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1 Desejo de Natal


Notas iniciais
Revisei umas três vezes, espero não ter muitos erros...

E era mais um natal, tudo estava como sempre... As festas, a casa cheia. A enorme família comemorava alegremente entre brindes e desejos de "Feliz Natal e Próspero Ano Novo", e para ela, tudo continuava do mesmo jeito... Por hora ou outra a jovem garota esboçava um falso sorriso. Sentindo que talvez não estivesse sendo uma boa atriz, e muitos notavam sua aparente tristeza. Mas a essa altura já não se importava mais...

- E então Sophie? O que desejou nesse natal? — Questionara sua prima após vê-la sentada em um banco qualquer, isolada do mundo e de todos. Apenas sorriu, pensando naquilo somente naquele momento.

- Sabe que não sou dada a Natais Jessye.

- Sei... Ainda está triste... O que é de se esperar, essas coisas demoram a se esquecer, se é que são esquecidas...- Falou ela.

- Não, está tudo bem... Vai passar... — Falou, forçando um sorriso.

- Sophie, eu queria te dizer que tudo vai ficar bem, acredite! Você conhecerá muitas pessoas no decorrer de sua vida! Pense nisso!

- Eu sei... — Disse a garota querendo sair daquele assunto. — Pode trazer um champanhe pra mim? — Pediu.

- Sim claro! — A prima saiu deixando-a só por mais alguns minutos. Já faziam cerca de dois meses que seu amigo e namorado sofrera um grave acidente de transito que resultara em um coma de duas semanas. Ela o amava e ficara com ele todo o tempo que pode, porém o corpo humano não é tão resistente em determinadas situações e de uma maneira trágica o jovem rapaz se fora para sempre desta vida. Lágrimas inconscientes se derramaram pelo belo rosto de Sophie.

- Aqui está prima! — Chegou Jessye com uma taça da bebida em uma das mãos e um refrigerante na outra.

- Obrigada. — Agradeceu sorrindo de leve, limpando as lágrimas rapidamente para que a prima não notasse, ledo engano da sua parte.

- Prima... — Começou a menina. — Você é jovem e linda! Faz sua faculdade, trabalha, é independente, mora sozinha... Eu queria ter sua coragem sabe... Você com vinte anos leva a vida de uma adulta experiente. Eu acho isso o máximo! — Disse Jessye, tirando um sorriso, desta vez sincero, de sua prima mais velha. — Queria ser como você.. — Disse a menina tristemente.

- Você vai ser melhor que eu acredite... Eu você ainda é nova pra pensar assim... Quando chegar a hora tenho certeza que será ainda mais independente que eu. — Falou Sophie bagunçando os cabelos claros da prima, tirando gargalhadas dela.

- Certo... Eu acredito em você. — Disse ainda sorrindo. — A tia estava preocupada com você... Por estar se isolando assim.

- Tenha certeza que ela não está preocupada... Ela tem mais coisas pra pensar do que em mim. Minha irmã por exemplo... — Falou fazendo pouco caso.

- Não diga que ela não te ama Sophie! Afinal as duas são filhas dela... — Sophie não escutou, mais uma vez mergulhou em sua memória, lembrando-se de quando a irmã, com apenas com quatro anos, tornara-se a atenção da casa por ter sido chamada a participar de um programa de tv. Desde aí ingressara na carreira de atriz, da qual estava até hoje, com dezoito anos de idade. Sendo filha mais velha, procurou não dar muita importância quanto ao desleixo dos pais para com ela, mas por mais que tentasse ignorar, o fato era que machucava. E com a recente perda notara que, na verdade, sempre estivera ferida.

- Sophie???!

- Ah? Oi.. Desculpe Jessye, eu viajei agora... — Falou um pouco sem graça.

- Eu notei. — Disse a prima bebericando seu refrigerante. Parando pra pensar melhor nas indagações da prima, já faziam três anos que procurara sua independência. Após o término de sua escola decidira fazer um curso para arrumar um emprego, não tinha muita exigência, o fato era que queria sair de casa o quanto antes. Com esse pensamento os ventos a levaram a virar técnica em computadores, fazia concerto das máquinas, e até se arriscava em montar sites e fazer a manutenção dos mesmo. Um bom trabalho, ainda mais agora que a tecnologia e a computação virara não mais um capricho, mas sim uma necessidade. Ganhava o suficiente para pagar a kitnet em que morava, nada luxuoso, o básico apenas. Ao completar dezenove, conseguira entrar em uma faculdade pública, na qual cursava comunicação visual, achava que com a ajuda de seu trabalho já tinha uma vasta noção de designer e seus leques, até porque tomara gosto em trabalhar em sua própria casa e talvez a formação futura lhe permitisse esse capricho.

- Sophie, acho que meus pais já vão... Está ficando tarde.

-Certo Jessye. Vou me despedir dos tios. — Ela se levantara e se encaminhara até os familiares, despedindo-se dos tios e da prima. Sem Jessye ali, não havia mais ninguém com quem de fato gostava de conversar, possuía mais primos, mas gostava especialmente da adolescente de quinze anos. Não que tenha conversado muito com a menina naquela noite, normalmente as duas se davam muito bem, mas naquele momento não estava muito a fim de falar... Resolveu visitar seu velho quarto sem que ninguém a notasse, subindo as escadas sorrateiramente. Ligara a luminária antiga ao entrar, e o delicioso cheiro de madeira e livros invadiu suas narinas, fazendo-a sorrir inconscientemente. Fora ali o seu refúgio por anos. Ali que chorara quando não aguentava mais, quando seu pequeno coração sucumbia às dores de sua infância que por muitas vezes ela tentara suportar. Seu quarto estava diferente. Sua mãe havia renovado a pintura, e encaixotado todos os seus pertences. Ela não entendera muito bem o porque disso, até porque haviam muitos quartos na casa para ela se preocupar, mas sua mãe se dera o trabalho de mudar seu velho refúgio. Talvez por bronca da filha ter se mudado, outra coisa que ela não entendia, pois sempre se sentira um ornamento na casa. Não odiava sua irmã, pelo contrário, sempre a defendeu e tentou manter uma boa relação com ela, mas a educação e os mimos dos pais, fizeram sua pequena irmãzinha se afastar ainda mais dela depois do sucesso. Sophie nunca sentira inveja de Sabrina, ficava feliz pela irmã ter conseguido se dar bem na vida ainda tão jovem.

- Ainda está aqui... — Disse num sussurro ao se aproximar das caixas de livros. Ela se sentara no chão e começara a fuçar os tantos livros amontoados entre si. Sempre gostara de ler, até porque os livros por muitas vezes foram seus companheiros. — Ah! Não acredito! — Disse feliz ao notar no fundo da caixa um embrulho de cor azul celeste firmemente lacrado. Ela desembrulhou com cuidado tirando do pacote a coleção que mais amava de seus mangás. Na capa colorida se lia "Saint Seiya — The Lost Canvas" em seu idioma. O desenho era de um belo rapaz de armadura dourada com longos e azulados cabelos lisos. Outras coisas se liam em japonês, idioma do qual ela aprendera ainda na infância. Se tratava de uma coleção daquele personagem em específico.

- Albafica de Peixes... Seu gaiden ainda está aqui, intacto e perfeito. — Disse ela mirando com carinho, a imagem de Albafica na capa. Sua mente mais uma vez naquela noite, viajara ao passado levando-a a recordar-se de quando se tornara fã daquele lindo cavaleiro de ouro. Ela sempre o vira como um verdadeiro herói, sempre admirara a coragem e o espírito heroico de Albafica, até porque se identificava com ele, pois dentre todos os doze cavaleiros ele era o mais solitário deles e de solidão Sophie entendia muito bem. Este pensamento a fez se lembrar novamente de Charlie, seu namorado. Naquele ano novo completaria um ano de namoro. Ela se lembrara do quanto Charlie a apoiara em sua vida e em sua relação nada harmoniosa com sua família. Se lembrara da vez que apresentara o rapaz a família, recebendo o olhar de desaprovação por ele ser de uma família humilde. Ela jamais ligou para nada daquilo, gostava dele como ele era, gostara dele por ele sempre estar ao seu lado quando precisava, e agora a vida lhe levara a única pessoa com a qual pode contar. Novas lágrimas escapuliram de seus olhos. Estava cansada de chorar, mas ainda assim o fazia, ela se perguntava como era capaz depois de tanto choro derramado, depois de tantas noites mal dormidas. Ela sabia que tinha de ser grata por ele ter-lhe cruzado o caminho, sabia que deveria pensar no fato dele estar em um lugar melhor, porém mesmo tendo esses pensamentos não podia afastar a tristeza de seu coração tão rapidamente. O pior é que sabia que voltara a estar sozinha, como sempre fora em toda sua vida, mais uma vez só podia contar com uma pessoa: a si mesma. Respirou fundo abrindo o mangá e parando em uma página em que mostrava com perfeição os detalhes do belo rapaz desenhado ali.

- Albafica, meu querido cavaleiro, se você fosse real poderia me salvar certo? — Falou, porém não foram só palavras, pela primeira vez depois de tudo que passara nos últimos meses, desejara estar com alguém que a compreendesse, não queria estar sozinha como sempre estivera. Parecera soar como uma prece, ou um desejo, talvez o seu pedido de Natal naquela noite. Enxugara as lágrimas e abraçara com cuidado sua relíquia tão apreciada. Naquele momento um raio cortara o céu, seguido por um sonoro trovão, anunciando uma tempestade que não tardaria a chegar. Ela se levantou espanando a poeira das calças jeans, ainda segurando os mangás. — Eu até pensei em levar vocês pra casa, mas com essa chuva que pode vir, não vou me arriscar. — Falou ela, voltando a encaixotar os livros e as coleções. Não demorou para que descesse e se despedisse de todos.

- Está muito cedo Sophie. — Disse sua mãe friamente.

- Não posso ficar mais. Pode ser que chova, não estou de carro, então é melhor voltar logo. — Não estava e nem nunca estivera de carro. Somente quando morava com seus pais, porém o carro era de sua família e não dela.

- Certo. — Respondeu a mãe. Em seguida seu pai também viera junto com sua irmã para se despedirem dela.

- Acho que não passarei o ano novo aqui. — Disse Sabrina. — Talvez em Paris, meu namorado está me enchendo o saco, me pedindo isso! Pode papai? — Falou ela não dando muita importância à Sophie.

- Ah mas tendo a vida que você tem, eu imagino que seja complicado querida... — Disse o pai beijando a testa da filha que sorria e olhava para irmã que nada disse.

- Bom, eu já vou. — Falou Sophie, mas seus pais não a escutara, pois já estavam entretidos com a "estrela" da casa. Após a despedida traumática, ela finalmente pode ir embora.

A garoa começara fina, ela apanhara o pesado e portátil guarda chuva "tamanho família", de dentro de sua bolsa e partira. Sua casa ficava a algumas quadras da casa de sua família. Poderia ter pedido um táxi, já que a chuva começara a aumentar... Sim, deveria ter pedido um táxi, seus pés já estavam inteiramente molhados. Mais raios começaram a cair ali perto, o que a fez sentir um arrepio na espinha, se por um acaso a iluminação caísse, não tinha uma lanterna em mãos. Fora que as ruas estavam bem vazias, mesmo quando cruzara a avenida que separava a vila da casa de seus pais da dela, somente carros passavam por ali. Era de se imaginar, era Natal, e seria natural as ruas estarem como estavam. Ela continuou em passos rápidos, estava bem perto agora, entrando na rua dos pequenos apartamentos de kitnets que morava. Porém ao chegar, notara a má iluminação, sinal de alguns postes sem energia.

- Era só o que me faltava! — Falou ela. Mas algo lhe tirara da linha de pensamento, pois havia literalmente um "corpo" prostrado no chão, na calçada em que estava. Sua mão gelou. Talvez pela fraca luz, não notara a pessoa antes, mas estava tão perto que se assustara. A pessoa estava em volta por um manto branco o que dificultava sua identificação. Após ter se recuperado do susto, Sophie se perguntara se a pessoa estivesse bem, ou se respirava, cogitou pedir ajuda, mas quem iria sair para ajudá-la naquela chuva? Pensou em ligar para a polícia, e se irritou com sua falta de ação, até que num ato impensado se aproximou ainda mais, rodeando o "corpo". Era um homem, aparentemente, pois parecia ser alto. Seus cabelos aparentavam ser longos e loiros.

- Moço! Moço, você está bem? — Ela notara que ele respirava com dificuldade, menos mal, pois temera que ele não estivesse vivo. Também pudera, estar naquela chuva, jogado no chão, não deveria ser nada agradável. — Droga o que eu faço? — Se perguntou tomada pela indecisão e medo. Não poderia deixá-lo morrer ali. Ele não deveria estar bem. A não ser que estivesse bêbado ou algo do tipo. Jogou a bolsa para trás, não acreditando no que estava prestes a fazer, encaixara o guarda chuva entre o pescoço e o ombro, esticando as mãos e o chacoalhando.

- Acorda! — Ela falou a ele, cobrindo-o parcialmente com seu guarda chuva.

- N-não... Toque... — Balbuciara ele com muita dificuldade.

- O que? — Perguntou ela se aproximando ainda mais.

- Não me... t-toque... Não se... apro..xime. — Ela se abaixou e puxou a capa que cobria sua face. A surpresa foi que não esperava ver o que viu. O belo e magnífico rosto daquele ser a sua frente. A pele branca como leite, era perfeita, fazendo conjunto com seus, embora molhados, cabelos extremamente dourados. Ela poderia ficar a vida olhando para ele, mas precisava ajudá-lo, nem que tivesse que arrastá-lo dali. Ela jogou o guarda chuva junto com sua bolsa, que só estavam atrapalhando, na parte coberta da frente mal iluminada de seu condomínio. Agora que se dera conta do quando estava próxima de sua casa.

- Venha. — Ela falou tentando erguê-lo, não sabendo ao certo de onde tirara aquela força. Ele se mexera e agarrara seu pulso com força.

- Ai! — Disse mirando-o. Seus olhos estava abertos, mas não conseguia discernir muita coisa com a péssima iluminação.

- Me deixe aqui. — Disse ele com a voz grave.

- O quê? Mas.. Você precisa sair dessa chuva, deixa eu te levar para um lugar seco.

- Me solte. — Falou. — Vai ser pior se me ajudar. — Ela o mirou novamente. Um filete de sangue escorrera por seus lábios, preocupando ainda mais a garota. Naquele momento o poste retornara com a iluminação, e ela notara algo que não pode ver anteriormente. Uma pinta pequena no canto abaixo de seu olho esquerdo, era o único detalhe que se destacava em sua pele alva, contrastando com suas íris azuis escuras. Seu coração deu um salto. Aquilo não poderia estar acontecendo... Só podia estar doida ou sonhando! Mas ainda assim...

- Al...Albafica?

Notas finais
E então gostaram? Bom, essa é minha primeira fic, então perdoem algumas coisas, pretendo melhorar ao longo dessa história... Ah! E eu não terei um tempo certo pra postar, como estou inspirada em escrever pode ser que postarei dois capítulos em uma única semana, e por aí vai... Comentários são sempre bem vindos amores!!! ;D