Save Me

6 The Kids Aren't Alright


Notas iniciais
Olá leitores. Como vão? Então, eu dou uma estrelinha para quem entender a conexão da música do the offspring desse capítulo com um outro capítulo dessa história e com a história mesmo num tudo. Foi uma sacada genial modéstia à parte. Boa leitura

“When we were young, the future was so bright”

Aquele era uma das melhores festas do ano. O bar estava cheio, Moony tocava nos sons, minha artista eletrônica favorita. E eu fiquei bastante animada.

Os nossos amigos da sexBAR estavam realmente à nossa espera, pelo nome do bar deles você já pode imaginar qual era a estirpe dos garotos. Dos quatro donos, lembro-me de ter transado com um. E duvidosamente com um segundo.

Não tenho como descrever de outra forma, o bar era foda. Ele estava escuro com aquelas luzes alaranjadas. As mesas metalizadas e vermelhas estavam tomadas, assim como os dois balcões de mesma cor. Ao contrário das boates de Percy e Luke, ali não tinha “área VIP”, muito menos garçons.

Luke parecia confuso com toda aquela movimentação, e eu quis rir. Thalia continuava pacientemente ao seu lado, e eu imaginei se ela não estava um pouco entediada. Se estivéssemos na sua vida regular de solteira em alguns minutos ela já estaria dançando numa das mesas.

Sentamo-nos à mesa de Leo e Nico, que já estava cheia de copos de cerveja. Luke arqueou uma sobrancelha descrente na direção daqueles copos.

–Relaxa. Ninguém vai te fazer apagar por aqui – Nico comentou. Peguei um sem nem pensar duas vezes, virando o copo de cerveja. Não ligava mais para o que Percy pensava. Uma coisa que tinha aprendido como lição na última festa era que seria uma péssima ideia tentar ser alguém que eu não era.

Ao contrário de Luke, Percy parecia bastante confortável. Tinha uma conversa amigável com Leo e bebia sua cerveja sem nem ao menos reclamar. Pensei que uma parte seria porque estava se divertindo, mas a outra por ser extremamente educado. Os nossos amigos da sexBAR rapidamente passaram na nossa mesa.

–Annabeth. Depois a gente vai pra balada, você vai não é? – perguntou o ruivo que eu realmente não me lembrava do nome. Sorri polidamente.

–Dessa vez estou acompanhando amigos, desculpa – ele abriu os braços. Já estava bastante bêbado.

–Você tá negando fogo? Qual é, Annabeth. Aquela baladinha lá no Bronx, a pesada. O VIP da Trash vai tá lá.

O VIP da Trash, merda. Eu queria muito ficar com aquele cara, ele tinha passe livre para praticamente todas as baladas do lugar. Era uma amizade interesseira, mas bastante lucrativa. Olhei na direção de Percy, que nem sequer ouvia minha conversa e ria de alguma coisa que Leo falou.

–Deixa pra próxima- respondi, bebendo o resto da cerveja. Ele abriu os braços de novo, mas finalmente foi embora.

Leo saiu rapidamente para pegar mais cervejas, e Percy se virou para o meu lado. Lembrei-me de uma coisa que eu queria lhe perguntar. Cheguei perto dele por causa do som alto, que agora era um rock leve.

–Você engravida garotas sem nem ao menos dar satisfação? – perguntei. Ele juntou as sobrancelhas, sorrindo, mas parecia confuso.

–O que?

–Não me lembro de ver você usando camisinha, nenhuma das vezes – ele riu.

–Eu vi o contraceptivo no seu quarto – arqueei uma sobrancelha – Desculpa se fui inconveniente, não era minha intenção.

Cruzei os braços.

–Você não tem medo de eu te passar AIDS ou qualquer coisa assim?

–Confio em você, parece loucura?

Não. Quis responder. Por algum motivo também confiava nele. Mas nossa conversa acabou quando Leo voltou com mais bebidas.

Olhei ao meu redor. O bar estava estranhamente bem frequentado, mas felizmente estava com aquelas pessoas que sempre iam às estreias de bares em Nova York. Incluindo nós. Essas pessoas que me faziam ficar tão confortáveis naqueles lugares.

Conhecia a maioria. Frequentadores de bares e festas. Iguais ratos atrás de queijo eles eram atrás de uma boa festa e drogas. E eu era daquele grupo, exatamente daquele grupo. Estava muito ocupada em festas pra poder viver minha vida, muito ocupada alcoolizada pra poder refletir nos milhões de problemas que eu sabia que tinha, mas tinha o sucesso estrondoso em ignora-los. Eles, assim como eu, eram experts em fingir que tudo estava muito bem.

Depois de alguns copos de cerveja, senti que estava elétrica demais para ficar sentada. Então decidi me levantar e conversar.

Thalia, minha amiga de balada, estava namorando ridiculamente num canto do bar. Percebi que tinha a perdido, e foi uma sensação estranha, mas que passou rapidamente por causa do álcool.

Estava conversando com algumas garotas que conheci numa festa no Brooklyn, elas me falavam sobre essa festa legal que ia ter de tema country. Pensei onde conseguiria um chapéu estiloso de cowboy.

–Claro que eu vou! O que você tá pensando? Eu nunca nego festa – ri e percebi que elas olhavam na direção da minha mesa. Provavelmente vieram conversar comigo justamente por causa daquela mesa.

–E então, quem é o novo carinha que está com vocês? – perguntou a mais alta delas, olhei na direção que ela olhava e percebi finalmente que seus olhos não saíam de Percy. Que ainda ria com Leo.

–Um amigo da Thalia... Acho que ele tem dona – juntei as sobrancelhas, não entendi porque tinha falado aquilo. Queria rapidamente me retratar, mas percebi que iria parecer ridículo demais. Ela deu um sorriso.

–Os mais bonitos estão comprometidos – respondeu, negando com a cabeça. Uma semana atrás eu iria concordar num grito, virando um shot de tequila. Mas eu odiei o tom dela, como se aquilo não fosse realmente problema. A sua amiga morena ao meu lado me puxou.

–E o Leo? Ele decidiu dar encima do cara? – dei um sorriso.

–Você está interessada?

–Talvez.

–Com certeza não. Senta lá que o Leo vai parar de dar atenção pra ele – ela sorriu e concordou. Bebeu um gole de cerveja e foi para a mesa.

Enquanto isso andei um pouco cambaleante para o balcão, não estava bêbada o suficiente. Ainda tocava uma música eletrônica divertida e eu estava gostando de estar ali, era um lugar legal. Infelizmente, como a maioria dos bares em NY, daqui a três meses provavelmente já estaria fechado.

Olhava todos aqueles rostos e imaginava o que tinham feito para chegar até ali. Será que pensavam em encontrar algo realmente interessante? Duvidava. A não ser aquele grupo de quem comentei, este que eu fazia parte, a maioria das pessoas estavam ali por motivos supérfluos. Invés de dançar estavam muito ocupados tirando selfies, invés de conversar estavam muito ocupados se agarrando para ver quem “pega” mais numa noite.

Bebi quatro shots de tequila, conversei com o barman do local. Ele já tinha passado por cinco bares diferentes em Nova York, todos falidos. E enquanto preparava drinks de fogo me contou que queria se casar com essa estagiária num escritório de advocacia, mas mal tinha dinheiro para pagar o aluguel. Perguntei para ele porque ele simplesmente não juntava suas coisas com ela, em resposta ele disse que queria “mostrar a todos o quanto a amava”. Arqueei uma sobrancelha, nunca tinha amado o suficiente alguém para querer que todos soubessem disso.

Minha visão estava embaçada, senti que estava finalmente naquele nível alcoolizado em que esquecia todos os problemas. Olhei na direção da mesa dos garotos, mas Percy não estava lá. A única coisa que via era Leo beijando a menina com quem tinha conversado com tanta voracidade que ia comer a cabeça dela.

Voltei a conversar com esses meus amigos da sexBAR e eles me deram uma pílula de LSD. Depois de alguns minutos estava finalmente no nível que eu queria.

–Vocês conhecem alguém com narguilé?

Queria fumar, e tinha meses que eu não achava alguém com um narguilé. Era algo difícil de encontrar porque são bastante caros, e eu tinha um gosto refinado em questão de drogas.

Estava me sentindo tão feliz. Tão bem comigo mesmo. As cores começaram a ficar difusas, eu conseguia ouvi-las. E tudo ao meu redor estava bastante diferente, comecei a rir. Tudo começou a ficar muito diferente e divertido.

Não conseguia prestar atenção no que as pessoas falavam, estava tonta e rindo. A loira que estava afim de Percy agora parecia bastante diferente, seu cabelo estava amarelo ovo, tão forte que doía meus olhos. A luz alaranjada parecia estava fortíssima, deixava todas as pessoas esquisitas.

Tudo parecia em câmara lenta, e se mexia de forma tão estranha. Leo, por exemplo, agora parecia quase que disforme. As cores estavam ressaltas e pesadas, fortes. Quase como se fossem luzes de lasers.

–Annabeth – ouvi uma voz muito ao longe, quase que do outro lado do mundo. Assustei, Thalia gritava comigo na minha frente – O que você tem?

Arregalei os olhos. Ela estava branca como papel, e seu cabelo tão preto que até doía os meus olhos. Tudo ao meu redor parecia feito em neon.

–Annabeth! – ela parecia ter pegado um megafone e gritado no meu ouvido. Pus a mão na orelha esquerda.

–Não precisa gritar!

–Não estou gritando – falou. Ainda tão alto que eu tive que pôr a mão nos meus dois ouvidos.

–O que você usou? LSD, cocaína? Annabeth... – comecei a rir. Qual era o problema com a luz daquele lugar? Estava tão forte que cegava todo mundo. Será que ninguém estava incomodado?

–A luz está tão laranja – comentei, rindo – Eu mal consigo te ver.

–Annabeth, por favor. Eu preciso saber o que você usou e qual a quantidade por que... –de repente a voz dela foi ficando muito baixa, não ouvia mais nada. Então decidi só concordar e rir.

–L-S-D – disse ainda rindo – Ei, Percy. Percy. Cadê o Percy?

–Ele saiu – disse Luke. Ele olhava para mim como se tivesse uma ameba na minha bochecha. Passei a mão no próprio rosto pra ver se tinha algo errado.

–Saiu? Foi embora da minha própria festa?- gritei. Saí andando até o lado de fora do bar, assim que saí da luz alaranjada parei por um segundo, todas aquelas cores. Como não tinha percebido antes? Tudo estava colorido. O céu azul como caneta bic, as luzes dos carros pareciam neon. Tudo parecia uma obra de arte moderna, colorida e piscando.

Vi Percy. Ele falava com alguém no telefone. Fui andando à sua direção. Quando pensei em assusta-lo ele desligou o telefone, se virou e parecia surpreso em me ver.

–Oi – ele disse. Arregalei os olhos. Seu cabelo também era muito preto. Sua calça azul era chamativa de tão azul, achei que ele tinha mais estilo.

–Porque você tem uma calça tão azul? – perguntei, assustada com seu mau gosto. Ele riu.

–Não é tão azul, é quase preta – arregalei os olhos mais uma vez. Quase preta? Estava enlouquecendo. Ficando esquizofrênica — Annabeth, você não parece bem. O que você bebeu?

–Nada... Nada. Só tequila. Todos estão me perguntando o que eu usei, sendo que não devia ter dez miligramas de LSD naquele comprimido.

–LSD?- perguntou. Suas sobrancelhas se arquearam. Ele parecia bravo. Percy começou a falar algumas coisas, sua expressão não estava das melhores. Mas eu não conseguia ouvir, estava muito baixo e abafado pelos sons da rua.

Thalia e Luke também chegaram. Parecia uma convenção de pais e mestres. Quanta responsabilidade.

–Vamos embora – ouvi Thalia falar. Percy coçou os cabelos, tudo estava acontecendo de forma muito lenta, meus olhos estavam doendo.

–Eu tenho que ir – falou para Luke. Que somente assentiu. De repente fui puxada por ele para um canto da rua. Atrás de mim, a alguns metros, Thalia parecia olhar atentamente na nossa direção. Encostei na parede gelada de um prédio, o calçado da rua numa cor de cinza que eu nunca tinha visto.

–Annabeth, meu pai acabou de me ligar. Ele quer que eu vá com ele para a fashion week, em Paris. Achei que não ia precisar ir, mas pelo jeito não é esta a minha realidade. Daqui a uma semana estou de volta, mas...

–Porque você está gritando? Eu estou do seu lado.

Ele se afastou um pouco, olhando nos meus olhos. Estava me sentindo quase que desvendada. Ficou um tempo em silêncio.

–Deixa pra lá. A gente se vê, tudo bem? – perguntou. Concordei, semicerrando as sobrancelhas. Nico saiu do bar.

–Vocês já estão indo? — perguntou, tinha uma garrafa de cerveja na mão que eu prontamente roubei.

–Já – falou Thalia, parecia com raiva de alguma coisa – Você poderia ver quais drogas ela anda usando?

Nico olhou na minha direção. Fiz uma careta para ele, que riu.

–Foi LSD dos caras do sexBAR, tinha umas cinco miligramas naquele negócio. Daqui a dez minutos ela tá de volta.

Ri, pensando no quão divertidas eram todas aquelas cores fortes se juntando umas com as outras, fazendo movimentos tão lentos e estranhos.

–Eu não vou embora – olhei para os lados. Percy não estava em lugar nenhum.

–Annabeth – chamou Thalia.

–Não. Vou. Tchau. Pode ir transar, eu vou ficar aqui – ela bufou, Nico pegou na minha cintura e falou alguma coisa. Então Thalia simplesmente foi embora transar.

Que péssima amiga.

–Agora que a elite foi embora, vamos ficar doidos? – perguntou Nico. Ri, concordando. Era exatamente aquilo que eu precisava.

(...)

Não me lembro de muitas coisas daquela noite. Bebi drinks que deixam a memória bem denegrida. Lembro-me somente de dançar muito e zoar com a cara de Leo.

Eram quase seis horas da manhã, e eu estava novamente na minha razão e capacidade normal, que não era exatamente o sinônimo de responsável. Eu e Nico andávamos pelas ruas quase vazias da cidade.

Nico fumava maconha, e fazia muitas piadas engraçadas como sempre fazia quando estava drogado.

–Você conseguiu o emprego. Vai começar hoje à tarde comigo, como aprendiz – estávamos abraçados, e qualquer pessoa ao nosso redor com toda certeza acharia que éramos um casal. Eu não ligava, Nico era bonito.

–Você vai me ensinar a ser uma expert em bugigangas sexuais? – perguntei e ri em seguida. Uma ótima especialidade. Ele parecia ponderar.

–Você vai decorar todas as marcas de empresas que fazem pênis de borracha e as melhores características de vibradores. É um emprego bastante útil, nos dá muitas conversas numa roda de amigos. Você se surpreenderia com o número de caras que compram calcinhas comestíveis.

–Isso é nojento.

–Calcinha de chocolate recheado com pré-gozo. Será que é bom?

Comecei a rir. Queria que a maconha tivesse o mesmo efeito em mim do que em Nico, que ficava feliz e engraçado. Eu ficava paranoica.

–Está entregue – exclamou Nico. Ri e dei um beijo em sua bochecha – Não se esqueça, sex shop hoje às três da tarde.

Uma pessoa passou do nosso lado e nos olhou como se fôssemos malucos. Nico abriu os dois braços.

–Desculpa se alguém transa por aqui! – gritou. Ri e saí correndo. Acenei um tchau e entrei no prédio.

Depois de quase vinte minutos para subir as escadas que costumo subir de dois em dois degraus, finalmente cheguei à porta da minha casa. Quando entrei no apartamento e olhei para o sofá, todas as memórias que eu e Percy fizemos no dia anterior me atingiram em cheio como uma bofetada.

Lembrei finalmente do que ele tinha me dito, ficaria a semana fora. Não tive tempo de pensar sobre isso porque estava muito cansada.

Fico feliz de não ter gastado meu tempo naquele momento pensando sobre o que ele tinha me falado, até porque depois daquele dia gastei muitos dos meus pensamentos relembrando suas palavras.

Notas finais
Esse foi um capítulo que hum não sei se vocês vão gostar ou não, na maioria do tempo a Annabeth tava tipo o Felipe Smith o louco do LSD (quem não viu esse vídeo tem que ver mas duvido que vocês não tenham visto). Por favor, leitores fantasmas e todos os outros leitores deixem seu review não vai cair o seu dedo e se você tem tempo para ler a história com certeza tem tempo para deixar sua opinião que é muito importante para quem escreve. Beijos e até o próximo!