Saint Seiya - Século XIV - Batalhas Sangrentas
11 Historias de um passado
Capítulo 10 – Histórias de um passado
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E então Gregor foi arremessado contra o chão, comendo areia e ferindo o corpo na pedra enegrecida do local.
– Maldito! – Sussurrava enquanto cuspia areia pela boca – Me deixe entrar! – Esbravejou o cavaleiro de bronze de Unicórnio para a construção de rochas desgastadas.
Tauron se aproximou da fortaleza, deixando pegadas na areia da praia.
– Já estamos á horas aqui, ele não vai nos atender, dizem que desde que entrou ai nunca mais saiu, além do que, desse jeito você vai sair daqui todo ferido. – Disse o cavaleiro de Urso passando a mão em sua barba.
– Não vou desistir tão fácil! Ele precisa nos ajudar.
Estavam em uma ilha, onde só existia uma impressionante fortaleza de mármore e pedra acinzentada, e mais a frente um campo aberto coberto por grama e árvores pequenas.
A construção tinha apenas alguns anos, mas pelo descuido de seu morador o mármore estava coberto por musgo esverdeado e gosmento, era constituída por mármore e pedra negra, não havia nada que chamasse atenção, a não ser uma janela de vidro rachado que ficava lá no alto.
– Vamos logo!
– E chegar ao Santuário como um derrotado? Não! Isso não! Eu vou mostrar que eu sirvo para alguma coisa! – Gregor era um jovem com pouco mais de 16 anos, apesar da pouca idade já colecionava diversas vitorias em guerra, ou troféus como ele insistia em falar.
Ele era alto e tinha olhos azuis, seu cabelo era curto e dourado. Sobre uma pedra achatada estava á urna da armadura de bronze de unicórnio.
– Se continuarmos aqui não vamos voltar ao Santuário, esse homem é um decaído, não sabemos o que ele pode fazer, nem sei nem por que o Grande mestre pediu que viéssemos a esse lugar esquecido. – Disse Tauron com fúria nos olhos.
O cavaleiro de Urso possuía cabelos negros e olhos castanhos, sua pele era mais morena que a do amigo, e tinha várias cicatrizes por todo o corpo, entretanto que mais chamava atenção era a que estava em sua costa, que vinha da cintura até as extremidades do pescoço.
Estavam em missão, haviam sido enviados pelo grande mestre para aquela ilha deserta, a fim de convencer um decaído a voltar ao santuário, e ajudar Atena na guerra contra Gerda.
Tauron já pensava em desistir, Gregor, nunca!
– Ele confia em nos, ao contrario de você Tauron, que não confia em si próprio – Disse Gregor entre os dentes, com o sangue subindo a cabeça.
Uma luz roxa começou a emanar de Unicórnio, fazendo seus cabelos e roupas serem erguidos ao alto.
– Eu vou fazer a diferença!!! – Uma luz brilhou no punho direito de Gregor, e então uma torrente de energia foi disparada contra a construção.
O golpe encontrou a rocha apodrecida da Fortaleza, e então se voltou contra Gregor, fazendo o cavaleiro de bronze ser arremessado violentamente contra as águas do mar Egeu...
– Gregor!!! – O grito de Tauron mal pode ser ouvido pelo amigo!
O morador da construção apenas sorriu, voltando-se para as pequenas escadas de carvalho...
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Cercanias do Vale do Santuário
Perci saiu devagar dos escombros, derretendo as correntes que ainda estavam em seu punho.
Percorreu toda a floresta com seus olhos negros, tentando encontrar algo... Mas não conseguiu.
– “Quem fez isso?” – Pensou com tremura.
Forçou a visão tentando enxergar algo, mas estava tudo abraçado pela escuridão, o chão estava coberto por lama, andar por ali não seria fácil, ainda mais quando suas pernas não o obedeciam. Pareciam mortas...
– Starkad... Onde está ele? – Indagou para a penumbra – Ele não morreria assim tão fácil...
Mas seu raciocínio foi interrompido, encontrou algo... Seu corpo pendeu para á frente, e assim esticou o braço, pegando com muita dificuldade um anel de prata que estava enterrado no piso. Havia apenas algo escrito: “Milena”
– Foi ela, ela que me salvou, mas por que Milena fugiu?...
Conseguiu se erguer, com sangue escorrendo da testa, suas pernas doíam demais, latejavam, fazendo que perdesse o equilíbrio diversas vezes. Dirigiu-se para a floresta, rumo ao santuário.
Entretanto, cavalo Menor foi interrompido uma vez mais, uma rajada de energia atingiu em cheio seu estomago, fazendo o cavaleiro ser arrastado violentamente sobre o solo destruído.
– Não pensou que eu ia morrer tão fácil não é Cavalo? – A voz de Starkad ressoou pela colina, e então seu punho encharcado de cosmo atingiu o rosto de Perci, enterrando o cavaleiro em uma arvore apodrecida.
Várias farpas adentraram em suas costas, rasgando sua roupa, e ferindo todo seu corpo.
– Você escapou... Mas isso não vai acontecer de novo... – Starkad range os dentes, o cosmo do Held explode violentamente na colina, gerando uma cratera profunda a seus pés – Você morre hoje. – Seus dedos se cravam na pele de Perci ao ponto da carne surgir, encharcada em sangue.
– Hahahaha... Você é um lixo Starkad. – Sussurra Perci, enquanto os dedos do Held afundam em seu pescoço, fazendo perder sua consciência aos poucos, mas ele não pode desistir agora.
Mexeu seus braços lentamente, sem temer a dor provocada pelas farpas, e com muita dificuldade conseguiu acender seu cosmo novamente, como chamas.
Starkad gritou, com a mão queimada, as pernas falharam um pouco e perdeu o equilíbrio por um momento, tempo o suficiente para receber um golpe.
Perci avançou sobre o terreno com o punho direito em frente ao rosto, e então acertou um forte soco no estomago do Held, que girou no ar sem controle, apenas se detendo ao atingir as costas em uma grande arvore de carvalho.
Starkad caiu violentamente no chão... Cuspiu neve e sangue. Tinha feridas por todo o corpo, passou a mão no rosto tentando limpar o sangue que atrapalhava sua visão.
A mão parecia couro, estava mais branca que o normal, totalmente queimada.
– Maldito seja Cavalo menor!...
– Tem razão, Held, eu sou um maldito mesmo – Falou o cavaleiro ironicamente, agarrando-se em uma arvore, por pouco não caiu... Suas pernas ainda doíam.
– Entretanto... Não vai ser tão fácil assim! – Gritou o Held já se levantado.
A neve voltou a cair sobre o Santuário...
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Casa de Libra
E então uma voz ecoou pela casa de Libra.
Perses acendeu uma vela e olhou nos olhos azuis do pequeno Geord, passando a mão em seu cabelo selvagem.
– Eu deveria ter ficado lá, e teria matado todos esses Helds. – O aspirante resmungou, olhando para a entrada da Casa de Libra, lá na frente.
– Você teria sido morto, ainda falta muito para despertar seu cosmo completamente– Respondeu o cavaleiro de Libra, passando a mão em sua barba grisalha – Que ouvir uma historia?
– Sim, talvez meu tédio acabe – Disse Geord passando a mão na testa, estava suando demais, apesar do frio que fazia lá fora e da brisa que adentrava na casa constantemente, a temperatura lá dentro estava muito alta.
– Tudo começou há décadas atrás, o sol era escaldante na Grécia, e muitos aspirantes treinavam arduamente sobre o forte calor, dentre eles estavam dois que sempre se destacaram nos treinamentos, um treinado para vergar uma armadura de ouro, e o outro apesar da força, treinado para vergar uma armadura de prata, ambos muito amigos... – Fez uma pausa, os olhos dourados cintilavam na pequena iluminação gerada pela vela.
– Era você não é? – Indagou o pequeno Geord, olhando para o teto da casa de Libra, estava envergonhada, sabia que seu mestre não gostava de falar do seu passado, mas hoje deu trégua...
– Sim, era eu...
– Sabia – Disse o garoto, com um largo sorriso no rosto.
Perses sorriu, sem esconder o imenso orgulho que sentia em seu discípulo, o único que sobrou de sua raça.
– Eu fui levado á um lugar entre as colinas, um inferno na terra onde estava a armadura de libra, foi lá que eu me consagrei, e foi lá que eu recebi a pior noticia que podia receber, Heinrich havia fugido há um ano desde que parti do Santuário, deixando para trás uma horda de soldados mortos que tentaram o impedir... Entretanto, há dois anos ele foi visto de novo...
– E quem o viu?
– Eu, eu vi ele pequeno, eu o vi vergando uma Majestic, eu o vi como um HELD Geord, um held...
– Se enfrentaram?
– A batalha foi feroz... Não queria lutar com ele, e isso me custou muito caro, não fui morto por nossa amizade, até hoje me sinto um fraco por não ter conseguido lutar com ele, ele era meu melhor amigo. – Perses deixou uma lagrima escorrer por seu rosto, não tinha mais forças para contar nada, mas era preciso...
– Ele explicou o porquê de ter fugido? – Perguntou o aspirante, com tremura no olhar.
– Não. E já chega de historia, chegou á hora de lutar, lutar por Atena, pelo santuário, Geord – Ele disse se dirigindo a entrada do templo de Libra, seu olhar era vago...
– E eu?
– Você vai ficar aqui, até o fim da guerra, se eu morrer Geord se dirija as colinas, você vai saber como encontrar o lugar onde eu treinei, jamais pare de treinar, eu quero te ver consagrado como um cavaleiro de Ouro.
– Você não vai morrer, eu sei disso – Disse com confiança, olhando nos olhos de seu mestre.
Geord viu Perses desaparecer nas escadarias do Santuário, agora cobertas por neve, para nunca mais vê ele...
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