Sangue Quente

25 A Woman With a Goal


Notas iniciais
Lindos e queridos, demorei dessa vez por conta de um bloqueio de escrita :/ Sabe-se lá porque, eu não estava conseguindo escrever em terceira pessoa, somente em primeira. Mas acontece que essa história perde um pouco do conteúdo se for escrita somente em primeira, então eu surtei hahaha Graças a ajuda do cheiroso NatsuFT, tudo parece estar normal agora . Queria agradecer imensamente a diva de vestido brilhante, Fuyu, que mandou uma recomendação espetacular para SQ. Quem acaba com as minhas estruturas é você, querida! . No mais, leiam, se divirtam, e perdoem a demora da autora!

Capítulo XXV – A Woman With a Goal

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(Uma Mulher Com um Objetivo)

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– Hmm, deixa eu ver se entendi direito... — Lucy começou, analisando o pouco movimento na estação de trem daquela noite. — Você não veio até aqui porque esqueceu algo, nem porque quer vir com gente, mas sim porque quis me dizer "boa noite"?

Loki piscou, parecendo perceber só agora o quanto aquilo parecia uma desculpa esfarrapada digna de uma criança.

– Sim, isso mesmo — disse, aprumando os ombros. Ele já estava ali, afinal. Tinha percorrido todo o caminho da mansão Everlue até a estação, e não compensava mudar o discurso. E, de qualquer forma, ele era cara de pau a esse ponto. — Então, boa noite, Lucy.

A loura, no entanto, ainda parecia descrente,

– Você tem certeza de que não quer vir com a gente? — Questionou, porque estava começando a gostar da ideia de ter o espírito de Leão a pequenos passos de seu cinto com as outras chaves.

– Lucyyy — a voz de Natsu soou embargada de dentro da cabine do trem, antes que o ruivo pudesse responder ao convite. — Para de conversar com esse palhaço.

– O que ele tem? — Loki quis saber, achando estranho seu modo arrastado de falar.

– Ah, ele tomou uma pílula do sono feita por uma amiga nossa, assim ele não passa mal — a Heartfilia explicou, aumentando sua voz para que o namorado ouvisse quando disse: — Era pra ele estar dormindo agora!

Natsu não respondeu, provavelmente por estar grogue demais, mas, se Lucy bem o conhecia, ele estaria cuspindo fogo quando ela voltasse para a cabine. O maquinista do trem soou o apito, e essa foi a deixa de Loki, que se pronunciou sobre acompanha-los:

– Não posso, sou um espírito livre.

A garota achou graça porque aquela pareceu a fala de um certo elfo, personagem de um livro de fantasia sobre bruxos que ela havia lido na infância.

– Está certo, então – deu de ombros, tentando ao máximo não transparecer que sua mão coçava de vontade para estender-lhe um contrato de mago para espírito. – Acho que isso é um adeus.

O ruivo mordeu o lábio inferior, como se relutasse em partir. Aquilo não ajudava em absolutamente nada na situação, mas quando Lucy estava prestes a inquiri-lo sobre em quais dias ele poderia ser invocado, o rapaz fez uma reverência tal qual um verdadeiro cavalheiro e beijou sua mão.

– “Adeus” é uma palavra muito forte, querida princesa. Acredito que um “até a próxima” seja mais cabível.

E, assim, do mesmo modo que havia surgido misteriosamente horas atrás, ele foi embora. “Pra onde vai um espírito livre depois que ele encerra seu dia?”, pensou, torcendo os lábios. Não tinha a resposta pra isso, ainda. Porque, se levasse em consideração a fala que continuava ecoando em seus ouvidos, ela ainda teria oportunidades para descobrir.

Do tempo que levou para ir da porta do trem à cabine ocupada pelos amigos, o trem começou a andar. Como Natsu não havia resmungado mais nada enquanto conversava com Loki, concluiu que, enfim, ele tinha cedido para o sono. Mas Lucy raramente estava certa quanto à teimosia do namorado, porque, quando abriu a portinha da cabine, encontrou-o no chão, claramente tentando alcançar a porta enquanto lutava contra o enjoo e o efeito da pílula.

– Isso é realmente sério? – Inquiriu, erguendo uma sobrancelha loira.

– Lucyyy... – ele reclamou, arrastando a sílaba final de um jeito que fazia a imagem de um bêbado pipocar em sua mente. – Eu devia ter chutado... a bunda daquele infeliz... quando tive a chance.

Sua fala foi cortada por protestos acalorados de seu estômago, o que fez a garota rir, ao mesmo tempo em que o apoiava para se levantar. Então o orgulho masculino e o ciúme nada seletivo de Natsu eram capazes de sobreviver até mesmo quando ele ameaçava vomitar suas tripas.

A Heartfilia sentou no canto disponível do banco, puxando a cabeça do namorado para repousar em seu colo. Ele deitou e se aconchegou, ocupando quase toda a extensão do banco, empurrando Happy no processo. O gato, em vez de protestar, escalou o companheiro e se enrolou sobre seu estômago, caindo no sono imediatamente.

Não era de se admirar, afinal esse era o último trem para Magnólia, cortando madrugada à dentro. No banco oposto ao deles, Romeo se escorava na janela, suspirando baixinho, em uma simulação discreta de ronco. No espaço restante, Lisanna repousava, sem ter acordado nenhuma vez enquanto transportavam-na até o trem.

Natsu respirou fundo, chamando a atenção da loira, que não havia percebido estar divagando em silêncio.

– Você tem um cheiro bom, Lucy – foi o que ela achou que ele disse, porque soou bastante enrolado.

– Você também tem, meu amor – comentou, distraidamente, enquanto passava as mãos nos fios rosados, acalentando-o.

Quando percebeu do que o chamara, Natsu já dormia. Ela nunca o tinha chamado de “meu amor”. Não que ela não o amasse, muito pelo contrário. Ela apenas sentia que apelidos carinhosos eram tão banais hoje em dia que não expressariam o sentimento desejado.

Mas ela tinha se enganado.

O truque estava no sentir. O que ela sentia quando proferia tais palavras era o que diferenciava de algo banal. E, no momento, o que ela sentia por ele era um carinho tão profundo que não se surpreendeu quando uma lágrima fez seu caminho molhado por sua bochecha.

Lucy amava Natsu tão intensamente que uma pequena parte dela sentia-se angustiada.

– Você está bem? – Soou uma voz doce, receosa, baixa. Diferente das que era familiarizada. Demorou longos segundos para que a atribuísse à Lisanna.

– E-Eu estou bem – disse, surpresa pela garota estar acordada. Então, sorrindo-lhe fraco, se apresentou: – Eu sou Lucy. É um prazer conhece-la, Lisanna.

A albina apenas balançou a cabeça, como se tivesse se esquecido de como reagir apropriadamente perante a situação de conhecer alguém novo. Lucy não podia culpa-la.

– Fairy Tail – a Strauss apontou para a marca rosa na mão da loira, que ainda acariciava os fios igualmente rosa.

– Sim, eu entrei há alguns meses.

– Mira-nee... – Lisanna sussurrou, mostrando em seus olhos extremamente azuis esperança e lágrimas. – Elf-nii... Como eles estão?

– Oh, bem, eu não tenho muito contato com o Elfman... – Lucy sorriu amarelo, se desculpando. – Mas ele me parece bem. E a Mira... Ah, ela está ótima, sempre gentil. Ela sente muito a sua falta.

A maga estelar esperava o sorriso que se seguiu nos lábios da outra, mas foi pega de surpresa quando ela começou a rir com extremo humor.

– Você é hilária – ela disse, ainda rindo. – Nós estamos falando da mesma Mira?

Sua confusão teria se prolongado por muito mais tempo, se não tivesse se lembrado de uma foto da guilda tirada há seis anos, que Levy havia lhe mostrado no barracão aos fundos da Fairy Tail. Na foto, uma Mira com ares de barraqueira era notável.

– Sim, nós estamos – ela sorriu, acompanhando o súbito bom humor de Lisanna. – Você vai ver.

Os risos continuaram por outros minutos, mas, quando finalmente cessaram, a cabine caiu em um silêncio um tanto constrangedor. Era incrível, para Lucy, que a garota pudesse rir desse jeito após ficar anos presa, mas era ainda mais incrível a maneira com que conseguira conectar-se com ela tão facilmente. Lisanna era tão aberta assim?

– Você é estranha, Lucy – a usuária de take over comentou, subitamente.

– É... Acredite, já me disseram isso antes – respondeu, lembrando-se daquela noite no parque, em que Natsu tentara de diversas maneiras alternativas se declarar para ela*

– Você emite uma aura de segurança como a do Mestre, às vezes. Não me admira que o Natsu se sujeite a ficar tão vulnerável nos seus braços.

Se Lucy notou a inveja sutil que tal frase carregava, não demonstrou. Talvez estivesse ocupada demais refletindo sobre seu conteúdo, em vez do tom. Nunca tinha sequer pensado que tomar a pílula do sono e se deixar dormir em seu colo eram atos de confiança por parte do namorado. Talvez porque tivesse dificuldades em enxerga-lo como qualquer coisa próximo de vulnerável.

Os segundos se transformaram em minutos, e Lisanna soube que a loira não faria nenhum comentário sobre sua observação. Sentiu que havia pegado em um ponto meio delicado e, com isso, havia perdido sua atenção. Foi por isso que se surpreendeu quando a voz de Lucy voltou a preencher a cabine:

– Você desenha muito bem.

Lisanna riu, de novo.

– Eu te disse: hilária. Mira-nee te mostrou meus desenhos? – Questionou, continuando a estampar o sorriso no rosto. Lucy afirmou com a cabeça, mas não era verdade. Ela estava perguntando sobre os desenhos no armazém, que ela supôs que eram de Lisanna. – Então você deveria saber que sou um fracasso até mesmo em desenhar homens-palito.

A frase lançou uma sombra sobre o coração da maga celestial. Se os desenhos dela e de Natsu criança não eram obra da prisioneira, isso só podia significar uma coisa.

Eram do sequestrador.

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~*~*~

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– Esse gato deve ter tomado alguma coisa – Lucy comentou, exasperada.

Natsu adentrou seu apartamento logo atrás dela, segurando Happy nos braços enquanto o bicho dormia profundamente. Ele não havia acordado sequer uma vez no trajeto até Magnólia. Nem quando o casal e Romeo deixaram Lisanna aos cuidados de Polyushka, para avaliar se sua saúde estava em ordem. Nem quando eles foram avisar a família de Lisanna. Nem quando a notícia se espalhou rapidamente pela guilda inteira, e eles comemoraram feito loucos. Muito menos quando Lisanna contou brevemente para o grupo em volta dela sobre o que se lembrava do seu sequestro.

– Nah, bobagem – Natsu descartou, repousando o companheiro no sofá confortável da namorada. – Ele é assim mesmo.

Lucy deu de ombros, não querendo se aprofundar na questão. Então, em um gesto involuntário, abraçou a si mesma, logo abaixo dos seios, como sempre fazia quando estava pensativa. Não demorou muito para que Natsu os substituísse pelos próprios braços, abraçando-a por trás.

– O que está te preocupando, Lucy?

Ela piscou, sentindo o hálito gostoso bater de encontro com sua orelha. Era uma sensação relaxante.

– Não é nada – mentiu, encostando a nuca na curva enrijecida do peitoral do rosado. – Estou cansada.

Ela só achava assustador demais o depoimento de Lisanna. Primeiro, ela disse que no momento em que fora sequestrada, pôde ouvir uma voz masculina, grossa e intimidadora, dizer “te achei, pequena princesa”. E então, tudo o que ela via era escuridão, provavelmente o interior do armazém. Disse que de tempos em tempos, ele a agarrava pelo pulso e murmurava algo parecido com “isso está errado” e “por que você não a tem?”. Até que, alguns meses antes de ser resgatada, ela achou ter ouvido “você não é ela”.

No momento do discurso, Lucy tinha certeza de que absolutamente todos os pelos de seu corpo estavam arrepiados, porém, agora que se recordava das palavras, tudo o que sentia era uma incômoda pontada de dor de cabeça.

– Vou tomar banho – Natsu anunciou, beijando o topo da cabeça loura. – Você não quer se juntar a mim?

Lucy deu de ombros, como se estivesse cansada demais pra qualquer coisa além de se jogar na cama e dormir.

– Eu posso lavar seu cabelo, como você gosta – ele voltou a dizer, mordendo de leve seu pescoço, tentando tirá-la do torpor.

Aquilo pareceu funcionar, porque, no instante seguinte, seu corpo ganhou vida sob os braços masculinos, e a risada fina se fez presente.

– Você sabe jogar sujo – disse, dando meia volta, ainda dentro do abraço, para ficar de frente para o namorado. – Mas estou cansada demais até pra secar meu cabelo depois.

Natsu tinha uma solução pra isso também.

– Bem, eu sempre posso secá-los pra você – sugeriu, liberando uma mão para que ela pudesse vê-la ser coberta por fogo.

Lucy se desvencilhou dele, olhando-o incrédula.

– Você ficou louco?

– O que? – Aqueles olhos enevoados piscaram de maneira inocente. — Você sabe que nada em você pega fogo nem ferrando!

Ela suspirou de forma lenta, obviamente tentando segurar o riso que ele sabia que ela daria. Deu de ombros, novamente, voltando para o abraço quente do Dragon Slayer, se esticando toda para alcançar-lhe os lábios.

– Tudo bem, mas eu não quero arcar com a locomoção de ida e volta para o banheiro.

– Isso não é um problema — Natsu abaixou-se para deixar o acesso à sua boca mais fácil, e, quando ela o beijou, ele a levantou em seu colo.

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~*~*~

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Ela brilhava como um farol. Vestido branco com delicados babados, olhos piscando incessantemente para conter as lágrimas, Lisanna Strauss, parada no meio da guilda, cercada de rostos familiares, parecia brilhar.

– Pessoal... – Ela disse, voz e corpo tremendo para conter o alívio que Lucy imaginava não caber em apenas um ser, principalmente um tão pequeno quanto Lisanna.

– Bem vinda de volta! – A guilda gritou, alguns batendo palmas.

E, como em toda boa festa, uma música animada começou a tocar. Todos os presentes escolheram esse momento para compartilharem um abraço com a albina, expressando em palavras e gestos a felicidade de tê-la de volta em seu convívio.

Lisanna falhou em conter as lágrimas. Lucy piscou, à margem da festa de boas vindas. Era uma cena muito bonita, em sua opinião, mas, de novo, muito íntima. Aquele reencontro pertencia a eles, não a ela, e por isso resolveu ficar perto do bar, onde poderia curtir a vista.

– Ei, Lucy, vai querer alguma coisa? – Droy perguntou, surgindo do outro lado do balcão.

A loira assentiu, imaginando que Droy estava temporariamente cuidando do bar enquanto Mirajane passava um tempo ao lado da irmã mais nova, mas surpresa por terem deixado alguém como ele – com um fraco indiscutível por comida – em cargo da função.

– Um suco – disse, tentando segurar o riso.

Quando Droy trouxe seu pedido — surpreendentemente inteiro -, Lucy deixou seus olhos vagarem pelo aglomerado de pessoas no centro, parando na figura inconfundível de cabelos rosados. Ele estava rindo daquela maneira que a fazia querer rir também; boca muito aberta, mostrando os dentes pontiagudos, mãos na cintura, peito e abdome chacoalhando pelo esforço. Era o “riso da vitória”, como ela gostava de chamar. Muito provavelmente ele estava jogando na cara das pessoas em sua volta o fato dele nunca ter acreditado que Lisanna estava morta, e, obviamente, de ter sido aquele a realizar o feito heroico de encontra-la e traze-la de volta para casa, sã e salva.

“Deixe o menino se divertir”, pensou, dando de ombros e tomando um gole de seu suco. Foi quando o olhar de Natsu, nebuloso e indiscreto, pousou nela, como se sentisse que estava sendo observado. O riso sessou, mas deixou lugar para o sorriso malicioso que era sua marca registrada. Caminhou até ela, sem se importar em se despedir da roda de conversa em que estava, determinação em sua expressão.

Lucy gostava disso. Gostava da atenção que recebia, mesmo quando ele não estava sozinho. Gostava tanto que cada célula do seu corpo pareceu arder em deleite.

Natsu, ao diminuir a distância, apoiou-se no balcão, de modo que seus braços cercaram o corpo curvilíneo da namorada e, sem demora ou explicação aparente, tomou seus lábios em um beijo exigente, e talvez não muito apropriado para o ambiente.

Ao mesmo tempo em que o ar escapava de seu pulmão, a loira agradeceu aos céus por terem encontrado Lisanna. Isso deixava Natsu feliz, e um Natsu feliz era uma Lucy satisfeita.

O beijo roubado não chamou a atenção da guilda, que parecia envolta demais nas festividades para se importar. O que não impediu Lucy de corar até a raiz dos cabelos e aplicar um tapa bem dado no ombro do namorado. Sim, ela tinha gostado, mas ele não precisava saber disso.

– O que deu em você? – Perguntou, levando os dedos aos seus próprios lábios, instintivamente.

– Nada — o Dragneel riu, colocando uma das mechas loiras atrás da orelha, aproveitando para contornar o rosto delicado da Heartfilia. – É só que você me pareceu muito irresistível de longe. E, agora posso ver que de perto, tive minha certeza.

– Obrigada – ela disse, tentando esconder o rubor. Então, rindo, deu mais um gole no suco. – Você também pareceu, mas acho que foi só de longe mesmo.

No instante seguinte, o suco estava nas mãos quentes e calejadas. Natsu cheirou o copo e franziu o cenho.

– Chega de suco de morango pra você, mocinha. Já está tão bêbada que está falando bobagens.

Lucy mostrou-lhe a língua.

Depois de alguns minutos agradáveis ao seu lado, o rosado já estava sendo puxado para outra roda de conversa, com pessoas ávidas para ouvir o relato do trabalho realizado no dia anterior. Ele tentou puxar a loira pela mão, para que o acompanhasse e o ajudasse a lembrar de pequenos detalhes, mas ela educadamente recusou, dizendo que estaria com ele assim que o suco acabasse.

Lucy não disse aquilo como uma mentira, mas, como iria descobrir dali a pouco, o universo tinha um plano.

Dando goles cuidadosos, seus olhos pousaram na porta da biblioteca nos fundos da guilda. Estava fechada, mas havia uma fresta de luz escapando pelo vão rente ao chão. Curiosa, e sem pensar muito no ditado que dizia que a curiosidade matou o gato, deixou o copo no balcão e seguiu naquela direção.

A porta abriu e fechou. Levy, sentada atrás de uma mesa na biblioteca, levantou os olhos do dispositivo em que trabalhava e encontrou a figura de sua amiga loira parada em sua frente.

– Sabe, tem uma festa acontecendo lá fora, caso você não tenha escutado a música... – Lucy comentou, sorrindo.

A azulada franziu a testa.

– É, eu sei, o barulho quase me desconcentra.

– No que você está trabalhando? – Perguntou, apontando para o dispositivo parcialmente desmontado em cima da mesa. O objeto era oval e prateado, parecido com nada que ela conhecia, mas, por alguma razão, lhe era familiar – Ei, espera um pouco... Eu... Já vi isso antes...

Levy concordou, tirando os óculos que usava quando conduzia algum tipo de pesquisa.

– Erza trouxe isso daquele trabalho em Silver Clock. Ela disse que o encontrou dentro da loja de conveniência abandonada. Sabe, aquela de três andares?

A loira balançou a cabeça, confirmando. Era o objeto oval que Gray havia esbarrado logo depois de todo mundo começar a agir estranho, no trabalho em que capturaram Persephone.

– Eu não sabia que ela tinha se preocupado em trazer isso pra cá.

– Bom, — Levy começou, dando de ombros – ela estava intrigada com o que era isso.

– E você descobriu?

– Não! – A azulada fez um bico adorável, coçando a cabeça. – Essa tecnologia... E o modo como a magia é trabalhada nele... Eu nunca vi. É muito... Avançado.

Como qualquer um com dois neurônios podia notar, a McGarden não estava feliz em admitir isso. A Heartfilia, tentando amenizar a frustração da amiga, sorriu apaziguadora.

– Nada que uma boa noite de estudos não resolva, certo, Levy-chan?

Mas a amiga já estava sacudindo a cabeça, negando.

– Você não entende... Não está nos livros. Eu não sei o que é – suspirou, ajeitando a faixa no cabelo. – Mas eu acho que sei pra que serve.

– Essa é a minha garota – Lucy riu. – E então, pra que serve?

Levy McGarden, de repente, como se esquecesse de sua frustração, era toda negócios:

– Eu acho que se trata de um dispositivo para auxiliar magia de persuasão.

O estômago de Lucy afundou. E a sensação piorava com o resto da explicação. Levy pensava que o aparelho liberava uma toxina mágica que atuava no inconsciente da pessoa, deixando-a mais suscetível à hipnose e persuasão.

Lucy, então, sabia exatamente de quem era aquele dispositivo, ou, em última instância, quem o havia colocado naquela loja de conveniência abandonada. E, como se a descoberta fosse algum tipo de chave para o bom raciocínio, o cérebro da maga celestial começou a processar diversas informações em poucos segundos.

Hipnose. Persuasão. Lucy havia sido persuadida a levar sua equipe inteira para aquela loja. O ladrão de livros, o mais velho dos Irmãos Vanish, havia confessado que uma mulher tinha lhe dado uma sugestão da qual ele não conseguiu negar.

E então tudo se encaixou.

Ela precisava fazer uma visitinha para uma prisioneira do Conselho Mágico.

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Lucy Heartfilia, quando saiu da biblioteca, era uma mulher com um objetivo.

E com um problema.

O problema, é claro, tomava a forma de um belo Dragon Slayer de cabelos rosados. O pedido que ele havia lhe feito para não perambular por aí sozinha começava, aos poucos, a fazer sentido. Dito isso, ela sabia que não podia pedir a Natsu para acompanha-la no que estava prestes a fazer.

Não, ele nunca a deixaria tomar esse risco.

O que significava que ela teria que ser bem criativa quanto aos arranjos. Olhando em volta da festa que ainda seguia a todo vapor, a ideia brilhante a acometeu.

Laxus. Laxus, é claro! Laxus, sempre um problema. Hoje, sua possível solução. Lucy se aproximou furtivamente da figura imponente encostada desleixadamente contra uma parede perto do bar, certificando-me de ficar fora da vista de Natsu.

Ensaiou seu melhor sorriso e tentou uma abordagem casual:

– Oi!

Silêncio. Laxus se limitou a somente passar preguiçosamente os olhos pela garota, com aquela típica expressão de "não fale comigo". Bem, ela estava falando, e ele teria que lhe responder.

– Não — por fim, ele disse.

Lucy teve que confessar para si mesma que sua confusão era a única coisa não ensaiada nela e, por isso, soou genuína quando o questionou:

– Não o que?

Um estalo de impaciência se fez bastante audível quando ele torceu a boca, seu olhar ainda se recusando a dar algum crédito à loira.

– Você veio me pedir um favor, que, aliás, é encrenca, e a minha resposta é não.

– Não é encrenca! — Foi sua resposta brilhante. Claro, porque era o mesmo que dizer "você está certo em sua dedução".

E a cara que ele fez deixou bastante transparente para ela que ele sabia disso.

– Eu conheço encrenca quando vejo uma — comentou, deixando o olhar fixo em alguma coisa por cima de seu ombro. Lucy podia apostar sua herança inteira de que era em Mirajane. — E você, baixinha, está com cara de que está aprontando uma das grandes.

Salvo o comentário depreciativo sobre sua altura, ela não estava exatamente emburrada por ter sido pega no flagra. Fazia parte do seu plano B, na verdade, caso o plano A "sorria e o convide para passear" não desse certo.

– Ok — disse, dando de ombros. — E desde quando você foge de encrencas?

Agora ela podia dizer que tinha seu interesse, porque, dessa vez, ele olhou diretamente pra ela, parecendo ser capaz de lhe perfurar com aquela encarada. Pra seu mérito: Lucy não recuou. Mesmo que todas as suas células estivessem lhe implorando pra sumir diante dele mais rápido do que o Jet faria.

– O que você quer?

A Heartfilia queria muitas coisas, ele parar com a pose de machão inatingível e agarrar de vez a Mira sendo a principal delas, mas o que ela pediu foi:

– Preciso que me acompanhe até o prédio do Conselho. Eu... Natsu me pediu para não andar sozinha por aí.

– Sei — o sorriso que Laxus lhe mostrou era imensamente mal humorado. — E por que, diabos, o próprio Natsu não te acompanha?

Uh-oh.

– Porque... Bem, porque ele está ocupado, óbvio.

Aquele, senhoras e senhores, era o argumento mais furado do mundo, porque Natsu estava há uns dez metros dali, bebendo bastante e fazendo barulho, e algo dizia a ela que Laxus estava pensando exatamente nisso.

De qualquer forma, não se retificou.

– Mentirosa — ele constatou, transformando o sorriso mal humorado em um predatório. — Vou com você.

A vida não é mesmo fantástica? Lucy tinha acabado de convencer Laxus Dreyar a lhe fazer um favor, e ela não tinha ideia de como havia conseguido isso.

– Por que?! — Permitiu-se perguntar, incrédula.

– Porque, — ele suspirou, relaxando os ombros — como você disse, eu não fujo de encrenca. E faz tempo que eu não arrumo briga com o Natsu, então...

Ela nem mesmo vacilou, piscando vagarosamente os cílios grandes em curiosidade.

– Você sabia que para arrumar briga com o Natsu, basta olha-lo atravessado, não é? Pra que se dar ao trabalho de me ajudar?

A resposta dele foi incrivelmente doce para os padrões do mago dos raios:

– Porque você parece prestes a quebrar, baixinha. E eu gosto dos meus companheiros inteiros.

Notas finais
*Fato ocorrido no capítulo 12, Like a Thief in the Night. . Então a Lucy decidiu agir sozinha. Muitas tretas capítulo que vem, não percam haha Se alguma dúvida surgir, já sabem, mandem lá no Ask da fic! O link está no meu perfil. . Quanto aos reviews, amei todos eles e vou estar respondendo-os ainda nessa semana. Obrigada por tudo e continuem assim, me deixando saber o que vocês gostam ou não. Beijos