Sangue Quente

8 The Two Faces Of a Man Who Lost Against Love


Notas iniciais
LEIAM AS NOTAS!.Bom, preciso dar as boas vindas para todos os leitores novos e especialmente para Gray Fullbuster, leitora nova que deixou review em todos os capítulos e recomendou Sangue Quente. Como fiquei muito feliz com a recomendação, me esforcei bastante pra escrever, consegui essa atualização rápida (apenas 3 dias de demora) e preparei uma surpresa para os leitores: esse capítulo será totalmente NARRADO PELO NATSU, e não na terceira pessoa. As frases em negrito representam a outra personalidade dele, já que ele é bipolar..Espero que gostem do capítulo e, por favor, não me matem por causa do final g_g.LEIAM AS NOTAS FINAIS TAMBÉM!

Capítulo VIII – The Two Faces Of a Man Who Lost Against Love

(As Duas Faces De Um Homem Que Perdeu Para o Amor)

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CAPÍTULO NARRADO POR NATSU

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Não foi preciso de muito para alcançá-la. Ela não andava com pressa, e eu era bem rápido. Obviamente, quando saí pela porta da guilda, ela já não estava mais à vista, porém não era uma tarefa difícil rastreá-la pelo cheiro. Lucy possuía um cheiro único e agridoce, de shampoo de morango, limão e... hmmm, sol.

Preciso confessar que adoro o cheiro de sol. Era uma essência que associava ao meu pai, Igneel. Era uma essência que fazia eu me sentir em casa, acolhido. Muito concentrado em meus sentidos, como um predador que marca sua presa, só percebi que a tinha encontrado quando coloquei as mãos em sua cintura e aspirei fortemente seu pescoço alvo.

Lucy se assustou com o toque, mas eu tinha certeza que ela sabia de quem eram aquelas mãos; a temperatura elevada presente em todos os meus membros era a minha marca registrada, e eu tinha uma teoria de que meu toque, para ela, era inconfundível.

– O que... O que você está fazendo? – Ela perguntou sem se virar, confirmando minhas suspeitas de que ela sabia exatamente quem estava ali. Ou então, talvez, ela pensasse que fosse Hibiki, mas isso significaria que os dois tinham intimidade o suficiente para ele estar acostumado a agarrá-la pela cintura e cheirar seu pescoço, em público.

Logo descartei essa hipótese; pensar nisso me dava uma coceira imensa nas mãos, que só cessaria caso eu queimasse o idiota do Lates. E, ah, me dava dor de cabeça também.

Senti vontade de ver a expressão de Lucy, mas, para ser franco, eu não queria largar sua cintura fina; não agora que ela não havia repudiado meu toque, nem lutado para se libertar. Porém, eu queria mesmo descobrir o que ela estava pensando, e eu sabia que, para deduzir isso, teria que olhar em seu rosto.

Subi as mãos para seus ombros e a girei, fazendo-a ficar de frente para mim. Apesar de gostar bastante de ficar por trás dela, concluí que gostava ainda mais de ficar frente a frente; e não, não me considero culpado por gostar de olhar para os seios realmente avantajados dela.

Ainda com as mãos nos ombros femininos, observei-a por alguns instantes, encontrando algo de interessante no rosto com feições delicadas: olhos inquietos. Ela os movimentava de maneira quase mecânica, olhando para tudo – para qualquer coisa -, menos para mim. Quando vi suas bochechas adquirirem um belíssimo tom de vermelho, percebi que Lucy estava com vergonha.

– Ah, eu te deixei escandalizada – murmurei, rindo de maneira levemente perversa; não consegui evitar.

– O que está fazendo aqui? – Ela perguntou, ainda sem me olhar.

Decidido a responder e, de quebra, escandaliza-la ainda mais, disse:

– Estou aqui para leva-la para minha casa, você sabe, para podermos fazer um bom sexo selvagem. A noite toda.

Isso definitivamente a fez olhar para mim. Observei fascinado quando o vermelho se alastrou por seu rosto inteiro e suas sobrancelhas louras se arquearam, totalmente pega de surpresa. No entanto, para ser sincero, o mais surpreso ali era eu. Não pensei muito quando dei aquela resposta, só queria deixa-la com mais vergonha, mas no momento em que a frase saiu da minha boca, percebi a veracidade em minhas palavras.

Eu queria muito aquilo. Chegava a ser absurda a intensidade com que eu a desejava naquele momento. Era tanto desejo que quase me infringia dor física; o ar começou a faltar em meu pulmão e meu nariz ardia. O que estava acontecendo comigo? Nunca antes havia sentido esse desejo arrebatador, nem mesmo quando os seios de Lucy entraram em contato direto com meu peito, durante aquela noite na qual eu entrara furtivamente em seu quarto e cheirara sua calcinha.

Minha mente compreendeu tudo isso em um instante, e meu corpo começou a reagir involuntariamente. Pela primeira vez na minha vida, eu estava imediata e completamente desperto pelo mero vislumbre de uma mulher.

Então, lá estava eu, em pé no meio da rua, de repente com uma ereção furiosa.

Olhei para baixo, para minha própria calça, com terror que alguém iria notar. Minhas mãos convulsivamente agarraram os ombros de Lucy, arrancando um suspiro profundo dela, talvez de susto. Aparentemente, eu fui incapaz de tirar o choque e o prazer da expressão do meu rosto antes que a loira notasse, porque qualquer resposta sarcástica que ela estava prestes a dar, morreu em seus doces e irresistíveis lábios.

– Você... Está falando sério? – Ela disse baixinho, desejosa, ainda parecendo um tomate maduro.

Agora era oficial: Lucy Heartfilia acendeu um sentimento primitivo e indefinido dentro de mim. Um sentimento muito, muito perigoso. Ela estava realmente cogitando a ideia do sexo selvagem durante a noite toda? Comigo?!

O sangue pulsava em minha virilha e eu mordi o lábio para conter a minha resposta imediata. Sim, estou falando muito sério, queria dizer, porque era a mais pura e simples verdade, mas não podia. Não. Eu sabia que uma das coisas que movia esse meu tesão insano, era a paixão que eu tinha por ela. Eu tinha que matar esse sentimento. Foi o que prometi a mim mesmo naquele quarto de pousada, uma semana atrás.

Desista, Natsu, você já está completamente domado por ela, comentou uma voz igualzinha à minha, só que um pouco mais perversa, dentro da minha cabeça. Lucy me chamava de bipolar às vezes, mas só agora eu percebia que era verdade. Quem estava falando, na minha mente, era minha outra personalidade, a quem eu cogitei chamar de Edo-Natsu.

Não estou domado por ela, retruquei.

Lucy ainda esperava por minha resposta. Aqueles olhos redondos e bonitos percorriam todos os traços do meu rosto, e eu não fazia ideia do que ela estava pensando. Ela queria mesmo que eu a levasse para cama? Gostava de mim? Sentia por mim o mesmo que eu sentia por ela?

Estreitei os lábios quando ela estendeu timidamente as mãos e as pousou em meu peito, por dentro do colete. Seus dedos eram delicados, e não pude deixar de imaginar o que iria sentir se estivessem envoltos em torno de uma certa parte da minha anatomia.

Bom, pensando melhor... Estou completamente domado por ela.

Foi o que eu disse, Edo-Natsu voltou a comentar. E isso é extremamente perigoso.

Por que? Eu estou começando a me cansar de me privar da felicidade. Ainda me sinto culpado por Lisanna, mas já basta!

Você costuma me deixar assumir o controle quando se depara com inimigos, e me exibiu para Lucy na primeira vez que nos conhecemos, naquele beco enquanto perseguíamos o bandido. Aos poucos você abaixou a guarda perto dela, só que o que você não entende é que ela ainda é uma inimiga.

Aquilo era ridículo. E me martirizar por Lisanna também. Estava na hora de perseguir os meus sonhos.

E o meu principal sonho, no momento, era Lucy Heartfilia.

Segurei o queixo da loira com firmeza entre o dedão e o indicador, fixando meus olhos nos dela. Pude ver o quanto brilhavam e, talvez por esse motivo, não consegui fechá-los quando reduzi à zero a distância entre nossos rostos e colei meus lábios sedentos nos dela.

Dessa vez, não me senti um ladrão; certo, esse podia ser um beijo roubado, mas era o primeiro que ela retribuía. E como retribuía! Confesso que me assustei quando ela abriu passagem entre meus lábios, com a língua. Foi uma surpresa boa, no entanto. Aproveitando que ela explorava minha boca, segurei sua nuca, trazendo-a para mais perto.

Seu gosto era tão bom quanto seu cheiro, e a mistura do paladar com o olfato atiçava meus instintos predatórios. Incapazes de manter os olhos abertos, nós dois os fechamos quase que ao mesmo tempo, sentindo a intensidade do carinho molhado. Chupei sua língua e a entrelacei com a minha, fazendo-a gemer contra meus lábios.

Não sei ao certo quando ela tomou o controle do beijo, porém isso pouco me importava. Sou naturalmente um cara controlador, que gosta de ficar no comando, mas Lucy conseguia me dobrar facilmente; ela era irresistível quando tomava esse tipo de iniciativa.

Precisei prender um gemido na garganta quando a loira enfiou as mãos nos meus cabelos e me puxou ainda mais para ela.

Eu não queria larga-la, não agora que esse beijo começava a aplacar – ou aumentar, não soube dizer – a fúria de minha ereção, mas percebi que o ar começava a faltar nos pulmões de Lucy, então encerrei o beijo com uma leve mordida em sua boca.

Ela estava corada e muito ofegante, mas mantinha um sorriso pequeno no canto dos lábios. Ela desejou por isso tanto quanto eu?

– Brincadeirinha – eu respondi a pergunta que ela havia me feito antes de beijá-la, com uma súbita determinação. – Não vou te levar em casa pra gente transar. Pelo menos não agora.

– Não...? – Eu não saberia dizer por seu tom de voz se ela estava aliviada ou decepcionada.

De qualquer forma, abri meu melhor sorriso descontraído e acariciei as maçãs de seu rosto.

– Não. Vou te levar pra comprar um vestido.

A Heartfilia franziu a sobrancelha e puxou uma lufada de ar.

– Como é? – Ela perguntou, incerta. – Você vai me levar pra comprar um vestido? – A confusão em seus olhos era grande, mas, enquanto falava, uma pitada de raiva tingiu sua face. – Pra assim eu poder usá-lo no encontro com Hibiki esta noite?

Não segurei a gargalhada que abriu caminho por minha garganta. Sabia que dar risada de sua cara a deixaria mais irritada, mas não pude evitar. Ela achava mesmo que, depois desse beijo, eu a deixaria ir em um encontro com o maldito do Lates?

– Não. Vou te levar para comprar um vestido, pra assim você poder usá-lo no encontro comigo, esta noite – expliquei, colocando uma mecha dourada atrás das orelhas femininas.

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Olha só o papelão que você está passando.

Suspirei. O Edo-Natsu não se manifestava desde que eu havia beijado Lucy, no meio da rua. E estava bom daquele jeito. A loirinha estava radiante, andava de loja em loja, me arrastando pela mão, atrás de um vestido que, nas palavras dela, “se encaixasse na ocasião”. Eu não fazia ideia de como seria esse vestido, mas mesmo assim ajudei a procurar.

Duas horas haviam se passado e nós estávamos agora em uma das últimas lojas situadas na rua principal de Magnólia. Confesso que estava quase de saco cheio e um pouco entediado, mas valia a pena porque a cada vestido que Lucy experimentava, mais perfeita ela ficava.

Tive sorte de encontrar um banquinho para me sentar, de frente para o provador que ela ocupava. A vendedora entregou um vestido a ela, branco com detalhes em rosa, e depois de um tempo a Heartfilia saiu por entre as cortinas, dando uma voltinha para me mostrar como o pedaço de pano se ajustava ao seu corpo curvilíneo.

– O que achou?

Ótimo, e agora você a deixa usá-lo como um consultor de moda. Gay, ainda por cima.

Ignorando minha parcela mental chata, mordi o lábio inferior pela vigésima vez naquele dia, praticamente tirando sangue neste momento. Era um vestido tomara que caia, e a pele de seus braços e colo pareciam pálidos e doces... Tão femininos. Do meu ponto de vista atual, eu podia ver a curva completa de seus seios, lutando contra o tecido da roupa. Fechei os olhos e imaginei o mamilo sensível rosa que enfeitava o bico, mentalizando minha língua trazendo-o à vida plena na minha boca.

Meus olhos percorreram a cintura fina e imaginei as minhas mãos segurando-a para mim, escorregando para seu traseiro perfeito e pressionando-a contra minha ereção – que, aliás, não havia diminuído um centímetro sequer.

Tive que me conter antes que minha respiração se tornasse difícil.

– Muito bom – consegui dizer. – Devia comprá-lo.

Lucy assentiu e voltou para o provador, provavelmente para tirar o vestido e colocar suas roupas de volta no corpo. Quando ela saiu novamente, entregou-o à vendedora e andou até o caixa para pagar.

Agora que tinha memorizado o que eu conseguia ver nela, minha mente tomou um caminho mais escuro. O que seria necessário, eu me perguntava, para ter Lucy Heartfilia por completo, pra ela ficar a sós em um lugar reservado – tipo seu quarto -, comigo?

Visualizei-me segurando seus pulsos acima da cabeça com uma mão, enquanto minha outra mão e boca provocavam involuntários gemidos e suspiros de prazer feminino, seu corpo contorcendo-se impotente no meu. Toda a razão perdida na sensação. Gostaria de enchê-la completamente, e vê-la gritar meu nome.

Minha virilha pulsava e me desloquei desconfortavelmente no banquinho.

Quem diria, Natsu, que você, o homem conhecido por não ter nem um pingo de hormônios, estaria fantasiando com sua inimiga, dentro de uma loja, brincando de casalzinho!

Cale a boca, rosnei.

Lucy se voltou para mim e me chamou. Quando olhei, ela estava sorrindo inocentemente, alheia ao que eu estava pensando em fazer com ela, segurando na frente da garganta um colar dourado com um pingente de rubi em formato de gota.

De repente me senti como um monstro. Eu estava louco. Essa era a única explicação. Eu tinha de alguma forma, e sem motivo aparente, estado simplesmente insano nos últimos vinte minutos. Estava, sem que a dúvida precisasse ser confirmada. Eu era um demônio delirando com um anjo.

– Adorei o colar – disse, quando finalmente consegui montar de volta minha compostura. Levantei e fui até ela, que fez um biquinho.

– Eu também, mas é muito caro. Não tenho dinheiro pros dois – ela comentou, apontando para o vestido que ela tinha acabado de pagar.

Olhei a etiqueta do preço e refleti por um momento. Não era assim tão caro, na verdade, era metade da minha parte do pagamento pelo trabalho em Clover Town. Eu não precisava de muito dinheiro para me manter, já que não precisava pagar aluguel, então tomei uma decisão impulsiva: peguei o colar de suas mãos e o entreguei ao caixa, dizendo que iria levá-lo.

Lucy me olhou com orbes arregalados.

– Está louco? Não precisa comprá-lo pra mim!

Patético, agora está dando presentinhos à ela? Qual é a sua, Natsu? Nós somos brutos, selvagens, mijamos contra o vento e não nos molhamos! Não somos românticos! Se seguir por esse caminho, as coisas vão azedar pro seu lado.

Ops, já paguei.

Então você devia estraçalhar esse colar com a boca, na frente dela. Não dá-lo de presente!

Me deixe em paz.

Com a maior delicadeza que pude reunir, levantei os cabelos loiros da nuca feminina e pousei o colar em seu colo alvo, ajeitando o fecho. O colar ficou perfeito em Lucy e ela sorriu encantada.

– Muito obrigada – ela disse.

Só de vê-la radiante desse jeito, soube que valeu a pena ficar brigando a tarde toda com minha outra personalidade. Edo-Natsu estava certo, eu era selvagem e bruto, não romântico, mas estava me esforçando para ser um homem por quem Lucy se interessaria.

Por quem se apaixonaria.

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Quando saímos da loja para a movimentação agitada da rua central, Lucy não mais sorria. Seu rosto tinha uma expressão contemplativa, muito provavelmente ela estava imersa em pensamentos. Então parou de andar abruptamente e se virou para me encarar.

– Por que? – Ela me perguntou, colocando as mãos na cintura. Mordeu o lábio inferior, percebendo que eu não estava entendendo nada. Quis eu mesmo morder seus lábios, mas me contive, sabendo que talvez ela não fosse gostar. – Por que quer sair comigo em vez de me deixar sair com Hibiki?

– Porque... — Aquilo me pegou de surpresa. O que ela queria como resposta? Que eu estava totalmente na dela? Achei que ao levá-la para comprar roupas isso ficaria bem claro. Quer dizer, só um homem muito interessado em uma mulher aceitaria tal tortura exaustiva. E ainda tinha o colar! Uma vez, Igneel me disse que dar presentes a uma mulher era uma prova irrefutável de apreço por ela. Ou, então, talvez ela queira que eu declare que morro de ciúmes só de pensar nela sorrindo para o maldito do Lates.

Antes que eu tivesse a chance de responder, uma garota passou correndo entre nós, às pressas, e derrubou a bebida escura que ela carregava em um copo, molhando e manchando o meio da blusa que Lucy usava. A garota não parou, mas pelo menos gritou um pedido de desculpas. Aquilo pareceu aplacar a irritação da Heartfilia.

Ela olhou para baixo para avaliar o estrago, e eu, como quem não quer nada, também olhei. A blusa não tinha ficado transparente como eu desejava, mas definitivamente tinha ficado muito grudada em sua pele, demarcando ainda mais os seios já enormes. Senti minha boca salivar e minha virilha começou a pulsar, novamente. Havia perdido as contas de quantas ereções eu havia tido nesta tarde.

Qual era o problema comigo?!

– Não saia daqui – a loira pediu. – Vou até um banheiro limpar isso aqui e então nós continuamos nossa conversa.

Apesar do que ela tinha pedido, a acompanhei até o banheiro público mais perto. Ela entrou no destinado às mulheres e eu me encostei na parede do lado de fora, de maneira casual, esperando por ela.

Então você vai dizer a ela que está completamente apaixonado, e que esse é o motivo pelo qual não quer que ela saia com o imbecil do Lates?

Sim, provavelmente serei sincero. Acho que não vou levar um fora, levando em consideração o jeito intenso com que ela correspondeu ao meu beijo.

Você realmente amoleceu. Que nojo.

Dei de ombros e ignorei o Edo-Natsu. Se eu pudesse ter Lucy, pouco me importava o fato de eu ter amolecido. Agora que eu havia sido trazido de volta à vida – sim, porque antes de Lucy, eu me sentia morto por dentro -, não queria mais saber de frieza, perversidade e indiferença. Também não dava mais tanta importância à promessa que tinha feito à Lisanna.

Quer dizer, nós éramos crianças na época, não sabíamos o que o futuro nos tinha reservado e não entendíamos nada sobre a vida. Desde que eu entrara na Fairy Tail, aos doze anos, Lisanna estava atrás de mim. Eu era um garoto desinteressado na vida e que dificilmente demonstrava algum tipo de afeto, já que me faltava empatia. A única que tinha minha atenção era Wendy — que na época tinha nove anos -, porque me sentia responsável por cuidar dela.

Mas, fora a Dragon Slayer do ar, eu não demonstrava o menor interesse em ninguém. Eu não reagia a nenhum tipo de estímulo externo, eu parecia – e me sentia – morto para o mundo. Mas Lisanna nunca desistiu. Estava mais do que na cara que ela era apaixonada por mim, no entanto, nenhuma de suas aproximações obtiveram êxito.

Quando ela finalmente pareceu se conformar que eu era incapaz de sentir qualquer coisa com teor romântico, por ela e por qualquer outra garota, ela me pediu que prometesse algo à ela: que eu, caso um dia pensasse em escolher uma companheira, a escolhesse. E eu prometi, já que achei que nunca me apaixonaria por alguém.

Bobagem, eu vejo agora. Por mais desinteressado na vida que eu fosse, nada foi capaz de me impedir de me apaixonar por Lucy. E perceber isso fez com que fosse mais fácil quebrar a promessa que fiz à albina. Não podia me prender nessa bobagem para sempre; afinal, fazia quatro anos desde que Lisanna desapareceu.

Encostei a cabeça na parede e fechei os olhos, sentindo-me muito mais leve agora que havia decidido colocar tudo em pratos limpos com Lucy. Quase sem querer, meus ouvidos sensíveis captaram uma conversa interessante de dentro do banheiro feminino.

– Ei, você ouviu que Hibiki Lates está na cidade? – Perguntou uma garota.

– Sim! E você viu quem está lá fora do banheiro? O Salamander! – Respondeu outra garota, mal conseguindo esconder a empolgação na voz.

– Ouvi dizer que os dois tem uma rivalidade muito grande, será que desta vez vão entrar em conflito direto?

Parei de ouvir a conversa imediatamente. Tinha até me esquecido que esse maldito do Lates estava na cidade, e que havia convidado a minha loira pra sair. Meus punhos ardiam em chamas só de pensar nisso.

Percebi que Lucy estava demorando bastante quando as duas garotas que conversavam sobre minha rivalidade com o modelo babaca saíram do banheiro. Uma delas olhou em volta e veio até mim, segurando algo em sua mão fechada.

– Acho que isso é seu – ela disse, abrindo a mão e me entregando uma corrente dourada.

Era o colar com pingente de rubi em forma de gota que eu havia dado para Lucy hoje mais cedo.

– Mas que merda...? – Murmurei, confuso.

– Uma garota no banheiro jogou isso no chão, do nada, dizendo algo como “Salamander bastardo, por que tinha que estragar tudo?”. O colar era muito bonito para ficar no chão e achei que isso podia ter alguma relação com você... Como minha amiga havia te visto aqui fora, achei melhor te entregar.

Não agradeci, nem nada do tipo. Apenas assenti e apertei a corrente dourada na mão, incapaz de dizer qualquer coisa. As garotas se afastaram, olhando-me de soslaio, mas mal notei. O que havia acontecido ali? Por que Lucy jogaria o colar fora?

Parando para me concentrar em meus sentidos aguçados, percebi que o cheiro da loira havia se afastado bastante dali; ela devia ter pulado a janela do banheiro e corrido. Corrido para longe de mim.

Que porra!

Eu tinha feito algo de errado?

Vasculhei minha mente atrás de algo que poderia tê-la magoado, mas não encontrei nada. Ela havia simplesmente fugido sem motivo aparente, largando o colar propositalmente para trás. Me largando para trás.

Uma pontada forte e estranha dilacerou meu peito. Oh, então é isso o que chamam de coração partido? Fiquei surpreso por sentir isso, já que um dia cheguei a cogitar que não tinha um coração. Mas essa dor... Essa dor era um lembrete de que eu era humano.

Que eu era vulnerável.

A ideia de parecer fraco me corroeu por dentro. Uma raiva insana e cega começou a tomar conta da minha cabeça, e eu sabia que ela vinha da minha outra parcela mental, aquela que era mais perversa e menos humana. Eu estava muito perto de ceder o controle para minha outra personalidade.

Isso, me deixe assumir. Vou correndo atrás da loira, queimando tudo em meu caminho, e então ela vai se arrepender. Eu te disse que ela era nossa inimiga!

Não, consegui, por pouco, me conter. Eu já estava com dor... No peito e lá embaixo. Eu não queria fazer mais nada, só voltar para casa. Fechei as mãos em punhos e cerrei os dentes.

Deplorável, essas eram as duas faces de um homem que perdeu para o amor.

Notas finais
E aí, palpites do porque a Lucy fugiu e deixou o colar pra trás? Gostaram do Natsu super pervertido, mas ainda assim, romântico? Decepcionados com a promessa que ele fez à Lisanna?.Se gostaram da narração do Natsu, por favor, me avisem. Assim posso programar mais alguns capítulos sob a visão dele :DD.Faltam apenas duas semanas para eu entrar de férias, e como é fim de semestre, não posso garantir que vou conseguir postar o próximo capítulo antes do dia 19, maaaaaaaas se eu ganhar bastante reviews e, quem sabe, recomendações, posso fazer um mega esforço e tentar postar nesse fim de semana (não, isso não é uma ameaça, é apenas um incentivo. Não é mistério que consigo escrever muito mais rápido quando sou motivada a isso HEHEHE)