Same Mistake.
1 Prólogo.
Notas iniciais
Boa leitura! :)
Winterfell, Westeros.
A neve que caíra durante a noite encobriu o tapete de folhas vermelhas da Árvore Coração, transformando a paisagem do Bosque Sagrado e deixando-o com um toque ainda mais místico e sombrio. Era ali, em Winterfell, que restava o mais poderoso reduto de crença e devoção aos Deuses Antigos. A face horrenda esculpida na árvore parecia lhe encarar, medindo seus medos, seus pecados. Aileen não saberia dizer qual seria o veredito, como os deuses sem nome a julgariam, mas pediu silenciosamente por piedade.
Poucos passos à frente, sentada sob os próprios pés, diante da árvore, com a cabeça baixa e em total sinal de entrega, estava o motivo que levara Aileen até ali. Maya era pouco mais de ano mais moça que ela, tinha os olhos e os cabelos castanhos e um ar selvagem, ainda que ofuscado por sua aparente serenidade, que não deixava passar despercebidas suas tão prováveis origens. Aileen era o extremo oposto, com seus cabelos negros como a noite e seus tão fadados olhos lilases, seus traços eram delicados e nobres, e ocultavam o mau gênio que possuía. Sua imagem, por inteira, remetia ao que se esperaria fisicamente de uma lady, algo como um dia Sansa Stark poderia vir a se tornar, o que vinha a ser uma enorme afronta devido ao seu nascimento.
– Jon me disse que tu não estavas sentindo-se muito bem, — começou Aileen, chamando a atenção da garota para si – imaginei que poderia te encontrar aqui.
Maya relaxou sua postura e respirou profundamente, ouvira a amiga se aproximar, mas preferiu esperar que a mesma se anunciasse, e assim aproveitar um pouquinho mais da sensação de paz que estar ali lhe trazia. O Bosque Sagrado era seu pequeno refúgio, e junto de Aileen, era o que ela tinha de mais precioso em sua via. Ambos vinham a ser, de uma forma muito peculiar e particular, pedaços de sua alma soltos pelo mundo.
– Não acredito que houvesse muitos outros lugares onde procurar. – virou o rosto para encarar a garota que, atipicamente, trajava um vestido cinza que parecia ressaltar o que havia de mais gélido e sombrio tanto na amiga quanto na paisagem que as rodeava – E mesmo que houvesse, algo me diz que nunca deixaria de me encontrar.
– Podes ter certeza que sim, assim como eu tenho de que a recíproca é mais do que verdadeira – ambas sorriram, pois se havia uma coisa da qual poderiam ter certeza, é de que sempre lutariam em favor uma da outra – Mas agora me diga o que foi que aconteceu? Esta doente?
Aileen caminhou até a amiga, sentou-se ao seu lado e ficou esperando até que ela começasse a falar. Costumava ser uma garota impaciente, querendo tudo a seu modo e tempo, mas quando se tratava de Maya ela sempre era mais tolerante que o normal.
– Não fique aflita, estou tão bem de saúde quanto sempre estive. – um pequeno sorriso formou-se em seus lábios, ela realmente tinha uma resistência muito alta a doenças – O que me incomoda tem relação a este pressentimento que sinto, a esta sensação ruim que me aperta o peito às vezes, esse cheiro de medo e de morte que parece circundar o ar e que ninguém mais aparenta notar.
– Maya... – sua voz saiu em um sussurro quando encarou os olhos castanhos tão repletos de angústia.
– Aileen, não quero preocupar ou afligir ninguém, muito menos você que é a pessoa que mais estimo – olhar dentro daqueles olhos tão lilases, ao mesmo tempo em que lhe enchia de confiança, também a inundava de medo do que estava por vir. – Mas temo que não seja apenas o Inverno que esteja chegando, me apavora até mesmo ter de dizer estas palavras, mas prevejo muita dor e caos vindo antes mesmo do término do Verão.
Uma lágrima fez menção de descer pelo rosto da mais jovem, e Aileen prontamente a enxugou, acariciando levemente a maçã do rosto, o que fez a amiga sorrir agradecida. Sendo alguns poucos centímetros mais alta, aproveitou o carinho para lhe plantar um beijo na testa.
– Protegeremos uma a outra. – foi o que Aileen prometeu, pensara em dizer que ficariam bem, mas optou por falar apenas aquilo no que possuía total confiança.
Ficaram as duas ali por um bom tempo, sentadas uma ao lado da outra, encarando a face esculpida na árvore, de mãos dadas, cada qual fazendo sua prece silenciosa. Ambas rezando para que, independente do que estivesse por vir, pudessem ser capazes de resistir.
Fale com o autor