Sangue Quente

22 The Calm Before The Storm


Notas iniciais
Tá, se vocês quiserem jogar um piano na minha cabeça, fiquem todos à vontade. Aceito baterias também. Ai, meus tchubirubas, me desculpem pela demora de 5 meses, de verdade! Resumindo meu sumiço: larguei facul, entrei no cursinho e prestarei vestibular esse ano. Enfim... . Queria agradecer mais que milhão os queridos Uzuu Neko, Fuyu e Cibrs, que recomendaram lindamente Sangue Quente. Eu queria agradecer a vocês individualmente, mas o espaço é curto! Saibam que eu amei profundamente suas palavras e estou ansiosa em retribui-las de alguma maneira

Capítulo XXII The Calm Before The Storm

(A Calmaria Antes da Tempestade)

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– Você... Nunca me falou nada sobre seu pai — Lucy comentou, lentamente, marcando a importância daquele momento. Natsu sempre fora tão cheio de mistérios que, sinceramente, ela chegou a duvidar que uma oportunidade como essa fosse aparecer algum dia.

Bem, talvez aparecesse na base da tortura física e psicológica, mas ela não estava tão disposta a recorrer a tais extremos. Ainda não.

– Hã... — Natsu riu envergonhado, olhando-a com uma das sobrancelhas arqueadas. — Você nunca me perguntou nada, então...

– O que?! — A intenção era fazer uma careta assustadora, que demonstrasse toda a sua indignação pelo absurdo que ele tinha dito, mas, pelo visto, a expressão ficou mais hilária do que qualquer outra coisa. — O que eu mais faço é perguntar, droga!

O garoto ergueu as mãos, na defensiva.

– O que eu quis dizer é que você nunca me fez uma pergunta sobre meu pai, em específico — ao constatar que a careta não diminuía, pelo contrário, só aumentava, emendou: — Mas agora você pode me perguntar qualquer coisa.

Lucy não conseguiu evitar lançar-lhe um olhar desconfiado, como se não pudesse acreditar na oportunidade que recebia. E agora que tinha tal liberdade para perguntar, sabendo que ganharia respostas, encontrou-se em dúvida sobre que rumo seguir.

Eram tantas coisas que queria esclarecer...

Enquanto decidia, franzindo os lábios, mal notou a movimentação do namorado. Só foi despertar de seu devaneio quando seus olhos captaram um borrão vermelho descrevendo um arco suave em sua direção. Agindo por reflexo, suas mãos agarram o objeto, que acabou por ser uma maçã de aparência saudável.

– Hã? — Ela murmurou, confusa. — O que é isso...?

– Isso é uma maçã, Lucy — Natsu disse, se aproximando com um sorriso no rosto. — Ma-çã, sabe? Uma fruta.

– Eu sei o que é uma maçã, Natsu — rosnou, segurando o impulso de dar-lhe uns chutes por trata-la feito criança. — Mas por que você me deu uma maçã?

Pelo jeito que seus olhos brilharam, a Heartfilia pôde dizer com certeza absoluta que o Dragneel estava armando algo. Era aquele olhar travesso, cheio de um significado que ela ainda não decifrara.

– Pra você comer, é claro — o sorriso no rosto de traços fortes ainda estava presente, como se ele quisesse dizer algo com o gesto, o que a fez desconfiar ainda mais. — O que? Você não está com fome?

– Não... — Ela piscou, surpresa, enquanto notava distraidamente que o céu fora da cabana escurecia com a névoa e nuvens pesadas, típicas do inverno de Magnólia.

– É que você estava com uma cara esquisita, logo pensei que estava com fome — Natsu explicou. Sua expressão, no entanto, dizia que não era bem isso.

"Ele está estranho", pensou, franzindo os lábios.

– Eu só não sabia por qual pergunta começar — contou, avaliando minunciosamente a reação do namorado.

– Oh! — Ele exclamou, agora com uma cara divertida. — Você devia ter falado isso antes, Lucy. Fez eu ficar realmente preocupado que você pudesse devorar minha casa inteira nessa sua fome!

– Vai se ferrar, Natsu — reclamou, lançando a maçã na direção do rosto masculino.

Não ficou muito decepcionada quando o projétil não atingiu seu alvo, sendo capturado facilmente pelas mãos ágeis e habilidosas do Dragon Slayer, que lhe sorriu arrogante. Ah, se ele ao menos fosse um pouco mais lento, a maçã teria se espatifado e arrancado aquele sorriso maldito!

– Vou te ajudar — anunciou ele, rodando a fruta nos dedos, para logo depois firmá-la e arrancar um pedaço com os dentes. Os olhos enevoados estavam tão brilhantes e a cena era tão sexy que Lucy quase se esqueceu de respirar. — Curiosidade número um: meu pai uma vez me disse que eu costumava ter cheiro de verão, e foi daí que ele escolheu meu nome.

"Uau, curiosidade número um: na lata". Como já fora dito, Natsu quase nunca soltava informações sobre si mesmo, e tudo o que ela sabia era deduzido de observação ou revelado por outra pessoa.

Era realmente mágico ouvir respostas da boca dele.

A maçã com uma mordida veio voando na direção das mãos femininas, novamente, e assim ela percebeu que era a vez dela de compartilhar uma curiosidade.

– A minha mãe... Ela costumava me dizer que meu nome é um derivado da palavra sorte, e que eu trazia sorte para a vida de todos que eu tocava. — O rosado sorriu sereno, parecendo orgulhoso do tal dom. A cena trouxe um brilho molhado para os olhos de amêndoas, quando ela completou: — Mas, no final, acho que meu pai estava certo; eu não trago sorte, eu a levo embora.

Natsu abriu a boca duas ou três vezes, indignado, tentando formular uma frase que não fosse formada apenas de rosnados.

– Por que diabos aquele velho diria algo do tipo?! — esbravejou, notando tardiamente que havia chamado o sogrão de aquele velho, como se o conhecesse há anos. Se Lucy se sentiu ofendida, não demonstrou.

– Logo depois que nasci — confidenciou-lhe, baixinho -, minha mãe ficou doente e nunca mais se recuperou. Era como se eu tivesse tirado toda a sorte dela. E então ela morreu.

– Isso é idiotice! — Exclamou, se movendo inquieto no lugar. — Não é sua culpa! Você é uma estrela da sorte, garota, entenda isso de uma vez.

– Natsu...

A maneira que ela proferiu seu nome era única. Soou como um suspiro contido de alívio, um agradecimento cálido, como se não ousasse acreditar no que ele dissera, mas apreciasse imensamente o gesto.

Lucy não havia lhe devolvido a maçã, mas, mesmo assim, decidiu que era sua vez.

– Curiosidade número dois: dividir maçãs, para mim, tem um significado especial — contou, indicando com o olhar a fruta nas mãos da namorada.

Ela riu, surpreendendo-se mais uma vez com suas palavras.

– Que significado especial é esse? — Após dar uma olhada na maçã, mordeu-a, fitando os olhos de Natsu, desejando que a cena fosse tão sexy quanto a que ele tinha protagonizado minutos atrás. Em sua opinião, foi um fracasso total, até observar que os olhos enevoados transbordavam em luxúria mal contida.

– Ah, você logo vai entender — assegurou, lambendo os lábios sugestivamente. Lucy rapidamente engoliu o conteúdo em sua boca, ficando tão vermelha quanto a maçã.

Desviando o olhar da sedução em pessoa, a Heartfilia acabou por se concentrar em coisas menos tentadoras. Ela precisava manter o foco, ou então perderia a oportunidade de sanar todas as suas dúvidas. Quando se mexeu para apoiar-se suavemente contra um móvel de madeira, suas chaves de ouro balançaram, e então, instintivamente, acabou por compartilhar uma curiosidade com o garoto:

– Minhas primeiras dez chaves, todas de ouro... Foram da minha mãe. Foi ela que me ensinou minha preciosa magia...

Havia bastante nostalgia nos olhos da maga estelar, como se ainda visualizassem o passado onde os Espíritos do Zodíaco serviam sua querida mãe.

– Ela devia ser muito amada por seus espíritos — Natsu comentou, querendo que ela olhasse para ele, e não para o passado. Quando obteve sua atenção, completou: — Assim como você é.

– Uau! — Ela riu, corando do pé à raiz dos cabelos. — Você está extremamente fofo e atencioso hoje, o que aconteceu?

– Fofo? — Ele perguntou, franzindo as sobrancelhas cor de rosa. E então, súbita e inexplicavelmente, puxou o zíper da camiseta barra colete para baixo, retirando-a em seguida.

Simples assim.

– Por que... Hã, por que diabos você resolveu dar uma de Gray e tirar a roupa no meio da nossa conversa? — Lucy questionou, fitando discretamente o peitoral e tanquinho dos deuses que pareciam piscar para ela.

– Porque — Natsu explicou, usando seu tom insuportável de "isso é óbvio" — eu senti como se estivesse sendo desafiado. Fofo não é adjetivo de homem, Lucy. Adjetivo de homem é grande e seus derivados.

– Você é um grande idiota, isso sim — xingou, mas sabia que ele estava só brincando, tentando espantar a nostalgia melancólica que falar sobre o passado trazia. — Está nevando já — comentou, jogando a maçã de volta -, é melhor vestir sua blusa logo.

O rapaz deu de ombros, agindo como se a possibilidade de pegar um resfriado fosse sua última preocupação no mundo. E enquanto isso, aqueles músculos bronzeados e definidos pareciam piscar e mandar beijinhos aos olhos da garota.

– Foi meu pai que me ensinou minha magia — a voz masculina soou divertida, indicando que ele sabia muito bem o que sua nudez parcial causava.

– Ah, — Lucy disse, obrigando seu olhar a se concentrar no chão — ele também é um Dragon Slayer?

Natsu riu em um tom que dizia claramente que aquilo era um absurdo.

– Não. Ele é um dragão.

A informação custou a ser processada na mente feminina. Talvez ela estivesse meio lenta porque, ao tentar se distrair do abdome, acabou por fitar um pacote bastante tentador no meio das pernas do parceiro, ainda que estivesse coberto pela calça.

– Hã... — Ela murmurou, parecendo uma idiota. Para completar a cena, só faltava a baba escorrer pela lateral de seus lábios. — Alguém pode, por favor, dar uma blusa pra esse imbecil para que eu possa me concentrar?! — O cafajeste riu, sem fazer a mínima menção em se vestir. "Certo, Lucy, você vai ter que ser forte. Retome o foco". — O que você disse sobre seu pai?

– Igneel — Natsu falou, pausadamente, para que ela entendesse completamente — é um dragão do fogo.

Dessa vez a frase foi processada com sucesso. Pelo menos, parcialmente.

– Mas Natsu... você não pode ter nascido de um dragão — Lucy disse, e daí ela lembrou que se tratava do namorado, que era uma existência bem curiosa, e que talvez tudo fosse possível. — Ou pode...?

– Óbvio que eu não nasci de um dragão — Natsu riu, finalizando a maçã em mais uma mordida sexy demais para a sanidade da garota. — Mas não me lembro nem dos rostos dos meus pais biológicos. Pra mim, Igneel é meu único parente.

Certo, Igneel, um dragão.

E então a parte mal processada da frase piscou na cabeça da loira como uma árvore de natal: Igneel. Ele tinha dito Igneel. Igneel, o pai dele.

Certo, por que diabos Edo-Natsu a culpava por algo ocorrido com o pai dele?

– Entendo... — Ela não entendia. Queria perguntar o que tinha acontecido com seus pais biológicos, mas a pergunta crucial no momento era: — E o que aconteceu com Igneel? Não me lembro de ver dragões por aí...

Os olhos do Dragon Slayer se tornaram tão profundos que pareciam ter ganhado gravidade própria, atraindo toda a atenção da maga estelar. A atração era tão forte que ela era incapaz de desviar o olhar.

– Ele muito provavelmente está no mesmo lugar que sua mãe...

"Oh, meu pobre garoto", Lucy pensou, de repente se sentindo muito triste. Se Igneel estava no mesmo lugar que sua mãe, então isso queria dizer que ele estava morto.

– Eu sinto muito... — Ela realmente sentia. Quando Layla morrera, Lucy tinha a companhia das empregadas, que eram todas muito atenciosas, mas, ainda assim, sofrera bastante. Não podia nem imaginar o tamanho do sofrimento e dificuldade que Natsu teve que enfrentar, tudo sozinho.

"Talvez tenha sido esse o trauma que dividiu as personalidades do Natsu", pensou, cheia de pesar.

– Não tem porque sentir, não foi você a causa disso — ele disse, sabendo que a acusação doida do Edo-Natsu ainda pairava na consciência da namorada. E então, para descontrair um pouco o clima, comentou: — Foi Igneel que me ensinou a falar e a ler. E a lidar com as mulheres também.

Lucy riu delicadamente, o que fez Natsu sorrir discreto.

– Bem, sobre a última parte, ou Igneel era um péssimo professor, ou você era um péssimo aluno — brincou, começando a andar pelo cômodo da casa, pela primeira vez.

– O que? — O garoto resmungou. — Tem alguma reclamação sobre mim na cama?

De bochechas coradas, a garota acariciou distraidamente um anel dourado pousado em uma prateleira.

– Não estava falando sobre isso! Digo, você não sabe muito bem como agir com as mulheres. Deve ser por isso que não tem muitas amigas.

– Ei, a Erza é minha amiga! — Ele estava logo atrás dela, observando com olhos cheios de expectativa enquanto Lucy fazia uma inspeção pela casa. — Hã, exceto quando ela invoca aquela aura assassina. E a Wendy também é.

– Ora, me poupe — Lucy abanou uma das mãos, descartando a possibilidade. — Wendy é como se fosse sua irmã mais nova, e bem sabemos que você nem considera a Erza como uma mulher, você lida com ela da mesma forma que lida com Gildarts ou Laxus.

A expressão incrédula do rosado era bastante engraçada. Olhos arregalados em perplexidade, lábios ligeiramente abertos em indignação, balançando a cabeça como se ela fosse a pior pessoa no mundo.

– Você quer parar de me encurralar? Além disso, não sei o porquê da neura. Se eu tivesse amigas, aposto que você morreria de ciúmes.

Lucy estava de costas para Natsu, ainda entretida com o anel de ouro, mas ela sabia, sem precisar ver, que ele tinha o sorriso mais cafajeste do mundo no rosto.

– Ciúmes? — Perguntou de forma retórica. — De um banana que nem você? Ahá, conta outra!

– Um banana, é? — O desafio era algo evidente no tom de voz masculino. Com certeza ele estava tramando algo.

– Nem pense em tirar a calça agora — ela comentou, brincando com a maneira que ele costumava responder a supostos desafios. — Lá fora devem estar uns dez graus negativos.

– É? Mas aqui dentro eu estou pegando fogo — comentou tranquilamente, se espreguiçando de um jeito bastante casual para alguém que acabava de flertar.

A Heartfilia chegou a se arrepiar, de verdade. Ele estava bem atrás dela agora, e ela podia sentir aquele hálito fervente bater contra sua nuca, nublando sua visão de luxúria. Estava prestes a se entregar, a virar o corpo na direção do amante abrasador e se perder em beijos quentes, quando uma pontada nas beiras da memória a fizeram estancar no lugar.

– Esse anel... — Ela disse, surpresa. — Eu o conheço! É o anel encantado que estava na mão do Eru Hik quer dizer, do Boris!

Natsu estava em silêncio e parecia que tinha se afastado um pouco dela, já que não mais sentia sua respiração gostosa. Planejava virar-se para questioná-lo, quando seus olhos subitamente pausaram em outras coisas presentes na prateleira.

Como, por exemplo, o livro erótico que tinha ganhado da Levy. Sim, aquele mesmo, que depois de Natsu provoca-la com um trecho bastante quente, havia proporcionado uma boa rodada de sexo.

Agora sabia porque não encontrava mais o livro!

E, ao lado da prateleira, havia vários cabides com roupas que lhe eram mais que familiares. Eram roupas excêntricas que ela usara em determinadas missões que realizara ao lado do namorado. Colados na parede ao lado, estavam alguns selos de restaurantes e cidades que eles haviam visitado, também durante missões.

Atordoada e mais que surpresa, fitou o rosto acanhado de Natsu. O que era tudo aquilo?

– Souvenir — respondeu, como se tivesse ouvido a pergunta mental. Como ela ainda continuava confusa, explicou: — Eu não gosto de tirar fotos, mas sinto uma verdadeira necessidade de guardar momentos, para que eu nunca os esqueça. Essa foi a minha maneira de fazer isso.

Mesmo achando a coisa toda tendendo para o esquisito barra meio assustador, no fundo, Lucy se sentiu tocada, porque conseguia se conectar com tal necessidade. Ela também tinha isso; essa vontade de guardar momentos importantes através de objetos.

O problema, no entanto, era que a maioria dos objetos importantes para ela, tal como sua boneca de infância, por exemplo, haviam se perdido entre uma mudança e outra. Tudo o que ela tinha sobrando era um retrato.

O que a lembrava de uma foto em particular que gostaria de perguntar ao namorado.

– Você disse que tem amigas, sim, e eu brinquei com você, dizendo que não é bem assim... — Lucy começou, finalmente tendo coragem de dizer aquilo: — A verdade é que eu venho querendo te perguntar algo há um tempinho já. Eu queria que você me dissesse o que Lisanna significa... hã, significou... Droga, eu não sei que tempo verbal usar! Enfim, o que ela é, ou foi, para você?

Ela tinha certeza de ter pego Natsu de surpresa. A expressão em seu rosto angular era uma mistura de confusão e inquietação.

– De onde você tirou esse papo? E por que diabos você pensa que eu sinto algo por ela?

Ok, ele disse sinto, assim mesmo, no presente. O que confirmava o que a Mira havia dito sobre ele acreditar que ela ainda estava viva. A Heartfilia, assim como todos os outros da Fairy Tail, não conseguia entender o porquê de tal convicção, mas, bem, como podia culpa-lo por ter esperança?

– Olha, a história é um pouco longa, então, para simplificar: encontrei uma foto sua e dela, parcialmente queimada — quando notou a boca do garoto se abrindo, prestes a interrompa-la, apressou-se em dizer: — Não me pergunte como eu achei isso, sério. A questão aqui é que você odeia fotos e sempre as queima, mas com essa foi diferente. Por quê?

Lucy queria muito voltar atrás e mudar o tom que usou na pergunta, porque aquilo estava parecendo muito com um interrogatório. Sentia como se o estivesse pressionando, e um Natsu pressionado nunca era boa coisa. Ele costumava ser muito irracional nesses momentos.

No entanto, para sua surpresa, ele apenas encolheu os ombros, como se realmente o incomodasse ser pego no flagra.

– Por culpa, eu acho — ele disse, mordendo o lábio inferior. Seus olhos estavam pregados no chão, mas não parou de falar: — Lisanna é a personificação da insistência. Estava sempre atrás de mim, mesmo na época em que eu me sentia morto para o mundo. E a verdade é que o sumiço dela é culpa minha.

Oh, isso sim a surpreendeu!

– Como assim culpa sua?

– No dia em que ela sumiu, ela me pediu para encontrar com ela no lugar em que achamos o Happy pela primeira vez — ele fez uma pausa discreta, agora olhando-a diretamente nos olhos. — Por não estar afim, acabei não aparecendo. Acontece que ela foi atacada por algo e simplesmente... desapareceu.

Então era o sentimento de culpa que o ligava à pequena albina. A loira se sentia meio miserável agora por ter ficado com ciúmes. Era ridículo. Ela muito provavelmente se seguraria firmemente na esperança de que Lisanna ainda estivesse viva, caso se sentisse culpada por seu desaparecimento.

– Isso é bobagem, você sabe que a culpa não é sua, não sabe?

Não houve resposta imediata e, após alguns minutos de silêncio, Lucy soube que não ouviria dele uma confirmação. Ele se sentia culpado sim, e não havia nada que ela pudesse fazer sobre isso.

Logo, o fluxo de neve que caía do lado de fora aumentou, trazendo uma tempestade forte. O vento, gelado e cortante, atravessou a sala como uma navalha, fazendo o casal estremecer. Natsu tratou de fechar as janelas, olhando distraidamente a paisagem completamente coberta de branco.

– Parece que ficaremos presos aqui dentro por mais tempo — ele comentou casualmente, coçando o queixo. Se o Dragneel soubesse o quão atraente estava no momento, todo descamisado e contemplativo, ele não perderia a chance de provoca-la.

E por isso, talvez, ela tenha decidido provoca-lo.

– Oh, você não fica nervoso de estar preso aqui comigo? Quer dizer, você disse que eu sou a primeira pessoa que você trouxe pra cá... — Lucy estava piscando, sorrindo de canto, como ele costumava fazer.

Isso teve um incrível poder de acender aquela chama indomável dentro dele, que então decidiu entrar no joguinho:

– Nervoso? Por que eu estaria? — E lá estava o sorriso mais malicioso que ele era capaz de fazer. — Eu sou o predador aqui.

Lucy riu, dando dois passos na direção do namorado emoldurado pela tempestade de neve.

– E isso me configura como a presa?

O sorriso malicioso se tornara relaxado agora, possibilitando que o rosado delineasse um dos lábios com a língua pecaminosa.

– Oh, com certeza, e eu posso te dizer que estou com muita vontade de ir à caça agora.

– Então eu acho que deveria me esconder — comentou, fingindo teatralmente uma cara de assustada.

Natsu estava gostando daquele joguinho. Oh, e como estava! Lucy estava aguçando-lhe todos os sentidos, trazendo à tona suas necessidades primitivas.

– Acho que você devia se esconder dentro da banheira — sugeriu, divertido. — Eu nunca a procuraria por lá.

– É mesmo? — Natsu sempre tomava à frente e levava a melhor nas provocações, sempre deixando Lucy a sua mercê. Ela sempre se rendia antes. Bem, não dessa vez. Ela não sabia dizer se era por estar naquele ambiente aconchegante, rodeado de souvenir sobre ela, ou se era porque Natsu não tinha como fugir nessa tempestade... Seja lá qual fosse o motivo, ela se sentia muito confiante em sua sensualidade para se render agora. — Acho que vou me esconder nua, já que você nunca me procuraria lá.

Dito isso, começou, bem lentamente, a retirar sua própria roupa. Era mortalmente gratificante notar como a feição e a postura do namorado iam mudando toda vez que uma peça de roupa ia ao chão com descaso.

Natsu começou com olhos brilhantes e sorriso sacana. Depois, seus ombros e músculos se tencionaram e os olhos ficaram vidrados na cena. Quando a última peça caiu, ele já estava totalmente desperto, mordendo sugestivamente os lábios.

– Quem é você, Lucy Heartfilia? — Perguntou com aquela voz rouca que ela só podia relacionar com sexo.

– Oh, apenas uma garota que gosta de jogar pique-esconde — murmurou, virando de costas e caminhando sensualmente até a porta que acreditava se tratar do banheiro.

Quando ela pisou na banheira, jurou ter ouvido Natsu uivar. E então, de repente, ele estava ali com ela, nu e quente, extremamente pronto para aquecê-la naquele dia frio.

A tempestade lá fora tinha se tornado realmente forte, e não havia dúvidas de que eles estavam prestes a criar sua tempestade particular ali dentro, mas, de alguma forma, Lucy sentia que aquele momento poderia ser denominado como a calmaria antes da tempestade.

Notas finais
Galerinha, esse capítulo marca a transição do meio para o final da fic. Não, o fim não tá pertinho, mas os acontecimentos que desencadearão o final estarão se desenrolando agora, então fiquem de olho! . Eu sinceramente não sei quando será minha postagem, muito provavelmente em dezembro só... Por isso eu pensei em algo pra diminuir a distância entre vocês, fofos, e eu :3 Estava pensando em criar um grupo no face, ou um ask especialmente pra SQ, ou um tumblr, também dedicado à nossa interação, onde vocês poderiam sanar algumas dúvidas e curiosidades. Digam nos comentários se vocês topam a ideia, e qual seria melhor. Se algo for decidido, mando MP para os interessados. . No mais, obrigadíssima por lerem, deixem seus lindos reviews, favoritos e recomendações pra me dar energia, ânimo e amor