Sangue Quente

9 Like a Caveman


Notas iniciais
Olá, lindjos e lindjas que acompanham Sangue Quente. Queria muito agradecer a todos os que mandaram review no capítulo passado, fiquei nas nuvens '3' .Preciso dar um agradecimento especial para as lindjas Babi e NamiSwan, que deixaram recomendações maravilhosas. Saiba que vocês me incentivaram pra caramba, e esse capítulo está um pouco maior por causa de vocês :DD.Boa leitura, gactos!

Capítulo IX – Like a Caveman

(Como um Homem das Cavernas)

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Hibiki Lates não poderia estar mais surpreso. Ou mais puto da vida.

Quando Happy o pediu para chamar Lucy Heartfilia para sair, a fim de provocar ciúmes em Natsu Dragneel, não poderia imaginar que seu rival tomaria uma atitude tão rápido; mas lá estava o Dragon Slayer, bem no meio da rua, beijando loucamente a loirinha. O casal estava tão concentrado nos lábios um do outro que nem deve ter percebido a salva de palmas proveniente das pessoas que andavam a sua volta.

Era deprimente porque aquele beijo mudava tudo. Se Natsu já havia tomado uma atitude quanto àquela mulher, o modelo não tinha mais motivos para levá-la em um encontro. O que significava que a oportunidade de irritar o mago havia acabado de se perder.

Ah, não, isso ele não podia aceitar!

Hibiki perdeu as contas de quantas lojas o casal entrara, porém, quando se deu conta de que Lucy tinha achado e comprado a roupa que estava procurando, resolveu tomar as rédeas da situação. Ia fazer Natsu sofrer e se irritar mais um pouco, só pra variar.

Foi até uma garota que estava do outro lado da rua, tomando suco de uva em uma lanchonete, acompanhada de duas amigas, e lançou seu melhor sorriso de modelo. As três estavam na dele em poucos segundos, e ele não hesitou em pedir algo à elas:

– Está vendo aquela loira ali? – Se dirigindo para a que tomava o suco, apontou para a garota no caixa da loja que apreciava um colar com pingente de rubi. – Você podia, eu sei lá, passar correndo por ela e...

Não foi necessário terminar a frase; a garota já estava assentindo, captando o resto da mensagem com um sorriso no rosto. As outras duas pareceram decepcionadas por Hibiki não pedir nada a elas, mas o modelo logo tratou de mudar isso.

– E vocês... Bom, vocês podiam entrar naquele banheiro, quando a loira estiver lá dentro, e encenarem um diálogo... Não se preocupem, eu tenho as falas aqui comigo.

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O banheiro aparentemente estava vazio, exceto por uma cabine que estava ocupada. Lucy, assim que entrou, ajeitou a sacola com o vestido no braço, apoiou as mãos na borda da pia e se encarou insistentemente no espelho. Sua respiração estava ligeiramente descompassada, suas bochechas encontravam-se coradas e os grandes olhos castanhos estavam arregalados com as possibilidades que via diante de si.

Natsu estava prestes a se declarar pra ela. Por muito pouco ele não o fizera. Ela sentia isso. Seu inconsciente pulava, feliz, enquanto cantarolava uma marcha da vitória. O momento era perfeito, e ele estava encabulado. Uma gracinha. Lucy queria ter apertado suas bochechas, mas então aquela garota maluca surgiu do nada e derrubara uma bebida escura em sua blusinha branca.

Isso não era justo.

Acalme-se, Lucy, pensou consigo mesma, ele ainda vai estar lá quando você sair. E, se o destino conspirar a seu favor, ele ainda vai estar disposto a falar de sentimentos.

Por falar em sentimentos... Seus olhos pousaram na imagem refletida do colar em seu pescoço. Era lindo. Uma das joias mais bonitas que ela possuía. Não por ser a mais elegante, ou a mais sofisticada, mas sim por ser um presente dele. Inconscientemente, colocou a mão sobre o pingente do colar e o percebeu melado, assim como sua pele logo abaixo. Merda, aquela bebida maldita estava começando a grudar.

Levou os dedos ao fecho da corrente e o desprendeu, segurando o colar na palma de uma mão enquanto abria a torneira e se limpava com a outra. Não levantou os olhos quando duas meninas falantes entraram no banheiro e se colocaram ao seu lado na pia.

Elas soltaram uma risadinha e prosseguiram com a conversa:

– Ei, você ouviu que Hibiki Lates está na cidade? – Perguntou uma das garotas.

Lucy as olhou pelo espelho quando ouviu o nome do modelo. Apesar de sentir uma pontada de culpa por ter se esquecido de Hibiki durante a tarde maravilhosa que passou com Natsu, não se sentiu mal em decidir que não compareceria ao encontro dessa noite.

– Sim! E você viu quem está lá fora do banheiro? O Salamander! – Respondeu a outra, esfregando as mãos umas nas outras, claramente empolgada.

A maga celestial estreitou os olhos, subitamente se irritando pelo modo íntimo com que a garota se referia a Natsu. Salamander, ela sabia, era um apelido concedido a ele pelo Conselho Mágico, e não tinha nada de íntimo nisso, mas suspeitava que mesmo que a menina se referisse a ele pelo sobrenome, ela acharia íntimo.

Adivinha porque ele está lá fora, querida. Isso mesmo, ele está me esperando. Lucy não podia evitar, no fundo ela era uma psicótica ciumenta.

– Ouvi dizer que os dois tem uma rivalidade muito grande, será que desta vez vão entrar em conflito direto? – Emendou a primeira.

Ouch. Aquela frase foi capaz de proporcionar um belo de um aperto no coração da loira. Então Natsu estava atrás dela por conta da rivalidade que tinha com Hibiki Lates? O que ela era? Um tipo de troféu, uma prova da vitória de um sobre o outro?

Apesar da pontada de raiva e a porrada violenta de mágoa que brotou em seu cérebro, Lucy decidiu não botar a carroça na frente dos bois. Não tiraria nenhuma conclusão enquanto não colocasse essa história em pratos limpos com o rosado; já havia se precipitado uma vez naquele dia, não queria pagar papel de boba de novo.

Ao final de sua limpeza precária, mas decidindo que era o suficiente, a Heartfilia se ajeitou em frente ao espelho para prender o colar em volta do pescoço, no entanto, com um clique metálico, a porta da cabine ocupada atrás de si se abriu, e de lá de dentro surgiu ninguém mais, ninguém menos, que Hibiki Lates, o supermodelo.

Que merda ele estava fazendo ali, dentro do banheiro feminino? O choque foi tão grande que a mão de Lucy afrouxou o aperto que exercia sobre o colar, e a peça caiu ruidosamente no chão. O baque alto pareceu despertá-la do estupor, mas enquanto abaixava para pegar a joia, Hibiki se moveu muito rápido e a agarrou por trás, tapando sua boca.

No momento seguinte, ele a havia arrastado pela janela do banheiro e agora corria para longe com ela nos ombros. Lucy fechou os olhos e socou com força as costas do modelo, porém ele não pareceu se importar. Apesar de esbelto, notava-se que era um homem muito forte. Só que isso não fazia a situação ser menos vergonhosa.

Ou menos insana.

Quando seus pés tocaram o chão, ela percebeu que estavam na frente de seu prédio. Hibiki estava ofegante, mas sorria lindamente, satisfeito. Com o que, Lucy não sabia. Levou poucos segundos para a loira externar a raiva que sentia.

– Mas que porra foi essa, Hibiki? Qual é o seu problema? Resolveu brincar de ser um troglodita? – Ela continha a voz para não gritar, mas isso não fazia seu tom ficar mais suave. — Só que ao invés de me arrastar pelo cabelo, me levou nos ombros, pelo menos!

Hibiki não conseguiu conter o riso. Deixar uma Lucy irritada estava lhe saindo mais divertido do que irritar o Dragneel, porque o rosado tinha a tendência de ficar muito violento, e a loira atacava com tiradas inteligentes e ácidas.

– Eu vi você com o Dragneel, então tive que tomar medidas básicas – ele disse simplesmente.

– Medidas básicas? Você... Você me sequestrou! Isso se encaixa mais em medidas drásticas – ela acusou, apontando um dedo na cara dele e dando um passo para trás. – Natsu deve estar morto de preocupação.

Algo brilhou no fundo dos olhos escuros do modelo.

– Você vai ter que me desculpar, mas acabei ouvindo a mesma conversa que você ouviu no banheiro. Não vê que ele só foi atrás de você pelo simples motivo de nós termos marcado um encontro esta noite? Ele não deve estar morto de preocupação, na verdade, ele deve estar puto por você não ter caído na conversa dele.

Lucy sacudiu a cabeça, tentando conter o estrago que essa afirmação venenosa causou em seu interior. Aquilo não podia ser verdade. Não, Natsu não chegaria tão baixo a esse ponto... Mas até que fazia sentido. Quer dizer, ele só tinha tomado uma atitude quando soube que ela sairia com seu rival.

Ele teria feito a mesma coisa se ela fosse sair com qualquer outro cara?

Talvez seja apenas ciúmes, a parte mais deslumbrada de sua mente pensou, porém Lucy tinha dificuldades em acreditar nessa parte em específico.

– Mesmo assim, nada justifica você ter me sequestrado de dentro de um banheiro feminino – ela havia cruzado os braços e estava impaciente, nervosa até.

Hibiki não hesitou em sua explicação:

– É que, ao vê-la com aquele imbecil, eu soube que ele estava fazendo de tudo para melar nosso encontro. E você sabe como minha agenda é apertada, não posso me dar ao luxo de não sair com você hoje.

A frase pareceu amenizar a raiva da loira, porque de fato ela se sentia culpada por ter que dar um bolo no modelo. Suspirando e apertando a ponte do nariz, tranquilizou Hibiki, dizendo que o encontro ainda estava de pé, mas só como amigos. O modelo não pareceu gostar muito dessa parte, mas concordou. Ela não queria que ele criasse falsas expectativas, pois tinha quase certeza de que estava completa e irrevogavelmente apaixonada por Natsu Dragneel.

A Heartfilia só foi perceber que algo estava faltando quando Hibiki se despediu e foi embora. O colar. O primeiro presente que havia ganho de Natsu não estava mais em seu pescoço. Com um flash de memória, lembrou-se de tê-lo derrubado no chão do banheiro público. Torcendo para que a joia ainda estivesse por lá, apesar de muito improvável, fez o caminho de volta para o centro, correndo.

Talvez, se tivesse sorte, ainda estaria lá.

E talvez, se tivesse mais sorte ainda, Natsu também.

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Não estava.

Havia quatro mulheres no banheiro, mas nenhuma delas eram as garotas de antes, e nenhuma delas havia visto Natsu, muito menos o colar. Suas mãos tremiam levemente e lágrimas quentes começaram a se juntar no canto dos olhos. Apesar de pertencer à ela há pouco tempo, aquela joia havia adquirido um significado muito especial.

E era um presente dele.

Será que isso era um sinal de não existia nada de mais entre os dois?

Sacudiu a cabeça, tentando afastar esse tipo de pensamento. Tal possibilidade era dolorosa demais para se contemplar. Ela queria encontrar Natsu e dizer que por ela estava tudo bem se ele a visse apenas como um troféu, porque realmente não mudava o modo como se sentia sobre ele, apesar de magoar. Para ser sincera, ela só queria abraça-lo e chorar pela perda do colar, escutando ele lhe dizer para não ficar tão chateada, porque afinal era só um objeto e o que importava de verdade era o sentimento que ele tinha por ela.

Logo percebeu que essa era uma situação impossível, em primeiro lugar, porque Natsu provavelmente tinha ido para casa, e ela não sabia onde ele morava. Em segundo lugar porque nem sabia ao certo se ele, de fato, sentia algo por ela.

O caminho de volta ao apartamento demorou mais do que ela gostaria e, quando entrou, estava se sentindo muito cansada. Deixando a cabeça vazia de pensamentos, largou-se desleixadamente em cima da cama e fechou os olhos. Quando os abriu novamente, percebeu que já havia escurecido, e que muito provavelmente era hora de se aprontar para o encontro.

Ao sair do banho, observou com um sorriso triste o pacote que deixara na cama. O vestido tomara que caia branco com detalhes em rosa era absolutamente divino, mas Lucy não sentiu vontade de vesti-lo. Não havia motivos para usá-lo, também. Aquele era um vestido comprado para sair com o Natsu, seria muita sujeira de sua parte usá-lo em um encontro com outro cara.

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– Hibiki, tá na escuta? – Perguntou Happy pelo walk talk mágico que segurava com as patas. Ainda faltava um tempinho para anoitecer e ele queria testar seus novos instrumentos para poder finalmente colocar em prática a terceira fase do plano.

Hibiki, do outro lado da cidade, ajustou o receptor mágico que colocara em uma das orelhas e respondeu:

– Sim! Tá certo, o que eu preciso fazer, exatamente?

O exceed olhou em volta. Estava tranquilamente sentado em sua rede, no meio da sala/quarto que dividia com Natsu. Perto dele, Charles e Wendy escutavam atentamente a conversa.

– Basicamente, você tem que ser um babaca, mas não tão babaca. Entendeu?

A gata branca fechou os olhos e balançou a cabeça negativamente, indicando que a frase estava confusa. Happy fez uma careta triste pela desaprovação da outra e Wendy resolveu interferir:

– Hibiki-san, você tem que deixar a Lucy-san um pouco entediada. Por exemplo, durante o jantar inteiro, fale só sobre você mesmo e, quando ela comentar algo, fale por cima dela – a Dragon Slayer do ar usava um tom de voz tranquilo e muito sereno. – Sabe, você tem que ser esse tipo de cara babaca. Mas não tão babaca ao ponto de ser grosseiro e mal educado, só seja egocêntrico e metido.

O modelo ficou alguns segundos em silêncio, provavelmente pensando sobre o assunto. Depois, falou em um tom divertido:

– Muito embora seja impossível alguma mulher ficar entediada na minha presença, vou fazer o possível.

Os dois gatos e a garota soltaram sons de aprovação, então Wendy estancou, apurando os ouvidos. Ela murmurou algo como “Natsu está vindo” e Happy não poupou agilidade em desligar e esconder o walk talk.

O Dragneel entrou na cabana de pedra e madeira como um furacão. Sua face estava fechada para o mundo, mas seus olhos transmitiam o cansaço que sua alma sentia. O exceed azul fez uma careta preocupada; ele queria que Natsu ficasse mexido ao saber que Lucy sairia com outro cara, mas não era sua intenção que ele terminasse tão acabado assim.

Aquela era a aura de um homem derrotado.

– Você está bem, Natsu? – Ele perguntou, observando o rosto do parceiro.

O rosado retribuiu o olhar, mas era um gesto sem vida.

– Sim, estou ótimo.

Wendy, Charles e Happy se entreolharam rapidamente, e logo o gato azul trabalhava para levantar o ânimo do parceiro. Afinal, se Natsu desistisse e não impedisse o encontro, todo o plano ia por água abaixo.

– Bem, você não parece ótimo. Já sei! – Ele bateu uma pata na outra. – Vou te preparar um peixe delicioso, você vai adorar!

O Dragneel finalmente esboçou alguma reação, bufando audivelmente.

– Pode parecer loucura pra você, Happy, mas peixe nunca é a solução.

O exceed parecia como se tivesse acabado de levar dois socos no estômago e um chute na virilha. Tentando esconder a mágoa em sua voz, argumentou:

– Mas jantar sempre é a solução!

Wendy, preocupada com o estado de espírito de seu “tutor”, resolveu se manifestar também:

– Happy está certo, jantar sempre é a solução – sorriu, mesmo não concordando. Ela só estava dizendo isso porque sabia que comida era o que geralmente o deixava feliz.

Natsu olhou de um para outro, suspirando vez ou outra, como se tentasse arrumar ânimo para poder pensar sobre comida. Aquilo era muito antinatural, principalmente se o fato dele não ter almoçado naquele dia contasse. Então, seus olhos castanho-acinzentados se tornaram opacos, mas, ao mesmo tempo, como se fosse possível, um tipo de brilho tomou conta deles.

Suas feições masculinas se endureceram e, de repente, o ambiente foi carregado com uma intensidade extremamente incomum. O sorriso perverso não tomou conta dos lábios finos do mago, mas Happy sabia que quem estava diante deles era o Edo-Natsu.

– Vocês têm razão – o rosado disse calmamente antes de se virar para a porta pela qual havia entrado há poucos instantes. – Jantar sempre é a solução.

E então ele saiu.

– O que deu nele? – Perguntou Charles.

Happy deu de ombros, mas no fundo sabia que o parceiro estava sério sobre tomar uma atitude quanto à Lucy. O gato não duvidava que ele estava indo agora mesmo estragar o encontro, e pela aura perversa que emitia, todos teriam sorte se ele apenas queimasse o restaurante.

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Por mais idiota que pudesse ser, uma parte de Natsu ainda mantinha a pequena esperança de que Lucy não aparecesse naquele maldito encontro. Seu eu bacana quase preferia que ela estivesse desaparecida.

Seu eu perverso desejava ela morta. Ao lado do cadáver de Hibiki Lates.

Para o azar de todos eles, o Natsu bacana estava cansado e emocionalmente instável, o que conferia carta branca ao Edo-Natsu. Bem, vamos colocar algo como carta “parcialmente” branca, porque seu eu perverso ainda podia sentir algumas restrições e amarras vindas de seu eu bonzinho.

Ele sabia que não conseguiria matar Lucy; por mais que quisesse, o outro Natsu não permitiria. Mas sobre acabar com a raça do modelo, as duas personalidades não entravam em conflito.

Está decidido então.

Foi relativamente fácil achar o restaurante no qual os dois jantavam. Além de ser o mais chique de Magnólia, o cheiro da loira estava impregnado por todo o local. Eles estavam sentados em uma das mesinhas do lado de fora, provavelmente para observarem as estrelas enquanto a vela entre os dois queimava.

Ver aquela vela acesa e o momento ridiculamente romântico fez o Natsu bonzinho ganir, mas, como quem estava no controle era sua outra personalidade, Natsu simplesmente rosnou, desejando mais do que nunca poder queimar algo com sua magia.

Lucy estava muito bonita, ele tinha que admitir. Ela era como um farol em uma noite muito escura, mas não estava usando o vestido que o Natsu patético havia ajudado a escolher. Esse simples fato fez a personalidade boazinha ganhar algum ânimo, tentando tomar de volta o controle do corpo.

Fixando o olhar castanho-cinzento no casal que jantava, o Dragon Slayer percebeu que a Heartfilia parecia entediada, mas tentava sorrir a todo custo. Hibiki levou uma das mãos à bochecha da loira e a acariciou. Natsu arregalou os olhos e trincou os dentes.

Nós ainda não demos um jeito naquele pedaço de merda que se acha um modelo, lembrou sua personalidade ruim. Em um breve momento de concordância entre suas duas mentes, o rosado não hesitou ao lançar um Karyuu no Houko (Rugido do Dragão de Fogo) na direção exata do restaurante. A grande bola de fogo atingiu o telhado do estabelecimento, mas não chegou a se alastrar.

Lucy e Hibiki, como eram os únicos clientes do restaurante naquela noite por causa da reserva vip do modelo, não causaram tanto alvoroço ao se levantarem rapidamente, derrubando as cadeiras no processo. Os olhos de ambos estavam arregalados, e foi com essa cena que Edo-Natsu se deparou ao fazer sua grande entrada.

A maga celestial não sabia o que pensar. Que diabos?

– Natsu...?

– É melhor não falar comigo por enquanto, Lucy, ou então as coisas vão ficar piores pro seu lado. Vamos resolver isso em casa — ele sequer dispensou um olhar em sua direção. Suas orbes escuras estavam exclusivamente fixadas na figura assustada de seu rival. – Mas com você, Hibiki, vou resolver isso aqui. Nossa rixa acaba agora, porque não existe rivalidade sem um rival.

O modelo engoliu em seco, e a loira, apesar de estar tremendo por causa da situação, tentou se colocar em sua frente. Um empurrão fraco foi o que a lançou para o lado, e o Dragneel já avançava pra cima do Lates. Apesar do rosado saber que o rival era capaz de usar magia, resolveu lutar de punhos nus. Não queria saber de magia nenhuma reduzindo o toque de pele contra pele.

Nesse caso, a pele de suas mãos fechadas contra a pele do rosto de Hibiki.

Natsu tinha que admitir que o outro era corajoso e ágil. O modelo conseguiu desviar de alguns poucos socos, mas não choramingou quando começou a levar uma surra. O Dragon Slayer, na arte da luta, era muito superior a ele. Só lamentava o fato de que provavelmente seu rosto terminaria todo deformado, e isso arruinaria sua carreira por pelo menos meses.

Isso se tivesse sorte.

O mago continuava a soca-lo em um momento de ira insana e cega, mas então, sem mais, nem menos, o punho de seu adversário fora parado no ar, à meio caminho de seu rosto. O que havia segurado Natsu era o espírito estelar de um touro, Taurus. O rosado virou lentamente a cabeça e avistou Lucy, descabelada e gloriosa, segurando uma chave de ouro nas mãos.

– Que merda você está fazendo, Natsu? Ficou louco?! – Ela gritava, sem se importar em esconder o desespero na voz. Qualquer observador de fora seria capaz de dizer que ela estava preocupada com Hibiki, e não com medo por ela mesma.

Saber que a Heartfilia não tinha medo dele fez com que sua raiva perdesse combustível, no entanto, o sentimento que abriu espaço por ele foi a indignação.

– Você está do lado desse merda, Lucy? Sério mesmo? – O rosado perguntou de maneira seca, sibilada. – Está do lado do cara que só está te usando para me provocar?

A loura engoliu em seco e piscou, gaguejando um pouco quando disse:

– E-Engraçado, p-porque ele disse exatamente o mesmo sobre você – respirou fundo para se manter mais calma. – E ele não foi o único, aquelas meninas no banheiro disseram também que...

Um brilho perigoso ardeu nos olhos castanho-acinzentados, e um sorriso de desgosto delineou seus lábios masculinos.

– Então foi por isso que você fugiu.

– E-Eu não fugi.

Natsu saiu da posição de ataque e Lucy, um pouco mais aliviada, cancelou a invocação do espírito. Hibiki relaxou visivelmente no chão, sem nem se levantar. Ele não estava tão acabado quanto ela achou que estaria; apesar de ser modelo, o Lates também possuía magia, o que o deixava mais resistente.

– Pois não foi o que pareceu – batendo a poeira das roupas, o rosado olhou para cima e viu que o fogo no telhado começava a se alastrar para o resto do estabelecimento. Com um suspiro, sugou de volta suas chamas, mal observando o estrago feito. – Mas não importa mais, vamos logo.

Percebendo o rumo que as coisas estavam tomando, Lucy firmou os pés no chão. Para Natsu, foi como se ela não tivesse feito absolutamente nada; quando ele a puxou pelo braço, ela não foi capaz de ficar no lugar.

– O que você tá fazendo? – Ela resmungou enquanto tropicava atrás do mago. – Me solta!

– Solta ela, Dragneel – disse Hibiki, ainda largado no chão. Era admirável sua coragem, mas a Heartfilia ficou aliviada quando o rosado apenas o ignorou.

– Estou te levando pra casa – o Dragon Slayer respondeu, seco. — Já que é só te deixar sozinha por alguns minutos que os abutres atacam.

– Pare de agir como um homem das cavernas — ela exigiu, tentando se livrar do aperto das mãos férreas em seu braço. – Pode parar, não gosto desse seu “mim Natsu, você mulher de Natsu”.

– Não exagera.

Puxando com toda a sua força, Lucy cambaleou para o lado e Natsu se viu obrigado a soltá-la para que ela não caísse de bunda no chão. Com a expressão do rosto definitivamente severa, apontou para os dois homens participantes da cena.

– Eu vou voltar pra casa agora e, quanto a vocês dois, se resolvam com o dono do restaurante sobre aquilo – ela apontou para os estragos no telhado e nas mesas. Depois, se virou para a rua e começou a marchar rapidamente. – Se algum dos dois me seguir, vai aturar o maior ataque de pelanca que existe no mundo: o meu.

Pouco tempo depois, quando ela virou a esquina e saiu das vistas dos rivais, o dono do restaurante saiu às pressas para a calçada, completamente desesperado, querendo saber o que havia acontecido com seu amado estabelecimento.

– Põe na conta do Conselho – Natsu sugeriu, colocando as mãos nos bolsos da calça e andando pelas ruas em direção ao apartamento de Lucy.

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A Heartfilia não foi diretamente para casa; não estava com vontade. Precisava extravasar os sentimentos confusos que cresciam em seu peito. Quando encontrou um parque ali perto, não hesitou em se sentar em um dos bancos de madeira.

Estava furiosa com Natsu, com suas atitudes, mas ao mesmo tempo, não podia evitar a satisfação que se apoderou subitamente de seu coração. O que o rosado havia feito era inaceitável. Queimar um restaurante e bater à exaustão em seu acompanhante havia sido uma atitude infantil, descontrolada e extremamente violenta, desnecessária.

O Dragon Slayer do fogo estava se mostrando uma pessoa terrivelmente possessiva, mas o que mais a assustou era o fato de ter gostado dele assim. Havia uma parte de si mesma que queria ser completamente dominada por ele, e isso a fazia satisfeita porque acabava se sentindo desejada.

Desejada pelo homem que ela começava a amar.

Droga!

A brisa fria da madrugada a alertou para o fato de que tinha se passado bem mais de duas horas. Perdida na noção do tempo, a Heartfilia fez seu caminho de volta para casa e, ao entrar em seu apartamento, deparou-se com uma surpresa gostosa, que espalhou uma dose de felicidade pelo corpo feminino.

Ali, deitado em sua cama enquanto ressonava tranquilamente, Natsu dormia.

Notas finais
E então, vocês acham que a Lucy vai jogar o Natsu pra fora da cama e chutá-lo até a porta da frente?.Sei que muitos queriam hentai nesse capítulo, mas preciso estruturar uma boa relação entre o casal principal pra esse tipo de coisa poder rolar. Mas não se preocupem, não vai demorar muito pra isso. No máximo, em três ou quatro capítulos..Mandem reviews e recomendações para me deixar empolgada, assim mergulho de cabeça nos próximos capítulos e posso postá-los ainda na semana que vem '3'.Beijos!