Sangue Quente

19 Warm Blooded Animal


Notas iniciais
Como recebi reviews maravilhosos (que serão respondidos até amanhã à noite), postei dentro do prazo prometido, HEHE. . Leiam as notas finais, por favor!

Capítulo XIX – Warm Blooded Animal

(Animal de Sangue Quente)

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– Ei, Erza – Lucy chamou baixinho ao se posicionar ao seu lado assim que entraram na loja de conveniências abandonada. – Você não acha que Persephone foi muito fácil de capturar? – Agora que estavam protegidos, sob um teto, da fina neve que começara a cair do céu escuro, Lucy se permitia pensar sobre a captura um tanto suspeita da bandida. Antes, tudo o que tinha em mente era a loja de conveniências, que tinha que chegar até ela, se abrigar dentro dela. Mas agora... Agora era capaz de se ater a outros assuntos. – Fácil até demais?

– Por que você acha isso? – Erza lhe retorquiu, sorrindo discretamente. Aquele sorriso era uma indicação de que, apesar de suas palavras, ela tinha a mesma suspeita.

– Bom, porque além de ser a líder dos bandidos do sul, ela foi capaz de desviar de todos os ataques do Gray e do Natsu. Não faz muito sentido ela ter sido capturada simplesmente porque eu a derrubei com o meu Fleuve D’Etólis.

Acenando com a cabeça, seu sorriso desapareceu.

– É por isso que eu acho que ela está armando alguma coisa.

Lucy parou alguns segundos para pensar, e não pôde discordar. A garota prateada era muito mais do que aparentava, e se havia um motivo para ela ser capturada de propósito, isso com certeza tinha a ver com estar tramando algo.

– Foi por isso que você não se juntou à luta agora de pouco?

Erza meneou as mãos.

– Eu achei estranho ela se revelar para nós daquela maneira, sem nenhuma emboscada. Queria ver o que ela faria em seguida. E também... – Mordeu os lábios, corando furiosamente enquanto desviava o olhar. – Bem, eu estava realmente chateada pelas minhas bagagens...

– Hã, certo... — Lucy piscou, dando à amiga alguns segundos de silêncio pesaroso. – De qualquer forma, você sabe qual é a magia que ela utiliza? Deve estar relacionada com o apelido dela, talvez?

Dessa vez, Erza balançou negativamente a cabeça, colocando uma das mãos no queixo enquanto pensava.

– Não faço ideia de qual magia ela usa, mas sei que ela ganhou o apelido de “encantadora de serpentes” porque mantém em suas mãos o coração do Cobra.

A surpresa de Lucy era quase palpável.

– Cobra? O Cobra, da Oración Seis? – Olhos arregalados em descrença, mas, ainda assim, mantendo o tom de voz em um sussurro. – Persephone mantém fisicamente o coração do Cobra?

– Não – a ruiva balançou as mãos, arregalando sutilmente os olhos. – Os boatos são que Cobra se encantou com ela à primeira vista e, ainda hoje, depois de dois anos na prisão, tudo o que ele deseja é que ela vá visita-lo.

Lucy não precisou perguntar o porquê Persephone era incapaz de visitar Cobra na prisão mágica do Conselho. No entanto, não se impediu de perguntar a curiosidade da vez:

– Você acha que ela o ama?

O olhar que Erza lhe lançou, assim como sua frase, era muito perspicaz. Como se soubesse que, no fundo, a loira acabaria sentido pena da prateada por ter sido “separada” de seu grande amor.

– Persephone não ama ninguém além de si mesma.

E com isso, a conversa estava terminada. Quando se afastou da ruiva para se aproximar do namorado, Lucy tremeu e deixou um xingamento baixinho escapar por seus lábios; a neve caindo do lado de fora continuava fina, mas a temperatura do ar estava caindo muito rapidamente.

Não ficou surpresa, afinal, era inverno e os dias estavam cada vez mais frios.

– O que foi, Lucy? – Perguntou Natsu, com a expressão inocente e olhos bem abertos a fim de se acostumar com a falta de luz no local.

A loja de conveniências abandonada de três andares era realmente algo para se admirar. Em seus tempos de glória, quando Silver Clock ainda não era desativada, devia ser a mais bonita construção da área. Agora, no entanto, era a mais sombria. O que não anulava sua utilidade para o grupo mais forte da Fairy Tail. Por ser grande, possuía uma incrível variedade de produtos, que dada à natureza urgente da evacuação, ainda permaneciam ali.

Mas iluminação? Ah, isso não tinha.

– Estou com frio – Lucy contou, esfregando as mãos uma na outra. O cachecol de Natsu que ainda vestia era quente, gostoso e muito confortável, mas infelizmente não era efetivo em esquentar seus braços e pernas nuas.

O rosado coçou a cabeça, pensando no que mais poderia fazer para manter sua garota aquecida. Olhou para suas próprias roupas e decidiu que sua blusa – apesar de ser formada por uma manga comprida e outra cavada – teria que servir por enquanto. Tirou-a sem demoras de seu corpo e a entregou para Lucy.

A Heartfilia nunca teria aceitado a blusa se não soubesse que Natsu suportava bem mais o frio que uma pessoa normal. De fato, mesmo agora, com o torso completamente descoberto e sem seu fiel cachecol, o garoto não estava nem mesmo arrepiado.

Em seu momento de muda contemplação ao belíssimo exemplar masculino, só foi notar que estava com as mãos espalmadas naquele peitoral quando sentiu a quentura e a rigidez do músculo.

– Estou começando a achar que você armou tudo isso só pra me ver pelado – brincou, observando imediatamente a cor vermelha tomar conta do rosto da menina, que ainda esfregava as mãos. – Vem cá – ele pediu e puxou-a para mais perto, enfiando as mãos dela nos bolsos de sua calça. – Melhor?

– Sim, obrigada – Lucy achou melhor não comentar que o calor que começou a consumi-la tinha pouco a ver com as roupas emprestadas, e muito mais com o fato de estar colada no corpo seminu do namorado.

O sorriso satisfeito que Natsu exibia desapareceu assim que seu olhar castanho-acinzentado pousou acima do ombro de Lucy. Wendy tremia ligeiramente enquanto abraçava a si mesma, tentando conservar seu calor corporal.

Algo em seu interior se remexeu desconfortável; ele se sentia responsável pela azulada, no entanto, sua prioridade era a loira.

Gray, percebendo isso, se desfez de seu casaco e o doou à Marvell, que o aceitou com um sorriso gentil. Erza, sempre durona, não aparentava desconfortos com a temperatura em sua armadura, e os exceeds, precavidos como eram, haviam trazido seus próprios agasalhos em mochilas.

– Suponho que ninguém vai me ceder uma blusa de frio ou algo do tipo, né? – Persephone se manifestou, amarrada ao lado do Fullbuster.

– Se a gente encontrar algo usável nessa loja, podemos pensar no seu caso – Lucy comentou, sem olhar em sua direção.

Quando os problemas com o frio foram resolvidos, todos pegaram as lanternas das bolsas e se permitiram olhar mais atentamente aos arredores escuros. O primeiro andar estava completamente saqueado e quebrado, era uma verdadeira bagunça de vidros estilhaçados, latas de condimentos esmagadas contra a parede e pilhas de entulhos amontoados nos cantos.

Subindo para o segundo andar, decidiram se separar para explorar mais rapidamente o lugar, que era indiscutivelmente grande. Gray se sentou próximo às escadas da qual vieram, no centro do segundo piso, ficando de guarda na prisioneira. Erza, Wendy e os exceeds vasculhariam aquele andar, enquanto Natsu e Lucy subiriam para o terceiro em busca de alimentos não estragados.

Ao tomar a escada para o terceiro andar, Lucy percebeu logo de cara a ausência da destruição. Ali, mesmo com a iluminação precária de uma lanterna, ela pôde afirmar que tudo estava intacto.

– Você não acha isso estranho? – Questionou em voz alta.

Natsu deu de ombros, não se importando com esse pequeno detalhe.

Os pés de ambos faziam barulhos altos contra o piso, ecoando por toda a estrutura. A maga celestial não sabia dizer se era porque estava escuro, ou se era pelo fato de estar tudo abandonado, mas ela não tinha um bom pressentimento sobre o lugar.

Tateando algumas prateleiras que encontraram em um dos corredores afundados na penumbra, Lucy achou uns agasalhos cobertos de pó. Batendo, sacudindo e soprando o tecido em mãos, dobrou-o sobre o braço, fazendo menção de tirar o cachecol e devolvê-lo ao dono.

– Não é necessário – o Dragneel disse, acariciando suavemente as bochechas vermelhas da garota depois de impedi-la de tirar o acessório de seu pescoço. – O “homem das cavernas” em mim, como você gosta de chamar, fica muito satisfeito ao vê-la em minhas roupas. Só não supera a satisfação, é claro, de vê-la em minha cama.

– Eu nunca estive em sua cama, Natsu – a Heartfilia torceu os lábios em uma careta que, apesar de emburrada, era uma gracinha. – É você quem ocupa a minha quase todas as noites. E tardes. E manhãs, quando você acorda empolgado.

– Mas isso não quer dizer que eu não a imagine em minha cama o tempo todo, gemendo e se contorcendo de prazer sob o meu toque – o rosado segurou o queixo delicado entre o indicador e o polegar, fazendo-a levantar a cabeça e se perder naquele olhar enevoado que impossibilitava qualquer leitura de sentimento. O sorriso cafajeste com o qual ele a presenteou, no entanto, era autoexplicativo. – E, acredite, eu tenho uma excelente imaginação.

Em outras circunstâncias, ela teria lhe dado um chute ou qualquer coisa do tipo pelo lembrete de que ela ainda não havia conhecido sua casa. Caramba, ela nem sabia onde ficava! O que era bastante injusto, visto que Natsu estava sempre em seu apartamento.

No entanto, naquele instante, tudo o que ela podia fazer era morder os próprios lábios para se impedir de morder os dele. O sorriso sacana somado às palavras pervertidas evocou nela uma vontade incontrolável de acariciar aquela boca deliciosamente beijável.

Suas cabeças se inclinaram, e eles estavam tão próximos um do outro que suas respirações se fundiram. O ar ficou pesado pela cadência erótica, quase estática, e os lábios se entreabriram, prontos para se encontrarem.

Todavia, uma risadinha feminina, estranha aos seus ouvidos, soou muito perto, assustando Lucy e quebrando o calor do momento. Das sombras de outra estante, surgiu Persephone, sozinha e desamarrada.

– Que merda é essa? – A loira estranhou, dando as costas ao namorado para fitar diretamente a garota. – Quem te soltou?

– Gray – a resposta veio simples, sorridente. – Não foi nenhum grande esforço convencê-lo, na verdade. Tudo o que precisei foi de um olhar e uma pitada de magia.

Persephone não estava mentindo. Sua magia consistia em dar sugestões ao subconsciente do alvo em questão, quase como a hipnose. A diferença estava no fato de que ela não precisava colocar o inimigo em transe, bastava apenas trocar um olhar no instante da sugestão.

Por exemplo, quando lutou com Natsu antes de ser capturada, no minuto em que seus olhares se cruzaram, ela disse “torço para que você não acerte meu corpo”. Porém trocar olhares não era a única condição para que sua magia funcionasse. A sugestão que ela enviava era avaliada pelo subconsciente da pessoa; se fosse considerada prejudicial para a própria pessoa, a magia não surtia efeito. Nada menos do que o esperado, já que o subconsciente, funcionando como instinto, não acataria a ideia se comprometesse a integridade física do corpo.

É por isso que ela nunca atacava; não poderia.

E como a sugestão era feita para o subconsciente, o alvo não adquiria consciência de estar sendo sugestionado. Ela era, para todos os efeitos, uma manipuladora de primeira. Tal qual uma encantadora de serpentes, que fazia seu alvo “dançar” conforme sua melodia¹.

Os sentidos de Lucy ficaram em alerta, atentos a qualquer movimento da bandida. Porque se ela estava tramando alguma coisa, esse era o momento mais propício para por em prática. E talvez por estar tão focada na pessoa que estava a sua frente, esqueceu-se da que estava atrás.

Natsu passou por ela em um borrão rosa e cor de pele, o movimento súbito atordoando-a por instantes. Nesses breves segundos de confusão, o garoto estava diante de Persephone, agarrando-a pelo pescoço, como aparentemente gostava de fazer com seus inimigos.

A prateada arregalou os olhos e se debateu, tentando se livrar do agarro vicioso, cravando suas unhas nas mãos do agressor. Natsu sequer hesitou em segurá-la quieta no lugar pelos cabelos, puxando forte.

– Se eu não olhar em seus olhos, você não é capaz de usar magia – comentou, olhando justamente para o par de olhos rosados. – Mas se você não puder falar, então, não há problema também – Persephone tentou balbuciar alguma coisa, mas suas cordas vocais estavam sendo esmagadas. Natsu sorriu lascivo. – Eu estive te observando durante a luta, sabe? Apesar de você ter sussurrado ao meu inconsciente, eu escutei.

– Pare com isso, Natsu – Lucy conseguiu dizer, recompondo-se da surpresa. – Desse jeito vai mata-la – o jovem não respondeu e, agindo como se não tivesse escutado, apertou ainda mais forte o pescoço de Persephone, tirando-a do chão. – E você não pode mata-la; a proposta do trabalho era capturá-la.

O Dragneel afrouxou levemente o aperto que mantinha sobre a jugular da bandida, colocando-a de volta com os pés no chão, no entanto, o agarre nos cabelos prateados aumentou, de modo que a garota tinha que se inclinar um pouco para baixo caso quisesse permanecer com os fios colados no couro cabeludo.

Prestes a suspirar de alívio por ter contido os impulsos violentos do namorado – pela segunda vez naquele dia, diga-se de passagem -, Lucy congelou ao notar que Natsu havia virado o rosto e agora olhava diretamente para ela.

Porque ali, fitando-a, estava um verdadeiro predador.

Era um olhar poderoso, que queimava sem parar em uma ardência brutal e raivosa, como se estivesse na iminência de consumir tudo e todos ao seu redor com um fogo letal. Pelo que Lucy conhecia dele, isso não estava muito longe de acontecer.

– Calada, Lucy – ele mandou, mil lâminas afiadíssimas em seu tom de voz. – Ou então você será a próxima.

Engolindo em seco pela ameaça explícita, a loira recuou um passo. Aqueles olhos fixos nela diziam que ele não estava afim de ouvir um sermão sobre como matar é errado. Eles também diziam que ele estava naquele tipo de humor destrutivo e vicioso: Edo-Natsu.

Ela não sabia ao certo o que o tinha deixado tão furioso. Quer dizer, sim, eles tinham estado excitados, e, sim, Persephone tinha cortado o clima, mas não justificava esse descontrole todo.

Tinha algo bastante errado acontecendo ali.

– Natsu, se você mata-la – começou, optando por uma abordagem diferente -, nós não vamos receber o pagamento – uma pausa, torcendo para que o namorado compreendesse a lógica e deixasse o bom senso acalmar sua ira. – E se não houver pagamento, eu perco meu apartamento. Sem apartamento, sem cama. E você gosta bastante da minha cama, não é mesmo?

O sorriso de escárnio presente no rosto do garoto aumentou. Oh-oh, pensou Lucy, acho que estou em apuros. Ele a tinha dado uma ordem, e ela inconsequentemente a havia ignorado.

– Você é a próxima – decretou. – A não ser que queira ser a primeira.

– Eu não me oponho que você vá atrás dela primeiro – comentou Persephone, baixinho, como se não pudesse segurar sua língua.

Natsu a tinha agarrada pelo pescoço novamente no minuto seguinte, voltando todo o peso de seu olhar cinzento para a garota.

– Eu acho que não te dei permissão para falar, pequena serpente. Eu dei permissão pra ela falar, Lucy?

A Heartfilia não sabia mais o que fazer. Sua abordagem usual falhara, e ela sentia que estava andando sobre ovos. Tinha que encontrar uma maneira de acalmá-lo, sem irritá-lo ainda mais com as tentativas.

– N-Não – gaguejou, estendendo as mãos na frente do corpo como sinal de paz. – Não, você não deu permissão.

O Dragneel torceu os lábios, chacoalhando fortemente a garota que tinha em mãos, afastando a tentativa fraca de Persephone de se libertar como a quem afasta um inseto.

– Eu acho que vocês não estão me levando a sério aqui – o rosto masculino era a máscara da raiva insana, disfarçada por uma camada de indiferença. – Mas já sei o que fazer para mudar essa concepção. Lucy – chamou, fitando a namorada com malícia doentia -, você escolhe: queimo a traqueia de Persephone ou a sua? Porque sinceramente, não estou com saco pra aguentar duas mulheres tagarelando no meu ouvido.

Com muito cuidado, ainda sem ideia do que fazer, a maga celestial deu dois passos para frente, tentando ganhar tempo.

– Você sabe que não pode me queimar; não vai funcionar.

Ele inclinou a cabeça e seus olhos faiscaram.

– Ela está certa sobre isso – contou à Persephone em um tom conspiratório, dando de ombros. – Parece então que a circunstância escolheu você.

No instante em que uma de suas mãos se acendeu em fogo, Lucy se lançou à frente e exclamou:

– “A Clave de Sol começa onde a de Fá termina!” – Citou, tentando ancorá-lo a uma lembrança boa. – Sua tatuagem, se lembra? Você disse que significava que encontrou o que procurava.

– Não ouse – Natsu puxou o ar em um silvo, soltando cada palavra entredentes – falar dessa maldita tatuagem pra mim!

A Heartfilia não se abalou, tendo encontrado um fio de coerência nos olhos acinzentados.

– Se você acabar com a Persephone agora, que não está na Lista² do Conselho – ok, essa parte era um chute, ela não tinha certeza se a bandida estava ou não na Lista, mas decidiu arriscar –, você vai acabar sendo preso. Duvido muito que eles queiram um Cão a quem eles não conseguem controlar. E aí você irá perder o que encontrou.

Essa parte também era um chute; veja bem, ela não sabia o que é que ele tinha estado procurando e achado. Apenas supunha que o que quer que seja, não podia ser mantido na prisão mágica do conselho.

Aquelas palavras pareceram realmente alcançar sua racionalidade, e, aos poucos, a chama em sua mão se dissipou. Persephone foi diretamente ao chão quando o aperto de ferro sobre ela se desfez, a coerência e lucidez retornando aos olhos castanho-acinzentados.

– Lucy... – Natsu sussurrou, levando as mãos ao rosto enquanto se afastava no corredor. – Sinto muito, eu não sei o que deu em mim.

E no minuto seguinte, o rosado havia sumido na escuridão, descendo apressado as escadas para o segundo andar.

A loura se aproximou do corpo caído da outra garota, que tossia afobada.

– Eu sabia – a prateada disse, esforçando-se para regular a respiração. – Eu sabia que dentro dele havia um animal de sangue frio e calculista.

Ajudando-a se levantar, colocou as mãos nos ombros da prateada; não para apoiá-la, mas para garantir que ela não sairia correndo por aí. Lucy não tinha passado por toda essa dificuldade em mantê-la viva, para que então ela fugisse.

“Animal de sangue frio e calculista”, refletiu, torcendo os lábios logo em seguida. Calculista ele era sim, não tinha como negar. Era também capaz de atos de extrema violência e crueldade, sem dúvidas. Até poderia dizer que ele tinha uma mente bastante reptiliana, dracônica.

Mas sangue frio?

– Você está errada – disse, por fim, pegando a lanterna em mãos e as conduzindo em direção às escadas. – O que vive dentro do Natsu é um animal de sangue quente.

Notas finais
YAY, Edo-Natsu is back, babies! . ¹ Gente, nesse trecho, eu disse que os encantadores de serpentes fazem a cobra dançar por hipnotiza-las através da melodia. Usei dessa forma porque era uma boa analogia, mas como uma bióloga em formação, me senti na obrigação de explicar que ISSO NÃO É VERDADE. Cobras são praticamente surdas e não possuem nenhum senso de ritmo ou melodia, portanto, são incapazes de ouvir a tal “música hipnotizadora”! O que acontece é que, por ficar tanto tempo no escuro da cestinha, quando a tampa é removida e a luz entra, é natural as cobras saírem. E elas parecem que “dançam” conforme a música somente por causa do movimento feito pela flauta; podia ser qualquer outra coisa na frente delas, até mesmo sua mão. . ² Lembram da lista de duzentos nomes perigosos que podem ser executados sem ordens prévias, comentada no capítulo 7? Então. . Muito obrigada pelos reviews, meus animaizinhos de sangue quente. Continuem assim e prometo que atualizo a fic dentro de duas semanas, HEHE