Save My Soul

CGates

Chapter#17

Foi então que Santana viu uma lágrima silenciosa rolar pelo rosto da loira fazendo o caminho de seus olhos até a curva de seu pescoço. O soluço que outrora estava preso em sua garganta foi audível quando Brittany virou o rosto para encarar Santana em choque. Os olhos da loira demonstravam um brilho no qual Santana não soube identificar porque jamais havia visto presente. Com um estalo em sua cabeça, sua dúvida fora tirada. A mensagem havia finalmente chegado à Brittany.

As batidas de seu coração ficaram cada vez mais doloridas e rápidas conforme observava as lágrimas caírem rápidas pela face de Brittany. Não sabia o que falar e quando menos percebeu, estava chorando junto com a loira. Seus lábios estavam trêmulos, assim como suas mãos. Seria hipocrisia dizer que jamais pensou que aquilo um dia aconteceria, afinal, esse medo rondou sua cabeça por muito tempo e já tinha decidido que mostraria a foto e explicaria para Brittany quando chegasse o momento certo.

"Eu posso explicar". Foram as únicas palavras que saíram dos lábios de Santana em um tom baixo e embolado.

O efeito causado foi o contrário do que a morena havia imaginado. Brittany levantou-se da cama e jogou o celular contra a parede mais próxima. Era a primeira vez que a loira perdia o seu autocontrole dando margens aos seus sentimentos sombrios. Sua face estava indecifrável. Uma mistura de dor e ódio no qual assustava Santana e piorava a dor em seu peito.

Santana levantou-se de imediato e se colocou na frente de Brittany impedindo que a loira seguisse até a porta, sem muito sucesso é claro já que Brittany era maior e mais forte e com um empurrão retirou Santana de seu caminho.

"B espere, por favor". Pediu Santana com a voz elevada enquanto apressava os passos atrás da loira. Não se importou em esconder as lágrimas na frente dos amigos que ao verem as duas passando às pressas pela sala fizeram silêncio. Brittany abriu a porta da sala e apressou ainda mais os passos, que a essa altura estavam descompassados pelo tremor de suas pernas e a fraqueza de seu corpo.

Santana finalmente conseguiu segurar os ombros da loira antes que a mesma entrasse no elevador e a girou, fazendo um contato imediato com seus olhos o que foi pior, porque as íris azuis não esconderam o misto de decepção no qual Brittany estava sentindo. A loira tentou afastar os braços de Santana de seu corpo violentamente e a morena teve que se proteger quando a loira perdeu o controle e tentou dar tapas em seu braço. Santana colocou toda a sua força para acalmar a loira e por fim segurou seus braços.

Não foi surpresa quando Brittany finalmente cansou de tentar agredi-la e deixou que os braços da morena rodeassem seu corpo. A loira escondeu a cabeça na curva do pescoço da morena e deixou que as lágrimas e que os soluços saíssem livremente.

Santana também não escondeu o seu sofrimento e por isso apertou a loira ainda mais forte contra o seu corpo. A morena desejava fundir-se no corpo da namorada para aliviar toda aquela dor. Essa noite era para ser especial, pois seria o dia em que finalmente pediria a mão da namorada, logo em seu aniversário após de receber a aprovação de uma ótima universidade de artes.

A morena não soube ao certo quantos minutos se passaram enquanto se abraçavam, mas soube que os soluços de Brittany e sua respiração estavam finalmente normalizando. Santana não afrouxou o abraço quando Brittany tentou afastar-se e por isso a loira teve certa dificuldade para afastar o rosto do pescoço de Santana e encarar finalmente seus olhos.

"Eu nunca pensei que você fosse me magoar desse jeito. Você entre todas as pessoas tinha consciência de que tudo o que você faz me afeta e você conseguiu estragar tudo o que nós tínhamos". Disse Brittany baixo e com a voz cortante fazendo Santana entrar em estado de choque. A loira afastou-se dos braços de Santana assim que teve chance e caminhou para o elevador, entrando logo em seguida.

As palavras da loira ainda estavam ecoando na mente de Santana e a morena não teve forças para correr atrás de Brittany. Todos os seus órgãos travaram de imediato e romperam em dor. Santana sentiu seus pulmões contraírem e o ar ficar mais pesada. Sua visão embaçou e não conseguiu deter o peso de seu corpo e escorou na parede mais próxima. A morena enterrou o rosto em suas mãos e as lágrimas voltaram a cair com mais força.

Tudo doía. O simples fato do seu coração estar bombeando sangue para o seu corpo fazia todos os seus músculos travarem.

A morena não percebeu os passos no corredor e não levantou a cabeça quando sentiu um toque quente em seu ombro esquerdo e mesmo que quisesse, não tinha forças para levantar a cabeça e analisar o seu acolhedor.

"Vamos entrar". Disse Quinn em baixo tom. Santana balançou a cabeça negativamente e deixou um soluço alto sair de seus lábios. A vergonha de estar se humilhando em público, deixando sua fraqueza à mostra para qualquer pessoa que passasse não a incomodava no momento, afinal, nada mais importava. "Vamos S, você não pode ficar aqui a noite toda".

"Eu estraguei tudo Q". Sussurrou Santana fracamente sentindo o peso de suas palavras pesarem em seu ombro.

Santana ouviu Quinn suspirar profundamente e apertou ainda mais o rosto em suas mãos.

"Você vai me ajudar aqui ou não?". Perguntou Quinn levemente alterada e Santana pressentiu que a amiga estava referindo-se à outra pessoa que estava no corredor junto com as duas.

Imediatamente Santana sentiu um toque muito mais quente e muito mais pesado em seu ombro direito e não tinha dúvidas de quem poderia ser, afinal, já estava familiarizada com aquele toque. "Você é mais forte do que isso Santana". Disse Tyler levantando a prima pelos ombros e colocando um braço em sua cintura ajudando-a caminhar de volta para casa. Quinn estava insistentemente ao seu lado e segurava sua mão compulsivamente.

Sua visão estava bastante embaçada e por isso não teve certeza se todos já haviam ido embora, a única coisa na qual tinha certeza era que havia sido colocada em sua cama e aproveitou enterrou a cabeça em seu travesseiro. Sua bolsa ainda estava em cima da cama e as lembranças do que havia acabado de acontecer naquele mesmo local estava embrulhando seu estômago e aumentando as pontadas de dor em seu corpo.

"Você pode ir agora, eu vou ficar aqui com ela". Disse Quinn a alguns metros de distância e Santana supôs que ela estava falando com Tyler.

"Eu não vou a lugar algum. Eu vou ficar aqui com ela. Eu sou da família". Retrucou Tyler e pelo tom de sua voz, ele estava tão nervoso quanto à loira.

"Escuta aqui Tyler. Eu sei o que aconteceu com vocês dois e não vou deixar você aproveitar da fragilidade dela". Exaltou Quinn.

"O que você acha que eu sou?". Retrucou Tyler mais uma vez. "Só porque eu e a Santana tivemos alguma coisa não significa que eu vou insistir em algo no qual ela já disse que é impossível".

"Vai embora, por favor". Pediu Quinn com o tom de voz mais baixo e um silêncio formou-se imediatamente. Santana só teve certeza que Tyler havia se retirado quando ouviu a porta do quarto bater e um peso formar-se ao lado na cama. As mãos delicadas de Quinn puxaram seu ombro e colocaram a cabeça da amiga sobre sua barriga. A loira acariciou os cabelos morenos enquanto Santana deixava as lágrimas molhar a roupa de Quinn e seus braços apertavam o corpo da amiga. "Eu estou aqui S". Sussurrou Quinn. "Pode descansar agora".

O sono não veio tão rápido quanto desejava. Seu corpo estava agitado e seus pensamentos incontroláveis. Quinn ficava acariciando seus cabelos e sussurrando palavras de consolo conforme o choro da morena aumentava.

Não soube ao certo que horas havia caído no sono, mas soube que era tarde o bastante, pois o quarto estava começando a clarear com os fracos raios solares do início da manhã.

Da mesma forma que perdeu a noção do tempo antes de dormir, havia perdido ao acordar. O quarto estava relativamente escuro e sua cama estava vazia. Tentou rolar na cama para checar as horas no despertador ao lado do seu criado-mudo, mas todo o seu corpo gritou em dor e foi então que os flashes do acontecimento da noite passada começou a correr por sua cabeça. Lembranças da mágoa de Brittany presente nas íris azuis, o longo abraço que compartilharam, as palavras e a voz de Brittany ecoando por seu corpo e perfurando todos os seus ossos e por fim, a imagem da loira entrando no elevador deixando-a indefesa e sozinha no corredor. As dores – porque eram vários tipos diferentes – começaram a rondar o seu corpo mais uma vez e as lágrimas que haviam ido embora, voltaram a cair queimando por sua face.

A morena girou na cama e acabou deparando-se com o travesseiro da loira. O odor doce e suave que havia impregnado no travesseiro pelos cabeços e pela pele da loira entrou em suas narinas e a sufocou. Inconscientemente suas mãos agarraram o travesseiro e o trouxe para mais perto, enterrando a cabeça no mesmo e embriagando-se cada vez mais com o perfume da loira.

"Largue isso S". Disse Quinn entrando no quarto com um prato com sanduíche em uma mão e um copo de suco em outra. Santana afastou o rosto rapidamente do travesseiro para encarar a amiga e surpreendeu-se por encontrar manchas roxas grandes embaixo dos olhos cansados da loira. Uma marca de que a amiga havia cumprido o seu papel e havia tomado sua conta durante toda a noite e também estava cansada. Quinn ainda estava com o seu vestido de festa e pareceu ler o olhar analisador de Santana. "Sim, eu fiquei aqui durante o dia".

Santana tentou ignorar a presença da amiga e voltou a enterrar o rosto no travesseiro de Brittany. A morena sentiu a cama pesar novamente, porém dessa vez ao seu lado e sentiu a mão de Quinn tocar o seu ombro. "Você vai me contar o que aconteceu?". Perguntou suavemente.

Não tinha forças para falar, muito menos para explicar o que havia acontecido sabendo que seria tão dolorido repassar o pior acontecimento de sua vida que isso mesmo a desmotivava. Por isso, a única coisa que conseguiu fazer foi apontar para o celular de Brittany no canto do quarto, no mesmo lugar que a loira havia jogado.

O peso na cama se desfez e Santana ouviu a loira encaixando a bateria no aparelho e fechando-o logo em seguida. O barulho do celular ligando foi escutado e não demorou muito para Santana escutar uma exclamação surpresa de Quinn. "Que desgraça você fez Santana?". Exaltou Quinn caminhando de volta para a cama e sentando-se no mesmo lugar de antes. "Por favor, me diga que isso é montagem".

O choro da morena aumentou fortemente e apertou-se mais forte contra o travesseiro. Não tinha o que negar e só de relembrar da foto o ar lhe faltou. A imagem era de alguns meses atrás quando elas haviam ido à festa do Puck e quando Quinn e Rachel ficaram pela primeira vez. Era especificamente do momento em que ela havia saído para fumar e Claire havia aparecido tentando seduzi-la mais uma vez. A foto havia sido tirada quando a ruiva estava próxima o suficiente e quando Santana estava buscando forças para recuar, porém pelo ângulo que havia sido tirado não mostrava nenhuma resistência e sim Santana cedendo os seus desejos. Mesmo se tentasse explicar que não se passava de uma má impressão, não tinha como negar que estava próxima o suficiente e que queria sim aproveitar a oportunidade e por isso havia sido tão difícil chegar a um consenso interno para tentar se explicar para Brittany no momento em que recebeu a imagem pela primeira vez. Independente de como fosse contar, teria que falar a verdade e querendo ou não, seria dolorido, pois admitiria em voz alta e para a pessoa que amava que estava prestes a traí-la em um momento de fraqueza.

O peso da cama se desfez e o desespero em ter que ficar sozinha com os seus pesadelos aterrorizou a morena fazendo-a levantar a cabeça apressadamente. "Não vá". Pediu fracamente e se o apartamento não estivesse silencioso o suficiente, teria certeza que a amiga não ouviria.

Quinn respirou fundo ainda com o celular em mãos e virou-se para amiga. "Eu vou ligar para Rachel e já volto". Explicou Quinn virando-se novamente e fazendo o caminho até a cozinha. Santana assentiu com um balançar de cabeça e forçou o seu corpo para sentar-se na cama. Sua cabeça girou de imediato e estalou como se estivesse tento a pior ressaca de sua vida. A morena encarou o lanche ao seu lado e seu estômago embrulhou e concluiu que não comeria nada, pois além de estar sem fome, não queria piorar o seu estado passando mal.

Com muita força conseguiu colocar os pés para fora da cama e sentiu todo o seu corpo fraco e queimando. Tentou buscar impulso no chão para levantar-se e caminhar até o banheiro, mas suas pernas estavam bambas e não a obedeciam direito. As lágrimas haviam cessado brevemente apesar de seus olhos estarem ardendo e prestes a explodir. Seus olhos percorreram toda a extensão do cômodo e depara-se com a caixinha de veludo próxima aos seus pés. Um nó formou-se em sua garganta e quanto menos esperava já estava pegando o objeto nas mãos e abrindo-o. O brilho da pedra e sua cor reluzente trouxeram a lembrança dos olhos de Brittany e por mais que tentasse, não conseguia apagar a lembrança da mágoa e da decepção nas íris azuis.

"O que você está fazendo?". Perguntou Quinn tirando-a de seus devaneios e aproximando-se novamente.

"Eu iria pedir a mão dela ontem à noite". Respondeu Santana com a voz rouca e dolorida. Sua cabeça virou-se para encarar a amiga e observou os olhos arregalados e a expressão surpresa na face cansada da loira. Santana estendeu a caixinha de veludo para a amiga que não recusou e analisou o objeto sentando-se ao lado da morena.

"É lindo S". Disse Quinn retirando a aliança e girando em seus dedos, analisando com precisão os detalhes em ouro branco a pedra azul clara. "É da cor dos olhos dela". Concluiu Quinn analisando apenas a pedra.

"Eu sei". Disse Santana com a voz embargada, sentido algumas lágrimas descerem sem o seu consentimento. "Eu comprei para ela em New York". Completou Santana com um sorriso triste, sentindo o braço de Quinn rodear a sua cintura e a trazer para mais perto.

"Você chegou a mostrar?". Perguntou Quinn guardando a aliança na caixa mais uma vez e devolvendo para Santana. A morena aproveitou seu estado de fraqueza e deixou que Quinn tomasse conta de sua dor. Santana apoiou a cabeça no ombro da loira e fechou os olhos.

"Não tive tempo". Respondeu dolorosa e fracamente. Um período de silêncio formou-se e Santana recordou do que a amiga havia feito ao sair do quarto e por instinto lembrou-se que não recordava de ter visto Rachel depois do acontecido. "Onde está a Berry?".

Quinn demorou a responder e Santana abriu os olhos, virando o rosto para encarar a face da amiga. Como se estivesse sentindo o olhar da morena a perfurar para obter uma resposta, Quinn suspirou fundo e respondeu em um sussurro. "Está com a B desde ontem".

Seu coração acelerou e seus órgãos e músculos contraíram. Mesmo ouvindo apenas o apelido de Brittany seu corpo reagiu da mesma forma que estivesse vendo-a ao vivo. Sua respiração começou a ficar mais pesada e várias dúvidas surgiram em sua cabeça. Queria saber como a namorada estava, porque Rachel teve que ficar lá e se teria a oportunidade de chamar Brittany de namorada mais uma vez. Só com esse simples pensamento, sentiu o chão abrindo embaixo de seus pés com o pensamento de que talvez não conseguisse resolver esse mal entendido. Sabia que havia ferido Brittany e sabia como a loira reagia ao sofrimento. Ela era a sensível o suficiente para ferir-se facilmente.

"Vocês irão superar isso". Afirmou Quinn encostando a cabeça na da morena.

Santana soltou o ar que estava preso em seus pulmões lentamente enquanto analisava com precisão as palavras da amiga. Ela precisava agarrar-se a esse pensamento, afinal, já passaram por várias dificuldades no qual conseguiram sair juntas e essa precisava entrar nessa lista, pois a morena já não tinha certeza se conseguiria seguir em frente sem a namorada. Estava sendo praticamente impossível ficar naquele cômodo sem lembrar-se de tudo o que já passaram juntas, dos abraços, dos beijos, dos carinhos, das palavras sussurradas no ouvido, das promessas que foram seladas com suas vidas. Eu preciso resolver isso. Brittany precisa ouvir toda a história, afirmou Santana levantando a cabeça do ombro de Quinn e preparando-se para levantar.

"Aonde você vai?". Perguntou Quinn levantando-se junto com a amiga e dando o seu ombro como apoio quando a morena perdeu o equilíbrio.

"Eu preciso tomar um banho". Respondeu Santana fazendo um movimento com a cabeça apontando para o banheiro no canto do quarto.

"Certo. Qualquer coisa me chame". Disse Quinn encarando a amiga mais uma vez antes de sair do quarto para lhe dar um pouco de privacidade.

Santana aproveitou a deixa da amiga e caminhou cuidadosamente até o banheiro e odiou o quanto seu corpo estava fraco. Qualquer movimento que fazia, seus músculos repuxavam. A morena levou a mão à maçaneta e empurrou a porta apoiando imediatamente na pia. Demorou a tomar coragem o suficiente para encarar-se no espelho, porque se Quinn estava naquele estado lamentável, ela deveria estar o triplo pior. Com a curiosidade falando mais alto, a morena levantou o rosto e teve sorte de estar apoiada na pia caso contrário cairia imediatamente no chão. Por um momento não reconheceu o reflexo no espelho. Seus olhos estavam inchados e vermelhos assim como seu nariz e seus lábios que estavam levemente feridos por ter mordido-os durante a noite enquanto tentava controlar suas lágrimas. As olheiras em seus olhos estavam muito mais roxas do que imaginava e parecia que havia acabado de sair daqueles filmes de terror, porque seu reflexo não demonstrava nada, nem um brilho em seus olhos era perceptível.

Sentiu as lágrimas ameaçarem a cair novamente e antes que perdesse o foco, retirou sua camisa e em seguida sua calça e suas peças íntimas. Caminhou até o box e entrou, fechando-o logo em seguida e deixando a água quente cair e perfurar sua pele. Inconscientemente apoiou a testa na parede azulejada e fechou os olhos. Desejava que a água levasse todo o seu sofrimento embora e tudo o que havia acontecido. Desejava que estivesse vivendo o seu pior pesadelo e que ao abrir os olhos se encontraria nos braços de Brittany e a acordaria com beijos e pequenas mordidas em seu pescoço. Quando menos percebeu, já estava em lágrimas e havia sentado no chão, apoiando sua cabeça em seus joelhos.

"S, está tudo bem? Você está aí há um tempo". Quinn bateu na porta do banheiro e isso trouxe Santana para a realidade novamente. Surpreendeu-se por ter perdido a noção e levantou-se do chão.

"Estou saindo". Respondeu com a voz rouca sem conseguir disfarça as falhas de seu choro. Agradeceu por Quinn não ter insistido e aproveitou para terminar de se banhar.

Gastou sete minutos a mais até que voltou para o quarto enrolada na toalha e vestiu um de seus habituais vestidos. Recusou olhar-se no espelho mais uma vez e não estava com paciência para tentar se esconder atrás de camadas de maquiagem. Para que tentaria mostrar o contrário do que estava sentindo?

"Você não vai sair". Quinn entrou no quarto e aproximou-se da amiga analisando as suas vestimentas.

"Eu preciso falar com ela". Retrucou Santana fechando o guarda-roupa e virando-se para Quinn que estava com os braços cruzados no tórax. "Eu preciso vê-la".

"Não agora S". Cortou Quinn mais uma vez colocando-se na frente da amiga e impedindo que ela saísse.

"Por que você está falando isso? Você sabe que eu preciso arrumar isso Q". Indagou Santana com a voz levemente alterada enquanto abaixava para pegar sua bolsa e a chave de seu carro.

"Você acha mesmo que ela vai querer te ver logo agora? Você não pode esperar pelo menos um dia?". Perguntou Quinn passando a mão na face cansada e mantendo-se firme com a sua posição de ex cheerio no qual intimidaria qualquer pessoa, exceto por Santana que já havia se acostumado com a intimidação da amiga.

"Não Q. Você não entende, eu não posso esperar um dia". Respondeu Santana impacientando-se e sentindo a dor em seu corpo aumentar apenas com a idéia de que ficaria um dia inteiro sem ver Brittany.

"Vocês duas não estão com cabeça para tentar resolver alguma coisa nesse estado S. Pode acabar piorando as coisas". Analisou a loira fazendo Santana calar-se. Por um lado Quinn estava certa e Santana sabia disso, mas não conseguiria ver Brittany sofrendo e não poder fazer nada para reverter esse fato sendo que era o motivo disso tudo estar acontecendo. Havia dado sua palavra a si mesma, à Brittany e à família da namorada de que seria responsável pela felicidade da loira e faria o possível e o impossível por isso e havia chegado a hora de provar suas palavras.

"Se afaste Fabray". Pediu Santana passando a mão no rosto e respirando fundo. Não desejava perder a paciência logo agora, mas Quinn não estava ajudando, apesar de Santana saber que a amiga estava tomando essa posição pelo seu bem e pelo de Brittany.

"Não. Você precisa deixar de ser egoísta e pensar só em você. O que você acha que vai acontecer se a Brittany te ver agora? Ela já está sofrendo o suficiente para ter que encarar a sua face agora. Se você não me respeita, pelo menos respeite ela". Cortou Quinn mais uma vez e dessa vez não tentou controlar sua voz, pois havia sido alta o bastante para ecoar por todo o cômodo pegando Santana desprevenida.

"Você não entende! Você não entende que eu preciso dela para respirar, para viver e que saber que ela está nesse estado por minha causa está matando não só a ela quanto a mim. Eu não estou pensando em mim, Fabray. Eu nunca penso em mim quando se trata dela, porque eu faria qualquer coisa que a deixasse feliz, mesmo que eu precisasse colocar em risco a minha vida". Retrucou Santana com a mesma intensidade que a amiga, dando um passo ameaçador na direção da loira que não recuou e permaneceu intacta. "Você não tem noção do quanto eu a amo e do que eu sou capaz". Completou Santana com a voz baixa e com os olhos marejados. Quinn abriu os braços e a morena não pensou duas vezes em deixar-se ser acolhida pelos braços da amiga. "Eu a amo, Q". Sussurrou a morena dolorosamente em meio às lágrimas que molhavam o ombro da loira.

Quinn afastou a morena de seus braços cuidadosamente e pegou a chave do carro de suas mãos e logo em seguida, com a mão livre, segurou na da Santana fazendo-a caminhar atrás de ti. "O que você está fazendo?". Perguntou Santana confusa enquanto passava pela sala de seu apartamento e analisava o estado que estava. Pelo visto Quinn havia arrumado tudo enquanto dormia, pois não havia rastros de que havia acontecido uma festa naquele cômodo. Tudo estava em perfeita ordem.

"Estou levando você para resolver isso".

• • •

Desde a hora que entraram no carro nenhuma das duas garotas haviam pronunciado uma palavra. Quinn estava provavelmente analisando se a sua decisão havia sido uma boa ou má idéia enquanto Santana buscava meios para começar um diálogo com Brittany. Já havia tido algumas brigas com a loira para saber como ela se comportava e dessa vez, sendo mais sério, estava perdida em como começar com a sua explicação. Desde o início do relacionamento haviam prometido que não manteriam segredo e que contariam tudo, até mesmo se fosse doloroso e Santana sabia que havia falhado nesse quesito. Estava mais do que arrependida de não ter contato a verdade para Brittany no tempo em que Claire estava disposta a tudo para seduzi-la e que, vergonhosamente, quase havia deixando-se levar pela atração que sentia pela ruiva. "Você acredita em mim quando eu digo que eu não a beijei?". Perguntou Santana com a testa encostada no vidro do carro analisando a paisagem fúnebre da cidade naquele final de tarde.

"Mas você queria". Julgou Quinn encostando a cabeça no banco enquanto esperava o sinal abrir.

"Você perdoaria a Rachel?". Perguntou a morena mais uma vez. Não precisou virar o rosto para analisar o rosto da amiga, o simples suspiro que ela havia soltado demonstrava que a loira estava confusa e que provavelmente essa pergunta já havia rodado em sua cabeça.

"Não sei". Respondeu Quinn por fim dando partida e fazendo o carro inundar mais uma vez no silêncio.

As palavras da amiga foram o suficiente para aumentar o medo que estava sentindo. Tentou colocar-se no lugar de Brittany para tentar adivinhar qual seria a sua reação e o que faria a respeito, mas era doloroso o bastante para ir até o final. Só de imaginar Brittany sentindo atração por outra pessoa era horrível. Sentia-se impotente por não ter consigo atrair corretamente a atenção da namorada e só então percebeu como a loira estava se sentindo. Odiou-se ainda mais e sentiu sua coragem fugir.

Santana afastou de seus devaneios quando Quinn estacionou e desligou o carro. Seu coração inevitavelmente começou a pulsar mais rápido e suas mãos suarem. Sentiu seus olhos arderem e marejarem e tratou de afastar qualquer resquício de insegurança, porque já havia falhado terrivelmente e não queria cometer o mesmo erro duas vezes seguidas.

Quinn foi a primeira que saiu do carro seguida por uma Santana trêmula que tentava acompanhar os passos apressados da amiga.

O caminho havia parecido mais longo do que a última vez que estivera ali e apenas quando Quinn tocou a campanhinha que a morena conseguiu soltar o ar pelas narinas. Passos apressados foram ouvidos dentro da casa e Santana virou a cabeça para a garagem da casa e por sorte estava apenas com o carro da Berry. Sinal de que os pais de Brittany haviam ido trabalhar e pelo menos tornava a situação um pouco menos desconfortável.

A porta rangeu à sua frente e não se surpreendeu quando Berry abriu a porta e aparentava esta em um estado tão lamentável quanto Quinn. As olheiras em sua face delicada também estavam bastante roxas e seus olhos demonstravam o cansaço no qual seu corpo e mente se encontravam. "O que vocês estão fazendo aqui?". Perguntou Rachel com o seu tom autoritário com uma pitada de nervosismo. Seus olhos variavam de Santana para Quinn.

"Eu preciso vê-la". Respondeu Santana ansiosa tentando dar um passo sendo impedida por Rachel que bloqueou o caminho com seu pequeno corpo.

"Ela não está em condições para conversar agora Santana". Respondeu Rachel mantendo o contato com os olhos da morena, na tentativa de fortalecer o peso de suas palavras, no qual foi totalmente em vão.

"Berry se afaste". Pediu Santana passando a mão no rosto tentando controlar os seus sentimentos que nesse momento a estava deixando confusa e entorpecida.

"Não Santana. Você não acha que já estragou bastante a vida dela? Não pode pelo menos ter a decência de dar um tempo para que ela se recupere?". Exaltou Berry colocando as mãos na cintura e Quinn foi obrigada a colocar-se no meio das duas antes que alguma delas acabasse perdendo o controle.

"O que está acontecendo não te diz respeito então não venha tentar dizer o que eu devo ou não fazer". Retrucou Santana na mesma intensidade que Rachel e Quinn colocou a mão em seu ombro e apertou, um pedido mudo para que ela se controlasse.

"Eu posso não estar envolvida nisso tudo, mas eu estou fazendo o meu papel e acolhendo a Brittany". Cortou Rachel afastando a mão de Quinn de seu ombro e recebendo um olhar surpresa da loira que não esperava que a namorada fosse fazer uma coisa dessas. Rachel rapidamente se arrependeu e abaixou a cabeça, respirando fundo e voltando a encarar Santana.

"Se você estivesse tão preocupada com ela você me deixaria entrar". Retrucou Santana mais uma vez franzindo o cenho e deixando uma lágrima silenciosa rolar por sua face sem o seu consentimento.

Santana percebeu o olhar de Rachel acompanhar a gota que corria por sua face e rapidamente notou uma mudança em seu comportamento. Seus ombros relaxaram e seus olhos se fecharam brevemente.

"Elas precisam conversar Rachel". Disse Quinn passando o braço pelos ombros da pequena que deixou sua cabeça repousar em seu tórax.

"Eu não sei se é realmente uma boa idéia. Brittany não está em condições...". Retrucou Rachel sendo cortada por passos que ecoaram ao fundo na escada, fazendo o coração da morena acelerar-se com a percepção de quem poderia ser. Mesmo com a porta impendindo sua visão, Santana ansiou-se com a presença de Brittany.

"Deixa-a entrar". Pediu Brittany com a voz irreconhecível. Estava fraca e mais baixa do que o normal. Santana engoliu seco e sentiu uma ligeira insegurança. Talvez Rachel esteja certa e eu não deveria ver a B agora. Não tenho certeza de como reagirei quando ver o seu estado, analisou Santana em seus pensamentos.

Não teve tempo para recuar, pois Quinn e Rachel haviam se afastado da porta, saindo da casa e caminhando até o carro dando mais privacidade para as duas conversarem em paz. Santana respirou fundo antes de passar pela porta e quando finalmente entrou, teve sorte de estar perto do batente, porque não conseguiria ficar em pé sem auxilio ao ver o estado lamentável de Brittany.

A loira estava na ponta da escada e estava irreconhecível. Seus olhos estavam inchados e vermelhos e também possuía olheiras. Sua pele estava mais clara do que o de costume e havia marcas de lágrimas por toda a sua face. Brittany não pareceu se surpreender com o estado de Santana quanto à morena havia se surpreendido e por isso passou direto e caminhou até o sofá.

Santana engoliu seco e sentiu seu coração ser amassado, como se alguém estivesse comprimindo-o e inevitavelmente levou a mão ao peito. A morena fechou a porta e caminhou até a loira e sentou uma distância considerável no sofá. Só de sentir o perfume o calor de Brittany perto de sua pele causava um sensação de calma e temeu por um segundo que essa fosse a última vez que sentiria isso.

As palavras a traíram e agarraram em sua garganta. O clima estava desconfortável para as duas e enquanto Santana tentava buscar algum suporte nas íris azuis para finalmente começar a falar, Brittany tentava manter-se firme na presença da morena.

"Você veio aqui para ficar me olhando?". Perguntou Brittany rispidamente e o que Santana encontrou em seus olhos e em sua voz a fez recuar. Era uma mistura de ódio e mágoa que jamais havia presenciado. Seu corpo reagiu rapidamente com o choque e a dor que estava presente apenas em seu peito correu por todos os seus membros.

"Eu vim aqui para nós conversarmos". Respondeu Santana com a voz trêmula e falha e preferiu desviar os olhos das íris azuis da loira, pois era dolorido o bastante ficar encarando-as e saber que a dor e a indignação no qual a loira estava sentindo era culpa sua.

Brittany ficou em silêncio e assentiu com um balançar de cabeça incentivando Santana a continuar. Santana aproveitou e respirou fundo mais uma vez. "Eu não traí você". Soltou Santana de uma vez, tentando ser o mais direta possível. "Eu jamais faria isso com você. Você precisa acreditar em mim B". Completou Santana aproximando-se um assento no sofá fazendo Brittany recusar automaticamente. Não conseguiu ignorar a dor que essa ação da loira lhe causou e um suspiro fraco saiu de seus lábios.

"Mas você quis". Afirmou Brittany dolorosamente e procurando encarar os olhos da morena. Santana não conseguiu quebrar o contato visual e por conseqüência não conseguiu negar o que a loira havia dito.

Santana observou os olhos de Brittany marejarem e antes que conseguisse se controlar, as lágrimas já estavam rolando por sua face mais uma vez. O sofrimento de Brittany chegava o triplo em seu corpo e por isso estava tão difícil negar o que ela havia falado, porque sabia que se desmentisse causaria dor na loira por estar mentindo e se concordasse também a causaria dor. "Você já pode ir agora". Disse Brittany levantando-se do sofá fazendo Santana desesperar-se.

"Espere B, não faça isso com o que a gente tem". Pediu Santana com a voz embargada pelas lágrimas. A morena levantou-se do sofá e aproximou-se de Brittany segurando em sua mão e sentindo a familiaridade do toque e o conforto. Agradeceu internamente por Brittany não ter afastado, porque precisava senti-la pelo menos mais uma vez.

"Você está colocando a culpa em mim agora?". Perguntou Brittany com a voz alterada e deixando as primeiras lágrimas correrem por sua rosada bochecha.

"Não foi isso que eu quis dizer". Cortou Santana sem saber o que falar sentindo o seu estômago revirar.

"Você entra nos joguinhos da Claire e ainda vem falar que a culpa é minha? Você que estragou tudo Santana. Eu confiei minha vida em você. Eu fazia tudo por você e mesmo assim não foi suficiente". Disse Brittany afastando a mão da morena da sua enquanto seu choro aumentava na mesma intensidade que o da Santana.

"Foi suficiente". Afirmou a morena sem forças e rouca covardemente.

"Não, não foi suficiente, porque se fosse eu não teria recebido aquela foto". Retrucou Brittany mais uma fez.

"Eu não a beijei B". Tentou Santana mais uma vez sentindo suas pernas bambearem conforme os soluços de Brittany aumentavam.

"E faz diferença? Você queria e o pior é que você não foi honesta comigo. Eu estou me sentindo usada e suja, porque depois dessa ceninha que você teve com ela, você me arrastou para o banheiro para transar comigo". Exaltou a loira fechando os punhos e Santana torceu para que Brittany realizasse o que estava com vontade de fazer. Estava tão enojada com tudo o que estava ouvindo e com as imagens de como havia sentindo-se excitada com as provocações de Claire na festa que não tinha argumentos para debater. "Você não fala nada porque sabe que é verdade. Você estava pensando nela enquanto me imprensava na parede do banheiro?". Perguntou Brittany deixando a raiva em sua voz muito mais evidente.

"Por favor B". Sussurrou Santana tentando aproximar-se da loira mais uma vez, porém Brittany recuou e Santana percebeu que a loira estava com receio de perder o controle e causar algum mau à morena. "Eu te amo". Declarou Santana em uma tentativa de acalmar a loira, causando um efeito contrário já que Brittany balançou a cabeça negativamente e caminhou em direção à escada parando no primeiro degrau. Santana apressou os passos e segurou em sua mão mais uma vez.

"Vá embora Santana". Ordenou Brittany de costas para a morena e de cabeça baixa. A intensidade de seu choro havia diminuído, porém sua voz ainda estava bastante falha e rouca.

Santana sentiu o desespero tomar conta de seu corpo quando percebeu que nada do que planejava estava dando certo e que de fato havia falhado. O ar ficou preso em seus pulmões e todo o seu corpo repuxou em dor. "Não faça isso B. Me dê uma chance".

Brittany puxou sua mão das mãos de Santana e antes que subisse mais um degrau, virou-se para a morena e encarou pela última vez os seus olhos. "Eu confiei em você e é desse modo que você retribui. Não há nada que você possa fazer".

Notas finais
Gente, eu resolvi postar toda a fanfic de uma vez, porque eu começarei os estudos logo e ficarei naquela enrolação de postar, espero que não tenha problema, já que alguns aqui já leram. Eu ainda estou escrevendo o epílogo, sendo que é a última coisa que falta, e quando finalmente acabar, eu postarei tanto no ff.net quando aqui. Obrigada pelos lindos comentários mais uma vez e por ver que tenho leitores fiéis que mesmo já tendo lido, irão continuar aqui! Obrigada mesmo! *-* Um enorme beijo.