Sangue Quente

1 The Boy On Flames


Notas iniciais
Olá, meus queridos. Essa é a minha primeira fic de Fairy Tail e eu sinceramente espero que vocês gostem :DD

Capítulo I – The Boy On Flames

(O Garoto Em Chamas)

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– Lucy Heartfilia-san – o garoto chamou, corando levemente. A loira parou de andar e levantou o olhar. – Eu... Eu poderia... Eu poderia sair com você?

Ela piscou e observou — ligeiramente surpresa – a figura que lhe fazia o convite. Com uma aparência impecavelmente arrumada, Riku Matsuda, seu vizinho de apartamento, arrancava muitos suspiros das garotas do bairro. Ele sorria gentilmente, o que o deixava bonito, mas Lucy pôde notar que ele estava nervoso; suas mãos agarravam fortemente o tecido da calça próximo aos bolsos.

–... Por que? – A Heartfilia questionou, intrigada pelo súbito interesse que ele vinha lhe mostrando ao longo da semana.

Riku corou e foi incapaz de olhar nos olhos castanhos da menina, no entanto, seu sorriso gentil aumentou.

– Porque... Quero dizer... É porque você está sempre lendo livros ali debaixo – ele apontou para uma grande árvore de cerejeira que ficava do outro lado da ponte. – Às vezes você sorri alegremente e, às vezes, fica comovida... Você parece uma pessoa delicada, frágil, pura, graciosa e bem educada... e eu fiquei atraído por isso e... Comparado a todas aquelas meninas super masculinas que eu vi, você é a primeira garota que eu realmente tive vontade de proteger!

Lucy corou levemente, olhando com certa expectativa para seu vizinho. A loira, como toda garota, adorava ser chamada de delicada, graciosa e coisas do tipo, e ela estaria realmente derretendo por Riku naquele exato instante se uma estranha movimentação não tivesse lhe chamado atenção.

Um vulto encapuzado surgiu de um dos becos estreitos das ruas de Magnólia e correu em sua direção. Assustada, Lucy fechou os olhos e se contraiu, sentindo um puxão brusco em seu ombro.

– Lucy-san, você está bem? – Riku perguntou, afobado, tocando de leve em seu braço. A loira abriu as pálpebras e se virou, observando o vulto se afastar correndo pela calçada com uma bolsa rosa nas mãos.

Sua bolsa. Aquele maldito ladrãozinho tinha levado sua bolsa preferida!

“Ah, mas isso não vai ficar assim, meliante ridículo” pensou enquanto sacava da cintura uma chave de ouro com o símbolo de sagitário.

– Abra-te, portão do arqueiro, Sagittarius! – Gritou, girando a chave no ar. Em meio à fumaça causada pela invocação, a figura do cavalo tomou forma. – Sagittarius, minha bolsa!

O espírito estelar rapidamente entendeu a situação e antecipou a ordem de sua mestra; preparou seu arco e flecha, mirou e atirou. O projetil sem ponta descreveu uma linha perfeita em direção à mão do encapuzado que corria mais à frente e atingiu em cheio seus dedos. Ele reclamou de dor e como consequência largou a bolsa, fugindo pelos becos da rua logo em seguida.

Lucy, sorrindo satisfeita após recuperar sua bolsa, agradeceu ao espírito que sumiu em uma nuvem de fumaça, e voltou-se para a figura estancada de Riku – que permanecera temporariamente esquecido durante a confusão toda. O garoto mantinha os olhos arregalados e constantemente engolia em seco.

– V-Você é uma maga estelar...

Não era uma pergunta, mas a Heartfilia assentiu.

– E então, onde estávamos? – A loira piscou de maneira meiga, torcendo para que o clima não tivesse sido cortado.

Riku aprumou-se, de repente muito mais ansioso que antes.

– Estávamos combinando de sair, mas oh, que droga! – O garoto exclamou enquanto olhava freneticamente para os lados. – Esqueci que não estou livre nessa semana. É realmente uma pena.

A expressão de Lucy murchou.

– Bem, podemos sair na semana que vem – sugeriu, ainda mantendo um fio de esperança.

– Oh, semana que vem também não dá – o garoto coçou a nuca, se afastando apressadamente. – Nem na outra semana, nem na outra. Pensando melhor, vou estar ocupado pelas próximas semanas da minha vida.

E assim Lucy foi deixada no meio da rua, sozinha, com uma feição confusa transformando o rosto bonito. Depois de alguns segundos parada, suspirou profundamente e recomeçou sua caminhada, amaldiçoando os homens medrosos de Magnólia.

Era a quinta vez que isso acontecia com ela desde que chegara a essa cidade. Não o assalto – isso nunca havia ocorrido -, mas sim o fiasco com os homens. A Heartfilia tinha plena consciência de que era muito bonita e que chamava a atenção masculina, porém isso não parecia ser o suficiente para segurar seus pretendentes; quando descobriam que ela era uma maga, caíam fora na velocidade da luz.

Enquanto caminhava pela periferia da cidade, dobrando algumas esquinas, praguejou mais um pouco. Lucy estava em seus dezoito anos e sentia uma necessidade crescente de ter um namorado, mas de nada adiantava a vontade se não encontrasse um homem que não se assustasse com a perspectiva de sair com uma maga.

“A única solução,” pensou de maneira brilhante, “é namorar um mago”.

E era exatamente por esse motivo que caminhava em direção a uma das mais famosas guildas de magos de toda Fiore: a Sabertooth. Bem, não só por isso, é claro. Não estava tão desesperada assim, mas como sempre quis se filiar a uma guilda, decidiu que era como acertar dois coelhos com uma cajadada só.

Como estava distraída, Lucy foi bruscamente surpreendida ao sentir uma respiração quente e controlada em sua nuca. A pele ao redor das bochechas adquiriu um tom vermelho quando um arrepio sacudiu-a por completo.

– Tenho certeza que já senti esse cheiro antes em algum lugar... – Uma voz masculina ecoou rouca perto de seu ouvido e a Heartfilia se encontrou em um esquisito estado de torpor. – Mas de onde?

Ela pôde sentir mãos firmes circundarem lentamente sua cintura fina enquanto o dono do timbre de voz sensual colava o nariz em sua nuca e aspirava profundamente. Aquilo foi o suficiente para arrancá-la do transe. Lucy se libertou do agarro do estranho e girou, apontando o dedo em sua cara.

– Ei, você não pode sair por aí cheirando as pessoas no meio da rua, é falta de educação!

Ela observou a figura do garoto, que por sinal era muito bonito, liberar aos poucos um sorriso de canto que se encaixava perfeitamente no rosto angular e muito masculino. Ele possuía madeixas em um tom rosa e olhos castanho-cinzentos; uma verdadeira mistura entre o peculiar e o comum que o tornava único. Não era muito mais alto que ela, porém tinha uma presença e tanto – talvez isso se devesse ao fato de que vestia roupas esquisitas que deixavam o torso malhado à vista.

– Se eu não posso fazer isso no meio da rua, que tal ali atrás, no beco? – Piscou, obviamente se divertindo com a reação da loira que, corando fortemente, preferiu ignorar o que o rosado insinuava.

Quem é você? – Questionou, furiosa.

O sorriso de canto do estranho se aprofundou.

– Natsu Dragneel, ao seu dispor – com uma pitada óbvia de sarcasmo, Natsu fez um floreio desdenhoso.

Ignorando também a postura ousada do Dragneel, Lucy anunciou:

– Bem, Natsu-san, eu vou esquecer a sua grande gafe social e ir embora por essa rua enquanto você vai por qualquer outra longe de mim e eu realmente espero nunca mais me encontrar com essa sua cara pervertida novamente.

A maga celestial não pretendia soar tão fria ou mal-educada e, normalmente, se a situação fosse outra, ela teria adorado a sensação de ter as mãos calejadas envoltas em sua cintura. O problema era que a presença do rosado parecia deixar todos os seus sentidos alertas e hipersensíveis, e isso era inaceitável porque ela sequer o conhecia.

– Mentirosa – sentenciou após alguns minutos analisando-a. – Se não quisesse me ver novamente, não teria perguntado o meu nome. Aposto que vai voltar para sua casa e imediatamente pesquisar tudo sobre essa magnífica pessoa que Natsu Dragneel é.

Lucy fez uma careta.

– Que tipo de louco faria isso?

– Eu faria... Se a presa valesse tanto a pena quanto eu valho, loirinha — Natsu riu, passando as mãos pelos cabelos arrepiados.

Ela não entendia o motivo, mas aquele tipo de frase tinha deixado seu rosto em chamas. Envergonhada demais para retrucar, prendeu-se a um pequeno detalhe:

– Não me chame de loirinha, meu nome é Lucy Heartfilia.

O rosado deu de ombros.

– Hai, hai. Agora me responda algo, Luigi...

– É Lucy! – Corrigiu-o.

– Certo, Luffy...

– É Lucy! – Repetiu, furiosa. Ele estava errando seu nome de propósito?

– Tanto faz – Natsu fez um sinal de descaso com as mãos. – Agora me responda: qual sua relação com Hideki Koneko?

A loira estranhou a pergunta, tanto que levou alguns minutos para responder.

– Quem?

– Hideki Koneko.

– Não conheço – disse, achando a situação cada vez mais esquisita.

Natsu fungou.

– Se não o conhece, por que seu cheiro está impregnado nele?

Ela deu dois passos para trás, incerta sobre o rumo da conversa.

– Como vou saber? Eu nem sei quem ele é!

O rosado estalou a língua e girou os olhos, levemente impaciente. Olhou ao redor por alguns instantes, ocasionalmente inclinando a cabeça conforme uma brisa suave passava por ele. Natsu parecia estar sentindo o cheiro de algo.

– Aquele cara ali – de repente falou, apontando para um sujeito encapuzado encolhido atrás de algumas latas de lixo.

Aquela pessoa estava obviamente se escondendo de algo. Observando atentamente, Lucy reconheceu a figura.

– É o meliantezinho maldito que tentou roubar minha bolsa!

– Oh, isso explica — o Dragneel deu dois passos à frente e o encapuzado tremeu, cambaleando de trás do lixo e correu pela rua o mais rápido que suas pernas bambas permitiram. – Happy!

– Aye sir! — Um exceed azul cruzou os céus e parou exatamente na frente do bandido, impedindo-o de prosseguir com a fuga. O homem engasgou e se virou, dando de cara com um Natsu sorrindo de maneira ligeiramente perversa. Lucy se manteve afastada, tentando processar a cena que se passava diante de seus olhos.

– Por que está me olhando tão assustado assim? Devia saber que não se pode exatamente fugir disso aqui – Natsu apontou para o próprio nariz, seu sorriso não se diminuindo sequer um milímetro. – Hideki Koneko, você é acusado de diversos furtos e cinco assassinatos. O Conselho Mágico determina que você é culpado e o veredicto da sua sentença cabe a mim.

– Mas o que...? — Lucy tentava entender como a situação tinha chegado a isso.

Natsu Dragneel era um mago, isso ela já tinha percebido há um tempo – a presença dele era algo muito notável para ser de uma pessoa normal -, e ela havia visto uma marca de guilda no topo de seu braço musculoso, o que indicava que ele não era um mago desgarrado, mas o que ela estava custando a acreditar era no fato de que aquele rosado era, além de tudo, um cão do Conselho.

Ela já tinha ouvido falar nos cães do Conselho Mágico de Fiore. Eram magos altamente capacitados que trocavam serviços – aparentemente de captura – por informações. No entanto, a loira nunca havia se encontrado pessoalmente com um, então não estava acostumada à aura fortíssima que eles emitiam, por isso só foi capaz de observar a cena com mórbido fascínio.

– Queime – O Dragneel ordenou, murmurando um sonoro “Karyuu no Houko”, para logo em seguida cuspir uma enorme bola de fogo que atingiu em cheio o tal Hideki.

O homem gritou em agonia enquanto queimava e Lucy arregalou os olhos. Uma pequena parte de sua mente ficou maravilhada com a cor e intensidade das chamas. Parecia ser quente, mas ainda fria. Violenta, mas ainda pacífica. Cruel, mas ainda gentil. Esse tipo de chama vermelha... Não era comum. Era uma autêntica chama de um autêntico Dragon Slayer do fogo.

E se essa chama continuasse a queimar, o encapuzado iria morrer. Natsu deveria saber disso e mesmo assim não dava mostras de cessar o fogo. E então, em um momento de compreensão repentina, a Heartfilia entendeu que mata-lo era realmente o objetivo do mago. Os serviços que Natsu trocava por informações não eram de captura – como tinha previamente concluído -, eram de execução.

E mesmo que o rosado não estivesse infringindo nenhuma lei porque estava sob ordens do Conselho, Lucy não achou que era certo. Sem pensar direito no que fazia, passou correndo por Natsu e se atirou em Hideki, tentando desesperadamente apagar o fogo com suas mãos nuas.

– Pare, vai mata-lo! – Gritava com um tom de voz agudo, sentindo aos poucos uma crescente ardência nas palmas das mãos.

– O que está fazendo, sua louca? Saia daí! – Pela primeira vez, a loira pôde ver aquela pose sensual, sutilmente arrogante e desdenhosa que o Dragon Slayer mantinha ser quebrada. Seus olhos castanho-cinzentos estavam arregalados e, com pressa, quase que agindo por reflexo, ele cessou sua magia.

A maga celestial suspirou em alívio e verificou que o homem desmaiado em seus braços ainda respirava. Happy, o exceed azul, sobrevoou sobre a cabeleira loira e parou ao lado do rosado.

– Oe, Natsu, por que ela defendeu o cara que tentou roubar sua bolsa? – O gato perguntou, genuinamente confuso.

O Dragneel mordeu os lábios e apertou as mãos em punhos; Lucy não sabia dizer se ele estava preocupado ou furioso. Por fim, ele franziu o cenho.

– Porque, claramente, ela é estúpida.

A loira abriu a boca e tornou a fechá-la depois de alguns segundos, indignada.

– Você ia mata-lo! Deixá-lo inconsciente e leva-lo preso não bastava? – Perguntou, deixando na cara seu descontentamento pelas ações dele.

– Não – Natsu disse, agora mais calmo. – Esse cara que você está defendendo a vida não vale a pena.

– Todo mundo merece uma segunda chance – afirmou ferozmente.

– Segunda chance? – O rosado riu. – Ele já teve bem mais que uma segunda chance. Ele foi preso mais de cinco vezes e em todas elas se recusou a se arrepender. O Conselho desistiu dele; Hideki Koneko é um perigo para Magnólia e deve ser tratado como tal.

– Por mais perigoso que possa ser, ele não merece ter sua vida ceifada de maneira tão fria.

Os olhos cinzentos brilharam sobre a figura feminina por longos minutos em que a rua permanecia silenciosa. Por fim, com uma expressão completamente fechada e séria, Natsu sussurrou:

– Não se meta no meio do meu trabalho novamente, ou então queimaduras de quarto grau serão um de seus menores problemas.

Notas finais
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