Notas iniciais
Boa leitura a todos! Kateryna pertence a Dhuly, muito obrigada por essa russinha!

Palácio de Versalhes // F R A N C A

Sua bolsa de mão, que sempre trazia quando viajava, refletia no couro preto a luz do pôr do sol que pela janela aberta entrava. O carro não corria mais que o necessário para chegar ao palácio de Versalhes dentro de vinte minutos. Kat sabia disso, não era a primeira vez que fazia aquele caminho. Foram cinco carros diferentes para buscar as garotas, havia espaço suficiente para nove pessoas dentro de cada, o que significava um conforto considerável dividido com outras cinco meninas. Ninguém falava.

Para Kat, o silêncio era reconfortante. Deitando a cabeça sobre a porta do carro e olhando para a estrada adiante, sentia-se repentinamente cansada. Era sempre assim após algumas horas de vôo. Não conseguia dormir nas alturas. Seu pai dizia que ela deveria se libertar daquele medo irracional, já que o descanso era essencial para um belo rosto, mas não era o medo que a mantinha acordada. Era o teto a um braço esticado de sua cabeça, eram as poltronas próximas demais, o corredor estreito e a garçonete com o carrinho, bloqueando a saída até o banheiro. Para evitar pensar nas janelas permanentemente fechadas ou na respiração de trezentas pessoas a bordo, ela passava as horas olhando o céu, até esquecer que um dia existira terra debaixo de seus pés.

Aquele sol que entrava pela janela do carro era um dos melhores, pensou. Estava alaranjado, com um incrível azul celeste o contornando, sem nuvens ou prédios, apenas um vislumbre do que era Versalhes e seus jardins.

Puxou o chapéu para baixo, para que o feixe solar não alcançasse sua pele tão preciosamente pálida.

— Vocês estarão em frente ao palácio em dez minutos. Por favor, preparem-se para encontrar o príncipe e a família real. — a voz vinha do rádio ao lado do motorista, era a mesma voz da mulher que as guiara até o avião. Não houvera apresentações, mas Kateryna sabia que seu nome era Verônica, a governanta do rei.

Os ânimos se esquentaram rapidamente com a notícia de que veriam a família real assim que pisassem no palácio. Por algum motivo, aquilo não a surpreendeu. Talvez porque já os conhecia, já os vira em seu habitat natural e aquilo não era inacreditável, vindo deles. Abriu sua bolsa, sabiamente em seu colo. Como a maioria das garotas imaginara que teriam uma preparação antes de conhecer o rei, a rainha e o príncipe, a maioria das malas estavam no porta-malas e, no carro, ninguém além dela trazia mais que um batom ou um perfume de bolso para retocar.

Repassou o gloss sobre os lábios finos, pressionando-os um contra o outro para conseguir um vermelho mais natural. Seus cílios estavam perfeitamente alongados, então não tocou neles, mas deu tapinhas de blush nas bochechas para deixá-las ainda mais rosadas do que já eram e esticou bem a pele da testa para desfazer as marcas da maquiagem. Por fim, encontrou o spray dentro da bolsa e com a ponta dos dedos modelou cachos grandes e fixou-os com o produto.

Kat não gostava que achassem que ela era vaidosa demais, isso não soava bem para uma mulher, mas não pôde evitar ficar um pouco orgulhosa com a atenção de suas companheiras, que assistiram a seu “banho de beleza” de dez minutos. Quando olhou novamente para fora da janela, estavam entrando no jardim perfeito do palácio.

Muito do que originalmente fora o jardim de Versalhes havia sido plantado como lindos arbustos de flores tradicionalmente francas, nas cores do império. Havia ainda mais de sete fontes com estátuas esculpidas há séculos e apenas reformadas pelos melhores artistas dos dois continentes. Os portões eram largos demais para serem vistos entre as cercas sempre-vivas e as rosas trepadeiras sobre os muros de pedra medieval. Muito do que Franca tivera de herança fora realocado em Versalhes, como um monumento especial em honra ao próprio país. Isso era o que o tornava tão especial, dentre todos os palácios do mundo. Toda a história franca era vista ao redor.

E Kateryna não estava nem um pouco impressionada.

Até mesmo a outra russa que viera sentada ao seu lado parecia mergulhada em fascinação, admirando as flores e as obras de arte, mas nada daquilo era novidade para Kat. Tentou parecer um pouquinho comovida, apenas para que não pensassem que ela era arrogante.

— Isso é tão perfeito — uma de suas companheiras murmurou e então sorriu para as demais. Kat retribuiu seu sorriso.

— Será que eles têm uma piscina? — a garota sentada a sua frente perguntou, também sorrindo em sua direção. Kateryna notou que era a primeira vez que estava sendo gentil e elas pareciam ter notado também.

— Têm. — respondeu, o mais simples que podia, afinal seu idioma comum era, no mínimo, cheio de entonações erradas. Seu pai sempre a repudiou por ser tão péssima.

Os olhos de repente ficaram atentos.

— Como você sabe?

Kateryna mudou de uma para outra, escondendo o arrepio que subiu sua coluna. Fora irresponsável em se deixar levar. Balançou a cabeça, como se não fosse algo importante e voltou a olhar para fora, esboçando uma fascinação vazia.

— Eu li em uma revista.

Aquilo as convenceu e elas também voltaram a admirar a residência do imperador. Bom, talvez tivesse convencido as duas primeiras meninas, que eram de Turka, pois sua colega de país a olhava com atenção redobrada. Kat adoraria voltar a ser ignorada, mas se forçou a continuar “submersa” pela beleza do palácio.

Quando o carro parou, elas saíram juntas e caminharam alguns metros até as escadas da entrada principal. As paredes estavam altas, como sempre, e as milhares de janelas, abertas. Como sempre. Versalhes não a assustava como os aviões, aquele era um lugar muito aberto e receptivo, sempre havia correntes de ar jogando para longe o calor e o mormaço do verão franco.

Os demais carros pararam poucos minutos depois e todas pararam em fileira ordenada por país, conforme Verônica, a governanta, as preparava para conhecer a família real. Havia dezenas de regras de etiqueta a serem cumpridas, as quais Kateryna não precisava nem se lembrar para que as cumprisse, com destreza. Fora criada naquele ambiente, sabia exatamente o que fazer, como viver naquele habitat.

— Nunca olhem nos olhos do imperador, mantenham suas cabeças baixas para evitar que isso aconteça por engano. Se a imperatriz as chamas, então olhem para ela, mas nunca para o imperador. — Verônica parou a alguns metros e então girou nos tornozelos, altiva e ríspida como sempre. — É proibido assobiar ou aplaudir antes, durante ou depois da fala do imperador. Não respondam as perguntas que não forem diretamente feitas a você. O príncipe pode vir a falar algo, então estejam preparadas para não serem… nervosas demais.

— Podemos espirrar? — perguntou alguém no meio da fila. Kat não virou a cabeça em sua direção, como a maioria fez.

Verônica ergueu uma sobrancelha, parecia confusa entre se sentir surpresa e contrariada, mas respondeu calmamente:

— Podem, mas façam isso em seus lenços, cubram o rosto com um, ou com as mãos, caso não tenham um lenço apropriado. Mas saibam que qualquer sinal de doença ou alergia serão contados para sua permanência como potencial pretendente do príncipe.

A governanta continuou seu discurso.

— Mas nós olhar para os sapatos do imperador? Eu não conseguiria evitar descobrir qual marca de sapatos ele usa. — a mesma menina perguntou, e dessa vez algumas a acompanharam com risinhos.

Kateryna continuou encarando Verônica, mas a governanta ergueu as duas sobrancelhas e parecia a ponto de explodir em fumaça, quando respondeu pontualmente:

— Você. Pode. — ela parou em frente a menina engraçadinha e, com as mãos na cintura, prosseguiu falando quase apenas para ela. — Não andem rápido demais, não fiquem perdidas ou lentas. Não olhem as obras de arte, vocês terão tempo depois. Demonstrem total interesse no que o príncipe lhes falar, sejam educadas, nunca dirijam a ele qualquer pergunta ou respondam com gracinhas — a última palavra foi dita com uma importância mais, sílaba por sílaba. — Caso seu estômago esteja roncando, pressionem a palma da mão contra o ventre e soltem suspiros quando os barulhos vierem. — a mulher fez o movimento, algo que Kat aprendera quando era uma criança, mas que sempre se mostrou útil em reuniões longas demais. — E por último, mas não menos importante… Vocês só estarão autorizadas a ir aos respectivos quartos quando a família real inteira se despedir de vocês. Compreenderam?

As cabeças menearam e a governanta pareceu satisfeita, sentindo a tarefa cumprida. Kateryna vislumbrou um movimento em uma das janelas mais próxima da porta, era visivelmente as roupas comuns que a rainha usava em seu palácio, nas cores que lembravam sua origem cigana, quando uma quebra de silêncio inoportuna tirou a todos da expectativa de receber o imperador, a imperatriz e seu filho.

— Espera, mas a gente pode respirar?

Os olhos de Verônica estavam quase saindo das órbitas, quando, por um milagre, as portas se abriram e dois guardas pararam de cada lado das escadas, permitindo a passagem do casal real e do herdeiro, logo atrás. As cores que vira ondulando na janela realmente eram do vestido da rainha, ela o usava em dias quentes, quando sentia-se sufocada. Todos conheciam a fobia pela altura da imperatriz. Desde que seu avião com destino a uma das reuniões da realeza se destroçou em meio ao caos do oceano e dos inimigos estrangeiros, ela nunca mais permitiu que o vento tocasse sua pele, nem gostava de ter todas as janelas de um quarto abertas ou de ficar do lado de fora do palácio. A imensidão do céu e do mar a deixaram pequena, mesmo que fosse grande e impetuosa perto das meninas magricelas que agora a encaravam, boquiabertas e impressionadas.

— Muito prazer em conhecê-las, jovens — era a rainha quem dizia, primeiro para quebrar o impasse entre o príncipe e as selecionadas, segundo para ser gentil. Ela lhes sorriu e voltou os olhos para Verônica. — Estava ouvindo uma discussão?

A governanta quase recuou um passo para trás, o sangue violento que antes estampava seu rosto agora dera espaço a um branco papel, completamente mortificada. Mas os olhos gordos da rainha eram divertidos e a menina que se achava engraçadinha diante de Verônica deu um passo à frente e se curvou, uma mesura um pouco rude, mas ainda assim respeitosa.

— Eu só estava importunando.

A rainha assentiu.

— Vocês parecem tão desanimadas. — por fim, a mulher que Kateryna conhecia apareceu. Ela soltou o braço do marido e bateu as palmas rechonchudas das mãos duas vezes. — Olha que magrinhas e tristes, nem parecem que querem o meu filho. — como Verônica orientara, Kat não ergueu os olhos para ver qual seria a reação do imperador, mas suspeitava que ele estava rindo em silêncio. — Você deu alguma coisa para essas meninas comerem, Verônica? O vôo de Paris até aqui não deveria demorar mais que uma hora, mas elas parecem ter voado por três dias.

— Irei me certificar de que comam bem assim que forem a seus quartos. — Verônica murmurou, quase implorando pelo perdão da imperatriz, mas a cigana balançou os ombros com pouco caso.

— Isso demorará demais, eu pretendo ocupar a tarde inteira delas. Nada de príncipe hoje.

— Como quiser, sua majestade — a governanta não olhava diretamente para a mulher com a coroa, assim como toda a fila de selecionadas, seguindo seu exemplo. Menos uma.

— Eu realmente estou com fome. — a garota no meio da fila parecia não sentir os limites dos olhares do rei e da governanta, porém foi acompanhada de risadas contidas, mostrando que não apenas ela concordava com aquela afirmação, embora fosse a única com coragem de falar. Kat tinha certeza de que ou odiaria aquela companhia, ou a adoraria, também. Mas não conseguia se decidir no momento.

— Perfeito, começaremos no salão de jantar — a imperatriz ordenou a um criado invisível dentro do palácio. — Posso saber seu nome?

— Alisha, majestade, e o seu?

A alegria suave que percorria o encontro extinguiu-se. Até mesmo o rei e Verônica se tornaram estátuas imóveis, seus rostos petrificados e sem expressão. O príncipe fechou os olhos fortemente e apenas por causa disso Kateryna percebeu que havia erguido os próprios olhos para encarar a tal menina impertinente. O silêncio devorava cada alma, podia jurar que a pele de todas estava arrepiada, menos a de Alisha que, com um passo para frente, parecia atordoada pela repentina falta de reação.

— Monarcas não possuem nomes, Alisha, você deveria saber disso. Não estudou na escola? — as palavras da rainha eram pausadas, sem qualquer sinal de raiva ou dor, apenas a compreensão interminável do que aquilo significava. Sem nome, sem identidade, sem vida própria.

— Minha certidão de nascimento se queimou em um incêndio, nunca consegui me matricular. — Alisha abaixou seu rosto, pela primeira vez verdadeiramente envergonhada — Perdão, não deveria estar falando.

— Deixe de bobagem — a imperatriz bateu as mãos e rebolou até a porta. — Sigam-me. E dêem oi ao meu querido filho, ele mal dormiu pensando em vocês.

O príncipe Heid lançou um olhar desafiador para sua mãe, mas a rainha já voltava para dentro do palácio. O rei, com uma breve mesura e um sorriso inteligente, acompanhou sua esposa e Verônica as empurrou para cima dos degraus, da forma mais educada que conseguia após os surtos de nervos que tivera com a menina hindu. Heid desde criança fora extrovertido como sua mãe, ele tinha muito das raízes ciganas da família em seu corpo e personalidade, mas a inexperiência o faziam facilmente impressionado com tudo e fadado a cometer erros estúpidos, como quando elogiou a franca durante o sorteio. As revistas iriam esgotar todo o assunto sobre aquilo antes de esquecerem quem era a menina mais linda que o príncipe da Eurásia já vira, mas um dia isso não seria quase nada, perto do que Heid já provocara.

Seus olhos pretos percorreram a fileira de meninas, nenhuma igual a outra, parecia tentar se decidir o que fazia a seguir, quando ele parou e encarou aquela que causara o desconforto para todos. Alisha curvou os ombros, imóvel, e se curvou rápido demais para parecer suave. Mas Heid sorriu e assentiu, compreensivo. Ele permitiu que passassem ao seu lado, cumprimentando-as com ‘bom-dia’, na ordem em que entravam no palácio. Assim que as selecionadas de Arabyca entraram e as de Brittanya o encheram de elogios rápidos, o príncipe ergueu a mão para apertar as de Iberya e deu um tapinha no ombro de Alisha, enquanto ela entrava de cabeça baixa e ainda remoendo sua vergonha.

— Ah — O príncipe recuou um passo, suas costas quase contra as portas abertas do palácio. Ele olhava para a franca loura, com os olhos azuis perscrutando-o e um sorriso provocativo nos lábios perfeitos. — Você me causou muito problema em tão pouco tempo...

Estavam conversando em franco, a língua de criação do príncipe. Kateryna, é claro, entendia a tudo, mas o fato de quase todas as outras meninas não entenderem o que ambos falavam deixou o grupo um pouco hesitante em relação a moça, que se vestia bem demais para ser “qualquer uma”. Kat, é claro, sabia quem ela era. Mizandre nunca se deixava passar despercebida.

— Continua tão linda quanto da última vez — ele fez uma mesura e se virou para a próxima na fila, mas Mizandre permaneceu parada, olhando-o por mais alguns segundos, antes de enfim se mover. Cada passo que dava para dentro do palácio era como um urro de vitória. A Russya era uma das últimas na fila, na frente apenas de Turka, mas como as meninas a suas costas pareciam a ponto de explodir, Kat deixou que passassem em sua frente e cumprimentassem o príncipe primeiro.

— Obrigada — uma delas sorriu. Era a menina do carro, percebeu, a que havia achado tudo perfeito demais para acreditar. Kat notou que, sem querer, havia conquistado uma amiga. Aquilo a deixava feliz, mas receosa.

O príncipe aceitou dar dois beijos nas bochechas de cada, um cumprimento comum em Turka e Italyca, mas, quando a viu no final da fila, sua expressão passou de amigável para severa, quase como se soubesse que ela era russa. Russa e fria, assim como todos os russos. As formas diferentes de tratá-las respondia muito do que o príncipe era: o herdeiro perfeito para ocupar o lugar de imperador, representante de todas as culturas, línguas e pensamentos da Eurásia.

— Obrigado por sua inscrição. — ele se abaixou, como se fazia em Petersburgo, local onde a maior parte da realeza russa ainda residia. Kateryna fora criada em Moscou, no entanto, e aquilo lhe pareceu forçado demais.

— É sempre uma honra servir ao império. — fez o mesmo cumprimento, seu vestido roçou o tornozelo e ela sentiu cócegas.

— Eu a conheço — Heid cerrou os olhos, vasculhando na memória de onde a conhecia. — Conheço, certo?

— Talvez — Kat respondeu com os olhos fixos nos sapatos de luxo que ele usava, jamais desapontaria Verônica ou seu pai.

— De onde?

Engolir em seco não ajudou a aliviar a vontade que tinha de sair dali correndo e voltar para o grupo de selecionadas. Percebeu que a governanta estava impacientemente esperando-a alguns metros adiante.

— Talvez algum baile ou reuniões. — murmurou o mais baixo que podia, sem perder a educação — Meu pai é um dos ministros…

— Ah, Mikael Petrova! Sim, você é igual a ele — Heid não estava exatamente feliz por aquilo — Mas nunca fui apresentado a sua filha… Nem mesmo sabia que tinha uma filha.

Kateryna não respondeu, afinal não lhe haviam perguntado nada. O príncipe parecia avaliar sua semelhança com o pai, desde os cabelos de um loiro morto até os olhos verdes tão claros quanto as águas de um rio. Kat sabia que sua tez pálida entregaria as maçãs do rosto avermelhadas, mas deixou o semblante inexpressivo.

— Estou atrapalhando, senhorita — Heid deu um passo para o lado e deixou que ela fosse. — Tenha uma boa tarde.

Kat assentiu e continuou caminhando para Verônica, a mulher a encarava, seus dedos brancos enquanto cruzava os braços, mas assim que passou por ela, ouviu o príncipe desejar uma boa tarde à governanta também e isso pareceu amenizar seus nervos inflamados. Kateryna foi a última a chegar à sala de jantar da rainha, todas as demais já se sentavam diante de uma longa mesa de madeira grossa que refletia suavemente as lâmpadas nos lustres logo acima. A imperatriz olhou para ela ansiosa para que se sentasse logo e Verônica a colocou em uma das últimas cadeiras livres, ao lado da menina de seu país e em frente à outra garota turka.

— Agora que estão todas aqui, quero que relaxem e tentem se divertir um pouco. Estaremos viajando amanhã para um novo palácio, então é preciso que renovem suas forças. Estarão liberadas para dormir ou se banhar assim que terminarem aqui. — a mulher bateu palmas e copeiros apareceram para servir a mesa com carne, legumes e molhos que preenchiam todo o ar.

Não ficariam em Versalhes. Kat não sabia se isso era bom, se tinha alguma coisa a ver com as rebeliões ou os atentados violentos em Iberya. Seu pai lhe falara pouco sobre isso, mas pelo menos falara. Ele deixou claro que sua inscrição na Seleção de Heid não passaria despercebida pelos demais ministros e que aquela era uma chance de que voltassem a confiar nele. Desde que sua filha estivesse disputando a coroa e a mão do herdeiro do trono, então ninguém acharia que Mikael Petrov se aliava aos rebeldes menos extremistas.

Aquelas suspeitas tinham de sair de cima de seu pai e cabia a ela, pela primeira vez, fazer algo em favor disto. Desde que sua mãe morrera, a política era o único refúgio que o pai procurava. Ele não podia perder isso… e nem ela deveria desapontá-lo.

Pela primeira vez na vida, contavam com ela para algo.

Notas finais
O que acharam de Kateryna? O capítulo dela saiu maior, mas não focou exclusivamente nela, como podem ver. A maioria dos capítulos será assim, mesmo que na perspectiva de uma pessoa, contarão a história do jeito que ela acontece, sem tornar as demais "secundárias". E muito obrigada pelas novas fichas que enviaram! Estou muito animada para colocá-las na história! Beijos da Kyung