Sangue Quente

10 Between Slaps And Kisses


Notas iniciais
Olá, espero que me desculpem pela demora. Tive um... pequeno... bloqueio :c.O que me animou consideravelmente foram as lindas e absolutamente maravilhosas recomendações das fofa Denille, Anonimous e Meiko. MUITO obrigada, esse capítulo é dedicado a vocês :DD

Capítulo X – Between Slaps And Kisses

(Entre Tapas e Beijos)

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As batidas na porta não eram insistentes, mas eram fortes e irritantes. Happy estava acordado, apesar de ser tarde da noite, mas estava com preguiça de sair do sofá. Ao seu lado, Wendy e Charles repousavam em sono profundo. Quando as batidas soaram mais três vezes, decidiu que podia ser alguém com algum assunto importante, então abriu a porta.

Parado ali na soleira estava Hibiki Lates. O rapaz estava ofegante e com um princípio de hematoma roxo se formando ao redor de um olho e na região da mandíbula. Não se surpreendeu, seu palpite estava certo; Natsu havia mesmo saído para arruinar o encontro.

– Olá – cumprimentou o exceed. O modelo tentou sorrir em resposta, mas a expressão ligeiramente contraída indicava que estava sentindo dor. – Você aparece bem acabado.

– Ossos do ofício – debochou, tentando parecer indiferente. O gato, por um breve momento, sentiu-se mal por ter colocado Hibiki no meio de seu plano, mas não se arrependeu; era necessário.

– Como foi o encontro? – Quis saber com interesse genuíno.

– Foi... Complicado. Mas acho que o objetivo foi atingido.

– É mesmo? – Happy arqueou uma das sobrancelhas e o rapaz assentiu. É claro que o objetivo tinha sido atingido, ou então ele não estaria tão acabado.

O silêncio caiu pesado entre os dois. O azulado, interpretando mal os minutos silenciosos, deu o assunto por encerrado e fez menção de fechar a porta. No entanto, o rapaz, um pouco desconfortável, disse:

– Então, hã, se não der certo com o Dragneel, deixe Lucy saber que, de repente, posso fazer funcionar entre a gente.

– Hã, claro – respondeu Happy, não dando muita atenção para o que o modelo falava. Obviamente seu plano teria sucesso, era o rei das armações. Sem dúvida nenhuma Natsu daria certo com Lucy.

– Eu deixei um papel com meu número sobre o tapete de entrada da porta do apartamento dela, é um lugar fácil pra Lucy encontrá-lo, não?

Hibiki Lates podia não ser muito bom com combates físicos, ou mesmo usando magia, mas Happy tinha que admitir que ele era corajoso. Ignorando totalmente a surra que levou por sair com a loira, ainda teve colhões para tentar manter contato com ela.

– Ah, sim – respondeu, incapaz de dizer qualquer outra coisa.

Era um lugar que com certeza a Heartfilia olharia pela manhã, mas oh, que pena, o número seria logo encaminhado para um incinerador de papéis chamado Natsu Dragneel.

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Lucy achou que nada no mundo a surpreendia mais que o descaso de Natsu para com a vida humana. Aparentemente, ela havia se esquecido da cara de pau dele. Vê-lo ali, ressonando tranquilamente, esparramado em sua cama, completamente vulnerável e com o rosto sereno, causava diversos impulsos esquisitos em seu corpo. Impulsos não muito bem vindos no momento. Mas, apesar da raiva recente, a garota não podia deixar de sentir que o universo não havia se esquecido dela.

O que ele está fazendo aqui?”, pensou. “Eu pedi pra ele me deixar sozinha”. Bom, na verdade, Lucy tinha pedido para ele não segui-la, e, de fato, ele não a seguiu. Só que ela não disse nada sobre não poder esperá-la em seu apartamento. “Anotação mental: não deixar brechas para o Natsu”.

– Natsu...? – Chamou, meio incerta sobre o que deveria fazer. Ele era uma graça enquanto dormia, sim, mas isso não foi o suficiente para extinguir sua raiva. Lucy não podia se deixar levar por aquela carinha de anjo, não quando há apenas algumas horas ele quase queimara o restaurante. – Natsu, acorda.

O garoto nem sequer se mexera. Seu sono era tão pesado que, pelo que sabia, podia muito bem estar em coma. Tentou chamá-lo mais algumas vezes, obtendo o mesmo resultado pífio. Dando três ou quatro passos, Lucy se viu diante da cama, podendo observá-lo com maiores detalhes.

Seus cabelos róseos estavam ainda mais espetados e bagunçados, revoltosos como efeito colateral do sono. Sua mão grande e calejada descansava sobre a barriga definida, seu peito malhado à mostra subia e descia conforme respirava. Natsu era quase tão bonito dormindo quanto acordado. A única diferença palpável era que, quando desperto, sua maldita boca estava sempre proferindo obscenidades, xingamentos e provocações.

Então Lucy decidiu que gostava mais dele quando dormia.

“E aqui estou eu, tentando acordá-lo”, pensou, suspirando resignada. A parte mais amável de sua consciência começou a sobrepujar a mais sensata. “Oh, coitadinho... E se ele não tiver cama na casa dele? Não me admira que ele tenha desabado nesse colchão macio quando teve a chance”. Tal pensamento não estava de todo errado; Natsu não tinha uma cama, dormia em uma rede.

Levando as mãos ao alto, como num ato de conformação com as tramoias divinas, desistiu de seu empenho; deixaria Natsu dormir em paz. Deu as costas e se sentou no chão, apoiando suas costas na beirada da cama. Parando pra pensar, a loira sempre se deixava levar por aquela carinha de anjo.

Por falar em carinha de anjo... “Uma última olhada”, Lucy prometeu para si mesma, “uma última olhada e eu juro que tento dormir. Sentada”. Virou o rosto e lá estava a bela figura do mago em sono profundo, totalmente alheio à sessão de admiração pela qual passava. A mão feminina coçou para tocar a feição angular e masculina. Em vez disso, a garota se concentrou em algo mais saudável: o pescoço dele.

Como era de se esperar, tal parte do corpo estava embalada pelo fiel e sempre presente cachecol branco com detalhes em linhas que lembravam escamas. Nunca o vira sem, e Lucy se perguntou se ele não tirava nem para dormir. Era um grande mistério, já que a única noite que eles passaram “juntos” foi na missão em Clover Town, mas, como ficaram em quartos separados, ela não tinha como saber.

De súbito, a Heartfilia percebeu que não sabia quase nada sobre o rosado. Sabia que ele era afiliado à Fairy Tail, que seu melhor amigo era o Happy, que seu sobrenome era Dragneel e que era bipolar. Só isso. Não tinha conhecimento de onde ele morava, onde estavam – e quem eram – seus pais, nem do motivo pelo qual ele era bipolar. Céus, nem sabia o porquê ele era tão apegado àquele cachecol!

Ela não o conhecia, e isso a magoou mais do que achou possível.

Preferindo seguir por um rumo mais seguro de pensamentos, a maga imediatamente começou a imaginar cenários prováveis de acontecer caso Natsu dormisse com o cachecol, como, por exemplo, acabar morrendo sufocado porque o pano enroscara nas cobertas ou no travesseiro. Ou talvez o cachecol, por um acaso infeliz do destino, acabasse indo parar sobre seu nariz e boca e, de repente, ele se virasse de bruços e morresse engasgado.

Estremeceu. Ela não poderia deixá-lo correr esses riscos. Pondo-se em pé novamente, Lucy usou de toda sua delicadeza – o que não era muito, diga-se de passagem – e lentamente tocou o cachecol, tentando desenrolá-lo do pescoço. Uma mão firme e grande agarrou seu pulso no ato, forte.

Definitivamente, o que ela não esperava do garoto, por causa de seu sono profundo, era uma reação dessas. Soltou uma exclamação aguda pelo susto, mas o aperto não diminuiu. Logo ela percebeu que os olhos de Natsu não estavam abertos; ele não havia acordado, apenas tinha agido por impulso.

Foi também por impulso, ela conjecturou, que ele a puxou de encontro ao seu peito másculo.

Surpresa demais para reagir, até mesmo para falar, Lucy esperou pacientemente — mas com a mente girando — Natsu terminar seus movimentos. Ele colou o rosto no pescoço fino e delgado da moça e aspirou profundamente. Aquele gesto era familiar para ela; o Dragneel tinha feito exatamente a mesma coisa quando a conhecera naquele beco. Na ocasião, ele tinha dito que já tinha sentido seu aroma antes em algum lugar.

Ela prontamente negara, dizendo que era mentira, mas agora, com ele se aconchegando nela desse jeito por causa de seu cheiro, ela não duvidava mais.

Quando o Dragon Slayer terminou sua “inspeção” inconsciente, afastou ligeiramente o rosto e parou de se mexer, voltando novamente ao seu estado semelhante a um paciente em coma. A Heartfilia então pôde respirar aliviada, nem percebendo o momento no qual prendera a respiração. Suas bochechas estavam quentes, e ela podia dizer com certeza que estava corada.

Natsu havia mudado para uma posição um pouco de lado e seus braços se fechavam em um abraço firme em volta da figura feminina que agora jazia deitada na cama. Ela era capaz de sentir o aperto bem rente aos seus seios fartos, e não demorou muito para que uma pressão na base de suas costas começasse a incomodá-la.

“O que... O que diabos é isso?” se perguntou, pressionando o quadril para inspecionar. No entanto, quando o fez, Natsu soltou um gemido muito breve e baixinho. “Oh. Oh. Oh não, não me diga que ele está... Oh. Droga”. O calor – sabe-se lá se por excitação ou vergonha – se alastrou muito rapidamente pelo corpo feminino, e agora não havia dúvidas de que ela estava corada.

A ereção do garoto se fazia presente contra seu traseiro, e Lucy se mexeu desconfortavelmente, tentando mudar de posição e ficar de frente para ele, achando que de algum modo a pressão diminuiria. Diminuiu, é claro, mas, inexplicavelmente, aumentou sua própria excitação.

– Pare com isso, Luce. Eu estou dormindo – Natsu disse com a voz rouca, puxando-a para mais perto.

Ele continuava de olhos fechados, ignorando as reações de seu corpo apenas para retornar ao sono profundo do qual Lucy duvidava que ele tivesse desperto. “Inacreditável”, ela pensou com assombro, “ele está dormindo e mesmo assim consegue tirar proveito da situação! Mas isso... Isso não vai ficar assim”.

Soltando discretamente os braços do aperto férreo do Dragon Slayer, a maga celestial resolveu agir conforme seus instintos lhe diziam. Pegou a ponta do cachecol que repousava perto de sua cabeça e, com ele, cobriu a boca fina e masculina, colando seus próprios lábios por cima do pano. Seu interior desejava beijá-lo ardentemente, mas seu exterior não era tão ousado assim, portando contentou-se com o beijo-roubado-por-cima-do-cachecol.

No entanto, aparentemente, Natsu não se contentava com tão pouco. Tão logo sentiu a carícia do pano em seus lábios, seus olhos se abriram, estatelados, pego de surpresa. Foi uma maneira efetiva e simples de acordá-lo, muito embora ela não intencionasse seu despertar. Levou poucos segundos para a surpresa dar lugar ao desejo luxurioso e, mais do que depressa, o cachecol não mais obstruía suas bocas.

O toque entre os lábios fez Lucy ver estrelas. Nenhum dos dois fechou os olhos; permaneceram apreciando a intensidade luminosa um do outro. Por fim, ambos cederam e os fecharam conforme o beijo se aprofundava. Quando suas línguas se entrelaçaram em uma dança sensual, Natsu puxou a garota para baixo de seu corpo e adentrou lentamente com as mãos por dentro de sua camiseta.

A Heartfilia tinha dificuldades para processar o que estava acontecendo, seu cérebro parecia ter fritado no exato momento no qual sentira o toque da língua quente de seu amado. “Opa! O que?” Ela realmente o amava, e só agora se dava conta do quanto. Coisas como “não saber nada sobre ele” pareciam ridiculamente insignificantes agora. Tudo o que importava era o Dragneel e suas carícias sensuais.

Ela agarrou os cabelos rosados dispostos de maneira bagunçada acima de sua cabeça, puxando o garoto ainda mais para seus lábios. Aquele beijo estava muito, muito bom. Não que ela tivesse experiência com beijos; Natsu havia sido o único a beijá-la até agora. Porém, havia algo sobre o encaixe perfeito entre eles que não deixava dúvidas sobre a qualidade daquele toque molhado.

Quando os dedos calejados e masculinos invadiram seu sutiã e acariciaram seus seios, ela arfou, o que a desconectou dos lábios do outro. Lucy estava completamente sem fôlego, como se tivesse acabado de correr uma marota, e Natsu, no entanto, respirava calmamente. Ele tinha um excelente fôlego, conseguia manter o ar por muito tempo.

“Não é pra menos, ele é um Dragon Slayer”.

Natsu pareceu não se importar de encerrar o beijo; compreendia os limites funcionais da loira, porém, isso não foi suficiente para impedir suas mãos de fazerem avanço. As palmas apoiaram o peso dos seios e sentiram seu formato, seu tamanho. Eram enormes, o que só aumentava sua ânsia de se perder no meio deles.

No momento no qual Lucy acabara de recuperar o fôlego, o rosado havia levantado sua blusa na altura dos ombros. A respiração quente dele batia na carne macia que o sutiã não cobria e, quando ela sentiu a boca insidiosa tocá-la , tão perto de seus mamilos, um raio de lucidez atravessou sua mente enevoada.

“Oh, caramba, o que estamos fazendo? Como... Como chegamos nisso? Eu não sei nada sobre ele”.

– P-pare – não queria ter gaguejado, mas não conseguiu controlar muito bem a fala. Estava nervosa e muito excitada, mas tinha que parar com aquilo agora, antes que fosse tarde demais. – Não... Você... Eu não... Pare!

Algo no tom de voz da garota fez Natsu erguer o rosto de onde estava e encará-la por infindáveis segundos. O desejo e a luxúria eram facilmente reconhecidas em sua expressão, mas havia alguma coisa a mais ali... Afeto? Carinho? Ou então... Amor?

Estava claro que ele parara única e exclusivamente por que ela pediu. Parecia que nada no mundo o afastaria dela, a não ser, é claro, ela mesma. Uma pitada de confusão modificou seus traços.

– Mas foi você quem começou – ele disse, como se justificasse tudo.

Colocando as mãos no peito definido do rosado, a loira o empurrou de leve, corando absurdamente com a ideia de que ela que havia começado com aquele amasso. Céus, ela só tinha lhe dado um único e inocente beijo por cima da proteção do cachecol!

– Eu não! – Quando ficava envergonhada, era normal também demonstrar raiva. – Mas não importa, tudo estava indo rápido demais!

– Rápido demais? – A expressão em seu rosto era irreconhecível, um tipo de mistura de confusão, frustração e raiva. – Você sabe que nós temos essa... Essa conexão! Não importa onde estamos, ou o que estamos fazendo, nossos pensamentos sempre vão voltar uns para os outros, como se fossemos incapazes de ficarmos longe. Eu sei que você se sente assim também. Eu nunca tive isso com nenhuma outra pessoa, então não venha me dizer que estava indo rápido demais!

Sua fala a surpreendeu. Era quase como uma declaração de amor. O mais próximo de uma, pelo menos. Isso a chocou tanto quanto Natsu sair de cima dela e se afastar da cama, como se, de repente, não suportasse mais tocá-la.

– Eu não... – Ela não sabia o que dizer, não sabia o que pensar, só queria que ele voltasse para cama e se tornasse novamente aquele amante carinhoso. Detestava quando seu humor se tornava cinza porque era apenas um passo para a outra personalidade de Natsu aparecer.

– Você não acha que está indo rápido demais – ele declarou, subitamente, enquanto olhava para a parede oposta. – Você só está indecisa.

– Eu não... – Repetiu como uma boba, de repente sendo sobrepujada pela intensidade do rosado.

– É claro que está! – Ele não chegou a gritar, mas aumentou, e muito, o tom de voz. – É claro que está, afinal, há apenas duas horas você estava com o imbecil do Hibiki!

– Não o chame de imbecil! – Retrucou, usando o mesmo tom raivoso. Não sabia o motivo ao certo de defender o modelo, não tinha gostado tanto assim dele. Talvez só quisesse contrariar o Dragon Slayer pois, de algum modo, sua raiva incendiava a dela.

Os olhos castanho-acinzentados voltaram-se para ela como um raio, e neles só havia desaprovação.

– Você é uma irresponsável – acusou, cerrando as mãos em punhos. – Uma irresponsável por sair com um cara que você mal conhece!

– Oh, espere, você está falando de Hibiki ou de você mesmo? – Atirou, sarcástica. De repente, o fato de não saber quase nada sobre o rosado a deixava à beira de um colapso nervoso.

– Não seja infantil, Lucy, você é uma das pessoas que mais me conhecem.

Ele ainda falava alto, e ela nem pensou em abaixar a voz. Era como uma batalha, não podia ceder. “Dane-se os vizinhos”.

– Oh, bem, se eu sou uma das pessoas que mais lhe conhecem, então eu tenho pena dos outros, pois não sabem absolutamente nada sobre você! Ou, não sei, talvez eu tenha inveja dessas pessoas!

Lucy percebera tarde demais a força do golpe que aplicou. Palavras podem muitas vezes machucar bem mais que socos, e ela notava apenas agora que o tinha magoado. O sentimento que ardia em seus olhos castanhos-acinzentados esfriara, o que não deixou as coisas melhores; era uma raiva fria, como uma chama azul, que consumia muito mais que simples chamas vermelhas.

– Eu estava prestes a dizer que Hibiki Lates é um playboyzinho que só quer brincar com você, que não quer nada sério, mas, uau, vocês se merecem – Natsu falava baixo, mas Lucy sabia que o que estava por trás disso era um sentimento muito corrosivo.

– Você... Você só está com ciúmes – gritou, tentando arrancar dele uma reação mais acalorada. Aquela raiva fria a magoava mais do que o esperado. Queria o Dragneel explosivo de volta. – Por que não admite logo?!

Um lampejo ardente brilhou fundo nos orbes do garoto, e lá estava ele de volta ao normal, elevando a voz logo após soltar um riso de escárnio.

– Eu? Com ciúmes de você? – Apesar de estar rindo, seu rosto angular não ficava mais bonito, cortesia da raiva destrutiva. — De onde tirou essa ideia ridícula? De dentro das calças do imbecil do Hibiki?

Oh-oh, agora ele tinha passado dos limites. Insinuar o que Natsu estava insinuando a deixava profundamente magoada, então Lucy disfarçou isso com mais raiva.

Você é o imbecil, Natsu! Suma daqui!

O Dragneel nunca imaginou que ela o mandaria embora dessa forma, mas, como os sentimentos dela lhe serviam de combustível, deu as costas para o quarto e rumou para a porta da frente. Lucy estava parada no lugar, olhando para a direção oposta dele. O silêncio caiu pesado entre eles. Antes de sair, no entanto, com a mão na maçaneta, ele disse:

– Essa história com o Hibiki... Você vai acabar magoada no final, e aí eu não quero ouvir você choramingando perto de mim.

A porta atrás dela bateu com força quando Natsu foi embora e, sabendo-se sozinha e sem mais energia para se manter em pé, caiu no chão de joelhos e sucumbiu, permitindo que duas lágrimas escorressem por suas bochechas.

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Quando fechou a porta atrás de si, o Dragon Slayer do fogo não foi imediatamente embora. Algo no chão do hall, ou melhor, no tapete, chamou sua atenção. Era um pequeno papel quadrado no qual estava gravado um número de telefone e uma mensagem “me liga” em letras arrumadas e elegantes. Era uma mensagem de Hibiki Lates, como a assinatura confirmava.

“Quanta cara de pau”, pensou.

Devia ter acabado com a vida dele quando tive a chance, murmurou o Edo-Natsu em sua mente.

“Cala a boca”, rosnou. Não estava com paciência para lidar com seu outro eu.

Ciente de que estava agindo feito um animal, mas ignorando tal fato completamente, segurou o bilhetinho entre os dedos e o queimou sem remorso. Se ele fosse alguém nobre, teria deixado o papel onde o encontrara, mas, bem, quem disse que ele era nobre?

Ao chegar em casa, encontrou Charles e Wendy dormindo profundamente no sofá da sala e Happy acordado, ao lado delas. Quando o avistou, o exceed se levantou e foi até ele, coçando os olhos, disfarçando o entusiasmo. Afinal, para Natsu ter voltado de madrugada para casa, isso queria dizer alguma coisa.

– Como foi o jantar? – O azulado perguntou.

Natsu observou-o parado em sua frente, o gato mal continha a expectativa. “Ele sabe que eu fui atrapalhar o jantar da Lucy e do imbecil?”.

– O que? – Resolveu se fazer de inocente, confuso.

– Antes de sair, você concordou que comida era a solução para tudo, então foi jantar – disse Happy, esperto. – Como foi?

Um alívio inexplicável tomou conta de seu ser. Aparentemente, ele ficaria muito envergonhado se seu parceiro soubesse que ele estragara o encontro, então deu graças por ele não ter descoberto nada.

– Foi... – Inconscientemente seus pensamentos se voltaram para Lucy e Hibiki sentados sob a luz das estrelas. – Amargo.

O exceed piscou, tentando interpretar melhor a resposta.

– Você... Reclamou com o garçom sobre a comida amarga?

O Dragneel recordou-se da briga que tivera há pouquíssimas horas com a Heartfilia.

– Sim.

– E o que aconteceu daí?

– Ela... Ela me colocou pra fora – divagou, a sentença “suma daqui” martelando em sua cabeça. Agora que a raiva cedia, ele permitia que tais palavras o ferissem.

Happy não precisou fingir inquietação. Então Lucy o tinha mandado embora por estragar o encontro? Mal sinal. Encenando inocência e confusão, Happy questionou:

– “Ela”? Não estamos falando... do garçom?

O rosado percebeu tardiamente sua gafe. Tentando consertar a situação, justificou:

– Era garçonete.

Natsu sabia ser safo quando queria.

– Ah, tá explicado agora porque ela te colocou pra fora – Happy conjecturou, e o Dragneel abaixou seus olhos para ele, curioso. – Você não deve ter exposto de maneira cristalina como você se sentia. Sobre a comida, claro.

Olhos castanho-cinzentos piscaram lentamente.

– Happy, eu quase queimei o restaurante inteiro. Acho que essa é uma maneira bem cristalina de mostrar como eu me sentia. Sobre a comida, claro.

O gato entrou facilmente naquele “faz de conta”. Sabia que ele estava falando da Lucy e daria indiretas sobre isso, mas manteria o papo de “garçonete”.

– Bem, ela é mulher. O que você queria?! Mulheres só entendem completamente os sentimentos quando você fala com todas as letras. Elas até podem sacar, mas nunca vão admitir que sabem porque não gostam da provável possibilidade de se iludir – o azulado coçou o queixo peludo. – Você deveria ter dito “moça, a comida tá um lixo”, em vez de queimar o estabelecimento.

Natsu não estava com paciência para sermões. Em seu íntimo, sabia que o amigo só queria lhe ajudar, mas, de repente, todo esse falatório o tirou do sério. Foi por isso que disse o que disse:

– Se sabe tanto sobre as mulheres, por que não o vejo tendo sucesso com a Charles?

O gato se afastou uns dois passos, magoado e com olhos lacrimejando. O rosado tinha que se lembrar constantemente que Happy tinha o sentimental muito mais frágil que Lucy, e não devolvia com frases raivosas.

– Eu achei... que estávamos falando do seu problema com a garçonete, não sobre meu caso amoroso inexistente – murmurou, cabisbaixo.

O garoto bagunçou os cabelos, cansado e se sentindo péssimo. Andou na direção do companheiro e se abaixou, abraçando-o em uma rara demonstração de afeto.

– Me desculpe, Happy. Você tem razão. Eu só estou exausto.

O exceed sacudiu a cabeça, deixando pra lá a pequena ofensa. Não valia a pena brigar com Natsu, e ele odiava isso tanto quanto o rosado.

– Tudo bem, vamos dormir. A gente tem que acordar cedo amanhã, a Wendy pediu ajuda com um trabalho.

Quando Natsu desabou em sua rede, tudo o que ele via em sua mente era Lucy. Como ela estava depois da discussão? Tinha ficado muito magoada ou sua raiva ainda a amortecia?

Estaria ela pensando nele, assim como ele pensava nela?

Notas finais
Por favor, não me matem por ter... hã, interrompido o pega forte da Lucy e do Natsu. Mas, como a Lucy disse, ela ainda não sabe nada sobre ele e isso ainda pesa bastante pra ela. Mas não se desesperem, o hentai está próximo (sim, eu posso sentir!)..Agradeço a todos que mandaram review, se não fosse por vocês, Sangue Quente não teria saído nem do primeiro capítulo. Continuem assim, onegai!.Daqui a pouco respondo os reviews do capítulo passado!.Beijos, Shew.