Notas iniciais
HEY GALEROOU COMO VÃO??? Nem demorei né? Mesmo falando que ia postar na mesma semana e tals, mas aí minhas aulas voltaram o que foi algo bem chato. E não deu muito tempo de postar etc. Boa leitura!!!

“That kind of lux just ain't for us, we crave a different kind of buzz”

Ser uma Rapunzel era mais chato do que você imagina.

Era o que eu imaginava enquanto batia meus dedos deliberadamente pelo beiral da janela, meus olhos fixados na rua de baixo enquanto esperava impacientemente meu príncipe encantado chegar.

Era fatídico, eu sei, fazer uma alusão a Percy como meu príncipe encantado. Até porque eu não era uma princesa, e Percy, como descobri posteriormente, nada encantado.

Mas naquele momento era assim que me sentia, apaixonada ali, esperando nada mais nada menos que Perseu Jackson me buscar com seus lindos olhos verdes. Com ele, eu esquecia de tudo que era ruim, ignorava todos os revés e se estivesse ao meu lado, tudo poderia ser normal.

O fatídico erro.

Thalia riu enquanto tomava um copo gigante de coca cola.

—Você está parecendo estas meninas retardadas esperando o carinha chegar pra leva-las pro baile de formatura.

Revirei os olhos, batendo os pés impacientemente.

—No meu baile de formatura o meu acompanhante chegou cinco minutos mais cedo, e não quinze minutos mais tarde, justificando o meu chilique ponderado.

Thalia se sentou na cadeira.

—Você precisa controlar sua ansiedade, senão sempre que acon...

Uma buzina foi o interruptor de Thalia. Olhei para baixo e percebi que um novo veículo havia chegado ao campo de visão da rua. Poucos segundos depois, Percy saiu do carro.

Foi a minha deixa de praticamente pular do beiral da janela. Não queria que ele soubesse que eu estava ali esperando por ele. Até porque, não é essa a imagem que eu normalmente passo. Na realidade, sempre é ao contrário.

Isto não iria mudar, pelo menos não aparentemente.

Peguei minha bolsa encima da mesinha, alucinada para ir embora. Thalia riu da minha cara, observando toda a minha atrapalhada pelo apartamento.

Abri a porta e mandei um dedo do meio pra ela, que ainda gargalhava e cuspia sua coca cola para todos os cantos. Nojo.

Desci as escadas o mais ponderada possível, até porque aqueles saltos não eram nem confortáveis nem baixos. Contraditoriamente, era um dos mais bonitos que eu tinha.

Normalmente era uma cética em relação às seguintes sensações: coração acelerado; suar frio; ver tudo em câmera lenta; ficar tão confusa ao ponto de não saber mais como se mexer.

Tudo até o momento que vi Percy. E de repente da forma mais piegas possível tudo isso se manifestou de uma vez só. E eu que até então andava calmamente pelo saguão tive quase uma parada cardíaca.

Não era justo ele estar tão maravilhoso depois de dias sem vê-lo. Quer dizer, o mínimo do mínimo era ele estar suavemente charmoso, como normalmente era.

Mas lá estava ele, apoiado no seu carro e esperando por mim. Por mim. Era absurdo e ao mesmo tempo tão maravilhoso, dentro de mim várias explosões de sentimentos aconteciam e eu percebi que era a primeira vez que eu me apaixonava por alguém, tipo de um jeito vergonhoso.

E era uma bosta.

Estava mexendo no seu telefone e quando finalmente reparou em mim, que estava já há alguns segundos o observando catatônica, deu o maior e mais sexy sorriso de todos os tempos.

Honestamente, que homem era aquele e como, como existia no meu mundo. Quer dizer, ele estava no melhor terno Calvin Klein existente da face da Terra, era impossível não adora-lo.

Tudo nele exalava elegância em letras garrafais, seus sapatos de marca perfeitamente lustrados de um preto brilhante, seu terno preto genialmente esculpido para ficar perfeito em seu corpo com uma camisa de botões branca que eu sabia ter sido escolhida a dedo por ele e seu maravilhoso senso de moda, a gravata preta eu conhecia de uma coleção de inverno genial do desfile da Vogue.

Era incrível como ele conseguia me fazer pensar em cada peça de roupa no corpo dele misturado com uma grande interjeição de beleza, e como minha mente conseguia suportar tudo isto ao mesmo tempo.

Não consegui ver seus maravilhosos olhos verdes, que estavam tampados por um óculos escuro aviador prateado que combinava bastante com seu cabelo inusitadamente perfeito e penteado para trás.

Timidamente fui a sua direção, de repente o melhor vestido Burberry que já encontrei na vida não me deu confiança o suficiente para ficar do seu lado.

Ele guardou seu telefone, e eu pensei o que faria em seguida. Um beijo? Um puta beijo? Um aperto de mãos? E porque eu estava surtando?

Não precisei pensar muito, porque assim que fiquei numa distância suficiente Percy me pegou pela cintura, me dando um beijo de tirar o fôlego. Sentir sua língua na minha era bom o suficiente para que eu me esquecesse de todas as inseguranças passadas.

Separamos ofegantes, e percebi que provavelmente estava corando.

—Oi – falei, mordendo o lábio inferior e me sentindo muito inteligente de ter decidido passar o batom assim que chegássemos à festa.

—Desculpa, não resisti- ele passou o dedo pela minha bochecha – Você está linda.

O que deveria ser um sorriso agradecido deve ter saído como uma careta pela timidez do momento. Ele se desencostou do carro, que eu percebi ser algum modelo antigo de BMW, e abriu a porta para mim. Algo que me surpreendeu e me fez ter uma suposição muito maluca.

Quando ele sentou no banco de motorista minha suposição virou realidade e percebi aonde ele iria chegar. Dei uma risada.

—Luke disse que você não sabe dirigir, tem certeza de que quer fazer isto?- perguntei. O sol de fim da tarde deixando a visão panorâmica do vidro do carro bastante fotográfica. Percy pôs o sinto e deu um sorriso malicioso.

—Luke é um idiota. E ele não disse que eu não sei dirigir, ele disse que eu dirijo muito mal... O que também é uma calamidade – Percy arrancou o carro, o que me fez colocar a mão em qualquer lugar o mais urgentemente possível.

Entendi perfeitamente o que Luke queria dizer. Percy era extremamente brusco, fazia as curvas fechadas demais e passava a marcha de uma vez só. O pior... Acelerava sempre no limite.

Meu coração batia rápido e não era de paixão.

Percy não parecia ver nada de errado.

—Não precisamos ficar muito tempo se você não quiser – dizia ele enquanto dirigia daquela forma... Afrontosa. Tentava prestar mais atenção nele, mas o medo de bater era mais chamativo – Se depois de meia hora você sentir que chegou ao limite da cota de absurdos da família Jackson pegue um guardanapo e o balance em sinal de redenção. Vou entender que é uma bandeira branca e dou qualquer desculpa pra Anfritite então vamos pra qualquer outro lugar que você quiser.

Apertei minha mão no apoio da porta do carro quando Percy fez uma curva fechada e digna de um motorista de fórmula 1. Somente quando a curva acabou que eu respondi:

—Você passou muito tempo pensando neste plano?

Ele deu uma risada.

—Mas é claro... Toda minha noite fazendo planos estratégicos de fuga.

Respirei fundo, mais uma curva.

—É tão ruim assim? – perguntei, finalmente entrando na questão familiar que sempre me atiçava tanto em Percy. Ele deu um suspiro, trocando a marcha do carro de um jeito muito errado.

—Não era... Mas ultimamente está sendo.

E foi isso. Ele decidiu não falar nada, o que me fez entender que talvez não estivesse preparado para se abrir comigo sobre isso ainda. Depois de algum tempo chegamos à estrada para os Hamptons, que era graciosamente reta e cheia de carros, o que fazia Percy obrigatoriamente dirigir com mais segurança.

Se existia um Deus, ele deveria aparecer naquele momento. Porque de repente chegamos ao lugar mais louco do mundo e Percy andava a duzentos quilômetros por hora. Pensei no que seria pior, morrer nos Hamptons ou matar velhinhas idosas e plastificadas pelas avenidas do lugar.

Achei as duas opções péssimas.

Depois de longos cinco minutos aterrorizantes Percy finalmente parou. Foi como chegar ao céu, só que dez vezes melhor porque eu não estava morta.

Quando eu finalmente olhei para frente reconsiderei se tinha ou não chegado ao céu. Estava numa mansão de mármore branco, que parecia um pouco sei lá com o Taj Mahal.

A verdade é que não parecia com nada, era a mansão mais sofisticada e ao mesmo tempo praiana que eu já tinha visto na vida, arquitetos provavelmente tinham ataques de angina quando viam aquele edifício.

Ao mesmo tempo, como tudo em Percy, era bastante intimidante. Tinha uma botânica que exclamava milionário e um lago bem bonito no centro, além é claro do lindo caminho de pedras mais parecido com o caminho de Oz.

Percebi logo de cara que tínhamos estacionado num lugar privilegiado, e que Percy tinha passado por um caminho diferente dos outros convidados, que andavam muito mais para chegar a casa.

Como normalmente acontecia no Hamptons, à esquerda da casa tinha a linda visão da praia, com a areia branca e aparência aconchegante. Mas quando eu acabei de passar meu batom e Percy abriu a porta do carro percebi que não estávamos ali para aquilo. Por mais que tudo em mim exclamasse correr, tirar as roupas e ir pro mar, sabia que não era o certo.

Não era o certo porque para Anfritite era importante que Percy estivesse ali, e eu sabia que se eu falasse para irmos para qualquer outro lugar Percy iria, fugiria com todo prazer da festa do seu próprio pai.

Me assustei com meus próprios pensamentos. Desde quando eu era a responsável? Desde quando eu pensava nos outros para agir? Isto era uma novidade que me aterrorizava.

Eu e meus cabelos esvoaçantes sentimos a brisa marítima assim que Percy pegou na minha mão. Foi um dos momentos mais nervosos da minha vida, quer dizer, lá estava eu como a acompanhante de fato dele, que iria ser mostrada para todos aqueles grã-finos.

Ele simplesmente me jogou no meio de uma cova de leões, e nem sequer tinha vergonha de eu ser um mero gatinho.

Quando ele pegou na minha mão automaticamente olhei naquela direção, provavelmente meu olhar surpreso o pegou de surpresa.

Se isto de fato aconteceu não sei, já que ele somente sorriu e perguntou:

—Tudo bem?

Andávamos pela trilha de Oz, chegando mais perto da escadaria de mármore que dava entrada para a festa. Respirei fundo.

—Não sei... Acho que não combino com isto.

Percy, que tinha os óculos tampando seu olhar, sorriu de orelha a orelha, suas covinhas aparecendo nas bochechas fundas.

—Eu sei, é um dos motivos de eu gostar tanto de você.

Não tive tempo de processar aquela frase, porque ele explanou aquilo bem no momento que entramos com os dois pés na festa. A única coisa que eu tenho pra falar daquela casa é que ela era absurda.

Impressionantemente grande, não tinha escadarias naquele saguão. Era meio que um hall sem muitos móveis, com dezenas de garçons para lá e para cá com o que parecia ser caviar e algum outro tipo de comida que não me deixou nenhum pouco com fome.

Percy pegou uma taça de champanhe para mim e para ele, e quando percebeu que eu estava realmente desconfortável decidiu ser um pouco menos misterioso e um pouco mais direto.

—Não se preocupe. Você é a pessoa mais bem vestida desta festa – mordi o lábio inferior, e depois lembrei que não podia fazer aquilo porque estava de batom vermelho. E depois me surpreendi de como eu era impressionantemente atrapalhada. Percy bebeu um gole do champanhe, pegando na taça de um jeito refinado que eu definitivamente não tinha leveza para aquilo. Ele ficou olhando para o meu vestido, analisando-o por um leve momento – Burberry?

Dei um sorriso.

—Acertou... E os sapatos? Duvido que você consiga adivinhar.

Eu sabia que ele estava fazendo aquilo somente para me deixar distraída, mas eu realmente gostava de falar de moda com ele. Percy deu passo para trás observando melhor meus sapatos, parecia impressionado. E aquilo revirava meu orgulho e me fazia querer dar pulinhos.

—Nossa... Difícil. Eles são lindos. São de uma coleção especial? – ele parecia pensar, tentar achar alguma coisa no seu acervo mental de peças de grife – Impossível. Que sapato é esse? Parece Manolo, mas também Sergio Rossi misturado com um pouco de Atwood... Lindo, de fato.

Dei uma risada, pensando naquilo tudo que ele tinha falado e como se encaixaria perfeitamente em todas aquelas marcas. Mais uma vez meu orgulho se revirou e dentro de mim apelava “não acredito que eu estou com um homem que conhece Brian Atwood”.

—Normalmente sempre que você falar de algum sapato que vou usar será um Manolo Blahnik, mas estes aqui são Prada.

Sim, Prada. Impossível, não parecia? Era um sapato único, preto e de couro, com uma curvatura genial e um brilho fora do comum, além é claro da sua abertura perfeita muito bem costurada. Era clássico e ao mesmo tempo inventivo, uma mistura de Aperlai com o que tem de mais clássico. Era um dos maiores xodós da minha coleção de sapatos.

Percy ficou mais um tempo olhando para eles, e estava realmente interessado nos sapatos. Minha admiração por ele tinha aumentado 200% depois daquilo, meu maior achado estilístico finalmente sendo reconhecido. Ele bebeu mais um gole de champanhe, sorrindo com a descoberta dos sapatos.

—A Madonna disse que um belo par de Manolo é melhor que sexo.

Dei um sorriso malicioso:

—Depende do sexo.

Foi involuntário, obviamente, porque tinha feito um acordo comigo mesmo que não entraríamos na nossa bolha de atração sexual, pelo menos não naquela noite. Aquela noite eram assuntos sérios como família e amigos e uma vida inteira que eu não conhecia de Percy.

Ele também deu um ótimo sorriso malicioso, o que me desfocou um pouco, mas não houve a oportunidade de réplica já que um pouco à esquerda Anfritite nos reconheceu. Ela veio prontamente em nossa direção.

—Nunca fiquei tão aliviada de ter ver – sussurrou Anfritite de forma quase imperceptível. Percy não respondeu nada e ela se virou animada na minha direção – E eu estou genuinamente feliz em te ver, Annabeth. Poseidon está ansioso para te conhecer.

Percebi que Percy revirou os olhos naquele momento, mas rapidamente voltei a focar em Anfritite. Ela estava realmente bonita, com um vestido branco esvoaçante que ia até seus tornozelos, chutava eu ser um vestido Fendi, mas o que realmente impressionava eram suas joias, braceletes e colares dourados (da mesma cor que seus sapatos), eram lindos, geniais, e Cartier. Aquilo não era só caro, era uma das coisas mais caras do mundo. Usar aquilo era pedir pra ser assassinado.

—É um prazer revê-la também – ela me deu um beijo na bochecha, o que foi algo bem fofo. Na verdade ela era minha única conexão com Percy e até então era exatamente aquilo que eu esperava da família dele: Rica, elegante, fina – Adorei seu vestido. A coleção de verão da Fendi é realmente bonita.

Ela abriu a boca, pronta para rir, e depois olhou para Percy. Que sorria, mas tampou o sorriso com o champanhe. Foi um momento que fiquei realmente confusa.

—Você então gosta de moda? – ela coçou os cabelos, como se pensasse em algo – É bem raro alguém realmente conhecer de grifes atualmente. Na verdade é por essa raridade que meu marido é rico... Enfim, eu tenho que cumprimentar algumas pessoas. Mas você tem que ir cumprimentar seu pai... Por favor – depois, ela sussurrou:

-Aliás, sua mãe está aqui.

—O que!? – perguntou Percy, mais exclamando que tudo.

Anfritite em resposta pegou uma taça de champanhe, deu uma olhada em mim e riu de novo.

—Vocês dois são tão... – ela apontou para nós dois, mas não terminou seu raciocínio. Apenas exclamou algum som animado e saiu andando.

Foi o momento mais confuso da festa, e houveram momentos realmente confusos.

Contextualizando: Imagina o lugar mais sofisticado e ao mesmo tempo mais ambiente de praia que conseguir, bem este lugar era a mansão dos Jackson nos Hamptons. Era uma casa toda amadeirada, bem estilo sítio, e todas as pessoas usavam cores claras, em tons pastel, provavelmente porque era o que tinha se passado na NY Fashion Week alguns dias atrás, e eu entendi o que Anfritite havia dito com “raridade”. Todo mundo parecia muito igual.

A parte ruim de ir numa festa de um investidor de moda deve ser exatamente isto, melhor estar numa zona de segurança e não cometer uma gafe. Mas honestamente, tudo ficava muito chato daquele jeito.

Eu e meu vestido vermelho-vinho nos sobressaíamos naquela festa empastelada. E eu sabia que estava mais bem vestida que todas aquelas modelos magras e iguais.

Tocava o que parecia ser Bach ou qualquer outra coisa erudita de piano que definitivamente não sabia reconhecer. Enfim, era uma festa de gente muito rica.

Percy e eu estávamos atrás de Poseidon, percebi que ele muito diferente de mim gostava de resolver seus problemas o mais rápido possível, como arrancar um band-aid de uma só vez. Já eu era o extremo oposto, ficava tentando tirar o mais lentamente possível para não doer. E se doesse simplesmente deixava o band-aid por ali mesmo.

Fomos para um diferente lado da festa, passando por uma porta de vidro aberta que dava para outro ambiente: Era como uma varanda, mas era um “píer” que estava no mesmo nível da praia. Tanto que o chão amadeirado era coberto com um pouco de areia.

Ali tinha um vento gostoso e o sol aconchegante do final da tarde, e reconheci Poseidon logo de cara. Ele estava no meio de muita gente engravatada, e era de fato o aniversariante da festa. Sempre muito envolto de pessoas o cumprimentando.

O que eu realmente estava interessada era na mãe de Percy. Quem era ela? Porque ele ficou tão surpreso de vê-la ali? Eram muitas incógnitas que não sei se foi tão genial assim terem sido descobertas.

Percy respirou fundo e pegou na minha mão, indo em direção ao seu pai.

Todo mundo obviamente não ficou em seu caminho, e os dois ficaram de frente um para o outro. Foi como ver um espelho mais velho de Percy. Ele assim como o filho tinha os olhos de um verde distinto, contrastado com cabelos negros-petróleos. Era charmoso como o filho, e usava um terno clássico com uma gravata borboleta azul marinho. Estilistíssimo.

—Feliz Aniversário, Pai – Percy não falou com tanta animação assim, mas foi alguma animação. O que já era alguma coisa.

Poseidon ignorou a clara não tão boa vontade do seu filho e lhe deu um abraço. O que foi algo tão surpreso que Percy nem sequer conseguiu retribuir. Os dois se separaram depois de alguns segundos. Poseidon parecia emocionado.

—Estou muito feliz de te ver aqui, e estou sendo honesto- não entendi nada. Extremamente nada. A única coisa que parecia era que tinham saído de uma briga feia, mas, além disto, não dava pra entender o que acontecia com a família Jackson. Eram pessoas misteriosas demais.

Percy deu de ombros, como se falasse “tanto faz”, mas que saiu mais como um “tudo bem”. Depois disto tudo que Poseidon finalmente olhou para minha direção.

Foi algo que eu não sabia dizer se foi bom ou não. Ele parecia tão grande e intimidante que pra mim tinha sido normal ser ignorada, me sentia meio que como um inseto perto do pai de Percy. Ele parecia com o poderoso chefão.

—Você é a...?-

—Annabeth – falei, tentando dar um sorriso simpático que não deve ter saído muito bem. Ele concordou com a cabeça e deu um beijo na minha bochecha.

—É um prazer te conhecer. O Percy te mencionou em algum momento em... Paris?- respirei fundo e Percy coçou a barba que nem sequer existia, Poseidon acabou dando uma risada – Enfim, fico feliz também que esteja aqui, Annabeth. Tinha muito tempo que Percy não apresentava uma namorada. Estava começando a desconfiar de que ele queria virar um mulherengo assim como Tritão.

Não sabia quem era Tritão. E depois percebi o quanto eu não conhecia nada sobre Percy. Como eu poderia gostar tanto de uma pessoa que eu mal conhecia? Parecia um pouco ilusório... De qualquer forma não consegui ficar muito tempo pensando, já que Poseidon falou algo muito interessante:

—Gostei dos seus sapatos. Investi nesta linha Prada muito tempo atrás e estou convencendo algumas pessoas a voltarem com esta pegada na confecção de sapatos da grife. Veremos.

—Pai... Sem trabalho por agora – comentou Percy. Poseidon deu um sorriso e depois de ombros.

—Quando se gosta do trabalho não existe folga... De qualquer forma, Annabeth. Eu conheço seus pais? Eles são de Nova Iorque? Normalmente eu conheço.

Percy revirou os olhos mais uma vez. Percebi que ele não gostava das apegações de sobrenome existentes naquele meio social. E realmente incomodavam um pouco... Não a mim. É claro.

—Não... Eu não sou de Nova York. Nasci na Califórnia... São Francisco.

Percy arqueou as sobrancelhas. E eu percebi que ele não sabia aquela informação de mim. A verdade é que talvez ele não soubesse nada sobre mim além da característica suicida.

—Ah, que interessante. Conheço algumas pessoas do Oeste. Ele é dono de...

—Pai.

—Se ele for dono de alguma empresa com toda certeza eu o conheço. Passei muitos verões na Califórnia. As garotas são encantadoras – Percy estava com as bochechas vermelhas. E eu percebi que de um jeito ou de outro eles ainda eram uma família normal, como Anfritite disse.

—Meu pai é professor de história na UCSF. Ele é notável pelos projetos inventivos dele na universidade, mas é uma área muito diferente da moda. Reconstrói antigos artefatos de guerra. Os que eram utilizados na antiguidade como estratégia dos exércitos.

Poseidon parecia entretido e Percy surpreso. Duas coisas que eu não queria causar de jeito nenhum.

—Muito interessante. Ele está trabalhando em o quê exatamente? – perguntou Poseidon. E não houve objeção da parte de Percy, percebi que ele também estava curioso.

—Eu... Eu não sei, na verdade. Não tenho contato com meu pai há alguns anos.

Decidi ignorar algumas ressalvas, ou uma única ressalva. Porque aquilo iria me chatear muito e eu não queria ficar chateada na festa de Poseidon, que parecia ser um cara legal.

—Ah, mil desculpas. Você vive com sua mãe aqui no Leste?

Dei uma risada. Um tanto sem graça, mas uma risada. Quer dizer, não tem como ficar levemente injuriada com a vida desgraçada que eu tinha.

—Moro em Nova Iorque sozinha. Minha mãe sumiu quando eu era bebê.

Poseidon colocou uma mão no peito, parecia estupefato. Talvez nunca tenha sido tão inconveniente em toda sua vida. E quando olhei para Percy estava o motivo de eu nunca contar sobre aquilo para ninguém: Percebi seu olhar, tentando engolir tudo aquilo e olhava para mim tentando me interpretar. “O quanto ela deve ter sofrido...”.

Não, eu não sofri nada. Minha mãe não existe... Pronto e acabou.

Depois de momentos silenciosos horríveis, finalmente Poseidon falou alguma coisa:

—Te devo desculpas tamanhas. Vamos fazer o seguinte, quero que você venha no fim de semana aqui. Você e Percy... Vamos passar um fim de semana em família no sítio. E eu não aceito não como resposta. Acho que não poderia ter sido menos conveniente e devemos começar do zero.

Ri genuinamente... Tão Jackson.

—Está tudo bem. Não são assuntos dramáticos para mim – ri mais uma vez- Seria um prazer, mas acho que não vai dar pra mim.

Poseidon pegou um cacho de uva numa mesa ao nosso lado.

—Percy, convença-a. Vou falar algumas palavras. Brevemente, prometo.

E então ele foi para dentro da casa. E de repente ele assim como seu filho sabiam sobre todo o meu drama familiar. Rápido assim.

Eu e Percy nos encaramos por alguns segundos, e eu estava começando a ficar puta porque o que deveria ser um relacionamento equilibrado poderia começar a ser um relacionamento “eu com pena dela”. Algo que eu realmente não conseguia aturar.

—Já fizemos o que tínhamos que fazer. Vem, vamos dar uma volta.

[...]

Eu e Percy fizemos aquilo que eu queria ter feito desde que cheguei à festa. Fomos para a praia. E ela tinha a areia fofa e era vazia como se fosse paradisíaca. O som das ondas deixava qualquer pessoa relaxada mesmo depois da conversa que tivemos pouco segundos depois.

Percy, que tinha pegado uma manta fornecida quando descia os degraus do píer-varanda, sentou-se encima dela. Nem sequer ligando para seu terno genial ser estragado pela areia.

Sentei-me do seu lado.

—Precisamos conversar – ele disse.

Revirei os olhos ao mesmo tempo em que meu coração bateu acelerado. Sabia que aquilo tinha que acontecer um dia, só não queria que fosse ali, naquele momento.

—Não faz isso- murmurei, olhando para baixo, mais precisamente para a areia. Percy passou a mão nos seus cabelos, bagunçando-os.

—Não consigo evitar isso mais – e era por isto que não conseguíamos combinar. Porque ele insistia em resolver seus problemas. Eu evitava os meus, desde sempre.

Por algum motivo eu quis chorar, mesmo não sabendo o que significava. Mas eu não chorava, não chorava há anos. E não seria ele nem ninguém que me faria mudar isto.

—Não sei se quero ouvir isto – respondi – Não sei se quero que você tenha pena de mim, que reconheça meus problemas e “tente me ajudar”, eu não quero isto. Não quero que você seja meu psicólogo, eu quero que você seja outra coisa. E se não for esta outra coisa, acho que é melhor não sermos nada.

Ele estava com as sobrancelhas arqueadas, me encarando. O que não ajudava em totalmente nada. Só me deixava mais aflita.

—Annabeth, eu não quero ser seu psicólogo. Muito pelo contrário, sou péssimo em dar conselhos. E honestamente, não um bom modelo de bom comportamento. Se esta outra coisa que você quer que eu seja de você for a mesma coisa que estou pensando, então é exatamente isto que eu quero também. Só que... Preciso te conhecer melhor. Preciso saber o que aconteceu com você, não porque eu quero te tratar ou algo assim, mas porque eu quero gostar de você. De tudo que tem em você.

—Você não vai gostar disto – respondi, fechando os olhos. Não iria chorar.

—Isto é algo que cabe a mim decidir.

Ele parecia sério. Mordi a parte de dentro da minha bochecha. Não sabia se estava preparada ou não para tudo aquilo. A única coisa que eu sabia era que não queria perder Percy. Não estava preparada para aquilo.

Mexi um pouco com a areia. E percebi que ele estava muito confortável, olhando para o oceano.

—Não gosto de rótulos — disse, tentando não parecer envergonhada em propor... A coisa.

—O único tipo de marca que aprecio é de grifes, então fique tranquila.

Ri, e ele acabou rindo também. Meu coração já batia mais calmamente e talvez um pouco eufórico. Mesmo sendo contra rótulos, eu e Percy de fato tínhamos alguma coisa.

—Acho que a gente devia voltar- falei, olhando para alguma algazarra que acontecia na casa. Percy olhou para lá e suspirou.

—Eu aposto cinquenta dólares que Tritão chegou.

E aquilo tudo tinha sido apenas o começo do que aconteceu naquela festa.

Notas finais
Então né, tudo que ia acontecer na festa iria ser postado num capítulo só, mas ficou muito grande porque SÃO MUITAS TRETAS, e eu decidi dividir este capítulo. A relação percabeth aqui é assim realista, então não esperem brigas idiotas.............. ok? O QUE ACHARAM DE POSEIDON?? E TRITÃO VAI APARECER?? MELHOR PESSOA KKKKKKK DEIXEM SEUS REVIEWS, SEUS FANTASMINHAS CHATOS APAREÇAM, isto me deixa mais animadinha pra escrever Beijos e até o próximo!!