Notas iniciais
Oi, olá.
Essa é mais uma história que eu fiz num dia sem internet, assim como em Nossa História de Amor. Eu ainda não sei se vai ser realmente um "prólogo" ou se este capítulo vai virar uma one. De qualquer jeito, espero que gostem.
Boa leitura.

O vento assoviava nos meus ouvidos me fazendo ter a certeza de que eu ainda continuava viva, por mais que a minha alma parecesse de algum modo morta, lá estava eu, viva, ouvindo o som do vento, sentindo a dor congelante do frio, me preparando para pular da ponte mais assustadora no oeste da ilha de Manhattan.

Não é assim que você quer acabar a sua vida, morrendo com apenas vinte anos. A maioria das pessoas da minha idade tem milhares de sonhos, vontades que nem duzentos anos de vida seriam necessários para poder suprir.

Mas eu não, para mim já tinha vivido o que tinha que viver, e querendo ou não estava me matando com todas essas drogas que eu não me cansava de injetar no corpo. De qualquer jeito, não me sentia destruindo nenhum sonho posterior. Acho que quando você chega numa situação daquelas, não tem realmente nenhum sonho.

Respirei fundo, uma coisa eu tinha certeza e isso pode parecer um paradoxo, mas a morte é incerta, não é como o chão que você pisa, ou como a sua casa em que você sabe exatamente onde está cada móvel, é um tiro no escuro, um vazio que nenhum ser humano nunca conseguiu entender. Depois que eu pulasse e morresse, o que viria? Eu pensava que não era nada, mas ainda sim, a incerteza me fazia estremecer de medo. Eu gostava de ter cada coisa devidamente no seu lugar, era uma alma velha e chata que não gostava de inovação, aquilo era definitivamente uma novidade.

Respirei fundo, fechando os olhos e me arrepiando da cabeça aos pés, retirei o dedo indicador do corrimão da ponte, eu não podia ficar sentada ali para sempre. Abri os olhos, era a hora.

Soltei meus braços, e esperei que a morte viesse lentamente junto com a dor que expiraria do meu corpo. Mas nada veio além de um baque meio que surdo e uma dor nas costelas latejante, nem sequer o frio congelante da água me abraçou.

Abri um olho, e depois o outro. Eu não tinha morrido, estava bastante viva e bastante quebrada no meio daquela rua praticamente inabitada.

Estavam fazendo uns dez graus na cidade agora, era uma baita manhã nublada, e diante de todos os meus cálculos nem mesmo almas mortas passavam por aquele lugar naquele horário. Mas lá estava aquele homem, os olhos verdes me fitando como se eu fosse algum tipo de mutante do X-men.

-Você não deveria fazer aquilo! – exclamou ele, parecendo tão assustado que nem era como se eu fosse me matar por ali – É bem errado.

Apoiei-me pelos cotovelos, olhando na direção do corrimão. Era muito pouco provável que eu tivesse coragem de tentar pular mais uma vez. Depois olhei para o garoto na minha frente, ao contrário de mim muito bem protegido do frio com seu sobretudo preto.

Era bastante insensível da minha parte pensar algo tão malicioso logo depois da minha quase morte, mas era sem dúvidas o homem mais bonito que eu já tinha visto na minha vida. Parecia algum tipo de anjo, que veio literalmente me salvar.

“Você não deveria fazer aquilo, é bem errado”.

Mal sabia eu naquele momento que ouviria aquela mesma frase algumas centenas de vezes por aquela mesma pessoa, que repetidas vezes me salvava do alívio eterno.

Notas finais
Bem, espero que tenham gostado. Deixem seus reviews, isso é bem legal e importante para mim, e vai me ajudar a decidir se eu continuo ou não com a história.
Beijos.