Save My Soul

12 She's Just A Girl


Save My Soul

CGates

Chapter#12

A segurança de Lima nunca fora a melhor, em todos os sentidos possíveis. Era impossível que em um sábado a noite não houvesse um guarda ou um policial pelas ruas desertas da cidade. Era como se o destino estivesse ao seu lado, como se todo o universo tivesse conspirado para que ela pudesse retribuir a grande dívida que tinha com a ruiva e como não havia nada nem ninguém para impedi-la, por que não?

O carro de Santana cantou pneu enquanto fazia uma das curvas até o lugar. O rapaz no banco de trás terminava de colocar as amarras nas mãos, nas pernas e na boca da ruiva como Santana havia ordenado. Faltava apenas vendá-la e o seu trabalho estaria pronto já que a morena havia dito que quando chegasse ao local ele apenas ajudaria a carregar o corpo e depois partiria; Santana queria brincar com o seu novo objeto sozinha.

A morena não conseguia distinguir o que estava lhe causando uma sensação maior de prazer e felicidade, se eram os olhos verdes apavorados ou as tentativas de se soltar. Talvez estivesse soando um pouco doentio, mas era o preço que estava disposta a pagar. Faria aquilo que seus sonhos mais sombrios tanto queriam e estiveram esperando por tanto tempo.

Em sua mente passavam vários flashes de como aproveitar o momento, tendo claro um tempo específico, já que Brittany estava esperando-a em casa. Santana respirou fundo quando pensou na loira, é claro que Brittany não era a favor do que ela estava fazendo, mas sabia que enquanto não devolvesse tudo o que Blanc as fizeram passar, não conseguiria descansar em paz. Seu cérebro iria simplesmente parar e começaria a agir por extinto, ignorando os gritos da razão, precisava lidar do seu jeito.

Santana olhou pelo retrovisor interno e Karofsky balançou a cabeça positivamente afirmando que tudo o que ela havia pedido já havia sido feito. Um tremor de ansiedade correu por todo o seu corpo. Seus desejos estavam à apenas alguns metros de se realizar.

Por fim, o carro estacionou em um lugar no qual a morena freqüentava várias vezes e a mesma não pode conter um revirar de olhos quando Karofsky desceu com Blanc nos braços. A morena sabia muito bem que ele não havia concordado na escolha do lugar, mas como era ela que estava controlando a situação, as argumentações do rapaz não tiveram efeito nenhum. Terminar onde tudo começou, repetiu a morena internamente.

O local estava vazio como previsto. Nenhum zelador, segurança ou até mesmo cachorro. Passaram pelo lado de fora da escola em direção ao campo de treinamento dos jogadores de futebol americano. Por um segundo, Santana desejou retirar as vendas da ruiva apenas para alimentar-se da surpresa em seus olhos.

Karofsky parou quando Santana gesticulou para que ele colocasse Blanc em pé e amarrasse suas pernas e seus ombros contra a viga de madeira da arquibancada, a mesma que Brittany havia se apoiado para esconder-se das tintas e dos rabiscos de Blanc e das outras cheerios. Santana colocou a bolsa que havia retirado do porta-malas mais cedo ao seu lado no chão enquanto esperava o rapaz terminar o último nó. Despediram-se com apenas um balançar de cabeça e se Santana não o conhecesse bem, jamais conseguiria compreender o alerta de cuidado que havia se formado nos orbes castanhos.

Santana caminhou alguns passos aproximando-se do corpo que se remexia contra a madeira e retirou a sua venda. Como havia imaginado, o brilho de surpresa, pavor e curiosidade haviam instaurado nas íris da ruiva e o tremor que imaginou seu corpo fazendo veio alguns segundos depois quando Blanc tentou gritar através da faixa em sua boca. A morena não conseguiu de deixar um riso sarcástico ecoar de seus lábios. "Você acha mesmo que alguém vai te ouvir aqui?". Perguntou Santana ironicamente aproximando-se mais do corpo ruivo e analisando cada parte minuciosamente.

Blanc cerrou os olhos ignorando-a e a morena conseguiu notar que a ruiva estava tentando manter a calma, que seria muito fácil se Santana não tivesse agachado até a bolsa e a aberto, revirando-a e deixando um barulho de metais colidindo. "Eu esperei por tanto tempo por esse momento Blanc que eu não sei nem o que eu farei primeiro". Justificou Santana de costa para a ruiva ainda procurando o instrumento em sua bolsa.

"O que você quer primeiro? Pelo o que eu sei, você fez uma pergunta parecida a essa para Brittany, a diferença é que você perguntou sobre um corte no queixo, eu estou perguntando o caminho mais lento antes de te fazer dormir". Completou Santana achando por fim a agulha de pressão e o pequeno frasco que havia roubado do kit médico de seu pai. "Está vendo isto aqui?". Gesticulou Santana aproximando-se do corpo preso balançando o frasco. "É um remediozinho que fará você ter a sensação de morte depois de tudo o que eu fizer". Deu de ombros. "Quer que eu te conte como ele funciona?".

A ruiva estava com a respiração tão pesada e acelerada que Santana temeu que ela fosse apagar antes mesmo de começar com a atividade. A morena não queria ter que começar com ela desacordada, ao contrário, queria que a ruiva sentisse tudo o que ela estava sentindo através do que Santana fosse fazer.

"Bom, quando eu injetar em sua corrente sanguínea ele irá se espalhar rapidamente já que tem adrenalina presente e caminhará direto para o seu coração. Todo o caminho que ele fizer você irá parar de sentir e quando ele chegar ao último local você sentirá uma dor forte, como se estivesse tendo um infarto". Explicou Santana puxando com a seringa o líquido dentro do frasco. "Quando você pensar que a dor não irá passar, você começará sentir todos os seus órgãos parando, principalmente o seu pulmão. Dizem que essa parte é a pior". Alertou Santana colocando o frasco dentro do seu casaco e a seringa em uma caixinha ao lado da bolsa. Não perdendi antes de voltar a falar as caretas apavoradas na face de Blanc. "Então você se sentirá sufocada e conseguirá ouvir seu coração parando aos poucos, menos a dor é claro. E então, pronto. Você ficará alguns minutos, talvez horas, morta".

Santana colocou a mão dentro do casaco e retirou um canivete vermelho que havia comprado para o seu irmão quando ele entrou para o escoteiro, mas desistiu de dá-lo já que os dois discutiram no exato momento em que a morena chegara em casa com o presente. "Eu gostaria muito de ouvir você falar agora, mas sei que se eu tirar a faixa você irá gritar". Disse Santana passando os dedos lentamente pela face cortante do objeto.

A morena deu mais um passo e por fim deu o primeiro corte, passando do pulso até o começo do antebraço da ruiva. Um grito abafado e lágrimas rolaram de Blanc. "Você sabia que o meu pai é médico?". Perguntou Santana entretida observando o líquido vermelho manchar a pele clara. "Isso significa que eu sei, pelo menos um pouco, até onde eu posso ir". Completou logo em seguida aproximando-se mais uma vez e deixando o canivete correr lentamente de um lado até o outro da bochecha rosada de Blanc, tendo certeza que ficaria uma cicatriz muito mais visível comparada a deixada em Brittany pela ruiva, não só fisicamente, mas também emocionalmente. Outro grito abafado foi escutado e Santana não conseguiu reprimir um sorriso sombrio.

"Sabe o que mais me intriga? Como você nunca pensou nas conseqüências de tudo o que você fez. Não te alertaram quem eu sou e o que eu faço?". Perguntou Santana retoricamente limpando o sangue do canivete em sua jaqueta. "Não é só porque eu estou com Brittany que eu mudei cem por cento. Eu acho que nem se eu casar com ela isso vai acontecer". Justificou Santana abrindo um sorriso largo na face. "Por falar em casar, você sabia que eu comprei um anel de noivado? Ele é lindo, a pedra combina com os olhos da Brittany". Disse a morena deixando um brilho sonhador aparecer por trás dos orbes negros e sádicos.

Blanc arregalou ainda mais os olhos e balançou a cabeça negativamente tentando se soltar mais uma vez. O sangue que escorria de seu rosto estava sujando toda a sua blusa verde e o sangue de seu braço estava formando uma poça enorme abaixo de seus pés. "Olhando você aqui agora, eu não acredito que eu senti atração por você". Confessou Santana encarando cada parte do corpo à sua frente, demorando-se especialmente nos olhos. "Você não tem nada do que eu gosto pra falar a verdade. Talvez o que havia deixado excitante foi o fato de eu estar namorando". Santana arqueou uma sobrancelha e um riso saiu de seus lábios, deixando o ambiente ainda mais sombrio. "Mas eu amo tanto a B que eu não consigo imaginar porque uma coisa dessas me passou pela cabeça". A morena começou a andar de um lado para o outro gesticulando para o nada. "Eu faço qualquer coisa por ela". Disse por fim parando e olhando para uma pequena cicatriz na palma de sua mão. "Sabe como eu consegui isso daqui?". Perguntou Santana aproximando-se e levantando a palma da mão para que a ruiva pudesse ver um alto relevo com cores diferentes e sinais de ponto na palma da mão na morena. "Nós tínhamos onze anos quando os meninos começaram a implicar com a B por ela ser um pouco desligada". Começou Santana. "B veio correndo no mesmo dia para mim e me contou o que aconteceu. Ela estava chorando muito e eu não conseguia entender porque ela estava chateada com isso já que eles faziam isso todo dia. Então ela me contou que eles haviam colocado o pé para ela tropeçar e cair". A voz da morena adquiriu muito mais veneno e amargura. "Eu pedi pra ela me mostrar onde eles estavam. A princípio ela não tinha percebido como minha atitude havia mudado". Santana deixa um pequeno riso escapar de seus lábios deliciando-se com a lembrança de uma das milhares vezes que abdicou de tudo e de todos pela loira. "Eram cinco contra mim e mesmo assim eu consegui bater em todos eles. Quando por fim acabou e eu estava voltando para Brittany, o menino que era mais velho mirou uma pedra em mim acertando a minha nuca e me fazendo cair com a mão em cima de um prego enferrujado". Cerrou os olhos com a dolorida lembrança. "Mesmo com dor e vendo o sangue escorrer eu não demonstrei para Brittany o quanto eu estava sofrendo. Apenas a sensação de ter, de certo modo, protegido-a fazia meu corpo esquecer a dor. Eu tinha apenas onze anos e não sabia que o sentimento que me motivou a fazer isso era o que eu sinto hoje e ainda mais forte".

Santana girou o canivete mais uma vez em seus dedos e perfurou a coxa de Blanc fazendo o grito abafado ser um pouquinho mais audível. "Então Blanc, resumindo, não pense que uma simples garota vai chegar e tentar me afastar de Brittany do dia pra noite. O simples fato de não amá-la ou deixá-la nunca passou e nunca irá passar pela minha cabeça. Meu passado, meu presente e meu futuro se resumem a ela". Alertou Santana com uma mudança extremamente maliciosa em sua voz. A morena jogou o canivete perto da bolsa e voltou-se para a ruiva segurando em seu pescoço com as duas mãos, aproximando-se do seu ouvido para sussurrar as próximas. "Agora é a parte que finalmente acabou o falatório e eu irei finalmente me divertir e você amaldiçoará os seus pais por ter se mudado para Lima".

Santana afastou-se do corpo de Blanc e colocou a mão no bolso do seu casaco coberto de sangue. Enquanto procurava os quatro anéis, a morena sorria psicoticamente para a ruiva e qualquer um que a encontrasse nesse momento teria a certa de que ela não estava raciocinando direito. Pelo contrário, Santana sabia muito bem o que estava fazendo e por que estava fazendo, então por que não deixar os seus instintos agirem de vez enquanto?

Colocou cada um dos anéis com cuidado em sua mão direita, deixando apenas o polegar desprovido de acessório. Mal terminou de ajeitá-los, Santana já avançou fazendo sua mão bater fortemente na pele macia e manchada do rosto de Blanc, sendo possível sentir os anéis entrarem na parte aberta pelo corte. Sua mão logo se sujou, mas Santana não terminou de socar a face e todas as outras partes do corpo de Blanc. Era possível ouvir os estalos que ecoava da costela da ruiva, e até acreditou que havia quebrado uma.

A série de socos levou alguns minutos até terminar por fim sendo seguida por uma dose de chutes na canela da fina de Blanc. Dessa vez, Santana procurou quebrar pelo menos uma das duas, apenas com chutes. Se o seu lado humano não tivesse sido coberto, provavelmente que Santana já teria terminado há uns cinco minutos atrás, mas o simples fato de estar alimentando o seu demônio interno com os gemidos de dor, a vermelhidão e o odor do sangue, as lágrimas incessantes e o pavor; eram combustível suficiente agüentar por pelo menos mais uma hora.

E era o que a morena queria até o seu relógio de pulso despertá-la com três apitos. Ela havia programado justamente para isso, acordá-la e lembrá-la de que não poderia viajar em seus prazeres já que havia uma loira, mas nesse caso duas, esperando-a em casa.

Como se estivesse apenas agora sabendo o que é ser humano novamente, Santana analisou o estado que havia deixado Blanc. O corte no antebraço estava ainda mais vivo, com mais sangue escorrendo, assim como o da sua face. Toda a pele que estava amostra estava marcada com manchas vermelhas e roxas. O rosto da ruiva estava deformado, talvez tivesse quebrado o nariz. A perfuração que havia feito na coxa de Blanc havia transformado a calça jeans azul da ruiva em vermelha. Sem contar a enorme poça de sangue que havia ao redor e com os respingos vermelhos que havia sujado o seu casaco e o seu rosto. Odiou-se por estar coberta daquele sangue sujo e como previu quando preparou aquela mala, colocou álcool e um isqueiro para precauções.

Blanc mal estava conseguindo ficar com os olhos inchados abertos, seu corpo estava sendo sustentado pelas cordas já que estava sem forças para sustentá-lo. Santana a olhou enquanto retirava o casaco e jogava a um metro de distância da ruiva. Santana caminhou até a ruiva com a seringa nas mãos e tateou a veia do antebraço, injetando o conteúdo todo logo em seguida. A morena logo retirou o álcool e o isqueiro de sua bolsa, jogando o líquido sobre a blusa e passando em seu rosto e em suas mãos para tentar limpar pelo menos um pouco os resquícios de sangue. Guardou os seus objetos na mala e antes que começasse a caminhar para fora daquele local, Santana ascendeu o isqueiro próximo da jaqueta coberta de álcool dando espaço rapidamente às enormes labaredas. "Só para você não falar que eu nunca fiz nada por você. Me conte depois como que é a sensação de morte". Disse Santana encarando-a pela ultima vez antes de caminhar em direção ao estacionamento.

Antes que pudesse chegar em casa, Santana passou por um beco e limpou todo a bolsa com o resto do álcool, desfazendo de qualquer vestígio seu e deixando a bolsa atrás de uma enorme lata de lixo. Não era pouco provável que quando achassem o corpo de Blanc todos associaram aquelas atrocidades à morena. Sabia que até mesmo os seus amigos do coral e seus pais o fariam. Negaria, dá forma mais fácil e rápida. Mas de fato o mais doloroso seria ter que mentir para Brittany. Sabia como a loira reagia à vingança e havia prometido-a que jamais faria isso, só que ela a conhecia muito bem para notar os pequenos detalhes que daria a conclusão final.

Mesmo se o mundo caísse sobre si e tentasse de tudo, Santana não afirmaria nada. Não queria que pensassem que Brittany estava namorando uma psicopata, apesar de não ter muitos argumentos para rebater, contando apenas com o que acabara de fazer. Mas mesmo que sua consciência martelasse em sua cabeça dizendo que havia empolgado e exagerado na 'vingança', sabia que enquanto não fizesse tudo o que queria, quer dizer quase tudo, não iria descansar. Não voltaria atrás e muito menos iria se arrepender. Brittany era sua responsabilidade e cabia apenas a ela protegê-la e lhe dar conforto e felicidade.

Com todas essas discussões internas Santana apenas percebeu que estava em casa quando a garagem do prédio rangeu enquanto abria. Desligou o carro e olhou mais uma vez em seu interior procurando por qualquer coisa que fosse trazer qualquer malefício.

Recostou-se contra o espelho do elevador esperando o seu andar chegar. Olhou em seu relógio para ter certeza de quanto tempo estava fora de casa e assustou-se quando fez as contas e concluiu que estava há quase duas horas. Precisava pensar em uma desculpa urgente para dizer à Brittany e a Quinn. Sabia que seria difícil convencer as duas e por isso precisava de uma boa. A morena retirou a chave do bolso e colocou na porta, girando a maçaneta silenciosamente.

Santana arqueou uma sobrancelha quando notou a sala parcialmente escura, sendo salva pela televisão que estava ligada. A morena ligou o interruptor e analisou melhor o local. A mesa que havia pedido para Quinn e Brittany arrumarem estava desfeita e se não fosse pelo barulho do sofá, Santana não teria percebido Quinn levantar-se e cerrar os olhos devido à claridade das lâmpadas. "Que merda Lopez, onde você estava?". Saudou Quinn com a voz baixa e a morena suspeitou que fosse pelo fato da porta de seu quarto estar fechada e Brittany estar dormindo.

"Aconteceu um imprevisto Fabray. Cadê a B?". Perguntou Santana trancando a porta e colocando a chave e o celular sobre o balcão da cozinha enquanto retirava uma garrafa de água e dava um gole. Estava fazendo o possível para sair o mais natural possível perto de Quinn.

"Eu nunca vi lanches demorarem tanto". Rebateu Quinn ignorando a pergunta inicial de Santana. "Você tem noção de como deixou B preocupada? Por que diabos não atendeu o celular?".

Santana ignorou todas as perguntas de Quinn e estava quase caminhando em direção ao quarto quando sentiu seu braço ser segurado e seu corpo impedido de continuar. A morena virou-se já pronta para rebater quando se deparou com os olhos arregalados e críticos de Quinn. "Por que tem sangue na sua roupa?".

A morena sentiu todo o sangue do seu corpo congelar em suas veias e engoliu em seco. "O que?". Perguntou Santana contendo os tremores de seu corpo e voz.

"Tem sangue na sua calça Santana e no seu tênis". Apontou Quinn ainda assustada. "Onde você conseguiu isso S?". Perguntou Quinn franzindo o cenho e colocando uma mão na cabeça. "Por favor, me diga que você não fez a besteira que eu estou pensando".

Santana não sabia como rebater com aquilo. Essa situação havia sido imprevista e sua cabeça não estava querendo funcionar corretamente para ajudá-la a sair daquele interrogatório. Abriu a boca, mas nenhum som saiu e quando tentou se mover, Santana soube que Quinn havia descoberto.

Quinn caminhou até o sofá e sentou-se, abaixando a cabeça e apoiando-a nas palmas de sua mão. "Eu sabia que aquela ligação não tinha nada a ver com lanches. Você jamais recusaria a presença de B. Foi estranho a pressa e a sua mudança de atitude. Eu estava aqui recusando a acreditar nisso". Confessou Quinn ainda de costa para a morena. Santana estava na mesma posição sem saber o que falar e agir. "Por favor S, me diga que você não a matou".

"É claro que não Fabray". Soltou Santana massageando as têmporas sabendo que se essa parte sobre ficar quieta havia dado errado qualquer uma das outras poderia acontecer a mesma coisa. A morena tentou controlar-se e caminhou até Quinn sentando ao seu lado no sofá. Agradeceu mentalmente que Quinn não a tratou como um monstro ou qualquer outra coisa que havia imaginado.

"O que a impediu?". Perguntou Quinn sendo possível perceber que no fundo a amiga se importava.

"Brittany". Indiretamente é claro, já que o relógio que havia apitado e feito-a lembrar-se da loira.

"Por que não me contou?".

"Porque era uma coisa que eu precisava fazer, não você". Respondeu Santana secamente. Era a resposta mais óbvia e não compreendia porque Quinn havia perguntado-a.

"Você sabe que B também é importante para mim". Retrucou Quinn levantando a cabeça e encarando Santana ao seu lado.

"Se Blanc tivesse fodido a Berry você me deixaria ajudar?". Perguntou Santana retoricamente analisando a expressão já tão conhecida no rosto de Quinn toda vez que mencionava o nome de Rachel. Pela primeira vez, Quinn não desviou o olhar e muito menos tentou negar. "Então pronto".

"Você limpou tudo?". Perguntou Quinn temerosa.

"Está parecendo que você não me conhece Fabray". Respondeu Santana revirando os olhos e levantando-se. O cheiro do álcool estava começando a fazer seu estômago revirar e todo aquele interrogatório estava deixando-a exausta.

"Onde ela está?".

A morena virou-se para Quinn antes de começar o seu trajeto até o quarto onde Brittany estava. "Pegue um travesseiro e um cobertor no meu guarda-roupa". Ordenou Santana ignorando a pergunta da loira e caminhando até o quarto deixando Quinn calada na sala voltando a concentrar-se na televisão à sua frente. A morena sabia que já havia deixado muito escapar e agora bastava Quinn analisar os fatos. É claro que a amiga chegaria à resposta que queria antes mesmo que Santana ligasse o chuveiro.

Santana girou a porta do quarto e tentou ser o mais silenciosa possível. A morena sentiu toda a tensão de seu corpo dissipar-se com a imagem reconfortante de Brittany deitada na cama de casal ocupando a parte que seria de Santana. A loira estava coberta até a cintura e sua face estava contorcida em uma suave expressão.

A morena precisou ser cuidadosa o suficiente para não acordá-la enquanto banhava-se. Já havia decidido que iria desfazer-se de toda a peça de roupa que havia vestido, seria bastante arriscado simplesmente lavar. Procurou lavar com extremo cuidado todo o seu corpo. Era como se estivesse mandando embora não só a sujeira, mas também, tudo aquilo que a fazia perder o controle e mostrava o lado no qual era tanto odiado por Brittany. Desejou que jamais precisasse fazer isso novamente, mas sabia que se algo igual ou pior acontecesse com Brittany novamente, tudo o que aconteceu nesse curto período de tempo, seria repetido e talvez até pior.

Desligou o chuveiro e vestiu a camisa e o short que estavam pendurados no cabide atrás da porta. A morena enrolou toda a roupa que havia vestido e colocou-a no canto, deixando para cuidar do desnecessário no próximo dia. Agora tudo o que ela queria era estar próxima de Brittany mais uma vez. O pouco tempo que ficava longe da namorada era o suficiente para criar a sensação de saudade sentida por meses.

A morena caminhou até a cama e deslizou-se para o lado de Brittany, levantando a coberta e colando o seu corpo no da loira. Santana abraçou o corpo de Brittany pela cintura e repousou a cabeça em seu colo depositando um demorado beijo em seu pescoço, acordando sem querer a loira.

Brittany percebendo a presença da morena retribuiu o abraço, encostando a testa na da morena e encostando apenas os lábios. Santana prendeu o lábio inferior da loira entre os seus e o sugou fazendo Brittany aproximar-se ainda mais. A loira por fim abriu os olhos e encarou os orbes negros.

Santana a saudou com um sorriso e tomou seus lábios novamente em um beijo calmo e sem futuras intenções. "Por que demorou S?". Perguntou a loira suavemente entre os beijos que Santana depositava rapidamente em seus lábios. Brittany descansou uma das mãos na cintura da morena fazendo pequenos círculos no local. Seu corpo ainda estava pesado e cansado, mas não conseguia não retribuir as carícias da namorada. Era assim todas as vezes que Santana a acordava no meio da noite.

"Amanhã eu te explico B. Vamos dormir". Respondeu Santana acariciando a face da loira e fitando as suas íris azuis até as suas pálpebras pesarem o suficiente para acompanhar a loira que já havia voltado para o seu sossego.

• • •

Não foi nada fácil para Santana contar uma mentira para Brittany na frente de Quinn, porque precisava controlar-se para não submeter-se aos olhares de reprovação da amiga. Quase que gaguejou e se perdeu duas vezes enquanto falava. No começo Brittany ficara desconfiada, afinal, Santana recusava-se encará-la nos olhos, mas quando Quinn assumiu e ajudou a morena foi impossível contestar. A história de Quinn estava tão convincente que quase que até mesmo Santana acreditou nas palavras da outra loira.

As três garotas passaram juntas o resto do dia até o começo da noite, quando Santana teve que levar Quinn e Brittany para casa. A morena tentou convencer os Pierce que Brittany iria com ela para a escola no dia seguinte, mas tudo o que conseguiu ouvir foi uma sogra bastante decepcionada com a filha por estar passando mais tempo fora de casa e longe da família.

Santana fez questão de marcar a despedida fazendo Brittany pensar por alguns segundos se não valeria a pena ficar de castigo por alguns dias. Mas castigo significava não ver ninguém, inclusive Santana e a conseqüência disto era sem beijos como aquele que ela recebera antes de ver Santana entrar no carro e voltar para casa.

Foi um tanto quanto difícil para a morena ajeitar-se em uma cama tão grande e vazia. A sorte era que Brittany havia deixado o seu cheiro no travesseiro e em toda a parte que havia dormido, facilitando muito mais o relaxamento da morena. Santana assustava-se quando parava para pensar que estava tão viciada em tudo que exalava de Brittany que conseguia reconhecer a aproximação da mesma apenas pelo perfume. Jamais pensou que fosse tornar-se tão dependente assim; sabia que cada dia que se passasse a amaria mais, mas não pensou que fosse nessa proporção. Ás vezes ficava sufocante, principalmente quando estavam afastadas. Santana sentia como se uma parte de si estivesse sido arrancada à força e doía tanto emocionalmente quanto fisicamente.

"Um forte". Pediu Santana de frente para a atendente. Precisava de um café forte para agüentar o resto do dia devido à péssima noite que tivera. Todas as vezes que fechara os olhos imagens quentes de Brittany vinha em sua cabeça, quase que a morena pegou o carro e dirigiu até a casa dos Pierce apenas para acordar Brittany e fazer seus sonhos tornarem realidade,literalmente. Foi preciso um banho gelado na madrugada para diminuir um pouco a sua excitação.

Não forçou muito na maquiagem, apenas o suficiente para cobrir as pequenas manchas roxas abaixo dos olhos.

A morena não se apressou, afinal, os pais de Brittany disseram que a levariam hoje já que eles insistiam em dizer que estavam com saudades da filha. Ao repassar as palavras, Santana sentiu-se extremamente incomodada. Era desconfortável quando era obrigada a lembrar que de fato tivera família e havia sido expulsa de casa. Mesmo com seu pai tentando reconciliar e melhorar um pouco a situação, a relação jamais voltaria a ser a mesma. O que a mais surpreendia era que sua mãe havia sido pior do que seu pai e era estranho, já que possuía um laço um tanto quanto suportável, por assim dizer, com sua mãe. Constantemente faziam compras juntas e conversavam sobre aleatórios assuntos.

Mas sempre ignorava esses pensamentos e sentimentos quanto parava para analisar o motivo. Se fosse preciso, abandonaria quem fosse preciso para ficar com Brittany. Talvez ter abandonado, ou ter sido abandonada, por sua família havia sido um preço muito caro, mas a recompensa que estava tendo estava sendo boa o suficiente para continuar seguindo em frente.

Ao sair do Cybercafé Santana parou em um caixa eletrônico próximo ao estacionamento que estava o seu carro. Hoje era o dia que um dos cheques que havia feito para pagar a aliança seria cobrado então precisava depositar a quantia exata na conta de seu pai para que nada de diferente seja visualizado pelo doutor.

Estava ansiosa enquanto digitava o valor e colocava as cédulas na máquina. Um sorriso bobo e fraco formou-se em seus lábios já que agora faltava apenas mais um cheque e a aliança seria sua por fim, quer dizer, não sua, mas sim de Brittany. Ainda não havia conseguido pensar na melhor opção para o pedido e decretou que só poderia pensar nisso depois do último pagamento.

Enquanto abria a porta do carro, a morena conseguiu ouvir o celular apitando uma nova mensagem no banco do carona. Colocou o seu copo de café no banco e pegou o aparelho. Havia três mensagens de Brittany. Todas elas perguntando onde a morena estava e só então Santana percebeu que faltavam apenas quinze minutos para as aulas começarem.

Para a sua sorte, a escola não era tão longe de onde estava e gastaria no máximo cinco minutos. Apressou-se em digitar uma mensagem para a namorada dizendo que estava a caminho. Ligou o carro e logo tratou de dirigir até a escola.

Foi um desafio passar por entre os alunos amontoados no corredor com um copo de café na mão. Seu celular estava anunciando uma nova mensagem dentro de sua bolsa e a morena decidiu que não teria como respondê-la agora, precisava apenas chegar ao seu armário e desocupar suas mãos.

Por um segundo, pensou que a escola havia aumentado, porque o seu armário parecia estar a quilômetros de distância. Para piorar havia um casal de namorados encostado nele quando finalmente chegou. Não precisou pronunciar uma palavra, apenas os encarou séria até afastarem-se e pedirem desculpa.

A morena estava distraída tentando arrumar os materiais que precisaria no momento que quando percebeu o perfume de Brittany próximo ao seu corpo, a loira já estava enlaçando a sua cintura e trazendo-a para mais perto, depositando um beijo quente e demorado em sua bochecha. "Bom dia S". Sussurrou a loira próxima ao ouvido da morena fazendo os flashes dos sonhos que a incomodaram durante a noite voltarem a rondar sua mente.

Santana olhou discretamente para os lados enquanto virava-se no abraço de Brittany tendo certeza de que não seriam atrapalhadas por alunos idiotas enquanto se perdia nos braços da loira. Para o seu conforto, todos pareciam estar preocupados o suficiente com as provas finais, pois estavam com cadernos e livros nas mãos. "Ótimo dia, não?". Sugeriu Santana de frente para a loira enquanto aproximava-se rapidamente para depositar um leve beijo nos lábios de Brittany.

"Agora sim, ótimo dia". Respondeu Brittany ainda com os braços em volta da cintura de Santana. "Por que demorou S?". Perguntou Brittany curiosa arqueando uma sobrancelha.

"Fui comprar um café". Respondeu a morena quando Brittany a soltou para que ela pudesse terminar de ajeitar os seus materiais. "Você quer?". Perguntou Santana ajeitando a bolsa em seu ombro e o café na outra mão para que ficasse com uma livre para Brittany.

"Está muito forte". Resmungou Brittany enquanto devolvia o copo para Santana e caminhavam para a primeira aula que por sorte era do coral. Pelo menos nesse primeiro momento, teriam um pouco de tempo para ficarem juntas. "Problemas para dormir?". Indagou Brittany inocentemente. A loira conhecia bastante a namorada para saber quase todos os motivos de suas ações.

Santana não expressou nenhuma surpresa, sabia que a loira logo chegaria a essa conclusão. "Você me atrapalhou a dormir". Respondeu a morena com um sorriso malicioso e um arquear de sobrancelhas. "Tive que me segurar para não ligar para você". Confessou a morena passando com Brittany pela porta do coral e sentando-se na última fileira ao lado de Finn e Rachel.

"Você acha que funcionaria?". Perguntou Brittany suspeita. É claro que quando precisava viajar ela e Santana possuíam conversas quentes no telefone, mas de acordo com o estado que Santana deveria estar na noite passada, a loira tinha certeza que apenas pioraria e sua namorada faria a loucura de aparecer no meio da noite, como da última vez.

"Não custaria tentar". Respondeu Santana tomando mais um gole do seu café enquanto analisava o sorriso de Brittany. "Você sabe que pode ir ao banheiro quantas vezes quiser, não é?". Indagou a morena mordendo o lábio inferior. Esse era um dos códigos que ela e Brittany usavam quando queriam ficar um pouco mais a sós e havia pessoas por perto.

A loira soltou um baixo riso e quando abriu a boca para responder, Mr. Schue entrou na sala atraindo a atenção de todos. "Bom dia pessoal. Como vocês estão?". Perguntou o professor sorrindo e caminhando até o meio da sala para analisar cada um dos alunos. Todos responderam monossilabicamente e outros nem fizeram o trabalho de abrir a boca.

A sala estava mais vazia agora que Lauren e Sam haviam saído. O pai de Sam finalmente havia conseguido um novo emprego, mas para isso precisaram mudar-se para a Califórnia. Santana não conseguia compreender porque todos estavam tão tristes pela partida do rapaz, ele estava indo para Califórnia e não para Utah. Já Lauren recebeu uma bolsa de estudos pela luta em uma faculdade de Massachusetts e agora ela precisava concentrar-se apenas em sua bolsa e em sua opinião, o clube do coral estava apenas atrasando-a. A lutadora havia até terminado o seu relacionamento com Puck, o que o deixou bastante magoado pelo menos por um dia já que o rapaz havia voltado a ser como antes.

"Dando continuidade à nossa atividade, hoje é a vez de Santana e Puck apresentarem o trabalho". Disse Mr. Shue apontando para cada um dos dois alunos. Santana respirou fundo e levantou-se recebendo um caloroso sorriso de Brittany. Mesmo depois de ter discutido com o professor dizendo que não faria uma dupla com Puck e sim com Brittany, sem sucesso é claro, a morena ainda estava irritada com a idéia de ter que cantar com Puck. Já era bastante difícil ficar no mesmo cômodo com ele, agora cantar junto era demais.

Puck pegou dois bancos e colocou de frente para a classe, sentando-se e colocando o violão em seu colo logo em seguida. Santana o acompanhou e sentou-se ao seu lado.

"Como vocês devem lembrar, o trabalho de casa é que pelo menos um da dupla tocasse um instrumento e modificasse a letra e o ritmo da música escolhida, levando em consideração que deve ser uma música do Michael Jackson, uma pequena homenagem aos dois anos da nossa grande perda". Lembrou o professor sentando-se ao lado de Artie na primeira fileira. Não foram todos que concordaram com aquela escolha, afinal, precisavam treinar para as Regionais e não podiam ficar perdendo tempo com canções sem significados, de acordo com Rachel e Kurt. "Vocês podem começar".

"Depois de muita discussão, Santana e eu decidimos de faríamos Billie Jean, do Michael". Anunciou Puck olhando para Santana antes de começar recebendo um revirar de olhos da morena.

O rapaz começou com o dedilhado com o incentivo do professor, começando logo em seguida com a primeira parte da canção. Para a curiosidade de Santana, o rapaz cantou os primeiros versos encarando Quinn, que estava deixando-a bastante desconfortável.

She was more like a beauty queen
From a movie scene

I said don't mind
But what do you mean
I am the one

Santana acompanhou o rapaz logo em seguida.
Who will dance on the floor in the round

Puck retomou novamente sozinho. A morena já estava começando a sentir o desconforto de Quinn, porque agora Rachel havia percebido Puck encarando a loira.

She told me her name was Billie Jean
As she caused a scene

Then every head turned
With eyes that dreamed of being the one

Santana o acompanhou mais uma vez, cantando junto os próximos versos.

Who will dance on the floor in the round

People always told me:
- Be careful what you do
- Don't go around breaking young girl's hearts

And mother always told me:
- Be careful of who you love
- Be careful of what you do
- Cause the lie becomes the truth

Billie Jean is not my lover
She's just a girl
Who claims that I am the one
But the kid is not my son

Puck continuou no dedilhado enquanto Santana começava o próximo verso sozinha.

For forty days and for forty nights
Law was on her side
But who can stand
When she's in demand her schemes and plans

Acompanhou o rapaz logo em seguida.

Cause we danced on the floor in the round

E Santana mais uma vez assumiu sozinha encarando Brittany em especial. A morena queria que Brittany conseguisse ler as entrelinhas, que era mais ou menos Santana mencionando um suposto bebê com os seus olhos em um futuro não tão distante.

So take my strong advice
Just remember to always think twice
She told:
- My baby we'd danced till three
And she looked at me

Then showed a photo
My baby cries
His eyes would like mine

But we danced on the floor in the round

E para finalizar, Puck e Santana cantaram mais uma vez juntos os versos seguintes.

People always told me:
- Be careful what you do
- Don't go around breaking young girl's hearts

And mother always told me:
- Be careful of who you love
- Be careful of what you do
- 'Cause the lie becomes the truth

Billie Jean is not my lover
She's just a girl
Who claims that I am the one
But the kid is not my son

Terminaram e foram recebidos por vários aplausos e elogios. Santana precisava concordar que sua voz e de Puck haviam combinado e que a alteração no ritmo da música que Puck havia feito fora realmente bom.

A morena caminhou de volta para o seu lugar e Brittany a saudou com um apertado abraço enquanto dizia o quanto a morena havia ido bem mesmo estando desconfortável por não terem cantado juntas. A loira tentara dizer que nenhuma das duas sabia tocar instrumentos para formarem a dupla e por isso, ela e Mike fariam um número de dança.

Brittany ajeitou-se no abraço de Santana enquanto assistiam Artie e Tina cantarem a próxima música, Heal The World, com o rapaz acompanhando-a no violão. A morena sentia-se desconfortável ouvindo aquela música, afinal, a dupla conseguira deixar ainda mais dramática e melosa a canção. Santana arriscou abaixar a cabeça para analisar a loira que estava com a cabeça apoiada em seu ombro e pôde visualizar seus olhos marejados. Instantaneamente, a morena passou a acariciar os cabelos de Brittany e colou seus lábios na testa da loira. Resolveu que precisava era distrair sua namorada; só assim conseguiria afastar o olhar triste presente na face da loira. "Você viu a mesma coisa que eu enquanto Puck cantava?". Perguntou Santana em sussurro para Brittany.

A loira levantou o rosto e encarou a morena. "Ele encarando a Q?".

"Não é estranho?". Indagou a morena arqueando uma sobrancelha e olhando de relance para amiga que estava sentada na segunda fileira ao lado do rapaz. Puck estava estranhamente com a mão em volta da cadeira de Quinn enquanto a loira fazia o possível para concentrar-se na dupla à frente.

"Eu acho que eles voltaram". Disse Brittany franzindo o cenho. "Mas não é possível. Q nos disse que não voltaria com ele desde aquela confusão com a Beth". Brittany desviou os olhos de Santana e olhou para Rachel ao lado de Finn. A pequena estava encarando indiscretamente a loira e o rapaz de moicano como se estivesse tentando torcer o pescoço de Puck apenas com os olhos. "Mas e a...?". Tentou Brittany voltando a encarar a morena fazendo um pequeno movimento com a cabeça tentando demonstrar de quem estava falando.

"Não tem futuro B". Respondeu Santana dando de ombros. Estava difícil acreditar que Quinn havia traído-a, voltando a relacionar-se com Puck. A morena sabia o quanto o rapaz era estúpido e quanto havia machucado a amiga e depois de tanto esforço, Quinn estava jogando todo o seu trabalho no lixo. "Se quisermos saber de alguma coisa teremos que perguntar a ela". Finalizou Santana dando de ombros e voltando a acariciar os cabelos loiros da namorada.

Com o término da segunda dupla Brittany aproveitou o instante para ir ao banheiro enquanto a terceira dupla, Mercedes e Finn, estavam preparando-se. Santana relaxou na cadeira terminando finalmente com o seu café antes que ficasse frio.

"Santana, nós precisamos falar com você". Disse Mr. Schue caminhando para o meio da sala enquanto todos os rostos viravam para ela e Tina saía da sala. A morena arqueou uma sobrancelha e cruzou os braços do no tórax esperando o professor começar. "Nós sabemos que foi você que fez aquele estrago à Claire".

Santana imediatamente mudou a sua postura. Suas pupilas dilataram e um pequeno tremor passou por seu corpo. A morena encarou de imediato Quinn que fez um balançar negativo com a cabeça tentando mostrar que não havia dito nada. "Não sei do que está falando Mr. Schue. O que aconteceu com ela?". Perguntou Santana cinicamente atraindo olhares impacientes.

"Nós sabemos Santana. É impossível acreditar na história que ela está contando. Ninguém é atropelada e fica daquele jeito". Exaltou Mr. Schue. Então é essa a história que ela está contando, pensou Santana. A morena não havia feito nenhum tipo de ameaça caso a ruiva resolvesse contar a verdade, mas Santana sabia que seria bastante humilhante da parte dela e conhecendo o lado cheerio da ruiva, sabia que ela jamais faria isso. Afinal, Santana tinha ao seu lado duas famílias importantes, os Fabray e os Pierce. Blanc não teria muita escolha a não ser inventar uma história e até que atropelamento não havia sido tão ruim.

"Eu não fiz nada. Só por que ela fez aquilo com a Brittany não significa que eu vingarei". Exaltou Santana surpreendendo-se com o seu cinismo.

"Santana, pare e escute o que você está falando. Isso não soa muito você". Cortou Mercedes encarando a morena. "Olha, nós sabemos que Brittany mudou bastante você, mas não foi cem por cento". Santana arregalou os olhos, era como se Mercedes tivesse escutado a sua conversa com Claire.

"Sabe quem a encontrou Santana?". Perguntou Mr. Schue cerrando os olhos. A morena engoliu seco e esperou em silêncio. "Rachel".

Santana imediatamente virou-se para a pequena ao seu lado e arqueou uma sobrancelha. "E por que teria sido eu?". Perguntou Santana diretamente para Rachel.

"Porque foi no mesmo lugar que encontramos Brittany". Respondeu Berry dando de ombros e encolhendo-se com medo da atitude da morena.

Santana respirou fundo e massageou uma das têmporas e fechou os olhos. "O que ela disse pra você?". Perguntou a morena.

"Ela me pagou e me pediu pra ficar em silêncio, dizendo que ela faria o pior do que aconteceu em Brittany se eu contasse pra alguém. Ela me pediu para ligar para os pais e colocá-la no estacionamento".

"Você não deveria ter ido tão longe assim". Retrucou Finn atraindo a atenção da morena. Santana abriu os olhos e encarou o rapaz ameaçadoramente.

"Escute aqui Hudson, se alguma coisa acontecesse com Berry eu tenho certeza que você não faria um terço do que eu faria se alguém simplesmente esbarrasse em Brittany". Exaltou Santana levantando-se da cadeira. Finn abaixou a cabeça e Rachel arregalou os olhos. Querendo ou não, as palavras de Santana eram verdadeiras, o rapaz não defendia a namorada nem de uma raspadinha, pois iria comprometer a sua reputação quanto mais de uma situação quanto àquela. E em relação a isso Santana já havia deixado de se preocupar a muito tempo. "Você e mais ninguém dessa sala deve falar o que eu devo ou não fazer. Vocês já pararam para pensar o que vocês fariam se estivessem no meu lugar?". Perguntou Santana encarando cada um dos alunos.

"Eu faria a mesma coisa". Respondeu Quinn encarando Santana e recebendo vários olhares assustados e surpresos, inclusive de Rachel. Santana não pode deixar de agradecer a loira com um gesto de cabeça, pois nesse momento ela estava mesmo precisando de uma ajuda amiga.

"Mas você quase a matou Santana. Você não parou pra pensar nas conseqüências caso ela resolva falar?". Perguntou Mercedes novamente.

Não, ainda não havia parado para pensar nas conseqüências. Havia agido tanto por instinto que seu lado racional a traíra. "Paciência". Respondeu Santana dando de ombros voltando a sentar-se.

"Não Santana, essa não é a resposta. Você sabe que pode sempre contar conosco. Teríamos resolvido isso de outro jeito". Retrucou Kurt.

"Ah certo, vocês iriam cantar para ela uma canção sobre como faz mal ser uma pessoa má". Debochou Santana com um riso sarcástico. "Eu não preciso de ninguém para resolver os meus problemas".

"Brittany é importante para todos nós Santana. Todos estiveram ao lado dela no hospital e nós a visitávamos constantemente e fizemos o possível para ela se recuperar". Diz Mr. Schue recebendo apoio de todos os alunos.

"Ok, vocês podem ter visitado e dado apoio, mas não eram vocês que acordavam no meio da noite com ela chorando. Não eram vocês que ficavam vendo-a encarar os pontos no queixo por meia hora no espelho. Eu me sentia inútil cada dia que se passava, porque ela estava cada vez mais triste. Sabia que até hoje ela sente um incomodo quando passa a mão na cicatriz? Vocês podem ter dado o melhor de vocês e dizerem que gostam dela e até mesmo esforçarem-se para a sua recuperação, mas ninguém a ama como eu". Desabafou Santana procurando recuperar todo o ar possível para completar o espaço vazio que ficara desde que resolvera soltar tudo o que estava preso por tanto tempo. Eles jamais entenderiam.

Um silêncio descomunal formou-se na sala logo em seguida. Cada um dos alunos tentando assimilar tudo o que Santana havia acabado de dizer. A morena passou a mão no rosto cansada e encarou cada aluno presente do cômodo. Sabia que todos se importavam e ficava gratificada, mas em nenhum momento o que aconteceu foi responsabilidade deles. Santana poderia sofrer grandes conseqüências, mas pelo menos sofreria sozinha.

"Santana nós entendemos o que você sente, quer dizer, nós não entendemos, mas sempre estaremos aqui". Disse Rachel quebrando o silêncio para a sua surpresa. Sempre havia tratado-a tão mal que jamais pensou que ouviria aquelas palavras saindo da boca de Berry.

"A Rachel está certa Santana. Eu sei que nós não nos damos muito bem, mas eu sempre estarei aqui quando precisar". Assentiu Puck com um sorriso tímido. "Eu que faço o trabalho sujo, não você". Confortou.

"Nos promete que não fará isso novamente?". Perguntou Kurt encarando a morena.

Santana respirou fundo e passou os olhos por cada um deles antes de responder mais uma vez. "Não".

• • •

O resto da semana ocorreu, por incrível que pareça, normal. Nenhum dos alunos do coral comentou mais sobre o incidente de Blanc e todos agiam como se nada tivesse acontecido. Santana ouviu dizer que ela teria que ficar um mês e meio de repouso até o osso de sua perna voltar ao lugar e todas as feridas cicatrizarem. Pelo menos teremos um tempo de sossego, pensou a morena ironicamente. A ingenuidade de Brittany ainda funcionava perfeitamente, porque até agora a loira não havia desconfia de nada, facilitando muito mais a situação.

Santana teve que conversar com os pais de Brittany mais uma vez quando reclamaram sobre a ausência da filha. Concordaram que Brittany ficaria apenas o final de semana fora, tendo que voltar no domingo de tarde e durante a semana deveria estar em casa antes das oito da noite. A morena precisou agir civilizadamente para que a sentença não fosse maior, tendo certa dificuldade já que Brittany insistia em retrucar com os pais.

Conversaram com Quinn sobre o que havia acontecido entre ela e Puck e para o espanto das duas, a amiga havia mesmo retomado o relacionamento com Puck. Quinn insistia em dizer que devia seguir a vida e que não poderia ficar esperando por Rachel para sempre e já que a pequena estava em um relacionamento com um rapaz, por que ela também não podia?

Santana e Brittany tentaram reverter a situação dizendo que ela poderia ter qualquer garoto ou garota da escola e que ela deveria ficar longe de Puck. Eles possuíam história juntos e não era saudável ficar vivendo do passado. Como sempre, Quinn e Santana discutiram e Brittany foi obrigada a interferir dizendo que a amiga sabe o que é bom e que ela que deve fazer o seu caminho. Santana foi obrigada a acalmar, mas não a aceitar.

Como a discussão das duas era rotineira, Brittany as proibiu de tocar no assunto. Por incrível que pareça, estava indo bem até agora, afinal, Santana e Quinn estavam sentadas no mesmo sofá assistindo televisão e até agora não haviam perdido a racionalidade, sendo que Brittany nem estava presente. A loira ficou de encontrá-las mais tarde já que precisava ajudar sua mãe em casa.

"Quer pedir alguma cosia?". Perguntou Quinn espreguiçando-se no sofá ao lado da morena.

"Eu estou sem fome". Respondeu Santana levantando a garrafa de cerveja cheia em sua mão à boca. Quinn assentiu e levantou, caminhando até a geladeira e pegando mais uma cerveja para si.

Santana revirou os olhos quando sentiu Quinn a encarando. Estava a algum tempo ignorando o olhar da amiga porque pressentia que Quinn estava querendo perguntar alguma coisa. "Se você não parar de me olhar agora eu vou te bater". Ameaçou Santana conseguindo ouvir a loura resmungar ao seu lado.

"S eu estou com uma dúvida...". Começou Quinn sendo cortada por Santana imediatamente.

"É sobre sexo?". Perguntou a morena encarando a televisão e conseguindo perceber a postura da amiga endurecer ao seu lado. Sabia o quanto Quinn era conservadora e que as poucas vezes que Quinn a procurara era para retirar esse tipo de dúvida, na qual Santana sempre fazia um comentário irônico e a loira arrependia-se de ter procurado-a.

"Mais ou menos". Respondeu a loira dando um gole apressado em sua bebida como se fosse dar algum tipo de coragem ou ajuda.

"Como pode ser mais ou menos? Ou é ou não". Retrucou Santana arqueando uma sobrancelha desviando sua atenção da televisão e encarando finalmente Quinn.

"É que não é o certo". Justificou Quinn franzindo o cenho e apertando os olhos. Santana soltou um riso alto e longo o suficiente para fazer Quinn se arrepender. A bochecha da loira logo adquiriu um tom rosado. Santana sabia muito bem sobre o que Quinn estava querendo dizer e o porquê de sua dificuldade.

"Não é mais fácil baixar um vídeo e assistir?". Tentou Santana dando mais um gole na bebida e ajeitando-se no sofá. Não ficava confortável tendo aquele tipo de conversa com Quinn, ainda mais por ser sobre garotas.

"Foi assim que você fez?". Zombou a loira.

"Não Q, foi com prática. Olhe, por que você não conversa com a B?". Perguntou Santana tentando desviar do assunto o mais rápido possível. Não queria ter que ensinar Quinn ou explicar qualquer coisa, porque não é uma coisa que se ensina.

"Não é uma coisa que eu queira saber, mas eu preciso".

"Você está pretendo transar com quem Fabray?". Perguntou Santana arqueando as sobrancelhas e cruzando os braços sobre o tórax. Um sorriso perverso formou-se em seus lábios automaticamente.

"Você tem razão, será melhor conversar com a B". Concluiu Quinn com a face ainda mais corada desviando o olhar da morena para a televisão novamente.

"É a Berry não é?". Indagou a morena corroendo-se em curiosidade. Era difícil conter o choque inicial, afinal, Fabray querendo tirar dúvidas para se sair melhor no futuro era uma das coisas que não se ouvia todos os dias e por mais tentadora que fosse saber qual dúvida que era, não tinha estômago para isso. Não suportaria o mal estar mental de imaginar Fabray e Berry transando.

Quinn foi salva pela maçaneta girando na porta. Santana sabia que havia perdido a sua oportunidade e que seria praticamente impossível retomar o assunto. As duas viraram-se no mesmo instante quando a porta se abriu. Brittany as saudou com um sorriso amistoso e Santana fez sinal para que a loira chegasse mais parte, mas Brittany negou com um balançar de cabeça fazendo a morena arquear uma sobrancelha duvidosa. "Eu tenho uma surpresa para você S". Disse Brittany parada no batente da porta.

"Não me diga que é outro filhote de cachorro B. Você sabe que não aceitam animais aqui". Apressou Santana passando a mão na face cansada. A morena já havia conversado com a loira sobre aquilo e não acreditava que ela havia feito novamente. A última vez, Brittany havia recolhido um filhote de cachorro perdido e escondido sob o casaco e trazido até o flat da morena. Não passaram mais do que um dia com o animal já que os vizinhos começaram a suspeitar de sua presença. Santana sentiu-se horrível por ter que ver Brittany tão magoada, mas não havia nada que pudesse ser feito. Desde a morte do Lord Tubbington, Brittany procurava qualquer tipo de animal para ocupar o lugar do gato. Mas claro que a loira não sabia do motivo da ausência do seu animal, pois Santana e seus pais haviam mentido ao dizer que seu bicho de estimação estava apenas passando férias na casa de sua tia na Flórida.

"Não é um filhotinho dessa vez S". Cortou Brittany com a voz levemente magoada. Santana arqueou as sobrancelhas e ajeitou-se no sofá. "Olhe o que eu achei aqui por perto sozinha". Disse Brittany fazendo sinal para o corredor. De repente, uma menina pequena que batia na cintura da loira com cabelos longos e escuros passou pelo batente e ficou ao lado de Brittany, com a loira segurando em sua pequena mão.

Notas finais
Então, mais um capítulo e espero que tenham gostado desse capítulo e principalmente da descrição da tortura de Claire. Fiquei um pouco com medo de ter exagerado, mas eu havia acabado de discutir com a minha amiga quando eu o escrevi. Resumo: foi feito no calor do momento. UEHEUHEUHEUEHUE. Sorry se foi um pouco exagerado e vulgar, eu preciso parar de ler romances policiais! ( Então, a parte do dueto com o Puck e a Santana tem um pequeno significado, eu vi em uma dos bastidores da Season 2 ( /watch?v=WiMGla7zP5M&feature=related ) que a Naya gostaria de fazer uma homenagem ao MJ e como ela é diva, não resisti. A música em especial foi retirada desse vídeo ( /watch?v=qxiyzzLt6ug ), eu estou meio que viciada nessa cantora e o fato do rapaz se chamar Noah me deu a inspiração de colocar o Puck com a Santana. Então, eu posto essa fanfic no ff.net há um tempo e esse capítulo foi postado antes da Season 3 começar, portanto eu não sabia que iriam fazer uma homenagem ao Michael. Preciso admitir que senti um arrepio na espinha quando eu descobri! UEHUEHEUEHEUH. Muita coincidência. Espero que tenham gostado e mais uma vez, muito obrigada pelos lindos comentários! *-*