Save My Soul

CGates

#Epílogo

Oito Anos Depois

A maioria das pessoas odeia acordar cedo em um final de semana. Ainda mais quando o tempo também não está colaborando e em vez de sol, estava uma chuva fina e fria batendo no vidro da janela. Fora também, que trabalhar a semana toda e cuidar da casa e família, contribui para a preguiça de qualquer um. Porém, não tinha como eu ficar na cama com o despertador tocando do meu lado, pois hoje era um dia especial.

Virei na cama e tentei levantar, mas os braços da minha esposa estavam ao redor da minha cintura e me puxaram para mais perto. Não consegui conter um riso em meus lábios e tentei me afastar novamente. Eu a ouvi reclamar baixo e não virei para olhá-la, pois sabia que não resistiria e voltaria a deitar ao seu lado.

Passei a mão no rosto para tentar afastar o estado de sonolência e forcei os olhos para acostumar com a claridade do local. O quarto estava ligeiramente escuro com um uma temperatura confortável, me fazendo arrepender-se de colocar os pés para fora da cama e sentar-se. Passei os olhos brevemente pelo cômodo e virei o corpo para visualizar o corpo de Santana enrolado no cobertor enquanto abraçava o meu travesseiro.

Mesmo depois de tanto tempo, ainda era inacreditável o que nós passamos juntas e conseguimos superar. Ajeitei minha posição na cama e meus olhos caíram para a aliança em minha mão esquerda. Um sorriso leve formou-se em minha face até eu ter a atenção tomada pelo porta-retrato que repousava sobre o criado-mudo ao lado da cama. Era a foto do dia que nos casamos, ainda com dezenove anos, quando finalmente entramos para a faculdade. A ideia foi da Santana, ela disse que já que não queria perder mais um minuto e como nós iríamos morar juntas — pelas duas estarem em Los Angeles — seria a melhor despedida de Lima.

Nós não conseguimos casar na Igreja, como eu queria, mas felizmente meus pais e o pai da Santana conseguiram criar um espaço bastante confortável nos fundos da minha casa. Com alguns contatos dos meus pais, eles conseguiram encontrar um ministério que celebrasse o casamento e quando eu menos percebi o dia já havia chegado e eu estava em meu quarto tremendo com Rachel ao meu lado emocionada. Eu estava com medo de alguma coisa der errado, afinal, a nossa história não é um conto de fadas e nós não tínhamos certeza se seria um final feliz. Mas essa ideia logo foi embora quando eu entrei com meu pai até o altar improvisado e observei Santana caminhando com seu pai logo atrás. Ela estava linda, por sinal. Não que seja novidade, mas ela estava maravilhosa, eu não tenho palavras. Eu lembro que eu fiquei estática enquanto o vestido branco balançava com o vento junto com os cabelos ondulados e longos. Os olhos dela já estavam vermelhos e marejados, só mais tarde eu fiquei sabendo por Quinn que Santana havia chorado durante toda a preparação, não por medo e sim, por não conseguir acreditar que finalmente estava conseguindo concretizar o seu maior sonho.

Nós não tivemos tempo de ter lua de mel, porque nossas aulas começariam no dia seguinte e nós precisávamos ir direto para o aeroporto para chegar o mais cedo em Los Angeles para assinar a papelada do apartamento. Não foi fácil sobreviver à universidade, ainda mais com seus colegas de turma fazendo várias perguntas sobre o seu relacionamento e sobre o fato das duas terem casado tão cedo. Eu descobri que acontecia a mesma coisa com Santana no curso dela, que a propósito, ela optou por seguir a carreira de direito. Mas, o que era mais difícil, era ir visitar Santana no campus e perceber vários olhares indiscretos na direção dela. Mesmo tentando controlar os meus ciúmes, era difícil saber que havia outras pessoas que possuíam interesse em sua esposa. O que sempre me aliviava era que Santana ignorava todos eles e só prestava atenção em mim. Eu não sei como que ela faz isso, é como se tudo se desligasse ao redor e sua atenção fosse estritamente minha, e com o passar do tempo isso ficava cada vez mais forte. Eu recordo de termos ido a um restaurante uma vez e o garçom ter sido obrigado a repetir os pratos do dia três vezes, já que Santana estava com os olhos e com a atenção focada somente em mim. Quinn e Rachel falavam que era assustador, mas isso me fazia e me faz, me apaixonar cada vez mais por ela.

Meus olhos afastaram-se do porta-retrato ao meu lado quando eu escutei a porta do quarto ranger baixo e uma pequena claridade formar no cômodo.

“Mamãe?”. Uma voz suave e fina ecoou e o sorriso que já estava presente em meus lábios, triplicou quando eu observei o pequeno menino loiro afastar-se da porta e correr em minha direção, colocando os seus pequenos braços ao redor do meu pescoço, me fazendo deitar novamente na cama.

“Você acordou cedo, já está com fome?”. Perguntei rindo enquanto Harry passava as pequenas mãos em meu rosto e eu tentava ajeitar o seu cabelo bagunçado. Ele já estava com quatro anos e foi o melhor presente que aconteceu na minha vida e na de Santana.

Depois de termos casado, o assunto filho sempre circulava em nossas conversas. Ela já havia decretado que queria no mínimo dois e que eu que seria a responsável por isso. Eu não podia acreditar, porque eu sempre tive o sonho de ser mãe e poderia compartilhá-lo com Santana. Nós decidimos que primeiro terminaríamos a faculdade, iríamos arrumar um emprego e só depois de ter estabilizado, teríamos um filho. Porém, não conseguimos seguir com esse plano. No primeiro ano da Santana meus pais conseguiram encaixar ela em um escritório em Los Angeles, no qual ela conseguiu arrecadar dinheiro suficiente e abriu o seu próprio escritório em Nova York. Ela passa mais tempo na parte administrativa do que na parte jurídica e apesar de deixar ela um pouco desanimada, nós duas sabíamos que era para o nosso próprio bem.

Após terminar a faculdade, nós duas viemos para NY e dividimos por um ano um apartamento com Rachel e Quinn. Nesse mesmo ano, nós decidimos pular todas as etapas do nosso plano e ter logo um filho. Eu comecei a trabalhar com a Rachel em suas peças de teatro, já que ela havia se formado em Julliard e havia conseguido uma boa influência para me arrastar para a carreira artística, o que me fez ter certa fama. Já que estávamos nós duas trabalhando, eu não consegui ver o lado ruim de apressar as coisas. Eu consigo recordar das risadas de Quinn e Santana enquanto procurávamos pelo melhor doador. Por fim, nós escolhemos um com descendência latina. A primeira tentativa foi falha. Ficamos destruídas. Eu vi Santana se despedaçar dia após dia e eu já tinha presenciado uma cena parecida com essa e com medo, minhas horas no trabalho triplicaram assim como o dinheiro. Eu juntei dinheiro sozinha e sem a sabedoria de Santana , Rachel e Quinn eu fui ao laboratório e paguei para uma segunda tentativa.

Confesso que fiquei com medo de contar à Santana quando eu fiz o teste e vi que estava grávida. Vários pensamentos dela vê-la magoada por eu ter feito “escondido” e sem a presença dela infestou minha cabeça. Porém, era o sonho dela e o meu e não tinha motivos para ela ficar desse jeito. Eu esperei o dia todo para contar e quando eu finalmente mostrei o teste, eu senti meus joelhos bambearem e minha respiração ficar mais forte e dolorida, até ela chorar em minha frente e me beijar. Ela murmurava coisas sem sentido enquanto me beijava e tirava a minha roupa e mesmo sem entender a sua reação, eu dei continuidade ao que ela estava fazendo. Quando eu acordei na manhã seguinte Quinn e Rachel já sabiam, assim como nossos pais. Santana fez questão de contar para todos e até mesmo um telefonema de Kurt e Mercedes eu recebi naquela manhã. Eu, Santana, Quinn e Rachel nos afastamos um pouco de todos do coral, exceto de Kurt e Mercedes, já que os dois também seguiram carreira artísticas e estavam morando em NY. De vez enquanto ouvíamos alguma novidade sobre Blaine, já que ele e Kurt haviam se separado e havia seguido a carreira de professor na Califórnia.

Até o dia de ter Harry — que a propósito a escolha do nome foi de Santana no dia do nascimento, já que nós não queríamos saber o sexo do bebê, em homenagem ao meu pai por ter ficado do nosso lado desde o princípio e eu até repassaria as palavras exatas que ela usou no dia, mas a única lembrança que me resta são os olhos brilhantes da minha esposa falando do meu pai — me trataram como se eu estivesse doente. Eu não podia fazer nada e todas às vezes que eu tentava me virar alguma das três me perguntava se eu estava sentindo alguma coisa ou se eu queria alguma coisa. Foi uma correria no grande dia, já que foi de madrugada e Santana havia acabado de chegar de viagem por ter participado de uma conferência em Washington. Ela estava tão cansada que me lembro de ter ficado com pena de acordá-la, porém as contrações ficaram cada vez mais fortes e eu não consegui segurar os gemidos de dor por muito tempo.

“Mamãe?”. Chamou Harry mais uma vez tocando as minhas bochechas e atraindo a minha atenção.

“Sim querido?”. Perguntei girando-o e colocando-o ao lado de Santana que ainda estava dormindo.

“Quando eu vou usar a gravata nova?”. O menino loiro cerrou os olhos e mordeu o lábio inferior. Mesmo parecendo impossível biologicamente, alguns gestos de Harry fazem lembrar bastante à Santana. Aparentemente, os dois eram parecidos. O tom de sua pele não era tão claro quanto a minha e nem tão morena quanto à da Santana e os olhos estavam ficando cada vez mais azuis.

“Por que você não acorda sua mãe e pergunta pra ela?”. Sugeri fazendo um gesto de cabeça para indicar a morena ao lado dele.

Um sorriso maroto surgiu nos lábios da criança enquanto virava-se para ficar de frente para Santana e subir sobre sua cintura cuidadosamente. Ele debruçou sobre o corpo de Santana para encostar os lábios delicadamente em sua bochecha, fazendo-a remexer na cama e abrir os olhos lentamente. O sorriso de Harry triplicou e eu estava simplesmente fascinada com a interação dos dois. Qualquer um que conhecesse a minha esposa em sua adolescência jamais acreditaria que ela possuía o ‘dom’ para a maternidade.

“Já está acordado? Que horas são?”. Perguntou Santana sonolenta puxando Harry para mais perto e fazendo-o esconder o rosto na curva de seu pescoço enquanto acariciava as costas dele com a ponta dos dedos.

“Quinze para as oito”. Respondi olhando rapidamente para o despertador. Virei o rosto novamente para encará-los e me surpreendi com um sorriso da morena. Santana fez sinal para eu me juntar aos dois, mas eu sabia que se isso acontecesse, nós ficaríamos o resto da manhã na cama sendo que nós tínhamos um importante compromisso.

“Mamãe pediu para eu perguntar para você quando que eu vou usar a gravata nova”. Disse Harry trazendo a atenção de Santana de novo enquanto eu me ajeitava na cama para observar os dois.

“Você pode usar quando quiser”. Respondeu Santana sorrindo. “Mas primeiro você precisa de um banho”. Ela brincou enquanto tampava o nariz com uma mão e fazia uma careta, fazendo Harry rir e tentar tirar a mão da morena do nariz.

“Pode ser na banheira?”. Perguntou o menino levantando as sobrancelhas olhando para Santana até que os dois viraram o rosto para mim e fizeram uma expressão de suplica na face. Todas as vezes que Santana ficava perto de Harry parecia que ela havia voltado a ter a mesma idade que ele e era absurdamente adorável. E eu nunca conseguia falar não ao pedido dos dois.

Franzi o cenho já sabendo que não conseguiria recusar o pedido enquanto Harry se levantava e dava um beijo no rosto de Santana e outro no meu. “Só se for rápido”. Disse por fim relaxando os ombros e sorrindo ao ver o menino sair rindo do quarto indo em direção ao banheiro do corredor.

Eu estava prestes a levantar quando senti duas mãos em minha cintura me fazendo deitar novamente na cama e quando menos percebi o corpo de Santana já estava sobre o meu com um sorriso torto nos lábios. “Bom dia”. Ela disse abaixando o rosto lentamente na direção dos meus lábios selando-os rapidamente.

“Bom dia”. Respondi subindo as mãos pelas costas da minha esposa, posicionando as mãos em sua nuca acariciando-a com a ponta dos dedos. O sorriso nos lábios dela aumentou e suas mãos subiram pela lateral do meu corpo até meu rosto, tornando o ar mais pesado no cômodo.

“Pensei que ia ser acordada de outro jeito hoje”. Confessou Santana levantando as sobrancelhas sugestivamente, mordendo o lábio inferior.

“Como você imaginou?”. Perguntei decidindo entrar naquele jogo, afinal, eram poucas as horas que eu conseguia ter a sós com a minha esposa e é necessário aproveitar o máximo possível.

“Por que você não deixa que eu te mostre?”. Santana perguntou retoricamente descendo os lábios novamente na direção dos meus, porém dessa vez com muita mais urgência e desejo. Logo entreabri os lábios para aprofundar o beijo, estimulando-a ainda mais ao colocar as mãos por baixo de sua camisa e correr por sua pele quente.

Suas mãos desceram até a minha cintura novamente e apertou delicadamente, enquanto eu continha um gemido em minha garganta. Todas as células do meu corpo estavam vibrando em antecipação. Seus lábios moldando-se perfeitamente sobre os meus, sua língua dançando majestosamente com a minha e suas mãos ágeis por todo o meu corpo, me fez desligar momentamente até a porta ranger novamente e quando eu percebi Santana já não estava mais sobre o meu corpo e sim, sentada nos pés da cama tentando ajeitar sua blusa.

“Mãe, você não vem?”. Perguntou Harry com uma toalha azul em uma mão e um pato de borracha na outra.

“Já estou indo querido”. Respondeu Santana levantando-se da cama e caminhando em minha direção, selando meus lábios rapidamente para depois caminhar na direção de Harry e pegá-lo nos braços.

Procurei desacelerar a respiração e dissipar o calor que estava presente em cada parte de meu corpo para finalmente levantar-me da cama e caminhar até a cozinha para adiantar o desjejum.

Forcei a atenção enquanto caminhava pelo corredor para tentar identificar qual música Santana estava cantando dentro do banheiro com Harry. Ela sempre cantava para ele, desde quando ela descobriu que eu estava grávida, pois ela dizia que queria que ele conhecesse a voz dela e soubesse que havia mais uma pessoa que o amava. A voz da morena estava um pouco abafada pela porta, mas mesmo assim era possível identificar os versos de Landslide.

Caminhei em direção aos armários da cozinha e retirei o pacote de cereais e coloquei sobre a mesa ao lado do prato de Harry e da caixa de leite. Ajeitei os ingredientes finais na cafeteira e a liguei. O costume de fazer o desjejum já havia ido embora há muito tempo tanto pra mim quanto pra Santana, que se contentava apenas com uma xícara de café, já que geralmente precisava sair às pressas para o trabalho.

O telefone tocou no cômodo à frente e antes que eu pudesse atender eu escuto a voz de Santana e Harry ecoando no corredor. Arquei uma sobrancelha me preparando para o que estava por vir e logo em seguida Harry apareceu na porta da cozinha, com a toalha enrolada em sua cintura e com o telefone nas mãos. “É pra você mamãe”. Ele disse me entregando o aparelho enquanto Santana aprecia logo atrás com a roupa molhada.

“Britt finalmente você apareceu, onde você está? Você não sabe que o casamento é daqui a seis horas? Ainda tenho que fazer maquiagem, cabelo, vestir o vestido...”. Explodiu Rachel enquanto eu procurava entender o que ela falava em um só fôlego. Desviei os olhos rapidamente para Santana que colocava as mãos no ombro de Harry e o guiava de volta para o quarto.

“Calma Rachel. Vai dar tempo”. Cortei o monólogo da noiva enquanto me servia de uma xícara de café.

“Vai dar tempo se você chegar aqui agora. O que você está fazendo?”. Perguntou Rachel nervosa.

“Tomando café com meu filho”. Respondi observando Harry entrar na cozinha mais uma vez, vestindo uma blusa de manga curta verde e um short jeans, com o cabelo penteado para o lado. “E você?”. Perguntei tentando amenizar a situação.

“Não tente converter a situação Britt. Você é minha madrinha e tem que estar aqui comigo. O Kurt ainda não chegou e a Mercedes ainda está dormindo”. Respondeu Rachel diminuindo o tom de voz, provavelmente para não acordar Mercedes. Apoiei o aparelho no ombro e servi Harry com cereais e leite.

“Você precisa se acalmar. Eu vou chegar ai daqui a pouco”. Eu disse passando a mão no rosto para tentar raciocinar corretamente enquanto Rachel surtava do outro lado do telefone. Minhas sobrancelhas arquearam quando eu percebi que havia mais uma pessoa dentro da cozinha e não era a minha esposa. “Você não sabe quem está aqui com o rosto todo amarrotado”. Eu disse em um tom brincalhão analisando Quinn com os seus cabelos curtos bagunçados logo à frente caminhando em direção a Harry para deixar um beijo em sua testa e depois servir-se de uma xícara de café.

“Quinn está aí? Ela já está pronta? Lembre a Santana do que ela precisava fazer. E não se esqueça de pedir para ver os votos Britt”. A voz de Rachel mudou totalmente quando pronunciei o nome de sua noiva. Quinn arqueou a sua típica sobrancelha olhando em minha direção.

“Ok Rachel. Depois que ela trocar o pijama eu aviso”. Alertei à pequena enquanto gesticulava para Quinn limpar a boca de Harry. “Eu estou indo daqui a pouco, trate de se acalmar”. Disse por fim desligando o aparelho e repousando-o em cima da mesa. “Você deveria pelo menos conversar com ela para acalmá-la”. Comentei voltando a me sentar e encarar Quinn sentada ao lado de Harry.

“Foi ideia dela de não se ver antes de casamento”. Cortou a loira dando de ombros e dando mais um gole no café. “Ela perguntou sobre os votos de novo?”.

“Você terminou certo?”. Perguntei temerosa. Quinn já estava a quatro semanas tentando escrever alguma coisa e até eu e Santana tentamos ajudar, porém a loira recusava e dizia que ela que era responsável por isso.

“Terminei, mas tive que passar a noite em claro”. Respondeu apoiando o cotovelo na mesa para apoiar o rosto na mão. “S ainda está reclamando por eu não ter aceitado a despedida de solteiro?”.

“Eu a fiz mudar de ideia”. Respondi cerrando os olhos, fazendo Quinn soltar uma gargalhada e Harry olhar para a loira.

“Por falar nisso, cadê ela?”. Perguntou Quinn olhando ao redor.

“Minha mãe está tomando banho, titia”. Respondeu Harry levantando-se da cadeira.

“Você quer que eu fique com ele?”. Perguntou Quinn arqueando a sobrancelha levantando-se logo em seguida, pegando a mão de Harry.

“Eu não demoro”. Respondi mordendo o lábio inferior, sem saber como agradecer Quinn.

“Estou contando com isso, vocês tem um casamento para ir ainda hoje”. Alertou Quinn levando Harry para a sala enquanto eu caminhava de volta para o quarto.

Abri a porta lentamente e a tranquei, caminhando logo em seguida para a porta da suíte. Para minha sorte não estava trancada e ao passar por ela, o vapor logo impregnou em minha pele, assim como o odor do sabonete de morango da morena. Apenas em olhar a silhueta borrada atrás do box, estava fazendo meu corpo agitar-se novamente. Respirei fundo e retirei minha blusa e logo em seguida meu short, dando pequenos passos em direção à morena.

“Eu estava te esperando”. Disse Santana me assustando ao abrir a porta de vidro, encostando as costas nos azulejos brancos.

• • •

“Harry, eu preciso que você ajude a mamãe”. Eu disse destravando o cinto da cadeirinha de Harry, ajudando-o a descer do carro e pegar as bolsas para levar ao apartamento da Mercedes. Ele assentiu com um balançar de cabeça, sorriu e estendeu os bracinhos para que eu pudesse compartilhar o peso e claro, eu escolhi a bolsa mais leve, onde estavam alguns brinquedos e algumas roupas dele.

“Onde nós estamos indo, mamãe?”. Ele me perguntou enquanto eu agradecia com um balançar de cabeça o porteiro que segurava a porta do prédio enquanto passávamos.

“Nós estamos indo ver sua tia Rachel”. Respondi pressionando o botão do elevador, parando para encarar Harry e ajeitar seus cabelos loiros.

“E por que minha mãe não veio?”. Ele perguntou novamente dando um pequeno aperto em minha mão, fazendo meu coração sentir o triplo daquela força. Mesmo tendo passado alguns minutos longo de Santana, ele já estava sentindo saudades e era adorável e ao mesmo tempo doloroso.

“Porque ela teve que ficar com a sua outra tia. Lembra que hoje nós temos um compromisso?”. Perguntei encarando seus olhos azuis e o pequeno sorriso que tamborilava em seus pequenos lábios rosados. Observei-o acenar com um balançar de cabeça e se entusiasmar de repente.

Harry apertou a mão na minha mais uma vez quando chegamos ao apartamento de Mercedes. Não precisei olhar para o seu rosto para saber que ele estava ansioso para ver Rachel e para colocar a gravata na qual ele queria usar a tempos, desde quando Santana e Rachel haviam saído para comprar o pequeno smoking.

Pressionei a campanhinha suavemente e uma melodia ecoou no corredor, segundos depois a porta já estava sendo aberta e uma Rachel exasperada me abraçava pelo pescoço. Pude sentir que ela estava tremendo enquanto tentava controlar a respiração. “Ainda bem que você chegou Britt. Kurt está uma hora atrasado e Mercedes está enrolando com a banda. Eu estou perdendo a cabeça porque pode dar errado e logo hoje, o dia que eu e Quinn esperamos por tanto tempo e você sabe do que eu estou falando, porque Quinn demorou um século para me fazer o pedido...”. Rachel monologou como de costume e como de costume eu só consegui acompanhar uma parte. Se ela já fazia um discurso calma, imagina nervosa?

“Calma Rach. Vai dar tudo certo. Por que não entramos e eu vou adiantando a parte do Kurt?”. Sugeri retirando os braços dela do meu pescoço e dando um tapa leve em seus ombros para encorajá-la. Eu sabia muito bem o que ela estava sentindo, esse medo e alegria repentinos que parecia que iria sufocar. E bom, eu sobrevivi certo? Não há o que temer, afinal, Quinn e Santana tem as personalidades difíceis e são parecidas, então eu entendo muito bem o que a Rachel está sentindo.

Ela assentiu com um balançar de cabeça já recuperando a sua postura e a sua respiração, só quando a porta foi fechada, que a pequena reparou na presença de Harry, que estava apenas prestando atenção em silêncio. “Harry”. Chamou Rachel abrindo os braços e abaixando para abraçá-lo. “Você está quieto, suas mães brigaram com você?”. Perguntou Rachel desviando os olhos do garoto para me encarar com uma sobrancelha arqueada. Aposto que aprendeu com a Q.

“Não titia é que eu estou com fome”. Respondeu Harry me fazendo arregalar os olhos.

“Você acabou de comer meu filho”. Adverti enquanto colocava as bolsas no sofá ao lado e retirava o casaco. “Eu trouxe os seus brinquedos, por que não brinca ou assisti televisão enquanto eu ajudo a sua tia?”.

Rachel balançou a cabeça negativamente enquanto se levantava e pegava na mão de Harry. “Pare de bobeira Britt, dá tempo para o menino comer pelo menos alguma coisa. Isso é a convivência com Santana. Você e ela estão querendo treiná-lo igual a Sue?”. Perguntou Rachel levando Harry até a cozinha enquanto eu seguia logo atrás. “O que você quer comer?”. Perguntou Rachel colocando-o sentado em uma cadeira de frente para o balcão enquanto contornava até chegar à geladeira.

“Ele não está com fome Rach”. Eu disse mais uma vez chegando perto de Harry e encarando-o.

“Pare de intimidar o menino”. Retrucou Rachel pegando um pote pequeno de sorvete de chocolate e uma colher, colocando de frente para Harry.

“Depois que ele deixar metade dentro do pote não venha reclamar comigo”. Eu disse observando-o dar as primeiras colheradas no sorvete. Rachel sorriu para ele e gesticulou com as mãos para que eu fosse ajeitar as coisas. Era incrível como os dois haviam conseguido formar um laço de amizade tão intenso. Todas as vezes que Rachel o via era sempre a mesma coisa, o bajulava o tempo todo. Santana morria de ciúmes quando isso acontecia e várias vezes eu e Quinn precisávamos dar uma desculpa para afastar os dois antes que ela estourasse. Quinn como sempre ficava maravilhada, pois mesmo ela sabendo que não conseguiria ter outro filho devido o seu passado, ela não negaria caso Rachel quisesse ter e ultimamente ela tem tocado bastante no assunto. Não duvido que daqui alguns meses Rachel comece a engordar.

“Como você aparece em minha casa e não me procura para um abraço?”. Perguntou Mercedes aparecendo no corredor que dava aos quartos. Um sorriso doce e familiar estava estampado em seu rosto, recordando do tempo que éramos adolescentes.

“Eu não tive tempo. Rachel me recepcionou”. Eu disse caminhando em sua direção estendendo os braços para envolvê-la em um abraço.

“Ah, não precisa explicar”. Disse Mercedes em um tom brincalhão. “Ela está assim desde ontem à noite. Eu já me arrependi de ter dado o meu apartamento para ela passar a noite”. Completou enquanto cruzava os braços no tórax e suspirava. “Como está Quinn?”.

“Como sempre calma e controlada”. Respondi pegando a bolsa e caminhando até o quarto de hóspedes, onde Rachel havia dormido e estavam os vestidos para as madrinhas. “Rach disse que você está tendo dificuldades com a banda”.

“Ela disse isso?”. Perguntou Mercedes assustava o que me fez virar em sua direção e fazer uma careta da sua cara que mostrava que sua paciência estava prestes a ir embora. “Só porque um dos integrantes não antedeu quando liguei não significa que eu estou com problemas com a banda”. Retrucou Mercedes colocando as pontas dos dedos na têmpora direita.

“Dê um desconto para ela Mercedes”. Eu disse tentando suavizar a situação. Caminhei até o guarda-roupa e separei o smoking de Harry e Kurt e o meu vestido e o da Mercedes, já que só nós iríamos trocar de roupa aqui. “Hoje é o grande dia”. Completei virando-me mais uma vez para encará-la.

“Você está certa. Afinal, é o casamento de Rachel Berry. É claro que ela ficaria pior do que já é”.

Sorri e assenti com um balançar de cabeça. Segundos depois Rachel aparece com Harry em seus braços, ambos sorrindo e conversando animadamente. “E você disse que ele não ia conseguir comer o sorvete todo”. Disse Rachel colocando-o sentado na cama. Mercedes mandou um beijo sobrado para o loiro que logo foi retribuído com um sorriso e um acenar de mãos.

“Santana ainda o está mimando?”. Perguntou Mercedes virando-se para mim enquanto eu sentava ao lado de Harry e colocava-o sobre minhas coxas.

“Cada dia que passa está pior”. Respondi franzindo o cenho e soltando um riso abafado.

“Eu sempre soube que ela tinha um bom coração”. Constatou Mercedes saindo do quarto, me deixando sozinha com Rachel e Harry. Era engraçado quando eu parava para analisar e observava como Mercedes sempre apoiou a Santana e o nosso relacionamento, até mesmo quando nós não sabíamos o que estava acontecendo, ela já estava a par de tudo.

“Eu acho que é melhor começarmos agora Rachel”. Disse voltando a me concentrar no atual momento.

“Você está certa Britt!”. Exclamou Rachel já ficando com a respiração ofegante e eufórica, prendendo o cabelo em um coque mal feito, correndo de um lado ao outro do quarto para preparar o cômodo para os maquiadores, já que Q conseguiu convencer a noiva a evitar gastar tempo indo de um lugar ao outro para se arrumar, sendo que ela possuía contatos que poderiam ir até o apartamento arrumá-la, afinal, ela trabalhava em um teatro e era famosa. Preciso confessar que foi um alívio quando ela disse sim, afinal, seria complicado ter que ficar carregando Harry para todos os lugares e ter que prestar atenção nele enquanto me arrumava. Aqui pelo menos não teria para onde ele fugir. “Você ouviu alguma coisa que eu disse?”. Perguntou Rachel parando em minha frente me tirando de outro devaneio.

“Sobre a maquiagem?”. Cerrei os olhos tentando recordar da última palavra que havia escutado sair dos lábios de Rachel, mas ela falava muito rápido.

“Não, foi sobre o cabelo”. Retrucou colocando a mão na cintura e levantando uma sobrancelha. Estou começando a não gostar da influência de Q nela.

“Você quer mudar o penteado mais uma vez? Não combinamos que ficaria solto com pequenos cachos nas pontas?”. Perguntei com um leve tom de desespero na voz e ela percebeu isso. Minha preocupação não era tão exagerada assim, porque eu tive que passar doze horas sentada na frente do computador ao lado de Rachel para escolher o melhor penteado, para depois, ela ligar a televisão e escolher o penteado de uma apresentadora de um canal de culinária.

“E se não ficar bom?”. Ela perguntou mordendo o lábio inferior e fazendo uma careta temerosa.

Eu estava prestes a responder quando Kurt escorou na porta do cômodo. “Você irá ficar linda com qualquer penteado, Rachel”. Harry levantou do meu colo e correu em direção ao Kurt, abraçando-o pela cintura. “Ei garoto”. Cumprimentou Kurt sorrindo, levantando-o pelos braços e segurando-o. “Preparado para usar a gravata hoje?”. Perguntou animado enquanto brincava com o nariz do garoto.

“Estou”. Respondeu Harry devolvendo o sorriso, abraçando Kurt pelo pescoço para depois descer de seus braços e correr para a sala.

“Por que demorou?”. Perguntou Rachel com o tom de voz irritado, me fazendo arquear as sobrancelhas com a mudança repentina no humor da pequena. Imagina quando ela ficar grávida?

“Eu tive uma pequena discussão com o Erick”. Respondeu Kurt dando de ombros e revirando os olhos. Ele estava namorando um dos atores amigos de Rachel há três meses e as coisas não estavam indo tão bem. Uma de nossas conversas, Kurt deixou soltar que não conseguia se prender em relacionamentos e que toda aquela magia e romantismo que ele tanto possuía na adolescência, havia sido guardado em uma caixa, na qual ele havia perdido a chave. Bom, foi mais ou menos isso que ele disse. Acho que é compreensível.

“Ele ainda vai à festa não é? Eu fui obrigada a refazer a posição das mesas três vezes para tentar encaixá-lo, já que eu pensei que ele não iria quando vocês brigaram na véspera de escolher os lugares. Por favor Kurt, diga que ele vai. Oh minha Barbra, eu não posso ficar estressada agora”. Disse Rachel em um fôlego ficando com as bochechas coradas e a respiração ainda mais pesada.

Kurt pareceu se preocupar com o estado dela, assim como eu. Ele rapidamente caminhou em direção à noiva e abraçou-a, acariciando seus cabelos e falando suavemente para acalmá-la. “Calma, Rach. Vai dar tudo certo, hoje é o seu dia”.

• • •

Foi uma longa manhã. Eu quem o diga. Depois do Kurt finalmente conseguir acalmar Rachel, conseguimos adiantar grande parte dos pré-preparatórios enquanto os maquiadores se ajeitavam para começar o trabalho.

Mercedes finalmente havia conseguido resolver os pequenos problemas e a banda já havia ido para o local da festa. Harry se comportou muito bem, talvez a conversa que Santana teve com ele antes de sair de casa sobre obedecer todas as ordens que forem dadas, foi seguida fielmente.

Havia sobrada apenas eu e Kurt no apartamento, já que Rachel, Harry e Mercedes tiveram que ir à frente para o teatro. Uma coisa que eu já estava esquecendo e que ainda estava difícil de acostumar era que a cerimônia seria realizada no local onde Q pediu Rachel em casamento, no palco da Broadway. Foi logo após o último espetáculo do musical que havia feito Rachel ser descoberta pela mídia, Q subiu no palco quando todo mundo havia indo embora e Rachel havia ficado para recolher as suas coisas que ficaram jogadas na coxia. Q nunca conseguia contar a história sem se emocionar, e eu nunca conseguia ouvir sem deixar de ficar abismada com o amor que Q sentia por Rachel. A loira fez igual aos filmes, se ajoelhou, retirou a caixinha de veludo do bolso da calça e pediu a mão de Rachel no meio do palco. Eu me lembro da Rachel me contar que ficou alguns minutos paralisada, pois ela esperava tanto por aquilo que chegou até pensar que Q havia desistido.

E então, ao ficarem noivas, foi uma ideia imediata que surgiu na cabeça de Rachel em proclamar a cerimônia no palco e Q não recusou. Seria diferente e de vez enquanto mudar não é tão ruim. Bom, pelo menos a festa seria em um salão tradicional.

Kurt ajeitou o smoking prateado mais uma vez enquanto eu me ajeitava no banco do carona, tentando não estragar o vestido e o penteado. Ele ligou o carro e olhou as horas no painel à sua frente. Nós não estávamos atrasados, o casamento começaria daqui uma hora ainda, mas sabíamos que se não chegássemos a tempo para cuidar de Rachel, era capaz de encontrá-la em pânico no camarim.

Um apito de alerta soou no carro e eu logo procurei o meu celular. Eu passei o dia tão ocupada, que tinha até esquecido de sua existência. Uma coisa rara de acontecer. Arregalei os olhos e suspirei quando vi que possuía cinco ligações perdidas de Santana. Ela deveria estar uma fera. Pensei seriamente em não retornar as ligações para evitar ouvir suas reclamações, porém, poderia ser algo sério e adiar não era uma boa ideia.

Quando menos percebi, já estava digitando o seu número e levando o aparelho ao ouvido. Não demorou a chamar duas vezes e ela já havia atendido. “Díos mio B”. Pude ouvir Santana suspirar. “Onde você está? Por que não atendeu antes? Está tudo bem?”. Ela perguntou levemente preocupada e irritada, o que me fez segurar um sorriso bobo.

“Estou bem S e já estou a caminho. Eu estava ocupada terminando de me arrumar. Onde você está?”. Perguntei olhando para a paisagem do lado de fora.

“Já estou na Broadway com a Q. Ela fez questão de chegar cedo”. Bufou Santana e eu pude imaginá-la revirando os olhos nesse momento e dessa vez, não consegui conter o riso. “O que foi?”. Ela perguntou curiosa e eu pude perceber que ela havia se afastado para ter mais privacidade, já que sua voz estava limpa sem nenhum ruído externo.

“Estou com saudades”. Respondi o que de certo modo, não era mentira. Mesmo depois de tanto tempo juntas, ainda não conseguia me acostumar a ficar muito tempo longe dela. Parecia que a cada hora ou dia que se passava, eu me apaixonava cada vez mais por ela.

“Também estou”. Confessou com a voz melosa e o sorriso em meus lábios triplicou de tamanho. “Por que você não chega logo?”. Ela perguntou com um suspiro no final, o que causou uma dorzinha aguda em meu coração.

“Eu já estou chegando, amor”. Respondi automaticamente tentando controlar o aperto que se intensificava em meu peito. Se eu não estivesse tão concentrada na conversa, teria deixado passar a risada baixa que ela soltou. “O que é engraçado?”.

“Você deve estar com muitas saudades mesmo”. Ela analisou cessando as risadas.

“Ainda não entendi o porquê da risada”. Confessei levando a mão à testa para ajeitar a franja que insistia em cair em meus olhos.

“Você nunca me chamou de ‘amor’”. Ela explicou e novamente suas suaves risadas cobriram a linha.

Franzi o cenho e mordi o lábio inferior parando para refletir no que ela havia acabado de falar. Durante todo esse tempo, nós já havíamos trocado vários apelidos carinhosos, mas em nenhuma das vezes eu a chamei desse modo. Confesso que tinha um pouco de insegurança, mesmo depois de vê-la amadurecer diante dos meus olhos, ainda era complicado. “Não gostou?”. Perguntei insegura sem saber se gostaria de ouvir ou não a resposta.

“Eu amei B”. Ela respondeu com a voz limpa e suave, fazendo suas sinceras palavras me acalmarem imediatamente. Ela estava prestes a completar a frase quando algumas vozes ecoaram ao seu lado e eu consegui distinguir que Quinn era uma das pessoas que estava com Santana. Consegui escutar também Santana resmungar alguma coisa e soltar alguns xingamentos em espanhol.

“O que foi S?”. Perguntei preocupada enquanto retirava o cinto de segurança para sair do carro.

“Q me achou e agora eu tenho que voltar. Você já chegou?”. Ela perguntou e eu percebi que ela estava tentando controlar a sua irritação para não ser rude comigo.

“Sim, estou descendo do carro agora”. Respondi me virando para Kurt para esperá-lo para caminhar até a porta dos fundos. Seria impossível entrar pela porta principal, quando estaria lotado de fãs, curiosos e paparazzi.

“Eu te vejo daqui a pouco?”. Ela perguntou sedutoramente e foi praticamente impossível negar o seu pedido.

“Pode contar os segundos”. Respondi desligando o celular, voltando a guardá-lo na bolsa. Agradeci com um balançar de cabeça quando Kurt segurou a porta e caminhou ao meu lado apressado.

“Vocês me dão diabetes”. Ele resmungou alisando o smoking mais uma vez.

“Isso não é inveja, é?”. Perguntei arqueando uma sobrancelha, soltando um riso abafado enquanto o vi me acompanhar e gargalhar do meu lado.

“Talvez”. Ele respondeu ajeitando o cabelo e ajeitando as mangas. O tom triste em sua voz me fez arrepender-se de ter feito a brincadeira, porque no fundo, eu sabia que ele estava sofrendo. Afinal, ele ainda não havia conseguido esquecer o Karofsky. Confesso que foi um tanto quanto perturbador ver os dois juntos ainda mais com a história que eles compartilharam, porém nunca havia visto Kurt tão feliz quanto naqueles meses que os dois ficaram juntos, já que o Dave havia se alistado para o exército e precisava partir.

“É estranho você não estar nervoso ou ansioso”. Disse tentando mudar o assunto.

“Mas eu estou os dois, porque se uma das noivas caírem durante a caminhada a culpa será minha”. Ele retrucou com um sorriso nervoso enquanto dobrávamos um dos corredores para chegar ao camarim da Rachel, afinal, ele que a levaria até Quinn.

“Como você disse mais cedo: vai dar tudo certo hoje”. Confortei-o olhando em sua direção e sorrindo. Ele retribuiu imediatamente e girou a maçaneta, me dando passagem mais uma vez.

“Vocês pensaram em me deixar para trás ou o quê?”. Perguntou Rachel irritadíssima assim que entramos no quarto. Harry correu em minha direção e logo o peguei nos braços e enchi o seu rosto de beijos. Era doloroso ficar longe de Santana e de Harry.

“Desculpe Rach, o trânsito estava horrível”. Eu disse tentando amenizar a situação enquanto Kurt se afastava para atender um telefonema, provavelmente de Erick.

“Eu disse para vocês virem comigo e com a Mercedes, mas ficaram enrolando, ainda não entendi o porquê disse tudo. Até parece que não gosto da minha companhia. Você é a minha madrinha Britt, não pode fazer uma coisa dessas”. Disse Rachel começando a ficar com a voz embolada e com resquício de choro. Seus olhos estavam enchendo d’água e eu logo me desesperei. Ela não podia estragar a maquiagem que demorou quase um dia para ser feito. Caminhei em sua direção e a envolvi em meus braços. Não estava conseguindo entender essa mudança repentina em Rachel, mas não havia o que entender. Era o seu casamento e é extremamente normal ficar desse modo.

Ela se apertou em meus braços e logo se afastou, voltando a se acalmar. “Está melhor?”. Perguntei só por precaução. Ela assentiu com um balançar de cabeça e eu pude ver como que ela estava bonita. O véu estava jogado para trás, deixando o seu rosto limpo e seus cabelos com uma aparência ainda mais bonita. O vestido caía perfeitamente em seu corpo e mesmo sendo longo, não ficou estranho com a altura. O decote era descente e os pequenos enfeites ao redor do vestido estavam bem distribuídos. Resumindo, ela estava absolutamente linda. “Já que temos alguns minutos, eu vou ver a Q e já volto”.

“Você não pode ir Britt”. Ela disse segurando em meu braço quando me virei.

“Por quê?”. Perguntei assustada sem querer saber de verdade o motivo, tudo o que eu queria no momento era ver a minha esposa, pois aquele ambiente de casamento estava aumentando ainda mais a falta que eu sentia dela.

“Porque nós vamos entrar agora”. Rachel disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Harry já havia se levantado do pequeno sofá e ajeitado o seu smoking prateado, ajustando logo em seguida a almofada vermelha na qual iria as duas alianças.

“Rach, o casamento é daqui trinta minutos”. Eu disse franzindo o cenho enquanto pegava o celular para conferir as horas e confirmar as minhas palavras. Havia duas mensagens de Santana, porém não teria como parar para lê-las no momento.

“Foi adiado Britt, por isso eu estava nervosa com medo de vocês não chegarem a tempo”. Explicou Rachel para mim e para o Kurt, que havia desligado o celular e voltado a prestar atenção na conversa.

“E você só diz agora?”. Perguntou Kurt nervoso. “Eu ainda não me preparei Rach. Você não podia ter feito isso comigo”. Ele disse caminhando até o espelho, encarando-se e tentando controlar a respiração.

“Vocês estão prontos? A Quinn já está esperando”. Perguntou Mercedes abrindo a porta de surpresa e assustando todos no cômodo. Principalmente Kurt.

“Droga”. Suspirou Kurt derrotado pegando um lenço de papel e secando as pequenas gotas de suor que se formavam em sua testa. “Nada bom”. Ele resmungou mais uma vez ajeitando-se pela última vez de frente para o espelho para depois caminhar até o lado de Rachel e esticar o braço.

A minha tentativa de ver Santana antes do inicio da cerimônia falhou, mas não tive tempo de ficar ressentida quanto a isso, pois quando menos percebi já estava subindo as escadas do palco e caminhando na direção do ministério à minha frente. Santana estava linda como supus que estaria. O vestido roxo caia perfeitamente em seu corpo, contornando perfeitamente as suas curvas e contrastando com a sua pele bronzeada. Eu fiz o caminho automático até a minha posição, pois meus olhos estavam fixos nos dela e vice versa. Um sorriso involuntário se formou em meus lábios quando fiquei em sua frente e a vi piscar com um olho em minha direção. Só então quando a música começou a tocar que eu lembrei onde estava e o que estava fazendo. Encarei Quinn rapidamente, na qual estava tão linda quanto Rachel, a diferença era que seus cabelos loiros e curtos estavam armados em um coque e ela não possuía véu. Minha atenção voltou para a outra noiva que entrava com Kurt e automaticamente, olhei para a plateia à frente. Era estranho sentir que o que estava acontecendo era um casamento e não uma peça, pois as pessoas estavam com os olhos fixos e emocionados, como em uma apresentação. Estava lotado por sinal, aposto que Rachel e Quinn não devem conhecer nem um terço das pessoas que estão presentes. Porém, tudo, ou quase tudo, está ligado a negócios, certo? Isso é o que a Santana sempre dizia.

Ao lembrar que minha esposa estava em minha frente, minha atenção foi desviada mais uma vez para ela e só então percebi que ela já estava me encarando. O sorriso não havia desaparecido de seus lábios e eu não consegui não retribuí-lo. É como se estivéssemos conversando apenas pelo olhar. Eu conseguia entender que o brilho que estava estampado em seus olhos, era porque ela se recordava de quando nós passamos por aquilo. A adrenalina, as diferentes emoções percorrendo pelo corpo e finalmente, a confirmação de que ficaríamos juntas para sempre. Eu queria tanto beijá-la e dizer mais uma vez que a amava e que queria ficar para sempre ao seu lado. Eu queria mostrar pra ela que o que eu sinto, é grande demais para mim e por isso, eu dei tudo o que tenho e sou para ela.

Eu não sei quanto tempo fiquei prestando atenção nos olhos dela, porém quando a melodia ecoou o espaço mais uma vez, meus olhos se prenderam no menino loiro que caminhava à frente com as alianças. Harry estava perfeito. Não havia outra palavra para descrevê-lo. Não precisei olhar para Santana para ter certeza de que ela estava tão orgulhosa dele, quanto eu.

Harry parou diante Quinn e Rachel e levantou a almofada para que as duas pudessem finalmente concretizar as suas promessas. Eu tive que segurar um sorriso quando a mão de Quinn tremeu enquanto passava a aliança pelo dedo da sua esposa, afinal, mesmo ela tentando manter-se calma e controlada, ela estava tão ansiosa quanto Rachel.

O resto da cerimônia foi mais rápido do que imaginei e mais uma vez, não consegui ter o meu tempo a sós com minha esposa. Eu havia sido ‘capturada’ por alguns fãs e ela aproveitou pra ir indo na frente com Harry, Quinn e Rachel. E mais uma vez, eu peguei carona com Kurt para a festa.

“Erick não apareceu na cerimônia, aconteceu alguma coisa?”. Eu perguntei enquanto trocava de vestido no camarim que estávamos antes da cerimônia enquanto Kurt jogava algum jogo no celular.

“Ele não vem”. Ele respondeu sem tirar os olhos da tela do aparelho.

“E o que aconteceu?”. Perguntei arregalando os olhos finalizando de ajeitar o vestido preto em meu corpo e calçar os saltos. Esse era muito mais confortável e fresco, não conseguiria ficar com o vestido de madrinha até o final da festa e ainda bem que Kurt não estava com pressa para chegar logo na festa.

“Nós terminamos”. Ele respondeu naturalmente dando de ombros e levantando os olhos para me encarar. “Você está linda por sinal”.

“Oh meu Deus Kurt. Você quer conversar sobre isso?”. Perguntei assustada sem saber realmente o que fazer. Não estava esperando por aquela resposta e não sabia como agir, ainda mais quando tínhamos que estar em outro lugar.

“Eu estou bem e foi melhor para nós dois”. Ele sintetizou levantando-se e abrindo a porta. “Nós temos uma festa para ir, certo?”.

• • •

Não gastamos muito tempo para chegar até o local da festa e como sempre, Santana me ligou para saber por que estava demorando tanto. Eu preferi não responder as ligações, porque provavelmente iríamos ficar trocando palavras melosas e eu estava preocupada com o que Kurt poderia sentir caso ouvisse. Além do mais, o caminho não foi tão longo.

Não precisamos mostrar convites já que passamos a semana toda, praticamente, ajeitando o local. Os seguranças e trabalhadores do estabelecimento já estavam cansados de ver Kurt e eu.

O salão estava lindo, a decoração estava do modo que eu, Santana e Kurt explicamos que deveria estar. As mesas estavam cheias e a banda já estava no palco animando a festa. Eu pude ver de longe a mesa na qual iria me sentar era a de frente para o palco e Santana já estava em seu lugar, conversando com Mercedes e Tina distraidamente. Avistei Harry na mesa do lado, na qual havia sido ajeitada apenas para crianças e pelo o que vi, ele já havia feito algumas amizades.

Não pude deixar de sentir uma dorzinha quando observei quase todo o clube do coral reunido na mesa. Estava faltando apenas Finn e o Blaine, porém eu não estava contando muito com a presença deles.

Caminhei com passos apressados já desejando matar a saudade de minha esposa e dos meus amigos, e quando cheguei à mesa, coloquei as mãos nos ombros nus de Santana e os acariciei, chamando a sua atenção automaticamente. Ela deu o meu sorriso favorito, no qual eu sabia que era apenas para mim, e levantou-se para selar nossos lábios rapidamente. O calor e a maciez de seus lábios me reconfortaram e se ela não tivesse se afastado, eu não teria tido forças para tomar a atitude. Cumprimentei cada um dos integrantes com um abraço apertado tentando dissipar a falta que eles faziam e pude perceber que Santana não gostou muito quando abracei o Artie.

Caminhei novamente para onde ela estava e me sentei ao seu lado. Ela passou o braço pelo meu ombro me trazendo para mais perto e logo o seu perfume me embriagou. Levei a minha mão até a sua que estava jogada em meu ombro e a entrelacei, um ato que era tão comum para nós duas, que tinha vezes que eu só percebi que estávamos de mãos dadas quando precisava movimentá-la. Só então eu percebi que ela também havia trocado de vestido, para um vermelho sem alças e um pouco curto. “Não está curto demais?”. Eu perguntei arqueando uma sobrancelha enquanto observava suas torneadas coxas, fazendo o possível para controlar o calor que começava a aquecer meu corpo.

“Não está não B”. Ela respondeu sorrindo, acariciando o meu rosto com a mão livre. Tive que me controlar para não fechar os olhos e tombar a cabeça em sua mão.

“Aposto que já recebeu alguns olhares”. Eu disse sem conseguir esconder com o que eu estava preocupada. Ela soltou uma gargalhada baixa e selou nossos lábios rapidamente mais uma vez, deslizando o seus lábios até a minha bochecha direita deixando um beijo quente e estalado.

“Isso é para os seus fãs que continuam dando em cima de você”. Ela explicou cerrando os olhos, descendo a mão que estava em meu rosto para o meu pescoço. Eu pude sentir que minha pele arrepiou com o contato quente. “Só quero que eles vejam que têm concorrência”.

“Você sabe que eu sempre escolherei você”. Eu disse tentando me controlar diante a todos aqueles carinhos que ela estava distribuindo. Minha voz saiu um pouco fraca e rouca e minhas bochechas coraram, porque provavelmente tinha pessoas prestando atenção em nós.

“Eu sei, mas é bom me vestir bem para a minha esposa e poder provocar ela de vez enquanto em público”. Ela disse mais uma vez e sorriu novamente. Meus olhos que estavam fixos nos seus, desceram para os seus lábios e antes que pudesse ultrapassar os limites, voltei a encarar os seus olhos.

“E está conseguindo”. Confessei deitando a cabeça em seu ombro, depositando um beijo demorado em seu pescoço.

“Eu sei”. Respondeu confiante, me fazendo soltar um riso de suas palavras. Ela me acompanhou e estava prestes a completar quando Tina e os outros do coral nos colocaram na roda de conversa.

Em poucos minutos, enquanto Quinn e Rachel tiravam foto para depois irem para a primeira dança, eu consegui um resumo quase completo de cada um dos que estavam na mesa. Tina e Mike haviam finalmente se casado, a carreira de dançarino do Mike havia finalmente engrenado e ele e Tina haviam montado um estúdio de dança em Los Angeles. Sam estava noivo e sua noiva infelizmente não pode vir, pois teve que ficar cuidando do filho. Ele já era pai e era treinador de futebol americano do McKinley e trabalhava em uma academia. Artie havia se mudado para a Flórida — e ainda era difícil escutar sobre esse estado, pois sempre me recordava que a responsável por ter me feito ter uma das piores semanas da minha vida sem a pessoa que eu amo, havia voltado ido para Flórida no final do semestre, com a desculpa de que Ohio não tinha a formação na qual ela precisava — e havia acabado de entrar em uma grande companhia de softwares. Ele estava namorando há três anos e eu só percebi que a namorada dele estava presente quando ela se apresentou.

Mercedes subiu no palco e chamou a atenção de todos para começar o discurso. Era para a Santana e eu fazermos, mas conseguimos contornar a situação e Mercedes se pronunciou, afinal, ela cantaria a música da primeira dança. “Falar sobre a Quinn e a Rachel é um pouco difícil, afinal, só quem está desde o começo nessa história sabe como as duas enrolaram para ficarem juntas. Teve de desenhos pornográficos nas portas do banheiro a roubo de namorados”. Começou Mercedes arrancando algumas risadas. “Eu sempre suspeitei que por trás disso tudo houvesse alguma coisa a mais e como sempre eu estava certa, não é mesmo Santana?”. Mercedes perguntou apontando para Santana que deu de ombros e puxou meu corpo para mais perto sussurrando um ‘ela estava certa’ em meu ouvido. “Acreditam que elas começaram a namorar escondido e eu só fiquei sabendo depois de umas três semanas mais ou menos? Eu não sei como elas conseguiram, mas quando Quinn a beijou na frente de todos do clube do coral, ficou meio óbvio”. Completou arrancando mais risadas. “A cena foi hilária e acho que jamais vou esquecer, todos ficaram estáticos e quando Quinn saiu, Rachel sentou e contou tudo o que havia acontecido. Um ano não-Rachel Berry”. Eu não consegui ignorar as imagens desse dia. Do meu desespero de não conseguir chegar a tempo até Santana, de como o meu sofrimento estava me sufocando e depois, de como tudo acabou bem, ou melhor, perfeitamente bem, com direito a um pedido de casamento. Olhei para Santana ao meu lado e ela estava provavelmente pensando na mesma coisa que eu e não quis atrapalhar as suas lembranças e resolvi voltar a atenção à Mercedes. “E eu cheguei a pensar que esse casamento jamais fosse sair. Nunca conheci uma pessoa tão desligada quanto à Quinn, porque mesmo com a Rachel vestindo uma camisa escrita ‘case comigo’, ela parecia que não percebia e enrolava cada vez mais”. Rachel e Quinn aproximaram-se do palco de mãos dadas e eu pude ver de longe que Quinn estava com a face corada e havia sussurrado algo para Mercedes. Provavelmente pedindo para ela parar de falar, que foi ignorado pela cantora. “Porém finalmente ela tomou atitude e a pediu em casamento e estamos hoje aqui celebrando a felicidade do casal. Para isso, quero dedicar uma música a essas duas grandes mulheres que terão um longo caminho de felicidade pela frente”. Finalizou Mercedes arrancando palmos a assobios, enquanto se prepara junto com a banda para começar a música.

Os primeiros acordes soaram no local e eu ainda não tinha compreendido. Quinn e Rachel pelo visto já haviam percebido qual música era. As luzes diminuíram a luminosidade, focando apenas no casal dançando de frente para o palco.

I don't know, how I survied
In this cold and empty world, for all this time
I only know, that I'm alive
Because you love me

Santana colocou uma mão em meu queixo e girou meu rosto. Fiquei um tanto quanto surpresa com o seu ato, porém não protestei quando ela aproximou-se e colocou os lábios nos meus. “Oi meu amor”. Ela sussurrou contra os meus lábios, fazendo um sorriso crescer em meus lábios.

When I recall, what I've been through
There's some things that I wish I didn't do
And now I do the things I do
Because you love me

Santana ficou roçando os lábios sobre o meu, como se estivesse provando a textura e o gosto deles, sendo que ela já sabia de cor. Essas provocações dela não estavam me fazendo bem e tudo o que eu queria era beijá-la.

And now that you're in my life
I'm so glad I'm alive
Cuz you showed me the way,
And I know now how good it can be
Because you love me

Ela pareceu perceber o quanto eu estava ficando impaciente e finalmente entreabriu os lábios, dando permissão para que eu pudesse iniciar o beijo que eu tanto esperava. Minha mão apertou sua coxa tentando dissipar o desejo que eu sentia no momento, o que serviu apenas para motivá-la ainda mais, que desceu a mão para o meu pescoço e contornou-o, parando em minha nuca e me trazendo para mais perto.

Oh, and now that you're in my life
I'm so glad i'm alive
Cuz you showed me the way
And I know now how good it can be
Because you love me

Eu não estava realmente preocupada com o lugar a nossa volta, afinal, as luzes estavam apagadas e o centro das atenções eram as noivas e não nós. Por isso, aproveitei para intensificar o beijo e apertei ainda mais a sua coxa quando ela mordeu o meu lábio inferior para conter que um gemido saísse de seus lábios.

I believe in things unseen
I believe in the message of a dream
And I believe in what you are
Because you love me

Ela arranhou a minha nuca e eu percebi que precisamos parar antes que fosse tarde demais. Com muita força eu cessei o beijo distribuindo vários beijos pelo o seu rosto e por fim, selando em seus lábios. Ela resmungou e meu peito se encheu. Ela acariciou o lugar onde me arranhou e colou os seus lábios novamente, tentando iniciar um novo beijo, porém eu consegui desviar, mordendo o seu lábio inferior.

With all my heart, and all my soul
I'm loving you and I never will let go
And everyday, I'll let it show
Because you love me

“Eu te amo tanto...”. Ela disse como se estivesse analisando para si mesma. Sua mão corria por minha face, fazendo todos os contornos perfeitamente. “Eu te amo tanto, meu amor”. Ela completou e fez o contorno dos meus lábios com a ponta dos dedos, selando-os mais uma vez. Era como se ela estivesse fascinada ou algo do tipo e eu não estava reclamando, afinal, Santana era muito carinhosa e eu me perdia em suas carícias. Ela conseguia me fazer sentir tão segura, tão amada.

With all my heart, and all my soul
I'm loving you and I never will let go
And everyday, I'll let it show
Because you love me

Because you love me,

Ohh

Because you love me

A música acabou e enquanto todo mundo aplaudia o casal em pé, eu ficava observando o contrates da luz fraca nos olhos da minha esposa. “Você precisa ouvir uma coisa”. Ela sussurrou enquanto gesticulava com a cabeça para que eu olhasse na direção de Rachel e Quinn. Eu estranhei o fato de Quinn estar com o microfone de Mercedes nas mãos chamando a atenção de todos. Santana levantou-se de sua cadeira e estendeu a mão para que eu pudesse acompanhá-la.

“Eu queria agradecer a presença de todos aqui e por tornarem esse dia ainda mais especial”. Agradeceu Quinn enquanto Rachel respirava fundo provavelmente controlando o choro. “E tem algo que eu e Rachel gostaríamos de compartilhar com vocês”. Disse Q descendo a mão para entrelaçar a de sua esposa. As duas trocaram um olhar cúmplice antes de Quinn voltar a falar no microfone. “Rachel está grávida e finalmente começaremos uma família”.

Minha reação foi de choque e surpresa, igual a de todas as pessoas que estavam presentes. Só agora fazia sentindo as mudanças repentinas de Rachel durante o dia. Desviei o rosto para encarar Santana e para aumentar a minha surpresa, ela estava sorrindo da minha expressão chocada. “Você já sabia”. Eu disse arregalando os olhos e me sentindo um pouco traída por ela não ter contado. “Por que não me contou S?”.

Santana tombou a cabeça e apertou minha mão, me fazendo caminhar ao seu lado até a varanda do salão. “Eu queria que fosse surpresa e Rachel e Quinn não sabiam que eu descobri”. Ela explicou encostando as costas na grade e me puxando a fica em seu abraço. “Não fique assim B”. Ela disse acariciando o meu rosto com a mão que não estava em minhas costas. “Eu queria te contar, mas iria perder a graça”.

“Eu não iria espalhar S”. Eu disse cruzando os braços no tórax. “Como você descobriu?”. Eu perguntei cedendo às suas tentativas de aliviar a situação. Eu não conseguia ficar brigada com ela.

“Quando eu fui buscar o Harry na casa delas eu vi o teste de gravidez no lixo. E bom, Q não faria isso novamente e Rachel estava bastante estranha esses dias”. Disse Santana mordendo o meu lábio inferior e puxando-o levemente, fazendo meu corpo tremer e o calor voltar a inundar minhas células. Coloquei as duas mãos em sua nuca e acariciei o lugar.

“Eu não acredito que não percebi. Eu fiquei grávida, deveria ter adquirido um sexto sentindo ou algo do tipo”. Eu disse ainda chocada com a novidade. Santana riu do meu estado e me trouxe para ainda mais perto, sugando os meus lábios delicadamente.

“Você vai saber da próxima vez”. Ela disse tentando me reconfortar. Nesse momento Harry correu em nossa direção chamando nossos nomes. Santana afastou o rosto do meu para encarar o menino ao nosso lado e não se afastou de meu corpo, apenas levou uma mão para acariciar os cabelos loiros do pequeno. Eu abri um sorriso em sua direção e Harry segurou em minha mão livre.

“O que você quis dizer sobre ‘da próxima vez’, S?”. Perguntei quando parei para analisar o que ela havia dito. Eu não acho que Tina esteja grávida ou outra pessoa que conhecemos.

Santana abriu um sorriso doce nos lábios, fazendo-a lembrar de quando era pequena e estava ansiosa para contar uma surpresa. Meu coração acelerou automaticamente preocupada com o que ela fosse falar. “O que você acha de ter um irmãozinho, Harry?”. Ela perguntou virando o rosto para encarar nosso filho que sorria e se exaltava enquanto eu sentia meus músculos tencionarem.

“Eu sempre quis um irmãozinho mãe!”. Exclamou Harry abraçando a minha cintura e a de Santana ao mesmo tempo.

Santana afastou os olhos do loiro e voltou a me encarar. Acho que não precisava descrever a quão surpresa eu havia ficado. Nunca imaginei que Santana faria uma coisa dessas, ainda mais sem ser obrigada ou algo do tipo. “O que você acha?”. Ela perguntou fixando os olhos nos meus e eu não conseguia responder, pois as palavras haviam fugido e meu coração estava tão acelerado que eu não conseguia raciocinar corretamente. O único gesto que consegui fazer foi um balançar de cabeça, o que causou um sorriso enorme nos lábios carnudos de minha esposa e eu retribui rapidamente.

Nossos olhos ainda estavam fixos e eu não conseguia desviá-los, pois eu ainda não havia me acostumado a ler a Santana tão bem assim e eu acabava me perdendo na quantidade de informação que eu absorvia e eu me sentia tão aliviada e surpresa quando eu via que tudo o que eu sentia por ela era retribuído na mesma intensidade. Ainda mais com um ato tão nobre e altruísta como esse. Era assustador saber que uma pessoa tinha tanto poder sobre você e você ter tanto poder sobre ela. Ela controlava tudo em mim e por isso eu não tinha medo de deixar todo o meu ser em suas mãos, pois ela já havia me salvado, salvado a minha alma, várias vezes e faria quantas vezes fosse possível. E o que era melhor, ela não precisava falar ou tentar explicar, ela só precisava sentir, porque eu iria sentir junto com ela e não havia sensação ou palavras suficientes para descrever o quão mágico e perfeito era.

Nós somos um só, agora e para todo o sempre.



Notas finais
N/A: Ahh gente, agora acabou de vez. É triste não? Um dos motivos de ter enrolado tanto para soltar o epílogo foi que todas as vezes que eu recordava que esse era o último post que eu faria em Save My Soul, meus olhos enchiam d'água e eu parava de escrever. Demorei o que? Dois meses ou três para terminar postar? Bastante tempo acho que é a melhor resposta. Espero que não tenham desistido, porque eu realmente quero fechar bem essa história e gostaria da presença de todos que estiveram aqui até o fim. Eu recebi algumas pms me perguntando porque eu sumi, e bom, eu vou explicar agora: lembram que ano passado eu ficava com dificuldade para postar por causa do ENEM e vestibular? Então, eu passei na federal e eu nunca pensei que fosse estudar mais do que o meu terceiro ano. Pois é.. Para vocês terem uma noção, esse feriado passarei sentada na frente da mesa lotada de livros. Mas vai valer a pena. Com os estudos apertados, sem tempo para entrar e quando tinha tempo, eu não conseguia escrever, acabou me fazendo atrasar aqui. Peço sinceras desculpas. Mas bom, pelo menos teve o beijo Brittana que nós tanto esperamos em Glee para acalmar um pouco os ânimos, certo? Antes que eu esqueça, música da dança Faberry é da Carrie Underwood, chamada Because You Love Me.
Eu acho que não tenho muitas palavras para descrever o quão importante essa fic foi para mim, acho que já deixei meio claro no último capítulo.
Ainda não tenho certeza quando postarei a future Brittana, mas podem ficar calmos que eu já escrevi o primeiro capítulo e não vou jogar a ideia fora. Eu só preciso de um nome e organizar tudo primeiro. Eu darei um jeito de avisar a todos quando eu postar o primeiro capítulo e espero que me acompanhem.
Eu espero que tenham gostado do epílogo. Tentei explicar tudo o que aconteceu pelo ponto de vista da nossa Britt. Tomara que não tenha decepcionado a todos vocês. Obrigada mais uma vez por todo o carinho e confiança que vocês depositaram em mim. Ainda fico toda boba lendo e relendo os reviews de todos. Eu só tenho muito a agradecer.
Um grande beijo para todos,
Carol.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!