Save My Soul

13 Little Girl


Save My Soul

CGates

Chapter#13

"Não é um filhotinho dessa vez S". Cortou Brittany com a voz levemente magoada. Santana arqueou as sobrancelhas e ajeitou-se no sofá. "Olhe o que eu achei aqui por perto sozinha". Disse Brittany fazendo sinal para o corredor. De repente, uma menina pequena que batia na cintura da loira, com uma mochila rosa, cabelos longos e escuros, passou pelo batente e ficou ao lado de Brittany, com a loira segurando em sua pequena mão.

Santana arregalou os olhos e instantaneamente entregou a sua garrafa de cerveja para Quinn ao seu lado e levantou-se. Sua postura enrijeceu automaticamente, assim como todos os seus pensamentos. Estava esperando qualquer coisa, exceto por isso. Jamais pensou que Brittany chegaria de mãos dadas com a sua irmã caçula em sua nova casa. Não sabia o que ela diria a pequena quando começasse as perguntas, porque Santana sabia que Isabella havia herdado o seu lado curioso e insistente.

"Ei Tana". Disse a pequena desvencilhando das mãos da loira e correndo de encontro à irmã. Santana deixou os pequenos braços abraçarem a sua cintura sentindo um frio na barriga. A princípio não retribuiu o abraço, estava tudo ainda muito confuso para que pudesse assimilar o que de fato estava acontecendo, só depois que a pequena apertou-se ainda mais contra o seu corpo que Santana colocou as mãos na costa da criança. "Eu senti sua falta, Tana". Confessou a pequena afastando o rosto da barriga de Santana e encarando-a.

"O que você está fazendo aqui Isabella?". Perguntou Santana cuidadosamente, o que não funcionou, pois Quinn e Brittany fuzilaram-na com o olhar.

A pequena sorriu e pareceu não se importar com a atitude de sua irmã, afinal, já conviveu bastante tempo com a morena para saber como ela era. "Papai me trouxe para tomar um sorvete só que eu me perdi e Britt me encontrou". Respondeu Isabella apontando para a loira que acabara de sentar-se ao lado de Quinn.

"Eu perguntei pra onde ela queria ir e ela disse que queria te ver". Completou Brittany esticando a mão até a pequena e puxando-a para sentar-se em sobre suas coxas.

Santana aproveitou que a pequena havia se soltado de seu corpo e sinalizou para que Quinn sumisse com as bebidas. Poderia não ter um laço afetivo com sua irmã, mas ela e Brittany eram as únicas pessoas que importavam em sua vida e precisava confessar que estava com saudades dos sorrisos, dos abraços e até mesmo da voz da pequena. Havia falhado as três vezes que tentara encontrar-se com Isabella, porque sabia que viriam perguntas nas quais não saberia responder.

"Tana, por que você sumiu?". Perguntou a pequena brincando distraidamente com as mãos de Brittany. Santana engoliu seco e procurou o olhar das duas loiras que estavam presentes. Queria saber o que responderia já que essa pergunta estava assombrando-a há tempos.

A morena cerrou os olhos e abriu a boca para simplesmente não sair nenhuma palavra tendo uma grande ajuda de Brittany, que assumiu o controle da situação. "Porque ela foi morar comigo, Bella. Só que depois ela achou um lugar mais perto da escola e preferiu vir pra cá".

"Mas por quê?". Insistiu a pequena fazendo Santana segurar-se para não irritar. Odiava profundamente essa insistência de Isabella e por isso mesmo tratou de acabar com isso. A morena respirou fundou e massageou as têmporas.

"Papai e mamãe não queria que eu e Brittany fôssemos amigas, Bella. Eu não obedeci e fui morar com ela". Respondeu a morena encarando a loira à sua frente. Sabia que isso poderia machucar Brittany, mas ter que explicar para uma criança de seis anos o seu relacionamento com a loira poderia render várias horas. Para a sua surpresa, Brittany apenas deu um sorriso e assentiu com um balançar de cabeça.

"Mas eu gosto da Britt. Só ela que pede pra ver os meus desenhos". Retrucou a pequena fazendo Santana dar um pequeno riso. Sentira falta da expressão frustrada que se formava na face da pequena quando não compreendia alguma coisa: seus olhos cerravam-se, seus lábios se contorciam e suas sobrancelhas arqueavam. "Você vai voltar Tana?".

Santana respirou fundo mais uma vez e tentou desfazer o enorme nó que se formara em sua garganta. "Não Bella. Será melhor assim".

"Não será não, porque eu nunca mais vou te ver depois que eu sair daqui e eu sinto sua falta". Rebateu Isabella com a voz ríspida levantando-se das pernas de Brittany e caminhando até a frente da morena. Santana arqueou as sobrancelhas e virou-se para o pequeno pedaço de gente em sua frente, na qual era bastante semelhante a ela quando pequena.

"Papai e mamãe não me aceitam mais lá Bella e também eu não quero voltar". Tentou Santana cruzando os braços no tórax. "Você quer que Britt seja minha amiga ou não?". Estava conversando agora com uma pessoa e não com uma criança.

"Eu quero Tana". Respondeu Isabella apressadamente. "É por isso também que o Tony não me responde quando eu pergunto sobre você?". Perguntou curiosamente.

Santana estava vendo que aquela conversa não terminaria bem. Não teria como fingir por muito tempo que sua família não a queria por perto por causa de uma amizade, afinal, elas sempre foram amigas e por que agora daria esse tipo de confusão?

"Eu não sei Bella. O que ele diz pra você?". Indaga a morena franzindo o cenho.

"Ele fala que é porque você trouxe vergonha à nossa família". Respondeu a pequena arqueando as sobrancelhas em dúvida fazendo Santana perder os fios de paciência um a um.

Para a sorte de Santana, Brittany a salvou mais uma vez. "Olhe Bella, você quer entender o que houve não é?". Perguntou Brittany atraindo a atenção da pequena que assentiu fazendo-a continuar. "O que seus pais e seu irmão não aceitam é que eu e sua irmã somos mais do que amigas". Disse Brittany suavemente fazendo um sorriso expandir nos lábios da pequena, atraindo a curiosidade tanto em Santana quanto em Quinn, que acabara de se juntar novamente ao trio.

Isabella olhou para Santana e depois para Brittany. A pequena voltou a sentar-se sobre as coxas de Brittany passando um dos pequenos bracinhos pelo seu pescoço. "Vocês são igual ao primo Lucas e a Monica?". Perguntou Isabella olhando para Santana. A morena confirmou balançando a cabeça derrotada. Se quisesse que sua irmã compreende-se por fim o que estava acontecendo precisaria ser sincera e afirmar sobre o relacionando de seu primo com a namorada seria mais fácil, mesmo que essa confissão pudesse causar o seu afastamento. "Então papai e mamãe brigaram com você só porque você e Britt namoram?".

Santana franziu o cenho mais uma vez. Talvez sua irmã fosse adotada e quem possuía de verdade o mesmo sangue era Rachel Berry. Era surpreendente como a pequena insista ouvir a confissão por completo. Acho que é por isso que a Q gosta dela, pensou Santana. "Sim Bella. Isso incomoda você?".

Isabella expandiu o sorriso na face jogou o outro braço envolta do corpo da loira envolvendo-a em um abraço. "Eu sempre quis que Britt fosse minha irmã". Confessou a pequena ainda envolvida no abraço. Brittany virou o rosto e abriu o sorriso que Santana tanto gostava, fazendo-a instantaneamente retribuí-lo.

Santana observava a interação de sua namorada com sua irmã e a naturalidade que tudo aquilo exalava. Não conseguia compreender como que era fácil para uma criança e difícil para um casal de adultos. Sabia que no futuro sua irmã poderia afastar-se quando compreendesse por fim o que de fato acontecia. Na cabeça da pequena não contém um terço do que ela pensa ser o relacionamento de Santana e Brittany e talvez por isso estava sendo fácil a sua aceitação. A morena sabia que a aprovação da irmã seria importante e por isso estava relutante quando começou o assunto.

Isabella finalmente afastou-se do abraço e voltou a encarar a morena sentada ao seu lado. "Você quer que eu fale com o papai pra ele conversar com a mamãe?".

"Não Bella, está tudo bem". Respondeu a morena em um meio sorriso. Era simplesmente adorável o fato de sua irmã querer tanto a sua volta para a casa, mas Santana sabia que isso jamais iria acontecer, nem mesmo se seus pais se desculpassem.

"Britt eu trouxe os meus desenhos na mochila, você quer ver?". Perguntou a pequena exaltada mudando drasticamente de assunto para a alegria da morena enquanto virava e encarava a loira.

"Claro Bella. Por que nós não vemos no quarto? Eu aproveito e te mostro o que tem aqui". Sugeriu a loira encarando a morena de relance. Santana sabia que seria uma deixa para que ela relaxasse um pouco.

Isabella mal terminou de ouvir a fala da loira e já estava arrastando-a para os fundos do apartamento com a sua mochila em mãos.

Santana por fim relaxou os ombros e apoiou-se no sofá. Quinn levantou-se da poltrona e sentou-se ao seu lado. "Foi mais fácil do que você esperava?". Perguntou a loira visivelmente curiosa.

"Quem disse que foi fácil?". Retrucou a morena passando a mão no rosto cansada. Como desejava terminar aquela garrafa de cerveja agora, mas com sua irmã pequena em casa sabia que isso seria praticamente impossível. Era incrível como Isabella não tinha percebido, já que a pequena não consegue guardar suas suspeitas para si.

"Ela aceitou tranquilamente". Respondeu Quinn dando de ombros.

"Tente contar pra sua irmã que você é gay e depois me conte como foi". Retrucou Santana encarando a loira. Quinn cerrou os olhos e engoliu seco. Santana sabia que seria muito mais difícil para a loira por sua família ser muito mais conservadora e impiedosa.

"Você deveria ligar para o seu pai. Ele deve estar preocupado". Disse Quinn após alguns longos segundos de silêncio. Santana voltou a encará-la e suspirou derrotada. Sabia que a loira estava certa, mas o simples fato de ter que falar com ele era terrivelmente desconfortável.

Santana levantou-se do sofá e caminhou até o balcão da cozinha onde repousava o seu celular. Estava torcendo para que o caísse na caixa postal, pois assim deixaria apenas um recado e não precisaria ter que ouvir sua voz.

"Santana?". Atendeu o doutor fazendo Santana enjoar apenas em ouvir sua voz.

"Bella está comigo". Disse a morena escorando no balcão.

"Graças a Deus. Pensei que tivesse perdido-a. Você está em casa? Eu vou aí pegá-la".

"Eu a levo para casa". Cortou a morena tentando soar o mais autoritária possível, procurando repassar sua mensagem em poucas palavras possíveis.

"Sua mãe está preocupada é melhor eu buscá-la agora". Retrucou o doutor. Santana sentiu o sangue correr mais rápido em seu corpo e odiou-se por ser tão explosiva, pois sabia o porquê de seus pais estarem querendo afastar Bella de si.

"Vocês estão com medo dela estar perto de mim e de Brittany? Pode deixar que isso não funciona por osmose". Respondeu Santana entre dentes.

"Não foi isso que eu quis dizer...". Tentou sendo interrompido por Santana.

"Eu já disse que a levarei pra casa". Decretou Santana desligando o celular logo em seguida antes que falasse mais alguma coisa desnecessária. Não conseguia acreditar que mesmo depois de tentar o seu perdão, seu pai ainda agia às ordens de sua mãe.

Santana virou-se e encontrou Quinn fazendo sanduiches e enchendo um copo de suco. "O que é isso Q?". Perguntou a morena aproximando-se da loira que procurava nos armários um prato.

"Bella pode estar com fome. Você quer ser uma boa anfitriã ou não?". Perguntou Quinn virando-se para a morena e entregando o prato e o copo para Santana, gesticulando que ela fosse até o quarto. "Eu vou ficar aqui vendo televisão, se você e B precisarem conversar me chamem".

Santana assentiu e equilibrou o prato e o copo de suco enquanto procurava abrir a porta cuidadosamente. O que encontrou quando abriu por fim foi a cena mais surpreendente e aconchegante que já havia presenciado. Sua irmã estava deitada ao lado de Brittany descansando a cabeça em seu ombro enquanto a loira acariciava os seus longos cabelos negros com uma mão e com a outra passava as folhas no caderno que a pequena segurava com as mãos. Era como se as duas estivessem envoltas por uma bolha invisível e o que importava era apenas o mundo imaginário que compartilhavam no momento.

A morena sentiu um novo sentimento explodir em seu corpo assustando-a a princípio quando compreendeu que a cena que ela estava vendo era a que ela desejava em seu futuro, com Brittany acariciando uma criança de cabelos loiros descansando em sua cama após uma manhã chuvosa de domingo, onde ela, a loira e a criança passaram juntos vendo televisão, lendo livros e até mesmo vendo caderno de desenhos. Santana sabia que queria constituir uma família com Brittany, mas a idéia de filhos não havia passado em sua cabeça ainda e até uns minutos atrás achava ridícula a idéia de casais planejando futuro com filhos. A morena estava agora mais do que certa que Brittany havia sido a pessoa certa, porque a cada dia que se passava, ou melhor, a cada minuto que se passava, Santana amava-a ainda mais e não só pelos grandes gestos, mas também pelos pequenos. Brittany estivera ao seu lado nos momentos mais difíceis e fáceis. Só ela a conhecia tão bem.

"Olha só o que nós temos aqui Bella. Está com fome?". Disse Brittany acordando Santana de seu devaneio, fazendo-a abrir um pequeno sorriso e caminhar até a cama enquanto a pequena e a loira sentavam-se na cama. Santana deu a volta na cama e sentou-se ao lado de Brittany, passando o braço por sua cintura e trazendo-a para mais perto. "Bella desenha muito bem S, você deveria ver".

"Eu fiz um seu Tana". Diz a pequena de boca cheia enquanto passava o caderno de desenhos para a irmã. Santana arqueou as sobrancelhas e folheou com certa dificuldade já que Brittany estava com a cabeça apoiada em seu ombro e sua boca estava próxima demais.

Santana sentiu suas células vibrarem de antecipação. Mesmo sabendo que sua irmã não era uma exímia desenhista, apenas o fato de ter uma lembrança sua no caderno fazia seu corpo encher ainda mais. A morena ia passar a próxima página quando Brittany a impediu apontando para a folha colorida. Santana arregalou os olhos com a imagem. Duas pessoas desenhadas em palitinhos estavam de mãos dadas, uma alta e a outra pequena. Ambas com cabelos longos e negros em voltadas de um cenário com céu azul, sol brilhante, árvores e borboletas. Havia um coração vermelho em volta das duas e com os nomes embaixo de seus pés com uma caligrafia trabalhada, mas ainda simples, onde estava o seu nome na mais alta e o da sua irmã na mais baixa. "Lindo não é S?". Perguntou Brittany com um sorriso.

A morena ainda estava imersa na quantidade de informações que tomavam o seu corpo e conseguiu responder apenas alguns segundos depois quando desgrudou os olhos do caderno e encarou os orbes negros, iguais ao seu, em sua frente. "Está perfeito Bella". Respondeu por fim sorrindo, atraindo um sorriso das outras duas no quarto.

"S eu quero vir mais aqui". Disse a pequena dando um longo gole no copo de suco sujando o canto da boca fazendo Brittany apressar-se e limpar com o guardanapo que Santana havia deixado no prato.

Santana olhou para Brittany e depois para Bella novamente. É claro que ela queria que sua irmã voltasse, mas sabia que seria complicado ter que passar por cima de seus pais, apesar de ser mais do que um direito seu. "Depois nós vemos isso Bella".

"Você promete?". Perguntou Isabella arqueando uma sobrancelha igual a irmã fazia.

"Prometo, agora termine o seu lanche porque a Q está te esperando na sala". Cortou Santana recebendo outro sorriso de sua irmã que repousou o copo dentro do prato vazio, levantando-se da cama e caminhando até a porta do quarto.

Santana esperou a pequena passar pela porta do quarto para desabar nos braços de Brittany. A loira depositou um demorado beijo em seu pescoço e abraçou a morena pelas costas. "Você está indo muito bem S". Encorajou Brittany colando os lábios na bochecha de Santana, fazendo a morena desejar que a loira fizesse o caminho um pouco mais para o lado.

"Eu não sei se terá como ela voltar aqui". Confessou Santana acariciando as mãos de Brittany que repousavam em sua coxa.

"Não precisa se preocupar com isso". Alertou Brittany passando os lábios por todo o pescoço de Santana. Estava difícil para a morena concentrar-se e seu corpo já mandava pequenos sinais de desconforto.

"Como não B?". Perguntou fracamente fechando os olhos para sentir os pequenos tremores causados pelos lábios de Brittany que brincava com o lóbulo de sua orelha. Precisou morder o lábio inferior para que nenhum som saísse deles.

"Bella provavelmente irá obrigar seus pais para voltar". Respondeu Brittany dando de ombros como se fosse a conclusão mais obvia, o que de fato era, pois Isabella era tão petulante quanto Santana e sempre conseguia o que queria. Brittany desceu os lábios mais uma vez pelo pescoço de Santana e deixou uma leve mordida em sua clavícula. "Ver você vulnerável é extremamente excitante S".

Santana mordeu ainda mais o lábio reprimindo um gemido. A voz rouca de Brittany dançava em seu ouvido. "Eu sempre sou vulnerável perto de você B". Confessou Santana abrindo os olhos e virando-se no abraço de Brittany descendo os olhos para os lábios entreabertos da loira.

"Por isso que eu estou sempre excitada". Completou Brittany com um sorriso perverso.

• • •

Mais tarde no mesmo dia Santana levou Brittany, Quinn e Isabella para casa, parando primeiro em seu antigo lar para deixar a pequena. Isabella insistiu dizendo que voltaria e que pediria seu pai para ligar para a morena para marcar o dia e a hora exata. A pequena deu um apertado abraço em todas as três que estavam no carro, demorando um pouco mais em Santana, o que a deixou desconfortável por não estar acostumada com essas demonstrações de afeto vindo de sua irmã.

Quinn e Brittany tentaram amenizar um pouco o desconforto que se formou no carro após a saída da pequena conversando sobre o possível futuro do New Directions, já que a cada ano que se passa a competição ficava cada vez mais difícil e o grupo estava sempre ficando para trás. Santana ignorou o assunto momentamente, não é como se não fosse importante, apenas não era tão ligada ao clube do coral como os outros. Sabia que não iria seguir carreira musical, como Kurt, Rachel e Mercedes e por isso mesmo não se preocupava com a música. É claro que ela queria ganhar, afinal, estava finalmente participando de alguma coisa que a tornava especial e a deixava fazer o que realmente gostava. A morena sabia como era importante para Brittany e esse era o principal motivo por continuar.

"Q você precisa entender o significado de casa, porque essa aqui não é a sua". Resmungou Santana jogando o casaco vermelho na loira sentada confortavelmente no sofá de seu apartamento.

"Por que eu não posso pegar uma carona com você e a B se nós vamos para o mesmo lugar?". Retruca Quinn levantando-se e caminhando até a morena encostada no balcão da cozinha.

"Quando eu vou dormir você está aqui; quando eu acordo você está aqui; quando eu chego do inferno você está aqui. Que droga Fabray!". Exaltou Santana gesticulando na frente da loira que possuía uma expressão debochada. "Seu namorado tem carro sabia?". Alertou Santana amargamente enquanto pegava uma xícara e a enchia de café.

"Puck não vai poder ir hoje". Respondeu Quinn com a mesma amargura de Santana servindo-se também do líquido. Santana arqueou uma sobrancelha satiricamente com o veneno da loira. Cada dia que se passava estava mais difícil para Santana entender porque Quinn estava com Puck se eles estavam sempre discutindo. A morena recusava a acreditar que era por causa do sexo. Ela já havia provado e o moreno não era lá essas maravilhas. Santana balançou a cabeça rapidamente tentando afastar as enjoativas imagens que se formaram em sua cabeça.

"Os pombinhos brigaram de novo?". Zombou Santana distraindo-se com Brittany sentando-se no sofá com o zíper dorsal do seu vestido aberto. A costa seminua de Brittany estava fazendo Santana perder o rumo de provocações que Quinn estava fazendo.

"Não é da sua conta". Respondeu Quinn rispidamente caminhando para sentar-se ao lado de Brittany que terminava de afivelar a sandália prateada que realçava ainda mais o seu simples vestido branco.

"S me ajuda aqui?". Pediu Brittany inocentemente levantando-se do sofá e dando as costas para a morena estática ao lado do balcão.

Santana engoliu em seco. "Seria mais fácil você me pedir para escalar o Everest. Duas vezes". Sussurrou Santana enquanto subia demoradamente o zíper pela costa da loira, sendo possível observar pequenas bolinhas formar-se na pele clara. Brittany soltou um riso nervoso e abafado, dando um longo suspiro logo em seguida quando sentiu os lábios carnudos e quentes da morena encostar em sua nuca. Seria ingênuo demais, até mesmo para Brittany, negar a mudança drástica no ar.

"Vocês duas querem parar? Nós tempos que chegar ao jantar às 19hs em ponto". Cortou Quinn parando de frente para o casal com os braços cruzados no tórax e com a sua típica sobrancelha arqueada.

"Não sei por que temos que ir". Soltou Santana passando os braços envoltos do corpo de Brittany, envolvendo-a em um caloroso abraço.

"Porque você é a minha acompanhante S e meus pais ficarão chateados se você não for". Disse Brittany.

"É um jantar beneficente B. Seus pais estarão ocupados com os leilões, assim como a mãe de Q". Tentou a morena mais uma vez, franzindo o cenho e abrindo um sorriso torto nos lábios enquanto encarava a loira em seus braços.

"Você sabe que tem que ir S. Os Lopez também são responsáveis pelo comitê administrativo". Lembrou Quinn descruzando os braços e ajeitando o vestido de Brittany já que Santana estava amarrotando-o com os seus braços ao redor do corpo da loira.

"Acabei de encontrar outro motivo para eu não ir. Incrível não?". Ironizou Santana. "Eu não quero esbarrar em algum deles". Disse por fim virando o rosto para encarar Quinn em especial. Sabia que Quinn também não estava feliz com a idéia do jantar já que acabaria vendo seu pai e por isso tentou 'usá-la' ao seu favor. Santana estava com medo de que sua mãe fosse fazer um escândalo no momento em que a visse com Brittany e não possuía mais paciência para aturar os ataques histéricos de sua mãe e sabia que acabaria fazendo besteira, envergonhando não só a si, como também Brittany.

"Seus pais não sentarão na mesma mesa que nós S". Cortou Quinn mais uma vez inibindo a tentativa da morena de convencê-la com a desculpa.

"Não se preocupe S, eu vou estar com você". Confortou Brittany saindo do abraço de Santana para olhar em seus olhos, contagiando-a com um sorriso doce que saía dos seus lábios. Santana aproximou-se instintivamente e sugou os lábios de Brittany com os seus.

"B está certa S. Nós precisamos ir e eu sei que se você não for ela também não irá". Cortou Quinn novamente apreensiva com as tentativas de Santana, porque ela sabia que Santana sempre apelava para a sua melhor habilidade, o que faria Brittany desistir em questão de segundos.

Brittany afastou-se dos lábios da morena e a encarou mais uma vez. "Minha família quer conhecer você S. Minha mãe falou em você o tempo todo quando viajamos para a Flórida". Choramingou Brittany, transmitindo ainda mais nervosismo para a morena. Além de ter que controlar-se perante sua família, teria que fazer o social para a família de Brittany e precisaria ser agradável para que conseguisse uma boa reputação.

Santana suspirou profundamente e deu de ombros, ganhando um apertado abraço de Brittany e vários beijos por todo o seu rosto. Estava sem saída e como já havia decretado nos seus mandamentos, a felicidade de Brittany era o ponto mais importante e faria o que fosse preciso para mantê-la.

Não demoraram a chegar para a infelicidade da morena. Quinn olhava de cinco em cinco minutos as horas no celular, o que estava fazendo Santana dar várias mordidas em seu lábio inferior para conter os comentários sarcásticos que se formavam em sua mente.

Como havia previsto, a rua estava intransitável, o que rendeu uns bons xingamentos da parte de Quinn para Santana, que insistia em dizer que se a morena não tivesse chorado por meia hora antes de sair elas já estariam dentro do salão há muito tempo.

Era possível ouvir a música clássica e suave antes mesmo de passar pela portaria. Todas as três estavam impecáveis. Brittany usava um vestido branco com um grande decote dorsal, com seus cabelos loiros presos em um coque e sua franja caída para a esquerda em sua face. Quinn trajava um de seus milhares de vestidos de contos de fadas, com pequenos babados claros na borda, combinando com o amarelo do tecido. Todas estavam atraindo olhares por onde passavam, mas Santana era a que mais estava prendendo mais a atenção tanto de rapazes quanto de moças, fazendo Brittany apertar-se mais contra o seu corpo e sussurrar em seu ouvido que não sairia do seu lado durante a festa. A morena trajava um vestido verde escuro que caía até o meio de suas coxas, com o dorso coberto e com um decote ousado. Seu cabelo estava solto, como sempre, caindo sobre os ombros desnudos.

Quinn passou primeiro pela porta principal sendo seguida do ansioso casal. Brittany encarou mais uma vez a morena ao seu lado e selou seus lábios rapidamente, sentindo Santana relaxar. A morena apertou a mão da loira e cerrou os olhos quando se deparou com toda a decoração do local que por sinal estava incrível. O salão estava cercado de bolas douradas sobre o salão e com enfeites brancos e vermelhos. As mesas formavam um semicírculo em volta dos balcões com o s objetos leiloados de frente para um palco.

Santana acreditava que toda a cidade estava presente, já que estava impossível andar. As três avistaram em uma das mesas distante os Chang e os Berry e se não estivesse tão difícil de movimentar-se, seria até possível cumprimentá-los descentemente. Santana observou momentaneamente a mudança no comportamento de Quinn quando avistou Berry. Ela estava 'bem', de acordo com Santana, pelo menos não está usando os seus suéteres, pensou a morena.

"Finalmente meninas, pensei que vocês não chegariam!". Exclamou uma voz aguda ao lado das três fazendo-as observar a enorme mesa com integrantes da família Pierce e Fabray. Estava até difícil para diferenciar o parentesco daquelas pessoas, já que a maioria possuía pele e cabelos claros. Judy que havia sido a primeira a se manifestar levantou-se e abraçou cada uma delas com um imenso sorriso na face. "Por que demoraram tanto? Já estávamos pensando que vocês não viriam". Perguntou sentando-se e gesticulando para que as outras a acompanhassem. As três cumprimentaram educadamente cada membro da mesa enquanto ajeitavam-se nos seus devidos lugares.

"Está intransitável lá fora". Respondeu Quinn encarando sua mãe ao lado. "Nós jamais deixaríamos de vir". Completou Quinn virando-se momentamente para Santana que estava um pouco desconfortável diante de todas aquelas pessoas. Brittany pelo contrário estava relaxava enquanto respondia algumas perguntas de sua mãe.

"Então essa é a famosa Santana?". Perguntou uma senhora sentada ao lado da mãe de Brittany. Santana imediatamente a reconheceu devido a milhares de fotos que Brittany possuía espalhada de sua avó pela casa. Era um dos membros da família que Brittany possuía mais afinidade e se surpreenderá por encontrá-la ali, já que a última viagem que haviam feito fora por sua saúde. A senhora possuía um sorriso doce e só então Santana percebeu de onde Brittany havia herdado sua famosa simplicidade.

"Sim vovó. Essa é a Santana". Respondeu Brittany ansiosa retribuindo o sorriso formado. Santana abriu um meio sorriso nervoso. Sabia precisaria ser a mais educada possível já que estava na frente de uma das pessoas mais importantes para Brittany.

"Muito prazer, querida. Sou Missey, avó de Brittany". Saudou a senhora estendendo uma mão, fazendo Santana levantar-se e curvar-se para cumprimentar formalmente a senhora. "Minha neta falou muito sobre você. Fico satisfeita que minha Brittany tenha encontrado uma pessoa para fazê-la feliz".

"Eu farei o possível e o impossível para a felicidade dela, Sra.". Assegurou Santana firmemente sentindo a loira apertar a sua mão por baixo da mesa, sendo vítima de vários olhares aprovadores de todos da mesa. Inclusive de Judy Fabray, que não era muito fã da sua opção, mas que sempre a respeitou.

"Eu disse que Britt estava em boas mãos". Completou a mãe de Brittany arrancando um sorriso doce de cada um da mesa. Santana estava começando a sentir-se incomodada com a pressão em seus ombros, todos ainda a analisavam minuciosamente e já estava sentindo a sua face esquentar. "Santana sempre esteve ao lado de Britt. Lembra do ferimento no queixo de Britt? Santana fez o trabalho duplo de enfermeira e namorada". Completou a mãe de Brittany com um enorme sorriso no rosto, orgulhando-se da nora que havia conseguido. Santana sentiu-se desconfortável com o assunto assim como Brittany. Não queriam lembrar-se de Blanc logo naquele momento de confraternização.

"E quando vamos conhecer os seus pais, minha jovem?". Perguntou Missey inocentemente servindo-se de uma taça de água, mudando de assunto para o desconforto do casal. Santana enrijeceu com a pergunta e procurou não vacilar. Não sabia o que responder, porque não podia simplesmente dizer que sua família era contra o seu relacionamento na frente da família de sua namorada. Só que também não podia mentir, já que Judy e os pais de Brittany sabiam do real motivo e sem escolha, Santana atreveu-se a olhar para Brittany ao seu lado com os olhos cerrados, sendo rapidamente compreendida por Brittany.

"Eles já devem estar chegando vovó. Os Lopez também são responsáveis pelo jantar". Adiantou Brittany quando viu a complicação de Santana. "Não é mesmo S?".

"Claro". Respondeu Santana apressadamente. "Se vocês me dão licença, eu vou procurá-los". Cortou Santana decidindo que precisava controlar a sua ansiedade e nada melhor do que uma dose de Label. A morena levantou-se e abriu um pequeno sorriso para Brittany que a olhava curiosa. "Já volto B". Sussurrou Santana acariciando o ombro da loira antes de afastar-se.

Santana caminhou dentre o emaranhado de pessoas até o balcão. Olhou para trás mais uma vez para certificar-se de que não havia ninguém a vigiando. Não cometeria o erro de beber na frente da família de Brittany. "Afogando as mágoas Santana?". Perguntou uma voz ao seu lado no balcão.

"Aproveitando a festa". Respondeu Santana encarando Mike e Tina ao seu lado. O rapaz estava com o braço envolto dos ombros da garota enquanto segurava uma taça de vinho na mão livre. "Não acredito que você está bebendo isso". Resmungou Santana apontando para a taça de Mike.

"Não tem cerveja". Retrucou Mike dando de ombros enquanto degustava do líquido. Tina fez uma careta ao lado do rapaz e Santana arqueou uma sobrancelha.

"Eu não sei como ele consegue tomar isso". Completou Tina afastando a taça dos lábios do namorado recebendo um olhar intrigante do rapaz.

"Você não vai beber?". Perguntou Santana pegando o copo que o barman acabara de deixar ao seu lado e dando um longo gole, apreciando a sensação do whisky correndo por sua garganta esquentando todas as partes de seu corpo.

"Eu estou com Mike, Santana. Não quero que a família dele tenha a impressão errada a meu respeito". Respondeu Tina como se fosse o pensamento mais sensato e lógico. "Você deveria fazer o mesmo sabia?".

"Eu não vou ficar bêbada com um copo". Ironizou Santana franzindo o cenho. "E também não é como se eu não soubesse o que estou fazendo. Acredito que a minha situação é pior do que a sua". Completou a morena colocando o copo vazio sobre o balcão.

"Eles já aprovaram?". Perguntou Mike curioso.

"Acho que sim". Respondeu Santana dando de ombros.

"Eu sabia que você não foi procurá-los". Disse Quinn caminhando na direção do trio com os braços cruzados no tórax e com Brittany ao seu lado. "Não acredito que você tá bebendo S. Você sabe como os pais de Brittany são...". Tentou Quinn sendo cortada por Santana.

"Certo Fabray. Parei. Satisfeita?". Perguntou Santana ironicamente afastando o copo vazio do seu lado. Brittany reprimiu um sorriso e sentou-se no banco ao lado de sua namorada. Santana pegou a de Brittany entre as suas e as levou até os lábios. O vício de ficar perto da loira e ter a necessidade de tocá-la estava ficando forte a cada dia que se passava. "Acho que você precisa se acalmar Fabray". Analisou Santana gesticulando para o bar atrás.

"Eu não posso S. Minha mãe está aqui". Respondeu Quinn revirando os olhos.

"Pelo amor de Deus Fabray, não é como se ela nunca tivesse te visto bêbada". Retrucou a morena.

"É verdade Q, lembra daquela festa de pijamas na sua casa?". Insistiu Brittany mordendo o lábio inferior. Havia sido uma das piores ressacas que tivera na vida, graças é claro, a quantidade absurda que ela, Quinn e Santana haviam ingerido em uma madrugada. A loira ainda agradecia por Judy não ter contato aos seus pais, caso contrário, ficaria a eternidade de castigo.

"Festa de pijama? Eu ouvi direito?". Apressou Mike abrindo um sorriso largo no rosto fazendo Tina dar um fraco empurrão em seu ombro para que voltasse ao normal.

"Não é isso que você está pensando, seu estranho". Rebateu Santana franzindo o cenho.

"Verdade S? Pelo o que eu me lembro, eu não encontrei você e a B quando eu acordei no quarto aquele dia". Provocou Quinn com a voz carregada de malícia fazendo Brittany soltar um riso abafado, sendo acompanhada por Mike e Tina. Santana como sempre revirou os olhos e ignorou as palavras de Quinn.

"O que vocês estão fazendo?". Perguntou uma voz familiar ao lado. Quinn automaticamente enrijeceu e virou-se para encarar Berry que possuía um sorriso fraco e uma expressão cuidadosa na face.

"Comprando remédios. O que você acha Berry?". Retrucou Santana arqueando as sobrancelhas, recebendo uma reprovação de Brittany e dos outros.

"Você está linda Rachel. Adorei o seu vestido". Comentou Brittany encarando dos pés a cabeça a pequena. Rachel usava um vestido azul escuro que ia até a metade de suas coxas, deixando suas torneadas pernas expostas, com um decote levemente ousado. Seu cabelo estava solto e caía em cachos pelos ombros e por suas costas.

"Obrigada Brittany. Você também está muito bonita". Agradeceu a pequena caminhando e ficando perto de Mike e Tina procurando afastar-se de Quinn como se a loira tivesse alguma doença contagiosa, ou algo do tipo. Havia sido um ato estranho, até mesmo para Rachel Berry que não passou despercido pelos outros.

"Não tanto quanto a S". Brincou Brittany virando-se para encarar Santana ao seu lado mordendo o lábio sensualmente, causando terríveis efeitos em Santana que estava controlando-se para não agarrá-la desde quando saíram de casa. A morena abriu um sorriso malicioso e aproximou o rosto beijando rapidamente a loira.

"Meus pais contaram que você irá se apresentar hoje Rachel". Comentou Mike desviando o assunto. O rapaz sentou-se ao lado de Santana e puxou Tina para ficar em pé ao seu lado. Talvez àquele troço que ele insistia em chamar de bebida esteja fazendo efeito, analisou Santana encarando o rapaz.

"Você não consegue ver um microfone e não usá-lo, não é Berry?". Perguntou Santana retoricamente fazendo uma careta maliciosa. A morena estava certa de que não agüentaria por muito tempo ficar ouvindo a voz de Berry, apesar da pequena cantar bem, pois Santana estava cansada de estar sempre ouvindo-a cantar quase todos os dias.

"Não Mike, eu não vou me apresentar. Meus pais queriam que eu mostrasse um pouco o meu talento, mas eu não quero gastar minha voz em um lugar totalmente desnecessário, onde não me trará nenhum resultado futuro". Respondeu Rachel desinteressada ignorando a provocação de Santana.

"Você nunca recusa isso Rachel". Disse Tina assustada, como todos os outros.

"Para tudo tem uma primeira vez". Retrucou a pequena com um sorriso misterioso virando-se e encarando Quinn profundamente antes de afastar-se do grupo. Não só Santana, mas Mike, Tina e Brittany ficaram com os olhos arregalados.

"E você falando que era coisa da minha cabeça". Zombou Tina com um sorriso vitorioso para Mike que ainda estava estático. Santana se atreveu a olhar Quinn ao seu lado e não se surpreendeu quando observou a figura rubra.

"Não é nada disso que vocês estão pensando". Tentou Quinn com a voz falha enquanto encarava Mike e Tina.

"Nós não estamos pensando nada". Respondeu Mike absorto.

"Não estamos te julgando Quinn". Completou Tina ainda sorrindo.

Santana soltou um longo bocejo e levantou-se, puxando Brittany para perto de ti. Se quisesse que Quinn apagasse a expressão abobalhada e envergonhada em sua face precisava agir rápido. "Isso está me entediando. Vamos voltar". Disse Santana afastando-se do casal, caminhando na frente com a mão de Brittany entrelaçada à sua.

"Você acha que eles irão falar alguma coisa S?". Perguntou Brittany cautelosamente. A loira não queria que sua amiga sentisse qualquer tipo de intimidação por ter falhado em esconder os seus sentimentos por Rachel, mas precisava concordar que Quinn nunca fora boa nesse papel. A loira estava sempre distraída encarando Rachel e todos estavam desconfiados do suposto relacionamento dela com o Puck logo após a volta de Rachel e Finn.

"Não se preocupe B. A Q vai ficar bem". Acalmou Santana caminhando ao lado de Brittany. "Ainda bem que foi na frente do Mike e da Tina e não na do Kurt e Mercedes". Completou Santana franzindo o cenho. A morena sabia que podia confiar no silêncio do casal, pois nenhum dos dois gostaria de participar de uma discussão com Quinn. "Q não tem culpa se o pequeno pedaço de gente não sabe ser indiscreto".

"Quantas vezes eu tenho que pedir para você parar com os apelidos?". Perguntou Quinn irritada ao lado de Santana. A morena soltou um riso baixo e abafado irritando ainda mais a amiga ao seu lado.

"Tana!". Gritou uma voz fina na frente das três meninas, assustando Santana que sabia o quão perigoso seria ver sua irmã nesse jantar devido à enorme probabilidade de ela estar junto com seus pais.

E de acordo com a sua teoria, a uma mesa à frente encontrava-se a família Lopez, com seu pai, sua mãe, seus irmãos e alguns tios. A morena ficou estática segurando fortemente a mão de Brittany ao seu lado que a olhava temerosa. "Eu pensei que você não viria!". Disse a pequena levantando-se da cadeira e caminhando até o trio. Isabella abraçou a cintura da irmã e esperou que a mesma retribuísse. Precisou que Brittany lhe desse um pequeno empurrão para Santana acordar do seu transe. "Você está linda, Tana". Elogiou Isabella afastando-se do corpo de Santana para analisá-la.

"Você também Isabella". Respondeu Santana mecanicamente com os olhos vidrados na pequena figura em sua frente. Isabella estava vestida como as princesas de conto de fadas, diferenciando-se pelo longo cabelo encaracolado que caía por seus ombros.

A pequena sorriu com o comentário da irmã e aproveitou a deixa para cumprimentar as outras duas loiras ao redor de Santana. Brittany foi a que ficou mais tempo com Isabella. A loira até pegou-a nos braços para a pequena lhe dar um beijo estalado na bochecha.

Santana recusava a encarar os olhares de reprovação que vinha da mesa à frente, achava muito mais interessante e importante analisar a interação entre sua irmã e sua namorada. Mas é claro que não duraria para sempre, já que sua mãe fez questão de levantar-se e caminhar até as garotas carregando um olhar de nojo. Brittany colocou Isabella no chão automaticamente e segurou a mão de Santana. "Poderia me encontrar no toalete?". Perguntou a mulher sem encarar nos olhos de Santana com o desejo de afastar sua filha mais nova daquelas três garotas exalando de seus poros. "Seu pai está lhe chamando, Isabella". Ordenou indiretamente encarando a pequena que abriu um sorriso tímido e deu um abraço em cada uma das três novamente.

A morena acompanhou com o olhar a mulher se afastar e caminhar em direção a um corredor que logo julgou ser o toalete. Santana respirou fundo e apertou a mão de Brittany começando os primeiros passos, sendo interrompida por Brittany. "Eu não vou S". Disse a loira.

"Claro que vai. Eu preciso de você comigo B". Disse Santana aproximando-se novamente da loira encarando firmemente suas íris azuis. "Você disse que não sairia do meu lado nessa noite". Chantageou repassando a frase que a loira havia feito na chegada.

"Esse é um assunto de família S. Eu fico te esperando aqui com a Q". Assegurou Brittany colocando as mãos no ombro da morena e acariciando-os.

"Você é minha família". Replicou Santana cerrando os olhos ainda a encarando. A morena teve certeza que havia ganhado a discussão quando Brittany relaxou os ombros e suspirou. Terminando aquela conversa de vez, caminhou com Brittany em direção ao banheiro.

Santana observou Brittany apressando o passo logo atrás para tentar acompanhar os seus. Era possível ouvir as batidas do seu coração ficarem cada vez mais forte conforme aproximavam-se do local. Brittany a parou antes que empurrasse a porta e a virou. A loira encarou os olhos assustados da namorada e tentou acalmá-la aproximando a face da dela e sugando os seus lábios, obtendo um bom resultado, já que Santana se entregrou completamente ao beijo e deixou que Brittany arrancasse o que estava lhe incomodando tanto.

Do mesmo modo surpreso que começou, o beijo terminou. Brittany abriu um pequeno sorriso e passou os dedos ao redor dos lábios de Santana procurando limpar o borrado do batom. "Eu vou estar sempre aqui". Lembrou Brittany passando as pontas dos dedos pela face morena.

Antes que a adrenalina saísse de sua circulação, Santana passou pela porta do banheiro com sua namorada ao seu lado. Constatou que sua mãe tivesse expulsado quem estava no banheiro, porque o local estava deserto. A morena correu os olhos e encontrou uma mulher retocando a maquiagem a alguns metros à frente. "Era para você vir sozinha". Praguejou a mulher jogando o lápis dentro de seu nécessaire virando-se para o casal à sua frente.

Brittany recuou um pouco e Santana sentiu ainda mais repulsa da pessoa parada à sua frente. "Não tenho segredos com ela. O que você quer?". Perguntou Santana indo direto ao ponto e usufruindo da rispidez herdada.

"Eu quero que você vá embora. Você não é bem vinda nesse jantar". Respondeu sua mãe cruzando os braços no tórax e sustentando o olhar pesado com Santana.

"Eu não vou a lugar algum. Eu estou aqui com Brittany". Retrucou Santana trazendo a loira para mais perto.

"Isso não existe! Você é uma vergonha para a sua família e eu ordeno que você vá agora!". Exclamou a mulher perdendo o resto da paciência que lhe restara fazendo Santana explodir junto.

"Como assim isso não existe? Duas pessoas do mesmo sexo não podem se amar?". Perguntou Santana retoricamente tentando dar um passo para encurtar a distância sendo impedida por Brittany que temia que Santana partisse para a violência, como sempre. "E você tem certeza que eu sou a vergonha? Eu não sei como você consegue dormir todos os dias com o fardo de ter expulsado sua filha para fora de casa".

"Amor? Você não sabe nem o significado disso". Cortou sua mãe. "Eu durmo como uma pedra, se você quer saber. Eu não tenho nenhum arrependimento de ter expulsado uma ameaça para a minha família. Você realmente acha que é saudável deixar minha filha mais nova perto de você?".

"Eu não tenho nenhuma doença!". Gritou Santana afastando-se brutalmente das mãos de Brittany e dando pesados passos para perto de sua mãe. A loira logo tratou de segui-la e ficar ao seu lado, para que pudesse impedir qualquer estupidez da parte de Santana. "Eu a amo. Com todas as minhas forças. Por que você não consegue entender isso?".

"Escute o que você está falando. Você sempre teve namorado e da noite pro dia você virou isso?". Indagou a mulher gesticulando para a figura em sua frente marcando na última palavra. "Brittany era como irmã para você".

"Eu ficava com meninos porque eu sabia que jamais teria coragem para assumir o quanto eu gostava da minha melhor amiga. Você nunca esteve ao meu lado para me ver sofrendo. Você nunca parou para perguntar por que eu estava com os olhos vermelhos todas as noites antes de dormir. A resposta era que eu estava chorando, porque cada dia que passava eu a amava mais e não tinha ninguém ao meu lado!". Exclamou Santana com a voz embargada. "Só quando eu vi que não conseguiria seguir sem ela, eu ganhei forças o suficiente para lutar por ela. Só que eu a perdi mais uma vez e eu até tentei suicídio, sabia?". Perguntou Santana retoricamente deixando a primeira lágrima formar-se e tratou de afastá-la antes que caísse. "Só que meus amigos me incentivaram a ir até o final por Brittany. Meus amigos viram o meu estado e minha família não". Disse Santana com a voz carregada de ironia. "Então, por que é tão difícil você colocar na sua cabeça que eu realmente a amo? Eu já abdiquei de tanta coisa por ela".

Brittany estava tão entorpecida com todas aquelas informações quanto a mulher à sua frente. A loira estava com dificuldade até mesmo de inspirar o ar à sua volta, como se seu corpo estivesse parado de vez. Sempre soube de tudo o que Santana passou para estar firme e forte ao seu lado, mas ouvi-la dizer trazia um peso muito maior de responsabilidade e idealização. Era impossível contestar o quanto a amava e era extremante gratificante saber que recíproco.

"Você era minha menininha. Aquela que eu fazia tranças nos cabelos e escolhia os melhores vestidos coloridos e delicados para você ir para escola; aquela que sempre me dava bom dia com um beijo doce; aquela que estava sempre com um sorriso estampado na face. O que aconteceu com ela?". Perguntou a mulher com lágrimas descendo pela face.

"Ela cresceu, mãe! Meu Deus, como você pode viver no passado?". Gritou Santana mais uma vez. "Eu não me arrependo de nada do que eu fiz e se pudesse faria quantas vezes fosse preciso!". Assegurou Santana. "Eu sinto pena de você, por achar que o mundo gira só ao seu redor e que as coisas têm que ser do seu jeito". Confessou Santana destacando o veneno em sua voz.

"Você jamais pertencerá a minha família novamente!". Exclamou a mulher novamente dando um passo para frente com o mesmo veneno da filha.

"Ótimo, seu sangue me enjoa". Acentuou Santana olhando-a dos pés a cabeça e por fim encarando pesadamente mais uma vez as íris castanhas à sua frente. Santana balançou a cabeça negativamente e deu o seu tão famoso sorriso sarcástico antes de virar-se e segurar na mão de Brittany para que pudessem sair daquele lugar.

Quando estavam prestes a sair, Brittany parou a morena e olhou mais uma vez para a figura totalmente destruída ao lado da pia. "Eu não estou pedindo a sua benção ou a sua aprovação, eu só estou pedindo o seu respeito". Disse Brittany dando de ombros e vendo a mulher derramar ainda mais lágrimas

Notas finais
Ei gente! ;D Então, esse capítulo é mais um de transição só para completar as lacunas. Espero que não tenha ficado um pouco vago, mas podem deixar que o próximo será melhor. Mais uma vez, obrigada pelos lindos comentários! *-* Um ótimo fim de semana a todos. :*