Sangue Quente

11 Let Me Come Over


Notas iniciais
Vamos comemorar porque eu não demorei, yay :DD.Esse é um capítulo mais focado na Lucy e sua relação com outras personagens (importante para o desenvolvimento do plot)..Enjoy o capítulo e POR FAVOR, LEIAM AS NOTAS FINAIS!

Capítulo XI – Let Me Come Over

(Deixe-me lhe Fazer uma Visita)

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Lucy Heartfilia encarava interruptamente o papel em branco. Estava ali há o que? Duas horas? E ainda assim o papel continuava vazio. Acordara bem cedo neste dia – ou será que nem dormira? – e um turbilhão de pensamentos fazia uma bagunça considerável em sua cabeça. Mas o papel? Oh, este continuava impecavelmente em branco.

Dias assim, para ela, eram uma tortura. Tinha tanto a dizer, tanto a sentir, e, mesmo assim, absolutamente nada era transmitido à escrita. No entanto, não era capaz de suprimir a vontade repentina de se dedicar ao seu romance. Passara apenas algumas semanas sem escrever e já estava enferrujada desse jeito?

Ideias não lhe faltavam, mas palavras... Ah, essas sim eram danadas.

“Talvez... Talvez eu possa desenhar”.

Não que quisesse virar um mangaka, ela só queria... externalizar seus pensamentos confusos. Ela também não era uma grande desenhista, mas, em uma escala de zero à dez, sua habilidade artística atingia um oito gordinho.

Talvez pelo cansaço mental, ou pela bela distração que os fracos raios de sol entrando pela janela aberta causavam, deixou a mão correr livre, leve e solta. Sem tomar consciência das formas que desenhava, sem proporção, sem detalhes; apenas o puro e límpido reflexo de seus pensamentos.

Ao terminar, se surpreendeu. Tinha desenhado a figura de um rapaz forte e de cabelos espetados. Como dito antes, o desenho não possuía grandes detalhes, somente contornos aqui e ali, porém, indiscutivelmente, aquele no papel era Natsu. Contudo, não foi por esse motivo que se surpreendeu.

Foi por causa dos olhos.

Foi a única parte do corpo no qual ela se dedicara a enfeitar. Tinha muitos traços e sombreados, e até mesmo pareciam reais, mas... ainda faltava algo. “Sentimentos”, percebeu. Os olhos do Natsu real, a despeito de sua postura sempre debochada e provocativa, demonstravam um mundo de sentimentos. Era uma mistura de tudo ao mesmo tempo, como só ele conseguia fazer, mas, ainda assim, Lucy era capaz de distinguir exatamente o que predominava.

E subitamente, sentiu-se mal, porque o sentimento que ele tinha exibido em seus olhos durante a noite inteira de ontem, era lindo e a fazia se sentir aquecida. Talvez, só talvez... Ela devesse ir até o rosado e se desculpar pela briga imbecil. Ela devia ter lhe dito de cara o que estava realmente acontecendo, em vez de simplesmente entrar no clima tenso e jogar lenha na fogueira.

Lucy não estava indecisa, como Natsu acusara. Hibiki Lates não significava quase nada para ela. No entanto, dissera a verdade quanto à tudo estar indo rápido demais. O Dragneel, naquele breve momento na cama, mostrara-se um amante muito bom, e ela com certeza estava no clima, mas... Bom, ela era virgem e ainda faltava um pouco mais de confiança no garoto para que pudesse se entregar.

Natsu parecia ser uma boa pessoa, do tipo que não a descartaria após uma noite, contudo, temia acabar se envolvendo demais e entregar seu coração a um rapaz tão bipolar quanto aquele. Porque em um momento, ele podia declarar juras de amor, e no outro... rejeitar as dela.

E isso ela não conseguiria suportar.

A campainha soou de repente, tirando-a do involuntário devaneio. Com o susto e se sentindo meio criminosa por conta do desenho, amassou-o e o jogou em qualquer canto, correndo para a porta. Quando a abriu, encontrou Levy McGarden e Gajeel Redfox esperando na soleira.

Levy e Gajeel formavam um casal estranho. Não que fossem um casal assumido, mas Lucy os via quase o tempo todo juntos e era capaz de perceber que as pequenas implicâncias entre os dois eram fruto de algo muito mais profundo que simples “companheirismo”.

– Ah, Lu-chan! – Exclamou a azulada ao erguer os olhos pra cima. A Heartfilia, um pouco atordoada pelo apelido, pôde apenas balançar a cabeça em um cumprimento. – Achei mesmo que te encontraria em casa essa hora da manhã.

“Tá, mas... O que vocês estão fazendo aqui?”, pensou, vasculhando a mente atrás de um motivo plausível. Levy era uma maga muito simpática, mas não tivera muito tempo disponível para tentar puxar conversa com ela na guilda, o que significava que elas não tinham muita intimidade entre si. Com Gajeel, então, nem se fala. E ela não tinha passado o endereço de seu prédio, o que levava a uma outra dúvida: como eles chegaram ali?

Apesar da confusão, não quis dar uma de mal educada, então tratou de colocar um sorriso genuíno nos lábios.

– O que posso fazer por vocês?

O Dragon Slayer do ferro enfiou as mãos nos bolsos da calça escura, mas não respondeu. A loira logo percebeu que quem conduziria a conversa era a McGarden, e não ficou surpresa; o Redfox era realmente ruim com as palavras.

– Aqui, vim te trazer isso – a mais baixinha tirou um livro de capa dura de dentro da bolsa que levava à tiracolo e o estendeu na direção da maga celestial, que ficou olhando sem entender. Ela nunca pedira por um livro, então por que...? Notando a confusão da amiga, Levy explicou: — Wendy contou que as probabilidades de você estar chateada hoje eram de quase cem por cento... Achei que fosse gostar de se distrair com um livro.

Lucy agarrou o objeto em mãos e o apertou levemente entre os dedos. Wendy. Wendy, a baixinha que estava sempre pendurada em Natsu na guilda. Devia ter sido Wendy quem dera seu endereço para Levy. Wendy. Como diabos Wendy sabia que ela estaria chateada? Natsu havia contado sobre a briga pra ela? Com que razão? Eles eram assim tão íntimos?

Então, subitamente, uma pontada de ciúmes tocou seu coração. Mas não se engane, não era um ciúmes do tipo romântico. Não se sentia ameaçada por Wendy, de jeito nenhum. Tinha ciúmes porque Natsu confiava nela para desabafar, e isso automaticamente implicava no fato de que Wendy sabia muito mais sobre ele do que ela.

“Por que ele desabafa com ela, e não comigo?”, um minuto depois, refletiu: “Bom, faz sentido ele desabafar com outra pessoa quando é sobre mim. Não é natural desabafar de uma pessoa para essa mesma pessoa”.

Ouvindo um pigarro, desviou os olhos do horizonte e os focou nos dois rostos a sua frente, que esperavam por uma pronunciação, um agradecimento ou algo do tipo. Usou seu melhor sorriso de desculpas, aquele aperfeiçoado durante anos.

– Claro, muito obrigada pela preocupação, com certeza vai me animar – colocou o livro debaixo do braço e tentou puxar qualquer assunto. Uma leve brisa gelada, porém persistente, se fez presente e Lucy tremeu. Era início de inverno e dali há alguns dias começaria a nevar. Seria boa ideia começar a comprar ingredientes para os chocolates quentes. – Não querem entrar?

A McGarden abriu a boca, prestes a aceitar o convite, mas Gajeel resmungou. Franzindo a testa para o parceiro, logo pediu desculpas à Lucy.

– Eu bem que gostaria, mas não podemos. Gajeel quer ir pra casa urgente, está tentando evitar a visita à casa da avó dele.

Lucy arregalou os olhos com a imagem mental da vovó Redfox. Ela seria rabugenta, radical e cheia de piercings igual ao neto? Falaria palavrões e expulsaria as criancinhas do jardim de sua casa com uma vassoura de ferro produzida por Gajeel?

– Ela não é minha vó! – Grunhiu o moreno, se pronunciando pela primeira vez desde que chegara ali.

– Isso não importa realmente, ela te deu abrigo quando você era mais novo e você vai visita-la, sim!

– Você não entende, baixinha, ela não gosta de visitas.

A loira olhava de um para o outro sem entender muito bem a situação, começando a ficar aborrecida. A azulada, notando, sorriu para ela e explicou:

– Quando Gajeel tinha doze anos, o pai-dragão dele sumiu, e a Polyushka-san ofereceu abrigo até que ele conseguisse se virar sozinho. Faz alguns meses que ele não vai visita-la, então estou arrastando-o até a casa dela, no início da floresta atrás da Fairy Tail. Ela é também a curandeira da guilda, acho que você a conhece.

A maga estelar não a conhecia, mas não estava prestando muita atenção. O pai-dragão de Gajeel havia sumido. Se todos os Dragon Slayer eram criados por dragões... Onde estaria o de Natsu? Havia sumido também?

O Redfox e a McGarden se empenharam na discussão por mais alguns minutos e, quando chegou ao fim, a garota tinha conseguido convencer o rapaz a ir visitar a velha Polyushka. Eles acenaram e foram embora ao mesmo tempo em que a Heartfilia fechava a porta atrás de si.

Lucy se jogou pesadamente contra a cama e encarou o céu pela janela de vidro fechada. O tamanho do apreço que tinha por Levy havia acabado de aumentar. A azulada era uma boa pessoa, muito atenciosa, e parecia especialmente interessada em fazer amizade com ela. Parando agora pra pensar, a loira não tinha criado laços muito fortes de amizade com o pessoal da guilda, mas não era por falta de vontade; era só que Natsu prendia sua atenção quase vinte e quatro horas por dia.

Isso tinha que mudar.

Pegou o livro em seu colo e leu o título – “Vinte Toques Mágicos” – bem no momento em que a campainha tocara novamente. Franziu o cenho e se levantou, estranhando; não estava esperando visitas. Mas, bem, tão pouco esperava que Levy desse as caras em sua casa, também.

Do outro lado da porta, Erza Scarlet esperava por ela com um pote de sorvete nas mãos e uma expressão penalizada no rosto. Antes que Lucy pudesse dizer qualquer coisa, a ruiva já enfiava o pote nas mãos da amiga e a puxava de encontro ao seu peito protegido por uma armadura.

A maga celestial sentiu a pancada em sua bochecha enquanto era praticamente esmagada em um dos famosos abraços mortais da outra.

– Não se preocupe – murmurou a Titânia, com um brilho fervoroso de determinação nos olhos. – Wendy me alertou para a possibilidade de você estar chateada, mas não se preocupe, o sorvete cuidará de tudo.

Com muito esforço, a Heartfilia se libertou do abraço esmagador e puxou uma longa lufada de ar. Seus olhos também brilhavam, mas era mais por ter achado que morreria sufocada, do que por determinação. Wendy. Lá estava, de novo aquela garota.

– Obrigada, isso foi muito... gentil – disse, sua bochecha ainda latejando pela “pancada”. Acariciou o pote de sorvete, constatando que, apesar da violência, Erza era uma mulher muito atenciosa. – Wendy também foi muito gentil em alertar minhas... amigas... sobre meu estado psicológico. Mas me diga, onde ela está, agora?

A Scarlet cruzou os braços logo abaixo do peito, dispensando agradecimentos, e sorriu.

– Pegou um trabalho agora há pouco com Natsu e Happy.

“Então ela está com eles”, pensou, indignando-se por nunca ter sequer trocado algumas palavras com a Dragon Slayer do ar. Mas, bem, parando para refletir, mal trocara poucas frases com qualquer um da guilda.

– Quer entrar? – Convidou, querendo firmar uma relação agradável com a ruiva. No entanto, a mulher negou com a cabeça, dizendo que era dia de faxina na Fairy Hills, dormitório feminino que ela ocupava.

Após a despedida da Titânia, Lucy iniciou da leitura de seu novo livro. Não tinha perdido tempo lendo a sinopse; não gostava de spoilers, queria desfrutar da total surpresa. Pelas primeiras páginas, a garota já pôde concluir que se tratava de um romance. Uma mulher encontrava o homem dos sonhos na rua, em uma situação um pouco incomum.

Levando sua mente para longe dos escritos das páginas, a loira recordou-se do momento no qual conhecera Natsu, em uma situação muito semelhante a do casal do livro, e, talvez por esse motivo, se pegou pensando se existia a remota possibilidade do rosado ser seu homem dos sonhos.

Outra vez a campainha soou e a maga revirou os olhos. Na soleira da porta de seu apartamento, Cana Alberona tentava permanecer parada e ereta, mas falhava miseravelmente. Um barril de bebida repousava inocente no tapete ao seu lado. Era quase hora do almoço e a morena já estava visivelmente bêbada.

– Deixa eu adivinhar – começou Lucy, sorrindo sem mostrar os dentes. Sabia do que aquilo se tratava; havia uma garota que estava muito empenhada em não deixar que a loira ficasse triste. – Wendy te informou que eu poderia estar chateada, então você veio aqui dizer que tudo vai ficar bem e me confortar com sua presença, não é?

Cana pareceu ponderar por alguns segundos, colocou as mãos na cintura e sorriu debochada.

– Quase isso – informou, fazendo com que a loira arqueasse uma sobrancelha, confusa. – Eu não vou te confortar – depois bateu de leve na tampa do barril. – O saquê é que vai.

A maga estelar olhou desconfiada para o objeto, porém não protestou quando a morena arrastou o barril para dentro de sua sala. Não precisou fazer convite para que ela aceitasse ficar e, quando se deu conta, logo estavam sentadas no chão, brindando em copos pequenos a bebida alcoólica.

A Alberona era muito divertida, de fácil conversa, principalmente por estar mais solta e relaxada como efeito do saquê. Passaram um bom momento jogando conversa fora e se conhecendo. Cana era filha de Gildarts Clive, o conhecido mago mais forte da Fairy Tail, e, ao que parece, seu vício para bebidas vinha da mãe.

– Ei – a morena disse, de repente. – Esse aqui não é o Natsu?

Os olhos de Lucy voaram do teto para a figura da amiga segurando uma folha de papel amassada. Sentindo-se ligeiramente ameaçada – alguém descobrira seu segredinho sujo -, deu de ombros e arrancou o desenho das mãos trôpegas de Cana.

– Não. Claro que não – se explicou, forjando uma mentira. – Esse aí é o galã principal do romance que estou escrevendo. O nome dele é... Ramirez.

A Alberona riu com vontade, provavelmente estranhando o nome do personagem. Obviamente, aquele havia sido um nome pensando no calor do momento, sob uma discreta pressão; ainda não tinha um nome definido para o galã de seu romance.

Quando a morena desmaiou de bêbada em seu tapete rosa felpudo, o estômago da loira roncou. Metade da tarde já havia passado, e a garota, com assombro, estava tão entretida com a conversa que acabou esquecendo de almoçar. Levantou-se sem muita dificuldade – não havia bebido quase nada – e se colocou de frente para o fogão da cozinha.

Pegou alguns ovos na geladeira e os despejou na frigideira, fritando-os. Ao tirar a panela do fogão, acabou pegando na parte de alumínio, e não no cabo de plástico. Por puro reflexo, soltou a frigideira, contudo, não sentiu sua mão arder; o que era absolutamente estranho, pois o material, indubitavelmente, estava quente.

Seus olhos imediatamente voltaram-se para a chama que saía de uma das bocas do fogão. Aproximou-se, sem nem se atinar para o fato dos ovos terem caído na pia. Tudo o que importava a ela era a chama. Parecia encantada pelo brilho vermelho e ardente que exibia e, sem se dar conta do que fazia, passou os dedos pelo fogo. Rapidamente os tirou, a princípio, mas, percebendo que não havia se queimado, deixou seus dedos descansarem na chama por um tempo maior.

– Uau, isso é uma puta de uma esquisitice – comentou Cana, bem acordada, apoiada contra o balcão da cozinha.

Lucy tratou logo de retirar sua mão dali e enfiá-la no bolso da calça, passando a outra mão no cabelo para disfarçar o nervosismo por Cana tê-la descoberto. Forçou um sorriso e olhou para ela.

– Você está bêbada, Cana.

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~*~*~

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Mais tarde, naquele dia, Lucy saiu de casa e decidiu ir ao centro. Cana havia ido embora há algumas horas, pouco depois do incidente com o fogão. Talvez por realmente estar bêbada e ter deletado de sua mente, a morena não tocou mais no assunto, e Lucy agradeceu por isso. Sabia-se uma esquisita por não se queimar em contato com o fogo, mas isso não significava que ela se sentia confortável com os outros cientes disso.

Quando sentiu fome novamente, lá por volta do início da noite, concluiu que era melhor ficar longe do fogão. Andando pelas ruas do centro, procurando por um restaurante que desse de brinde biscoitos da sorte – precisava urgente de um desses -, se deparou com uma pequena, mas barulhenta, multidão.

O bando de pessoas – em sua maioria, mulheres — estava nos entornos de um restaurante chique, gritando juras de amor e dizendo coisas do tipo “como ele é lindo” e “eles foram um casal perfeito”. A Heartfilia, movida pela curiosidade, levantou-se na ponta dos pés e espiou por cima das cabeças a sua frente.

Sentado em uma mesa ao ar livre, Hibiki Lates conversava casualmente com uma jovem que ocupava a cadeira do lado oposto. Lucy a reconhecia, era uma modelo loira famosa que aparecia quase semanalmente na Sorcerer Magazine. De vez em quando, ambos sorriam para a multidão e mandavam tchauzinhos. A maga celestial só se permitiu ficar chocada quando, para delírio das pessoas ali em volta, o modelo se inclinou sobre a mesa e roçou os lábios da moça em um beijo rápido.

Saindo de lá com muita pressa, a Heartfilia não percebeu que pisava duro. Na superfície, estava com um pouco de raiva, mas sabia que em seu interior uma tristeza e mágoa desconhecidas atacavam sem dó, nem piedade. Se recusara a admitir, mas Natsu, no fim, estava certo. Hibiki não passava de um playboyzinho que não queria nada sério, só se divertir.

Caminhou sem rumo por algumas ruas, indecisa sobre como se sentir. Seus passos a levaram para diante do prédio imponente da Fairy Tail, e ela ponderou se devia entrar ou não. Queria alguém para conversar, mas esse alguém de jeito nenhum podia ser o Dragon Slayer de fogo. Não se sentia mentalmente preparada para admitir que ele tinha toda a razão.

A guilda era um ótimo lugar para encontrar e interagir com uma de suas novas amigas e, com um flash de percepção, Lucy concluiu que não teria o infortúnio de se deparar com o Dragneel naquela noite, já que este havia saído em trabalho com Wendy.

Abrindo as portas principais do salão, a garota contemplou o caos; uma música alta, meio em estilo escocês, soava pelo ambiente, mergulhando a guilda em clima de festa. É, sem dúvidas, ela tinha entrado bem no meio de uma comemoração. O salão estava cheio, os membros da guilda estavam distribuídos entre os sofás, mesas e palco, todos com bebidas nas mãos.

O bar e Mirajane trabalhavam à todo vapor para suprir a necessidade de álcool do pessoal, o que a impediria de se concentrar minimamente na conversa que Lucy pretendia iniciar. Cana jazia com a cabeça deitada no balcão, o que também a desqualificava para a conversa. Ela tinha que achar Levy, ou então Erza...

– Oh, Lucy, que bom que apareceu para nossa comemoração! – Alegremente, Makarov Dreyar surgiu em seu campo de visão.

– É – disse a garota, tentando sorrir a despeito das coisas negativas que sentia. Seu instinto de simpatia atacou bem nessa hora, e ela se viu puxando assunto com o Mestre. – Mas o que, exatamente, estamos comemorando?

O velho mago puxou um homem – Macao Conbolt, Lucy notou – de um dos banquinhos de frente do balcão e o questionou:

– Que dia é hoje?

Macao levou muitos segundos para responder, e a loira atribuiu sua demora ao efeito do álcool.

– Dia oito de agosto.

O Mestre levou os braços para cima e voltou a falar com a Heartfilia.

– Estamos comemorando o dia oito de agosto – gargalhou alto, deixando claro que ninguém da Fairy Tail precisava de um motivo para comemorar. Lucy invejou tal animação, mas muito provavelmente ele estava bêbado; suas bochechas levemente coradas indicavam isso.

Afastando-se discretamente do balcão do bar – e, de quebra, dos velhos pervertidos -, se pôs a observar os arredores da festa, à procura de alguma menina com que pudesse desabafar. Captando um borrão azul em uma das mesas, se aproximou alguns passos, achando se tratar de Levy.

No entanto, quando chegou perto o bastante, viu que, na verdade, era Wendy. Estancou no lugar. Como se não bastasse, ao lado da pequena, bebericando um copo grande de cerveja, estava Natsu.

“O que eles estão fazendo aqui? Não deviam estar em um trabalho?”, com grande pesar, a loira se lembrou de que se tratava do Salamander e que, como o trabalho fora aceito esta manhã, muito provavelmente ele já tinha dado conta do recado.

Ele era uma das últimas pessoas que desejava ver no momento e, pra piorar, como se sentisse sua presença ali, o Dragneel levantou a cabeça, virando ligeiramente o corpo para fita-la de frente. A Heartfilia não soube o que fazer e, no instante seguinte, seus olhares se cruzaram. Novamente foi engolfada por aquele furacão de sentimentos que habitavam os orbes castanho-acinzentados.

Você vai acabar magoada no final, e aí eu não quero ouvir você choramingando perto de mim. As palavras que ele proferira na noite anterior dançaram novamente em sua cabeça.

Ele era intenso demais, gostoso demais e, de repente, Lucy se viu com os olhos marejados, querendo desesperadamente desviá-los da figura completamente máscula e sexy sentada entre amigos. A intensidade dos orbes dele abrandou, libertando-a dessa espécie de prisão.

Não quero ouvir você choramingando perto de mim.

Quando se deu conta, estava correndo. Correndo para longe dali, para longe da festa.

Mas, principalmente, correndo para longe de Natsu.



Notas finais
Gente, get your shit together porque o próximo capítulo vai ser confuso, mas, ao mesmo tempo, fofinho. .Como havia prometido escrever novamente sob o POV do Natsu, bom... Aguardem ansiosas o próximo capítulo, pois ele vem com tudo! Não sei se o Edo-Natsu vai dar muito as caras por agora, mas acreditem, esse cara ainda vai causar problemas..Como ainda estou de férias, pretendo postar o próximo capítulo na semana que vem, maaaaaaaas se acaso eu receber muitos reviews e, quem sabe, recomendações, posto até domingo (ainda vou acabar sendo morta pelas chantagens).IMPORTANTÍSSIMO: queridos leitores, como havia dito, o hentai está se aproximando. Quando planejei Sangue Quente, tinha como objetivo escrever um hentai mais detalhado (seria como um desafio pra mim, já que estou acostumada a escrever somente cenas mais subjetivas). Ainda continuo com esse objetivo, mas sei que tem leitores dessa fic que não apreciam cenas de sexo com detalhes. Levando isso em conta, decidi escrever duas cenas: uma explícita/detalhada (calma, não vai ter nenhum tipo de palavrão, nem palavras feias, nem nada "dark", vai ser mais ou menos uma "safadeza fofa", como diz a querida leitora AndrezaSilva) e outra geral/subjetiva (seria mais um ecchi do que um hentai, tudo muito velado, sem nunca dizer exatamente como as ações estão sendo realizadas, apenas sugerindo que o sexo aconteceu). Vou postar a explícita em Sangue Quente, mas o leitor que preferir a subjetiva, por favor, me informe por review ou por MP e eu mando um link com tal cena (provavelmente vou postar no meu tumblr). Assim acho que consigo agradar todo mundo. MAS POR FAVOR, só diga que prefere a cena subjetiva SE REALMENTE PREFERIR. Se nenhum leitor se manifestar, escreverei apenas a cena explícita (porque convenhamos, escrever duas cenas é cansativo e pode levar um pouco mais de tempo), mas não se acanhem. .Beijos carinhosos da Shewie.