Same Mistake.
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Aqui esta a primeira parte do capítulo, decidi separar ele para poder trabalhar mais detalhamente a segunda parte.
Espero que gostem, boa leitura!
O sol estava alto, mas a temperatura era amena devido à neve que persistia em cair durante a noite. Aquele era, provavelmente, o último ano de Verão, portanto o mais quente, e ainda assim Winterfell e todo o Norte resistiam em se entregar ao calor. Arya não conseguia se conformar com o fato de estar sob os cuidados de Septã Mordane, com seus bordados estúpidos e difíceis, enquanto Aileen podia estar junto aos garotos treinando combate.
Suspirou, às vezes desejava ter nascido uma bastarda assim como Aileen e Jon. Eles eram livres para fazer aquilo que desejassem, ainda que respeitando algumas regras, e ninguém lhes dizia o que deveriam ser. Olhando rapidamente para sua irmã, que trocava risinhos irritantes com Jeyne Poole, Arya teve a certeza de que jamais se tornaria uma lady. Os deuses sabiam que ela nunca seria igual a Sansa, e ela agradecia ao fato.
– Você não esta concentrada, Arya Stark! – chiou a Septã, chamando a atenção de todas para a mais jovem das garotas Stark – Terei de dizer a vossa mãe, quando ela vier ter comigo, que não estas se esforçando. E podes ter certeza de uma coisa, mocinha, Lady Catelyn não ficará feliz!
A menina voltou a seu trabalho medíocre, seus pequenos dedos doíam e tinham furos causados pela tão odiada agulha, mas sua mente estava do lado de fora, junto da prima bastarda e do barulho de luta que conseguia ouvir. Fora Maya quem lhe dissera uma vez, logo após uma discussão que Arya tivera com a irmã, que a imaginação era o último reduto livre que uma pessoa tinha.
– Não te aflijas pequena loba. Eles podem dominar teu corpo e governar tua vida, mas nunca possuirão poder algum sobre tua mente e teu coração. – dissera ela, com um tom doce e um brilho amável em seus olhos castanhos.
– E de quê me vale isso, se não posso fazer o que eu quero? –retrucou ela, jovem demais para entender certas coisas, e irritada demais para se esforçar em faze-lo.
Maya suspirou levemente e se abaixou, ficando da altura da menina. Seus dedos gentis e gelados limparam os resquícios das lágrimas que haviam rolado pelo rosto infantil.
– És jovem, Arya Stark, e não tens a obrigação de saber ou entender certas coisas. Mas as vezes, a imaginação é o último reduto livre que possuímos, e o último resquício de alimento para nossa alma. – a menina franziu a testa, e Maya passou o dedo ali, desfazendo as pequenas ondulações formadas – E você não vai querer perder a sua alma...
– Por que não? – perguntou, curiosa com o tom de segredo que toda a conversa estava tendo.
– Porque sem uma alma, podes vir a ser até mesmo a Rainha de Westeros, e ainda assim não será ninguém! – segredou a mais velha, formando com seus dedos um pequeno sorriso no rosto infantil.
Sansa viu o sorriso sereno nos lábios da irmã, sua aparente concentração no bordado, e questionou-se por que não podia ser sempre assim. Por que Arya não podia ser uma menina normal, uma lady doce e gentil? Sua mãe, lady Catelyn, dizia ser culpa da má influência causada pela presença constante de Aileen e Maya, por ela, ambas seriam afastadas do seio familiar, assim como Jon. Sansa compartilhava dos pensamentos da mãe, mas havia alguns momentos, terríveis, nos quais ela se perguntava se a irmã não seria exatamente assim, mesmo sem a presença da prima bastarda e da selvagem.
Debaixo do sol da tarde, Aileen e Maya assistiam ao combate entre Jory e Theon, estando este já próximo ao seu fim. Ambos eram muito bons, e a luta se estendia por um bom tempo, deixando-os cansados e mais fadados ao erro. Jory já não atacava com tanta força, e seu adversário não tinha mais a mesma rapidez de antes.
– Me pergunto a que devemos tua presença, Maya. – os olhos lilases pararam de acompanhar a luta, e passaram a encarar a outra garota – Costumas desprezar este tipo de eventos.
O vestido cinza, de pano comum e sem detalhes, roçou no corpo de Aileen quando a outra garota se virou. Maya encarou a amiga em sua roupa de couro fervido por um breve momento, sabendo que se quisesse conseguir qualquer coisa da garota, teria de dar algo em troca. Sempre fora assim quando o assunto dizia respeito a Aileen, sempre havia algo a ser dado em troca ou perdido, e normalmente era Maya quem arcava com as perdas e os danos.
– Vim me oferecer para cruzar espadas contigo – sorriu pequeno, um erguer cansado de lábios. – Não me olhe desta forma, já o fizemos outras vezes.
Aileen desviou os olhos da amiga, preferindo encarar Robb, que há muitos passos dali assistia a luta, torcendo declaradamente por Theon. Cerca de dois passos atrás dele, Jon retribuiu o olhar da garota com um sorriso discreto. Maya segurou o rosto da garota com uma das mãos, forçando-a a lhe encarar.
– Tu detestas ter de lutar. –reiterou. Aileen sabia que tudo o que a outra estava fazendo era apenas para impedi-la de lutar, mas não via, afinal, qual era o grande problema em fazê-lo.
– E tu sabes, melhor do que qualquer outro, que ainda não descobri o limite do que eu faria por você! – Aileen sorriu e Maya soube que, mais uma vez, havia perdido a batalha.
Quando voltaram à atenção para a luta, a mesma já havia acabado, e Theon caminhava em direção a elas, sorrindo como se não tivesse sido ele o derrotado. Maya distraiu-se brevemente, e a outra garota aproveitou tal lapso para escapar na direção da qual Theon vinha. Cumprimentou o mesmo rapidamente e seguiu até onde Robb aguardava seu adversário.
– Você não suporta o modo como ela é inconsequente. – riu ele, parando ao seu lado para assistir ao espetáculo que viria. Maya apenas sorriu.
Aileen mantinha um sorriso nos lábios enquanto apontava sua espada de madeira para o peito daquele que era o herdeiro de Winterfell. Robb crispou os lábios, seus olhos azuis penetrando-a até a alma. Só os deuses sabiam o quanto ela havia esperado por isso.
– Robb Stark, lhe desafio a cruzares espadas comigo! – bradou ela, alto o bastante para que todos os presentes pudessem escutar. Ela teria sua maldita revanche!
– O que tu pensas que esta fazendo? Aileen pare com a brincadeira agora mesmo. – com um movimento brusco fez com que ela baixasse a espada.
Ela queria que ele pudesse entender, ao menos uma vez, como aquilo lhe era importante. Embora convivesse com a família Stark, e soubesse que Lord Eddard lhe tinha um carinho especial, nada mudaria o fato de que era uma bastarda. Jon também o era, verdade, mas ao menos ele tinha um dois pais vivos, e tinha seus meios-irmãos. Aileen, no entanto, sentia-se sozinha. Não fosse Maya ter surgido em sua vida, ainda na infância, e o apego que tinha ao primo bastardo, Aileen já teria enlouquecido de sofrimento e solidão, exatamente como sua mãe o fez. Poder lutar com Robb naquele momento, em frente a tantas pessoas, além de ser uma possibilidade de revanche, também era uma chance de se firmar diante de todos como alguém, e não apenas como a bastarda de olhos lilases que era.
– Por favor, Robb. – aproximou seu corpo do dele, os rostos se roçando levemente, e sussurrou em seu ouvido, suplicando – Não me negue isso.
– Sinto muito. – apertou levemente seu braço, em reconhecimento, e então lhe deu as costas.
Maya deu um passo a frente, precisava chegar até a amiga, e então pensaria em alguma forma de lhe ajudar, mas uma mão pesada em seu ombro a fez parar. Olhando para trás, viu que se tratava de Ned Stark e parou onde estava.
– Deixe que ela mesma resolva. – ordenou, enquanto assistia Jon erguer sua espada desafiando a prima, e tirando-a da situação constrangedora na qual estava.
Ned resolveu prestigiar a luta, gostava de analisar como os dois se entrosavam, e mais ainda, gostava de simplesmente poder parar e olha-los, sem tem de dar qualquer explicação do motivo. Jon tinha movimentos fluidos, mas ainda pesados, e Ned quase podia ver a honra e o dever fluindo em cada gesto seu. O garoto não tinha traços muito específicos que pudessem identifica-lo como pertencente a alguém, era nitidamente um Stark e apenas isso.
Em contrapartida, Aileen era por inteira uma insinuação do sangue que lhe corria nas veias. Era idêntica a Lyanna, seus traços, seus gestos e até mesmo o modo de falar, tudo nela lhe trazia a mente a imagem da falecida irmã. Menos os olhos. Seus olhos lilases pertenciam a Ashara Dayne. Doía em Ned ter de olhar para ela todos os dias, Aileen era uma sombra de duas mulheres a quem ele muito amara, e a quem ele chegara tarde demais para salvar. E ainda assim, ou talvez fosse exatamente por isso, ele a amava como se fosse sua própria filha.
Como se já não fosse o bastante, a maneira com que lutava parecia-se muito com a de Sor. Arthur Dayne, a Espada da Manhã. Aileen era seu pequeno tesouro, e um pouco de maldição, que ele guardava só para si. Existiam algumas pessoas das quais ele queria a manter o mais longe possível.
O Senhor de Winterfell relanceou um olhar para seu filho mais velho, Robb tinha o semblante fechado e não parecia nem um pouco feliz com o que via. Voltou a analisar a luta a tempo de ver Aileen abrir a guarda ao fazer um movimento imprudente, que lhe faria vencer a luta caso fosse bem executado, e Jon parou sua espada bem em frente aos olhos dela. Ned deu as costas ao combate e foi embora, aquela derrota trazia mais um traço característico de Aileen, ela havia herdado o sangue de Lobo de Lyanna e Brandon.
– Morta. – proferiu o bastardo à garota, que abriu o mais encantador dos sorrisos.
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