Sangue Quente

16 Through the Pictures


Notas iniciais
Olá, meus queridos, que saudade de vocês! Faz bastante tempo que não dou as caras por aqui né? Para não ficar enrolando, vou apenas dizer que encontrar tempo para escrever está sendo muito difícil... Mas fico feliz de finalmente conseguir postar :DD . Meus super agradecimentos aos leitores Inara, Cookie, Deliorati e Lukas Wallers por terem recomendado Sangue Quente! Vocês foram extremamente carinhosos e dedicados, e seus elogios me deixaram de bom humor por várias e várias semanas. Obrigada, de verdade! Esse capítulo é dedicado a vocês (que, apesar de ser um capítulo de transição, foi escrito com muito amor)

Capítulo XVI – Through the Pictures

(Através das Fotos)

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Dois gritos soaram de dentro do cômodo trancado.

Ambos femininos.

Um longo momento de silêncio se seguiu enquanto o armazém da guilda afundava-se na escuridão pela falta de energia. No quintal, a exceed olhou para sua Dragonslayer, visivelmente atordoada.

– Eu acho que... – disse, dando uma pausa não intencional às palavras, como se seu processamento mental estivesse tão ocupado tentando entender o que se passava dentro do armazém, que não fosse capaz de formular uma frase decente. Após piscar algumas vezes, no entanto, encontrou sua linha de pensamento. – Acho que Natsu não conseguiria soltar um grito tão afeminado assim nem que quisesse.

Wendy fez uma careta, concordando, e comentou aturdida:

– Eram as vozes da Lucy-san e da Levy-san.

Charles fitou a companheira com cuidado, estreitando os olhos quando sussurrou:

– Levy -san está aí dentro, e você não me avisou? – Sacudiu as patas, tentando disfarçar a exasperação. – O plano não dá certo se o Natsu e a Lucy não estão a sós! Não vai rolar o assédio saudável entre os dois enquanto a Levy-san assiste.

– Eu não te avisei porque não sabia que ela estava aí! – Explicou-se.

– Não sentiu o cheiro dela? – Não dando tempo para uma resposta, imediatamente emendou outra pergunta: – Há algo de errado com seu nariz?

A Dragonslayer não gostou muito do tom de voz que a exceed usava, mas por agora resolveu ignorar.

– Não tem nada de errado com meu nariz – disse, baixinho. – Eu, de fato, senti o cheiro da Levy-san. O problema é que ela visita tanto esse armazém, que o local acabou ficando com o cheiro dela, sempre. Por isso não achei que ela estivesse lá de verdade...

– Ei! Tem alguém aí fora? – A McGarden gritou do lado de dentro, girando, sem sucesso, a maçaneta da porta. – Não estou conseguindo abrir, está emperrada!

Em um silêncio ligeiramente assombrado, Wendy olhou para Charles e vice-versa. Com um consentimento mudo, a gata se pronunciou, elevando a voz para que fosse ouvida do outro lado da parede:

– Levy-san, é a Charles. Houve… hã, uma queda de energia e, aparentemente, algumas portas foram trancadas magicamente – improvisou, torcendo para que não estivesse falando grandes bobagens. – Acho que é um novo sistema de segurança...

– Você pode nos tirar daqui? – A voz de Lucy surgiu, impaciente e trêmula.

– Posso, claro – respondeu, olhando para a parceira ao seu lado. – Mas não sozinha, vou procurar ajuda. O que pode demorar um pouquinho, pois não tem ninguém na guilda...

Wendy sabia que aquela era uma mentira deslavada; havia, sim, pessoas na guilda. Não muitas, é verdade, mas ainda assim... O que Charles estava pretendendo? Seguir com o plano, mesmo com Levy lá dentro?

Após uma confirmação vinda de dentro do armazém, a garota e a gata se afastaram um pouco para poderem conversar sem ter que cochichar.

– Vai seguir com o plano? – A azulada questionou, bastante curiosa.

– Não... – respondeu, desgostosa. – Mas não posso simplesmente tirá-los de lá. O mercador que me vendeu a tranca mágica só me ensinou como armá-la. Suponho que é automática, portanto só destrancará no tempo programado...

– Provavelmente a energia só voltará quando a tranca for desfeita... – Wendy pensou em voz alta, coçando o queixo. Então a percepção a atingiu como um raio, fazendo-a arregalar os olhos. – Vai deixa-los lá dentro, totalmente no escuro?

Charles não pareceu se importar muito com o fato, pois deu de ombros.

– Elas estão com o Natsu, que é praticamente uma tocha ambulante; acredite, falta de iluminação não será um problema.

“É, faz sentido” a Marvell assentiu, comprando a ideia. No entanto, por algum capricho do destino, naquele exato momento, Natsu entrou no quintal da guilda de maneira despreocupada. Mãos nos bolsos da calça, ombros relaxados, expressão confusa por não entender os olhares horrorizados que recebia de Wendy e Charles.

A princípio, acreditou que havia algum rasgão na parte da frente de suas roupas, mas, após uma rápida olhada para baixo, não encontrando nada, passou a crer que havia algo de errado com sua face. Talvez o molho de mostarda que comera no almoço ainda estava impregnado no canto de seus lábios... Lambeu-os, instintivamente. Não, nada ali. Então só havia mais um motivo:

– Seja lá o que o gordo do Droy tenha lhes contado, é um exagero – explicou, defendendo-se. – Eu só bati nele um pouquinho, não era nem pra ter inchado e ficado roxo daquele jeito!

O olhar horrorizado da azulada nublou-se em confusão.

– Você bateu no Droy?

Notando que a baixinha não sabia do acontecido, e amaldiçoando-se mentalmente por ter se adiantado e se declarado culpado no ato, abanou as mãos e fingiu descaso.

– Claro que não – mentiu, bufando em desdém. – Foi só um peteleco da amizade, sabe? Mas acontece que ele é meio frágil e acabou, hã... parando no hospital. Só por uns dias, óbvio, até que a cara dele desinche...

O silêncio cobriu os três como uma manta espessa; Charles com as sobrancelhas franzidas, Wendy perceptivelmente atordoada e Natsu sorrindo amarelo, torcendo para que sua explicação colasse, pois de jeito nenhum ele diria que tinha socado Droy porque ele parecia bastante interessado na sua Lucy.

– O que você – disse a gata, de repente, quebrando o silêncio – está fazendo aqui fora? Era pra você estar lá dentro – apontou para o cômodo trancado –, ajudando a Lucy a arrumar o armazém!

Ele arqueou uma sobrancelha rosada, crispando os lábios. Não gostava de ser questionado naquele tom de voz.

– Ei, o que você é; a polícia dos bons modos?

Charles, perdendo um pouco a noção do perigo, ou por ser estupidamente arrogante, botou-se frente a frente ao garoto e cutucou de forma audaz seu joelho – que era, basicamente, o local mais alto capaz de tocar. Por ter o sangue quente, uma veia saltou perigosamente na testa do jovem, que tomou uma profunda respiração, incrivelmente soltando fumaça pelo nariz.

Um sinal de alerta soou na cabeça de Wendy, que previu uma explosão nada bonita vinda dos dois esquentadinhos ao seu lado. Sua exceed não estava em seu melhor psicológico, afinal, claramente perdera horas preciosas de sono bolando o plano, e seu mau humor provavelmente tinha alcançado níveis estratosféricos. Então, cuidadosamente, se interpôs entre ambos.

– O que Charles quis dizer – apaziguou em voz serena – é que sentimos seu cheiro dentro do armazém, por isso presumimos que estivesse lá – franziu o cenho, agora em dúvida. – O que nos leva ao questionamento do porque posso sentir seu cheiro lá, quando você, obviamente, não está lá...

O Dragneel não precisava inspirar profundamente para sentir seu próprio cheiro impregnado na pele de Lucy. Era uma ocorrência natural após o ato sexual que tiveram. Nem mesmo o banho poderia levar embora por completo a fragrância.

– Wendy... – ele disse, procurando cuidadosamente as palavras corretas.

No entanto, não foi necessário pensar muito, pois logo a garota lhe fazia outra daquelas perguntas impertinentes:

– Espera aí, por que diabos posso sentir o cheiro da Lucy em você, também?

Passando as mãos pelo cabelo rosado, o garoto tentou esconder sua exasperação. “Oh, Wendy, por que tão inocente?” se questionava, enquanto buscava auxílio divino para explicar a situação, sem traumatizar a pequena. O que poderia dizer? “Ah, relaxe, Wendy, estamos com o cheiro um do outro no corpo porque passamos a noite inteira transando sem parar. Quer entrar e tomar um café?”

Sacudiu a cabeça, desanimado. Não poderia dizer isso; Wendy odiava café.

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– Mas pra quê toda essa demora? – Era uma pergunta retórica, mas Levy se surpreendeu quando não recebeu nem mesmo uma resposta de apoio de Lucy. Girou em volta, perto da porta, e agora que seus olhos estavam acostumados com o breu que recaía sobre o armazém trancado, pôde enxerga-la encolhida no canto de uma estante. – Lu-chan, o que você está fazendo?

– N-nada – ela respondeu, sua voz baixinha. – Está tão escuro aqui...

Levy andou os passos que as separavam e parou logo a sua frente, apoiando-se no joelho para que ficasse da altura de sua forma encolhida.

– É, está escuro mesmo – desdenhou da situação, rindo divertida. – Acho que as minhas pantufas de coelhinho acabaram de correr para se esconder – uma pausa. – Não que eu tenha pantufas de coelhinho, quer dizer, todo mundo sabe que são cafonas. Ei, você está tremendo?

– N-não... – A pobre maga estelar tentava disfarçar, mas a azulada estava perto demais e percebeu mesmo assim. Levy levou alguns momentos para ser atingida pela compreensão, e tão logo pôde, xingou-se mentalmente.

– Oh, caramba, você tem medo de escuro!

– Não tenho! – A loira disparou de volta, levantando a cabeça que estava enterrada no abrigo de seus braços. – Não tenho medo de escuro... Mas me sinto sufocada quando não consigo enxergar...

Aquilo não fazia muito sentido, mas quem era ela pra dizer isso?! Em vez desdenhar, levantou-se e saiu à procura do lampião que usava quando decidia ler dentro do armazém. Após alguns tropeções, foi capaz de encontrar e acender o objeto, então o colocou em frente à amiga.

– Agora você pode enxergar – disse com simplicidade, notando as faces rubras de vergonha da loira. – E, olhando nos meus olhos, tem que me prometer que não vai contar a ninguém sobre a possibilidade de eu ter pantufas de coelhinho.

O corpo de Lucy fez o inesperado; sacudiu-se conforme a risada tomava forma em seus lábios. Nunca fora capaz de rir quando era acometida por esse medo em específico, e ficou grata com o gesto da McGarden, que parecia fazer o possível para deixa-la à vontade.

– Aposto que o Gajeel iria gostar dessas suas pantufas de coelhinho – disse, ainda tremendo, mas não mais paralisada pelo pânico.

Levy girou os olhos.

– Claro, se os coelhinhos fossem algo parecido com zumbis e usassem piercings de metal.

Dessa vez, a Heartfilia riu com vontade e, deixando o encolhimento, voltou-se para uma posição mais relaxada. Acabou por bater na estante com o ombro. A pancada em si não foi forte e não chegou a doer, mas foi o suficiente para balançar o móvel e derrubar ao chão algo parecido com um livro.

– Que livro é esse? – Ao pegá-lo na mão, notou que a capa, além de ser maior que a de um livro comum, era bastante grossa. Isso porque não se tratava de um livro. Era um álbum e, na primeira página, havia quatro fotos do pessoal da guilda reunido.

– Tiramos essas fotos há alguns anos – a McGarden comentou, visualizando-as por cima do ombro da amiga. – Era aniversário da guilda, foi um dia bem divertido.

Virando as páginas, Lucy pôde claramente sentir o clima de alegria presente em todas as fotos. Nelas estavam pessoas que lhe eram importantes, em uma época em que não as conhecia. Pôde sentir seus olhos brilharem, e não se impediu de acariciar as bordas de cada imagem: Cana, sentada em uma mesa de madeira, rodeada de cartas de tarô; Erza, coberta até o pescoço por docinhos e confeitos; Romeo, ainda um pirralhinho, puxando a barra da camisa do pai; Elfman, encolhido timidamente perto de um pilar, enquanto Mirajane, surpreendentemente, pisava duro em um banco e mostrava o dedo do meio para a câmera, enquanto uma garotinha igualmente albina, mas desconhecida para Lucy, tentava apaziguá-la.

Visualizou o álbum de cabo a rabo, se divertindo com as diversas expressões e situações de seus companheiros. Tão logo o fechou, percebeu que não encontrou nenhuma foto de seu namorado. Ele não estava presente nem mesmo naquela em que provavelmente todos da guilda apareciam. Aquilo a decepcionou; era como se – mais uma vez – falhasse em ter o mínimo vislumbre que seja no passado do garoto.

– Por que não consigo encontrar o Natsu em nenhuma delas? – Perguntou, batucando com os dedos a capa do álbum.

A baixinha, que esteve o tempo todo apenas observando, exibiu o que pareceu ser um sorriso cansado, meio de desculpas.

– Porque ele odeia tirar fotos – contou, sua voz adquirindo um tom conspiratório. – Fica feito um bicho do mato quando apontam uma câmera pra ele. O porquê, eu não sei. Gajeel é igualzinho – uma pausa e um dar de ombros. – Talvez seja outra daquelas fraquezas estranhas dos Dragonslayers.

A maga estelar tinha plena certeza de estar de boca aberta com tal informação. Seu namorado era mais estranho do que pensava. Ela tinha que saber mais sobre ele.

– Mas nunca ninguém conseguiu tirar sequer uma foto dele? De surpresa?

– Oh, sim – Levy riu. – Gray era mestre em fazer isso, só pra irritá-lo. Porém nunca pudemos guardar uma foto pra recordação, pois, assim que tiradas, Natsu as queimava.

Lucy suspirou, dobrando as pernas cruzadas, e encostou a cabeça na parede.

– Como você consegue? – Perguntou, e Levy levantou os olhos, confusa, como se perguntasse “consigo o que?”. A loira complementou: – Namorar um Dragonslayer. Eles são tão incomuns...

A de cabelos azuis corou levemente, mas pensou sobre o assunto e respondeu com sinceridade:

– Confesso que não é a coisa mais fácil do mundo; Gajeel é sempre muito fechado. Tenho que constantemente me policiar para não fazer uma interpretação errada sobre suas ações e falas, mas no final vale a pena – se ajeitando melhor sentada, puxou de dentro da gola da camiseta um cordão prateado com um camafeu como pingente, colocando-o sob a luz para mostrar à Lucy a imagem contida ali. – É a única que eu consegui. Foi à duras penas e Gajeel estava absolutamente contra isso, mas por fim, acabou cedendo. Eu sei que é meio brega, mas é o meu grande tesouro.

O grande tesouro da McGarden era uma pequena foto do casal; ela, com cara de quem aprontou algo, e ele, com faces irritadiças e muito próximo à câmera, como se almejasse alcançar a máquina e quebrá-la em pedacinhos. Se os Dragonslayers odiavam tanto assim tirar fotos, como a outra mesmo dissera, Gajeel deixar que ela a mantivesse, era mesmo um gesto muito especial.

– É um lindo tesouro, Levy-chan – elogiou, sorrindo-lhe. No entanto, mesmo se sentindo feliz pela amiga, um muxoxo fez caminho por sua garganta, e logo ela estava dando voz aos seus lamentos: – Parece então que eu nunca poderei ver como o Natsu era na infância...

– Bem, se vê-lo quando criança é tão importante pra você, e se me prometer não contar a ninguém, acho que posso ter a solução para isso... – comentou, levantando-se e seguindo para o outro canto do armazém. De lá tirou uma caixa de madeira do tamanho de uma almofada, trazendo-a sob a luz do lampião. Abriu-a e murmurou: – Essa é uma caixa de segredos. É mágica. As pessoas colocam diferentes coisas aqui dentro.

Lucy deu uma espiada dentro da caixa.

– Está vazia – disse, surpresa.

A outra riu.

– Não está, só tem que saber o que procurar. Há uns seis, sete anos, eu estava tirando uma foto do pessoal da guilda e, sem nem perceber, acabei tirando isso – quando ela terminou de falar, o interior da caixa brilhou, e de repente já não estava mais vazia.

A loira estendeu a mão e pegou o conteúdo. Eram três fotos. Na primeira e na segunda, como dito por Levy, estava o pessoal da guilda. Procurando Natsu com os olhos, acabou encontrando-o bem no cantinho, cortado quase que completamente pela foto; somente as pontas de seu cabelo rosado e metade da testa davam o ar da graça. Não era muito, mas já era um começo. A terceira foto, no entanto, era bastante diferente e a surpreendeu de verdade.

Nela, Natsu aparecia totalmente. Ele aparentava ser bastante jovem, tendo talvez onze, doze anos. Os cabelos eram tão rosados e espetados como atualmente, mas pareciam maiores. Talvez porque seu rostinho era miúdo. Estava com uma postura tipicamente marrenta e as feições eram obviamente emburradas, como se recusasse até o último minuto a tirar aquela foto. Ocupava grande parte da imagem. Contudo, não estava sozinho. Ao seu lado estava aquela menina albina que não fora capaz de reconhecer das outras fotos. Ela sorria abertamente e permanecia escorada no braço do garoto.

– Quem é essa, Levy-chan? – Perguntou, ignorando a súbita pontada que sentiu no peito.

A azulada olhou para a referida garota e sua expressão modificou-se na hora. Começou a mexer os ombros e os dedos das mãos, visivelmente desconfortável, quando disse:

– Essa é a... Lisanna – Lucy levantou uma das sobrancelhas, aguardando um complemento da amiga, que veio de maneira bastante relutante: – Ela era um membro da nossa guilda. É meio que... um tabu... falar sobre ela.

– Por quê?

– Você... Acho melhor perguntar ao Natsu.

A Heartfilia baixou os olhos para a foto, ainda em suas mãos, sentindo o mistério tomar conta de seus pensamentos. Era um membro da guilda? Por que não o era mais? Por que era um tabu falar sobre ela? E por que, diabos, ela deveria perguntar ao seu namorado sobre essa garota?

– Até que faz sentido – pensou em voz alta, crispando os lábios.

– O que?

– Eu perguntar ao Natsu sobre ela – Lucy teve que lutar contra o estranho impulso de amassar a foto. – Se ele ainda não queimou essa foto, é porque essa tal de Lisanna deve ter sido bastante importante pra ele.

A expressão de Levy dizia exatamente que tinha entendido todas as pequenas nuances sobre o assunto, e como a loira se sentia sobre isso. Foi por esse motivo que se apressou em contrariar:

– Bobagem. O único motivo pra ele não ter feito isso ainda é porque provavelmente não sabe da existência dessa foto, afinal, estava escondida aqui na caixa de segredos...

E foi bem nesse momento que a porta do armazém se destrancou com um sonoro “click” e as luzes piscaram acesas. A McGarden comemorou, enquanto corria abrir a porta e dramaticamente respirar ar fresco.

– É – comentou Lucy tardiamente, incapaz de qualquer outro movimento que não fosse guardar a bendita foto no bolso de trás da saia. – Provavelmente ele não sabe.

Mas ela sabia que era mentira. Sabia com a certeza de Horologium, o espírito do relógio. Porque, caramba, a prova estava bem na sua cara! Era quase tão difícil ignorar a pontinha da foto comida pelo fogo, quanto fingir que o gosto amargo em sua boca e a queimação desagradável em seu estômago não existiam.

Respirando fundo e massageando as têmporas, tentou pensar acima do sentimento desagradável de ciúmes. Tá, então Natsu tinha visto a foto e fora incapaz de queimá-la até o fim. E daí? Então Lisanna era especial para ele, mas, de novo, e daí? Isso não queria dizer nada. Lucy também tinha muitos amigos que lhe eram especiais. Aliás, toda pessoa tem o direito de ter vários amigos especiais em sua vida. Mas e se... E se Lisanna não fosse apenas uma amiga?

Sacudiu a cabeça, odiando-se por não conseguir desviar os pensamentos para um caminho mais fácil e feliz. “Chega! Pare com isso, Lucy” ordenou para si mesma, “Você nunca foi do tipo ciumento, e não é agora que vai começar a ser”.

Com determinação no rosto, ajeitou os ombros e virou-se, dando de cara com um peito duro e definido. Olhou para cima ao mesmo tempo em que braços musculosos a pegavam pela cintura em um abraço firme, e ao fitar aquele rosto tão masculinamente belo, sorrindo para ela como se nada mais no mundo importasse, não conseguiu conter seus próprios lábios; eles se curvaram em um sorriso tímido e logo atacaram os de Natsu com um beijo inesperado.

E naquele momento, quando o rosado retribuiu o gesto com inigualável paixão, Lucy decidiu que, de fato, mais nada no mundo importava.

Pelo menos naquele momento.

Notas finais
Então, como eu disse nas notas iniciais, tempo está virando um artigo de luxo pra mim. Essa bendita faculdade está exigindo bastante esforço, então já devem imaginar que eu não posso mais dar um prazo curto para postar o capítulo (sim, infelizmente não poderei postar de duas em duas semanas mais :c ). Só que minhas férias estão próximas (janeiro e fevereiro), aí eu prometo que normalizo as postagens, ok? . Ah, por favor, não se esqueçam de mandar reviews! Eu sei, vocês devem estar pensando "ê, vaca, nem dá conta de responder os reviews que recebe, e ainda tem a coragem de cobrar mais?", é, é mais ou menos isso... Seus reviews são a única coisa que me mantem constantemente escrevendo, sem falar no grande ânimo que eles me dão. Então, por favor, não me abandonem x_x . Beijos!