Sams Town
14 Amar Até Morrer
O vestido de casamento usado por Quinn Fabray e também o terno usado por Sam Evans na cerimônia de casamento eram lindos e ainda seriam donos de muitas lembranças ocorridas em Sam’s Town e durante o casamento e a sua festa naquele dia tão marcante. Para algo além disso, no entanto, de nada serviram, nem mesmo minutos depois de os recém-casados deixarem o campo em que o casamento acontecera e irem às pressas para o quarto “presidencial” destinado a eles na pensão em que já estavam hospedados.
O quarto também era lindo. Tinha uma cama de casal que Quinn diria parecer a de uma princesa, porque tinha a opção de ser fechada com cortinas leves, de seda cor-de-creme, e também porque o papel de parede florido dava um ar de realeza ao ambiente. Sam afirmaria o mesmo, se em algum momento tivesse ouvido os pensamentos de Quinn, e inclusive faria um elogio ao colchão tremendamente macio e grande como se a cama fosse destinada a cinco corpos originalmente, e não dois. Quase parecia um terreno a ser explorado.
Mas nenhuma dessas observações foi feita entre Sam e Quinn. Primeiro porque Sam tinha Quinn no colo quando entraram no quarto, e o rosto da amada esposa era o único foco, além do chão no qual ele pisava, que ele tinha no momento. Quinn, nos braços de Sam, segurando um buquê que, assim que a porta do quarto foi aberta, caiu no chão, sorria enquanto observava o esforço estampado no rosto de Sam, expressão essa que quase lhe deixava sexy. Ela não dava a mínima para o quarto naquele instante, e muito menos Sam se importava com ele.
Também não se importavam com as roupas usadas no casamento, e isso só viera para confirmar o que eles já suspeitavam. Não se passaram nem dez minutos dentro do quarto e os corpos de Quinn e Sam já estavam nus, tamanho o desejo que um sentia pelo outro.
Quinn jogou-se na cama, contemplando o rosto sério de Sam a observá-la, desejando-a como um homem faminto. Seu corpo malhado e branco tinha uma aura luminosa e calorosa por conta da luz do sol que entrava pela única janela do quarto, aquela cujas cortinas dançavam com a brisa fria daquela tarde. Não demorou muito e Sam agachou-se diante de Quinn, mergulhando a cabeça por entre as pernas abertas da mulher, provocando nela uma onda de calor tão intensa quanto foram os arrepios que correram seu corpo. O toque macio e quente dos seus lábios em uma região tão íntima levou Quinn a pensar em campos vastos e floridos, onde a felicidade não era só imaginável, mas tangível. Deparou-se segurando os cabelos louros do marido, como se, por tudo, quisesse impedi-lo de interromper o que fazia, sabendo que não seria capaz de aguentar mais um minuto sequer naquele quarto sem aquele toque.
E Sam não fez força nenhuma para retirar seus lábios da pele quente e agora úmida que havia entre as pernas de Quinn. Parecia tão ávido por tocar aquela parte com a boca quanto Quinn estava por receber aquele toque.
Depois de tanto tempo sofrendo aquela carícia, Quinn fraquejou e suas pernas esguias repousaram com um súbito cansaço nos ombros fortes de Sam. Apenas nesse instante ele se afastou seus lábios das peles íntimas de Quinn, mas apenas porque estava interessado em explorar outras partes do monumento que havia à sua frente.
Sob aquela perspectiva, a de olhá-la de baixo, diante de todo o corpo que tinha para tocar e beijar, Sam se sentiu ainda mais excitado. O rosto de Quinn surgia por entre seus seios e o olhar dela era tão irresistível, tão sedutor, que Sam não conseguiu mais refrear seus instintos mais primitivos. Retirou as pernas macias da mulher de cima dos seus ombros e beijou-as com fúria, mordendo-a apenas uma vez em uma região já quase próxima da virilha. Feito isso, voltou-se com um bêbado que está prestes a desmaiar na direção de Quinn e subiu sobre o seu corpo, ansioso por provar um pouco mais daquilo que estava bagunçando os seus sentidos.
Quinn usou uma mão gelada para guiar Sam por entre seus seios, e ali ele a beijou com beijos rápidos, segurando os seios com ambas as mãos, acariciando-os lentamente, levando Quinn ao êxtase. Os cabelos de Sam estavam tão compridos que tocavam o peito da mulher, causando-lhe ainda mais arrepios.
Quando já não havia mais pele por ali que Sam não tivesse beijado, Quinn guiou o rosto do marido até o seu, e só então os seus lábios tomou os dele para si. Mordeu-os, massageou-os, encontrou sua língua e lambeu-a entre um suspiro e outro. Sam estava tomado por tão grande torpor que desabou sobre o corpo da esposa, fazendo com que ela sentisse a excitação dele não só nos lábios e nas mãos, mas também no pênis que tocava com urgência a entrada da sua vagina.
– Sam... – ela sussurrou, mas de maneira tão incompreensível que mais pareceu um sopro.
Sam agarrou um de seus seios novamente e, com a outra mão, guiou o pênis para dentro da vagina. Quinn soltou um arquejo, estremecendo e umedecendo ainda mais aquela entrada, facilitando o movimento do membro de Sam. Agarrou-o pela bunda e o ajudou a penetrá-la de vez. Quando sentiu a barriga de Sam tocar a sua, deu-se por satisfeita.
E então a coreografia começou. Sam movimentava-se para frente e para trás, procurando manter os lábios colados nos de Quinn, fazendo um esforço tremendo para beijá-la nos intervalos de tempo entre um suspiro e outro. Quinn sentia-se tão completa, tão destemida, tão sem pudores que se permitiu um grito. Apertou os olhos, tentando imaginar qual seria a imagem que o amor deles teria naquele instante. A sensação de ter o homem que amava dentro de si era indescritível de tão boa, mas não havia imagem no mundo que pudesse refletir aquilo. Era um sentimento inexpressável.
O encontro da barriga de Sam com a de Quinn já começava a suar, fazendo um barulho de pele batendo em pele, quando Sam diminuir um pouco do ritmo. Quinn pensou, assustada, na possibilidade de Sam já ter terminado, afinal, ela queria mais, muito mais.
Mas ele não tinha terminado ainda.
Levantou-se ligeiramente e passou uma perna de Quinn para o outro lado, unido as duas. Deitou-se ao seu lado e, com um movimento de mãos, flexionou as pernas da esposa, facilitando o seu movimento. Abraçou-a na altura da barriga e tornou a agarrar um de seus seios. Enquanto o seu membro entrava e saía de Quinn, ele lhe beijava os ombros e sussurrava palavras de amor. O torpor que o tomava agora tomava conta da mulher também. Os dois pareciam ter usado a mesma droga, tão loucos que estavam.
– Sam – Quinn voltou a sussurrar, segurando sua cabeça como se pedisse apoio. – Nunca mais me deixe. Nunca mais.
– Eu não vou deixar – ele disse, rouco, sem jamais parar o sexo.
– Não quero que me deixe nem em pensamento.
– Não vou deixar.
– Você me completa, e sinto que poderei morrer se um dia não o tiver mais ao meu lado.
– Se é de mim que você precisa para continuar viva... – Sam fez uma pausa para tomar fôlego –... é a mim que você terá. Pelo resto da vida.
– Eu te amo, Sam.
– Eu te amo, Quinn.
– Não! – Quinn exclamou, a voz esganiçada por conta da excitação.
– Eu te amo como as estrelas lá em cima, e vou te amar até morrer – Sam pontuou a frase com um movimento ainda mais forte.
E foi então que Quinn chorou.
Não de tristeza ou de dor, apesar das investidas cada vez mais intensas de Sam, mas por que estava feliz. Não se julgava merecedora de tanto. Até então, considerava sua vida tão medíocre por ser baseada em metas tão medíocres quanto... Quer dizer, que garota merecedora de uma felicidade daquelas teria como objetivo, na escola, ser rainha do baile? Que merecedora desejaria apenas o dobro salário diante daquilo que vivia? Esses eram desejos tão pormenores e miseráveis...
Uma mulher de verdade deveria ansiar pela felicidade que agora ela sentia sob o toque de Sam.
Mas talvez eu nunca a tenha desejado porque não sabia que ela existia, pensou, ainda derramando lágrimas.
Sam beijou-a uma última vez no ombro e então seu corpo inteiro fraquejou, perdendo a rigidez nos músculos, perdendo tudo, como se ele estivesse desmaiado. Agora não restava dúvidas: Sam terminara sua parte.
Quinn gozou outra vez, só de imaginar o que aquela noite um dia significaria na vida dos dois. Uma noite que selara uma era, aquela que servira como ponto final em um problema que dois jovens nunca procuraram, mas que os atormentaram da mesma forma. Aquela fora a transa que servira para confirmar que erros cometidos podem ser consertados, se os meios corretos forem seguidos. Sam agira como um homem diante do vacilo que cometera, e Quinn observara isso nele. Afinal, aquele não era só um corpo bonito que um dia se autonomeara “White Chocolate”, mas também um cérebro cheio de ideias e uma personalidade cativante.
E também o homem que eu amo e com o qual eu me casei.
Ir embora de Sam’s Town para voltar para Lima vai ser bem mais fácil agora.
Sam beijou a nuca de Quinn uma última vez e adormeceu segundos depois. Quinn suspirou como uma jovem apaixonada e, ao fechar os olhos, os sonhos tomaram o seu pensamento.
Quinn acordou arrepiada, e isso foi algo que Sam só sentiu porque seu braço estava encostado no dela. Talvez isso tivesse algo a ver com a janela aberta que, com o cair da tarde, permitia o vento entrar em lufadas que, embora curtas, eram frias. Ou talvez fosse apenas o fato de que ela estava nua.
Ele já estava acordado há muito tempo, portanto, tivera a oportunidade de assistir a noite cair minuto a minuto. Aquela imagem, em dias normais, não seria nem um pouco atraente, mas com Quinn deitada em seu ombro tudo ganhava uma aura interessante. Fora por isso que ele não se levantara durante a hora inteira em que esperara Quinn acordar, nem mesmo por causa do frio que o próprio corpo despido sentia. Era um prazer se sacrificar por aquela mulher.
– Por quanto tempo a gente dormiu? – Quinn perguntou, sentada, puxando alguns lençóis para cobrir a frente do corpo.
– Algumas horas só. Umas quatro. O céu escureceu rápido porque parece que vem uma tempestade por aí.
Quinn assentiu com a cabeça.
– E o que você está pensando em fazer agora? – tornou a perguntar.
– Estou pensando em ficar te olhando até enjoar.
– E quanto tempo isso pode demorar?
– Uma vida inteira.
– Parece bastante tempo.
– Não tanto, quando se está ao lado de quem ama.
Quinn corou como uma jovem que acaba de receber um flerte do garoto que ama. Sam achou isso engraçado, pois o fazia se lembrar da Quinn em uniforme de líder de torcida no McKinley High.
– Falando sério – ela prosseguiu. – O que está pensando em fazer agora?
– Curtir Sam’s Town ao seu lado. Temos tanta coisa para observar...
– Eu imaginei que você fosse dizer isso.
Quinn não usara um tom amigável para dizer aquela frase.
– O que você quer dizer com isso? – Sam perguntou, sentando-se na cama.
Quinn hesitou alguns segundos antes de dizer.
– Eu não quero mais ficar aqui, Sam.
– Mas Quinn...
– Esse lugar... Tudo bem que a maioria das pessoas seja hospitaleira, mas as laranjas podres no meio desse pessoal me incomodam. Não sei se estou a fim de ficar mais um dia nesse lugar.
– Você quer ir embora?
– O mais breve possível. De preferência, assim que a gente terminar de fazer amor novamente.
– Não estou te entendendo, Quinn...
– Eu te amo, Sam, mas quero continuar a te amar longe daqui. Ainda vou pagar cada centavo investido pelo pessoal dessa cidade no nosso casamento, mas não quero mais nada deles além de uma lembrança. Não quero fazer amizade com eles.
Sam ainda não compreendia.
– É como dizem: o melhor é deixar uma festa enquanto ela ainda está boa. Não quero esperar algo de ruim acontecer novamente para manchar a boa impressão que eu consegui criar de Sam’s Town nas últimas horas.
Sam assentiu com a cabeça.
– Então a gente vai embora agora? – perguntou.
– Só depois de fazer amor mais uma vez... – ela disse, rouca, aproximando-se para beijá-lo.
Sam não precisou de ajuda para afastar o lençol sobre o corpo de Quinn; ela queria aquilo tanto quanto ele. Quando suas mãos ficaram bobas e os suspiros voltaram a correr as paredes do quarto, Quinn e Sam não conseguiram mais voltar atrás de tanta excitação.
Estavam tão mergulhados no amor que sentiam um pelo outro que nem deram ouvidos aos trovões que retumbavam alto demais nas ruas de Sam’s Town agora.
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