Sangue quente.

22 Pura tensão.


Notas iniciais
Boa leitura! ^-^

Sephiron...

Droga... porque todo meu corpo dói terrivelmente? Porque não consigo mover meu corpo normalmente? Porque está tudo escuro? Porque parece que meus braços e pernas pesão uma tonelada? Merda! Porque não consigo me mexer?

Que som é esse? Alguém está se lamentando? Parece que tem alguém chorando!... O que está acontecendo?

Reconheci o som do choro, é o meu pai! Porque ele está tão triste assim?

A curiosidade de descobrir o que havia de errado com meu pai, foi maior que o cansaço que me instigava a voltar a dormir!

Abrir meus olhos pesados com muito esforço e me deparei olhando para um teto rochoso cheio de estalactites apontando pra mim, o ambiente do local estava um pouco escuro e húmido, estão provavelmente eu deveria estar em uma caverna! Como assim? A última coisa de que me lembro... AI NÃO! O ataque no circo! O que aconteceu?

Os resmungos e choros de James estavam vindo na direção dos pés do colchão inflável ao qual eu estava deitado! Porque ele está chorando?

Tentei move meu corpo e descobri que não tinha forças para me mover, mas meu corpo estava aos poucos voltando ao normal, eu já não sentia mais um grande peso em meus membros, mas cada movimento quase me matava de dor!

Todo o meu corpo gritava de dor, mas não era uma dor agoniante, era mais uma dor muscular chata!

Tentei me mover novamente e meu corpo se moveu de leve, foi nesse momento que senti o corpo ao meu lado, virei a cabeça a muito custo e encarei o perfil de Ian, ele dormia tranquilamente, mas tinha algo de errado na imagem dele, ele estava diferente...

É minha impressão ou ele está terrivelmente magro? Suas bochechas então fundas, há olheiras em seus olhos e seu cabelo está maior... bem não tão maior, mas para um vampiro, qualquer mudança é perceptível! O examinei melhor... sua barriga também está maior! O que está acontecendo? Porque ele mudou tanto em uma noite?

Forcei a minha mão a se mover e alisei seu rosto gelado, droga, ele me parece mal! Estou sentindo cheiro de sangue... dele e de Pedro!

Algo de muito errado estava acontecendo aqui! Meu corpo finalmente encontrou forças para se mover e eu me sentei no colchão.

James estava sentado em outro colchão aos pés do meu, ele estava com o humano dele enrolado em um coberto como se fosse um bebê em seus braços, ele o ninava enquanto chorava fraquinho.

—“Por céus James! Pare de choramingar, qual é o seu problema!” Falei colocando em minha voz um tom de irritação, não queria que ele pensasse que estava preocupado com ele.

—“Filho!... Ah filho, achei que nunca mais fosse acordar!” James me olhou com os olhos marejados, ele estava feliz por me ver, mas não conseguia sorrir... CÉUS! A coisa deve estar mesmo preta... espera! Como assim achou que eu nunca mais ia acordar?

—“Como assim achou que eu nunca mais ia acordar? Só porque eu dormi umas horinhas? Me diz o que aconteceu ontem no circo, como viemos parar aqui?” Perguntei olhando em volta, estávamos mesmo dentro de uma caverna, nossas coisas estavam amontoadas em um canto e os colchões estavam jogados no chão frio da caverna de qualquer jeito, ele nem se prestou a montar as barracas, havia uma fogueira um pouco afastada dos colchões, mas ela estava quase se apagando!

—“Filho... você está... dormindo direto há... quase cinco semanas!” Disse James e eu paralisei... como é que é? Não! Não pode ser verdade!... Eu tenho certeza que só dormi um pouquinho... eu ainda estou tão casado e dolorido da batalha com os soldados no circo, então eu não devo ter dormido tanto assim! Mas uma boa olhada nas mudanças de Ian provava que o tempo tinha passado!

—“Me contem isso direito, o que aconteceu depois do massacre no circo?” Eu queria saber o que estava acontecendo, eu estava totalmente perdido no momento.

—“Ah... filho... e-eu... eu cometi tantos erros... e acabei de piorar a situação!” Ele olhou para Ian ao meu lado e se abraçou mais forte em Pedro. Dei uma boa olhada no rosto de Pedro que era a única coisa destapada do corpo dele.

CÉUS, que merda aconteceu com ele? Perece que ele foi transformado em um zumbi, a pele dele está com uma cor acinzentada, ele tem olheiras roxas, está tão magro que diminuiu de tamanho e seus cabelos também pareciam mais compridos.

James me contou tudo que havia acontecido após o massacre no circo, cada escolha que ele fez e cada consequência que suas decisões causaram, ele também me falou do caminho que tomou até Ian passar mal e Pedro ficar doente.

—“Ficamos um tempo acampando naquele lugar depois que Ian começou a sangrar, mas... começou a época de chuva e aquele lugar alagou, então tive que movê-los para um terreno mais elevado e encontrei essa caverna! Mas como eu tinha medo de me afastar muito de vocês, eu carregava Ian uns cinco metros, deixava ele lá, voltava, pegava o Pedro e o levava até Ian, então voltava e pegava você, repeti isso até chegar aqui... mas isso custou caro para os dois...” James soluçou e Pedro gemeu de leve, o humano estava apagado.

—“Pedro pegou muita chuva gelada e agora não para de tossir sangue, Ian está tendo outro sangramento e não sei o que fazer! Eu cometi tantos erros... se eles morrerem será a minha culpa... toda minha!” James chorou histericamente.

—“Outro sangramento?” Olhei Ian assustado, sim, eu podia sentir cheiro de sangue fresco vindo dele e ele parecia pálido e suado, ele também devia estar sentido dor.

James ficava se lamuriando e repetindo que a culpa era sua, mas não estávamos com tempo de perder a cabeça agora, tínhamos que agir!

—“Calma James!... Não... calma pai! Está tudo bem, você tomou as decisões certas para apagar o nosso rastro dos soldados, eu teria feito a mesma coisa! Você não errou em nada! O verdadeiro problema é que você estava sozinho, sem outro vampiro para proteger os dois enquanto você caçava e cuidava do bem estar deles!” Falei isso e James se acalmou um pouco e me olhou aliviado.

—“Você até que foi forte tendo de lidar com toda essa merda sozinho! Mas agora o Papai aqui está de volta e vai tomar a rédeas da situação! Eu vou colocar esse trem de volta nos trilhos!” Falei com um sorriso sacana e James me olhou sem entender.

Me virei para Ian e lhe fiz um carinho na bochecha.

—“Acorda belo adormecido!” O chamei.

Ian gemeu de levinho, mas quando percebeu que era eu que estava falando, ele abriu os olhos assustado.

—“Seph?... SEPH! VOCÊ ACORDOU!” Ian tentou se mexer no colchão pra me abraçar, mas gemeu de leve e paralisou no lugar.

—“Calma, não se mexa! Eu estou bem!” Lhe dei um beijo casto nos lábios, logo após aproximei meu rosto da barriga enorme de Ian e falei.

—“Papai voltou criaturinha... faça uma festa!” Falei próximo à barriga e coloquei a mão em cima para senti-lo mexer e como o esperado, ele se debateu loucamente dentro de Ian.

—“Ai... Seph! Não o incite a se mover desse jeito agora... está doendo!” Ian fez beicinho.

—“Ok! Desculpa!” Me levantei e meu corpo protestou... ok, nota mental, nunca mais usar aquele poder! Então foi isso que o pai do Ian fez comigo? Me deu super poderes que ferram comigo quando eu uso? Nossa que grande ajuda... acho que vou chutar as bolas do Sr. Shadowy na próxima vez que eu o vir.

—“James cuide deles, vou caçar algo para esses dois comer antes que morram de inanição! Já volto!” Disse isso e James suspirou de leve antes de concordar com a cabeça.

Quinze minutos depois eu voltei com dois coelhos gordos, era pouco, pois com essa dor no meu corpo, isso era tudo que eu podia fazer no momento! Acabei reacendendo a fogueira e deixei James preparar os animais, eu não entendo nada de comida humana, se cozinhar os coelhos fosse minha responsabilidade, eu ia acabar jogando os animais com pele e tudo dentro do fogo!

Quando eles ficaram prontos me sentei no colchão e ajudei Ian a se sentar um pouquinho, me coloquei em suas costas e o deixei se encostar contra o meu peito pra poder comer. Ele devorou o coelho dele em segundos, e sua cor melhorou um pouquinho, é claro que ele ainda estava pra lá de magro e fraco, mas esse pouco de comida serviu para fazê-lo recuperar um pouco das suas forças e também parou o sangramento.

Mas o mesmo não se dizia de Pedro, ele se negou a comer e sem conseguir falar ele apontou para a garganta, nem eu nem James entendemos esse gesto.

—“Ele está querendo dizer que a garganta tá doendo demais, ele não consegue engolir!” Ian explicou se aconchegando mais me mim.

Pedro que estava deitado no colo de James fez que sim com a cabeça para Ian, confirmando que ele estava sentido isso e James me olhou desesperado quando Pedro tossiu uma grande quantidade de sangue... droga, acho que esse humano está morrendo!

—“O que eu faço?” James me perguntou isso com um olhar desesperado.

Parei pra pensar.

—“Pode me dizer exatamente onde estamos James?” Perguntei mantendo a calma.

—“Posso sim, eu ainda tenho um mapa!” Disse ele metendo a mão no bolso, eu ia me perguntar pra que ele guardou o mapa se nós vampiros podemos decorar isso com apenas uma olhada, mas deixei isso pra lá.

James me mostrou o ponto onde estávamos.

—“Ótimo! Eu sei perfeitamente onde estamos! James, a oeste dessa caverna tem uma cidade de porte médio! Lá têm aristocratas e donos de escravos, isso é perfeito!” Falei mostrando no mapa a localização da cidade.

—“Perfeito por quê? Pobre dos humanos!” James me olhou zangando.

—“Deixa de ser idiota James, não estou dizendo que é perfeito por esse motivo... estou dizendo que é perfeito porque lá devem existir médicos para humanos, já que existe mercado pra isso!” Dobrei o mapa e devolvi pra James.

—“Oh!” James pareceu entender agora onde eu queria chegar.

—“Muito bem, preste atenção! Vista a sua melhor roupa, eu sei que deixamos algumas roupas pra trás, como o seu terno de mordomo e isso é uma pena, pois ele seria perfeito para esse disfarce! Mas qualquer roupa mais preservada que essa que você está usando serve!” Apontei para a camiseta suja de terra e esfarrapadas em alguns lugares.

—“Você vai levar o Pedro para um médico na cidade fingindo ser um empregado comum, acredito que nesse disfarce você seja um especialista não é mesmo?” Sorri sarcasticamente pra James e Ian me lançou um olhar zangado.

—“Mas os médicos não vão desconfiar de alguém com roupas pobres como eu estar com um humano caro por lá? Não são os ricos que levam os humanos ao médico?” James se exasperou.

—“Francamente James, os ricos não tem tempo pra desperdiçar levando humanos em médico, eles mandam um servo levar ou sacrificam logo de uma vez o humano, vai por mim, ninguém vai achar estranho alguém pobre levando um humano nesse estado a um médico!” Tranquilizei James.

—“Pegue bastante grana e vá logo, se alguém perguntar por que seu patrão não quis sacrificar logo de uma vez esse humano ao em vez de gastas dinheiro tentado salva-lo, basta responder que esse seu patrão acha mais fácil salvar esse do que treinar um novo para lhe agradar na cama! E acredite, ninguém vai te fazer mais perguntas depois disso!” Falei tranquilo, eu tinha certeza que meu plano ia dar certo e isso encheu de coragem James, que após deixar Pedro sobre o colchão deles, foi se vestir com as melhores roupas e pegar uma boa quantia de grana.

—“Aproveita e compre bastante comida e alguns sacos de sague pra nós três!” Pedi e James concordou já pegando Pedro no colo e o cobrindo melhor com o coberto, eles iam sair no meio da noite fria e Pedro já estava tremendo sem nem ter saído da proteção da caverna.

Os dois se foram e eu fiquei sozinho com Ian... ah, o que eu daria pro Ian estar bem para que pudéssemos aproveitar essa solidão e traumatizarmos mais a criaturinha com uma noite selvagem de sexo quente!

-“Seph... senti tanto a sua falta!” Ian passou a mão dele em meu rosto.

—“Eu sei! É difícil ficar longe da minha gostosura e masculinidade, não é?” Falei convencido e Ian riu.

—“Bobo!” Ele me deu um tapinha de leve.

—“Seph... porque não me contou que você possuía todo aquele poder!” Ian me olhou sério.

—“Nem eu sabia... na verdade acho que tenho esse poder graças ao seu pai, ele me mordeu e injetou algo em mim!” Expliquei pra ele.

—“Meu pai? Quando você se encontrou com ele? Que história é essas?” Ian me olhou exasperado agora.

—“Bem... lembra aquela noite que voltei doente pra casa e quase morri? Eu disse que tinha ido a uma reunião com alguém do governo, mas na verdade eu fui encontrar o seu pai!” Contei pra ele.

—“E porque você não me contou a verdade?” Ian tentou se sentar no colchão, mas o empurrei de volta gentilmente.

—“Por que... seu pai estava preso, condenado a morte e ia ser executado em uma semana! Se eu te contasse, algo ruim ia te acontecer, por isso eu omiti a verdade!” Falei com calma, só agora eu me dava de conta que acabei falando merda, tá certo que algum dia eu ia ter que contar isso, mas agora não era o momento!

—“Mas... você tinha que me contar, se meu pai ia morrer, eu tinha que saber! Como pode esconder isso de mim?” Ian me lançou um olhar traído e voltou a tentar se sentar, dessa vez eu não consegui detê-lo.

—“Calma Ian, foi para o seu bem! O que de bom ia resultar em eu lhe contar? Você não ia poder fazer nada! Você ia ficar triste e poderia perder a criaturinha!” Tentei acalma-lo, eu podia ver a fúria em seus olhos, ele estava mesmo chateado comigo!

—“MAS EU TINHA O DIREITO DE SABER! ERA O MEU PAI... SE ELE MORRESSE...” Ian se levantou do colchão a muito custo e tentou se afastar de mim, me levantei do colchão também e comecei a tentar segura-lo e leva-lo de volta pra cama.

—“Eu sei! Eu sei, desculpa! Ian, se acalme!” Eu segurei um braço dele de leve e me aproximei devagar, mas Ian estava enfurecido comigo.

—“NÃO! O que mais você esconde de mim? O que aconteceu quando você se encontrou com meu pai?” Ian tentou se desvencilhar da minha mão.

—“Ian, nada de mais, eu juro! Seu pai só me passou esses poderes e disse que eu ia precisar para guerra que se aproximava, acho que ele já sabia de tudo isso que íamos passar e quis me dar esse poder pra te proteger! Ian acredite em mim, eu não estou escondendo mais nada de você!” Tentei cerca-lo contra a parede, ele estava muito agitado e sei que isso era perigoso, o sangramento havia parado graças à carne de coelho que ele comeu, mas sem sangue humano, ele ainda não estava curado o suficiente pra fazer tudo isso.

—“Mentira! Tem algo há mais entre você e meu pai... eu sei que essa sua devoção a ele tem um motivo oculto!” Ian agora chorava e tentava me empurrar pra longe dele.

—“... É tem! Ele me salvou há muito tempo atrás, Ian! Eu me meti em uma enrascada com uns Condes metidos a bestas e ele me salvou, é por isso que eu o idolatrava daquele jeito!” Acho que falar a verdade era a melhor maneira de acalmá-lo.

—“Então você gosta dele? Você queria na verdade estar com ele? Mas como não pode, resolveu ficar com o filho dele que é a coisa mais próxima de ter ele na sua cama, é isso?” Ian chorava copiosamente agora.

—“ECA... não! Ian, de onde você está tirando essas ideias... não confunda as coisas desse jeito!” Eu queria dizer pra ele não confundir idolatria com romance, mas eu não queria dizer essa palavra brega... romance!

—“Então na verdade você só está comigo por causa dele? Você acha que deve algo a ele e é por isso que está cuidado de mim?... Bem que eu reparei que você passou a me tratar diferente quando disse que era filho dele!” Agora Ian estava me empurrando com força mesmo.

—“Não! Não venha inventar essas besteiras, eu me apaixonei por você antes disso!” Acabei falando essa merda sem me dar conta e Ian se calou surpreso.

—“Eu não acredito em você!” Ele me disse isso parando de lutar e baixando a cabeça triste.

—“Ian... acredite em mim, eu passei a te tratar diferente quando descobrir que ele era o seu pai sim, mas eu já estava gamado em você antes de saber sobre isso, eu havia me interessado em você desde a noite em que te comprei!... Quando você lutou contra aqueles guardas em cima do palco... eu já estava enlouquecido por você!” Aproveitei que ele não estava reagindo e o abracei.

—“E depois... quando você retribuiu meus beijos e começou a gostar de ter sexo comigo... eu me... DROGA, não acredito que você vai me fazer falar essas coisas bregas e idiotas sobre amor e tal...” Eu estava sentido meu rosto esquentar agora, eu devia estar com vergonha, mas tinha que seguir em frente, pois Ian ergueu o rosto e me olhou com esperanças.

-“... EU TE AMO! TÁ BOM? Agora se você não acredita o problema é seu, porque eu nunca mais vou falar isso!” Falei me virando de costas pra ele e cruzando os braços.

—“... sério?” Ian soluçou atrás de mim.

—“Aff... você acha mesmo que eu ia deixar a minha vidinha maravilhosa de filho da puta, comedor de escravos e amiguinho de Conde poderoso pra me enfiar no meio do mato sendo perseguido sem descanso e correndo perigo desse jeito por uma merda de gratidão a um vampiro poderoso que pode muito bem se proteger sozinho?” Perguntei zangado, eu não gosto que desconfiem de mim, principalmente de meus sentimentos por Ian, que é a única e a maior certeza que tenho nessa vida!

—“É verdade... se você fosse fiel a ele e quisesse pagar a sua divida direto a ele, você estaria lutando ao lado dele nessa guerra nesse momento! E não se metendo no mato comigo!” Ian suspirou, mas como eu estava de contas pra ele, eu não podia dizer se ele estava fazendo uma cara feliz ou triste.

—“É... isso é verdade! Mas acredite em mim, Ian... eu idolatro o seu pai, mas acho que isso que sinto por ele não seria o suficiente para me fazer sair da minha mansão confortável pra lutar pelos direitos humanos!” Respondi isso com calma e realmente acho que disse a verdade, eu não iria para uma guerra abandonando o meu luxo por simples gratidão!

Ian me abraçou por trás e apoiou a cabeça em minhas costas, alguns minutos se passaram e ele suspirou cansado.

—“Está mais calmo agora? Acredita em mim?” Perguntei tranquilo.

—“Sim... eu acredito em você! Só me prometa uma coisa?” Ele me pediu fraquinho.

—“O que?” Perguntei me virando pra ele e o abraçando.

—“Nunca mais esconda algo de mim assim, principalmente se envolver a minha família... eu quero saber se meu pai... está bem ou não, se você souber de algo... você promete me contar?” Ian me olhou nos olhos com intensidade.

—“Prometo!” Disse isso e lhe dei um beijo de leve, Ian retribuiu o beijo, acho que isso era a nossa conciliação.

Nesse momento Ian gemeu alto e se agarrou em mim, percebi que não era um gemido de prazer do estilo Nossa, como esse beijo é bom! Mas que na verdade era um gemido de dor.

—“Ian?” Separei nossos lábios e o olhei com atenção.

—“T-tá tudo bem! Eu acho que não devia ter me esforçando tanto assim... na verdade eu não devia estar de pé desse jeito!” Ian me deu um sorriso fraco.

O peguei no colo para levá-lo de volta ao colchão, mas quando estávamos a caminho dele ouvi um som estranho e algo quente escorreu e respingou em mim!

—“Ian... você se urinou?” Perguntei ao perceber que o que escorreu e respingou em mim era um líquido quase transparente.

—“...” Ian olhou o líquido também, mas não disse nada.

—“Céus Ian... não conseguiu nem segurar um pouquinho? Cara... que nojo!” A urina dele havia me molhado todo do umbigo pra baixo.

—“Seph... isso não é urina...” Ian me olhou assustado e tremeu de leve.

—“Ah claro que não, é o que então? Suor?... Para de inventar desculpas Ian, você se urinou nas calças e está com vergonha de admitir! Calma, não vou brigar com você.” Revirei os olhos pra ele.

—“Não Seph!... A bolsa estourou...” Ian levou as mãos à barriga e pareceu ficar apavorado.

—“Que bolsa? Você não tem bolsa nenhuma!” Estava começando achar que ele pirou.

—“Seph... você não está entendo... esse líquido que saiu de mim é importante pro bebê... eu acho que ele está nascendo e antes do tempo!” Ian me olhou com urgência e então do nada se retorceu nos meus braços e gemeu alto.

Gelei no lugar sem saber o que fazer, Ian estava fraco e a criaturinha ainda não tinha nove meses, eu não podia leva-lo a um médico e James e Pedro se foram... o que eu faço agora?

—“Seph...” Ian gemeu e se agarrou em mim, nesse momento eu voltei a reagir, o levei de volta ao colchão e o deitei lá com cuidado, mas e agora? Eu não entendo nada de parto nem de mulheres, quanto mais de um homem!... Caramba... eu acho que vou surtar!

Ian se acalmou e relaxou sobre o colchão, relaxei também, acho que foi só um alarme falso.

—“Passou? O bebê... digo a criaturinha não vai mais nascer?” Perguntei esperançoso, afinal parecia que Ian não estava mais sentido dor.

—“Seph... essa foi só uma contração, ainda falta muitas delas, estou só no início do trabalho de parto!” Ian me olhou nervoso e levou as mãos à barriga.

—“Mas... você está muito fraco e a criaturinha ainda não pode... não tem como você fazer isso parar?” Perguntei desesperado, não tinha como isso estar acontecendo da pior maneira.

—“Seph... a bolsa estourou... acho que daqui não há mais volta... estou com medo!” Ian procurou a minha mão e a segurou com força, eu apertei os dedos dele de leve, mas não podia lhe passar coragem, pois eu mesmo estava morrendo de medo!

—“O que eu faço?” Quase implorei por uma tarefa, qualquer coisa que me fizesse me sentir útil nesse momento e que ajudasse ele a passar por isso.

—“Eu não sei!” Ian choramingou.

—“Merda!” Comecei a pensar nas possibilidades, mas todas eram ruins, eu não podia levar Ian a um médico naquela cidade como James levou Pedro, pois Ian é procurado e mesmo que não fosse, o médico ia nos dedurar pro governo por Ian ser macho e estar grávido... É, não há escolha, a criaturinha vai ter que nascer aqui, não há outro lugar mais seguro.

Segurei a mão de Ian com mais força e fiquei tentando me manter ali do lado dele ao em vez de sair correndo por ai feito louco.

Ian gemeu de novo e se debateu, a mão dele apertou a minha com força e eu só fiquei lá me sentido um inútil.

As horas se passaram e eu só rezava pro James voltar, ele saberia o que fazer? Não saberia?

Conforme o tempo passou, Ian começou a gritar alto ao em vez de gemer e essas tais contrações ficaram mais frequentes.

Ele se agarrava forte em mim, mas quanto mais tempo isso demorava, mais as forças dele iam se acabando.

Eu só o vi sentir tanta dor assim durante e depois daquela maldita rinha e isso me dava muito medo, não queria que nem ele e nem a criaturinha morressem. Merda... eu preciso fazer algo para ajudá-lo!

—“AAAAAAH... hmmm... S-Seph... isso dói muito... eu te odeio... a culpa é sua!” Ele me olhou zangado.

—“A CULPA É MINHA? Que culpa eu tenho que você é capaz de engravidar? Quando eu te comprei essa merda não vinha especificada no manual... se eu soubesse, eu teria tomado alguma precaução, sei lá!” Respondi exasperado.

—“Eu sei... desculpa!” Ian suspirou pra mim e eu revirei os olhos pra ele.

—“Seph... eu que sabia que você é... FILHO DE UMA PUTA DESGRAÇADO, QUERO ARRANCAR AS SUAS BOLAS E.... AAAAAAAAARG!” Ian apertou o meus dedos mais forte e se contorceu todo, droga, acho que essa foi uma das fortes, eu até ignorei os xingamentos dele, afinal eu acho que isso é um tipo de escape da dor.

Ian suava e gemei alto se contorcendo no colchão, a cada minuto passado a situação dele piorava, não só em nível de dor, mas também pela questão das forças se acabando.

—“Uuurg...” Ian fez uma careta e se curvou pra frente como se quisesse se sentar.

—“O que você esta fazendo? Fica quieto e deita ai!” Empurrei ele de volta pro travesseiro.

—“E-eu... tenho uma estranha vontade de... empurrar... hung” Ele fez uma expressão de esforço.

—“Tá... acho que é essa parte que eu desmaio e só acordo quando ouvir o choro da criaturinha... com licença!” Eu falei brincado, mas eu estava mesmo tonto e querendo desabar no colchão ao lado dele.

—“N-não! Por favor, não me deixa sozinho agora... por favor... AAARG” Ian gritou e fez força ao mesmo tempo.

—“Ok... ok... vou tentar!” Falei tentando me manter calmo.

Ian ainda estava completamente vestido com um conjunto de moletons cinza, e eu não tinha coragem de lhe tocar agora para retirar ao menos sua calça... sinceramente eu não quero ver essa parte, não quero ver a criaturinha saindo dele!

Ian fez força por uns quinze minutos, droga! Eu achei que essa parte ia ser rápida, tipo dois empurrões e olá criaturinha, mas isso está demorando muito, estou ficando mais nervoso ainda, pois as forças de Ian estão claramente no fim.

E eu só podia ficar ao lado dele o vendo sofre, merda! Isso fazia eu me sentir impotente, odeio me sentir assim!

—“Uuugh... Seph... estou fraco demais pra e-essa parte... arf... arf... eu não consigo mais empurrar... estou sem forças!” Ian se largou exausto sobre o colchão.

—“Eu sei, mas... você tem que ser forte Ian... pela criaturinha vamos... você consegue!” Lhe fiz um carinho na cabeça e ele fechou os olhos para o meu afago.

—“Não! Não consigo... Seph... faça isso por mim...tire ele de dentro de mim!” Ian me olhou cansando.

—“Como? Eu não posso trocar de lugar com você Ian!” Falei sem entender direito o que ele me pedia.

—“Não... não é isso! Você tem tirá-lo agora de dentro de mim Seph! Faça Seph... abra a minha barriga!” Ian me implorou e eu gelei no lugar.

—“Mas Ian... você não bebe sangue humano há tanto tempo... desse jeito, você não vai conseguir se regenerar rapidamente!” Olhei assustado pra ele.

—“Eu não vejo outra opção Seph... faça logo antes que eu perca todas as minhas forças, por favor!” Ele me olhou implorando e meu coração quase saiu correndo de meu peito. Droga! Eu não posso fazer isso... eu não consigo fazer isso... eu não sei fazer isso! E agora o que eu faço?

Notas finais
James levou Pedro ao médico, mas será que ele vai receber tratamento a tempo pra se curar? E Seph está tendo de lidar com uma decisão difícil frente a um parto complicado! Ian e a criaturinha irão sobreviver a isso? Não percam no próximo capítulo!