Sangue quente.
21 De mal a pior.
Notas iniciais
Ian...
Meus pés estão me matando, minhas costas estão latejando, eu estou exausto e faminto, tudo dói! Eu quero só comer algo e me deitar um pouquinho, é pedir demais? Mas James não quer parar de andar, estamos caminhando há praticamente uma noite inteira e metade de um dia sem parar!
Pedro e eu estamos quase desfalecendo de dor e cansaço! E ainda por cima estamos carregando as mochilas com as barracas, Pedro quase sumia de tão pequeno que era comparado com a grande mochila de acampamento que estava carregando e eu com certeza não deveria estar levando todo esse peso nas costas, mas já nós desfizemos do máximo de coisas que podíamos, deixamos pra trás no meio do caos do massacre no circo nossas bolsa com disfarces e outras coisas que não seriam uteis e só fariam peso nesse momento.
James estava andando na nossa frente, carregando a bolsa de dinheiro com a alça atravessada em um ombro e no outro ombro estava a alça de uma bolsa com algumas roupas! Seph estava desacordado e sendo carregado por James amontado em suas costas! Desde ontem à noite quando matou todo aquele exercito com facilidade ele não acorda, não importa o que a gente faça, estou com medo por ele! E se ele realmente não acorda mais? Nunca vi isso acontecer com um vampiro, o que está havendo com ele?
—“Porque vamos hacia el este?” Pedro perguntou olhando para cima, ele disse que estamos indo pro leste? Como assim? Pensei que a casa do Seph fosse por norte!
—“O que você quer dizer com isso Pedro!” Perguntei me aproximando dele.
—“Yo me guío por el sol! Vamos hacia el este!” Meu espanhol é fraco, mas posso jurar que ele disse que sabe se guiar pelo sol e que estamos indo pro leste.
—“James... isso é verdade?” Perguntei preocupado.
—“Sim Ian, estamos indo pro leste!” Disse James sem se alterar.
—“Como assim? James, como pode errar a direção? Eu pensei que já estaríamos mais próximos à casa de Seph a essa altura, não me diga que andamos tudo isso sem parar a toa!” Comecei a me desesperar pra valer, eu estava achando que James estava andando desesperado sem ligar para o nosso cansaço porque estávamos perto da casa de Seph e finalmente iriamos descansar e cuida de Seph.
James seguiu andado na direção errada me deixando com Pedro pra trás.
—“James... você está louco? Vamos seguir a direção correta vem, Pedro nos mostra o caminho!” Falei chamando.
—“Não! Vamos seguir para leste mais um pouco, ande Ian, venha Pedro!” Porque ele estava sendo tão seco assim? Porque ele estava nos levando pro caminho errado?
—“Não... eu não vou! Estou exausto, meu corpo inteiro dói! Não vou arriscar entrar em trabalho de parto pré-maturo subindo essa ladeira com você e não vou deixar você levar o Pedro junto, esqueceu que ele é humano? Ele vai morrer desse jeito!” Eu estava muito estressado, eu queria gritar com James agora.
James parou de andar e se virou para me olhar, ele estava muito sério e isso era um pouco assustador.
—“Eu sei o que estou arriscando Ian... pensa que estou feliz com isso? Meu parceiro está sofrendo e meu neto pode vir a nascer antes do tempo, mas não podermos parar e não podemos ir pro norte, não agora!” James respondeu ríspido.
—“Por quê?” Perguntei ainda sem entender.
—“Ian... você acha mesmo que um batalhão inteiro do exercito vai ser trucidado e o governo vai simplesmente esquecer? É claro que não! Alguém do governo deve ter indo falar com os sobreviventes da cidade sobre o massacre no circo e alguém deve ter contado que viu um super vampiro explodindo o peito do batalhão inteiro! E neste exato momento, um novo batalhão, com muito mais soldados e muito mais bem armados devem estar nos caçando em meio a essa floresta!” James falou isso e eu senti um arrepio subir em minhas costas, olhei pra trás um tanto nervoso!
—“Se seguíssemos para o norte, eles iriam prever que o nosso destino é pra lá! Eles poderiam montar uma armadilha pra nós! Por isso temos que criar essa falsa trilha, temos que fazê-los acreditar que nosso destino é esse... e não podemos perder tempo descansando, porque eles podem estar a poucos quilômetros de distância de nós agora!” James falou sério.
—“E-eu... entendo, mas...” Passei a mão sobre a barriga nervoso, eu estava preocupado com o bebê a essa altura.
James suspirou.
—“Ian... se eles nos pegar, sabe o que vai nos acontecer? Eles vão escravizar o Pedro, sabe se lá o que o batalhão do exercito vai fazer com ele!” James falou isso e Pedro se encolheu e estremeceu.
—“Seph e eu seremos dissecados nos laboratórios para que eles possam descobrir que habilidade estranha é essa de se teletransportar e estourar corações de soldados e você...” James ficou quieto e me encarou, eu o olhei assustado, na verdade eu não tinha parado pra pensar em tudo isso ainda.
—“Ian... você é o santo graal pra eles! Se eles te pegarem, eles vão fazer experiências terríveis pra descobrir como você engravidou... eles vão machucar seu bebê, eles vão tentar te forçar a se reproduzir de novo e de novo até ter dados conclusivos sobre você!” James falou isso com uma voz tão firme que estremeci de medo.
Baixei a cabeça derrotado, eu sabia que ele estava certo, mas desse jeito... eu não vou conseguir chegar muito longe!
—“Vamos!” Disse James! Eu e Pedro voltamos a andar, estamos subindo um barranco íngreme, era difícil e estava ficando muito frio! Não tínhamos muitas roupas, já que tivemos que deixar metade de nossa carga pra trás.
Depois de andarmos por mais três horas, chegamos à beirada de um rio, o crepúsculo coloria de dourado o céu e tudo que eu queria fazer era dormir.
—“Escutem... quero você sigam a correnteza do rio, esse rio vai para o norte! Quero que vocês andem até anoitecer, mas o mais importante é que vocês tem que andar dentro do rio! Entenderam? Andem somente dentro da água, não pisem na margem do rio! Desse jeito não haverá mais rastros em terra firme e a água apagará mais rápido seus cheiros!” James nos falou e virou as constas pra nós.
—“Mas e você e o Seph?” Perguntei assustado ao perceber que ele ia em outra direção com Seph em suas costas!
—“Vou continuar criando um falso rastro para longe do rio! Não se preocupem, assim que eu terminar, eu alcanço vocês rapidinho!” James sorriu e se virou para partir.
—“No! No nos dejen solos!” Pedro tentou alcançar James implorando para que ele não nos deixasse sozinhos!
—“É necessário!” James falou ríspido e se foi sem nos olhar, ele estava tão estranho! Pedro fungou, ele estava quase chorado e admito que eu estava quase do mesmo jeito que ele também!
Entramos dentro do rio até a água chegar nos nossos joelhos, a água estava muito fria, estremeci e Pedro também.
Começamos a andar seguindo a correnteza, andamos por meia hora sem nos falarmos, até que eu escorreguei em uma pedra.
Pedro me segurou na hora, impedindo que eu caísse e me ferisse nas pedras afiadas e escorregadias do rio!
—“¡Tenga cuidado!” Pedro se exasperou me ajudando a me firmar novamente, agora uma estranha vontade de chorar tomou conta de mim, talvez fosse o medo, eu não sei!
—“¿Que pasó? Algo mal con el bebé?” Pedro se assustou e entrou em pânico.
—“Não!... Acho que ele está bem... eu só não estou aguentando isso! Porque o James está tão insensível assim?” Chorei e me abracei ao Pedro que retribui o abraço.
—“Es porque tienen miedo!” Pedro me respondeu que James estava agindo assim porque estava com medo e eu sei que Pedro tinha razão, mas eu preciso de apoio agora... Seph está em coma e eu estou sozinho num mudo que quer me ferir e ao meu bebê também!
—“¡Estoy contigo!” Pedro pareceu ter percebido que eu precisava justo dessas palavras, me senti mais protegido e unido dele, mas o interessante aqui é que eu sou mais forte que ele! Eu deveria estar protegendo ele!
—“Obrigado Pedro... vamos!” Dei a mão pra ele e juntos seguimos andando.
Estamos andando já muito exaustos e com muito frio! Quanto mais escuro ia ficando e mais ao norte íamos chegando, mais a temperatura ia caindo! Foi ai quando ambos afundamos até o peito na água congelante, não vimos que o solo do rio do nada ficava fundo, estava muito escuro mesmo!
Pedro apertou minha mão e estremeceu! Eu nem sabia o dizer, eu também estava morrendo de frio agora, mas não deixamos nos abalar por isso, seguimos andado.
A partir daquele primeiro buraco descobrimos que o solo desse rio era todo desnivelado, às vezes afundávamos até o pescoço às vezes a água voltava a dar nos nossos joelhos e isso era o pior! Pois quando estávamos totalmente dentro d’água sentíamos calor e quando estávamos fora d’água sentíamos frio por causa do vento que soprava nossas roupas encharcadas! Quanto mais a noite caia, mas fria ia ficando a água.
Olhei para Pedro, com a pouca luz que ainda tínhamos eu pude ver que ele batia os dentes, seus lábios estavam com uma coloração roxa e sua pele escura parecia cinza por causa da palidez.
—“P-P-P-PE-DRO....” Quando gaguejei o nome dele percebi que também estava batendo os dentes.
Pedro me olhou, seus olhos arregalaram e então eu tive a confirmação de que também estava morrendo congelado.
—“N-n-não d-da m-mais... t-temos q-que p-para e n-nos es-quentar!” Falei tremendo tanto que mal conseguia me controlar.
—“M-m-mas... o-o J-James d-d...” Pedro tentou falar, mas a tremedeira não deixava.
—“E-eu s-sei... m-mas... v-vamos m-morrer assim!” Sai de dentro d’água puxando ele, minha intenção era trocar de roupa e me abraçar a Pedro até nos esquentarmos e o James nos encontrar, mas... a mala de roupas estava com o James... e as nossas mochilas estavam encharcadas, qualquer pedaço de pano que pudéssemos nós esquentar estava molhado também.
Olhei para Pedro o coitado parecia estar tendo uma convulsão de tanto que tremias, ele esfregava as mãos tentando esquenta-las.
—“D-deviamos f-fazer uma f-fogueira!” Dei a ideia, mas ele fez que não com a cabeça.
—“Ellos nos encontrarán! El fuego será un punto de luz en la oscuridad, ellos nos veriam a quilômetros de distancia!” Pedro disse que fazer uma fogueira não era uma boa ideia, pois no escuro da noite ela seria um ponto de luz, se ainda tinha alguém nos perseguindo, a fogueira se transformaria em um sinal e eles nos veriam há quilômetros de distância! É, ele tem razão, mas desse jeito vamos morrer de hipotermia!
—“O q-que f-faremos?” Perguntei com medo, ele me olhou com pesar, nós nos abraçamos e sentamos encolhidos contra uma árvore, o tremor fazia meu corpo inteiro doer.
Uma estranha pontada me atingiu no baixo ventre... Ah não! Por favor, ainda é muito cedo... e eu não estou em condições... desse jeito nem eu e nem o bebê vamos sobreviver ao parto!
Me abracei forte em Pedro e implorei internamente a criaturinha que ele esperasse mais um pouco! Pedro tossiu alto e fungou.
Ficamos horas sentados e tremendo, comecei a pensar que íamos morrer mesmo, quando ouvimos passos dentro d’água, séria James ou outro alguém? Tinha medo de chamar e não ser James, mas também tinha medo de não chamar e deixar James seguir na direção do norte nos deixando pra trás!
—“J-J-James!” Chamou Pedro e o som de passos sessou, logo os passos vieram na nossa direção.
—“Ah, vocês estão ai! Estou orgulhoso, vocês andaram bastante e... o que há de errado com você?” James se aproximou nos examinado.
—“E-estamos m-morrendo de hipotermia!” Respondi pra ele, eu não queria exagerar, mas realmente estamos mal, eu já não sentia meus membros direito e respirar era difícil, Pedro quase não estava mais consciente e sua respiração era rasa, sei que isso são sinais da hipotermia.
—“Hipotermia?” James me olhou sem entender, acho que ele não sabe o que é isso!
—“N-nossa t-temperatura tá b-baixa demais!” Expliquei.
—“Vocês não podem controlar o calor corporal para andar no frio?” James nos perguntou isso como um idiota. Só porque ele é um vampiro e pode andar por ai sobre o gelo descalço porque os vampiros podem reter o calor dentro deles e manter a temperatura é que ele pensa que podemos fazer isso também?
—“N-não p-podemos!” Olhei zangado pra ele, ele bolou esse plano de fuga maluca sem saber de nossas limitações ou ele estava tão desnorteado e assustado com a possibilidade de um exercito estar atrás de nós que nem pensou direito?
—“J-James... i-isso é s-sério, nós p-podemos m-morrer assim!” Estava tentando o fazer entender a gravidade de nossa situação!
James largou as bolsas e o Seph no chão com cuidado, usando uma das bolsas de travesseiro pra Seph que mal se mexia e então se virou pra mim em pânico.
—“O que eu faço?” Ele me perguntou.
—“T-tem a-alguma r-r-roupa seca? P-precisamos nos t-trocar, essas e-estão muito frias e h-húmidas!” Falei tentando controlar minha voz pra sair normal.
James olhou na bolsa de roupas, mas elas também estavam encharcadas, afinal ele também veio andando dentro do rio para apagar seu rastro.
Ah, que ótimo! Vamos mesmo morrer, Pedro estava inconsciente ao meu lado... AH NÃO! Inconsciência é sinal de hipotermia grave, ele está morrendo!
—“J-James f-faça a-alguma coisa pra n-nos e-esquentar e r-rápido... d-desse jeito o Pedro vai...!” Olhei assustado pro garoto ao meu lado que mal respirava.
James começou a se mover rapidamente, ele retirou nossas roupas molhadas e as dependurou em um galho para secar, então tirou a camiseta e se colocou entre nos dois nos abraçando, o corpo dele era quente... acho que ele estava liberando o calor corporal dele para nós.
Por um minuto tive forças pra sorrir ao pensar na possibilidade de Seph se acordar agora e me ver nu abraçado a James e Pedro! Então senti tudo escurecer e quando dei por mim, já havia caído na inconsciência.
Quando acordei estava claro e havia sons de pássaros, eu estava deitado no chão fofo da floresta! Ao meu lado estava Pedro que ainda dormia, ele estava muito pálido, mas a cor roxa sumiu de seus lábios! Do meu outro lado estava Seph, ele também estava dormindo. Demorei a perceber que estava vestido, quentinho e confortável!
—“Ian... você está bem?” James se aproximou de mim assustado.
—“Quero água, por favor!” Pedi sentindo minha boca seca.
James pegou no meio do aparato de acampamento um cantil e me deu água, nossa como eu estava com sede! Enquanto eu bebia James tocava minha testa.
—“Desculpa Ian... eu cometi erros, quase matei você, o Pedro e o bebê!” James tinha uma expressão amuada.
—“Tudo bem... eu sei que você estava desesperado! Talvez estaríamos nas mãos dos soldados nesse momento se não fosse você!” Respondi cansado e alisei minha barriga, a criaturinha não estava se movendo... eu tinha que manter a calma numa hora dessas!
—“Seph acordou em algum momento?” Perguntei preocupado.
—“Não... nem ele e nem Pedro!” James parecia arrasado agora.
—“Nós vamos todos ficar bem!” Falei isso mais para mim mesmo do que para James, ele nada disse!
—“Eu estou faminto!” Reclamei.
—“Eu sei... desculpa Ian, mas não posso ir caçar nada agora! Descobri que essa região é cheia de predadores selvagens! Sem o Seph para protegê-los, corro o risco de retornar e descobrir que um urso ou lobo devorou vocês! Ou até mesmo que o exercito os encontrou!” James baixou a cabeça derrotado e eu suspirei cansado, a coisa não estava nada boa mesmo!
Uma semana se passou, seguíamos viagem para o norte, Pedro havia acordado, mas ultimamente não parava de tossir forte, Seph não acordou nem mesmo por um segundo, estou com tanto medo por ele, começo a achar que ele realmente vai ficar em coma pra sempre!
As coisas não andam nada bem, não tem como James caçar! Pedro está fraco e mal consegue andar, ele até usou um pouco de seus conhecimentos de sobrevivência e achou larvas e plantas pra gente comer, mas isso estava se mostrando insuficiente para nós nessa viagem.
Recentemente tenho percebido algo sério comigo, não estou me curando de nenhum ferimento, meu corpo está exausto, meus pés estão em carne viva, se eu estive bem alimentado, meus pés nem se feririam, mas do jeito que estou cada nova bolha que se forma ajuda a piorar uma que já existia.
Mais uma semana se passou, Pedro não se curou da tosse, a tosse dele está ficando rouca, e ele parece mais fraco ainda! James está em desespero! Seph não acordou e eu estou sentindo aquela pontada de novo, mas não quero falar nada! Estou com medo de falar, estou com medo de receber uma notícia ruim, a criaturinha está se mexendo tão fraquinho dentro de mim, acho que ele também está faminto!
James ia à frente levando a maioria de nossas coisas e Seph nas costas, eu vinha logo atrás e Pedro vinha tossindo alto logo atrás de mim.
Uma pontada forte me fez gemer alto, isso chamou a atenção de James e Pedro que pararam pra me olhar.
—“Ian?” James me olhou com atenção.
—“E-eu estou bem!” Tentei sorrir.
—“Ian... estás sangrando!” Pedro arfou atrás de mim.
—“O que?” Olhei pra baixo e vi um pouco de sangue manchando minha calça.
Paralisei no lugar, de repente tudo se tornou frenético, tanto James quanto Pedro vieram me acudir.
—“Eu vou montar acampamento! Pedro faça o se deitar, vamos!” James largou Seph e começou a montar uma barraca, enquanto isso Pedro me ajuda a me deitar no solo da floresta e usou uma mochila de travesseiro pra mim.
Eu mal disse ou fiz algo, estava em choque para reagir, a pontada fininha estava mais aguda. Me agarrei a Pedro como se ele pudesse me salvar desse medo terrível que estava sentido.
James terminou de montar a barraca e forrou o chão dela com um colchão inflável, então veio me pegar para me colocar sobre o colchão, mas quando ele mexeu em mim a dor foi além, acabei gritando e esperneado, essa dor me lembrava da que senti quando perdi o outro bebê, a criaturinha não estava se mexendo... por favor, por favor, isso não, alguém faz isso parar!
James me largou no colchão e começou a pensar em algo, ele balbuciava alguma coisa que eu não estava mais entendo, eu estava exausto demais pra ouvir, me entrei ao cansaço e apaguei.
Quando me acordei a dor havia apaziguado, era noite e Seph estava dormindo ao meu lado, James estava sentado na entrada da barraca de guarda.
—“Ian... finalmente acordou!” Ele entrou na barraca e veio me examinar.
—“O que aconteceu?” Perguntei assustado segurando minha barriga, ele ainda estava dentro de mim... mas não se mexia, isso me deixava em pânico, mas não podia me deixar exaltar por isso!
—“Eu não sou médico... mas acho que a placenta estava descolando... você não pode continuar andando Ian, tem de ficar em repouso absoluto!” James suspirou pra mim.
—“Mas... por quanto tempo?” Perguntei olhando assustado para James que tinha uma expressão cansada.
—“Acho que até o fim da gestação!” Ele respondeu passando a mão pelos cabelos.
—“Não podemos ficar aqui por mais dois meses e pouco James, é muito arriscado!” E se alguém ainda estivesse nos seguindo? Eles ganhariam terreno agora!
—“Eu sei... eu sei, vou pensar em algo...” Nesse momento ouvi a tosse de Pedro do lado de fora da barraca e James fez uma expressão de muito preocupado.
James realmente devia estar preocupado! Uma simples gripe não deveria levar duas semanas para curar e Pedro ainda estava piorando, eu acho que ele estava com tuberculose pneumonia, sei lá.
—“O que eu faço... Seph está em coma, Pedro está doente e você está assim... eu não sei mesmo o que fazer, eu falhei com todos vocês!” James passou a mão pelo rosto cansado.
-“Você fez o possível James!” Respondi para tira-lo dessa depreciação, não tive sucesso é claro!
—“Você vai pensar em algo... eu sei que vai!” Segurei a mão dele para lhe passar forças e ele suspirou.
—“Oh, Ian... você tem sido tão forte, está ai sofrendo e mesmo assim tenta me passar forças! Eu te idolatro!” James sorriu fraquinho pra mim e eu forcei um sorriso pra ele.
No fim acabamos tendo de ficar nesse lugar mesmo, mas as esperanças estavam se acabando agora.
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