Notas iniciais
Olá, querida Antes de começar a ler, preciso contar umas desventuras que aconteceram... Esse capítulo foi postado no sábado, as 1:28 da manhã. Por quê? Porque eu escrevi ele esse horário, assim que voltei da faculdade na sexta. Passei uma hora escrevendo e vim postar. Então fiquei o final de semana ansiosa para quando minhas cheirosas leitoras fossem ler o meu presente da madrugada. E... EU SÓ VI HOJE QUE O NYAH NÃO POSTOU O CAPÍTULO. Ia ser um presente do tipo "nossa, capítulos seguidos!", principalmente para a Nince, que me mandou um comentário tão fofo que eu quis morrer... (e ai eu fui escrever, hahahah). Bem, é isso. Boa leitura!

Já fazia muito tempo e estava começando a ficar impaciente. Ela entendia o que era se abaixar e esperar o momento certo em que o vento estivesse soprando ao seu favor, mas havia certos limites entre esperar uma vida pela vingança e ter ela bem em frente a suas mãos e não estrangular o príncipe.

Alisha olhou para o garoto adormecido, uma de suas pernas escapava dos lençóis e sua respiração mansa de quem não podia temer a morte, porque estava demasiado perdido em sonhos... tudo cheirava a assassinato, para ela.

O quarto do príncipe também era muito confortável. Sempre que ela pulava para dentro, através da janela aberta, escorregava os pés descalços pelo tapete grosso em frente à escrivaninha, pela qual seus pés nunca tocavam, por ser tão estreita. Nunca estava frio demais dentro do quarto, na verdade era como se todos os quartos não possuíssem ventilação suficiente, embora ela soubesse que isso fora planejado (aquele lugar estava na Russya, e ela conhecia certas coisas sobre certos países). Perto da penteadeira real havia dois vidros de perfume, uma escova para os cabelos sedosos do herdeiro, um aparelho de barbear e, pasmem, uma coleção de canetas. Nenhuma delas com tinta, Alisha havia testado.

Aquela não tinha sido a menos entediante das noites, mas nem por si se tornava a mais. Desde que começara a vir ao quarto do príncipe, algo havia mudado. Era como se descobrisse uma coisa nova sobre si mesma: adorava se torturar. Olhe aquela garganta, o peito subindo e descendo, as pálpebras fechadas...! Por que não saltar sobre o colchão agora e acabar com a vida do príncipe? Na primeira noite, havia se esquecido de trazer uma faca. Na segunda, ela achou ter ouvido os passos de quartas no corredor. A partir da terceira, Alisha não sabia que tipo de interrupção estava esperando. Havia alguém que a iria impedir ou seria assim tão fácil?

Talvez o problema fosse esse: estava fácil demais. Até mesmo sobreviver no limbo e roubar os feirantes da Rua Mercantil era mais difícil do que entrar no quarto do príncipe. Só poderia ser uma piada aos rebeldes. Ela mesma era uma rebelde, então por que se segurar? Se acabasse com o futuro da monarquia agora, estaria vencendo uma guerra sem perder as vidas inocentes que, muito provavelmente, seriam perdidas nos conflitos que viriam.

Alisha rodou o punhal nos dedos e se sentou na cadeira da escrivaninha, tentando decidir-se.

“Acabe com isso logo”

“O que você está esperando?”

“Começou a ter coração de galinha, Alisha?”

“Tudo o que ele receber, ele merece”

“Vamos”

— Você está aqui de novo. — a porta do quarto do príncipe se abriu o mínimo para que apenas um homem magro passasse. Ele segurava uma lanterna e a apontou na direção de Alisha. — Pesadelos?

Ela não respondeu.

O homem se aproximou mais, até o baú de roupas do herdeiro. Colocou a lanterna sobre sua tampa e olhou fraternalmente para Heid. Por alguns segundos, o quarto dormiu junto de seu dono, e então reviveu com um suspiro baixo o suficiente para erguer os pelos do braço de Alisha.

— Já está se tornando hábito...

— Não deveria.

— Eu que o diga se vossa alteza tivesse o sono leve.

— Somos dois intrusos.

— Você é mais bem-vinda do que eu, Alisha.

Com isso ela devia concordar, imagine o que seria para a imaginação do príncipe acordar e ver uma hindu encarando-o no pé de sua cama...? Quantas coisas horríveis ele poderia desejar fazer com ela e com as outras garotas, antes de enviar todas para o mesmo lugar que Sirena estava?

— Deixe de conversa.

— Nossos encontros deveriam ser em um local mais adequado para... rebeldes.

— Você tem a boca grande.

— Sou um homem de negócios.

— Eu odeio a sua laia.

— Ora, a ratazana odeia o rei...

— Você não é rei de nada, Katar.

— Ainda. — o rapaz mordeu o lábio inferior e fez uma expressão de triunfo, como se pudesse sentir o trono em que se sentaria. Isso, é claro, no inferno. Talvez ela mesma o mandasse para lá, para dar olá a Sirena.

— Você falhou.

— Você falhou — ele repetiu.

Alisha detestava ter de concordar com ele.

— Se eu soubesse que Sergi e Fjor estavam indo colocar o pé na cova, eu não teria enviado o sinal. Eles são os nossos melhores atiradores. Eram.

— Impressiona-me que Fjor tenha errado a queima roupa. Sergi nem tanto, ibéricos nunca soubera usar outra coisa além das bolas. — Katar deleitou-se da zombaria. Ele sempre zombava dos mortos, talvez para afastar a morte de si mesmo. Bem, Alisha também fazia isso.

— Não é preciso ser um gênio para saber que Fjor foi interrompido.

— Não, não é... principalmente quando havia tantos guardas por perto. O homem devia estar mijando nos calções. Dê algum crédito a ele por ter puxado o gatilho.

— Na pessoa errada.

— Na pessoa que estava lá, na hora errada. — Katar revirou os olhos — Se mais dez selecionadas tiverem de morrer para que A Causa alcance seu objetivo, eu mesmo cortarei a garganta delas.

— Nenhum inocente morre, essa é a nossa quinta regra.

— E qual é a nossa segunda regra? — o oficial se inclinou contra a luz da lanterna — Tudo pela Causa. Tudo é tudo, Alisha.

— Você não tem caráter.

— Não ouse me dizer o que é caráter, ratazana. Estou cansado dos seus joguinhos de nervos. A partir de agora, eu direi quando agir, e você obedecerá.

Aquilo soava como uma ordem, mas no fundo ambos sabiam que não passava de um pedido informal.

— Não seja tolo de achar que pode me dar ordens, Katar.

— Tolo... — ele riu sussurrando, para não acordar vossa alteza — você me chama de tolo...

— Sejamos práticos. Eu sou o cérebro dessa operação. Você é a víscera. Cuide da merda que você mesmo faz e vivamos em paz.

— Pode me menosprezar o quanto quiser, um dia você também terá o que merece, Alisha Mahara. Quando o seu teatro de matar o príncipe terminar, será a minha vez de fazer o trabalho. E então eu serei o herói dos rebeldes.

— Os únicos heróis estão mortos.

Katar trincou os dentes.

— Ore bem pelo seu pai. — ele deu as costas e deixou-a. A lanterna continuou sobre o baú. Um presente? Após toda aquela encenação?

Alisha nunca tinha vontade de cometer assassinatos depois de conversar com Katar. Até mesmo olhar para o príncipe era exaustivo. Ela se levantou e caminhou para a janela. Hora de voltar para o seu quarto e finalmente dormir.

Colocou uma mão no batente, juntando força para se impulsionar para fora e...

— Não saia.

Os cabelos de Alisha se ergueram em sua nuca e seus poros se abriram para o suor frio. Apontou a lanterna em direção a cama. O rosto pálido do príncipe a encarava.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Muito obrigada por continuarem me acompanhando, beijos!