Save Me

11 Boulevard of broken dreams


Notas iniciais
Ei galera!! Tudo bem com vocês? Demorei um pouco né. Estava no que eu gosto de chamar de ressaca literária, então me desculpem pela demora. AHHHHHHHHH QUERO AGRADECER A LINDA DA DUDINHACORREIA PELA MARAVILHOSA RECOMENDAÇÃO, A PRIMEIRA DA FIC ♥ E DEPOIS A CORUJINHA DA CHASE QUE TAMBÉM RECOMENDOU DEPOIS FOI LINDO LINDO AMEI GALERA. sério. A música do capítulo é boulevard of broken dreams do Green Day. Escutem, leiam o capítulo, e sejam felizes. Boa leitura!

“I walk a lonely road, the only one that I have ever known”

Thalia e eu andávamos pelas ruas do Brooklyin.

Era esquisito andarmos tão caladas. Mas eu não sabia o que falar, simplesmente não tinha abertura para argumentar qualquer coisa com os olhos gélidos dela me fitando tão raivosos.

Entramos no meu vintage favorito, ficava num beco entre duas lojas horríveis de roupas. Um achado, realmente, que me orgulhava bastante. Abri a porta e seu típico sininho fez minha mente vibrar.

A história deste maravilhoso vintage é a seguinte: Bárbara, dona da loja e uma amiga íntima, é filha de um empresário rico de Nova Iorque. Quer dizer, um ex-empresário rico de Nova Iorque, já que a crise financeira chegou ao país alguns anos atrás, porém Bárbara não percebeu o cenário do país e continuou gastando o dinheiro inteiro do seu pai. No fim, os dois brigaram e ele chegou à falência, para ter aquele dinheiro extra Bárbara decidiu vender suas roupas caríssimas com cheiro de Chanel.

–Não acredito que estou aqui, te ajudando. Você é uma traidora – sussurrou Thalia, olhando para trás e percebeu que duas garotas olhavam estranhamente para ela. Provavelmente a reconhecendo de alguns jornais que a família de Zeus sempre estava estampada nas manchetes.

–Desculpa. Não tive escolha, você não tem ideia de como Anfritite é persuasiva – respirei fundo todas aquelas roupas Chanel, Gucci e Valentino num arado.

Mas não era dia para aquilo, era a festa da família Jackson. Como que se fosse cega, meus sentidos me levaram para o arado perto do provador, bem embaixo da janela.

Burberry.

Minhas mãos pegaram no vestido como se fossem a maior relíquia do mundo, foi puro magnetismo. Amor à primeira vista. Thalia assoviou atrás de mim.

–Que vestido lindo – comentou, por um segundo esquecendo que estava com raiva.

–É este, certo? Sexy, do tipo que eu sou muito confiante, mas ao mesmo tempo elegante, do tipo sou uma garota de classe. Certo?

–Certo – riu Thalia em seguida. Ela sempre esquecia rapidamente que estava brigada comigo.

Meus olhos não saíam daquela belezinha, era de um vermelho elegante e lindo. Um tecido que dançava em minhas mãos, tão bem acabado. O decote era ombro a ombro, o que o deixava mais elegante ainda, e o cumprimento até metade das coxas.

Era o que eu precisava.

–Quinhentos dólares? – perguntei para Bárbara, frustrada – É um vestido usado.

–Só o usei uma vez, ou nenhuma... Não lembro. De qualquer forma é Burberry, você sabe quanto eu paguei num vestido desses?

–Não sei, mas sei que você vai me deixar pagar parcelado. Eu tenho uma festa muito importante e...

–Não precisa falar mais nada – me cortou Bárbara, com um grande sorriso no rosto – Você que me dá o meu salário mensal, sabia? Sempre sei que tenho pelo menos cinquenta dólares seus no meu bolso.

–O prazer é meu – disse sorrindo brevemente. Pensando honestamente na grana que eu já tinha fornecido para Bárbara.

Saí do brechó aliviada e finalmente completa, já sabia quais sapatos usaria. Uma linha da Prada muito sensacional, clássica de um couro preto que faria todos naquela festa se estontear pelo meu maravilhoso gosto estilístico.

Enquanto andávamos caladas novamente pelas ruas do Brooklyin acabei suspirando, não conseguia continuar daquele jeito com Thalia.

–Eu e Percy estamos juntos mesmo – disse de uma só vez, olhando as nuvens cinzentas que se formavam acima de nossas cabeças. Thalia se virou, rindo ironicamente.

–Mesmo? Você acha que eu não sei? Quer dizer, você ficou o dia inteiro fora, a noite inteira fora, e quem estava com você no treino era o Percy. Lembra?

Senti que meus sapatos favoritos do Jimmy Choo começavam a falhar com seu trabalho de me calçar perfeitamente. Estavam com as solas gastas de tanto eu usar.

–Desculpa- sabia que não podia continuar com aquilo se Thalia não gostasse da ideia. Até porque eram os amigos dela, o grupo de universidade dela. Não podia me meter daquele jeito.

Seus olhos contornados de lápis me encararam, mas não com raiva desta vez.

–Estou brava porque você não me contou nada. Somos melhores amigas, pelo amor de Deus – resmungou – Mas presta atenção, Percy é um garoto legal, e você nunca gostou de garotos legais. Então você tem certeza de como lidar com isto tudo?

Suspirei. Não, eu não sabia. Na realidade eu não sabia nem se éramos um casal, mas pela primeira vez na vida estava tentando não pensar demais. Ignorar os problemas, todas as possíveis dificuldades e tentando ser mais... Espontânea.

Queria falar isto para Thalia, mas não queria que ela entrasse em contato com todo o meu lado macabro. Para ela, eu era a garota festeira que se arrumava sempre em alguns problemas. Misturado com a sua rebeldia éramos a mistura perfeita.

Medrosa, isso não combinava com Thalia.

–Acho que estou descobrindo – falei, olhando para os lados e sentindo o vento frio bater no meu rosto – A gente se vê depois? Preciso trabalhar.

Thalia concordou, pegando minha sacola de roupa.

–Não acabamos essa conversa! – gritou já a alguns passos de distância. E enquanto eu a olhava se distanciar pensei em algo que eu tinha que perguntar para ela depois: E se ele não fosse um garoto legal? Como eu iria lidar com isto tudo?

Estava começando a ficar frio em Nova York, percebi isto quando abri a porta da sex shop o mais rápido possível, com as pernas quase congeladas pela meia calça.

Assim que tirei minhas maravilhosas luvas courinas e vermelhas que sempre estavam na minha bolsa senti reconfortada num lugar quente... Em todos os sentidos.

Além de ter um ótimo temporizador nada do que um gigante vibrador preto perto do seu rosto para esquentar o dia.

Nico estava andando pela loja, com várias caixas de pênis de borracha aos seus pés, além de dois na sua mão.

–Até que enfim a Dona Annabeth decidiu dar às caras – ironizou Nico, terminando de pôr os artigos nas prateleiras. Sentei numa das cadeiras do balcão, jogando minha bolsa no chão enquanto suspirava.

–Também senti sua falta, Sr.Ângelo

Nico andou sorrateiramente até mim, apoiando seus cotovelos no balcão. Seu sorriso malicioso o deixava até bastante bonito, me fazia imaginar como seria se ele fosse mais feliz.

–Mentira- afirmou, e depois sorriu ainda mais – Thalia veio falar comigo e com Leo. Parece que finalmente se lembrou dos seus amigos. Ou ela só queria saber por que Annabeth desapareceu por dois dias?

Foi minha vez de sorrir, lembrando-se da última noite com saudades.

–Desculpa por não dar satisfações...

–Sim! Você estava muito ocupada dando pra poder falar com a gente, e faltou metade de um dia de trabalho sabia? Lizzie está louca e...

Ouvimos a porta atrás do balcão se abrir. E eu me virei para ver que justamente Lizzie havia entrado. Ela que como sempre estava com uma blusa colada de estampa de oncinha e uma maquiagem chamativa sorriu genuinamente ao me ver.

–Graças a Deus você voltou! – exclamou me abraçando forte. Nico revirava os olhos na minha frente, como se tivesse que ter escutado muito por minha causa – Achei que você tinha desistido do trabalho depois do que aconteceu... Você sabe, me desculpa. Não queria me intrometer na sua vida romântica, só achei que seria uma boa ideia você ver ele na rua, cumprimentar e estas coisas. Mas eu sou muito intrometida, sempre fu-

–Lizzie, tudo bem... Quer dizer, você acabou me ajudando. Passei o último dia com ele.

Nico sorriu, apontando pra mim num óbvio “SABIA” e Lizzie parecia reluzente. Enquanto isto, um grupo de adolescentes entrou na loja cheias de risinhos e fazendo rebuliço.

Nico tratou de atender as garotas, que pareciam ainda mais exaltadas quando ele foi falar com elas. Lizzie se sentou ao meu lado.

–Então você passou o dia inteiro com ele? – perguntou, sorrindo – Ele é muito bonito.

Assenti com a cabeça. Não queria falar que fiquei o dia inteiro transando enquanto ela e Nico ficavam na loja totalmente entediados.

–Achei vocês um casal lindo, fisicamente. Não sei como ele é de personalidade... Mas fiquei curiosa em conhecer. Principalmente o pai dele, por acaso...

–Não. Casado. E muito bem casado, aliás — Lizzie revirou os olhos, virando-se para o computador e digitando alguns pedidos novos.

–Vou ao clube hoje, com certeza vou achar alguém muito melhor que este gentleman casado.

Sorri, por mais que não tenha tido detalhes muito interessantes do clube. Nico dizia que era meio triste, apenas encalhados velhos iam para lá. Fiquei com pena, até perceber que estava seguindo para o mesmo caminho.

Os velhos solitários eram apenas os novos solitários no futuro. E os novos éramos nós. Assim que pensei em pessoas solitárias coincidentemente Leo chegou à loja. Seus olhos estavam inchados e seu rosto triste e pálido.

Ele se sentou na vagina daquela vez, o que significava que estava genuinamente triste já que não tinha animação nem sequer para fazer piadas com partes íntimas. Uma de suas especialidades.

–Tudo bem, Leo?- perguntei, observando seu semblante cansado. Já sabia o que tinha acontecido e já estava triste o suficiente por ele.

–Não – murmurou – Meu namoro terminou.

Sim, eu já sabia. E sim, nós já havíamos avisado. E não, ele nunca ouvia o que a gente falava. Nico ficou nas pontas dos pés e olhou na minha direção. Só confirmei com a cabeça: Sim, o inevitável tinha acontecido.

Na noite em que fomos ao novo bar com Percy e Luke e eu estava chapada de LSD acabei apresentando Leo a uma garota do nosso meio de conversa. Obviamente ela é uma vagabunda, e obviamente Leo começou a gostar dela e querer algo sério, e obviamente ela deve ter feito algo errado e tudo acabou.

–Ela disse que não era eu, era ela – revirou os olhos- Essa é a desculpa mais patética de todas.

Não sabia o que falar sobre aquilo. Não queria ser a mãe chata que fala “Eu te avisei”, então eu não sabia como reagir.

–Você quer sair para beber? Conversar sobre isto? – perguntei, observando seu olhar caído e me sentindo com o coração quebrado.

Lizzie ao meu lado não falava nada, sempre que coisas ruins assim aconteciam ela parecia ignorar, como se de fato nunca houvessem acontecido. E então quando Leo aparecesse com outra garota conseguiria ser ainda mais enérgica e animada. Não sei como ela conseguia.

–Não quero fazer nada – respondeu, passando seus cachos castanhos para trás- Acho que vou ficar em casa e dormir até morrer.

–Calma lá, Bela Adormecida – disse Nico sentando-se na cadeira ao lado de Leo. As garotas tinham ido embora com um sorriso idiota no rosto e sacolas com dildos esquisitos – Você ainda não encontrou a garota certa, só isso.

Leo suspirou.

–Acho que não existe a garota certa. Nunca cheguei nem perto de encontrar a garota certa... Enfim, vou embora. Só queria dar a notícia para vocês. Vocês vão pro bar à noite?

–Provavelmente – disse Nico olhando para mim, que também assenti. Leo concordou e foi embora e mais uma vez senti culpa e remorso.

Leo era legal demais para andar com a gente. Tinha um emprego legal, um apartamento mais ou menos legal, mas principalmente era uma pessoa genuinamente legal. Não era ferrada igual a mim e Nico. O mundo ou a vida nunca foi generosa com Leo, mas ele sempre conseguia continuar de bom humor.

É claro que ele nunca arranjaria uma garota legal enquanto andava conosco, não éramos um grupo de pessoas legais, e não conhecíamos pessoas legais.

Pensei nisto mais uma vez quando fomos ao bar àquela noite na nossa típica mesa no canto. Eu e Nico conversávamos justamente sobre solidão quando ele me confessou algo que me deixou boquiaberta:

–Eu meio que estou gostando de alguém – pela primeira vez na vida vi Nico com as bochechas vermelhas de vergonha. Sorri, bebendo mais um gole de cerveja. Não acreditei no que estava acontecendo.

–Sério? Quer dizer... Eu o conheço?

Nico riu.

–Não mesmo. Nem eu o conhecia até alguns dias atrás. Na verdade eu estava numa exposição de arte gótica no centro da cidade e foi lá que nos conhecemos. Foi só dois dias atrás.

Se possível, fiquei ainda mais boquiaberta. Nico nunca gostava de ninguém. E se meio que gostasse, demorava meses para admitir. Aquilo era uma coisa atípica, rara, única.

Enquanto tocava um country animado no bar e algumas garotas passavam vexame dançando nas mesas, totalmente bêbadas, Leo finalmente havia chegado para trabalhar com duas horas de atraso.

Cortava-me o coração vê-lo daquele jeito, limpando o balcão com desânimo e atendendo as pessoas porcamente. Simplesmente não era o Leo.

–Ia contar pra vocês hoje, mas com tudo isto que aconteceu com o Leo não achei uma boa ideia falar sobre relacionamentos – disse Nico. Dei um sorriso enorme.

–Relacionamento?... Você está finalmente namorando?

Ele pareceu desconcertado, e foi engraçado finalmente poder fazer isto com ele. Ajeitou sua blusa preta com o símbolo de uma banda que eu honestamente não conhecia.

–Não... Somos só amigos, por enquanto... – Nico riu antes de beber mais um gole da sua cerveja. E eu estava feliz por ele.

Leo trabalhou por quase dez minutos e parecia ter cansado, quando a playist no jukebox finalmente saiu do country e foi para um rock decente ele se sentou ao nosso lado.

–Odeio minha vida- ele disse murmurando – O que vocês estão conversando?

Eu e Nico nos entreolhamos num acordo silencioso de não falar nada sobre seu sucesso amoroso. O próprio Nico mudou de assunto.

–Thalia disse que vai ter uma exposição de não sei o quê na universidade dela, e queria que fôssemos, vai ser daqui a umas duas semanas e é sobre o que ela está estudando etc etc. Fomos intimados a ir.

–Não vou – sentenciou Leo – Estou muito deprimido para ser um bom amigo.

Dei um sorriso, segurando na sua mão e pensando justamente que dali a duas semanas ele não saberia nem o nome daquela garota mais. Claro que não falaria isto com ele.

–A exposição vai te animar, e além do mais, a Thalia está fazendo alguma coisa útil. Nós temos que presenciar esta raridade.

Ele deu o que foi um ensaio de um risinho. E pra mim já estava bom o suficiente. Nico encostou-se melhor na cadeira, bebendo mais cerveja.

–Annabeth tem uma festa com os grã-finos nos Hamptons, ela está pior que a Thalia – abri a boca em protesto, mas Leo me interrompeu.

–É verdade... Onde você se meteu nos últimos dias? — perguntou, pegou uma azeitona que estava no centro da mesa e depois deu um sorriso malicioso enquanto mastigava – Você estava com aquele cara que se veste numa versão masculina sua, não é? O cara rico que tava com o namorado da Thalia... UAU, VOCÊS SÃO UMAS CATA-MILIONÁRIO!

Nico gargalhou. E eu revirei os olhos em cansaço. É claro que eles não deixariam isto passar em branco, é claro que Leo não deixaria de fazer piada mesmo com seu coração trucidado em milhões de pedaços.

–Não tive escolha! A madrasta dele me obrigou a ir- bebi mais um gole de cerveja. Nico parecia estupefato.

–Você já conhece a família dele!? Que tal me contar que dia da semana vai ser o seu casamento de uma vez?

Revirei os olhos de novo, mas além disto algo dentro de mim se incomodou. O fato de que as coisas realmente pareciam sérias demais. Depois disto ele iria querer conhecer a minha família. E como eu explicaria que...

–Ei, vocês não querem pagar uma tequila pra mim não? –perguntei – Vocês estão me chateando com esse papo chato.

Nico riu, seguido por um sorriso malvado de Leo. Bebi alguns shots de tequila pensando no quão bom seria estar de ressaca amanhã, de preferência com tanta dor de cabeça que ligaria para Percy, dizendo: “Desculpinha, não vai dar pra eu ir pra sua mansão nº2” e continuar fingindo que não éramos nada demais um do outro.

Infelizmente não foi aquilo que aconteceu. Nem meu medo nem sequer minha vontade de ficar em casa foram grandes o suficiente para me interromper de cometer a burrada de ir à festa da família Jackson.

Notas finais
Gostaram? Leo e Nico são sempre os crushs das leitoras, e espero que teham gostado do enfoque neles. Então galeraaaaaow, para recompensar minha demora pretendo postar super rápido. Até porque o próximo capítulo vai ser muito muito interessante, com a festa nos Hamptons. Mas para isso deixem seus reviews, falem se estão gostando ou odiando e o que devo melhorar. Isso é bem legal! Beijos e até o próximo!