Sangue Quente

6 The Beautiful But Yet Fragile Feeling


Notas iniciais
Olá, lindos e fofos leitores da minha vida, como estão? *-*.Sinto que tenho que me desculpar com todos vocês pela demora. Fiquei muito triste de não poder postar mais cedo, porém os acasos da vida não me permitiram: tive que fazer às pressas uma cirurgia simples (nada muito sério), porém chata, nos dois olhos e passei essas semaninhas me recuperando, usando um tampão nos olhos. Isso mesmo, meus caros, mal podia enxergar. Espero que compreendam :DD.Os fofos que acabaram de acompanhar a história, sejam bem-vindos! Obrigado a todos por mandarem review, amei cada um deles!.IMPORTANTE! Uma leitora veio reclamar comigo que não conseguia entender os nomes dos capítulos porque ela não manjava muito no inglês. Peço perdão à ela e quero dizer que a partir de agora, os capítulos virão com os títulos traduzidos entre parênteses.

Capítulo VI – The Beautiful But Yet Fragile Feeling

(O Belo, Porém Ainda Frágil, Sentimento)

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– Certo, eu acho que essa é a casa dele – anunciou Lucy, subitamente animada.

Natsu rolou os olhos e analisou a única construção que estava em seu campo de visão. Era uma cabana de madeira simples, porém grande, com o teto coberto por musgos e trepadeiras. Era o mesmo tipo de casa na qual o rosado morava e, se não houvesse cupins, ele ficaria surpreso.

– Não sei, não. Essa cena me parece um tanto quanto familiar – o mago ironizou.

Estavam rondando a beirada da floresta Good Seed havia meia hora e, no caminho, encontraram muitas cabanas com esse mesmo estilo. A loura não perdia tempo em dizer “Certo, eu acho que essa é a casa dele”, e então lá ia o Dragneel invadir a casa pela janela de vidro, ameaçando em alto e bom tom “Desgraçado, confesse que sequestrou Camille Bennett!”.

O problema é que era sempre a casa errada. Imagine a expressão de espanto dos pobres residentes quando se deparavam com um maluco rosado irrompendo pela sala, ameaçando a esmo com os punhos pegando fogo. Depois sempre tinham que se desculpar. E Natsu simplesmente odiava se desculpar. Normalmente colocava Happy para fazer o trabalho “diplomático”, mas o gato estava na cidade procurando vaga em alguma hotelaria para hospedá-los.

– Tudo bem, tudo bem, sei que pisei na bola nas outras vezes, mas você tem que concordar que existe uma grande possibilidade de ser essa a casa – ela disse, tentando conseguir o apoio do garoto. Ele a encarou com olhos apáticos, passando um recado claro de que não comprava tal ideia. – Mas vamos tocar a campainha, só por via de dúvidas.

A garota puxou uma pequena corda de palha que pendia rente à porta de madeira e o suave som de sinos tocando encheu seus ouvidos. Arrumou a postura e colocou um sorriso simpático no rosto quando, depois de alguns minutos, a porta foi aberta.

No arco da porta apareceu um sujeito, e a primeira coisa que chamou a atenção de Lucy foram as suas mãos; pelo tamanho, eram obviamente masculinas, mas ao mesmo tempo eram delicadas e aparentavam ser suaves. Dois anéis dourados enfeitavam os dedos médio e indicador. Quase em câmera lenta, ela desceu o olhar para os pés dele – descalços -, depois subiu pelo corpo esguio e os pausou em seu rosto.

Ele tinha cabelos roxos espetados e um rosto quadrado com uma pequena tatuagem logo acima da sobrancelha direita. Os olhos eram pretos como carvão. Ele sorriu, e algo estranho pareceu se agitar freneticamente no peito da loira.

A maga celestial arregalou ligeiramente os olhos e corou, dando-se conta de que era seu coração o autor do repentino rebuliço em seu peito. “Por que meu coração está batendo tão rápido?” chegou a pensar. “O que está acontecendo comigo?”

– Posso ajuda-los? – Perguntou o sujeito, encostando um dos braços no batente. Apesar da pergunta ter sido dirigida aos dois seres presentes do lado de fora da casa, ele ocupou-se em fitar apenas a garota.

Quem tomou a palavra de imediato foi Natsu:

– Você é Eru Hikari?

– Sim – ele respondeu, sorrindo simpático. – E vocês são...?

– Natsu e Lucy – o garoto informou, chamando a atenção do músico.

Eru Hikari fitou Natsu com discretos olhos analíticos por longos segundos. Parecia fazer esforço para reconhecê-lo, puxar algo da memória que talvez iluminasse alguma informação familiar sobre a dupla que se encontrava do lado de fora de sua casa. Se conseguiu, no entanto, não demonstrou.

– E a que devo essa visita de vocês a minha humilde moradia?

O Dragneel franziu os olhos. À primeira vista, não tinha gostado nem um pouco do professor de música; ele vestia uma capa muito extravagante e isso dava nos nervos do mago. Em um segundo momento, Natsu teve a oportunidade de comprovar ainda mais a inimizade que surgiu; o homem falava cheio de pompas.

“Que otário” pensou o rosado. No entanto, tal opinião não era compartilhada pela garota ao seu lado.

– Eu queria muito vê-lo pessoalmente – respondeu Lucy, seus olhos brilhavam em excitação.

O Dragon Slayer se surpreendeu com a autenticidade da atuação da loira, mas não deixou de resmungar.

– Oh, bem, é sempre um prazer receber belas damas como a senhorita. Por que não entra? Posso servir-lhe um chá – sugeriu Hikari em um tom indiscutivelmente calmo, quase hipnótico.

– Adoro chá – ela disse e seguiu para dentro da casa quando o proprietário deu espaço.

“Boa, Lucy” Natsu comemorou internamente, também adentrando a casa. Para ser sincero, o mago não tinha ideia do que iria dizer para convencer Eru Hikari a deixa-los entrar. Talvez a verdade? Sim, Natsu era tão cru ao ponto de dizer “ei, nós estamos investigando o desaparecimento de Camille Bennett e temos quase certeza de que você é o culpado. Se você pudesse nos deixar entrar para comprovarmos nossa teoria, eu agradeceria”.

– Fiquem à vontade, por favor – o de cabelos roxos pediu enquanto indicava com as mãos os sofás da sala.

A casa era muito maior por dentro do que por fora. Era um ambiente feito quase completamente de madeira e deveria, por natureza, ser aconchegante, porém o rosado não conseguia sentir isso.

Ao se sentarem, Lucy balançou os cabelos louros de maneira a fazê-los emoldurar seu rosto. Natsu observou-a atentamente.

– O que você toca mesmo, Hikari-sama?

“Espera, Hikari-sama? O que?” o rosado começava a estranhar a atuação.

– Piano – ele respondeu após um minuto em silêncio.

– Você poderia tocar um pouco pra mim? – A maga celestial piscou os olhos lentamente, fazendo com que seus cílios baixassem de maneira sensual.

Eru Hikari sorriu de canto, mas o Dragneel não pôde deixar de notar que ele parecia um pouco nervoso.

– Eu estou guardando minhas energias para amanhã de noite, sinto muito – ao se desculpar, Eru assumiu o controle sobre seu aparente nervosismo. – Aliás, por falar nisso, amanhã darei uma festa. Senhoria Lucy, gostaria de ser minha acompanhante?

Se alguém de fora estivesse observando a cena naquele momento, não saberia definir de quem foi a reação mais cômica. A Heartfilia havia arregalado os olhos e sorrido de maneira boba, só faltava babar pelo canto dos lábios. Já o Dragneel... Bem, esse havia fechado as mãos em punhos e mordido a própria língua para não gritar obscenidades.

– Eu adoraria!

“Maldita Lucy, o que você tem na cabeça?” Natsu resmungava mentalmente.

O músico sorriu galante e mandou um discreto olhar de vitória para o rosado, que havia se controlado muito para não dar um Karyuu no Tekken (punho de ferro do dragão de fogo) no meio do rosto tatuado.

– Vou lhe preparar o chá, Lucy-chan – Eru anunciou e saiu da sala, rumo à cozinha.

Natsu virou-se para a loura e chamou sua atenção, dizendo que aquela era a melhor oportunidade que teriam de vasculhar a casa à procura de pistas sobre o paradeiro de Camille Bennett.

A Heartfilia piscou, e de seus orbes castanhos pareciam fluir pequenos corações. Ela deu uma risadinha e juntou as mãos fechadas no colo, suspirando apaixonada. Parecia alheia ao ambiente a sua volta. Natsu logo percebeu que algo estava errado.

Aquela não era a Lucy comum, ela não era tão patética assim.

“Tenho que tirá-la daqui. Eu não sei que merda está acontecendo, mas essa não é a minha Lucy. Quero dizer, a Lucy. Essa não é a Lucy”.

Encostou em seu ombro e chamou por seu nome, contudo ela nem piscou. Chacoalhou-a levemente, depois com um pouco mais de força e foi gradativamente aumentando a intensidade, até ela começar a bater os dentes. Vendo que nem assim ele era capaz de acordá-la do estranho transe no qual se encontrava, o Dragneel decidiu pegá-la no colo e leva-la para fora da casa.

Quando estava no corredor, Eru Hikari voltou à sala com uma xícara em mãos. Um cheiro doce atingiu as narinas sensíveis do mago, mas ele não tinha tempo para processar isso. O homem arqueou as sobrancelhas, claramente confuso de encontrar Lucy nos braços de Natsu.

– Aconteceu alguma coisa?

– Lucy não está passando muito bem e já está ficando tarde. É melhor eu leva-la embora – o rosado disse após pensar alguns segundos. Preferiu não esperar pelo pronunciamento do músico e, quando deu-se por si, já havia atravessado a porta de entrada.

A Heartfilia pareceu ganhar vida no aperto do Dragon Slayer e começou a se debater, dizendo que estava em perfeitas condições e que não tinha horário para ir embora. Ele tapou a boca dela com uma das mãos e a olhou feio, se questionando o que ela tinha na cabeça. Quando alcançaram uma distância segura da residência de Eru Hikari, Lucy surpreendeu Natsu ao morder sua mão com força. O garoto reclamou audivelmente e a soltou.

– O que você fez, seu imbecil? Por que me tirou de lá? – A maga celestial exigia enquanto dava passos largos na direção contrária. Natsu arregalou os olhos; ela estava voltando para a casa do músico? – Eu não estava passando mal. E ele tinha feito um chá para mim! Como ousa ficar no caminho do nosso amor?

A frase veio como uma bomba na cabeça do rosado. Aquela não era mesmo a Lucy comum, ela estava fortemente alterada por algo. E esse algo não se chamava amor, Natsu podia garantir. Sem pensar duas vezes, agarrou uma das mãos de Lucy e a puxou para trás. Quando ela se virou para brigar com ele, seus lábios foram duramente prensados contra outro par de semelhantes.

Algo no interior da Heartfilia pareceu explodir. Um clarão de luz quente atingiu sua mente e no outro segundo ela via claramente. Ela sentia o toque masculino em seu braço, o calor da respiração dele em sua bochecha. Foi por apenas alguns instantes e, quando ele descolou os lábios dos dela, tudo o que Lucy pôde fazer foi corar.

Minutos se passaram e eles se encaravam, olho no olho. O silêncio tomava conta do ambiente, mas o Dragon Slayer não se incomodou; pelo menos a garota tinha parado com sua marcha furiosa a caminho da cabana de Hikari, o que era um lucro pra situação.

Talvez não fosse admitir para si mesmo, mas o mago havia gostado de beijar a loura. Não sabia ao certo o motivo de ter feito o que fez, porém havia feito, e havia gostado. Apreciou seu gosto e então passou a língua pelos lábios de maneira quase involuntária.

Lucy corou ainda mais e desviou os olhos para o chão. Seu coração estava acelerado e a respiração vinha descompassada. “Natsu me beijou...”

– Meu primeiro beijo... – Comentou um pouco distraída, bem baixinho. Ela só não contava com a audição sensível do garoto a sua frente, que quando ouviu isso, fitou-a de maneira incerta.

– Seu... Primeiro beijo... – Piscou, colocando um tom cuidadoso em suas palavras. A maga limitou-se a assentir, como se não pudesse falar. – Espera, você tem dezoito anos, é mesmo seu primeiro beijo?

De certo ele não queria fazer tal pergunta, mesmo porque ele também tinha dezoito e nunca havia beijado outra garota que não fosse Lucy, mas ele não sabia o que dizer. Mas sabia muito bem – Igneel o ensinara – que mulheres não reagem muito bem ao silêncio masculino.

– Cala a boca, Natsu-pervertido-ladrão-de-primeiros-beijos! – Ela gritou, apontando o dedo para ele.

Coçando a nuca e tentando consertar a situação, o tal pervertido-ladrão-de-primeiros-beijos perguntou:

– É tão importante assim?

– Bom, pra mim é! – Ela disparou um tanto alarmada. Não se deu conta quando ao certo começou a andar em círculos no lugar, mas podia jurar que ela o estava fazendo a um tempo considerável.

– Então você ficará feliz em saber que esse não foi o seu primeiro beijo. Foi o segundo – ele comentou muito baixo, em um raro momento de constrangimento. Foi tão baixo que Lucy não ouviu.

No momento em que ela parou de andar em círculos, Natsu pôde respirar aliviado. Ela arregalou os olhos ligeiramente e abriu a boca em um pequeno “o”.

– Eu não estou mais pensando no Eru Hikari! – Exclamou de repente. Quando ela estava na cabana, tudo o que podia pensar era em como ele era legal, bonito, charmoso e o quanto ela o amava. Quase surtou ao ver que Natsu a levava embora da presença de seu querido, tanto que havia começado a se debater. Quando o músico saiu de sua vista, tudo o que pensava era que tinha que voltar para ele, mas então Natsu a beijou e tudo pareceu se colocar no lugar; não amava loucamente Eru Hikari. Na verdade, não sabia nem porque havia achado isso. – Tudo o que eu consigo pensar agora é...

– Em mim – o garoto arriscou, sem nenhum pingo de arrogância na voz.

O que não o impediu de ganhar um xingamento acalorado da loira, que continuou xingando, só que dessa vez o alvo era o músico.

– Aquele... Maldito Eru Hikari. Aquele bandido usou um feitiço de amor em mim! Tenho certeza que era aquele anel ridículo que ele tinha no dedo – enquanto resmungava, sem querer bagunçava os cabelos. O visual a deixava sexy na visão do rosado, só que ele preferiu ficar quieto sobre isso. – Achei que esse tipo de anel estava proibido! Como ele conseguiu um?

– Bom, como você disse, ele é um bandido. Bandidos às vezes conseguem artigos do tipo — o Dragon Slayer comentou.

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Não muitas horas depois – no máximo uma ou duas -, a cabana de Eru Hikari era completamente consumida pelo fogo. Um espetáculo de luz alaranjada e fumaça cinza tingia o céu escuro naquela noite.

Dentro da residência de madeira, o músico ardia em chamas.

Do lado de fora, Lucy abraçava três garotas. Uma delas era Camille Bennett, as outras duas eram filhas de ricos comerciantes, desaparecidas há quase seis meses. O espírito estelar da empregada, Virgo, havia aparecido – sem ser chamada – há poucos minutos para entregar uma capa para cada uma delas; as roupas que usavam – não por vontade própria, diga-se de passagem — eram humilhantes e minúsculas.

Enquanto via o fogo se alastrar pela construção, ajoelhada no chão, a Heartfilia refletia sobre como a situação chegara nesse ponto. Ela se lembrava claramente de ter contado ao nakama sobre o anel de amor, exclamando que Eru Hikari era um bandido, Natsu concordara. Então ele coçara o nariz e arregalara os olhos, dizendo que tinha sentido um cheiro doce na cabana do músico, e que parando para pensar, ele já havia sentido aquele cheiro antes: na mansão do velho Bennett. Aquele era o cheiro de Camille, mas segundo o rosado, estava misturado com a fragrância de duas ou mais garotas.

Ambos não perderam tempo em voltar para a residência de Hikari e, desta vez, o Dragneel fez questão de invadir quebrando pela janela. Lucy não viu o que aconteceu lá dentro, mas em menos de cinco minutos as três garotas corriam para fora da cabana, chorosas. Foi tudo muito rápido; quando percebeu, tudo estava em chamas.

Quando Natsu emergiu em meio ao mar de fogo, a Heartfilia cambaleou e esganiçou:

– O que você fez?!

Parando a uma distância segura entre a maga estelar e a casa em chamas, Natsu mantinha um semblante fechado, sério. Em seu íntimo, a loira tremeu; havia se esquecido desse lado perverso que ele era capaz de mostrar.

– Eu salvei as garotas desaparecidas. Eru Hikari está morto.

Ela piscou os olhos castanhos, chocada com o tom de voz seco que ele empregara em sua sentença. Ele não sabia o valor de uma vida? O quanto era errado tirá-la, por mais forte que fosse o motivo?

– Você não tinha o direito de matá-lo – disse, mas sabia que isso nunca entraria de fato pelos ouvidos do mago.

Ele sorriu daquele jeito duro e malvado – o único sorriso que Lucy detestava – e disse, colocando ênfase em todas as palavras:

– O conselho me deu esse direito, lembra? Afinal, eu sou um cão fiel – seus olhos castanho-cinzentos brilharam perigosamente e ela o repudiou naquele momento. Em seu íntimo, sabia que gostava de Natsu, contudo, desgostava profundamente do Cão do Conselho. Eram como duas pessoas diferentes, as duas faces de sua bipolaridade.

Não sabia o que dizer, mas não se impediu de abrir a boca uma, duas, três vezes, para tornar a fechá-la. Piscou aturdida e foi com grande incredulidade que viu as três garotas abraçadas a ela se levantarem e fazerem uma cortês reverência para Natsu. Suas orelhas mal puderam acreditar ao ouvi-las agradecendo o rosado por ter matado o vilão que as sequestrara.

E ali, bem nessa hora, uma vozinha – vinda de sua consciência, ela acreditava – soou em sua mente. “Talvez...”, a voz disse “você nunca tenha passado por uma situação na qual odiou um ser com todas as suas forças para deseja-lo morto”.

Isso a fez pensar por longos instantes.

Nunca ninguém havia feito algo de muito grave à Lucy para que merecesse seu ódio.

Então talvez fosse por isso que, daquela vez, a maga foi incapaz de verdadeiramente brigar com Natsu pelo que ele fez.

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~*~*~

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Encontraram-se com Happy na frente de uma hotelaria. O gato estava orgulhoso por ter conseguido reservar dois quartos diferentes, mas logo percebeu que não ganharia muitos créditos por isso; Lucy passara por ele sem falar nada e entrara em um dos quartos, batendo a porta em seguida – podia não estar brava, mas estava chateada por não conseguir ficar brava.

Natsu, com olhos cansados, fitou o companheiro por um instante, e então entrou no outro quarto, mas, diferentemente de Lucy, deixou a porta aberta. O exceed sabia só de olhar para o Dragon Slayer que ele estava cansado – mentalmente falando – e derrotado, e que aquilo era um pedido de desculpas.

Era tudo o que Happy estava esperando o dia todo. Seguiu-o para dentro do cômodo e fechou a porta, não se demorando em montar os dois futons, lado a lado. Trabalhava em silêncio pois sabia que Natsu precisava disso para pensar no que queria dizer, pois estava na cara que ele tinha muito o que falar. Por fim, ele ouviu:

– Eu a beijei, Happy. De novo.

O azulado levantou os olhos do chão e os levou para a figura levemente abatida do rosado. Era mais do que óbvio que entrar nesse assunto era um ato muito difícil e que exigia muito dele. Happy aproveitou para deixar a mente vagar até a lembrança do que acontecera na manhã daquele mesmo dia.

“Happy estava no meio de um sonho povoado de peixes. Sentia sua boca salivar. Estava prestes a dar uma boa dentada em um deles, mas então alguns murmúrios o arrancaram de seu mundo particular. Quando abriu os olhos, viu um Natsu acordado, mas ainda deitado no colo de uma Lucy adormecida. A garota parecia protagonizar um pesadelo, pois seu rosto estava ligeiramente molhado por algumas lágrimas.

Observou com certo fascínio Natsu levantar a cabeça e rumá-la para uma das bochechas femininas, lambendo a pequena lágrima que escorreu por ali. Era uma situação inédita e o exceed não foi capaz de desviar os olhos.

A loira, ainda sonhando, chamou por Natsu, uma, duas, três vezes. Começou a tremer de leve. Os olhos do azulado quase caíram para fora da órbita quando o rosado murmurou algo como “Eu estou aqui, Luce”, e então a beijou. Nada de espetacular, apenas um encostar de lábios, mas Happy sabia que aquilo era o maior passo que o garoto já dera; a primeira garota que ele beijava.

Não conseguiu mais se conter:

– Eu sabia, você gossssta dela – comentou, enrolando a língua.

– Não diga bobagens, Happy – foi o que o Dragon Slayer disse após se recuperar do susto por ter sido pego no flagra. – Você sabe que eu nunca poderia gostar de alguém.

O gato discordava. Era bem verdade que em todos esses anos que eles passaram juntos – seis, para ser exato -, o garoto nunca havia olhado duas vezes para qualquer mulher. Não que fosse gay; não demonstrava interesse em nenhum dos sexos, era mais como se lhe faltassem hormônios. Natsu sempre pareceu alheio ao mundo.

Houve um tempo, Happy se recordou, em que uma garota, Lisanna Strauss, irmã mais nova de Mirajane e Elfman, investiu no mago de fogo incontáveis vezes. Estava sempre por perto de Natsu e fazia de tudo para que ele a notasse. Era uma boa garota e nunca desistiu, porém quando ficou claro para todos que Natsu simplesmente não sofria estímulos de aparentemente nada, ela o fez prometer algo.

– Qualquer um pode gostar de alguém – disse por fim.

– Eu prometi à Lisanna, não posso aceitar o que você diz que eu estou sentindo – gradativamente o Dragneel ia se irritando.

– Esquece essa droga de promessa, Lisanna está morta! – O azulado não queria que tal frase tivesse todo o peso que teve, tanto que no momento seguinte se arrependeu de tê-la proferido.

Natsu explodiu:

– Ela não está morta, droga!

E então Lucy escolheu esse momento para acordar.”

Voltando ao presente, Happy balançou as orelhas. Natsu tinha beijado Lucy de novo, o que provava a teoria de que ele, de fato, gostava dela. Parecia exagerado tirar tal conclusão por causa de apenas dois míseros selinhos, mas para um cara com um histórico como o do Dragneel, aquilo era o suficiente para providenciar uma leitura completa sobre os sentimentos do garoto.

– Você se sente culpado em dobro agora, não é? – Concluiu por fim, se referindo à promessa que o parceiro fizera há quatro anos.

Suspirando, derrotado, Natsu admitiu:

– Sim. Eu acho... Acho que gosto dela, Happy. De verdade. Quero dizer, — parou para tomar o fôlego que lhe faltava, depois continuou: – eu gosto de todos os meus nakamas, você sabe. Mas com a Lucy... É diferente. É estranho. Ela me faz queimar por dentro. E eu gosto, gosto muito dessa sensação. Eu sou o Dragon Slayer de fogo, e pode parecer bizarro eu dizer isso, mas ela me faz sentir inflamável, aquecido... Vivo.

Os olhos do azulado marejaram-se contra sua própria vontade. Não podia evitar o sentimento de orgulho que crescia em seu peito. Seu parceiro, seu pequeno-mas-tão-grande-Natsu estava crescendo.

– Oh, sim, isso com certeza pode se classificar como “paixão” – comentou, risonho.

O garoto fitou o chão no canto do quarto por longos minutos, a expressão abatida e pálida não arredava o pé de seu rosto. Por fim, muito pausadamente e com a voz arrastada, Natsu falou:

– Sim, acho que é paixão, mas não amor. Ainda não, pelo menos. O que quer dizer que eu ainda posso matar essa... essa coisa que está amadurecendo no meu peito.

A frase cortou o coração de Happy. Natsu parecia o mais infeliz dos homens enquanto planejava matar o belo — porém novo e frágil — sentimento que florescia nele.

“Não se preocupe, parceiro” o exceed entoou em pensamentos, “vou fazer você aceitar e acolher o que sente. Não vou deixar você sufocar isso. Afinal, penso que esse é o meu dever como seu melhor amigo”.

Notas finais
Capítulo maior porque a demora foi grande :DD.E aí, gostaram?.Mandem reviews, por favor, sabem que infelizmente sou movida a eles! Mereço alguma recomendação? *-*