Save My Soul

20 Essence Left My Heart Tonight


Notas iniciais
A música que tocará no capítulo é I Won't See You Tonight (Parte 1) do Avenged Sevenfold. Recomendo que escutem quando chegarem no momento certo. Obrigada a todos que chegaram até aqui me acompanhando e deixando os comentários (ou não ;] ) mais lindos que eu já vi na vida. Este é para a Amanda.

Save My Soul

CGates

Chapter#20

Dizem que quando você está prestes a morrer toda a sua vida passa como um filme na frente de seus olhos, trazendo os momentos mais felizes e o mais triste. Mas e quando você está caminhando para esse destino, é normal passar os momentos que pareciam insignificantes? Santana não sabia a resposta para aquela pergunta que estava fazendo a tanto tempo desde que saíra de casa determinada. Seu cérebro estava entorpecendo-a com diversas imagens do tempo que ficara com Brittany, especialmente a primeira vez que a vira.

Santana se lembra como se tivesse ocorrido no dia anterior. Ela estava sentada no colo da mãe aos cinco anos de idade observando a movimentação de pessoas dentro da igreja que estava escolhendo os seus respectivos lugares antes da missa começar. Seus pais estavam conversando sobre o futuro nome do bebê que estava a caminho e só então a morena se lembrou do novo irmão ou irmã que faria parte da sua vida. Ela costumava acariciar a barriga da mãe todas as noites e conversava com o feto antes de dormir nos braços de seus pais apenas para ter certeza de que faria parte da vida dele ou dela.

A morena remexeu no colo da mãe procurando um melhor ângulo para olhar as pessoas entrando pela porta principal quando ouviu os seus pais cumprimentarem um casal que passava ao lado deles. Sua sobrancelha se contorceu quando observou os Fabray passando e a filha caçula deles revirando os olhos na sua direção. Santana não sabia se considerava Quinn como amiga por ser a única garota que conhecia e que lhe fazia companhia nas tarde em que seus pais sentavam-se no jardim para discutirem sobre negócios e sobre a vida dos outros. Não eram todas as vezes que conseguiam ficar juntas sem discutirem, porém a pequena não conseguia se afastar com medo de ficar sozinha.

Seus orbes escuros passaram de Quinn para a porta principal novamente. Aquele ambiente sempre trazia tranqüilidade e apesar de não compreender as palavras do senhor que ficava no altar, sempre ficava entusiasmada quando acordava cedo na manhã de domingo para escolher o melhor laço e o melhor vestido para acompanhar seus pais. Era sempre elogiada pelas pessoas quando passava de mãos dadas com sua mãe no caminho à Igreja, fazendo um sorriso bobo brotar nos lábios de seus pais e uma sensação de satisfação crescer em seu peito, pois estava fazendo felizes as pessoas que mais amava e admirava. E por isso que todas as vezes que a morena fazia Brittany sorrir ela sentia as mesmas sensações que sentira quando pequena, pois ela havia invadido sua vida da forma mais inesperada de todas, ganhando todo o seu corpo e sua calma e se tornado o seu porto-seguro.

"Santana, querida, a missa irá começar". Alertou sua mãe acariciando os seus longos cabelo e depositando um beijo em sua testa. A morena assentiu com um balançar de cabeça e desviou os olhos brevemente para o seu pai, que deu um sorriso e acariciou as maçãs de seu rosto.

Havia sido como todos os domingos. As pessoas fazendo suas orações e agradecimentos, emocionando-se com as palavras do padre e abraçando uns aos outros no final. E como todo domingo, seus pais saíam da Igreja e atravessavam a rua em direção ao parque recém-inaugurado. Lá os adultos aproveitavam da distração das crianças nos brinquedos para colocar as conversas em dia. Porém, seus pais dificilmente se enturmavam com outras famílias, geralmente formava-se uma roda apenas com os Lopez e os Fabray, fazendo Santana ficar sentada ao lado de sua mãe analisando as crianças brincando na areia, já que seus pais tinha um sério argumento quando a pequena pedia para juntar-se aos outros.

"Você ficou sabendo que uma família de advogados se mudou para a casa dos Jackson?". Perguntou a mãe de Quinn encarando Stela que ajeitava a faixa rosa no cabelo de Santana. A pequena desviou os olhos das crianças brincando à frente e encarou Judy ao lado de sua mãe.

"Já? Eles acabaram de ir para Califórnia". Indagou Stela franzindo o cenho e fazendo sua filha ao lado imitar o gesto. Santana não se lembrava muito de qual família eles estavam falando pelo fato de não ter muita convivência com seus vizinhos, porém do modo que a mãe de Quinn estava falando, com um tom de deboche exaltado, atraiu a sua atenção e fez a sua imaginação imatura viajar em como deveria ser a nova família.

"Verdade, mas ouvi dizer que essa nova família veio da Flórida e que se encaixa nos padrões". Disse Judy ajeitando os cabelos loiros em um coque. Mesmo aos cinco anos de idade, Santana já possuía a sua tradicional esperteza, talvez fosse pelo fato de ficar ouvindo as conversas de seus pais, pois sabia de quase todos os significados ocultos que sua mãe e Judy usavam para referir-se a dinheiro e o que sempre comprovava a suas teses era os olhos levemente arregalados e o sorriso amarelado na mulher morena ao seu lado. E foi exatamente o que aconteceu naquele exato momento e Santana agradeceu mentalmente, pois isso significava que mais uma família faria parte das rodas de conversas e que não seria tão monótono.

"E eles têm filhos?". Perguntou Stela ansiosa fazendo Santana focar ainda mais a sua atenção na conversa. A morena não olhava diretamente para as duas conversando, pois receberia uma bronca de sua mãe como das outras vezes. Seus olhos estavam fixos em um ponto qualquer da praça.

"O pouco que sei é que eles têm uma filha na mesma idade que a Sants e a Quinnie. Ouvi dizer que são advogados de renome". Respondeu Judy cerrando os olhos e franzindo o cenho, deixando clara a inveja em sua voz.

Santana não soube por que ficou extasiada com a resposta de Judy, talvez fosse pelo motivo de ter finalmente mais uma amiga e que poderia finalmente desfrutar da companhia de outra pessoa. A morena abriu um sorriso involuntário enquanto pensava em como poderia ser a nova garota e nas várias opções que elas teriam para passar o tempo, como finalmente desfrutar de ter alguém para brincar de bonecas e conversar sobre as diferentes combinações de roupas possíveis. Elas poderiam também usar pela primeira vez a casinha de madeira que sua avó havia lhe dado de presente de natal que estava intacta no canto de seu quarto por não ter ninguém para interpretar os outros bonecos. Elas poderiam também brincar pelo jardim de sua casa e caso a novata não soubesse andar de bicicleta, Santana a ensinaria sem reclamar.

Estava tão deslumbrada com as diferentes formas que passaria suas tardes com a nova garota que se esqueceu brevemente da conversa das duas mulheres ao seu lado no banco. Se não fosse por sua mãe arrumando a faixa em seu cabelo mais uma vez, Santana não teria despertado de seu devaneio e não teria sentido o seu coração acelerar quando ouviu as palavras de Judy. "Por falar neles, olha quem chegou".

A pequena girou rapidamente o seu corpo na direção da entrada principal da praça e sentiu sua cabeça girar. Um homem magro com os cabelos curtos e loiros estava acompanhando uma mulher também loira que segurava a mão da pequena menina. Os cabelos dela eram ainda mais claros do que o de seus pais e estavam presos, com apenas as franjas caindo por sua testa. Ela possuía bochechas grandes que contrastavam com os olhos grandes e azuis que estavam percorrendo todo o local, fazendo um sorriso largo brotar nos lábios finos. Santana sentiu-se brevemente tonta analisando a novata. Seu coração estava batendo rápido e sentia que todo o sangue de seu corpo havia corrido para as suas bochechas, pois as sentia queimando e quentes.

O trio caminhou até o meio da praça e sentaram-se na borda do chafariz. Santana não compreendia porque não conseguia tirar os olhos da menina loira, ela estava tão absorta com a simplicidade e a beleza que era refletida pelos raios solares ao tocar na pele clara da notava que não percebeu que não estava mais sentada e estava andando ao lado de sua mãe na direção do trio. "Onde estamos indo mamãe?". Perguntou a morena com a voz falhada, sentindo o seu coração bater sem ritmo conforme se aproximava do chafariz.

"Vamos dar boas-vindas aos novos moradores. Se comporte querida". Respondeu sua mãe olhando rapidamente para a filha para verificar se precisava ajeitar o cabelo ou o vestido.

"Eu não quero ir". Retrucou Santana tentando afastar-se da mão de sua mãe sem saber o porquê de estar tão nervosa.

"Pare de bobeira Santana e ande direito". Ordenou Stela fazendo Santana encolher os ombros e desistir de tentar se afastar. "Olhe para Quinnie. Ela está se comportando direito". Gesticulou a mulher apontando para Quinn e Judy que caminhavam ao lado delas, fazendo Santana perceber que possuía companhia e que seria muito mais difícil se comportar quando chegasse perto dos novos morados.

A morena não conseguiu levantar a cabeça do chão enquanto se aproximava e sentia suas pernas tremerem conforme percebia que estava chegando. Sentia sua bochecha ainda mais quente e de repente o local ficou muito mais abafado e sufocante. Sua mãe parou de caminhar e manteve o aperto em sua mão, mesmo assim a pequena não levantou os olhos para encarar o trio à sua frente, ela só tinha certeza que haviam chegado quando ouviu sua mãe cumprimentando-os. "Desculpe interrompê-los, mas como representantes do comitê administrativo da cidade nós viemos desejar boas vindas". Cumprimentou Stela com a postura rígida e com a voz limpa e autoritária. Santana ouviu Judy apresentar a si mesma e Quinn e sentiu o ar faltar em sues pulmões quando percebeu que era a próxima. "Eu sou Stela Lopez e essa aqui é a Santana". Santana sentiu um apertão forte em sua mão e sabia o que aquilo significava, mas não conseguia levantar os olhos do chão para abrir o sorriso ensaiado que sua mãe havia lhe ensinado para cumprimentar as pessoas. "Desculpem-me, ela é um pouco tímida, certo querida?". Perguntou Stela e Santana sentiu os olhos de sua mãe perfurar a sua pele e o máximo que conseguiu fazer foi assentir com um balançar de cabeça.

"Eu sou Harry Pierce. Essa é a minha esposa Susan e minha filha Brittany. Nós agradecemos as boas vindas". Respondeu o pai de Brittany fazendo Santana sentir um calafrio percorrer sua espinha quando ouviu o nome da pequena.

Um toque quente em seu queixo fez todo o seu corpo arrepiar e as batidas do seu coração diminuir, assim como o seu nervosismo. A morena sentiu seu rosto sendo levantando pela pequena mão que repousava em seu queixo e quando olhou nos olhos azuis à sua frente, ela sentiu-se perdida. "Oi, sou Brittany".

• • •

"O que você disse?". Perguntou Brittany arregalando os olhos conforme sentia todo o seu corpo repuxar em dor e seu coração bater mais rápido. Sua visão estava ficando desfocada e se não tivessem segurando seus ombros impedindo-a de caminhar até Tyler, a loira teria caído. "Você está mentindo". Gaguejou Brittany fracamente enquanto balançava a cabeça em negação.

"Por que eu mentiria sobre uma coisa dessas?". Gritou Tyler novamente ainda fazendo força para soltar-se dos braços dos meninos. "Você a estragou e sabe que ela teria coragem de fazer isso".

As palavras recusavam-se a sair dos lábios da loira. Ela sabia que Santana teria coragem para fazer uma coisa dessas, porque já havia tentado uma vez e pelo estado da morena, ela não suportaria por muito tempo. Um soluço alto saiu de seus lábios e as lágrimas começaram a cair mais rápidas e mais forte conforme as imagens do corpo de Santana estirado no chão sem vida perturbavam a sua mente. Brittany tentou fechar e apertar os olhos para ver se as imagens iam embora, porém elas começaram a vir mais intensas. "Você está mentindo". Repetiu Brittany com a voz rouca apertando ainda mais os olhos.

"Ela não está atendo o celular". Brittany optou por ignorar as palavras de Tyler e ouvir o que Quinn dizia ao seu lado provavelmente para Rachel. "Eu vou até o apartamento, fique aqui com a B".

"Eu não vou ficar aqui". Disse Brittany voltando a abrir os olhos e surpreendendo-se por encontrar a sala apenas com as meninas que ainda estavam ao seu lado. Ela encarou Quinn que estava com o cenho franzido e com os olhos marejados e levemente vermelhos. "Eu não posso ficar aqui Q".

"Você não está em condições para resolver isso agora". Retrucou Quinn passando a mão nos olhos, impedindo que as lágrimas rolassem pelo seu rosto.

"Você não entende Q. Eu...". Pausou Brittany sentindo o choro aumentar e a dificuldade de procurar uma explicação triplicar. Ela sabia que precisava resolver isso, porém precisava concordar com a amiga que não estava raciocinando corretamente para fazer alguma coisa. "Eu a amo Q...". Sussurrou fracamente mordendo o lábio inferior para tentar controlar os soluços. "Eu não posso deixar que isso aconteça com ela. Eu preciso...".

Brittany engoliu as palavras observando a amiga respirar fundo e abaixar a cabeça, sentindo dificuldade para controlar as dores em seu corpo. Sua cabeça ainda estava em um turbilhão de imagens de Santana, o que estava fazendo seu coração pulsar doloridamente. O silêncio de Quinn não estava contribuindo em nada e se a amiga não tivesse levantado a cabeça no segundo seguinte, Brittany teria arrancado a chave de suas mãos e corrido até o carro que estava estacionado próximo à calçada. "Rach, eu já volto com a B". Disse Quinn sem conseguir esconder algumas lágrimas que rolavam pela face clara. Ela se aproximou de Rachel e tomou os seus lábios rapidamente, ignorando os olhares assustados das outras meninas que estavam na sala.

• • •

"Você não fala?". Perguntou a loira arqueando uma sobrancelha enquanto ainda segurava o queixo de Santana com uma mão. Santana não sabia por que o lugar que Brittany estava tocando estava queimando tanto, sabia apenas que era um calor e um toque diferente de todos os outros que já havia sentido.

"Ela só está com vergonha querida". Respondeu Stela por Santana passando a mão nos cabelos longos da filha mais uma vez. "Por que vocês não vão até os brinquedos?". Sugeriu a mulher fazendo Santana lhe olhar rapidamente. Era a primeira vez que sua mãe deixava ela se aproximar das outras crianças e provavelmente alguma coisa não estava certa. A pequena recebeu um balançar de cabeça da mãe e resolveu não insistir em saber o porquê daquilo.

Santana logo voltou sua atenção para Brittany à frente quando sentiu a loira descer a mão que estava em seu queixo até sua mão e a enlaçar. Dessa vez não foi queimação que sentiu e sim uma eletrização. Suas células se agitaram e de repente tudo ficou claro demais.

Não percebeu que estava sendo guiada por Brittany até os brinquedos, pois estava fascinada com o que um toque causava em seu corpo. Era pequena demais para tentar adivinhar o porquê daquilo tudo, mas sabia que eram viciante todas aquelas sensações por Brittany ser o motivo delas. Chegou a pensar que era assim que se sentia quando tinha uma amiga e por um momento desejou arriscar. "Você quer ser minha amiga?". Perguntou Santana fazendo as palavras saírem automáticas de seus lábios.

Brittany parou de andar e olhou para trás para encarar os orbes negros da pequena. Santana sentiu o coração bater muito mais rápido enquanto esperava a resposta da loira até que um sorriso largo formou-se nos lábios da criança à sua frente e os braços pequenos a envolveram em um abraço. "É a primeira vez que alguém pede para ser minha amiga". Confessou Brittany afastando-se da morena, fazendo-a desejar que a loira ficasse um pouquinho mais com os braços em volta de seu corpo. "É claro que eu aceito". Exclamou Brittany batendo palmas.

Santana não soube por que riu. Talvez a felicidade da loira fosse aconchegante. Talvez fosse porque finalmente tinha uma amiga. Ou talvez, fosse porque tinha acabado de achar a pessoa que iria fazê-la ter os melhores momentos de sua vida.

"Por que você está chorando?". Perguntou Brittany com a voz ainda mais doce assustando Santana que sentiu o caminho de uma lágrima correr por sua face.

"Eu não estou". Respondeu Santana passando a mão no rosto rapidamente fazendo a loira encolher os ombros pela rispidez de sua voz. Um aperto forte em seu peito foi sentindo e logo a necessidade de reverter aquela situação tomou conta de seu corpo. "Quer dizer, foi um cisco". Completou sendo que nem ela sabia o porquê de uma lágrima ter escorrido de seus olhos, já que não havia se machucado.

"Já melhorou?". Perguntou Brittany dando um passo até a morena e envolvendo o rosto pequeno em suas mãos. Santana sentiu o ar lhe faltar e suas bochechas queimarem enquanto tentava desviar os olhos das íris azuis que estavam próximas demais.

"Já. Vamos logo". Cortou a morena afastando as mãos de Brittany de seu rosto, voltando a caminhar em direção aos brinquedos. Agradeceu mentalmente que a loira não tivesse se afastado por ter sido rude, pelo contrário, Brittany estava caminhando ao seu lado com um sorriso enorme nos lábios. Para falar a verdade, a loira estava saltitando em vez de caminhar e quando Santana virou a cabeça para encará-la, um brilho em seus olhos se formou. Era a primeira vez que via uma criança dançar e julgou ser a cena mais bonita que já havia presenciado em sua vida. Mesmo com os braços e pernas pequenas, os movimentos da loira eram precisos e impressionantes, era praticamente impossível desviar os olhos.

"Eu quero ser bailarina quando crescer. Onde eu morava, mamãe e papai me colocaram no balé". Disse Brittany cessando os movimentos para a infelicidade de Santana, caminhando até os balanços. "O que você quer ser?". Perguntou a loira virando-se para encarar a morena que havia acabado de sentar-se ao lado.

"Eu não sei". Confessou Santana franzindo o cenho. Ela nunca havia parado para pensar em uma coisa dessas.

Um silêncio se formou ao redor das duas garotas e Santana engoliu seco enquanto desviava os olhos para os seus pais conversando logo à frente. Só então ela percebeu que Quinn havia ficado ao lado de Judy. "Vocês não são amigas?". Perguntou Brittany e Santana não precisou encarar a loira para saber que ela estava falando de Quinn.

"Não". Respondeu Santana monossilabicamente.

"Por quê?". Perguntou Brittany em um tom engraçado fazendo Santana soltar um riso baixo. Era a primeira vez que ela sorria ou ria tanto ao lado de uma criança e isso a estava assustando. "Ela parece ser legal".

"Ela só implica comigo". Respondeu Santana virando-se para encarar a pequena. "Você vai implicar comigo?". Perguntou temerosamente enquanto mordia o lábio inferior e sentia o seu coração acelerar mais uma vez naquela manhã. Era incrivelmente adorável o modo que seu corpo mudava por uma pessoa que acabara de conhecer.

"Claro que não. Eu sou sua amiga". Respondeu Brittany com um sorriso bobo nos lábios fazendo a morena à sua frente acompanhá-la mais uma vez.

Santana afastou o devaneio quando deixou a garrafa de whisky escorrer de suas mãos e encontrar o chão. Há essa hora as lágrimas havia se tornado fiel e não paravam de escorrer desde o momento que começara a lembrar de como tudo havia começado. Com o corpo fraco e dolorido, Santana caminhou até o chafariz desativado e sentou-se. Suas mãos estavam trêmulas quando tentou pegar um cigarro dentro do maço ao seu lado e com muito esforço conseguiu ascender um.

Sabia que o motivo daquelas lembranças era porque havia decido-se. Não era forte o suficiente para tentar suportar a falta dela. Não agüentava mais respirar e sentir todo o seu corpo contorcer, não agüentava mais fechar os olhos e as imagens dela passarem como flash. Brittany foi e sempre será sua vida e como não a possuía mais, não havia motivo para continuar respirando.

A morena colocou a mão no bolso interno do casaco e sentiu o objeto cortante na ponta de seus dedos. Ela girou o canivete em sua mão e o repousou em seu colo. Ainda não estava na hora, ela precisava apenas de mais algumas lembranças.

• • •

O carro de Quinn virou a última esquina que faltava para o apartamento de Santana. Brittany não estava conseguindo conter as lágrimas e também não fazia esforço nenhum. As dores em seu corpo estavam ainda mais fortes e sabia que se Santana fizesse essa besteira, não teria forças para continuar seguindo sem a morena. Quinn ao seu lado não se encontrava em um estado melhor. A outra loira estava fazendo o possível para não acompanhar o choro de Brittany, mas de vez enquanto deixava algumas lágrimas rolarem pela face clara.

Nenhuma das duas garotas havia pronunciado uma palavra se quer desde a hora que entraram no carro. Não sabiam muito bem porque estavam indo para o apartamento de Santana, mas parecia o certo. Todas as duas sentiam que se quisesse encontrar a morena, o primeiro lugar seria procurar onde ela esteve por mais tempo e provavelmente passou algumas horas atrás, já que ela precisaria pegar o carro.

O sinal fechou à frente e Brittany soltou um doloroso suspiro na tentativa de diminuir os soluços. Não recordava de ter chorado tanto em sua vida como naquele momento. Não havia palavras para descrever o que estava sentindo, por que como descrever a sensação de parte de sua alma estar sendo arrancada à força do seu corpo?

A loira apoiou a cabeça no vidro da janela e sentiu os olhos de Quinn queimar a sua pele. Ela recusava-se a encarar a amiga, pois seria mais difícil para controlar o que estava sentindo, já que veria a dor nas íris de mel. Um toque quente em seu ombro chamou sua atenção. Ela queria que fosse de Santana, porém o arrepio, a falta de ar e as queimações não foram perceptíveis em seu corpo.

"Eu preciso que você se recomponha. Eu não vou conseguir fazer isso sozinha". Pediu Quinn com a voz falha e com resquício de choro.

Brittany tentou responder, porém as palavras não saíam. Todas as vezes que havia aberto a boca, apenas soluços resolviam saltar. O máximo que a loira conseguiu fazer, foi dar um leve balançar de cabeça, recostando-se novamente no banco e tentando focar os olhos na pista à frente.

"Nós teremos ela de novo". Confortou Quinn sem trazer o efeito desejável. Brittany não precisou virar a cabeça para encarar a amiga para ter certeza que ela havia finalmente chorado, e também não precisou colocar a mão no rosto para saber que o seu choro havia se intensificado. Aquelas palavras pareciam tão vazias e insignificantes que não serviam para se agarrar à esperança. Por mais que tentasse colocar na cabeça que conseguiria achar Santana onde quer que ela esteja, sempre havia um pensamento lhe desmotivando. Alguma coisa lhe falava que ela havia perdido-a.

O carro finalmente parou na entrada principal do prédio da morena e Brittany foi a primeira a saltar, correndo em direção a Jeff que estava sentado lendo um jornal por trás do balcão de identificação. "Olá Britt. Quanto tempo". Cumprimentou o homem abaixando o jornal para encarar a loira gasta à sua frente. Os olhos castanhos logo se arregalaram e Jeff ficou em pé. "Oh meu Deus. O que aconteceu?".

"Eu preciso da chave Jeff". Pediu Brittany fracamente sentindo sua voz rouca arranhar a garganta.

"O que aconteceu com ela?". Perguntou Jeff virando-se para Quinn que estava ao lado de Brittany e só não estava com a aparência pior do que a loira, por estar controlando-se, mas seus olhos e seu nariz estavam denunciando o seu estado lamentável.

"É a S Jeff. Por favor, nós precisamos da chave agora". Disse Quinn estendendo a mão na direção do homem à espera do objeto. Jeff não precisava de explicações para saber o que estava acontecendo e quando ele colocou o metal na palma da mão da outra loira, Brittany sentiu o peso em suas costas diminuir razoavelmente.

Quinn e Brittany entraram apressadas no elevador e ambas pressionaram o botão do andar do apartamento da morena. Brittany recusou a encarar o seu reflexo no espelho logo atrás. Tudo o que ela menos precisava era preocupar-se com a sua aparência. Ela precisava apenas encontrar Santana.

O barulho alertando a chegada ecoou no elevador e Brittany sentiu suas pernas bambearem. Ela não sabia o que encontraria ou o que sentiria quando entrasse naquele apartamento mais uma vez, devido às péssimas lembranças que tinha da última vez. Porém, sabia que era mais forte do que aquilo tudo e estava fazendo isso por Santana.

O estalar da chave encaixando e girando na fechadura fez o corpo das duas loiras vibrarem. Brittany até pensou em fechar os olhos quando a porta se abrisse, mas a necessidade por Santana estava falando mais alto do que tudo e a única coisa que ela conseguiu fazer foi entrar correndo para dentro do apartamento. Não precisava dizer que sentiu todos os seus músculos contraírem e repuxarem conforme andava pelo cômodo e diversas lembranças inundava os seus pensamentos. Ficou cega por alguns segundos e se não estivesse perto do balcão da cozinha para apoiar, sabia que teria cedido o corpo à fraqueza.

Brittany recuperou-se brevemente para poder ajudar Quinn que estava procurando em todos os lugares alguma coisa que pudesse fazê-las ir até Santana. Mas o apartamento estava vazio e extremamente limpo. Era como se ninguém pisasse ali há dias e Brittany odiou isso. Ela queria entrar naquele apartamento e sentir o cheiro inconfundível do cabelo e do corpo de Santana pelos cômodos. Porém, tudo o que sentia era um odor forte de produtos de limpeza que estava fazendo o seu estômago revirar conforme andava pela sala.

As íris azuis viraram na direção do corredor e só então ela percebeu que havia um cômodo que seria muito mais difícil do que os outros e que Quinn estava com as costas encostada na parede de frente para ele. A loira andou fracamente até a porta do quarto da morena e olhou para Quinn com um pedido mudo de ajuda, pois não tinha certeza se conseguiria suportar entrar sozinha.

"Você deve fazer isso B". Cortou Quinn cruzando os braços no tórax enquanto encarava as pupilas dilatadas de Brittany e o medo nas íris azuis. A loira balançou a cabeça negando e Quinn respirou fundo. "Você consegue".

Brittany virou-se para a porta e sentiu a maçaneta queimar a palma de sua mão. Ela permitiu-se fechar os olhos enquanto abria lentamente a porta e sentia, por incrível que parecesse, o odor de Santana inundar as suas narinas e brincar com as suas emoções. A loira até abriu os olhos rápido demais na expectativa de encontrar Santana em algum ponto do cômodo já que o odor estava intenso demais como se ela estivesse de fato ali. E ao constatar que as únicas pessoas presentes era ela e Quinn, seu coração inchou.

Seus passos incertos e fracos afundaram o carpete conforme buscava forças em si mesma para continuar a andar. Seu cérebro estava em turbilhão e sabia que precisava ignorar tudo o que estava sentindo, mesmo parecendo impossível. Brittany levou as mãos até a porta do guarda-roupa e abriu apressadamente. Seus olhos queimaram quando percebeu que suas roupas e seus acessórios estavam do mesmo jeito que havia deixado, misturando-se com as roupas de Santana. Era como se de fato, os dias não haviam passado e ainda estava vivendo naquela bolha onde o seu relacionamento com a morena era perfeito e era a única coisa que importava.

A loira vasculhou com o olhar e não encontrou nada que pudesse ajudá-la. Ela virou-se então para a cama que repousava no meio do cômodo. A coberta estava intacta, assim como os objetos que ficavam em cima do criado-mudo exceto pelo porta-retrato que estava torto. Brittany franziu o cenho e aproximou-se para pegar o objeto mãos. Ela sentiu suas mãos queimarem mais uma vez naquele dia e o ar faltar em seus pulmões. As últimas vezes que via as fotografias com a Santana sentia dores em seu corpo, porém daquela vez estava diferente, era como se estivesse mais forte. Estava destruindo-a mais rápido conforme passava os olhos pelas duas crianças abraçadas na foto. Ela não se recordava muito bem desse dia, porém recordava-se do local. Era onde ela e Santana haviam se conhecido.

Um arrepio correu por seu corpo quando se lembrou do que sentiu quando tocou a pele da morena pela primeira vez e quando seus olhos se encontraram. Era uma sensação eletrizante que sempre confortava o seu corpo e que com o passar do tempo, se tornara necessário em sua dose diária. O dia que Santana entrou em sua vida, ficaria marcado para sempre em sua vida e sabia que Santana também o teria para sempre em suas memórias. Não se arrependia de tê-la conhecido e faria o possível e o impossível para tê-la de volta.

Um nó formou-se em sua garganta e o objeto caiu de suas mãos de encontro ao chão, fazendo o vidro e os pedaços de madeira rolar pelo carpete do quarto. Brittany ouviu os passos de Quinn se soube que a amiga estava aproximando-se e antes que encostasse as mãos em seu ombro, a loira virou o corpo para encarar as íris de mel. "Eu sei onde ela está".

• • •

"O que você está olhando S? Tem alguma coisa no meu rosto?". Perguntou Brittany passando as duas mãos pela face enquanto Santana engolia seco e sentia as bochechas adquirirem um tom avermelhado.

Era a segunda vez naquela tarde que a morena perdia-se ao encarar a loira à sua frente. Santana recusava-se a acreditar que mesmo depois de oito anos, Brittany continuava com as feições delicadas de criança. A morena chegou a se perguntar, se a amiga havia parado no tempo. A ingenuidade da loira também continuava a mesma e isso era o que mais a fascinava.

"Não tem nada B". Respondeu Santana franzindo o cenho, abrindo um sorriso tímido nos lábios enquanto tirava as mãos de Brittany do rosto e as posicionava sobre a mesa.

"Você ouviu o que eu disse?". Perguntou a loira arqueando uma sobrancelha enquanto voltava a fazer círculos no papel em branco com as canetas coloridas de Santana. As duas tinham o costume de passarem à tarde na casa da morena desde quando começaram a estudar juntas. Quinn de vez enquanto aparecia para juntar-se a elas, pois a amiga sempre estava ocupada com assuntos da igreja. Quinn havia entrado na amizade das duas por convivência, como seus pais passaram a sair juntos, Santana, Brittany e Quinn passavam bastante tempo juntos e com o tempo, Santana soube lidar com a loira com a ajuda de Brittany.

"Acho que não". Respondeu Santana observando o desenho que Brittany estava fazendo. A morena arqueou uma sobrancelha quando viu que a loira estava tentando desenhar o planeta quando de repente mudou para o sol.

"Eu disse que o Sam me pediu um beijo". Repetiu a loira deixando um riso escapar dos lábios, fazendo todo o corpo de Santana travar.

Naquele momento Santana não soube por que teve vontade de chorar e cada batida de seu coração estava sendo doloroso o suficiente para fazer o ar lhe faltar. Seus olhos ficaram turvos e o ar ao redor estava mais pesado do que o de costume, fazendo seus pulmões inchar e machucar suas costelas. Ela não conseguia falar, pois não sabia o que falar e muito menos se deveria. Torceu internamente para Brittany não perceber a mudança em seu estado, já que nem ela mesma sabia o porquê daquilo tudo. Automaticamente as imagens de Sam vieram em seus pensamentos. Eles eram da mesma igreja e diversas vezes ela já havia visto o menino encarando Brittany e sentia todo o seu corpo em chamas. Eram poucas as vezes que Santana conseguia espantá-lo apenas com um olhar e foi só ficar um domingo sem acompanhar os seus pais na missa que Brittany escapou fácil de suas mãos.

"Ele me chamou para tomar um sorvete amanhã de tarde". Completou a loira amassando o papel para depois pegar outro e começar novos desenhos.

Santana sentiu seu estômago embrulhar com a idéia de Sam ser o primeiro que beijaria Brittany. A morena forçava a acreditar que estava sentindo aquilo tudo por não gostar de Sam e por ele ter ido tão longe. Analisando as expressões no rosto de Brittany, Santana sabia que ela não iria recusar porque talvez sentisse alguma coisa por ele, e como amiga, o seu dever era encorajá-la, porém estava difícil. Muito difícil.

"O que você respondeu?". Perguntou Santana tentando deixar a voz a mais limpa possível. Seu coração estava batendo mais rápido e a ardência em seus olhos estava piorando conforme o sorriso nos lábios de Brittany aumentava.

"Eu disse que ia ver com você primeiro". Respondeu a loira levantando os olhos do papel e encarando Santana nos olhos. O sorriso que estava em seus lábios havia desaparecido e o ar à volta ficou sufocante. A morena estava com dificuldades de ficar encarando as íris azuis à sua frente, porém não conseguia ignorar o olhar da loira e não sabia se conseguiria dar uma resposta naquele momento.

"Por quê?". Perguntou Santana cerrando os olhos e torcendo para que a loira não percebesse que pequenas gotas de suor estavam formando-se em sua testa.

"Porque você é minha melhor amiga". Respondeu a loira falhando nas duas últimas palavras, fazendo o coração da morena bater ainda mais rápido. Santana observou Brittany engolindo seco e virar o rosto para o papel em suas mãos. Um suspiro dolorido saiu dos lábios carnudos. "E então?".

"Eu não gosto dele". Respondeu Santana deixando que sua voz saísse um pouco mais agressiva do que o de costume. A morena cruzou os braços no tórax e tentou controlar a respiração cortante.

"Isso é um não?". Perguntou Brittany com a voz falha e Santana não soube por que sentiu raiva naquele momento. Ela queria gritar com Brittany e exigir saber por que ela estava tão ansiosa com isso se ela poderia achar uma pessoa melhor. Ela queria que a loira dissesse o verdadeiro motivo de estar perguntando aquilo pra ela e se não estava incomodando-a. Ela queria bater as mãos fortes na mesa para tentar extravasar toda aquela raiva, ou melhor, queria bater em Sam.

"Faça o que você quiser". Respondeu Santana levantando-se da cadeira e saindo da copa, indo em direção à sala e sentando-se no sofá. Ela procurou aconchegar-se para que pudesse voltar a raciocinar corretamente antes que fizesse mais besteira. A morena procurou o controle da televisão e a ligou, tentando deixar um volume razoável para ignorar os próprios pensamentos.

"O que há de errado com você?". Perguntou Brittany aparecendo na sala de repente com a voz alterada e com as maçãs do rosto vermelha. Santana não desviou os olhos da televisão à sua frente e exclamou um xingamento quando Brittany entrou em sua frente.

"Sai dá frente". Exigiu Santana revirando os olhos enquanto tentava não olhar para a loira para não perder a paciência.

"Não Santana". Retrucou Brittany fazendo as células da morena vibrarem mais intensamente por ouvir seu nome sair dos lábios de Brittany. "Você vai falar que merda foi aquela na cozinha".

"Desde quando eu tenho que te dar satisfações?". Perguntou Santana levantando-se do sofá e encarando as íris azuis. Sentiu o ar faltar-lhe brevemente até que percebeu que a loira estava irritada o suficiente para fazer o seu corpo vibrar, de uma forma diferente e viciante.

"O que você tem contra o Sam? Ele nunca fez nada com você nem comigo". Perguntou Brittany cerrando os olhos e batendo o pé no chão.

"Por que tem que ser ele? Você não pode escolher outro? Pelo amor de Deus Brittany, ele é só um garoto estúpido". Retrucou Santana mais uma vez sentindo uma vibração em seu quadril quando observou a loira molhar os lábios secos com a ponta da língua.

"Isso é só sobre o Sam ou é sobre todos os meninos Santana?". Perguntou Brittany arqueando uma sobrancelha com a voz tão ríspida quanto a da morena. Essa pergunta pegou Santana desprevenida, pois até então ela não havia parado para pensar que ela sempre arrumava confusão com Brittany quando a loira falava de algum menino. "Isso sempre acontece. Você pode beijar quem você quiser e eu não?". Perguntou Brittany dolorosamente e Santana odiou-se por isso, porque era verdade. A morena já havia ficado com pelo menos quatro meninos enquanto todas as vezes que Brittany arrumava algum, Santana discutia com ela.

"Então por que você vem falar comigo?". Perguntou Santana sentindo a ardência em seus olhos piorarem e torceu para que a loira não percebesse que as lágrimas estavam se formando. "Vai lá, beija ele então". Ela queria dizer que era diferente, que ela não sentia nada beijando eles e que não queria que Brittany ficasse com ninguém, porque ela tinha medo de perdê-la.

"Que droga Santana! Por que você sempre tem que ser tão infantil?". Exclamou a loira retoricamente passando a mão no rosto enquanto caminhava de um lado para o outro para dissipar a tensão.

"Eu estou sendo infantil?". Perguntou Santana dando um passo para frente fazendo a loira parar de andar e lhe encarar. "Eu só estou prevenindo que você faça o maior erro de sua vida em deixar que ele seja o primeiro".

"Se eu depender de você eu nunca terei um primeiro". Cortou Brittany e Santana sentiu um arrepio quando encarou diretamente as íris da loira muito próxima. "Eu não entendo por que isso te incomoda tanto".

"Porque o primeiro beijo tem que ter significado. Tem que ser com uma pessoa que você realmente goste e que faça os seus joelhos ficarem bambos e sua mente viajar conforme os lábios se toquem, te dando a certeza que fez a coisa certa por ter dado aquele avanço. Você tem que querer por parecer certo e não para provocar para alguém ou para si mesma". Respondeu Santana dando um longo suspiro no final, sentindo o seu corpo agir diferente por estar tão perto de Brittany e estar falando daquele tipo de coisa. O calor da raiva rapidamente se transformou em outro tipo de calor no qual Santana nunca havia sentido. Suas mãos estavam suando e sua boca estava seca. Um arrepio correu em sua espinha quando percebeu o silêncio que havia se formado e que Brittany não estava mais encarando os seus olhos e sim seus lábios.

"Foi isso o que você sentiu?". Perguntou Brittany com a voz rouca fazendo o corpo da morena vibrar mais uma vez.

"Não". Respondeu Santana sinceramente também descendo os olhos para os lábios de Brittany. "Mas é isso o que eu quero que você sinta". Completou a morena dando um passo automático na direção de Brittany, sentindo os narizes roçarem-se e os lábios ficarem muito mais próximos. Ela queria fechar os olhos para deliciar-se com o fato de estarem dividindo o mesmo ar e estar sentindo o hálito mentolado de Brittany tão próximo, porém seus olhos subiram para os olhos de Brittany novamente e seu ventre pulsou quando sentiu o choque ao perceber que ela estava encarando-a.

Nenhuma outra palavra foi dita. Santana sabia que se realmente fizesse aquilo não teria mais volta, porém ela não conseguia recuar o corpo e Brittany também não estava ajudando muito. Seus olhos variavam em encarar os olhos e os lábios de Brittany. Santana levantou a mão e posicionou no pescoço de Brittany e encarou mais uma vez para certificar-se de que a loira queria aquilo tanto quanto ela e com um assentimento de cabeça de Brittany, Santana puxou delicadamente o rosto da loira para mais próximo do seu, colando os seus lábios pela primeira vez.

A textura era incrível, assim como o calor que emanava deles, fazendo-a perceber que era a melhor coisa que já havia provado na vida. Seus lábios se encaixavam perfeitamente e a eletrizante corrente que havia se formado com o contato estava correndo por todo o seu corpo, fazendo-a desejar ficar naquela posição para sempre. A morena sentiu a loira colocar as mãos em sua nuca e a trazer para mais perto, fazendo o calor que emanava do toque ficar mais intenso e Santana desejar saber como seria se aprofundasse o beijo.

Seu ventre vibrou mais uma vez quando colocou as duas mãos nas costas de Brittany e encostou a língua nos lábios da loira, um pedido mudo para aprofundar o contato que foi logo aceito por Brittany, que entreabriu os lábios dando passagem para Santana sentir pela primeira vez suas pernas ficarem bambas e seus pensamentos entorpecerem. Suas línguas se encostaram pela primeira vez e foi possível sentir o corpo de Brittany vibrando, fazendo o seu inevitavelmente acompanhar a loira.

Santana girou a cabeça procurando um ângulo melhor e ouviu um som estranho ecoar dos lábios de Brittany quando entrelaçou as línguas. O som fez as suas células agitarem-se, causando uma sensação estranha, porém viciante, em seu corpo. E inevitavelmente desejou por mais.

As unhas de Brittany em sua nuca estavam queimando sua pele e quando a loira levou as mãos aos cabelos escuros de Santana puxando-os e trazendo-os para mais perto, Santana não conseguiu ignorar um som parecido com o de Brittany ecoar de seus lábios. Ela nunca havia se sentindo assim beijando um menino. Toda às vezes era sempre monótona e eles nunca a faziam sentir o que Brittany estava fazendo. Todo o seu corpo estava pegando fogo e parecia que iria morrer se parasse por algum segundo. Nesse momento, ela desejou saber se Brittany estava sentindo a mesma coisa, mas não precisava perguntar, pois a loira estava entregando-se cada vez mais e se ela não estava sentindo a mesma coisa, ela estava sentindo algo muito mais intenso.

Para o infortúnio das duas, o telefone tocou no cômodo. Santana foi a primeira que afastou o rosto com o susto. Ela abriu os olhos com dificuldade ainda sem tirar as mãos das costas de Brittany, sentindo a mesma com as mãos em seu cabelo. A morena não sabia por que estava com receio de encarar as íris azuis,se era porque a realidade a havia tocado ou se era porque estava admirada com os lábios inchados e vermelhos da loira, assim como as bochechas. Ela tratou de inalar a maior quantidade de ar que conseguia para se caso travasse ao encarar os olhos de Brittany, não sentir seus pulmões se contorcerem.

Suas pernas fraquejaram enquanto levantava os olhos para encarar Brittany. A loira ainda estava imóvel e ainda estava com as mãos em seu corpo, como se ela não tivesse forças o suficiente para afastar-se do corpo de Santana. O sangue gelou em suas veias e artérias quando finalmente encarou as íris azuis. Elas possuíam um brilho intenso no qual nunca havia presenciado antes e Santana teve medo de descobrir o que aquilo tudo significava, pois não sabia como lidaria com as conseqüências.

O telefone tocou mais uma vez para o alivio de Santana e ela soltou-se do corpo da loira, já sentindo falta do calor e da maciez da pele clara. A morena precisou pisar firme no chão para que pudesse fazer o caminho até o telefone que estava próximo à televisão em vez de voltar para Brittany mais uma vez.

"Oi?". Atendeu Santana com a voz extremamente rouca e suas bochechas coraram.

"Santana querida? É a Susan". Cumprimentou a mulher fazendo Santana engolir seco e um nó formar-se em sua garganta. "Eu quase chegando para pegar Britt. Você pode avisá-la para me esperar do lado de fora?".

"Claro Sra. Pierce". Respondeu Santana despedindo-se da mulher e desligando o telefone.

Não soube de onde ela buscou forças para virar o seu corpo na direção de Brittany e lhe encarar mais uma vez. Ela não sabia o que falar, o que fazer e como agir. Ela havia acabado de beijar sua melhor amiga e havia gostado, o pior é que queria repetir. Seria impossível mentir dizendo que não havia sentindo o seu coração expandir ao ver que a loira havia apreciado tanto quando ela. Não sabia se seria indelicada se tentasse beijá-la mais uma vez e por um segundo ela percebeu que sua amizade poderia estar em risco. Amigas não se beijavam, amigas não sentiam aquela carga de adrenalina correr por seu sangue apenas com um contato, amigas não sentiam ciúmes, amigas não se amavam daquele jeito.

"Sua mãe está vindo". Disse Santana recuperando a voz brevemente, cruzando os braços no tórax para tentar segurar-se.

"Ok". Respondeu Brittany mordendo o lábio inferior e assentindo com um balançar de cabeça. "Eu vou pegar minha mochila". Disse a loira caminhando de volta para a cozinha.

Santana sentiu o peso em seus ombros diminuir relativamente quando percebeu que Brittany estava recompondo-se aos poucos. A loira não estava com raiva ou magoada, pelo contrário, ela estava radiante e extasiada, o que fez Santana se perguntar se haveria outras vezes como aquela.

Brittany apareceu na sala mais uma vez com a mochila nos ombros e Santana espantou os pensamentos para concentrar-se na loira à sua frente. Os lábios não estavam tão vermelhos e inchados como há alguns segundos atrás, porém sua bochecha ainda estava corada. Santana sentiu as suas pernas agirem sem o seu consentimento e quando percebeu, já estava próxima de Brittany mais uma vez. "Eu vejo você amanhã?". Perguntou Santana cerrando os olhos e com a voz levemente dolorida. Seu coração bateu mais rápido enquanto esperava a resposta de Brittany e quando a loira formou um sorriso tímido nos lábios Santana não conseguiu não retribuir.

"Claro S".

• • •

Brittany pressionou o botão do térreo três vezes seguidas enquanto batia o pé no chão e cruzava os braços no tórax. A loira sabia onde Santana estava e de acordo com os cálculos de Quinn, elas talvez tivessem alguma chance de conseguir chegar à morena antes que acontecesse alguma coisa. Ela estava se martirizando por não ter pensado nisso antes. É claro que Santana iria para aquele lugar, onde tudo começou, pensou Brittany enquanto via a porta do elevador abrir à sua frente.

As duas garotas passaram correndo pela recepção sem tempo para despedir de Jeff que estava a essa altura com alguém no telefone. Brittany sentiu um frio na espinha quando imaginou Jeff ligando para o pai da morena e explicando o que estava acontecendo. A última coisa que ela precisava era de alguém para atrasá-la ainda mais.

Quinn destrancou o carro e Brittany foi a primeira a entrar, sem se importar em colocar cinto de segurança ou sentar-se direito. Seu coração estava batendo rápido e isso a assustava, pois ele nunca havia ficado desse jeito. As lágrimas não caiam mais em sua face, por mais que seus olhos estivessem ardendo, a loira assegurou-se que ficaria inteira.

Brittany virou o rosto para encarar Quinn a seu lado que se ajeitava no banco e estava com as mãos levemente trêmulas, o que estava causando-lhe dificuldade de encaixar a chave na ignição. A loira achava incrível como os papéis haviam sido trocados em meros segundos, onde ela estava relativamente controla e Quinn estava assustada. Relutou em descer do carro e tomar a direção, porém Quinn a impediu quando girou a chave e ligou o carro. Por costume o aparelho de som ligou junto com o veículo e quando Brittany levou a mão para desligá-lo os primeiros versos ecoaram no carro.

Cry alone, I've gone away

No more nights, no more pain

I've gone alone, took all my strength

I've made the change,

I won't see you tonight

Santana virou o rosto na direção do carro que estava logo atrás quando ouviu a estrofe de uma de suas músicas favoritas despertá-la de seu devaneio. Ela havia se esquecido de desligar o aparelho de som enquanto trazia o carro até a praça e não compreendia porque só aquela música estava mais alta do que as outras e estava fazendo o seu coração repuxar em dor e as lágrimas em seus olhos triplicarem. Talvez seja, porque a morena conhecia a música e sabia que o que ouviria a seguir, seria um mero relato de sua vida.

Sorrow, sank deep inside my blood

All the ones around me,

I cared for and loved

Brittany virou os olhos para Quinn assustada enquanto a música corria dentro do veículo. As dores recém escondidas haviam voltado com força, trazendo junto as lágrimas que estavam presas em seus olhos. Ela não queria ouvir aquela música, não quando estava encarando a verdade diante de seus olhos.

Building up, inside of me

A place so dark, so cold, I had to set me free

Don't mourn for me, you're not the one to place the blame

As bottles called my name, I won't see you tonight

Santana levou a mão ao peito automaticamente e o apertou tentando dissipar a dor que sentia. Era como se a melodia estivesse entrando em seu corpo, perfurando seus ossos e músculos, chegando em seu cérebro para alimentar-se de suas desgraças, para depois sair por um caminho muito mais doloroso e sussurrar em seu ouvido. Diante de seus olhos todas as cenas de ter deixado Brittany escapar de suas mãos estavam atormentando-a.

Sorrow, sank deep inside my blood

All the ones around me,

I cared for and most of all I loved

But I can't see myself that way

Please don't forget me or cry while I'm away

Ela precisava desligar o aparelho, mas todo o seu corpo estava travado. Os soluços, as lágrimas e as dores estavam sufocando todos os seus poros e sentidos. Sua força havia esvaído e a única coisa que ela conseguia fazer, era deixar-se mergulhar naquela ilusão enquanto o rosto de Santana corria por seus pensamentos. A loira apertou os olhos e colocou as duas mãos sobre o coração, apertando-a. Ela precisava de Santana, o mais rápido possível.

Cry alone, I've gone away

No more nights, no more pain

I've gone alone, took all my strength

But I've made the change,

I won't see you tonight

Santana tentou virar o corpo para levantar-se, mas estava fraca e cansada. Cansada de sentir dor, cansada dos seus pensamentos a torturando, cansada de viver. A morena mordeu o lábio inferior com força quando se lembrou de todas as vezes que Brittany havia chorado por ela. Era indescritível o olhar triste da loira e o que ele fazia com o seu corpo. Santana sempre entrava em transe e cada lágrima que caía, ela desejava que um buraco se abrisse em seus pés. A morena voltou a posição que estava antes da música começar e só então se lembrou do que repousava em sua coxa. O brilho reluzente do canivete a cegou brevemente.

So far away, I'm gone. Please don't follow me tonight.

And while I'm gone, everything will be alright.

Brittany abriu os olhos apressadamente quando Quinn parou o carro, sentindo sua alma queimar junto com as dores em seu corpo. A loira olhou ao redor e seu coração inchou quando percebeu que havia finalmente chegado ao local. Brittany saltou do carro às pressas atravessando a rua correndo sem saber se Quinn a estava seguindo ou não. Conforme se aproximava da entrada principal da praça, ela conseguia ver um carro próximo ao chafariz e sua respiração faltou quando ela constatou que era o carro de Santana. Suas pernas em vez de ficarem mais ágeis, elas bambearam. Sua visão estava ficando turva e conforme sentia o seu corpo corroer automaticamente, sentia o desespero a sufocar.

No more breath inside

Essence left my heart tonight

Santana ouviu ao longe os últimos versos da música. Seus olhos estavam hipnotizados no objeto que repousava agora em suas mãos. Ela o girou duas vezes até que o abriu. A lâmina reluzente fez um sorriso fraco nascer em seus lábios. Estava tão perto de acabar com toda aquela dor. A única coisa que ela precisava era fazer mais um movimento. Sua mão levou o objeto até o seu pulso esquerdo e parou alguns centímetros de distância da pele morena. Santana notou o local ao seu redor ficar mais vivo. As cores estavam mais intensas, os simples barulhos estavam mais audíveis e o ar estava mais leve. Ela levantou os olhos rapidamente para o chafariz à sua frente e em vez de encontrá-lo destruído, ele estava inteiro e jorrando água da mesma forma que se lembrava de quando era pequena.

"Santana!". A morena ouviu seu nome soar ao longe e o sorriso aumentou em seu rosto. Ela conhecia aquela voz e não sabia por que as sensações em seu corpo ao ouvir a voz de Brittany não estavam funcionando. A morena virou o corpo na direção da voz e viu uma criança pequena de cabelos loiros e longos correndo em sua direção. Ela franziu o cenho quando percebeu que a criança era Brittany e que havia outra pessoa atrás dela, ou melhor, uma criança morena com um sorriso largo na face estava tentando acompanhá-la, mas a loira era muito mais ágil e esperta.

"Santana". Ela ouviu a voz de Brittany gritar por seu nome mais uma vez e só então sua visão voltou ao normal. As duas crianças haviam desaparecido e quem realmente estava vindo em sua direção era Brittany e Quinn. Seu coração acelerou-se e as lágrimas começaram a cair mais rápidas. Seus músculos repuxaram e um calor perfurou seus ossos. Uma dor aguda formou-se em seu pulso atraindo a sua atenção e só então a morena tomou consciência do que havia feito. Não era um corte fundo e não estava sangrando como desejava, o canivete havia caído de sua mão quando ouviu a voz de Brittany ecoar em seus ouvidos pela primeira vez, causando um pequeno estrago na pele morena.

Santana voltou sua atenção para Brittany à sua frente mais uma vez quando ouviu o seu nome ecoar dos lábios trêmulos da loira. Ela não sabia de onde havia conseguido forças para levantar o seu corpo fraco e dar incertos passos na direção de Brittany. Seus braços abriram-se automaticamente e quando menos percebeu, o corpo de Brittany havia se chocado contra o seu. As dores haviam desaparecido, assim como o aperto em seu peito e o latejar em sua cabeça. Seus braços apertaram-se contra o corpo da loira e conforme sentia o odor da pele e do cabelo de Brittany tão próximos entorpecendo os seus sentidos, ela havia se certificado de que nem tudo estava perdido.

Brittany afastou-se do corpo de Santana apenas para pegar o rosto da morena em suas mãos e perder-se nas saudades. Santana foi a primeira que tomou iniciativa de aproximar o rosto para selar um beijo. Porém um simples contato com os lábios não era suficiente e Brittany forçou para intensificá-lo. Elas precisavam uma da outra, apenas para certificarem-se de que tudo iria ficar bem. As células de ambas estavam vibrando por falta daquele calor e daquela eletricidade. Ambas apertavam-se e deixavam as lágrimas caírem com força enquanto o beijo se intensificava. Eram tantas sensações que estavam correndo no corpo delas, que era impossível escolher uma só para descrever. Todos os sentimentos ruins e indesejáveis estavam indo embora.

Santana foi a primeira que se separou para procurar por ar. Seu corpo ainda estava fraco e mesmo que quisesse continuar com aquele beijo, precisava buscar forças antes. A morena encarou as íris azuis e o peso em seus ombros se desfez. Suas mãos foram automaticamente para a face macia da loira e a acariciou. As palavras não saiam de sua boca e Brittany estava tão perdida quanto ela. "Eu não posso perder você S". Sussurrou a loira com a voz embolada e fraca devida o incessante choro. "Você é tudo o que eu tenho e tudo o que eu sempre terei. Eu te amo". Completou Brittany sentindo todo o seu corpo arder quando as lágrimas na face da morena triplicaram. "Prometa que você não vai me deixar S. Por favor, prometa".

"Eu prometo". Respondeu Santana em um sussurro tão fraco quando o da loira à sua frente. Seu corpo todo explodiu quando avançou o rosto mais uma vez na direção de Brittany para tomar s seus lábios. A loira apertou-se ainda mais contra o fraco corpo de Santana, tentando de fato fundir os seus corpos, pois sabia que suas almas já haviam se unido há tempos, e por isso ambas estavam destruídas, porque uma não era nada sem a outra.

Santana separou o beijo mais uma vez quando sentiu uma queimação na pele próxima ao seu pescoço. Ela retirou uma mão da nuca Brittany e sentiu na ponta dos dedos a aliança esquentar sua pele. Com um movimento rápido e doloroso ela afastou-se do corpo de Brittany e levou as duas mãos à nuca para abrir o fecho do cordão. Ela precisava certificar-se de que não perderia e só havia uma forma de ter certeza. Brittany estava com um olhar curioso e seus olhos não conseguiam se afastar do intenso contato que Santana mantinha. A morena sentia que seu coração iria sair do seu corpo de tanta adrenalina que estava correndo em seu sangue para fazê-lo pulsar tão rápido.

O objeto descansou em sua mão enquanto o cordão caía solitário ao seu lado. Seus joelhos se dobram de modo que pudesse apoiar um no chão enquanto abaixava o seu corpo e segurava a mão esquerda de Brittany. A morena abriu um sorriso largo no rosto enquanto observava Brittany arregalar os olhos e tapar a boca com a mão livre.

"Eu não preparei um discurso B, porque não estava nos meus planos estar de pé uma hora dessas". Começou Santana sentindo o corpo da loira vibrar enquanto ela abaixava-se e colocava os joelhos no chão para ficar na mesma altura que a morena. "Eu não pretendia estar viva B, porque eu não consigo viver sem você. Eu nunca pensei que fosse ficar tão dependente de uma pessoa como eu sou de você". Confessou Santana segurando os soluços na garganta. "Eu te amo tanto que eu não consigo explicar e é até doentio. Você me salvou, diversas vezes, você me salvou. Salvou minha sanidade, minha esperança, meu amor, minha racionalidade e o mais importante, minha alma. Eu te amo B, desde o momento que você passou por aquele arco". Disse Santana fazendo um movimento de cabeça para a entrada principal da praça. "Eu amo cada parte do seu ser e se me dissessem que anjos existem, eu não discordaria, porque o que eu vejo em seus olhos e o que você me faz sentir é tão puro, que eu tenho medo de gastar palavras e você se desfazer em minha frente. Você me ensinou a viver e eu preciso de você para continuar seguindo em frente. Eu só preciso de você". Santana não conseguiu esconder os soluços e antes que perdesse forças para continuar, ela resolveu adiantar o monólogo enquanto puxava a mão de Brittany para mais perto do seu corpo e aproximava o anel do dedo da loira. "Brittany Susan Pierce, você me daria a honra de viver para sempre ao seu lado?".

Brittany estava em choque. Seu corpo estava transbordando em emoções na qual ela nunca havia sentido e a única forma que ela conseguia dissipar aquilo tudo era através das lágrimas que corriam e queimavam a pele de seu rosto. Seu coração estava contorcido em dor e o que Santana disse foi perfeito. Foram as palavras mais bonitas que ela já havia escutado na vida. Estava claro que ela também não era nada sem a morena e que queria viver a eternidade ao seu lado, disso não tinha dúvidas. Santana e ela haviam sido feitas para ficarem juntas, ela havia entrado em sua vida de uma forma tão inesperada e curiosa que se tornou a sua essência. Elas haviam passado por tudo juntas e infelizmente haviam se separado, mas em nenhum segundo o que sentiam havia sido abalado, pelo contrário, havia sido fortalecido, uma demonstração muda de que nem mesmo a distância era capaz de destruir o que elas haviam construído e por isso, Brittany não tinha dúvida da sua escolha ao pronunciar a palavra seguinte. "Sim".

Santana sentiu seu corpo em êxtase e passou delicadamente a aliança no dedo anelar da loira, observando o perfeito encaixa e contraste. Não teve muito tempo para analisar como havia ficado perfeito na mão de Brittany, porque a loira logo em seguida colocou as mãos na nuca de Santana a trazendo para mais um beijo.

Ambas sabiam que haviam acabado de selar uma promessa, um caminho que já não havia mais volta. Elas saberiam que encontrariam dificuldades conforme caminhassem, mas pelo menos estariam juntas. Elas teriam uma à outra para buscar ajuda e forças, porque no final, elas eram uma só. Uma só alma.

Fim.

Notas finais
Ai gente, não acredito que terminei. Meu coração tá despedaçado por saber que eu não vou vir aqui mais toda semana e "ver" todos vocês. Adorei esse tempo todo que nós passamos juntos e torço para que vocês continuem me acompanhando nas próximas fanfics que virão, ainda mais na future Brittana que irei começar daqui alguns dias, porque eu realmente estou precisando colocar a cabeça no lugar. Então, despedidas são sempre dolorosas e eu nunca consigo sair inteira de uma e por isso nem sei o que falar direito, mas eu espero sinceramente que tenham gostado. Agradeço muito o carinho e o apoio de todos, do fundo do sz. E bom, eu comecei a escrever um epílogo para Save My Soul que postarei provavelmente no final de semana, então ainda vamos ver mais um pouquinho das duas e de como elas seguiram em frente. Fechar com Avenged e ainda mais com essa música é tenso né? Gostaram do pedido de casamento? Essa parte já estava pronta desde o capítulo cinco! UHEUEHEUHEUEHEUEHUHEU.Um grande beijo,
Carol.