Sangue Quente
18 The Snake Charmer
Notas iniciais
Capítulo XVIII — The Snake Charmer
(A Encantadora de Serpentes)
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CAPÍTULO NARRADO POR LUCY HEARTFILIA
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Ofegante, eu corria por minha vida.
Para ser sincera, não podia fazer mais nada além disso. A não ser, é claro, olhar para trás pra controlar a distância entre mim e meu perseguidor enraivecido. Descabelada e com o coração a mil, tentei entender como a situação tinha chegado nesse ponto crítico.
A parte desativada da cidade de Magnólia era grande, ocupando quase vinte quarteirões. Raramente tinha iluminação nos postes de luz; a maioria estava quebrada. A pintura das casas abandonadas descascava sem dó, mostrando para qualquer um que se aventurasse por lá que as pessoas não habitavam mais aquela área.
Exceto pelos bandidos, pensei. Há bandidos de sobra por aqui.
E era esse o trabalho que eu e meus amigos – o assim chamado “time mais forte da Fairy Tail” – havíamos aceitado; prender o líder do grupo de bandidos que se refugiava em Silver Clock, a área abandonada.
A princípio, eu havia achado o papel com a proposta do trabalho dentro da minha bolsa, muito provavelmente uma providência de Mirajane, e o aceitado para realiza-lo sozinha, mas Natsu, com seu pensamento – até que bonitinho, confesso – de homem das cavernas, insistiu em vir junto, porque, segundo ele, “não é seguro que eu tire os olhos de você sequer por um instante”.
Não demorou muito para Happy se alistar – depois de despertar do mini coma causado por mim – e, movida por um desejo súbito de meter porrada em bandidos, Erza Scarlet impôs sua presença. Então não foi surpresa nenhuma quando Gray, Wendy e Charles também apareceram por lá.
Eu gosto da companhia dos meus amigos, apesar de desejar ficar a sós com Natsu por uma tarde. No entanto não era esse o motivo que fez eu me arrepender de ter aceitado esse trabalho.
Eu estava arrependida porque as coisas tinham saído, e muito, do controle.
Era pra ser um trabalho fácil para nosso grupo, mas então, do nada, estávamos numa pior. Acabamos descobrindo de um jeito bem ruim que não era apenas um grupo de bandidos; eram dois. E eles não eram bandidos comuns; eram magos. Até aí, tudo bem, erámos mais do que capazes de dar conta, porém nos deparamos com dificuldades em encontrá-los naquela área enorme, e a noite caiu.
Decidimos fazer uma fogueira e montar acampamento no meio da praça principal, que possuía um enorme relógio de prata escurecida, ao qual dava o nome à área. Aparentemente, nos tornamos um alvo fácil, e muitos desses bandidos partiram pra cima da gente. Não eram fortes, mas eram muitos.
A luta durou quase uma hora e o meu poder mágico se esgotou.
Não sei ao certo quando aconteceu, mas no momento em que percebi, eu estava sozinha, totalmente esgotada de magia e correndo por uma rua escura entre barracões desativados.
Eu tinha que correr porque havia um mago bandido atrás de mim, louco para se vingar do corte que Taurus, o espírito de Touro, havia talhado em seu rosto.
Era irônico porque, quando eu mais precisava que Natsu agisse como um homem das cavernas e me defendesse a todo custo, ele não estava por perto.
– É melhor parar de correr, loirinha – vociferou o bandido, sua raiva insana estava estampada em seu rosto arruinado. – Ou então sua punição será pior ainda!
Senti lágrimas quentes se acumularem nos cantos dos olhos e o pulmão ardia fatigado, mas não parei de correr. Eu não era ingênua ao ponto de acreditar em suas palavras raivosas; se eu parasse de correr e ele me pegasse, seria o fim.
Era correr ou morrer.
Virei na esquina do beco e apertei o passo, porém, como estava distraída, não vi as caixas de papelão que se amontoavam por ali e tropecei, caindo de cara no chão e ralando as mãos e os joelhos.
Aquilo doeu bastante. Minhas mãos esquentaram e eu senti o ardor se espalhar pelo resto do braço; havia alguns cortes nas palmas que sangravam. Os joelhos não estavam em situação melhor. Ouvi os passos do mago logo atrás de mim e sua risada perversa ecoou pelas paredes altas do beco.
Encolhi-me e olhei para cima, soluçando...
Foi então que notei Natsu do outro lado da rua, de costas para mim, encarando o bandido, seus olhos brilhando perigosamente. Dar de cara com ele ali me causou uma reação abrupta, como um sopro gelado em um machucado recém aberto. Perdi o fôlego e meu coração se acelerou, meu corpo inteiro reagindo à presença dele com uma onda poderosa de desejo e alívio.
Parecia que não nos encontrávamos fazia anos, apesar de termos nos separado havia menos de uma hora.
– Punição, é? – Natsu comentou em tom divertido, mas mesmo que eu não pudesse ver seu rosto, sabia que ele não estava sorrindo. Na verdade, o leve tremor em seus músculos do braço me dizia que ele estava muito puto. – Não gosto desse papo quando se dirige a minha garota, mas acho que podemos tirar essa história a limpo; eu com os punhos e você com a cara.
Foi tudo muito rápido. Em um instante, os dois se encaravam, imóveis. No outro, o rosado acertava o rosto do bandido com um soco flamejante certeiro. Meu perseguidor foi lançado para trás com muita força, quebrando e afundando a parede na qual aterrissara. Natsu estralou os dedos e foi andando em sua direção.
Fazendo um grande esforço, levantei de onde estava, com meus músculos doloridos protestando. Temendo o pior, fui mancando atrás do Dragneel e, quando ele agarrou o bandido pela gola da blusa e o puxou dos escombros, preparado para acertar mais um soco, segurei seu braço rente ao meu corpo.
– Natsu, pare, por favor – pedi, franzindo o rosto por causa da dor e da sensação esquisita de ter sangue deslizando pela canela. – Já chega.
Confesso que eu gostaria muito que o bandido apanhasse um pouco mais, principalmente pelo pânico que me causou, mas a verdade é que ele já estava inconsciente, e se Natsu continuasse a socá-lo, ele morreria.
E eu prometi para mim mesma que não deixaria Natsu matar mais ninguém, especialmente na minha frente.
O Dragon Slayer desviou os olhos de sua presa e os fixou nos meus, com intensidade abrasiva. Pra mim, naquele momento, ficou claro que ele estava lutando contra os impulsos de sua outra personalidade, o que confirmava minha teoria: a raiva era a porta de entrada para o Edo-Natsu.
Ou seja, quanto mais raiva o Natsu sente, mais controle o Edo-Natsu obtém.
No entanto, o rosado aparentemente encontrou em meu olhar algo que domou sua raiva, porque rapidamente sua postura abrandou e ele largou o bandido no chão.
– Estou com frio – comentei, ainda segurando seu braço perto do corpo, enquanto observava envergonhada o vapor condensado que saía da minha boca se misturar com a névoa que caía sobre a cidade naquela noite gelada.
Natsu sorriu amarelo e me abraçou com o outro braço, mantendo-me perto do calor de seu corpo, e me deu um selinho nos lábios, que imediatamente pararam de tremer. Quando ele me soltou, alguns segundos depois, tirou seu cachecol e o entregou para mim.
Eu sabia que aquele cachecol, pelo motivo que fosse, era bastante importante para ele, o que ficava evidente pelo fato de ele sempre usá-lo. O gesto de afeto fez meu coração bombear mais rápido, e logo o rubor clamava posição em minhas bochechas.
O cheiro impregnado no tecido era maravilhoso, elegante, mas muito masculino. Respirei fundo para que a essência permanecesse por mais tempo em meus sentidos, segurando uma de suas mãos.
O Dragneel usou a mão livre para segurar o bandido desacordado pela gola da blusa, arrastando-o pelas ruas abandonadas de Silver Clock, provavelmente procurando pela localização dos outros membros do nosso time.
A cena com a qual nos deparamos quando nos encontramos com os outros era bastante peculiar: Gray escorado casualmente no grande relógio de prata escurecida, Wendy e os exceeds apoiando as mãos nos joelhos, ofegantes, e Erza no centro do que seria um círculo disforme de corpos jogados inconscientes.
Gray, ao notar minha expressão chocada, resolveu esclarecer o acontecido:
– Eles destruíram as bagagens da Erza, então...
Não foi difícil pro meu pensamento completar a sentença. Então Erza virou o capeta e derrotou todos eles em um instante, aposto que de maneira bem dolorosa. O olhar vidrado da ruiva confirmava minhas suspeitas; ela ainda estava bufando por dentro.
– Opa, que deslize eles deram – disse uma voz ressoante, de repente. O som me fez levantar os olhos, focando-os em uma figura pequena e delicada que surgia das sombras de um beco.
Era uma garota de no máximo dezesseis anos. Possuía longos cabelos prateados e íris incrivelmente rosadas. Usava um daqueles vestidos de saias bufantes e babadinhos como enfeite, era uma graça.
– Você está perdida, mocinha? – Perguntei com delicadeza, automaticamente me apegando sentimentalmente à menina com aparência de boneca.
Ela piscou os cílios longos e bem delineados, e sorriu de maneira doce. Todavia, quando ela falou, todo o encanto se quebrou:
– Eu obviamente tenho mais que três neurônios, portanto nem se eu quisesse eu conseguiria me perder por aqui, velhota.
Por acaso isso era uma indireta pelo fato de eu ter me perdido enquanto fugia do bandido de rosto talhado? E, espera um minuto, ela me chamou de velhota?!
Happy, como o bom e velho amigo da onça, simplesmente adorava quando alguém tirava sarro da minha cara, portanto não foi surpresa alguma quando ele não conteve a gargalhada alta. Olhei enfezada para ele e acabei descobrindo que Natsu, um pouco mais esforçado que seu exceed, estava até mordendo os lábios para não rir.
– Natsu Dragneel – ralhei com ele, corando. – Você pode até ser gostoso, mas isso não te dá o direito de rir da minha cara e sair impune!
Porcaria de namorado idiota, isso não era nem um pouco romântico...
– Ei, garota, não precisa falar assim com a Lucy, ela só estava tentando ajudar — para meu total espanto, foi Gray quem foi ao meu resgate.
Os olhos róseos tornaram-se subitamente gélidos, e a garota os moveu para fitar o Fullbuster com descaso:
– E por que, exatamente, um personagem secundário como você está me dirigindo a palavra?
– O que...? – Gray parecia perplexo, fechando as mãos em punhos. – Aposto que não vai ser tão mal educada assim depois que eu congelar essa sua arrogância, menina.
A prateada suspirou como se estivesse sem paciência para lidar com um mosquito irritante que zumbia em seus ouvidos, e ajeitou a franja milimetricamente cortada.
– Claro, claro, mas fica pra depois – ela lambeu os lábios e inclinou a cabeça na direção de Natsu. – Por agora eu quero lidar com a atração principal. Aquela delícia ali.
A “atração principal” em questão estava quase rolando no chão de tanto rir por causa do sarro tirado de seu eterno amigo-rival, mas conteve-se após perceber o olhar da garota sobre si. Ele secou uma lágrima de divertimento que escorria por sua bochecha e suspirou, regulando a respiração.
– E o que uma garotinha como você pode querer lidar comigo?
Confesso que não gostei nem um pouco do sorriso extremamente insinuante que a maldita lançou a ele.
– Garotinha?! – Ela repetiu, zombando. – Acho que houve algum engano aqui, senhor-músculos. Eu tenho vinte e dois.
Vinte e dois anos? Ora, isso foi realmente inesperado... E, calma lá, ela havia tido a cara de pau de me chamar de velhota?!
– Você não parece ter vinte e dois – comentou Wendy, que até aquele momento tinha se mantido calada.
– Bom, você sabe, julgue um livro pela capa e perderá uma ótima história – a prateada nem sequer olhou para Wendy, mas não perdeu tempo em lançar uma piscadela para o meu namorado.
Já disse que não estou gostando nada disso? Pois é, não estou.
– Eu sei quem é você – declarou Erza, de repente. Ela estava com uma das mãos no queixo, provavelmente analisando a situação e os detalhes. A arrogante garota de olhos rosados arqueou as sobrancelhas diante da frase. – Você é Persephone, a encantadora de serpentes.
Persephone sorriu, dando-nos um vislumbre de seus dentes branquinhos e perfeitamente alinhados.
– Exatamente, e vocês estão todos sob meu comando hipnótico – ela disse, e então um silêncio pesado caiu sobre todos na velha praça. Nossas expressões estavam sérias, considerando a prateada pela primeira vez como uma verdadeira ameaça. – Brincadeirinha, eu não poderia hipnotizar todos de uma vez.
Ignorando sua “brincadeirinha”, apontei o dedo em sua direção e exclamei:
– Então é você a quem precisamos capturar para receber o pagamento que vai suprir o meu aluguel! – Gray assentiu com a cabeça, mais do que satisfeito. Eu sorri. – Bom, eu realmente simpatizei com você, Persephone – isso era uma mentira, ok, mas ninguém precisava saber. – Mas quando pesei na balança a sua liberdade e o meu aluguel, surpreendentemente meu aluguel pesou mais. Então, nada pessoal.
O sorriso de Persephone aumentou.
– Primeiro não é melhor você tratar desses seus joelhos? Suas mãos estão horríveis também, se quer saber.
Um pouco envergonhada, olhei para os membros referidos. Os cortes já não sangravam mais, mas o sangue que escorreu pelas minhas pernas e braços havia secado, formando uma crosta escura. Se não fosse tratado logo, provavelmente infeccionaria. Wendy deve ter percebido a mesma coisa, pois se aproximou de mim e sentou-se no chão, indicando para eu fazer o mesmo.
– Vou cuidar de você – ela disse.
Isso era ótimo, mas alguém precisava capturar Persephone. Os exceeds não eram muito eficientes nas lutas, Erza estava encolhida em um canto, subitamente depressiva por causa de suas malas arruinadas, sobrando apenas Natsu e Gray para lutarem.
O problema é que os dois nunca se saíram muito bem lutando juntos.
Ambos se entreolharam e acredito que um acordo silencioso fora feito. Gray se desencostou do relógio de prata escurecida e se colocou frente à Persephone, que em nenhum momento me pareceu acuada ou assustada.
Ela estava com as mãos para trás, apoiadas no final de suas costas, em uma posição elegante. Agora que eu reparava nela de fato, notei que sua postura era bem ereta, muito semelhante a minha. Típica de alguém que nasceu em berço de ouro.
O Fullbuster assumiu sua posição comum de ataque, afastando ligeiramente as pernas, formando um punho com uma mão e batendo na outra espalmada.
– Talvez seja melhor você errar esse ataque – a prateada sugeriu, olhando-o diretamente nos orbes escuros.
– Ice make: Lance – ele disse, aparentemente ignorando o que lhe foi dito.
Várias lanças de gelo se formaram e foram em direção à Persephone, que sequer se moveu. O ataque levantou uma pequena nuvem de detritos, todavia, quando a fumaça abaixou, a garota estava no mesmo lugar, sem nenhum ferimento. As lanças de gelo haviam acertado o chão há milímetros do corpo dela, mas nenhuma chegou a atingir seu alvo.
Que tipo de magia Persephone usava para sair ilesa de um ataque assim?
Gray trincou os dentes, visivelmente frustrado. Assumiu outra posição de ataque, preparando-se para lançar mais uma magia. A então chamada “encantadora de serpentes” olhou fundo nos olhos do mago do gelo e disse:
– Melhor tomar cuidado, garoto desnudo, seu próximo ataque pode muito bem voltar-se contra você.
Eu não tinha reparado antes, mas Gray havia arrancado a roupa, permanecendo apenas de cueca. É bem como dizem: uma vez pervertido, sempre pervertido.
Sem se abalar pelo comentário da maga, Gray gritou:
– Ice make: Prision!
Eu já havia presenciado tal magia; barras de gelo surgiriam ao redor do inimigo, assim formando uma prisão de gelo bastante resistente. Pra mim, era o suficiente para acabar com aquela luta, já que Persephone não me parecia uma pessoa de força bruta.
No entanto, a coisa mais bizarra aconteceu: as barras de gelo surgiram em volta do próprio Gray, que acabou ficando preso.
Natsu gargalhou até perder o ar, murmurando que Gray era um idiota por ficar preso em sua própria magia. O azulado bufou audivelmente e desfez a magia, enfiando as mãos no cós da cueca, dando falta dos bolsos da calça. Uma veia saltou perigosamente em sua testa.
– Se eu sou tão idiota assim, por que você não tenta prender a garota?! – Resmungou.
– É, pode deixar com o profissional aqui — Natsu estalou os dedos e sorriu empolgado. Persephone riu baixinho, e o som era muito semelhante com sinos tilintando. Por que a maldita tinha que ser tão meiga? Natsu coçou a cabeça. – Suponho que você não quer se render, né?
– Como líder dos bandidos do sul, eu não poderia, entende? Ficaria muito ruim para minha reputação – ela respondeu, fitando-o fixamente nos olhos. – Bem, só torço para que você não acerte o meu corpo, seria um pecado causar danos a uma obra de arte.
O rosado agiu como se não tivesse escutado e tomou posição para iniciar seu ataque de assinatura, dizendo um sonoro “Karyuu no Tekken”. No mesmo instante, seu punho flamejou e ele investiu contra a prateada, que simplesmente deu um pulinho para trás.
– O que...? — O Dragneel fez uma expressão confusa quando tudo o que conseguiu acertar foi um pedaço da barra longa de babados do vestido que ela usava.
– Natsu Dragneel, você pode até ser gostoso, mas isso não te dá o direito de arruinar o meu vestido e sair impune! – Persephone ralhou com ele, rindo.
Ei, essa frase é minha!
Wendy, que nesse meio tempo havia curado meus joelhos, passou agora a trabalhar em minhas mãos, apertando-as um pouco mais forte que o necessário quando percebeu que eu mordia os lábios de raiva.
O Dragon Slayer do fogo fez careta, mas não desistiu de acertar a encantadora de serpentes com seus ataques flamejantes. O problema é que nenhum deles chegava a ferir a pele da moça, sempre errando por centímetros.
Eu sabia que meu namorado não era um mestre na precisão, mas errar todos os ataques já era exagero. Algo de muito errado estava acontecendo ali.
– Você nunca contra-ataca, só desvia – constatou Natsu, ligeiramente irritado.
– Isso é porque não sou uma maga de combate – ela lhe esclareceu com sua expressão inocente. – A verdade é que eu só sou boa em instigar e coordenar ataques, dos bastidores, sabe? Não sou nada sem os meus lacaios.
Mesmo assim, ela parecia ter uma habilidade incomum de desviar de absolutamente todos os ataques. E que merda tinha sido aquela do Gray se confundir e lançar sua magia de prisão em si mesmo? Isso não fazia nenhum sentido.
Foi por esse motivo que assim que Wendy terminou de curar minhas mãos, saquei meu Fleuve D’Etólis, o chicote mágico, e o lancei na direção de Persephone. A garota obviamente não estava esperando por aquilo e, incrivelmente sem nenhuma capacidade de desviar, o chicote enrolou-se em um de seus tornozelos.
Natsu franziu a testa.
– Luce, posso cuidar disso, por favor?
Mandei um beijinho para ele.
– Eu só estava tentando ajudar. Além disto, veja, eu já resolvi! – Para mostrar que eu estava certa, puxei o chicote com força e a garota caiu, indefesa.
– Oh, não, você me pegou – reclamou, ainda enroscada no Fleuve D’Etólis, exceto que ela parecia mais preocupada com seu vestido rasgado e sujo do que com o fato de ter sido pega. Tirei uma corda da bolsa e corri até a líder dos ladrões, prendendo-a. – Ei, você sabe dar um nó decente, né? – Ela perguntou com evidente sarcasmo na voz.
– Cala a boca – eu disse, torcendo os lábios enquanto amarrava-a. – Eu posso ter sido mimada minha infância inteira, mas eu sei fazer as coisas direito.
– Que seja – ela riu e me olhou profundamente nos olhos. Sua íris cor-de-rosa pareceu brilhar por um instante. – Você parece acabada, Lucy. Ainda não recuperou totalmente seus poderes mágicos e parece estar com frio. Por que não propõe aos seus amigos acampar dentro da loja de conveniências abandonada de três andares no quarteirão seguinte?
Terminei de dar o firme nó e sorri de canto. Eu seria muito burra se aceitasse uma sugestão dessas, vinda de uma mente do crime. Até onde eu sabia, podia muito bem ser uma emboscada armada por ela, afinal, ela mesma havia dito que era boa em coordenar ataques.
Chacoalhei a cabeça, subitamente confusa. Espera um pouco, que sugestão Persephone havia me dado mesmo? Tenho certeza que tinha algo a ver com uma loja de conveniências abandonada... Mas não consigo me lembrar direito.
Minha mente ficou zonza e eu pisquei fortemente. Sugestão? Mas Persephone não me dirigiu a palavra desde que a luta começou, não é mesmo?! Acho que estou imaginando coisas, o que não é de se espantar, estou muito cansada...
– Ei – chamei a atenção de todos, levantando-me com certa dificuldade e trazendo a maga amarrada junto. – Eu ainda não recuperei meu poder mágico, estou cansada e com frio. Que tal a gente acampar na loja de conveniência abandonada de três andares que eu encontrei enquanto fugia de um bandido?
Natsu se aproximou de mim e sorriu condescendente, beijando-me na bochecha.
– Você está fria mesmo, Lucy. Acho que não faz mal a gente acampar em um lugar fechado. Amanhã de manhã saímos daqui e pegamos o dinheiro. Todos de acordo?
Todos nós assentimos, ainda sem saber que estávamos entrando na toca do lobo.
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