Notas iniciais
22 reviews, sériooo? *----* Estou tão, tão, tão feliz! Sim, achei que eu iria conseguir no máximo uns 4. Vocês são demais, obrigada! Então, como prometido, o capítulo saiu rápido. 1 semana é rápido, gente, acreditem, costumo demorar muito mais pra postar..No mais, boa leitura.

Capítulo II – Those Eyes.

(Aqueles Olhos)

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Natsu Dragneel nunca foi de pensar muito. Eram raras as ocasiões nas quais ele se abstraía do mundo a sua volta para mergulhar no plano turvo que eram os seus pensamentos. Mas enquanto andava pelas ruas movimentadas do centro de Magnólia, ele se pegou refletindo sobre a garota de cabelos dourados que conhecera ainda há pouco.

Lucy Heartfilia era uma incógnita em sua mente. Em primeiro lugar, só para deixar claro, ele não confiava nela. Ela era loira – o que o rosado achava extremamente atraente – e tinha belíssimas curvas, e Natsu tinha aprendido com Igneel que não se pode confiar em garotas bonitas. Em segundo lugar, ela era uma maga – ele reconhecia uma quando via -, o que a deixava duas vezes menos confiável. Se tinha algo que era mais perigoso que uma garota bonita, com certeza era uma garota bonita que sabia usar magia.

O que o deixava ainda mais desconfiado, talvez, era o cheiro dela. Aquele maldito cheiro que ele tinha certeza de já ter sentido antes parecia estar impregnado em suas narinas sensíveis. E ele odiava admitir, mas quando captara aquela fragrância agridoce de brisa, limão e morango, esquecera quase que por completo de sua verdadeira presa; Hideki Koneko.

– Nee, Natsu... – Happy, que andava silenciosamente ao seu lado, o tirou de seus pensamentos puxando-o pela barra da calça. – Você tem certeza sobre deixar aquele cara vivo?

O Dragneel piscou e ponderou de maneira rápida. Não havia conseguido concluir o trabalho dado pelo Conselho porque a Lucy-Malditamente-Cheirosa-Heartfilia tinha interferido. Ele tinha a plena noção de que era mais forte que ela, e que se realmente quisesse passar por cima dela e acabar com a vida de Hideki, Lucy não seria capaz de pará-lo.

O problema era que ele não queria. Quer dizer, como cão do Conselho, ele não se importava de eliminar alguns lixos que traziam a maldade para sua querida Magnólia, como o tal do Koneko, para em troca receber algumas informações importantes e acesso aos arquivos proibidos do Conselho. Ele só... tinha perdido a vontade de fazer o que fazia quando olhou fundo nos olhos determinados e castanhos. Era por isso que Lucy Heartfilia não era confiável, suas ações impulsivas o faziam questionar as suas próprias.

– Não é como se ele fosse viver por muito mais tempo, Happy – por fim respondeu, mostrando um sorriso leve para o parceiro.

– Mas não me pareceu que você tenha causado danos mortais nele – divagou o exceed, olhando para o céu claro e limpo de nuvens.

Natsu imitou suas ações, também fitando o véu azul.

– Hideki Koneko está muito doente – ele comentou, coçando o nariz sensível, como se lembrasse da sensação de cheirar algo desagradável. – Pude sentir o cheiro de varíola mágica nele, não dou uma semana para que seu corpo seja encontrado sem vida por aí.

– Oh – Happy manteve a expressão neutra, mas não pôde evitar pensar que Natsu havia escolhido especificamente Hideki como alvo porque ele estava prestes a sofrer uma morte lenta e dolorosa por meio da doença, e encontrar uma morte rápida nas mãos de Natsu poderia ser considerado uma bênção, nesse caso. Porque afinal... Natsu Dragneel não era uma má pessoa. Não, muito pelo contrário. Só que havia algo que estava incomodando o exceed desde a cena com Lucy. – Natsu... Você está bem?

O mago em questão piscou os olhos, incerto sobre o motivo por trás da pergunta.

– Sim, por que não estaria?

– Porque... bem... – O gato não sabia como explicar. Olhando para seu parceiro agora, ele podia enxergar uma pessoa descontraída, brincalhona, inocente e, de certo modo, boba. Nada de semelhante ao Natsu que enfrentara Hideki Koneko há duas horas. – É que você não parecia você mesmo antes, sabe?

O rosado deu uma boa gargalhada – prova de que ele já havia “voltado ao normal” – e dobrou os braços atrás da nuca em uma postura relaxada. Happy observou atentamente a expressão leve do Dragneel que em momento algum se desfez.

Eu não parecia comigo mesmo antes? O que isso quer dizer?

– Isso quer dizer que antes, quando estávamos na presença da Lucy, você estava agindo de maneira totalmente diferente do costume. Parecia meio... pervertido – o exceed usou essa palavra cuidadosamente, como se não soubesse a reação que o parceiro teria ao escutá-la, mas, na verdade, “pervertido” não o tinha descrito perfeitamente. Natsu tinha parecido pervertido sim, afinal, não era do feitio dele sair por aí abraçando a cintura e cheirando a nuca das pessoas, mas havia mais: ele tinha sido debochado, abusado e provocador.

O mago explodiu em risos, deixando a gargalhada anterior parecendo um risinho tímido. Pervertido? Ele?! Não, de jeito nenhum! Ele não era como Gray Fullbuster que arrancava a roupa em público, nem como Macao, que dava em cima de todo ser que usasse saias, muito menos como o Mestre, que não perdia uma oportunidade de apalpar bumbuns alheios. Natsu Dragneel não era pervertido. Muitos até diriam que lhe faltavam hormônios!

Riu tanto que o ar pareceu lhe faltar muito rapidamente. Quando recuperou o fôlego, pensou em dizer “você só pode estar de brincadeira, Happy”, no entanto, o choro alto de um bebê o impediu. Ao olhar para trás, avistou uma mulher tentando – sem sucesso -, fazer a criança parar de chorar.

– Megumi-chan, o que foi? – A mulher perguntava ligeiramente preocupada.

Natsu se aproximou das duas sob o olhar atento do gato, se abaixou e pegou algo do chão, depois estendeu um objeto pequeno na direção da criança.

– Você deixou cair isso, não é? – Perguntou, mostrando seu sorriso mais aberto. A criança parou de chorar no mesmo instante e se pôs a rir, balançando as mãozinhas no ar.

– Oh, muito obrigada – a mãe agradeceu profundamente logo antes de virar em uma rua qualquer. Happy sacudiu a cabeça, extremamente satisfeito. Esse, sim, era o Natsu com o qual ele estava acostumado: uma pessoa, acima de tudo, gentil.

Sua satisfação, no entanto, não durou muito. De repente, o rosado pareceu captar algum cheiro no ar e se retesou. O exceed olhou em volta, consternado enquanto via a expressão no rosto de Natsu se tornar gradativamente séria com um “que” de malícia.

– Pode sair daí, não tem porquê se esconder... – O Dragneel disse sem nem se virar. Happy observou fascinado quando uma garota de cabelos dourados surgiu das sombras de uma rua estreita. – Luigi.

Lucy corou furiosa, mas não perdeu tempo em corrigi-lo; de nada adiantaria. Andou até a dupla parada no meio do centro movimentado de Magnólia e apontou o dedo na cara do Dragon Slayer.

– Você é ridículo.

Se a afirmação da Heartfilia chateou o Dragneel, ele demonstrou isso com um sorriso de canto. O exceed azul grudou uma pata na outra, percebendo com clareza a repentina mudança no comportamento do parceiro; ali estava o Natsu diferente do costume.

– Ah, sim, por que?

– Porque... – Ela começou, encarando o olhar predatório que ele lhe lançava. – Você quase matou aquele cara a sangue frio. E me deixou lá, sozinha, para cuidar dele. E não tente me dizer que não tinha a intenção de mata-lo, porque eu pude ver no seu rosto que você tinha.

Natsu deu de ombros.

– Não me lembro de negar isso desde o começo.

– Você... Você não pode estar falando sério... — Os olhos castanhos de Lucy se arregalaram completamente. Happy olhava de um para o outro, não sabendo o que aconteceria a seguir. Ele não conhecia Lucy e aquele ali não era o Natsu comum, portanto, como em uma dificílima expressão matemática, os dois permaneciam como uma incógnita em sua pequena mente de gato.

O mago então, aparentando uma imensa calma, questionou:

– Por que está me seguindo?

– Isso é porque... — A loura engoliu em seco, sua voz vacilando um pouco. – Eu quero impedir você de matar outras pessoas. Você é um perigo andando por essa cidade, sozinho.

Quando Natsu sorriu de maneira perversa, Happy teve todos os pelos do corpo arrepiados como resultado. E ele podia afirmar que Lucy teve a mesma reação que ele. O Dragon Slayer, em passos rápidos, ficou a um palmo de distância da maga celestial, e, sem hesitação nenhuma, encaixou a palma da mão direita no topo da cabeça dela.

– Quer me impedir de matar outras pessoas quando não pode sequer me impedir de matar você? – Sua voz naturalmente rouca era como gelo. Ela e o exceed tremeram. – Você é muito hipócrita, Lucy Heartfilia. Queime.

Lucy poderia ter ficado verdadeiramente feliz porque ele enfim tinha acertado seu nome, porém tinha pensamentos mais importantes nos quais focar no momento. Como, por exemplo, aquele que gritava em sua mente “ele vai me matar”. O Dragneel estava mostrando suas presas novamente e a loira sabia estar em grande perigo.

No olhar castanho-acinzentado não havia nenhum vestígio de misericórdia; naquele momento, ele era um habitante das trevas, um verdadeiro Cão do Conselho. A percepção disso atingiu-a como um trem, e logo ela se viu esforçando-se para não derramar lágrimas salgadas; ela não lhe daria o gostinho de vê-la chorar.

– Natsu, isso não tem graça... – Happy disse, incerto sobre como agir com o parceiro. Ele nunca havia feito algo do tipo. O que tinha dado nele?

O mago não respondeu e os segundos se passaram devagar, tanto que pareceram horas para a garota quando ela começou a sentir a ardência na região da cabeça onde o rosado estava com a mão. Era uma sensação familiar, semelhante à que sentiu nas mãos quando tentara apagar o fogo que cobria o corpo de Hideki Koneko.

“É isso,” constatou, “este é o fim, ele realmente está tentando me matar”. Como o pensamento de reagir ou empurrar a mão calejada do mago nunca passou por sua cabeça, ela fechou os olhos, esperando pelo momento no qual seria consumida pelas chamas. Então ela os abriu novamente, notando que ele e ela estavam ali, naquela situação, por um tempo consideravelmente longo e que ela não estava pegando fogo.

Natsu fez uma careta confusa e recolheu sua mão, verdadeiramente surpreso. Ele piscou e olhou para o gato azul encolhido atrás de si que o fitava assustado.

Lucy, se recuperando do choque e se aproveitando do estado de confusão do Cão do Conselho, apressou-se em dar meia volta e sair correndo pela rua apinhada de pessoas, alertando-as para o perigo que o rosado representava. Não foi muito longe; mais que depressa sua mão foi agarrada por outra que a fez parar no lugar.

– Queime – era o Dragneel segurando-a, prendendo-a com a intensidade de seus olhos escuros. O pavor dominou as feições da Heartfilia. Com isso, Natsu mostrou um sorriso malicioso. – Brincadeirinha. Não vou matar você.

Ela soltou a respiração de uma vez, nem se dando conta de que havia, de fato, a mantido presa em algum momento.

– Mas você... Você realmente tentou me queimar...

O mago aproximou seu rosto do dela, causando um discreto rubor nas bochechas da garota quando sua respiração tocou os lábios femininos.

– Sim, mas você não queima de jeito nenhum.

Lucy estava, para não dizer assombrada, assustada. Ele realmente tinha tentado mata-la e ela estava aqui, incapaz de fugir dele.

– Por que...? – Conseguiu balbuciar, apesar de toda a confusão mental na qual se encontrava. Ele realmente, realmente, tinha tentado mata-la!

– Oh, eu não sei – ele deu de ombros e olhou para Happy. O gato parecia bem mais relaxado. – Sendo honesto agora, acho muito nobre sua tentativa de me fazer parar de matar, mas se livrar dessas pragas é parte do meu trabalho.

– Eu... – Ela estava nervosa, beirando um desespero frio, cadenciado. A ficha de que ele havia tentado mata-la ainda não havia caído totalmente, parecia estar sendo amortizada pela adrenalina que fluía por suas veias. No entanto, ela conseguia ter uma certeza: matar alguém, por qualquer razão que fosse, era errado e ela não queria ver o rosado se afundar nessa realidade.

O mago cruzou os braços fortes no peito musculoso e olhou para o céu, analisando a posição do sol.

– Você não tem outra coisa pra fazer, não? — E, com um estalo, Lucy se lembrou da entrevista que tinha marcado na Sabertooth; ela estava duas horas atrasada, mas ainda podia correr e ver se conseguia falar com o mestre dos tigres. Não que ela achasse que ainda tinha alguma esperança de ser aceita na guilda. Como ela não respondia, Natsu comentou: — Bem, de qualquer forma, cheguei ao meu destino, não precisa mais se preocupar com a possibilidade de eu queimar alguém pelo caminho.

E assim, sem mais nem menos, ele se virou e passou por um arco no fim da rua, onde ela podia claramente ler na placa de neon: Fairy Tail. Sim, Lucy se recordava agora de ter visto o símbolo da guilda no topo do braço forte de Natsu, só não tinha sido capaz de identifica-lo antes.

Happy deu dois passos na direção da maga e a olhou como se pedisse desculpas. Ele sentia muito, de verdade. O Dragneel nunca havia se comportado daquela maneira, muito menos ameaçado a vida de uma inocente, e o gato estava profundamente preocupado com a situação. Pretendia conversar com o Mestre sobre isso o mais rápido possível.

– Natsu... Ele é uma boa pessoa, Lucy-san. Eu ainda não entendi o que aconteceu aqui, mas não desista dele.

Quando o exceed desapareceu pelo arco de entrada da Fairy Tail, a loira cambaleou. “Natsu Dragneel... Quem diabos é você?”. Como se nada tivesse acontecido, o rosado escondia sua verdadeira natureza com um sorriso descontraído. Com um olhar frio e calmo... Lucy sentia como se seu coração fosse arrancado do peito quando o encarava.

Aqueles olhos... A chave para entendê-lo estava naqueles olhos.

Notas finais
Yo! Gostaram do capítulo? Hahaha, alguém aí quer brincar com o Natsu?.Sei que vocês devem estar tipo "poxa, cadê o romance, a sedução e os pegas fortes?" e eu peço calma. Acreditem, essa história terá muito disso, como indicado na sinopse, mas eu só não posso sair colocando isso assim logo nos primeiros capítulos porque tenho que estruturar todo um cenário para que isso ocorra. Entendem?.Bom, gente, é o mesmo esquema: quanto mais review, mais rápido vem a atualização. É muito cedo pra pedir recomendações? Hahahaha ~ Beijos, até o próximo capítulo!