Notas iniciais
Jurava que tinha postado o capítulo, mas só agora que me lembrei que minha net tinha caído quando estava publicando.

Capítulo Nove: Espreita

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Cercanias do Santuário

A mata era densa e escura, havia vários galhos e rios furiosos obstruindo a passagem, mas isso não era problema para Heitor, o cavaleiro de bronze de Pégaso.

Estava nas cercanias do Santuário, próximo ao antigo vilarejo de Rodorio, já fazia mais de uma hora que havia se separado de Jacob nas colinas, e adentrado na floresta, apesar do interminável cansaço que toma seu corpo ele não pode parar.

Não agora, o Santuário está sendo atacado, e o dever de um cavaleiro é proteger Atena, não só Atena, mas também seus amigos que agora devem estar lutando bravamente.

– Espero que o Schneider esteja bem... — Sussurrou o cavaleiro de bronze, enquanto desaparece na escuridão que abraça a floresta. Rumo ao Santuário. ___________________________

Sul do Povoado de Guddommelige – Planície Argenta

O sol era escaldante naquela região, mesmo assim os colossais paredões de gelo permaneciam intactos sobre a planície argenta.

Estava ao sul do Povoado de Guddommelige, entre as grandiosas planícies cobertas por neve e gelo. Suas vestes estavam sujas de sangue e cinzas, tinha feridas por todo o corpo. Nas costas uma urna dourada, presa em tiras de couro, seu brilho era forte e implacável, parecia ter sido banhada durante milênios pelo Sol. E isso era pura verdade.

O dia começava a nascer no horizonte... A luz dourada do Sol que avançava aos poucos pelo terreno acidentado, fazia o gelo que residia no solo derreter aos poucos... Mas como sempre, os paredões de gelo permaneciam intactos.

Apesar da neve e do gelo, a região parecia o inferno na terra.

Já fazia mais de quatro horas que havia chegado ali, a região era acidentada, cheia de precipícios e desfiladeiros, andar por ali sem levar nenhuma queda ou se ferir era algo difícil, até mesmo para um cavaleiro de ouro.

Não sabia ao certo que direção tomar, parecia perdido, mas tentava negar isso a si próprio, a região parecia um verdadeiro labirinto de gelo e terra, adornado por diversos rios que caiam sobre a planície, dificultando ainda mais a passagem.

– Que merda... Por que esse templo não aparece logo? – Indagava para si próprio.

– Talvez seja por que você não usa a cabeça. – Uma voz. Não, muito mais que uma voz, um forte cosmo que reverbera por toda a região. Fazendo o sol estremecer.

– Idiota! – Um golpe.

Acelo, o cavaleiro de Gêmeos, é arrastado por vinte metros pela planície argenta, gerando um rastro profundo de fogo na neve. Parando somente ao se chocar contra um dos paredões de gelo.

– Caos... Caos de Per....

– Cavaleiros como você devem ser presos no Sunion – O ser misterioso girou o corpo e sua perna esquerda acertou em cheio o rosto de Acelo, o arremessando contra um dos paredões, o corpo do cavaleiro se choca violentamente contra o gelo, criando um barulho ensurdecedor que ressoa por toda a planície.

Os ossos pareciam terem sido partidos ao meio, se não fosse pela urna que carrega nas costas provavelmente teria sido “rasgado” ao meio.

– Cavaleiros como você MERECEM virar pedra! – O punho esquerdo de Caos de Perseu se incendiou em cosmo, e uma torrente de energia foi disparada. O Santo de ouro foi lançado pelos ares.

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Imediações do Vale do Santuário

Perci estava orando por sua vida, já que o sacrifício começaria em alguns minutos.

Tentou forçar as correntes novamente, esquentando seu punho, o metal derreteu um pouco, mas não adiantou muito. Recebera um forte soco na nuca, desferido por um dos sentinelas, perdeu a consciência por alguns segundos.

– Malditos! – Exclamou Cavalo Menor, com o corpo se contorcendo de dor.

Os guerreiros moveram-se para o lado, com medo do cosmo que era emanado pelo cavaleiro. Eram três ao todo, mas todos homens fortes e decididos, que queriam mostrar para seu comandante que eles serviam pra algo, que ele podia confiar neles, mesmo sabendo que jamais isso ia acontecer.

Starkad era uma pessoa arrogante, seu olhar causava medo em qualquer um que fosse, inclusive a Cavalo Menor, pela terceira vez havia se levantado de onde estava deitado, perambulava pela cabana, e por muitas vezes encarava Perci, com um sorriso sarcástico no rosto.

A noite já avançava, mas nenhum tinha se mexido sequer uma vez, para beber, comer ou até urinar, permaneciam parados como estátuas vivas.

– Vocês não se mexem? – Perguntou Perci, sorrindo pela primeira vez desde que fora pego espreitando o “quartel” militar dos Helds.

– É claro que não. Eles são marionetes, só se mexem se eu quiser – Respondeu Starkad, se levantando mais uma vez. A quarta naquela noite.

– Quando vão me soltar?

– Você vai morrer.

– Eu sei. Então por que não me mata logo?

– Por que vão vir atrás de você, aumentado nossos prisioneiros.

Perci sorriu, e fechou os olhos novamente, queria dormir, e talvez acordar nos domínios de Hades.

– Boa estratégia – Seu sussurro quase não foi ouvido.

Starkad estava entediado, isso não era do costume dele, mas ele perguntou:

– Por que estava espreitando o quartel? Não deveria estar lutando no Santuário?

– Eu não tenho honra – Cavalo menor riu, Starkad também.

– Honra? Não seria medo de morrer cedo?

– Vocês não são de nada, Helds. Agora mesmo, um cavaleiro está indo matar Gerda.

– Piada – Bravejou Starkad, com a mão esquerda agarrada á taça de vinho – Vocês não sabem nem onde está a passa...

– Povoado de Guddommelige – Interrompeu Perci, erguendo o rosto – É bom ver seu rosto de espanto.

Cavalo Menor explodiu em uma gargalhada, e um dos solados repousou a mão sobre o rosto, tentando esconder o riso.

– Como vocês descobriram? – Indagou, com o sorriso sarcástico que estava em seu rosto desabando.

– Quando todas as atenções estão voltadas para uma Guerra, é fácil entrar na biblioteca – Respondeu gargalhando.

– JÁ CHEGA!!! Você! – Gritou Starkad, apontando o dedo para um dos soldados – Arranque a cabeça deste cão de Atena!

– É fácil irritar você, Held.

O soldado segurou o cabo da lamina e o punhal veio de encontro ao pescoço de Perci, mas o sacrifício foi interrompido. Uma explosão de luz dourada atingiu em cheio a cabana!

Todos foram pelos ares.