que aconteceu, eu correndo de Eric, ele me prendendo em um beco, tentando me estuprar, me batendo, e seu corpo caindo sobre mim, meu corpo sendo erguido nos braços de alguém, preciso agradecer essa pessoa, quem quer que seja ela, e sem perceber pego no sono novamente, acordo com vozes ao meu redor, abro os olhos e vejo uma senhora, de cabelos brancos, olhos castanhos e quentes me olhando, abrindo um lindo sorriso.
— Olha só quem acordou, se não é nossa bela adormecida — ela fala com uma voz doce e calma.
Me arrumo na cama, tirando o cabelo loiro que me cai nos olhos, sorrio para a senhora.
Olho para os pés da cama e vejo um homem sentado em uma cadeira ali, ele tem seus braços sobre a cama e sua cabeça apoiada nas mãos, me fita com os olhos de um azul profundo que o faz ter um ar de mistério, um sorriso nos lábios carnudos, acho que o olhar confuso em meu rosto é evidente, ele suspira e solta uma risada, que o deixa mais lindo, ele tem cabelos castanhos escuro, que lhe caem por sobre a testa, pele morena, sexy, lindamente sexy.
— Se sente bem? — Ele pergunta.
Imediatamente penso "ele deve ser meu médico" só pode.
Faço que sim com a cabeça.
— Vamos ver esse braço — a senhora diz me chamando a atenção — Sou a Marie, serei sua enfermeira enquanto estiver aqui — ela fala sorrindo para mim — Vejo que você cutucou a agulha — ela ralha comigo — Poderia ter apertado o botão, e eu viria arrumar isso pra você — Ela diz, retirando a agulha de meu braço, colocando um algodão molhado no local.
— Aii– falo ao sentir a pele queimar.
— Hum, ela fala — Marie brinca, me fazendo corar, o médico da risada, olho os constrangida.
— Desculpe querida, é álcool, para não ter infecções — Marie, coloca a agulha sobre uma bandeja, vai até o armário de remédios.
Pega, uma embalagem, vem a abrindo em minha direção, retira uma agulha enorme, colocando as agulhas no "canudinho" que vai levar soro ao meu braço, Marie retira o algodão do meu braço, tentando achar a veia, olho atentamente e vejo que meu braço já se encontra roxo.
— Vou pegar a veia do outro braço, esse aqui esta machucado, mas não é tão ruim quanto parece, você que é branca de mais — ela fala sorrindo, sorrio com isso — Você esta com fome? — Ela pergunta, faço que sim com a cabeça — Tudo bem, vou terminar seu braço e vou buscar algo para você comer, e depois troco as ataduras de sua cabeça — Marie termina meu braço, toda a ação sendo observada pelo médico.Olho curiosa para ela, que também me fita.
— Você é meu médico? — pergunto baixinho minha voz saindo esganiçada, ele gargalha, não me fazendo entender o motivo de tal feito.
— Não, não sou seu médico, mas bem que eu queria, para puder de dar um banho de esponja bem dado -
Sinto minhas bochechas arderem diante de tal comentário.
— Então — falo desviando o assunto — Quem é você? —
— Ah sim, perdão, sou Tobias Eaton– ele diz e mesmo assim o olho com dúvida — Eu te achei, no beco — ele fala, fecho meus olhos e suspiro, com as lembranças me voltando a memória.
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— Obrigado — a loira a minha frente fala com um ar angustiado, nervosa, o que me faz sentir mais ainda vontade de protege lá.
— Não tem o que agradecer — respondo — Você me deu a chance de fazer algo bom que há tempos eu não fazia.
Ela me sorri, o que a deixa mais bela ainda, os olhos azuis brilham, as bochechas mais coradas, a deixando com uma carinha de menina levada.
— Mesmo assim, obrigado, se não fosse por você hoje eu poderia estar morta — ela fala, aceno com a cabeça.
Quando vou perguntar seu nome Marie entra pela porta com uma bandeja na mão, colocando sobre a mesa ao lado da loira a minha frente.
— Prontinho, pode começar a comer — Marie fala, pegando uma tigela a pondo sobre a perna da loira — Uma sopinha para o desjejum — a garota faz uma careta olhando para a tigela.
— Não tenho fome — Ela fala.
— Mas você precisa comer, se não vai piorar sua anemia — Marie fala, olhando séria para ela — Ai você não vai sair daqui desse hospital —
— Posso lavar meu rosto primeiro? — a menina pergunta.
— Claro —
A garota tenta se levantar, colocando os pés que por visto são minúsculos, para fora da cama, ao tocar o chão com os pés cambaleia um pouco, me levanto e em segundos estou ao seu lado a segurando pela cintura para não machucar seus braços.
— Obrigado — ela fala corada, Marie coloca a bolsa de soro em um suporte com rodinhas, a loira vai para o banheiro.
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Após fazer xixi, graças a Deus pois não estava mais me aguentando segurar, me olho no espelho, me assusto com meu próprio reflexo, olhos inchados com bolsas roxas em baixo, um hematoma que não sei se é roxo, verde, azul ou preto em minha bochecha um corte perto do olho e no lábio superior, um corte na testa, faixa envolvendo minha cabeça, cabelos desgrenhados, que não sei se parecem com um ninho de rata ou sei lá o que, ajeito os cabelos, passo água no rosto, vejo uma escova de dentes, a uso para escovar meus dentes que já estavam mais que nojentos com uma camada por sobre eles.
Ajeito a camisola de hospital sem deixar meu bum bum a mostra, pois não quero que ninguém o veja até mesmo que ninguém é obrigado a ver minha bunda mais que branca e volto para o quarto.
Me sento pego o prato e começo a comer, e só agora percebo que estou realmente com fome, muita fome.
— Vai com calma, para não passar mal — Marie me alerta, mas não dou muito ouvidos, termino a sopa em segundos, para logo em seguida vomitar tudo, quase vômito sobre mim mas mão fortes me empurrão para beirada da cama onde coloco para fora o que havia e o que não havia em meu estomago, sujando meus braços e pernas, minutos depois, limpo a boca no braço tentando me levantar e ir me limpar mas não consigo, por estar fraca,
Tobias me ergue da cama, me segurando em seus braços, vão para o banheiro me sentando no acento sanitário,
— Vou chamar uma enfermeira para me ajudar a limpar ela — Marie fala do quarto.
—Não precisa eu faço isso — Tobias fala, pegando uma toalha a molhando na pia limpando meus braços e pernas.
—Deixa que eu faço isso — digo tentando pegar a toalha de suas mão s.
— Fica quieta — ele fala em tom sério que me faz parar quieta na hora.
— Me desculpa, vomitei em você — a loira a minha frente fala, ficando corada.
— Tudo bem, não é todo dia que uma mulher tão linda vomita sopa em mim — falo o que a deixa mais corada ainda.
Voltamos para o quarto e tudo já esta limpo e arrumado, me deito novamente e Marie com uma prancheta nas mãos diz que precisa me fazer umas perguntas o que me deixa um pouco nervosa.
— Qual seu nome querida? —
— Beatrice– respondo sentindo suor frio em minha nuca.
— Idade? —
— 18 —
— Nome dos pais e numero de telefone para entrarmos em contato? — e essa foi a pergunta se misericórdia de Marie que fez lágrimas virem a meus olhos.
— Eu não sei -
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