Save Me

13 Ode to my family


Notas iniciais
Olá meus queridos leitores! Desculpem a demora, estive muito atarefada ultimamente. A música de hoje é Ode to My Family dos Cranberries, que é uma ótima banda que vale a pena ouvir. Boa leitura!

“Understand what I've become, It wasn't my design”

Foi assim que aconteceu:

Um ofego coletivo. Poseidon e Anfritite absurdamente aterrorizados. Percy risonho e eu, ao seu lado, observando sem entender nada toda àquela situação.

Nem eu nem Percy conseguimos entender o real motivo de toda aquela ligeira... Tensão. De qualquer forma, percebi logo de cara que tinha alguma coisa a ver com um homem muitíssimo parecido com Percy, que estava com a mão na maçaneta da porta atrás de si e um sorriso malicioso muito parecido com os que Percy normalmente fazia.

—... De qualquer forma – retomou Poseidon elegantemente – Agradeço a todos pela presença, e espero que tenham uma noite agradável.

Só faltava uma interrogação encima da minha cabeça para completar toda minha expressão de “o que diabos esta acontecendo aqui?”. Uma música pop muito parecida com as que tocavam em desfiles de moda elevou-se no meio dos murmurinhos e o homem, que eu já sabia ser o irmão de Percy, Tritão, deu um sorriso ainda mais malicioso enquanto ajeitava a gravata.

Poseidon estava bravo assim como Anfritite, e ao contrário do que pensei Percy não estava nem um pouco preocupado, e sim risonho. Como se tivesse acabado de ver um filme de comédia.

Com um ligeiro aceno que passou despercebido por todos Poseidon chamou Tritão e Anfritite e então os três desapareceram pelas portas brancas que ninguém tinha acesso.

Percy pegou em minha mão, ainda bem humorado.

—Você não quer perder isto – sussurrou enquanto me puxava educadamente pela festa. Abriu a porta em que Poseidon havia passado alguns segundos depois e surpreendentemente ali nada havia, apenas sofás no que parecia ser uma sala de estar.

Percy continuou me puxando e empurrou outra porta branca. Honestamente já estava confusa com o tamanho daquela casa, e não fazia muita ideia geográfica de onde estávamos.

Numa terceira porta que ele empurrou com um pouco mais de delicadeza, vieram à minha visão um Poseidon no que parecia um pequeno acesso de cólera, e Anfritite ainda mais vermelha.

—Você simplesmente não pode deixar de fazer um show! – exclamou Anfritite – Quantas vezes nós falamos que não seria uma festa desimportante, que teriam vários sócios. Parece que você faz isto de propósito, por acaso você odeia seus pais?

Percy mordia o lábio inferior para não rir, e Poseidon parecia de fato vermelho rubro, com uma expressão tão séria que eu nunca imaginei vê-lo depois de conhecer seu lado gentleman.

Infelizmente, o irmão de Percy, Tritão, não parecia realmente incomodado com o assunto nem sequer com o sermão. Na verdade, parecia entediado.

Tive a oportunidade de analisa-lo mais detalhadamente, com toda certeza ele era da família Jackson, tinha os olhos verdes-mar iguais aos de Percy e de Poseidon, os cabelos num negro petróleo também característicos de seus emparentados, mas ao mesmo tempo conseguia ver feições extremamente diferentes dele com Percy. Isto porque ele tinha os traços característicos de sua mãe, Anfritite. A diferença entre ele e Percy era muito simples: Percy tinha uma beleza serena, mais angelical, e Tritão tinha uma beleza vibrante, até maléfica, como se pudesse fazer qualquer um que quisesse de gato e sapato. Disto ele tinha puxado sua mãe.

Seu nariz era igual ao de Anfritite, empinado que trazia um ar de superioridade natural. E seu porte meio endeusado e arrogante era o que eu esperava de uma família como a de Percy, por isto minha surpresa sempre que eu percebia o quão rico Perseu era, porque ele não tinha exatamente aquele ar de superioridade, Percy era de fato, humilde.

—Mãe, honestamente, não sei como estas coisas acontecem comigo. E não, eu não faço porque odeio vocês, nem de proposito. Não entendo... É natural, de repente tinha essa modelo russa e ela...

—Não. Quero. Saber. – Anfritite suspirou, e fazendo seu papel de mãe disse:

—Estou muito decepcionada com você.

Não sei ao certo, até porque nunca tive mãe, mas é aquele momento que o filho abaixa a cabeça e se sente com um complexo de culpa profunda por tudo de ruim que já fez na vida.

Isto não aconteceu com Tritão. Ele também parecia acostumado com aquela frase maternal tão típica e somente disse:

—Pequena ressalva: Vocês não estavam chateados com o Percy? Voltem a focar nele, por favor, até porque ele está aqui com uma... Quem é você?

Como sempre me surpreendi de ter o olhar focado em mim. Por um curto momento parecia que estava vendo uma novela e não estava de fato na cena. Então os olhos de Tritão brilharam em minha direção, e eu soube naquele momento que aquele homem era o mal caminho em pessoa.

Anfritite suspirou.

—Annabeth, minha querida, lamento bastante ter presenciado esta cena lamentável – seu tom já tinha mudado totalmente. De mãe fazendo sermão ela voltou a ser a adorável madrasta do meu namorado – Infelizmente nem sempre nossos filhos facilitam o nosso trabalho de mãe.

Dei um sorriso amarelo, porque não sabia exatamente como me comportar diante de tudo aquilo. Comecei então a me perguntar por que deixei Percy me puxar até ali.

—Percy pelo jeito ainda não me apresentou a sua mais nova... — Tritão nos observou rapidamente, passando seu olhar de mim para ele- Enfim, Annabeth... Não é? É um prazer, de fato, conhece-la.

Um ponto em comum. Não conseguia distinguir, assim como Percy, se Tritão estava dando encima de mim ou simplesmente sendo ele mesmo. Honestamente, era um pouco insuportável este tom beirando à meiguice da família Jackson.

— O prazer é meu – foi à única coisa que consegui responder sem parecer confusa. Percy deu um sorriso e passou seu braço pelos meus ombros.

—A verdade é que eu a trouxe exatamente neste propósito, havia me esquecido de apresenta-los em momentos passados- agora os dois pareciam estar num código de linguagem só deles. Já que o sorriso malicioso de Tritão não batia com o significado literal de cada palavra que Percy dizia.

Poseidon também parecia ter percebido isto, pois ajeitou sua gravata num gesto de saída.

—Acredito que a festa esteja sentindo falta dos Jackson, já que a celebração é nossa – seu tom era educado, mas seus olhos queimavam Tritão com o olhar. Aparentemente ele não tinha falado tudo que queria para seu filho ainda.

Pelo engolir seco de Tritão depois que o pai saiu da sala parecia-me que ele estava condenado a um futuro sofrido nas mãos do pai. Anfritite apertou educadamente um dos meus ombros e foi embora, deixando-me desesperadamente com os irmãos Jackson e todos seus sorrisos maliciosos e tons gentis encrustados com significados que eu não sabia quais eram.

—Vamos – disse Tritão – Estou curioso em te conhecer melhor, Annabeth.

De repente estava sentada numa mesinha alta de ferro pintado de branco, com uma cosmopolita numa mão, o que não poderia resultar em nada de bom, e os dois irmãos Jackson sentados à minha frente.

Claramente meninas da mesma faixa etária que eu me olhava com raiva, e... Inveja? Não sabia dizer, só sabia que até então estava bastante divertido.

—Não estava mentindo, nesta festa em questão não pretendia fazer nenhuma cena, ou briga, ou piada irreverente, tinha prometido me comportar e estava indo muito bem até que esta maldita modelo russa apareceu no meu caminho. Estávamos no cais socializando com todo mundo até que ela muito maliciosamente passou a mão...

—Pula esta parte – Percy disse, fazendo uma careta engraçada e bebendo mais um gole de uísque. Tritão deu de ombros.

—Enfim, então fui para a dispensa para terminar o que ela havia provocado e infelizmente todo mundo ficou em silêncio numa hora um tanto... Crucial. Não, não precisa fazer esta cara Percy, a parede é bem grossa e ninguém ouviu gemido algum... Mas o armário poderia estar batendo incessantemente no momento em que todos ficaram calados para o discurso do meu pai.

Percy riu, assim como eu, e Tritão parecia já estar conformado com sua má sorte.

—Aí quando abri a porta o que aconteceu? Todos estavam olhando assustados em minha direção. Um revés, de fato.

Ri fervorosamente pensando na cena cômica que havia perdido. E percebi que os dois me encaravam.

—Você tem um sorriso muito bonito – disse Tritão, Percy arqueou uma sobrancelha na direção do irmão – Então, conte-me como você chegou até a problemática família Jackson.

Meu sorriso sumiu, e se eu tivesse chegado sendo ainda mais problemática que eles? Não seria uma reposta legal para uma conversa descontraída numa festa nos Hamptons. Decidi então pular um pedaço da história.

—Por Luke. Ele é o namorado da minha colega de quarto – Tritão tinha a mão no queixo, prestava muita atenção.

—Interessante... E vocês estão em que patamar? Noivos ou só transando...? Isso é importante para saber se devo ou não te tratar como família.

Engasguei com minha própria saliva. Não tinha nem trinta minutos que eu e Percy havíamos combinado de ser... Alguma coisa. Agora falar isto para as pessoas seria como se eu estivesse catalogando a coisa toda, e não era o que eu queria. De forma alguma.

—Você está sendo rude – comentou Percy – Claro que você vai trata-la como se fosse da família, como um garoto bem educado por Anfritite que você é.

Percy riu, seguido pela expressão absurdamente engraçada de Tritão, que estava como “sério mesmo?”, e então voltou a prestar atenção em mim. Ele era bem observador, o que me incomodava profundamente.

—Honestamente estou feliz de que Percy esteja com alguém que tenha carne, e não só pele e osso. E muito mais feliz que você não esteja usando a última coleção que meu pai patrocinou. Isto já te dá créditos infinitos comigo.

—As pessoas estão usando a última coleção que seu pai patrocinou? –perguntei. E Tritão me encarou como se tivesse um chifre na minha testa.

—Espera... Você não trabalha com moda?

Ele parecia surpreso. O que me deixava surpresa. Porque eu teria que trabalhar com moda? Percy tinha as sobrancelhas arqueadas e apenas bebeu mais um gole de uísque, claramente fugindo da conversa. Dei um sorriso de lado

—Não. Por quê? É um requisito básico para namorar um Jackson?

Tritão sorriu.

—Depende do Jackson. Para mim, não mesmo. Até porque odeio todo este universo ridículo, mas meu irmão... – ele olhou para mim e depois para Percy, que continuava bebendo seu uísque – Normalmente ele namora modelos. Achei que você era uma, me enganei pelo jeito.

Normalmente namora modelos. Isto foi um grandessíssimo de um balde de água fria. Então não era só a Calipso, eram todas bonitas como ela. Meu estômago se revirou.

—Gosto de roupas bonitas, mas acho que é o máximo que me conecto com o mundo da moda. Você se enganou, bastante. E sobre usar a última coleção que seu pai patrocinou... – olhei em volta, todos de branco e detalhados com renda – Um pouco entediante, nem se fosse modelo usaria isto.

Tritão riu, assim como Percy.

—Você só ganha mais e mais pontos comigo, Annabeth. Olha, você é uma garota legal então vou ser um cunhado legal. Normalmente é agora que eu pergunto suas intenções com meu irmão e se você está aqui para conseguir mais trabalhos de modelo, mas felizmente você pulou toda esta etapa e fez o meu dia muito mais feliz.

Percy revirou os olhos.

—Você está fazendo parecer que eu sou um maníaco por mulheres magérrimas o que não é a verdade.

Tritão apertou o ombro do irmão.

—É verdade, e estou lhe pedindo minhas sinceras desculpas. Na verdade tinha tanto tempo que você não trazia uma namorada que achei que Calipso havia te deixado gay.

Percy encostou-se à cadeira, dando uma bufada que era meio que um riso. Não sei explicar exatamente, mas com toda certeza era irônico.

—Mas então, Annabeth. Estou curioso, se você não faz qualquer coisa ligada à moda o que então uma namorada do Percy faz? Tem uma interrogação na minha cabeça.

Sorri, aquilo seria divertido.

—Trabalho numa sex shop. Sou atendente – estava esperando eternamente para alguém me perguntar aonde trabalhava só para responder aquilo e observar a reação das pessoas. Dito e feito. Eles pareciam surpresos. Gargalhei.

—Você está brincando? – perguntou Tritão, confuso.

—Não, porque estaria? – percebi que tinha sido irônica. O que não ajudava muito em esclarecer as coisas. Percy abriu os braços.

—Porque eu não sabia disto antes? – perguntou. Dei de ombros, rindo ainda mais.

—Talvez porque você nunca tenha perguntado. Você achou que eu fazia exatamente o quê? – foi minha vez de perguntar, até porque estava curiosa.

—Não sei... Algo com moda? Era desempregada? Honestamente, achei que você era desempregada.

—É um emprego recente – respondi, e aquilo era realmente genial. Tinha uma interrogação na cabeça dos Jacksons, hilário. Tritão mais uma vez colocou a mão no queixo, parecia um tique.

—Se eu tivesse uma namorada que trabalhasse numa sex shop... Seria legal – disse Tritão, o que me fez gargalhar ainda mais. Percy ainda parecia confuso, como se a profissão não se conectasse com a personalidade. O que talvez fosse verdade, ninguém chega para uma pessoa e pensa “Você tem cara de quem trabalha numa sex shop!”.

Aquela conversa estava tomando um caminho divertido e eu estava começando a gostar de fato daquela festa quando uma mulher colocou a mão no ombro de Percy.

Na hora a reconheci como sendo sua mãe. Não só pela tensão que se alastrou à mesa com a sua presença como também por ela ser tão parecida com Percy de uma forma tão enigmática.

Aquilo que eu falava sobre a beleza serena e angelical de Percy... Com toda certeza ele havia puxado da mãe.

—Ei Sally, como vai? — perguntou Tritão polidamente, agora olhando alternadamente entre ela e Percy. Parecia que tinha algo bem errado naquela cena, mas infelizmente não sabia qual era o erro.

—Estou ótima. Como vai à empresa? – perguntou Sally, ela tinha um sorriso gentil, e não era nada parecia com a mãe que eu achei que Percy poderia ter. Além de traços delicados não havia muitas outras coisas que eram parecidos, talvez a pele bronzeada... Mas seus cabelos eram cacheados e castanhos, seus olhos da mesma cor. Percy era muito mais parecido com Poseidon, mas com um claro conjunto de características físicas parecidas com as da mãe. Era difícil explicar.

—De vento em polpa, se me perdoa o trocadilho – não entendi a piada, mas Sally gargalhou. O que poderia dizer que foi uma boa piada apesar dos pesares.

—Percy, querido, podemos conversar? – Percy tamborilava os dedos na mesa. Arqueou as sobrancelhas na direção de sua mãe como se fosse uma criança, e ela somente gesticulou com a cabeça para a varanda da casa.

Depois ele olhou diretamente em meus olhos, e eu percebi que ele estava em apuros naquele momento. Levantou-se para seguir sua mãe, mas peguei em seu pulso, puxando-o em minha direção.

Ele envergou as costas e seu rosto ficou perto do meu.

—Você quer ir embora? Jogo a bandeira branca agora, se quiser — Percy passou o dedo pela minha bochecha.

—Tarde demais... Já volto, prometo.

E então foi embora. Mordi o meu dedão, pensando no que poderia estar acontecendo. Tritão estava calado e continuava me observando, parecia hipnotizado ou qualquer coisa assim.

—O que foi? – perguntei um tanto ríspida já que estava curiosa com o que poderia estar acontecendo com Percy. Olhei para trás, onde estava a varanda. Sally conversava com seu filho e gesticulava bastante.

—Você está preocupada com ele – Tritão cruzou os braços encima do peito – Nunca vi nenhuma garota preocupada com ele deste jeito, sabia?

Bufei.

—Não estou preocupada.

—Claro que está.

—Não, não estou. E que trocadilho foi este? Não entendi – Tritão riu, descruzando os braços e tomando mais um gole de uísque.

—Primeiramente: Você está fugindo do assunto. Segundo: Sou o dono de uma empresa naval... “Vento em polpa”... Hahaha. É a hora que você começa a rir.

Olhei novamente para trás, agora Percy também gesticulava. Parecia uma discussão calorosa.

—Empresa naval? – voltei a encarar os belos olhos verde-mar de Tritão – Não sei se combina com você.

—Navios, você diz?

—Não. Trabalhar – ri, e ele também riu. O que foi algo legal, quando ele não estava sendo um enigmático diabólico até era parecido com Percy- Então você é mais velho que seu irmão?

—Três anos. Não velho o suficiente para ter uma empresa naval, quer dizer, 26 anos não é nem perto da idade para ser dono de qualquer coisa. Menos quando seu pai é um ótimo milionário que dá todo o dinheiro da sua empresa.

—Você parece chateado – constatei. Ele deu de ombros.

—Talvez seja um pouco chato você não ser o responsável pelas suas próprias conquistas, ficar na saia dos pais não é nada legal, querida Annabeth.

Bufei, aquilo era um absurdo.

—Claro que você é o responsável pelas suas próprias conquistas. Quer dizer, provavelmente fez uma faculdade super difícil para entender de navios, e depois você quem administra sua empresa e, espero, dá lucro a ela. E é isto que importa, quer dizer, fala sério, você mais que ninguém é a testemunha que dinheiro não significa nada.

Tritão sorriu.

—Você talvez tenha razão.

—Eu sei que tenho.

Percy saiu da varanda rapidamente, e a expressão sorridente de Tritão logo se fechou. Meu coração até acelerou. O que será que tinha acontecido?

—Vamos embora- Percy disse, Tritão pegou no seu braço.

—O que você descobriu?

Percy negou com a cabeça, e eu estava começando a ficar realmente preocupada. Ele parecia nervoso e confuso. Era difícil de entender.

—Você sabia de alguma coisa?- vociferou Percy. Tritão negou com a cabeça.

—Desconfiava. O que foi?

—Não vou ficar aqui nem mais um segundo – levantei-me apressadamente já que Percy andava rápido para fora da casa nem sequer ligando para os vários olhares curiosos em sua direção.

Corri com aqueles saltos malditos para alcança-lo no gramado perto do estacionamento.

—Será que tem como você esperar? – falei, absurdamente ofegante. Percy parou perto do seu carro, me observava como se tivesse um chifre de unicórnio na minha testa. O que tinha acontecido com ele?

—Desculpa, você não devia ter vindo – ele disse quase que estarrecido.

Andei para ficar perto dele e peguei nas suas bochechas.

-Claro que não. Foi ótimo conhecer todo mundo.

—Não. Minha família é ferrada, mais ferrada do que você imagina. Não é nada do que você viu ou não viu hoje. Ela é ferrada, Annabeth. Ferrada de um jeito que só o dinheiro sabe ferrar.

Eu sabia o que era ter uma família ferrada, ele não precisava enlouquecer daquele jeito. Bufei.

—Todas as famílias têm seus problemas, Percy. Cada qual lida com as consequências de suas próprias características...

Ele olhava para o alto de uma árvore, lambeu os lábios enquanto parecia inconformado com alguma coisa. Honestamente eu não sabia o que era.

—Vou ficar uns dias fora – ele disse – Cuidando de algumas pendências da universidade, espairecendo. Mas vou te ligar, vamos vir no fim de semana, não é?

—Você quer vir?- perguntei, arqueando uma sobrancelha. Percy deu um misto de sorriso misterioso e maléfico. Por um curto momento ficou parecidíssimo com seu irmão mais velho.

—Quero. Quero muito.

Notas finais
E ai galera, gostaram de Tritão? Ele é como vocês imaginavam?? Tenho a sensação que vocês vão gostar bastante do próximo capítulo (risos maléficos). Mas vou deixar em mistério, porque é mais legal. Deixem seus reviews que me deixa muito feliz. :) Beijos e até o próximo!