Save My Soul

19 Nobody Loves You Like Me


Save My Soul

CGates

Chapter#19

"Olá Brittany querida. Gostou do presente de aniversário?".

Não havia parado para pensar em qual seria a sua reação ao encontrar com Blanc depois do fim do seu relacionamento. Talvez se tivesse parado para pensar, imaginaria encarando a ruiva dos pés a cabeça e passando direto, afinal, violência não entrava em suas opções mesmo se estivesse sentindo suas mãos tremendo para fazer alguma. Porém, nunca imaginou que se encontraria na posição que estava no momento, segurando a ruiva pelo pescoço com as duas mãos enquanto a pressionava contra o espelho do vestiário feminino.

A loira não soube exatamente como que havia feito aqueles movimentos e muito menos conhecia a força que estava fazendo no momento. Seu corpo não era o mesmo, não com a carga de adrenalina que estava correndo em suas veias. Seus desejos estavam falando tão alto que não conseguia escolher um deles para ser realizado. Queria descontar em Blanc tudo o que estava sentindo porque ela era a responsável daquilo. Só de relembrar a frase que a ruiva havia deixado embaixo da imagem fazia sua cabeça latejar e suas mãos apertarem mais o pescoço da cheerio. "Feliz aniversário Britt-Britt". Brittany disse as palavras que Blanc havia usado em voz alta enquanto encarava os olhos verdes que estavam tão indiferentes quanto das outras vezes que havia visto a ruiva.

"Bela foto não?". Perguntou Claire soltando um sorriso sarcástico enquanto tentava afastar o corpo da loira pelos ombros.

Brittany sentiu seus membros arderem e não sabia o que fazer. Era a primeira vez que se arriscava deixando seus instintos falarem por si. Porém a voz de Blanc carregava tanto sarcasmo que havia sido suficiente para fazer a loira perder o resto de controle que possuía. Quando menos percebeu, uma de suas mãos havia se soltado do pescoço de Claire e percorreu o caminho até o rosto da ruiva, acertando o seu lado esquerdo.

Era a primeira vez que havia batido em uma pessoa e a sensação até que não era tão ruim. Seu corpo vibrava em satisfação e êxtase motivando-a a continuar apenas para se embriagar de toda aquela adrenalina. A atenção da loira voltou para o som que havia ecoado no vestiário vazio e quando o identificou, sentiu suas mãos queimarem e o desejo de marcar todo o corpo de Claire com a sua raiva ficou mais intenso, porque a ruiva estava rindo. Era a risada que a loira tinha pavor, pois misturava tudo de ruim que possuía na cheerio. Brittany arqueou uma sobrancelha quando percebeu que a ruiva não parava e socou o espelho com a mão que havia acabado de socar o rosto da loira. "Do que você está rindo? Isso tudo é engraçado para você?".

"Disseram-me que você era a mais calma". Respondeu Claire mergulhando-se mais uma vez nos seus risos.

Brittany não soube por que aquilo estava incomodando-o tanto ela. Talvez fosse porque a ruiva não estava encarando mais em seus olhos e a loira não estava conseguindo ditar aquela situação. Sem perceber Brittany socou o espelho mais uma vez e um ruído foi escutado e logo em seguida a loira sentiu uma ardência e um líquido quente escorrer em sua mão. "As desgraças que você fez tem graça, é isso? O que você acha que as vidas das outras pessoas são para brincar desse jeito?". Exaltou Brittany apertando os dedos cada vez mais no pescoço de Claire.

O ódio a cegou. Estava tão entorpecida com a situação que não estava conseguindo controlar o seu lado racional e por toda essa carga de emoções a inundando não teve tempo para afastar os braços da ruiva de seu corpo. Claire a empurrou contra o armário mais próximo invertendo as posições e segurando os pulsos da loira com suas mãos.

"Você quer saber o que eu acho?". Perguntou Claire rindo ironicamente forjando uma careta pensativa. "Eu acho que relacionamentos são fúteis. Assim como qualquer outro tipo de interação que tende a se tornar emotiva. Por que todos não seguem apenas para a satisfação? Não seria doloroso, não é?". Perguntou a ruiva retoricamente enquanto Brittany sentia seus pulsos queimarem com o toque dela. A loira mexia o corpo da tentativa de quebrar o contato, porém Claire era mais forte do que imaginava e estava conseguindo suportar as tentativas da loira. "Você deve estar se perguntando por que eu segui vocês duas, não é? Não se preocupe que eu vou lhe responder querida".

Brittany sentiu o aperto das mãos de Claire afrouxar em seu pulso percebendo que seria a oportunidade perfeita para tomar controle da situação mais uma vez. Forçando todo o seu corpo para frente, a loira desvencilhou-se das mãos de Claire e segurou em seus braços, empurrando-a de volta para o espelho com uma força tão grande que fez um ruído de trincado ecoar quando imprensou o corpo da ruiva. Claire fechou os olhos e entreabriu os lábios deixando um gemido de dor sair deles. Brittany sentiu seu corpo vibrar com o som e quando percebeu um sorriso havia se formado em seus lábios. Foi tão rápido quanto à demonstração de fraqueza da ruiva, que no momento seguinte estava tentando repor sua postura. "Como eu estava falando". Pausou Claire limpando a garganta e voltando com o sorriso sarcástico. "Vocês duas me enjoava. Todas as vezes que eu via vocês passarem pelos corredores meu estômago embrulhava. E sabe o que eu resolvi fazer para tentar reverter? Provoquei a sua namoradinha. Ela é tão gostosa, não é?". Perguntou Claire retoricamente mais uma vez e Brittany deixou seu corpo agir sozinho e logo sua mão já havia socado mais uma vez o rosto da ruiva, fazendo-a cortar o lábio inferior.

"Não fale assim dela". Ordenou Brittany com um grito. Não permitiria que Claire falasse daquele jeito da Santana. Era um insulto e nojento a forma que as palavras saíam dos lábios da ruiva e não deixaria que ela falasse em vão sobre a morena.

"Você ainda a ama?". Perguntou Claire arregalando os olhos e rindo mais uma vez. Brittany sentiu seu coração apertar e bater mais rápido dolorosamente enquanto o sangue corria por seu corpo e esquentava ainda mais seus membros. Queria ferir a ruiva. De todas as formas possíveis, porém não estava adiantando. Era como se a força que ela estava usando estivesse sendo em vão. "Depois de tudo o que eu fiz você ainda a ama". Concluiu Claire mais para si do que para Brittany.

A loira sentiu sua cabeça latejar fortemente e seus olhos ficarem nebulosos. Ela imediatamente soltou as mãos do pescoço da ruiva e pressionou ambas em suas têmporas tentando dissipar a dor que estava sentindo. Seus olhos se fecharam e o seu corpo escorou nos armários vermelhos do vestiário atrás de ti.

Várias imagens infestavam a sua cabeça e talvez esse fosse o motivo de sentir que estava prestes a explodir. O ar estava ficando cada vez mais pesado conforme as imagens dela e Santana passavam em seus pensamentos e era tão nítidas e perfeitas que parecia que estava passando em frente os seus olhos. Eram recordações de vários momentos que estiveram juntas, desde quando eram pequenas até o presente. Várias trocas de carinhos e promessas que estavam a sufocando. A dor estava espalhando por todo o seu corpo e quando percebeu, estava chorando. Talvez assim fosse dissipar um pouco do que estava sentindo.

"Eu não consigo acreditar que você ainda a ama. Talvez se eu ajudasse um pouquinho falando como as íris dela dilataram quando eu me aproximei àquela noite, como o corpo dela vibrou quando começamos a respirar o mesmo ar. O hálito dela era quente e a nicotina havia deixado o momento mais excitante". Claire surrou próxima a Brittany fazendo-a apertar as mãos ainda mais fortes em suas têmporas. Estava tendo uma overdose de lembras, por assim dizer. As palavras de Claire traziam várias recordações dos vários momentos que ficara tão perto de Santana e que percebeu todas aquelas mudanças no corpo da morena. Era tão viciantes aquelas lembras e tão automáticas que Brittany lembrou-se da primeira vez que estiveram tão perto, que por curiosidade havia sido na primeira vez que haviam se beijado. Sentir os lábios da morena pela primeira vez era uma das memórias na qual jamais conseguiria apagar. A textura dos lábios carnudos e quentes roçando superficialmente os seus causando pequenos tremores e uma corrente elétrica correr por todo o seu corpo confundido os seus pensamentos para que ela pudesse se concentrar apenas naquele momento. Fora que foi entorpecente quando Santana colocou as mãos em sua nuca e intensificou o contato, iniciando um novo tipo de beijo que mesmo tendo resquícios de carinho, aparentava também desejo e necessidade. Necessidade de tê-la apenas para si a todo o momento, porque foi naquele momento que Brittany teve certeza que não conseguiria ficar sem a morena e a prova disso era o que estava passando atualmente. Estava destruída física e emocionalmente e sabia que a única forma de parar de sentir todo o seu corpo afogado em dor era se voltasse para a única pessoa que servia de antídoto para a sua tristeza.

A voz de Claire ecoou mais uma vez pelo cômodo e dessa vez Brittany não conseguiu compreender o que estava sendo dito, porém foi o suficiente para relembrá-la de onde estava e com quem estava, e com as lembranças entorpecendo seu cérebro, a loira abriu os olhos. A claridade a cegou momentaneamente fazendo-a piscar algumas vezes e ter a noção do espaço. Claire estava andando de um lado para o outro gesticulando e movimentando os lábios, porém Brittany não conseguia ouvir a voz da ruiva porque estava concentrada demais na voz de Santana que ecoava em sua cabeça relembrando-a de todas as palavras de carinho que havia dito para a loira. 'Eu te amo B'. Brittany sentiu seu corpo vibrar conforme a voz da morena intensificava e quando percebeu, já estava em pé e seu corpo estava indo na direção da ruiva.

Suas mãos empurraram o corpo de Claire na direção dos armários fazendo um estrondo no local. Brittany aproximou-se novamente já preenchendo todo o corpo de Claire com tapas e murros. Ela marcava e feria todos os pontos possíveis que podia conforme sentia suas emoções saírem pelos seus poros. "Eu a amei". Disse Brittany socando a face da ruiva que nesse momento não havia restado forças para se defender, tanto pelo susto quanto pelas dores que estava sentindo. "Eu a amo". Disse Brittany mais uma vez segurando o pescoço de Claire com uma das mãos. "E eu sempre a amarei, porque é o que eu preciso para continuar em pé. O que eu sinto por ela é uma coisa que você jamais irá sentir. É tão puro que eu sinto minha língua queimar em estar gastando palavras com você". Completou Brittany soltando o pescoço de Claire e empurrando a cabeça da ruiva contra os armários. "Você jamais vai conseguir destruir o que nós temos". Finalizou a loira socando pela última vez a face de Claire vendo o corpo da cheerio cair diante de seus olhos de encontro ao chão liso e gélido do vestiário.

Suas mãos estavam queimando e doloridas, seu corpo estava vibrando e a voz de Santana não estava mais em sua cabeça. O corte que havia sido feito quando socou o espelho não estava incomodo tanto quanto antes e ao olhar para o corpo da cheerio mais uma vez no chão, percebeu que a poça de sangue estava ficando cada vez maior, já que a loira havia ferido todo o rosto da ruiva. E de repente, um choque de realidade preencheu seu corpo fazendo-a parar para analisar o que havia feito.

Sentiu-se suja e baixa por ter se rebaixado àquele estado. Havia ido contra todos os seus princípios e por mais que tentasse ignorar que não havia gostado da sensação, não conseguia. A satisfação que sentiu ao ferir a pele de Claire com sua mão foi gratificante e viciante. Ao mesmo tempo em que fez seus ombros relaxarem, os fez tencionarem para continuar a sentir a carga elétrica que corria pelo o seu corpo, se concentrando especificamente em suas mãos. E o pior era que não conseguia sentir-se arrependida. Há muito tempo que havia se controlado para não chegar naquela situação, mas encontrar a pessoa que havia destruído sua vida por prazer e inveja e havia admitido encarando seus olhos foi o suficiente para ceder aos seus desejos.

Brittany foi tirada de seus devaneios quando ouviu a porta do vestiário se abrindo. Sentiu suas células vibrarem alertando perigo e suas pernas começaram a movimentar automaticamente para a saída que se encontrava no final do vestiário que daria direto para a área externa da escola. Não sabia o que aconteceria se descobrissem que era a responsável pelo estado de Claire. Sentiu medo de como todos reagiriam e de como eles a julgariam, especialmente seus pais e seus amigos, pois sabia que os decepcionaria. Porém, sabia que Santana ficaria orgulhosa por ter feito o que realmente queria.

O simples fato de mencionar o nome da morena fez as dores em seu corpo aumentarem. Estava cansada de senti-las e acabara de dizer em voz alta que não era nada sem a morena e que sempre a amaria, então por que estava sendo tão difícil fazer o caminho até a sala do coral para dizer à Santana que precisava dela o mais rápido possível? Precisava sentir o odor e o calor da pele dela, ouvir a voz dela e ver as íris escuras brilhando. E como precisava disso.

Porém o caminho que estava fazendo era totalmente oposto. Brittany havia saído da escolha por um dos portões que eram de acesso a funcionários e estava caminhando pelas calçadas desertas de Lima em direção à sua casa. Sentia que a cada passo que dava, estava deixando um pedaço de sua alma para trás e se tivesse sorte não chegaria inteira até sua casa. A mão que estava com o corte estava voltando a queimar, talvez seja a adrenalina que estivesse indo embora de seu corpo e estava fazendo as dores físicas começarem a intensificar já que todo o seu corpo estava fraco e dolorido pela ausência de Santana.

Não soube quanto tempo demorou caminhando pelas ruas ignorando os olhares que recebia das pessoas quando analisavam o seu estado, ainda mais quando se davam conta do rastro de sangue que a seguia por seu corte estar pingando. A loira já havia tentado cessar o sangramento enrolando a mão na blusa, sem sucesso, trazendo apenas mais complicações, porque agora sua blusa havia adquirido uma mancha grande vermelha chamando ainda mais a atenção das pessoas.

Um suspiro aliviado saiu de seus lábios quando encaixou a chave na maçaneta e a girou. Estava finalmente em casa e teria tempo finalmente para colocar seus pensamentos em ordem e fazer um curativo descente. A loira caminhou até o banheiro e ficou em frente ao espelho. Sua aparência estava pior do que imaginava, seus cabelos estavam desgrenhados, seu rosto todo vermelho com a maquiagem borrada, resultado de lágrimas e suor, e seus olhos estavam neutros. Brittany suspirou fundo mais uma vez e abaixou a cabeça para encarar o estado de sua mão. Para a sua sorte o corte havia sido superficial ao lado da mão, já que quando socou o espelho sua mão estava fechada. Não perdeu muito tempo esterilizando o local e faz um curativo tentando deixá-lo o mais discreto possível.

A loira voltou para a sala sentindo os seus ombros ainda mais pesados e suas pernas ainda mais fracas. Seu corpo caiu no sofá e não se preocupou em procurar uma posição confortável, a única coisa que queria e precisava urgente era de um apoio. Havia passado por muita coisa em pouco tempo e era incrível como ainda conseguia colocar os pés no chão e se levantar. Nunca pensou que fosse agüentar por tanto tempo e apesar de querer acreditar que estava fazendo isso por seus pais, não conseguia. Estava fazendo isso pela morena, porque tudo o que fazia era e seria para sempre por ela. Brittany fechou e apertou os olhos enquanto apoiava a cabeça no sofá. Não conseguiu e não quis controlar as lágrimas que caíam por sua face queimando sua pele.

Ela não conseguia entender como sua vida havia desmoronado tão rápido por causa de uma foto. Mesmo sendo inevitável sentir dor quando se lembrava da foto, não conseguia acreditar que Santana teria coragem para isso. Ela viveu a vida toda ao lado da morena e a conhecia o suficiente para acreditar nas palavras que haviam sido ditas há uma semana nesse mesmo cômodo. Sabia que Santana não a atrairia, mas o simples fato dela ter deixado aquela atração aumentar e ter escondido aquilo tudo por tanto tempo, estava matando Brittany. Essa dor era maior do que todas as outras, pois sentia que tudo o que fez pela morena havia sido em vão, mesmo tendo tentado de tudo.

Brittany sentiu sua cabeça latejar fortemente do mesmo modo de quando estava no vestiário e mais uma vez levou ambas as mãos para apertarem. Não estava preparada para mais uma overdose de lembranças, mas era impossível controlar o seu inconsciente, já que todo o seu corpo sentia a ausência da morena. Mais uma vez naquele dia, Brittany se perdeu nas imagens que corriam por sua cabeça e na saudade que martirizava todas as suas células.

• • •

A manhã havia passado e estava no começo da tarde quando a loira despertou com o barulho da campanhinha. Não se recordava de quando havia adormecido e muito menos de como as cápsulas de comprimidos para dor havia chegado até a mesinha de café em frente ao sofá.

A loira levantou-se apoiando no sofá e sentiu suas pernas fraquejarem. Se não estivesse próxima a parede para usá-la de apoio, sabia que seu corpo encontraria o chão no mesmo instante. Sua cabeça girou mais uma vez quando tentou focar a sua visão na porta e só então se lembrou que aquilo tudo poderia ser efeito da quantidade de comprimidos para dor que havia tomado enquanto as lembranças de Santana corriam por sua cabeça. Não lembrava exatamente quantos haviam sido, mas foi a quantidade exata para fazê-la apagar.

A campanhinha soou mais uma vez junto com algumas batidas na porta fazendo Brittany forçar os pés no chão mais uma vez e colocar a mão na maçaneta. A claridade a cegou momentaneamente ao abrir a porta e deparar-se com todo o clube do coral em sua varanda. Quinn encontrava-se na frente de todos e foi a primeira que avançou em sua direção com os olhos arregalados envolvendo-a em um abraço. Brittany estava ausente de toque e carinho há algum tempo e pela fragilidade de seu corpo, não conseguiu não retribuir o abraço, deixando sua cabeça afundar no ombro de Quinn e suas mãos a trazerem para mais perto.

Nenhuma palavra foi escutada no momento em que as duas amigas compartilhavam daquela troca de carinho. Brittany sentiu suas pernas tremerem mais uma vez, não passando despercebido por Quinn e quando menos percebeu, Finn havia colocado a mão em seu ombro e a ajudava a caminhar junto com Quinn até o sofá mais próximo.

"O que vocês estão fazendo aqui?". Perguntou Brittany deixando o seu corpo ir de encontro com o sofá mais uma vez com Quinn de um lado e Rachel do outro enquanto os outros membros do coral procuravam lugares para sentarem-se à sua volta.

"Viemos saber se você precisa de ajuda para enfaixar a mão depois de ter batido na Claire". Respondeu Rachel secamente atraindo o olhar de Brittany em sua direção. Seu coração começou a pulsar mais rápido e tentou esconder a mão enfaixada ao lado de seu corpo, sem sucesso já todos da sala haviam visualizado o ferimento.

"O que você estava pensando B?". Perguntou Quinn com o tom de voz um pouco exaltado atraindo a sua atenção. Brittany sentiu suas bochechas corarem violentamente e não encontrou palavras para justificar-se. A vergonha que imaginou que sentiria quando descobrissem estava percorrendo seu corpo.

"Eu não sei, eu só...". Respondeu Brittany sem conseguir terminar a frase, pois sentia sua voz arranhar suas cordas vocais e sua língua queimar sua boca. Automaticamente, fechou os olhos tentando controlar a ardência em seus olhos.

"Você não pensou nas conseqüências? Imagina se passarem pela cabeça deles que foi você?". Perguntou Mercedes sem conseguir controlar o nervosismo em sua voz que por conseqüência saiu alterada.

Não havia sido uma boa idéia ter fechado os olhos, pois as imagens do que havia feito com Claire passava em sua cabeça e por conseqüência a levava até Santana. "O que vocês esperavam que eu fizesse quando a encontrasse? Sorrisse e desse um abraço?". Perguntou Brittany abrindo os olhos novamente deixando uma lágrima correr solitária pelo seu rosto contrastando com a revolta em sua voz e as bochechas coradas.

"Não é disso que nós estamos falando". Cortou Finn cruzando os braços no tórax em uma forma de tentar se proteger quando as íris azuis foram em sua direção.

"Então o que é? Alguém aqui já esteve no meu lugar? Se sim, me diga o que fazer, porque eu realmente não sei". Retrucou Brittany passando os olhos por cada integrante do coral sentado em sua sala.

• • •

Não muito longe dali, uma morena girava a chave na nova maçaneta e entrava no seu apartamento. O local estava mais limpo e a sensação de privacidade e satisfação por estar em um espaço que lhe fazia ficar confortável anestesiou brevemente as dores do seu corpo. Seus pés estavam doloridos e sua respiração ofegante por ter caminhado a pé da escola até o seu apartamento. Por sorte, havia conseguido escapar do círculo protetor que todos os alunos do coral haviam feito desde o momento em que havia se despedaçado na frente de todos após ter cantado para Brittany. Tentou ir embora no momento seguinte, mas foi impedida e no final de cada aula que assistiu, havia sempre alguém esperando-a na porta para levá-la à aula seguinte. Não reclamou, porque havia perdido todas as suas forças para fazer alguma coisa, apenas ignorava e deixava o seu corpo andar automaticamente. Não se concentrou em nenhuma palavra do que havia sido dita pelos professores e sentia sufocar-se a cada minuto que se passava por estar presa entre quatro paredes e por isso não relutou um momento se quer enquanto seguia pela calçada até o seu apartamento.

Não iria voltar para a casa de seu pai e mesmo sabendo que o que estava prestes a fazer o machucaria, não conseguia mudar de idéia. Teve sorte por não ser Jeff que estivesse na portaria quando chegou, caso contrário não conseguiria pegar a nova chave e não estaria nesse exato momento jogando seu celular, sua carteira e seus maços de cigarro dentro da bolsa o mais rápido possível.

Estava tentando apressar as ações, mas todo o seu corpo estava frágil e casado, era pedir demais achando que conseguiria realizar algum movimento depois de ter pedido a única coisa que lhe fazia seguir em frente. A morena caminhou até o quarto para pegar um casaco e seus olhos logo se fixaram no porta-retrato que estava em cima do criado-mudo ao lado de sua cama. Seus passos dirigiram-se até a cômoda e suas mãos logo pegaram o objeto trazendo-o para perto de seus olhos. Sentiu um nó formar em sua garganta enquanto passava os olhos pela imagem de duas crianças com sorrisos largos nos lábios dividindo um meio abraço. Santana passou a ponta do dedo sobre a imagem da criança loira e sentiu uma lágrima correr por seu rosto. A aliança que repousava em seu pescoço queimou ainda mais sua pele, acompanhando as batidas de dores em seu peito.

A morena estava mergulhando em seu próprio sofrimento quando ouviu o seu celular tocar na sala. Com muita força, conseguiu colocar o porta-retrato de voltar no lugar e afastar-se de uma vez por todas daquele cômodo que a fazia sentir tudo o que havia tentado ignorar pelo resto do dia apenas para ter forças para respirar mais uma vez.

Santana não olhou o número no visor e arrependeu-se amargamente quando aceitou a ligação e ouviu a voz de Tyler soar ríspida do outro lado da linha. "Onde você está?".

"Pra quê você quer saber?". Perguntou Santana no mesmo tom de voz do primo voltando a apressar os seus movimentos para não correr o risco de encontrar com Tyler.

"Porque eu estou aqui na sua casa sozinho com seus dois irmãos, lugar no qual você deveria estar no momento". Respondeu Tyler ainda com a voz alterada fazendo Santana soltar um suspiro em alivio e colocar a bolsa no ombro, caminhando com passos apressados até a porta principal. "Onde você está?".

"Não interessa". Respondeu a morena tentando manter a voz firme para que Tyler não percebesse a alteração em seu corpo devido a quantidade de lágrimas que rolavam por sua face.

"Você não está pensando fazer besteira, não é? Você é mais forte do que isso". Perguntou Tyler mudando o tom de voz fazendo Santana engolir seco e deixar um soluço baixo ser escutado pelo primo. "Por favor, Santana não faça isso". Pediu o rapaz com a voz falha.

"Então você acha que eu devo continuar com isso que você chama de vida?". Perguntou Santana com a voz trêmula, destacando as dores em cada palavra pronunciada. "Você acha mesmo que eu estou vivendo?".

"Eu posso te ajudar. Dê-me uma chance". Pediu Tyler fracamente fazendo Santana sentir suas entranhas embrulharem e a dor em seu peito aumentar. A morena saiu do elevador correndo em direção ao seu carro assim que ouviu a voz de seu primo mais uma vez. "Ela não vale a pena".

Seu corpo enrijeceu no banco do motorista e o ar ficou preso em seus pulmões. Sentiu resquícios de sua dor transformar-se em ódio e quando percebeu, sua mão apertava forte o volante do carro, fazendo seus dedos ficarem levemente brancos pela ausência do sangue. "O que você disse?". Perguntou Santana com um tom de voz tão frio que quem a escutasse não diria que estava chorando há segundos atrás, ao menos se olhasse em sua face e visse os resquícios de lágrimas por sua pele morena.

"Não foi isso o que eu quis dizer". Tyler disse e quando tentou continuar, Santana o interrompeu.

"Foi exatamente isso o que você quis dizer". Cortou Santana apertando ainda mais o volante, desejando que fosse o pescoço do primo que estivesse em suas mãos. "Você diz tanto que me conhece e só agora eu vejo que você estava enganado. Brittany é a única coisa na minha vida no qual eu não me arrependo, porque aquilo que você chama de viver, eu senti apenas quando eu estava com ela".

"Então você está prestes a perder tudo por causa dela?". Perguntou Tyler e Santana percebeu que o primo estava segurando o choro e os soluços e por isso sua voz estava tão falha e trêmula.

"Você já deveria saber da resposta com o que eu acabei de dizer". Respondeu Santana finalizando a chama e jogando o celular para fora da janela, manobrando o carro para sair do estacionamento e aproveitando para passar por cima do aparelho.

• • •

O silêncio havia sido criado após a voz de Brittany preencher o local e chocar todos os alunos sentados ao seu redor. A loira havia voltado a esconder o rosto nas mãos e fazia forças para controlar a ardência em seus olhos devido as lágrimas que ameaçavam cair. Era isso o que temia. Ser julgada por seus amigos sem ter condições de se explicar, porque havia sido movida a emoções. "Eu não estava pensando...". Murmurou a loira quebrando o silêncio momentaneamente.

"Nós sempre estaremos aqui B e você pode pedir nossa ajuda". Consolou Quinn aproximando-se mais do corpo da amiga e jogando o braço por seus ombros trazendo o corpo dela para mais perto automaticamente.

"Eu não aguento mais sentir dor e quando eu encontrei a Claire...". Confessou Brittany sendo interrompida por Quinn.

"Você só quis descontar a sua dor". Completou a outra loira acariciando os cabelos da amiga e apertando o corpo dela contra o seu.

"Eu não consigo me arrepender do que eu fiz". Confessou Brittany mais uma vez apertando o rosto ainda mais em suas mãos em uma tentativa de fazer as lágrimas pararem de rolar por sua face e sua cabeça parar de latejar.

"Por que você não deu uma chance pra ela?". Perguntou Finn atraindo o olhar de Brittany imediatamente. A loira arqueou as sobrancelhas e esqueceu momentaneamente que estava chorando. Os outros alunos acompanharam o olhar de Brittany e Finn encolheu os ombros quando notou a pressão dos olhos da loira em seu corpo. "Ela cantou pra você e pelo estado dela é possível ver que ela está sofrendo".

"Você acha que é fácil assim Finn?". Perguntou Brittany secamente mantendo o contato com os olhos do rapaz.

"Deveria ser. Vocês duas estão sofrendo e ela se arrependeu do que aconteceu. Quer dizer, nada aconteceu, Santana parou antes que acontecesse". Respondeu Finn dando de ombros.

"Nada aconteceu? Então minha namorada não se sentiu atraída por outra garota a ponto de querer me trair? Então eu não vivi por mentiras em um período de dois meses? Nada disso aconteceu certo? O meu sofrimento é em vão então?". Perguntou Brittany cerrando os olhos sem conseguir controlar o misto se sensações que corriam por seu corpo.

"Ela não te traiu Britt. Você não vê isso? Mesmo ela tendo sentido atração ela foi mais forte do que isso. Por você, ou melhor, por vocês". Cortou Finn cruzando os braços no tórax fazendo o possível para deixar a voz e a postura o mais autoritária possível.

"Eu ainda não entendo porque você está sendo tão hipócrita se você foi traído pelas suas duas namoradas". Retrucou Brittany sentindo todas as suas células esquentarem e as palavras saírem automáticas por seus lábios. "Você acha que traição só quando acontece se envolver algo físico?".

"Não é?". Perguntou Puck se intrometendo na conversa e atraindo o olhar dos dois que discutiam no meio da sala.

"Claro que não". Respondeu Quinn arregalando levemente os olhos.

"A partir do momento que você se deixa levar pela sua atração você já está traindo. Está traindo os sentimentos da outra pessoa porque não há nada pior do que sentir que não foi o suficiente". Completou Brittany sentindo as lágrimas descerem ainda mais rápido pelas suas bochechas enquanto encarando Finn e Puck arrancando um suspiro surpreso dos lábios de Kurt.

"E você vai continuar desse jeito? Você vai deixá-la desse jeito?". Perguntou Kurt levantando uma sobrancelha e se levantando para aproximar-se do corpo de Brittany.

Brittany desviou a atenção de todos e focou seus olhos em um ponto especifico da sala, notando que entre as fotografias de família que preenchiam a parede atrás da televisão possuía uma foto dela com a Santana do dia do seu aniversário. O sorriso de ambas parecia tão sincero com olhares tão carinhosos que fez toda a sua raiva desaparecer. Era inegável que Santana havia sido forte o suficiente para não fazer nada e que havia a escolhido. Isso deveria fazer alguma diferença, certo?

"Eu não aguento mais não tê-la por perto". Disse Brittany com a voz falha e com as lágrimas correndo ainda mais rápidos por sua face conforme as imagens de Santana voltava a correr na frente de seus olhos. "Não ouvir o som da risada dela e não sentir o calor do toque dela é pior coisa do mundo". Confessou a loira fechando os olhos sem conseguir segurar os soluços que saíam de seus lábios, sentindo seu coração apertar conforme as palavras saíam. "Eu sinto tanta dor por ela não estar aqui. Eu não sei até quando eu vou suportar isso". Completou Brittany apertando os olhos enquanto sentia que alguém a havia puxado para um abraço.

"Ela precisa de você tanto quanto você precisa dela". Sussurrou Rachel ao seu lado e Brittany sentiu a mão da pequena correr por seu rosto tentando limpar as lágrimas que caíam incessantemente.

"Por favor, B. Nós só queremos o melhor para as duas". Diz Quinn no outro lado apertando o corpo da loira contra o seu.

Brittany abriu os olhos com certa dificuldade e encarou os olhos de mel da amiga ao seu lado percebendo o sorriso fraco que havia se formado nos lábios de Quinn e por mais que quisesse retribuir, não tinha forças suficientes para isso. Tudo o que ela era queria era Santana. Tudo o que ela precisava era Santana. Precisava parar de ficar martirizando por uma coisa que aconteceu e que não teria volta. Santana a havia escolhido e era isso que importava.

"Onde ela está?". Perguntou Brittany com a voz rouca fazendo o sorriso no rosto de Quinn ficar maior e mais vivo.

"Provavelmente em casa. O pai dela ficou de levá-la para casa depois das aulas". Respondeu Quinn acariciando as bochechas da amiga enquanto a via afastar-se de seu corpo e recompor a postura.

"Eu aposto que ela irá ficar orgulhosa quando descobrir que você bateu na Claire. Você pode até pedir umas dicas pra Santana, porque ela deixou a Claire bem pior". Disse Puck em um tom de brincadeira sem perceber o que havia soltado. Todos os olhares foram diretamente em sua direção e o único que não perfurava sua pele era o de Brittany.

"O que você disse?". Perguntou a loira franzindo o cenho e tombando a cabeça levemente para o lado.

"Nada". Respondeu o rapaz engolindo seco enquanto percebia alguns dos alunos suspirarem e balançarem a cabeça negativamente.

"Não, você disse que a Santana bateu na Claire". Insistiu Brittany encarando o rapaz e virando o rosto para Quinn ao seu lado quando notou que Puck não falaria mais nada. "O que aconteceu Q?". Perguntou a loira com um tom de voz pesado e ríspido.

"Não é importante B. Vamos, eu te dou uma carona até a casa da S". Cortou Quinn se levantando e estendendo uma mão para Brittany que a recusou e permaneceu sentada no sofá olhando-a séria.

"Não parece nada". Retrucou Brittany passando os olhos por todos os amigos ao seu redor. "Vocês vão mesmo ficar em silêncio?".

"Esquece isso, não é importante Britt". Tentou Kurt abrindo um sorriso falso nos lábios enquanto encarava a loira sentada ao lado de Rachel.

"Chega de esconder as coisas. Vocês não viram onde isso levou?". Perguntou Brittany retoricamente em um tom agressivo, fazendo a pequena ao seu lado encolher os ombros. "Que droga. Vocês vão falar ou terei que descobrir por contra própria?". Perguntou a loira mais uma vez levantando-se e mencionando caminhar até a porta principal, sendo impedida por um aperto em seu braço.

"Ok B. Nós contamos. Agora você pode se sentar". Disse Quinn soltando o braço da amiga enquanto a outra loira refazia o caminho até o sofá e sentava-se ao lado de Rachel.

"Você se lembra daquela vez que a S saiu para pegar os lanches e demorou a voltar?". Perguntou Quinn caminhando até a frente da amiga atraindo o seu olhar em especial. Brittany assentiu com um balançar de cabeça incentivando a outra loira a continuar. "Quando voltamos para a escola a Claire havia sofrido um acidente de carro, lembra?". Perguntou Quinn novamente enquanto observava a amiga assentir mais uma vez.

"Claire não sofreu um acidente de carro". Disse Rachel ao seu lado e Brittany começou a sentir o seu coração pulsar mais rápido conforme sua respiração ficava pesada com as supostas idéias que passavam em sua cabeça.

"Santana demorou a voltar àquela noite porque ela estava com a Claire". Completou Quinn com a voz suave. Brittany teve sorte de estar sentada, pois não conseguiria ficar em pé diante do duplo sentindo daquela frase. Estava cada vez mais difícil conseguir fazer o ar ir até o seu pulmão já que todos os seus músculos haviam retesado e queimavam conforme sua cabeça voltava a latejar. "Ela não estava com Claire nesse sentido se é isso que você está pensando". Cortou Quinn ficando de joelhos na frente da amiga e passando a mão em seu rosto. "Ela torturou Claire".

Brittany sentiu seu coração parar brevemente e o cômodo rodar na frente de seus olhos. "Ela torturou Claire das piores formas possíveis para descontar o que havia acontecido com você". Acrescentou Kurt aproximando-se de Quinn e ficando abaixado em seu lado. "O que você fez com Claire não chega nem um pouco perto do que Santana fez com ela".

"Ela estava horrível quando eu a encontrei Brittany". Completou Rachel ao seu lado acariciando as costas da loira que estava em choque. Sabia que Santana era vingativa e que era difícil acreditar que a morena não havia feito nada depois do que havia acontecido contigo. Porém, mesmo tendo noção do que Santana era capaz de fazer, não conseguia esconder o quão chocante era escutar por seus amigos.

Havia tantas perguntas em sua cabeça que não conseguia escolher uma só para ser respondida. Não conseguia também dizer o que aquilo tudo significava. Estava perdida e se não fossem as diferentes dores que sentia em seu corpo para lhe focar na realidade, jamais conseguiria desviar os olhos para analisar Quinn, Kurt e Rachel.

"Ela fez isso por você. Ela te escolheu B". Afirmou Quinn.

"Ela ama tanto você que não se importou com as conseqüências. A única coisa que ela queria era tentar fazer Claire sentir o triplo do que você sentiu". Completou Kurt cerrando os olhos e abrindo um pequeno sorriso nos lábios.

"Você sabe o que ela respondeu quando nós a questionamos?". Perguntou Rachel atraindo o olhar de Brittany. "Ela disse: 'Ninguém a ama como eu'".

As lágrimas voltaram a correr por sua face automaticamente. O ar ficou preso em seus pulmões e todo o seu corpo ardia e a loira sentia como se milhares de agulhas invisíveis perfurassem sua pele e se concentrassem apenas em seu coração. O ato de levar a mão ao peito e o apertar tentando dissipar a dor que sentia foi tão automático que não viu que todos haviam cerrado os olhos e que Quinn se esforçava para não chorar em sua frente. Os soluços começaram a ficar mais autos e intensos criando ainda mais dificuldade para a loira respirar corretamente.

Seus olhos se fecharam e deixou-se mergulhar nas lembranças mais uma vez naquele dia. Talvez não fosse saudável o que estava fazendo, porém não estava em condições para analisar o que lhe faria bem ou não, porque desde que havia terminado com Santana, sabia que sua vida nunca mais seria a mesma e que independente do que fizesse, não ficaria saudável, não sem Santana por perto para lhe motivar a continuar a seguir em frente. E ela precisava da morena o mais rápido possível caso contrário não conseguiria suportar estar em um corpo sem vida, sem alma.

A loira abriu os olhos e levantou-se do sofá assustando os amigos à sua frente. Quinn imitou o seu movimento e colocou uma mão em seu ombro enquanto Rachel fazia o mesmo do outro lado. "Leve-me até ela, Q. Por favor". Pediu Brittany fracamente sentindo as palavras arranharem sua garganta e o aperto em seu peito ficar ainda mais forte.

A amiga assentiu com um balançar de cabeça e quando viraram o corpo para caminhar até a porta, a campanhinha soou. Brittany franziu o cenho e percorreu os olhos por todos os membros do coral que estavam na sala. Não havia ninguém faltando e seus pais chegariam apenas daqui cinco horas. As células em seu corpo se agitaram quando a idéia de ser Santana correu por seus pensamentos. Mesmo tendo decidido que correria atrás da morena, não esperava dar de cara com ela logo agora. Ela pretendia preparar-se durante o caminho para saber o que dizer e o que fazer.

Quinn que estava mais próxima caminhou até a porta e olhou para Brittany estática no mesmo lugar antes de rodar a maçaneta e encontrar Tyler parado no batente.

Tyler estava com o rosto vermelho e com os olhos arregalados. Seus ombros estavam tencionados e era visível o nervosismo em seus olhos. Brittany arqueou uma sobrancelha encarando o moreno parado a alguns metros de distância e quando encontrou com o seu olhar, um arrepio correu por sua espinha. A raiva era visível em seu olhar e em seus movimentos foram tão rápidos que se não fosse por Puck, Finn e Mike segurando o rapaz, ele teria avançado para cima da loira.

"O que você pensa que está fazendo?". Gritou Puck ajudando Finn e Mike a empurrar Tyler para o mais longe possível de Brittany. Quinn, as outras meninas, Kurt e Blaine formaram uma barreira protetora na frente de Brittany, prevenindo que Tyler chegasse perto caso o trio não conseguisse impedi-lo.

"Você é responsável por isso tudo!". Gritou Tyler apontando para Brittany tentando desvencilhar-se dos braços dos garotos em seu corpo. "Você é culpada de tudo o que aconteceu e acontecerá com ela".

"Do que você está falando?". Perguntou Brittany na mesma intensidade que o moreno, fazendo-o ficar ainda mais agressivo.

"Você a estragou. Você a fez ser uma coisa que ela não era". Retrucou Tyler ainda mais alto.

"Isso tudo é só por que ela me escolheu?". Perguntou Brittany mais uma vez.

"Ela era feliz comigo. Você a tirou de mim e fez a cabeça dela para ela ser uma coisa que ela nunca foi". Cortou Tyler conseguindo afastar o braço de Finn e dar um passo na direção da loira. Kurt encolheu os ombros e Brittany tentou afastar-se da barreira à sua frente por impulso.

"Ela nunca foi feliz com você. Ela nunca te amou você não vê isso?". Retrucou Brittany sentindo o braço das meninas segurarem os seus, a impedindo de ir à direção do moreno que havia voltado a se afastado por Finn ter conseguido retomar a posição anterior.

"Eu nunca seria capaz de feri-la como você fez". Bradou Tyler começando a ficar com a voz falha e com os olhos marejados. "Ela está agora lá fora sozinha e sofrendo e está prestes a tirar a vida dela por você".