Save My Soul

11 Garter Belt


Save My Soul

CGates

Chapter#11

Uma brisa fria e silenciosa passou pelas cortinas brancas dançantes do quarto do hotel fazendo a pele da morena adormecida arrepiar. O cobertor encontrava-se jogado no chão e não havia calor humano próximo ao seu corpo para aquecê-la e por esse estranho detalhe, Santana despertou.

A morena tateou de olhos fechados o espaço vazio ao seu lado e com muita dificuldade, devido a forte claridade que cercava o cômodo, conseguiu abrir um olho para analisar o local em que se encontrava. As camas estavam todas desarrumadas e vazias. Quer dizer, todo o cômodo estava vazio. Com muito esforço, sentou-se na cama e procurou afastar as mechas escuras de sua face. Apesar de ter o sono leve, não recordava de ter escutado movimentações ou conversas. Surpreendeu-se por não ter sentido Brittany ter se afastado de seu corpo para levantar e o que era mais preocupante, a loira não lhe acordou. Talvez ainda esteja magoada pelo o que aconteceu ontem a noite.

Santana massageou as têmporas e tentou afastar as últimas imagens que correriam em sua cabeça. Fora estúpida o suficiente para ter magoado Brittany mais uma vez e só percebeu isso quando voltou do banheiro e notou a loira deitada na mesma posição que deixara, com os olhos banhados em magoa. A morena tentou reverter a situação, mas Brittany disse que estava cansada e Santana não soube dizer se a loira estava referindo-se ao cansaço físico ou emocional. Mesmo assim, a morena a abraçou pelas costas antes de dormir e agradeceu internamente por Brittany não ter afastado; pelo contrário, a loira respondeu ao toque e permitiu-se relaxar nos braços da morena.

"É melhor você ir fazer o desjejum logo". Resmungou uma voz rouca atrás da morena arrancando-a de seus devaneios. Santana virou o corpo e encontrou Quinn passando pela porta do quarto e depositando o casaco sobre o sofá. A loira cruzou os braços no tórax quando Santana levantou-se cambaleando e apoiou-se na cabeceira da cama. "Você fez de novo não é?".

A morena engoliu seco e sentiu a saliva descer cortante em sua garganta. Seu estômago embrulhou e seus olhos queimaram. Tanto tempo que não tomava os remédios fortes de sua mãe para dormir, que acabara esquecendo os efeitos colaterais. "Não é da sua conta". Respondeu a morena tentando voltar à postura rígida, sem sucesso.

"Onde estão todas?". Perguntou Santana limpando a voz, fazendo Quinn entender que a palavra 'todas' referia-se à apenas uma pessoa.

"Rachel e Kurt saíram para tomar café; Tina, Lauren, Mercedes, Mike, Sam e Brittany foram conhecer a cidade". Respondeu Quinn aproximando-se e sentando na borda de sua cama enquanto retirava o nécessaire da bolsa e pegava a escova e pasta de dente. "Você não deveria ter agido daquele modo ontem a noite S. Você não imagina como magoou a B e a envergonhou".

Santana sentiu as palavras de Quinn perfurar a sua alma e o peso em seus ombros intensificou-se. Sabia o quão idiota havia sido, mas ouvir a verdade dita por outra pessoa tornava a situação ainda mais difícil. Não sabia como iria rebater com Quinn e não sabia nem se deveria fazê-lo, afinal a loira estava certa. "Ela falou alguma coisa?". Perguntou a morena encarando o chão e torcendo para que um buraco se abrisse e a engolisse.

"Você a conhece, não está demonstrando nada, mas está sofrendo em silêncio". Quinn levantou-se e passou por Santana, caminhando até o banheiro para fazer sua higiene pessoal. "Por que você sempre tem que fugir das coisas mais simples? O que iria custar você agir normalmente?".

A morena seguiu Quinn escorou no batente da porta enquanto a loira encarava-se no espelho acompanhando o olhar da morena pelo reflexo. "Eu não fujo Q. Achei que você, mais do que ninguém, já deveria saber disso". Respondeu Santana sustentando o olhar com a loira. "Pelo amor de Deus Q. Nós namoramos e já está falando de casamento? Desde quando isso é possível? As coisas já não estão difíceis o suficiente agora?". Exasperou a morena entrando no banheiro e sentando-se na borda da banheira.

"Por que será difícil?"

A morena soltou um riso abafado e balançou a cabeça negativamente. "Se você pelo menos quisesse ficar com a Berry, entenderia o que eu quero dizer". Respondeu Santana com a voz carregada de ironia.

Finalmente a morena conseguiu acertar o Calcanhar de Aquiles de Quinn. As bochechas da loira adquiriram um tom rosado e seus lábios tremeram. Quinn vacilou em sua postura e desviou os olhos de Santana. "Não tente mudar de assunto S". Resmungou a loira com a voz ainda mais rouca e falha.

Uma melodia suave ecoou no cômodo e a morena sentiu seus batimentos acelerarem. Não precisou olhar no visor do celular para saber quem estava ligando, a melodia personalizada que fizera para quando àquela pessoa ligasse respondia qualquer dúvida. Abriu o aparelho e reconheceu a voz doce do outro lado da linha, que estava um pouco inaudível pelo barulho de pessoas conversando. "Bom dia". Saudou Brittany arrancando um sorriso da morena.

"Oi". Respondeu Santana timidamente, sem saber como agir depois do choque de consciência. "Senti falta de acordar ao seu lado".

"Tive muito trabalho para você não acordar". Confessou Brittany.

"Por que B? Você não quer a minha companhia?". Perguntou Santana com a voz falha. Um pequeno aperto formou-se em seu peito e a morena vacilou em querer ouvir a resposta de Brittany.

"Não S. Você estava tão tranqüila dormindo que eu fiquei com pena de te acordar". Respondeu Brittany com a voz brincalhona, o que de certa forma acalmou a morena. "Mas o mais difícil foi sair do seu abraço".

"Você não precisava". Retrucou Santana caminhando até a varanda para ter um pouco mais de privacidade. "Se você quiser, nós temos o quarto livre".

"Eu prometi para Tina e Mercedes que viria com elas. Me desculpa S". Respondeu Brittany magoada e Santana tentou contornar a situação mais uma vez, mas é impedida pela loira que continua. "Você vem se encontrar comigo?".

"Onde vocês estão?"

"Mercedes disse que Quinn sabe. Ela, Puck e Finn ficaram de nos encontrar aqui". Respondeu a loira fazendo a morena distinguir a voz no fundo de Mercedes e Tina.

"Espere por mim".

"Sempre".
• • •

Ainda cedo as ruas de New York já estavam agitadas com pessoas de diferentes nacionalidades passando correndo e esbarrando uma nas outras apenas para conseguir chegar ao seu destino. Os carros já buzinavam freneticamente e o engarrafamento já estava presente. Era como se a cidade nunca dormisse e vivesse em um ritmo frenético e alucinante. Como acostumar-se com uma rotina desse tipo? Acordar, comer alguma coisa para enganar o estômago, enfrentar uma longa fila de táxis ou de pessoas, trabalhar dezesseis horas por dia e voltar para casa, apenas para descansar algumas horas até voltar à correria.

Santana ficava tonta apenas de olhar as expressões cansadas no rosto das pessoas e já havia decidido que por mais viciante que New York seja não a escolheria para viver sua vida. Não queria entrar em uma rotina.

A morena perdeu as contas de quantas vezes sentiu o seu braço quase ser arrancado pelas pessoas que passavam apressadas ao seu lado e por mais que tivesse vontade de estrangulá-las, sabia que não era proposital. O que tornava a sua caminhada ainda mais insuportável era o assunto do Puck e Finn. Os rapazes não paravam de falar de vídeo-games e mulheres, era desagradável quando algum deles pedia a opinião da morena. Quinn é claro gargalhava das expressões faciais de Santana que tentava não dar continuidade ao assunto por mais tentador que seja e precisou conter o desejo de acompanhar com o olhar todas as vezes que Puck apontava alguma mulher bonita.

Santana precisou lembrar Quinn que se ela estava decidida a continuar com as gargalhadas a morena podia colocá-la na conversa também, afinal, todos ali gostavam da mesma coisa. Não precisou dizer duas vezes; Quinn logo assentiu e ajudou-a mudar de assunto. Finn perguntou algumas vezes sobre Rachel e Santana conseguiu ver a irritação nos olhos de Quinn e até mesmo Puck percebeu. A morena tratou de responder rapidamente, não queria que o moreno começasse com um interrogatório.

"Meu Deus Q. Eu já estou andando há uma hora. Onde eles estão? No México?". Exaltou Santana enquanto desviava de alguns vendedores ambulantes segurando firme em sua bolsa. Puck e Finn estavam logo atrás, como se fossem seguranças ou pior, namorados. Essa última possibilidade fez o estômago da morena revirar em recordar que de certa forma, os dois já haviam ocupado esse posto tanto com Santana quanto com Quinn.

"Eles então no Central Park, já estamos chegando S. Pare de reclamar por favor". Respondeu Quinn caminhando ao seu lado desviando a atenção por alguns segundos procurando alguma coisa interessante.

Quinn parou de caminhar e Santana revirou os olhos. Era a milésima vez que a loira parava para analisar as vitrines e não comprava nada, atrasando apenas ainda mais. A morena parou ao lado de Quinn e analisou as peças de roupas estendidas na vitrine e que eram realmente belas peças e estavam em um ótimo preço. Precisou confessar que estava sendo difícil ficar apenas parada analisando-as; era possível sentir sua mão coçando para experimentá-las.

A loira foi a primeira a passar pela porta e Santana a seguiu sabiamente. "É rápido S, eu prometo. Eu fiquei de comprar alguma lembrança para minha mãe". Explicou Quinn revirando os cabides de vestidos enquanto Santana caminhava até a outra estante e analisava as blusas decotadas. A morena desviou o olhar para certificar-se de que Puck e Finn não haviam se perdido e surpreendeu-se quando observou os dois rapazes analisando algumas roupas masculinas.

Santana voltou sua atenção às peças de roupa à sua frente e não pensou duas vezes em levar pelo menos uma peça, o que acabou sendo sete, uma é claro para Brittany, já que a morena conhecia os gostos da namorada e tinha certeza que o momento em que a loira visse as peças de roupas novas, iria perguntar se havia alguma para ela. Esse pensamento abriu um leve sorriso nos lábios de Santana e a morena mal percebeu que estava debruçada em um balcão de vidro, com vários acessórios de ouro, como cordões, pingentes, pulseiras, brincos.

O dourado brilhava intensamente como se estivesse ligado a alguma luz e Santana não conseguia determinar qual era o mais bonito. Os brincos eram maravilhosos, tanto os mais extravagantes quanto os mais simples. Cada pingente parecia irreal de tão perfeito. Seus olhos brilhavam conforme analisava cada acessório até que um deles chamou a sua atenção em especial.

A princípio, a morena julgou ser um anel e apenas depois de ter dado mais atenção conseguiu determinar um anel de noivado. Sua boca secou e seu corpo travou, mas não por insegurança ou pelo constrangimento que havia ocorrido há poucas horas atrás, e sim porque era o acessório mais maravilhoso que havia visto em sua vida. A aliança possuía uma pedra azul-clara no centro que a morena julgou ser Águas-Marinhas, uma de suas pedras favoritas, depois de Safira. O contorno da aliança não era o oficial, ela possuía vários detalhes que lembravam ondas do mar, possuindo entre as ondas resquícios de ouro branco. Era simplesmente hipnotizante.

O que mais a impressionava era que as íris de Brittany possuíam o mesmo brilho e a mesma cor da pedra central. Era como se estivesse nesse exato momento encarando a loira, sendo possível descrever todos os traços de suas feições com exatidão e perfeição. Permitiu-se por um momento imaginar a expressão de surpresa, espanto e alegria de Brittany caso aparecesse com aquele acessório. Permitiu-se também ir mais à frente e descrever como aquele simples anel a mudaria completamente, dando-lhe um sentindo de segurança e felicidade jamais sentida. A loira ficaria simplesmente perfeita com aquele singelo acessório. E para a sua surpresa não sentiu medo, pelo contrário, uma curiosidade inundou o seu corpo quando não conseguiu ir mais adiante, porque não sabia exatamente como seria e descobriria apenas se presenciasse o futuro mostrado.

"O que você está fazendo?". Perguntou uma voz rouca ao seu lado, fazendo-a abrir os olhos rapidamente sem ter certeza de quando havia fechados e encarar a loira ao seu lado. Santana estava ofegante e com as bochechas coradas como se fosse uma criança e tivesse sido pega fazendo alguma coisa imprópria.

Precisou buscar uma resposta rápida para Quinn, porque querendo ou não a loira conhecia-a muito bem e não podia inventar qualquer história. "Eu estou faminta Q. Vocês, praticamente, me arrastaram para fora do hotel e não consegui fazer o desjejum".Gesticulou Santana passando a mão sobre a barriga e franzindo a testa.

"Você estava sorrindo S". Indagou Quinn desviando a atenção quando Santana encarou, brevemente, o balcão abaixo. A loira encarou as jóias e a morena sentiu seu coração acelerar sem saber exatamente o porquê.

"Vocês querem experimentar alguma delas?". Perguntou uma atendente caminhando até o balcão e posicionando-se no meio de Santana e Quinn. A morena agradeceu mentalmente a chegada da mulher, porque não teria como Quinn terminar com o interrogatório. O desafio seria fazer esquecê-la do assunto pelas próximas horas.

"Estamos dando uma olhada apenas. Vamos levar apenas essas aqui". Respondeu Quinn apontando para as peças em sua mão e na da morena ao seu lado.

A assistente assentiu e gesticulou para que a seguissem até a fila do caixa. Santana entregou as suas peças para Quinn e gesticulou para que ela pudesse ir à frente já que iria olhar as jóias. A loira assentiu e seguiu a mulher enquanto ajeitava as peças em sua mão certificando-se que nada misturasse.

Sem esperar pelo afastamento da amiga, Santana voltou a sua atenção à aliança que a havia, de fato, inibido o seu medo dando lugar a um futuro que por mais incerto que seja, poderia ser extremamente adorável vivenciá-lo. A morena procurou por algum atendente desocupado e agradeceu quando observou um vindo ao seu encontro.

"Pois não senhorita?". Perguntou o jovem rapaz com um sorriso cordial. Santana conseguiu ler as entrelinhas e o sorriso maroto do moreno.

"Eu gostaria de olhar esta aqui". Pediu Santana com a voz firme e vacilante. Nunca em sua vida pensou que estaria em uma loja analisando alianças de noivado já que esse pensamento até ontem a levaria a loucura. Nunca sentiu tanta determinação e certeza sobre suas escolhas como naquele momento. A morena engoliu um comentário irônico quando o rapaz arqueou as sobrancelhas enquanto pegava a aliança e entregava-a.

Santana sentiu sua mão tremer quando pegou o objeto. Era diferente de tudo que havia tocado e por mais ridículo que soasse, aquela simples aliança transmitia tantos valores e sentimos de uma só vez que a fez sentir-se enjoada. Uma onda elétrica correu por seu corpo conforme manuseava o acessório em seus dedos. Novamente a imagem da felicidade de Brittany ecoou em sua mente e a fez desligar-se momentaneamente da realidade ao seu redor. Conseguiu sentir a ansiedade do desejo de poder realizar de uma vez por todas, todos os sonhos da loira e entregar-lhe a felicidade que tanto prometera por todos esses anos. Era a escolha certa a se fazer e seria sem medo ou qualquer outra estupidez. Estava apenas a um passo.

"E então?". Perguntou o atendente após alguns minutos em silêncio.

"Eu vou levá-lo". Respondeu Santana autoritariamente entregando a jóia de volta para o rapaz. A morena arqueou a sobrancelha quando o rapaz a olhava intrigado enquanto guardava a aliança em uma caixinha vermelha de veludo. "Algum problema?".

O atente engoliu seco e abriu um sorriso tímido. "Desculpe-me senhorita. Se não for muito ousadia de minha parte, você será madrinha de casamento ou alguma coisa do tipo?".

"É muita ousadia sim". Respondeu Santana cruzando os braços no tórax contendo um sorriso malicioso por visualizar a expressão envergonhada do rapaz. "E não, eu não serei madrinha de casamento". Completou enquanto retirava a carteira do bolso e agradeceu por andar sempre com o talão de cheque que seu pai havia lhe dado há algum tempo atrás. Sabia que o dinheiro seria retirado da conta do médico e faria questão de paga-lo com o dinheiro que havia guardado por tanto tempo, sem se preocupar por ter que gastá-lo todo. Precisava apenas colocar uma data e faria a transferência do dinheiro um dia antes da cobrança. Ele não iria nem perceber a alteração em sua conta.

Sentia-se confiante o bastante enquanto assinava o cheque. A ansiedade exalava de seu corpo e estava controlando-se para não deixar um sorriso formar-se em seu rosto; não queria transparecer a sua vulnerabilidade. Entregou-o ao atendente e logo pegou a caixinha de veludo. Seu coração acelerou-se ainda mais quando a guardou dentro da bolsa, escondendo-a para que ninguém a encontrasse ao acaso.

Precisou treinar sua famosa cara de desinteresse e impaciência quando ficou ao lado de Quinn na fila. Não falaria disso para ninguém, afinal, ninguém precisava ter conhecimento da sua vida pessoal.

Encenou alguns resmungos sobre a fila demorar e sobre os garotos que ainda estavam experimentando as roupas sabendo que nenhum deles as levaria já que estavam com dinheiro contado para comprar jogos.

"Escolheu algum cordão ou pulseira?". Perguntou Quinn enquanto apoiava-se no balcão do caixa e o rapaz passava o seu cartão de crédito.

"Não encontrei nada de interessante". Respondeu a morena no caixa ao lado, retirando as cédulas de sua carteira e entregando para o caixa.

Quinn recolheu as sacolas e o cartão e caminhou até Santana que ajeitava as sacolas em seu antebraço. "Podemos ir agora". Afirmou a loira com um sorriso amistoso e irônico fazendo a morena revirar os olhos e caminhar a sua frente puxando o braço de Puck. O rapaz arregalou os olhos e jogou o casaco que experimentava sobre o sofá de couro da entrada e Finn correu para acompanhá-los logo atrás.

Santana soltou o braço de Puck quando Quinn aproximou-se com Finn ao seu lado. "Por que a pressa?". Perguntou Finn levando a mão à cabeça confuso.

"Porque se a Fabray entrar em mais uma loja eu vou arrancar as pernas dela". Respondeu Santana rudemente fazendo Puck exaltar e dar um tapa leve em seu ombro de aprovação.

"Você está extremamente insuportável Lopez". Retrucou Quinn cerrando os olhos para Puck e Santana ao seu lado. "Quer dizer, você sempre foi".

"Obrigada Q". Alfinetou Santana com um sorriso sarcástico nos lábios, fazendo o possível para irritar ainda mais Quinn. Puck e Finn reprimiram um riso quando Quinn os encarou séria fazendo até mesmo Santana sofrer oscilações com o olhar pesado da loira.

A morena não soube por quanto tempo andaram já que sua atenção estava em um ponto muito além da realidade à sua volta. Inúmeras maneiras de levar o seu relacionamento a outro nível ecoavam em sua mente. Todas as cenas, que julgava serem ridículas de pedido de casamento em filmes e séries de televisão passavam em flash na frente de seus olhos; não queria montar uma peça para Brittany, queria que tudo fosse o mais natural possível. Apenas o fato de entregar a aliança à loira demonstraria um nível de maturidade e responsabilidade, por que não podia ser simples assim?

Quinn finalmente virou a última esquina dando direto na entrada principal do Central Park. Santana sentiu os seus batimentos acelerarem e o peso da caixa de veludo em sua bolsa pesar. Podia parecer estranhamente surreal, mas a morena jurava que conforme andava pelo parque, o cheiro doce de Brittany tornava-se mais intenso. Jurou estar ficando louca e culpou a ansiedade por isso, se não estivesse sentindo o peso do mundo em suas costas não estaria tendo todas aquelas alterações.

Conforme caminhavam, os quatro olhavam para todos os lugares fascinados com a beleza do local. Lima jamais tivera e jamais terá um local agradável quanto este com crianças brincando na grama, pessoas sentadas lendo livros e jornais, casais namorando e conversando sob as árvores.

Finn foi o primeiro a ver o grupo de oito pessoas risonhas sentados na grama com casacos jogados ao lado. Santana arqueou uma sobrancelha e encarou Quinn ao seu lado; não compreendia o motivo de Rachel e Kurt estarem ali, porque pelo o que Quinn lhe contara, os dois haviam saído cedo para seguirem outro caminho em NYC. A morena conseguiu observar o nervosismo da amiga, afinal, Rachel acabara de retribuir o olhar da forma mais calorosa e sedutora possível. Santana arqueou uma sobrancelha e tratou de tirar as imagens da cabeça o mais rápido possível, não queria passar mal na frente dos outros.

Santana procurou por Brittany e encontrou a loira encostada com as costas em uma árvore dividindo um fone com Mike. Provavelmente os dois estavam conversando sobre novos passos de música para as Nacionais. Finn apressou o passo e sentou-se ao lado de Sam, fazendo o possível para ficar distante de Rachel. Puck caminhou até Lauren e Quinn sentou-se ao lado de Mercedes que coincidentemente estava sentada ao lado de Rachel. Santana aproveitou para caminhar até Brittany enquanto Mike a encarava e cumprimentava-a com um pequeno aceno de cabeça levantando-se para dar privacidade às duas. Brittany levantou a cabeça para despedir-se do rapaz e notou a presença da morena sendo incapaz de segurar um sorriso.

A morena sentou-se ao lado da loira e encostou os lábios em sua testa deixando um beijo demorado. Brittany afastou-se da árvore para que Santana pudesse encostar sua costa e envolver a loira em um abraço, fazendo-a descansar a cabeça em seu colo. "Você demorou S". Choramingou Brittany deixando um rápido beijo em seu pescoço enquanto voltava a ajeitar-se nos braços de Santana.

"Q nos fez visitar todas as lojas de NY". Explicou Santana afagando os cabelos loiros que caíam pela costa de Brittany enquanto a mesma brincava com suas mãos entrelaçadas.

"E tem alguma coisa para mim?". Perguntou Brittany formando uma careta. Santana soltou um sorriso por ter adivinhado antecipadamente que a loira perguntaria aquilo.

"É claro B". Respondeu Santana depositando outro beijo na testa da loira segurando-se para não avançar mais. "B, vamos dar uma volta?". Sugeriu Santana quando leu nos olhos da namorada que ela queria mais contato assim como a morena.

Não precisou pedir duas vezes e Brittany já estava levantando-se e esticando a mão para que Santana a acompanhasse. A morena segurou suas sacolas de compra e as deixou com Quinn avisando-a que já voltava, recebendo um olhar curioso de todos os amigos do clube do coral e revirou os olhos quando Kurt as alertou para não fazerem nada que as fizessem ir para a cadeia.

Brittany pelo visto já havia rodado todo o parque, porque era ela que estava guiando a morena. Santana relaxou quando percebeu que o número de pessoas estava diminuindo, porque não estava agüentando mais os olhares curiosos que recebiam quando passavam por adultos ou idosos. Por incrível que pareça, no local que Santana pensou que haveria mais pessoas, estava praticamente vazio, e as poucas que possuíam estavam mais preocupadas com seus livros do que com as duas garotas que passavam de mãos dadas.

Santana reconheceu de imediato onde estava. Era um dos locais mais visitados do Central Park, The Proud. Era estranho ter poucas pessoas por perto já que esta ponte possuía tantas histórias, com direito à gravações de séries de televisões e filmes.
Brittany sentou-se em um dos quatro bancos de madeira que ficavam de frente para a ponte trazendo Santana para perto de seu corpo e rodando um braço por sua cintura. A morena aconchegou-se no abraço de Brittany e permitiu-se relaxar nos braços da namorada; não era hora de esconder a sua vulnerabilidade, ainda mais depois da discussão passada na noite anterior. Um nó formou-se em sua garganta quando relembrou do sofrimento que causara em Brittany e não só dessa vez, mas de todas as outras vezes que agira estupidamente por temer algo que julgava ser tão simples e correto.

Santana afastou a cabeça do ombro de Brittany para poder encarar suas íris azuis. Precisava olhar em seus olhos e mostrar o que diria seria verdadeiro. A loira abriu um sorriso fraco quando a morena entreabriu os lábios para falar, sem sucesso. O som não saía de seus lábios e sentiu suas mãos suarem e tremerem. O que diabos está acontecendo?, retrucou a morena.

"Eu te perdôo S". Adiantou Brittany indo direto ao assunto. Não era tão inteligente quanto todos queriam, mas entendia Santana. Era possível lê-la apenas por um sorriso, um revirar de olhos, um toque, um beijo. Era como se estivesse ligada a uma parte da morena e por isso conseguia sentir tudo o que vinha dela em doses triplas. Sua mão caminhou em direção à face rubra de Santana e a acariciou. "Eu disse que vou te esperar. Sempre". Completou a loira refazendo a fala que havia dito algumas horas atrás no telefone.

"Eu estou me sentindo um lixo B. Não é a primeira vez que isso acontece e eu sempre digo que vou melhorar, em vão é claro". Soltou Santana finalmente falando às pressas como se cada palavra queimasse em sua boca e precisasse ser dita rapidamente. Instintivamente, a morena levou a mão sobre a da loira que repousava em sua face e a apertou. "Mas dessa vez eu prometo". Continuou Santana afastando-se de Brittany, sentando-se no banco e virando para a loira. "Eu prometo que será diferente. Você terá tudo àquilo que você merece". Seu coração acelerou-se e de repente, Santana percebeu que essa seria o melhor momento para mostrar que havia amadurecido o suficiente para merecer Brittany. "Eu amo você, como jamais amei alguém". Completou Santana afastando a mão de Brittany de seu rosto e entrelaçando-a com a sua.

Antes mesmo que Santana pudesse levar a mão à bolsa para poder concluir o seu propósito, Brittany a surpreendeu com um beijo ardente. A loira enlaçou o pescoço da morena e procurou intensificar ainda mais o contato colando ainda mais seus corpos. Santana que estava esperando há tempos por mais contato não se preocupou em adiar apenas um pouco os seus planos, afinal, como conseguiria se afastar de Brittany que estava fazendo um ótimo trabalho com sua língua?

Santana levou as mãos à cintura de Brittany e apertou-a. Estivera por tanto tempo controlando-se para não forçar as coisas já que Brittany estava com os pontos que um simples beijo estava fazendo a temperatura local aumentar. A morena pensou brevemente em fazer o que Kurt havia alertado e só de pensar na hipótese, Santana sentiu sua excitação aumentar ainda mais, já que sexo em lugar público sempre fora um de seus fetiches favoritos.

Um toque mais ousado fez a morena soltar um gemido rouco e baixo no meio do beijo. Santana deixou suas mãos deslizarem pela lateral do corpo da loira e entrar sob a blusa justa que a loira usava, sentindo a pele quente e macia queimar a ponta de seus dedos. Dessa vez foi Brittany que não conseguiu conter um gemido quando sentiu o contato com a pele morena.

A loira separou os lábios com certa dificuldade para retomar o ar em seus pulmões dando Santana a visão privilegiada de seu pescoço que se dirigiu imediatamente para a pele branca que almejava tanto por seus lábios. Santana sugou o pescoço de Brittany e seguiu caminho até seus lábios novamente como se alguma força estivesse a puxando diretamente.

Nenhuma das duas sabia se conseguiriam parar muito menos se queriam parar, já que estavam há tanto tempo privadas de contato intimo. Por sorte, ou talvez não, o telefone de Santana tocou quando a morena estava seguindo caminho com as mãos em direção ao zíper da calça jeans de Brittany. A loira foi a primeira a se afastar com o susto e com o constrangimento quando percebeu que tinham platéia: um grupo de meninos que estavam passando havia parado para observá-las. "Vocês perderam alguma coisa aqui?". Perguntou Santana cerrando os olhos para os meninos em sua frente.

"Nós queríamos saber se vocês estão precisando de alguma ajuda". Respondeu o menino do meio que aparentava ser o 'líder'. O rapaz atraiu a risada do grupo e Santana teve que controlar-se para não atirar o seu celular que continuava tocando irritantemente no rapaz.

"Eu não acho que trinta segundos seja ajuda". Retrucou Santana levantando-se e estendendo a mão para Brittany mantendo o contato visual mortífero com rapaz. A morena conseguiu notar a ira nas íris castanhas e não conteve um sorriso sarcástico enquanto afastava-se com Brittany. "Eu tenho certeza que seus amigos podem te dar uma mão". Completou a morena virando-se pela ultima para encará-lo que estava com o rosto vermelho e estático.

Santana voltou sua atenção para Brittany e ficou satisfeita por ver um sorriso na face de Brittany; sempre se sentia satisfeita quando defendia Brittany e mostrava o seu valor para a loira. Seu braço logo passou pela cintura loira trazendo-a para mais perto, fazendo-a passar um braço pelo seu ombro.

Estava quase se esquecendo do motivo de terem sido interrompidas quando seu celular voltou a tocar. A morena franziu o cenho quando Brittany adiantou-se e o atendeu; talvez a loira houvesse percebido, como sempre, o quanto àquilo estava-a irritando.
Santana arqueou as sobrancelhas quando Brittany pronunciou poucas palavras e desligou o telefone. Havia sido a conversa mais curta que presenciara. "Q disse que temos que voltar para o hotel agora, Mr. Shue estará lá em uma hora para uma reunião sobre as Nacionais". Explicou Brittany guardando o celular na bolsa da morena novamente.

"Onde eles estão?"

"Q disse que nos encontramos no hotel". Respondeu a loira arqueando as sobrancelhas. "Como nós vamos chegar rápido assim S? Eu não estou com vontade de correr agora". Disse Brittany docemente atraindo um sorriso da morena. A ingenuidade de Brittany era uma das qualidades favoritas de Santana.

"Você sempre quis andar de táxi não é B?"
• • •

Vinte minutos. Era o tempo que faltava para Mr. Shue chegar ao quarto dos rapazes para ter a reunião com todo o grupo e debater as músicas e as coreografias para as Nacionais. Santana olhou as horas mais uma vez no seu celular antes de desembarcar, separando o dinheiro da corrida. Brittany já havia descido e estava esperando na calçada, olhando para os dois lados temendo a chegada imprevista do professor. A loira estava sentindo-se terrivelmente culpada por ter aceitado desrespeitar as regras do Mr. Shue. Eles deveriam ter ficado no quarto preparando-se para o dia seguinte. Todos se esforçaram o suficiente para ter o mérito de conseguir uma colação no ranking.

Santana segurou na mão de Brittany e atravessou às pressas o lobby seguindo direto para os elevadores. A morena precisou desligar o seu celular durante o caminho, não estava agüentando mais receber mensagens de Quinn alertando-as para não demorarem. Todo esse protecionismo de Quinn estava deixando Santana irritada, a morena sentia falta do tempo que Quinn não se importava tanto assim, apesar de ter que admitir que certas vezes essa 'nova Quinn' havia tornado a sua amizade um pouco mais suportável e até mesmo enjoativa.

Brittany empurrou a porta do quarto que estava entreaberta e deparou-se com todo o grupo do coral reunido. Mercedes deu espaço no sofá para que as duas pudessem sentar-se já que Santana havia abraçado firmemente o sedentarismo. A morena prendeu o cabelo em um coque e analisou com mais delicadeza os amigos sentados no quarto enquanto retirava o casaco e colocava-o sobre suas coxas, repousando uma de suas mãos na cintura da loira.

"Onde diabos vocês estavam?". Rachel foi a primeira a estourar levantando-se da cama que dividia com Kurt e caminhando em direção ao casal. "Vocês já imaginaram o que aconteceria se o Mr. Shue chegasse alguns minutos antes do combinado e não as encontrassem aqui? Nós seríamos punidos, porque claro, alguém acabaria dizendo que todos nós saímos juntos e nossas chances para as Nacionais chegariam ao zero, já que não teríamos tempo, muito menos ânimo".

"Pelo amor de Deus Berry, cale a boca antes que eu faça isso por você". Cortou Santana revirando os olhos. "Não há um sinal do Mr. Shue para você estar...". Santana perdeu-se em sua fala quando a porta do quarto é aberta e um Mr. Shue radiante passa por ela fazendo todos do grupo do coral firmar a postura temerosamente.

"Então pessoal, o que vocês têm para me mostrar de novo?". Perguntou o professor caminhando para o meio do cômodo encarando cada um dos seus alunos presentes. Brittany apertou a mão de Santana em sua cintura atraindo a atenção da morena que fez um breve movimento com a cabeça tentando confortá-la.

"Mr. Shue, nós estamos tentando, mas inspiração não é algo que aparece em um estalar de dedos". Respondeu Kurt um pouco rude enquanto alisava os fios castanhos de seu cabelo curto.

"Eu entendo Kurt, mas sempre que esforçamos conseguimos um bom resultado e estou vendo que vocês não estão nem tentando". Retrucou Mr. Shue andando pelo cômodo encarando os rosto corados parando especialmente em Rachel. "Até mesmo você Rachel, eu estou terrivelmente desapontado". Completou.

Santana arqueou as sobrancelhas quando observou Quinn mexer-se ao lado de Tina como se a loira quisesse levantar e caminhar até Rachel procurando de alguma forma afastar o que a estava fazendo encolher-se em um pequeno abraço individual. Imediatamente, a morena olhou para a loira ao seu lado que estava em uma posição parecida a de Rachel; a diferença era que os braços de Santana estavam ao redor de seu corpo, acariciando a pele macia e branca de seus braços. Era impossível negar que Santana e Quinn eram de certa forma parecidas, pois um sentimento de proteção logo tomou a morena, fazendo seu peito encher e se caso não fizesse alguma coisa rápido sabia que explodiria.

Instantaneamente a morena trouxe Brittany para mais perto e acariciou os fios loiros enquanto a cabeça de Brittany recostava-se no tórax da morena acompanhando fielmente o subir e o descer de sua respiração.
"Voltarei daqui uma hora com as vestimentas de vocês e quero ver pelo menos um verso pronto". Ordenou o professor ajeitando o colete preto sobre a blusa social.

Assim que a porta do quarto fora fechada Rachel foi a primeira que levantou e caminhou até a pequena mesa do lado da cama de Sam pegando uma caneta e um caderno em branco. Aos poucos, todos os alunos, exceto Santana e Brittany já que estavam concentradas demais uma na outra, imitaram a pequena.

Os rabiscos de caneta e amassos de papel eram os únicos barulhos escutados no cômodo. As únicas que estavam afastadas da pressão e do cansaço mental eram uma loira e uma morena que se ocupavam acariciando todo o corpo uma da outra como se fosse feito de um material diferente e viciante que causasse a curiosidade em ambas. A loira deslizou a mão na barriga da morena sobre a blusa, sendo possível visualizar o quão difícil estava sendo suportar aquele singelo toque causando sérias faltas de ar. "Está difícil S?". Perguntou Brittany afastando a cabeça do tórax da morena, arqueando os lábios em um sorriso que carregava tanta pureza e doçura quanto um prazer devastador.

"Não. Até agora está tudo normal". Respondeu Santana mordendo o lábio inferior retribuindo o olhar de desejo. "Você terá que se empenhar muito mais do que isso B". Provocou Santana aproximando-se do ouvido da loira deixando seu sotaque hispânico transparecer, já que a morena sabia que esse era o ponto fraco de Brittany e tinha a expectativa de estar ao nível naquela 'brincadeira'.

Foi exatamente o que aconteceu. Brittany mexeu-se contra o corpo de Santana colando ainda mais suas peles, passando o calor que havia se forma mesmo que através dos tecidos das roupas. Brittany automaticamente colocou a mão por baixo da blusa da morena e voltou a acariciar sua barriga fazendo Santana arquear a princípio. "E agora S, é o suficiente?". Insistiu a loira mantendo o contato visual.

Santana sentiu certa dificuldade em responder, mas o simples fato de que se continuassem sua excitação aumentaria o triplo, estimulou-a buscar forças para continuar. Mesmo que estivesse há tanto tempo privada não queria que acontecesse tudo rápido demais. "O que aconteceu B? Quer ajuda?".

Um sorriso perverso, daqueles que só Santana era capaz de fazer, formou-se nos lábios finos da loira fazendo a morena arquear as sobrancelhas e morder o lábio inferior preparando-se para o que estava por vir. As unhas de Brittany começaram a fazer o trabalho que seus dedos estavam empenhados, marcando e desenhando a pele morena. Brittany ajeitou-se mais contra o corpo de Santana e colocou a cabeça em seu ombro para que seus lábios ficassem mais próximos do ouvido da morena e ao mesmo tempo perto de seu pescoço, aumentando a vantagem contra Santana. "S, imagine as minhas unhas correndo do seu pescoço até aqui". Começou Brittany com a voz sedutoramente rouca, demonstrando com o toque, um pouco abaixo do umbigo e antes do começo da calça jeans da morena, o local. "Enquanto isso, meus lábios estariam brincando com o lóbulo da sua orelha, tocando de vez enquanto o seu pescoço com a minha língua".

Santana engoliu seco com a respiração e batimentos cardíacos já alterados; a morena não tinha a mínima idéia se conseguiria agüentar por muito tempo as provocações de Brittany e odiou-se por ter confiado em seu ego. Não era forte e o fato de desejar tanto a loira era uma péssima idéia para um quarto cheio de gente. "Só isso?". Tentou Santana fracamente.

Brittany sorriu fazendo o ar quente bater na pele morena arrepiada do pescoço de Santana. "Calma S, eu pretendo ir bem devagar. Não é assim que você gosta?". Argumentou Brittany observando a morena assentir. "Então, como eu estava falando, com a mão que estivesse livre, eu massagearia sua coxa que estaria envolta de meu quadril, já que eu estaria te prendendo contra a cama". Parou Brittany astutamente encarando a morena que acabara de fechar os olhos e tinha a respiração ainda mais acelerada. A loira prendeu levemente com os dentes o lóbulo da orelha da morena. "Imagine eu beijando toda a extensão do seu pescoço. Eu desceria ainda mais e iria morder sua barriga e correria com as duas mãos por todo o seu corpo".

Era possível palpar a excitação de Santana e a morena sabia que não agüentaria por muito tempo. A voz de Brittany soava como uma melodia em seus ouvidos e sua mão subindo cada vez mais por baixo de sua roupa estava enlouquecendo-a. Ansiava por mais e ignorando a presença dos outros no cômodo, a morena virou o rosto à procura dos lábios da loira falhando miseravelmente quando Brittany afastou o rosto e tampou os lábios da morena com a mão livre. Santana abriu os olhos curiosa e estressadamente excitada. A loira possuía um sorriso travesso nos lábios e pelas bochechas coradas, Santana soube que àquela inocente brincadeira estava tendo o mesmo efeito devastador em Brittany.

Não precisou abrir os lábios para perguntar o porquê do afastamento da loira, Brittany fez o favor de explicar com um simples olhar. A loira queria que Santana abaixasse a guarda e a deixasse controlar a situação.

A princípio, a morena recuou cerrando os olhos. Não era assim que haviam combinado, mas a imagem de Brittany sobre o seu corpo ditando as ordens à fez mudar completamente de idéia. Talvez fosse divertido estar do outro lado.

Santana abriu um sorriso para a loira e pegou em sua mão. Se quisessem terminar logo com aquilo precisavam de privacidade e independente do que fossem falar Santana precisava desse momento com Brittany tanto como a um ser humano precisa de água para sobreviver. A morena esperou a loira levantar-se e caminharam em direção à porta do quarto. Santana girou a maçaneta do cômodo e pelo ranger da porta acabaram atraindo a atenção dos outros. "Onde vocês pensam que vão?". Quinn interveio deixando o caderno e o a caneta repousarem sobre suas coxas.

"Pegar um remédio para dor de cabeça para B". Respondeu Santana procurando não transmitir nenhuma ansiedade ou qualquer outro tipo de sentimento e teria sucesso se Brittany não estivesse mordendo o lábio inferior, coisa que sempre fazia quando estava ansiosa.

Esse pequeno movimento não passou despercebido por Quinn que a conhecia por tanto tempo. A outra loira arqueou uma sobrancelha e reprimiu um sorriso balançando a cabeça negativamente. "Vocês têm uma hora". Anunciou por fim encarando especialmente Santana.

"Tempo suficiente para tomar dois remédios". Assentiu Santana com um sorriso torto e malicioso.

"Talvez até três". Completou Brittany ao seu lado ganhando a sua atenção já que a loira tinha dificuldades de compreender metáforas. Santana arqueou uma sobrancelha sugestiva e o sorriso de Brittany a motivou ignorar os olhares maliciosos e caminhar para fora daquele quarto.

A morena mal esperou a loira trancar a porta do quarto que hospedavam e já estava com os lábios colados nos seus. Santana procurava tocar todos os pontos possíveis do corpo de Brittany enquanto a direcionava até a cama, sentindo-a inverter as posições antes de deitarem, fazendo a morena sentir todo o corpo da loira se modelar sobre o seu.

Brittany afastou cuidadosamente as mãos de Santana de seu corpo e as levou à cabeceira da cama segurando-as com uma mão enquanto a outra repousava na bochecha da morena. A loira afastou os lábios com um sorriso ainda prendendo as mãos de Santana, ganhando uma expressão curiosa e levemente assustada de Santana. Já haviam feito muita coisa que iam até mesmo contra alguns princípios e leis, mas o que a loira estava prestes à fazer seria totalmente novo, talvez por isso a morena já estava antecipando-se, sabendo exatamente o que aconteceria.

Sem delongas, Brittany puxou o lençol e amarrou as mãos de Santana na cabeceira da cama fazendo a morena soltar um baixo gemido quando a loira passou as duas mãos pela lateral do corpo da namorada. "O que foi S? Não é o suficiente?". Perguntou Brittany ironicamente aproximando os lábios dos da morena sem tocá-los, dividindo apenas o mesmo ar quente. "Você quer que eu continue?".

A voz rouca de Brittany estava fazendo Santana perder todos os seus sentidos, sua visão estava começando a embaçar, sua boca estava seca e ansiava famintamente pela da loira. Com um sussurro baixo Santana respondeu Brittany. "Vai logo B".

"Não, eu não ouvi direito". Retrucou Brittany apoiando os cotovelos ao lado do corpo da morena mantendo uma curta distância com os lábios. O momento estava extremamente excitante e mesmo que Brittany estivesse morrendo aos poucos por não estar avançando sobre o corpo da morena e tomando-o pra si, sabia que valeria muito mais a pena 'brincar' com Santana depois que ambas estivessem, praticamente, prestes a explodir.

Santana precisou engolir o seu orgulho já que seu corpo estava falando muito mais alto do que sua mente exigindo que a loira a tomasse de uma vez por todas. "Por favor B". Respondeu a morena após os cincos segundos mais longos de sua vida. A morena conseguiu observar um indecifrável sorriso nos lábios loiros e todo o seu corpo tremeu.

"Como você quer que eu continue S?". Perguntou Brittany sentando-se na cintura de Santana e olhando sugestivamente para a morena. A loira passou a mão por todo o seu abdômen e tórax por cima da blusa e depois a posicionou em sua cintura.

"Eu...". Tentou Santana arfando tentando fazer as palavras saírem de seus lábios com extrema dificuldade. "Eu só quero que você continue B". Respondeu por fim, focando a visão no rosto de Brittany.

"Você gosta muito dessa blusa S?". Perguntou Brittany arqueando uma sobrancelha.

A morena negou rapidamente sem ao menos lembrar-se de qual peça estava vestindo já que seu corpo estava tão quente que era possível dizer que já estava completamente nua.

Brittany colocou as mãos na borda da blusa e a puxou, fazendo-a rasgar exatamente no meio, pois seria complicado ter que tirá-la com as mãos atadas da morena. Santana gemeu alto e mordeu o lábio logo em seguida. Tudo aquilo estava sendo insuportavelmente quente para ela e o seu desejo estava aumentando cada vez mais, acreditou até que poderia ter um infarto a qualquer momento.

A loira passou as unhas por toda a pele morena sob o seu corpo, contornando os seios da morena que por sorte estava sem sutiã. Logo em seguida, as unhas foram substituídas por dentes e por lábios que sugavam e marcavam os desenhos das unhas. E do mesmo modo imprevisto que havia começado, terminou. A loira levantou-se da cintura de Santana e caminhou até a sua mala de viagem.

"B?". Choramingou Santana arregalando os olhos, odiando estar em uma posição tão submissa, sendo ignorada pela namorada. "B!". Exclamou Santana quando não obteve resultado e a loira escondera alguma coisa por baixo de sua camisa caminhando até a porta do banheiro e dando um piscar de olhos para a morena antes de fechar a porta. "Mas que porra! B?".

Dois minutos insuportavelmente lentos passaram até a porta do banheiro abrir lentamente. Santana que procurava controlar o seu desejo e seu calor virou a cabeça imediatamente para a imagem de Brittany escorada no batente da porta. "Me chamou S?". Perguntou Brittany ingenuamente, fazendo Santana perder o resto do ar que restava em seus pulmões.

A morena sentiu sua cabeça rodar por todo o cômodo com a imagem de Brittany. A loira estava vestindo nada mais do que um sutiã preto e uma cinta liga preta que a morena jurou ter escondido bem. A pele clara transluzia todo o desejo que Santana pensou só existir em sua cabeça. O contraste do claro com o escuro das peças tornava a imagem ainda mais luxuriosa, já que os olhos de Brittany exalavam uma doçura incomum e seu corpo uma malícia assustadora. Santana sentiu seus lábios secarem-se e se não estivesse presa na cama sabia que à essa hora estaria empurrando Brittany contra a parede mais próxima.

Como se a loira estivesse lido a tortura através de seus olhos, Brittany cessou a distância e subiu sobre o corpo de Santana mais uma vez, sendo possível sentir a carga elétrica que havia corrido pelo corpo de Santana em direção ao seu. Seus lábios fizeram o caminho da barriga até o ouvido da morena, sugando um pouco abaixo antes de recomeçar com as provações. "Onde nós paramos?".
• • •

A apresentação passara mais rápido do que o previsto. Não haviam se classificado e por isso tiveram que voltar o mais rápido para Lima já que as aulas ainda não haviam cessado.

Santana, motivando todos os outros, culpava o maldito beijo entre Finn e Rachel ser o motivo da derrota, mas no fundo sabia que estava fazendo o possível para colocar todo o grupo contra os dois, já que foram o motivo de terem abalado Quinn. Precisava admitir que os sentimentos da amiga eram importantes e por isso prometera que faria o possível para que Berry pagasse caro o que havia feito. Brittany até tentara convencê-la de que aquele assunto não era de seu respeito, mas claro Santana optou por não ouvi-la.

A morena precisou lidar ainda com mais perturbações dos outros membros do grupo, principalmente de Mercedes e Kurt que insistiam em querer saber o motivo de ela e Brittany terem conseguido quebrar o abajur que repousava ao lado da cama das duas no quarto que estavam hospedavam e sempre os flashes da manhã que tivera com Brittany invadiam a sua cabeça. Não mentira quando dissera que havia esbarrado nele com a mão, procurando não detalhar a posição constrangedora que se encontrava. Santana precisava admitir que NYC havia de fato marcado uma parte de sua vida. Havia feito um dos melhores, talvez até mesmo o melhor, sexo de sua vida; havia conhecido alguns lugares famosos; havia se apresentado para centenas de pessoas e por fim, conseguira reunir coragem o suficiente para dar um salto enorme no seu relacionamento. Ainda não pedira a mão de Brittany, pois estava esperando toda a tensão da Nacionais passar para depois pensar nisso.

O problema que acercava a morena era quando parava para pensar em como de fato conseguiria encontrar um modo que não fosse brega nem muito formal para entregar-se à Brittany. Já havia constatado que queria que fosse simples e por isso mesmo queria fazer alguma coisa que fosse de fato marcante. Mas todas as vezes que parava para pensar nas suas possibilidades, alguém aparecia para atrapalhar o seu raciocínio. Exemplo de agora que Quinn e Brittany começaram a rir de alguma coisa que passava na televisão.

Santana voltou à realidade e encontrou-se sentada no sofá da sua nova casa com Brittany deitada com a cabeça em suas coxas e com Quinn sentada no outro lado do sofá com as pernas de Brittany repousando em suas coxas. A morena acariciava os fios loiros de Brittany e nenhuma das duas outras loiras percebeu a saída do ar de Santana para a sua sorte é claro.

Não havia acostumado ainda com o flat mesmo estando ali há três dias com Brittany e Quinn visitando-a freqüentemente. Nessas duas ultimas noites Brittany havia passado contigo já que a morena fizera uma chave extra e reservara parte de seu guarda-roupa para a namorada. Quinn sempre aparecia após as aulas e Brittany sempre falava que a amiga estava fazendo o possível para não ficar sozinha e não ter que pensar em Rachel que pelo visto havia retomado o seu relacionamento com Finn.

O flat não estava cem por cento arrumado apesar da morena não ter tantos objetos assim, o que compensava era a quantidade de roupas e ultimamente estava sem pressa para resolver aquilo, afinal, ninguém iria visitá-la a não ser pela amiga e pela namorada. Ninguém do grupo do coral sabia e Santana deixou bastante claro que não queria que isso fosse de conhecimento público. Não queria mais pessoas interessadas no que acontecia em sua vida.

Seus pensamentos foram mais uma vez interrompidos quando uma música soou ao seu lado fazendo-a despertar. A morena pegou o celular que estava sobre o braço do sofá e olhou o número antes de atender. Uma onda de adrenalina perpassou por seu corpo quando reconheceu o número. Já sabia do que se trava, porque ele ligaria apenas quando tivesse aquilo que Santana tanto queria e havia sido bastante direta quando ordenara para ligar apenas quando tivesse o que desejava.

Aceitou a chamada e levou o aparelho apressadamente ao ouvido sabendo que as duas loiras estavam encarando-a curiosamente e precisava controlar a sua ansiedade para que as coisas não ficassem claras demais apesar de Quinn já desconfiar há um tempo.

"Está pronta?". Perguntou a voz grossa em um sussurro. Santana pôde perceber que ele estava em um lugar público e movimentado, já que havia tantas vozes e barulhos de talheres. Breadstix, analisou a morena.

"Ok". Respondeu Santana desligando no mesmo momento em que ele havia cancelado a ligação.

Santana colocou o celular de volta no braço do sofá e colocou as mãos no ombro de Brittany para que ela pudesse sentar-se para a morena se levantar. "Quem era S? Você vai sair?". Perguntou Brittany arqueando uma sobrancelha.

A morena estava esperando àquela pergunta e por isso mesmo já havia ensaiado a resposta e a expressão exata. "Era a Stayce dizendo que posso ir pegar os lanches que havia pedido B. Eles estão sem entregador hoje".

"Você quer que eu vá junto?". Ofereceu Brittany levantando-se e ajudando a morena a colocar o casaco em volta de seu corpo.

"Não precisa B. Eu prometo que serei rápida". Respondeu Santana com um falso sorriso nos lábios. Agradeceu quando Brittany assentiu e resolveu não insistir, afinal, estava um péssimo tempo em Lima e a loira poderia muito bem ficar em um ambiente quente em vez de deparar-se com brisas frias. Santana aproximou o rosto de depositou um rápido beijo nos lábios de Brittany.

Seus passos foram rápidos em direção ao carro no estacionamento. Precisou abrir o porta-malas e retirar uma bolsa preta que havia guardado exatamente para aquela situação. Colocou-a no banco do carona e deu partida; precisava chegar o quanto antes no lugar marcado, caso contrário, todo o esforço que tivera nessas últimas semanas teria sido totalmente em vão.

Dirigiu aproximadamente por dez minutos. Não parou em um sinal e agradeceu pelo destino estar ao seu favor e não ter nenhum policial de plantão no momento. Seu celular tocou uma única vez quando estacionou no estacionamento do Breadsticks, o mais afastado possível exatamente ao lado do carro que ele viera. Àquele toque havia sido proposital, pois ele informaria que estaria próximo e que Santana precisava preparar-se.

Santana destravou as portas e desligou o carro apagando os faróis e todos os vestígios de que havia gente presente dentro do carro. Era possível sentir sua mão suar e todo o seu corpo agitar-se, porque a hora estava mais próxima do que havia previsto. Pelos seus cálculos levaria mais ou menos um mês para estar naquele local, mas a ligação dele na noite passada enquanto Brittany dormia em seus braços a havia feito constatar que talvez ele não fosse tão ruim assim e quem sabe até poderia servir para os seus serviços.

Pressionou uma mão na outra, procurando controlar a sua fúria e ansiedade. A princípio estava com medo de todos aqueles sentimentos, mas após parar para pensar e analisar cada detalhe resolveu que não se importaria se perdesse o controle ou qualquer outra coisa do tipo, porque esse era um desejo que estava suprimido há algum tempo.

Seu coração acelerou-se ainda mais quando viu a imagem de um casal aproximando-se. Um rapaz alto de cabelos curtos e postura rígida e ameaçadora com uma garota baixa, comparada ao rapaz, de cabelos curtos presos em um coque. O rosto de Karofsky logo entrou em seu campo de visão e seus olhos encontraram-se de imediato. Santana conseguiu ler que o rapaz estava tão ansioso quanto ela e talvez pelo pequeno laço que havia se formado através é claro de ameaças e segredos, ele também desejava aquilo. A morena prendeu o cabelo em um coque e surpreendeu-se da menina não ter notado ainda a sua presença, já que estavam a apenas seis metros de distância.

Karofsky colocou a mão na costa da garota, como se estivesse apenas caminhando ao seu lado 'carinhosamente', a outros olhos é claro sendo que na verdade estava apenas direcionando o caminho certo no qual ela deveria seguir. Santana observou-o puxar algum tipo de assuntando distraindo a garota e levando-a sem perceber para o carro da morena em vez de levá-la ao seu carro.

A garota apenas percebeu que estava entrando no carro errado quando Karofsky colocou a mão em seu ombro e abriu a porta de trás do carro de Santana empurrando-a para dentro e entrando logo em seguida. Santana que até agora estava encolhida em seu banco voltou para a sua postura original e trancou as portas.

"Mas que merda? O que está acontecendo Dave?". Perguntou a voz estridente no banco de trás tentando abrir a porta sem ainda dar-se conta da pessoa no banco da frente. "O que aconteceu com o seu carro?". Insistiu a garota.

"Olá Blanc. Aproveitou as duas semanas em casa?". Perguntou Santana com a voz rígida e misteriosa. Se não estivesse analisando a ruiva no banco de trás pelo retrovisor interno, jamais se deliciaria com o olhar amedrontado que formara nos orbes verdes, fazendo todo o seu corpo relaxar, como se de fato estivesse alimentando o seu medo.

Notas finais
Então, como prometido, eu postei no final de semana. Tecnicamente é claro, já que é madrugada de segunda-feira. Mas ok. Eu postei! UEHEUHEUEHEUEHU. Espero que gostem e muito obrigada por continuarem acompanhando e deixando lindos comentários! *-* :*