Notas iniciais
Mais um cap... Boa leitura!!! =D

– Sophie... O que isso quer dizer?

– Eu não sei... Eu não... – Ela o olhou assustada. Mas ao contrário dela, ele sorriu bagunçando os cabelos da garota, como ato de brincadeira.

– Está tudo bem... Não deve significar nada... Vou trabalhar. – Ele se levantou tranquilamente, Sophie estava abismada com a frieza que ele tratara a situação, continuou mirando-o perplexa até vê-lo se despedir e sair. Ela encostou-se no sofá. O mangá ainda em suas mãos. Seu olhar se encontrava vazio, em seu coração pulsava um pressentimento nada bom... Não sabia o que pensar, estava com medo, estava com medo de perdê-lo, estava com medo de perder Albafica...


A tarde viera arrastada, as horas pareciam não passar... Sophie estava comendo qualquer porcaria que havia encontrado na geladeira. Não se sentia nada bem, até a campainha tocar. Sophie se levantou lentamente, mas a pessoa parecia insistir.

– JÁ VAI!!!!!!! – Gritou ela impaciente. – Não deveria ser Albafica, pensou. Ele tinha a chave. – Sim? – Disse abrindo a porta.

– Sophie? – Jessye estava de pé a sua frente, o ar duvidoso bailando em seus olhos.

– Jessye... – Antes de Sophie falar mais alguma coisa, a prima a abraçara de qualquer jeito.

– Estou feliz em vê-la! Desculpe não ter vindo antes... Meus pais arranjaram tantos cursos pra eu fazer que nem tenho tempo pra respirar... E você como está? E seu colega de quarto? Estou aqui para conhecê-lo! – Disse sorrindo. Sophie ainda a mirava confusa devido à enxurrada de perguntas.

– Eu.. Estou bem! Entre... – Convidou.

– Nossa... Sua casa está diferente... Parece que a aura dela está mais... forte... – Disse observando tudo.

– Deve ser o novo morador... – Disse Sophie sorrindo fracamente, o que não passou despercebido por Jessye.

– Você não me parece bem Sophie... Aconteceu algo? O garoto está te aborrecendo?

– Não! Não é nada disso... é só que...

– “É só que...”? – Sophie respirou fundo. Ia precisar de coragem e torcida para contar tudo à prima e rezar para que ela acreditasse em sua história.

– Você quer água? Refrigerante?

– Não... Só quero que me conte o que está havendo.

– A história vai ser longa...

– Pode começar então...!

– Certo... – As duas se sentaram. A historia realmente fora longa. Sophie narrou à prima tudo que havia acontecido desde aquele Natal. Falou sobre ter encontrado um homem que aparentava ser estranho em sua calçada, depois notou que ele não era tão estranho assim, contando-lhe que parecia ser loucura, mas que ele era na verdade um personagem de uma história da qual era fã na infância... Jessye escutou absolutamente tudo com muita atenção, sem proferir uma única palavra e nenhuma expressão de desconfiança ou dúvida em seu olhar.

– Agora, isso está acontecendo e... Jessye eu não sei o que fazer... – Jessye apanhou os mangás mirando-os com atenção. – Eu sei que parece doidura minha, sei que pode não acreditar em mim mas...

– Eu acredito. – Disse a prima sem pestanejar.

– Acredita...? – Sophie estava surpresa, não imaginava que Jessye fosse aceitar a situação sem questioná-la. – Mas...

– Isso que está acontecendo com você... Eu já vi isso... Conheço alguém que já passou pela mesma experiência. – Disse, o que surpreendeu Sophie.

– Conhece? – Perguntou pasmada.

– Sim. Uma amiga... Faz um tempo que não falo com ela, mas... Vou procurá-la. – Disse mirando Sophie por fim. – Eu acredito em você. Estou dizendo isso porque vi com meus próprios olhos.. E vou tentar ajudá-la... – Jessye segurou as mãos da prima sorrindo. — Mas, não me diga que é esse o homem que ganhou vida? – Falou apontando para Albafica na capa.

– Sim... É ele mesmo... – Sophie sorrira com a expressão da prima.

– Meu Deus! Que sorte você teve, ham?! Isso aqui não é um ser humano, é um Deus Grego!

– “Grego”... – Sophie rira da ironia, pois fora exatamente de lá que ele viera.


Albafica caminhava lentamente pela praça. Queria demorar o máximo possível antes de voltar. Não queria mais ter que olhar Sophie todo o tempo e não poder dizer nada a ela... Não estava mais aguentando seu próprio coração... Ele já não ligava para os olhares que o miravam, ou para as inúmeras e inacreditáveis cantadas que recebia onde passava. Seu peito doía tanto que já não via mais tanta graça em nada... Mirava os próprios pés, que o levavam sabe Deus para onde. Precisava se mudar, precisa ir embora, não sabia como, ou para onde, mas de uma coisa tinha certeza: tinha de se afastar de Sophie... Mesmo que doesse para si, era a melhor atitude a tomar.

Sophie estranhara, Albafica chegara mais tarde do que realmente costumava fazer. Ela notara o clima pesar entre eles, como nas primeiras vezes em que se falaram, mas algo estava muito errado, ele não parecia confuso como daquela vez, ele parecia triste. Ela porém nada perguntou, pensou que talvez fosse algo relacionado ao mistério dos quadrinhos, talvez uma preocupação que ele estava tentando esconder.

– Albafica... Jessye veio aqui hoje e... Bom, ela me disse que pode nos ajudar.

– Do que está falando? – Perguntou ele se aproximando com um copo com água nas mãos.

– Ela disse que conhece alguém que viveu isso... Outra pessoa que também ganhou vida de uma história, como você. – Ele a mirou por uns segundos, sem nada dizer. – Eu vou falar com essa garota, quero saber tudo que está acontecendo, pois agora tenho chance.

– Eu vou com você. – Disse por fim.


Jessye conversara com a tal amiga que ela dizia poder ajudar. Passara seu endereço a Sophie. A verdade era que a moça não era daquela cidade, mas viera para o casamento de um parente, o que Sophie achou coincidência demais, porém agradecera a Deus por esta chance.


Era uma tarde fria de domingo, Sophie e Albafica estavam em fim, em frente à casa indicada por Jessye. Era um lugar peculiar. Grandes muros cobertos por trepadeiras rodeavam o que parecia ser uma grande propriedade. Sophie tocou a campainha, não demorou para que uma moça morena, de no mínimo vinte e cinco anos, viesse atendê-los, revelando uma bela e grande casa ao fundo.

– Que bom que vieram! Jessye me falou sobre vocês... Me chamo Soran. – Disse cumprimentando-os, apertando-se as mãos. Soran lhes guiara para o hall de entrada, que era tão belo quanto denunciava ser. O interior da casa era toda em madeira envernizada, dando um clima aconchegante ao local. Se sentaram nas poltronas indicadas, a anfitriã da casa lhes trouxera chá, para acompanhar a conversa.

– Bom nós... – Começara Sophie.

– Sim... Eu sei por que vieram aqui. – Disse Soran. Albafica só observava a situação. Ela bebericou o chá mirando diretamente Albafica. – Então, isso aconteceu novamente, não é? – Seus lábios esboçaram um leve sorriso ao mirar o homem loiro a sua frente.

– Foi o que Jessye me disse... Que já passou por algo semelhante... – Dissera Sophie.

– Sim... É verdade... – Ela repousou o pires com a xícara na mesa de centro à frente. – Isso foi há algum tempo...

– Soran...

– Eu entendo que estejam com medo. – Desta vez, Soran mirava Sophie. – Quando passei por isso também não sabia o que fazer... Não pretendo fazer rodeios... Vocês estão vivendo o que chamamos de “Save Me”.

– “Salve-me”? O que quer dizer? – Perguntara Albafica querendo chegar logo ao ponto. Soran o mirou novamente.

– Há pessoas que possuem uma forte conexão magnética, capazes de atraírem coisas e realizarem desejos aparentemente impossíveis. Essas pessoas podem trazer algo do passado, ou de mundos paralelos ao nosso.

– “Mundo paralelo” é? – Falara Sophie mirando Albafica com ironia, lembrando-se da vez em que sugerira isso por alto.

– Sim. Nosso universo é desconhecido, os humanos nada sabem a respeito de muitas coisas. Embora achem já terem tido grandes avanços em suas descobertas, mal sabem eles que nem chegaram à meio por cento. A humanidade comete o grave erro de quase nunca abrir sua mente ao novo, e considerar possível aquilo que julgam não existir. Por essa razão não são evoluídos. – Soran os mirou atentamente. – Vocês possuem uma missão. O Save Me aconteceu com vocês, porque algo em ambas as partes está mal resolvido. Precisam descobrir o “porque” de você ter retornado de uma vida praticamente acabada. – Falou à Albafica. — Certamente há um motivo por trás de sua história que pode ser mudado. Encontre a razão de seu retorno e sua história será reescrita.

– Quer dizer que as páginas irão parar de desaparecer? – Perguntara Sophie.

– Sim. Se o motivo certo for descoberto.

– “Certo”? – Perguntara Albafica.

– Há a possibilidade de vocês errarem, e o tempo se esgotar. Se isso acontecer, tudo voltara a ser como antes. – Respondeu Soran. – Mas veja bem, vocês ainda tem grandes chances... Ainda possuem tempo. – Disse sorrindo tristemente mirando um livro de capa marrom, ao lado de Sophie. Não era um título conhecido, mas Sophie logo sacara o que talvez havia acontecido.

– Soran... Você...

– Sim... O meu tempo se esgotou e eu não pude fazer nada. – Disse a bela moça sorrindo minimamente para Sophie.

– Eu sinto muito... – Dissera Sophie, sem saber realmente o que dizer.

– Nada disso... Seria ótimo para eu saber que vocês conseguiram. — Soran sorrira mais alegre desta vez.

– Ok... – Concordara Sophie.


O fim daquela tarde de domingo passara devagar para ambos, envoltos em seus próprios pensamentos e dúvidas. Sophie observava a chuva que se formava violentamente pela sacada de seu prédio, Albafica mirava o nada sentado ao sofá. Então era esse o motivo de sua volta afinal? Perguntava-se ele. Não sabia dizer o que deveria fazer, o que deveria ser mudado. Seu tempo estava se esgotando e já não tinha mais tanta certeza se ficar seria uma boa ideia... Talvez não rachar a cuca para descobrir seria a melhor opção, já que não tinha um bom motivo para ficar... Nada podia fazer por Sophie, ela teria que superar a perda de Charlie mais cedo ou mais tarde, e embora até tenha tentado auxiliá-la nisso, estava sendo impossível para ele continuar ao seu lado. Uma lágrima ameaçara surgir, mas logo ele a enxugara antes que caísse, mudando o rumo de seus pensamentos.

– O que você acha Albafica? – Ele se surpreendera ao notar Sophie o mirando atentamente à sua frente, não notara sua chegada.

– Não sei... Não tenho ideia do que possa ser Sophie... – Disse tentando evitar olhar para ela.

– Também não sei... Mas temos que pensar.. Não quero que vá embora... – Ele a mirou, cruzando seu olhar ao dela, o coração disparando instantaneamente. – Não quero perder você... – Ele engolira em seco, tencionando levar uma das mãos as madeixas castanhas da garota, porém se auto interrompera. Sophie notara isso, e inesperadamente segurara seus dedos, levando-os aos próprios cabelos.

– Você não tem mais veneno, se lembra? – Disse sorrindo gentilmente.

– Não... – Ele sorriu de volta deixando-se levar por suas mãos pequenas e quentes. – Desculpe Sophie... Mas acho que não posso salvar a mim mesmo, e garantir que ficarei ao seu lado. – Ela o mirou com uma triste surpresa em seus olhos.

– Não diga isso... Nós vamos achar um jeito! Nós vamos conseguir descobrir! – Ele sorriu gentilmente a ela.

– Você está bem agora, não está? Quer dizer... Não precisa mais de mim afinal...

– Claro que preciso! Você é... Você é meu herói! Meu cavaleiro de ouro!

– Não Sophie... Eu não sou... – Continuou, a voz calma e ligeiramente entristecida. – Não tenho mais poderes, não sou mais um defensor de Athena, nem de coisa alguma... Sou uma pessoa normal, como qualquer outra e que... ironicamente sempre ansiei em ser... – Ela o olhou com atenção, por mais que tentasse, talvez não fosse capaz de enxergar o real motivo da falta de ação que Albafica nunca tivera. Ele não era mais o mesmo, de fato. Pensava ela. Algo havia mudado no seu tão admirado cavaleiro de ouro, e não era a falta de sua armadura, ou seu cosmo... era algo em seu íntimo, em seu coração.

–----------------------------------------------


Os dias transcorriam como as águas de uma forte correnteza. Mais páginas continuavam a sumir gradativamente, para o desespero de Sophie e apreensão de Albafica. Ambos se viam em longas conversas de como talvez poderiam resolver o problema. O pisciano por diversas vezes, se pegara pensando no que mudaria em sua vida, talvez a hora em que aceitara fazer o ritual com seu mestre... mas algo lhe dizia que não se tratava daquilo, se fosse jamais seria cavaleiro... se fosse, seria o mesmo que escolher abandonar Lugonis em sua infinita solidão. Não... não deveria ser aquilo que teria de ser mudado... Mas o que seria? Não sabia responder... Sophie lhe sugerira vários momentos que sabia da vida do cavaleiro, porém nada estava ajudando, e com isso o tempo ia passando sem pena, eliminando mais traços de sua vida naquelas limitadas páginas.


– Estes são seus deveres de casa? – Perguntara Albafica vendo Sophie responder questões de sua apostila. A chuva caia sem parar naquela tarde de feriado.

– Sim... Mas não estou com cabeça pra pensar nisso. – Ele se sentou ao lado dela, mirando os textos escritos.

– Não tem que pensar mais naquele assunto... Vai ficar tudo bem, o que é pra ser vai ser... – Disse ele. Ela ficou pensativa por um segundo.

– Charlie costumava me dizer essas coisas... – Albafica respirou fundo, estava cheio daquilo. – Você as vezes me lembra ele... Quand...

– Chega Sophie. – Cortou-a Albafica, ela o mirou sem entender.

– O qu...

– Pare de me comparar ao Charlie! Não posso mais aguentar isso! – Ele se levantou, sentia sua paciência se esvair, o que quase nunca se permitia acontecer.

– Albafica! – Chamou ela, vendo-o sair. – O que está falando? – Ele parou em frente à porta, respirando fundo. Pretendia não ficar ali, pois não sabia o que seria capaz de fazer, porém Sophie não ajudava em nada. – Estou falando com você! Porque está agindo assim? Acha que não tenho notado? – Ele girou nos calcanhares, ficando de frente a ela. – O que está acontecendo?

– Quer saber o que está acontecendo? – Perguntou encarando-a profundamente nos olhos.

– Quero! – Ele sorriu sinicamente.

– Não acredito que não tenha notado...

– Não Albafica, eu não notei...

– Sophie... Charlie se foi, mas a sua vida continua. Eu sei que é difícil, pois até mesmo eu já senti a perda de alguém importante, mas chega uma hora que temos que seguir em frente!

– E eu não estou fazendo isso?

– Não, não está! Quando me compara a ele a todo instante, quando menciona ele a cada coisa que faz.. Pra mim chega! Eu sou outra pessoa! Não sou o CHARLIE! – Sophie arregalara os olhos, jamais havia visto Albafica perder o controle.

– Não estou entendendo... – Disse Sophie.

– Não está entendendo? – Ele se aproximou.

– Não! – Rebatera ela não baixando o olhar.

– Ah então está bem! Vou fazer você entender... – Albafica se aproximou dela rapidamente, encurralando-a contra a parede e seu corpo. Ele se abaixara de modo a alcançar seu rosto. Seu coração a mil por hora. Estava cansado de lutar contra aquilo que sentia, não podia mais segurar a si próprio. Roçou seus lábios contra os de Sophie, sentindo a respiração acelerada e quente da garota. Sophie parecia perplexa, não movera um músculo se quer. Os olhos arregalados. Em sua mente não havia espaço para pensamentos, não havia espaço para nada. O completo e confuso branco bailando diante de seus olhos. Albafica movera os lábios, porém ela não reagira, o que o levava a ter a nítida sensação de estar beijando uma estátua. Ele se afastara por fim.

– Eu vou embora. – Disse ele.

– O que? – Perguntara ela, ainda confusa com o que acabara de acontecer.

– Não posso mais ficar aqui. Não importa se eu sumir... Acho que seria melhor assim... – Ele saíra, batendo a porta fortemente.

Droga o que foi que fizera? Porque Albafica? Porque a beijou? Pensava ele, enquanto caminhava a passos apressados no meio da chuva que não dava trégua. A fria água encharcando seus longos cabelos loiros. Chorou mais uma vez, não notando nem sequer aonde ia... Não ligando para nada, nem para suas roupas molhadas pela tempestade... Estava pior do que antes, sentia-se um prisioneiro de seu próprio destino, que sempre o condenara à eterna tristeza...


Prison's gates won't open up for me

On these hands and knees I'm crawlin'

Oh, I reach for you

Well I'm terrified of these four walls

These iron bars can't hold my soul in...

Os portões da prisão não se abrirão para mim

Com estas mãos e joelhos eu estou rastejando

Eu alcanço você...

Bem, eu estou aterrorizado com

essas quatro paredes

Estas barras de ferro não podem

aprisionar minha alma aqui...

Sentia suas lágrimas misturarem-se a chuva, sentia seu peito se igualar aquela tarde fria... Mas algo estava diferente. Ele mirou as próprias mãos, algo estava errado... A transparência de seus dedos crescia rapidamente... Sophie... eu acho que estou desaparecendo... E irei sem te ver novamente... Partirei sem ver o seu sorriso de novo... Me desculpe...

Seu corpo parecia em chamas, sua invisibilidade alcançando seus braços em fim...



All I need is you

Come please I'm callin'

And all I scream for you

Hurry I'm fallin'

...I'm fallin'

Tudo que eu preciso é você

Venha, por favor, estou chamando

Eu estou gritando por você

Apresse-se, estou caindo

...Estou caindo

–-----------------------------------


Não acreditava, Albafica fora mesmo.. embora? – Algo na mente de Sophie procurava acordá-la para a real situação. O que foi que fizera? Deixara ele ir... Deixara-o partir de sua casa, de sua vida sem ao menos dizer uma única palavra? Sem tentar impedi-lo? Não, não podia ser verdade.. como fora tão idiota durante tanto tempo? Como não repara que Albafica estava apaixonado por si? Como não repara o quanto seu peito apertava por imaginar-se sem ele? Que em sua mente era ele que estava tomando o espaço que Charlie sempre tivera? Como não repara que talvez também o estivesse... amando.

Correu em meio a chuva, correu em meio aos carros que teimavam em circular naquela tempestade. Onde você estaria? Perguntava-se ela, sua mente girando, seus olhos procurando desesperadamente por ele.


Show me what it's like

To be the last one standing

And teach me wrong from right

And I'll show you what I can be

Mostre-me como é

Ser o último a ficar de pé

E ensine-me a diferença entre o certo e o errado

E eu te mostrarei o que posso ser

Sentado a um banco qualquer da praça central, mirava tristemente suas mãos que desapareciam, como as páginas de seu mangá...

Até que...

– Albafica! — Ele se virou ao escutar seu nome. Sophie correra até ele, seus cabelos castanhos molhados pela forte chuva.

– Sophie...

Say it for me

Say it to me

And I'll leave this life behind me

Say it if it's worth saving me...

Diga isso para mim

Diga isso por mim

E eu deixarei essa vida para trás

Diga se vale a pena me salvar...

– Como você some assim! Você não pode Albafica! Não pode desaparecer da minha vida assim! — Ele a mirou confuso. — Você disse que não havia jeito de continuar, que seria melhor desaparecer, mas eu não vou deixar! Vou te dar um motivo! Vou te dar um motivo para continuar vivendo! Um motivo para salvar você! — A mente de Albafica acendera com as palavras de Sophie. Era isso! Ele nunca tivera um real motivo para continuar respirando... Sua saída sempre fora a morte, sempre pensara nela como sua única salvação... Por isso decidira em sua luta contra Minos, aliar o ataque fatal ao inimigo, à sua morte.

– Sophie eu...

– Xii.. Não diga mais nada... — Ela o puxou pela gola da camisa, enroscando seus braços ao seu pescoço, unindo seus lábios aos dele. Albafica sentia a pequena língua pedindo passagem contra sua boca, o que ele concedera prontamente. Era seu primeiro beijo... Sentia suas pernas falharem, ele a puxou mais para si, abraçando o corpo frágil de Sophie com seus braços, já semi transparentes. Não importava mais a chuva que caía, ou o frio que arrebatavam seus corpos. Talvez a chama de seus corações fosse muito mais forte do que qualquer coisa ao redor... Tudo havia parado, o mundo havia congelado para eles... O beijo se tornava cada vez mais acelerado, acompanhando o ritmo de seus corações irrequietos e que ansiavam um pelo outro há tempos... Era como a primeira vez que se encontraram... Afinal naquela noite, também estava chovendo...

Separaram-se em fim, pois lhes faltava ar.

– Me.. desculpe Albafica... Eu não notei... — Disse ela, mirando-o, ainda em seus braços. — Eu estava tão cega pelo passado, que não pude ver quem estava a minha frente... Quase perdi o presente que havia ganho... — Ele sorriu.

– Eu sei o que fazer agora Sophie...

– Sabe...?

– Sim. Sei o motivo de ter retornado... Acho que finalmente pode me mostrar... — Disse. — Eu estou desaparecendo... Talvez esteja quase na hora... — Ele mostrou as mãos que já estavam quase por sumir completamente. Ela mirou-as, já esperava que visse aquilo. Cruzou seus dedos com os de Albafica.

– Nós vamos juntos então... Quero de agora em diante, sempre estar com você... Se me permitir e.. me perdoar. — Ele a mirou sorrindo, lhe dando um pequeno selinho.

– É claro que eu deixo.. É o que eu mais quero... — Talvez por encontrarem o motivo certo, o tempo transcorrera mais depressa. Tudo girara ao redor.

Haviam desaparecido.


Notas finais
E aí o que acharam? Oh God... Finalmente Sophie enxergou nosso querido cavaleiro! Já era tempo hem! XD.. Se eu demorasse mais para o tão esperado beijo, provavelmente seria linchada pelos meus leitores apressados! Ò.Ó

Estamos na reta final de Save Me! o/ Último Capítulo à caminho! Vou ver se coloco um epílogo depois... Mas não é certeza... Veremos como sairá o final... *-*

Música: Savin-me (Nickelback) Achei essa música cara da fic *-* e já tinha pensado em colocá-la nessa parte há algum tempo...

Até o próximo minna!!!