Saint Agnes Academy - Interativa
5 Primeiro dia de aula
Notas iniciais
POV Edward Howard
Abri a porta do quarto, dando uma olhada em tudo que tinha lá. A cama forrada com lençóis azuis abrigava dois travesseiros de aspecto macio e confortável, a escrivaninha ao lado da cama guardava o notebook novo, uma luminária estava acesa sobre a cama, o que seria ótimo para alguém que costuma ler muito. Fechei a porta, girando a chave na fechadura. Atirei a carteira de cigarros em cima da escrivaninha, derrubando um porta canetas e um porta retratos vazio, strike II. Tirei a jaqueta e coloquei-a no suporte atrás da porta, esfreguei os olhos, sonolento. Peguei meu chaveiro do Angry Birds e pendurei na cabeceira da cama, como se a ave vermelha fosse um tipo de protetor. Abri minha mala e tirei algumas roupas, peguei minha toalha e fui ao banheiro.
Liguei o chuveiro, deixando com que a água forte caísse em mim. Conclui o banho, enrolei a toalha na cintura e sai do banheiro. Minhas roupas estavam onde eu tinha deixado-a, em cima da minha cama. Vesti-as e guardei a toalha no banheiro, sentei na cama, pensando no que fazer. Não era tão tarde, deviam ser nove da noite, mas a maioria dos alunos já estava em seus quartos, Lorena foi a primeira.
Lorena, que resposta foi aquela? Aquela garota me quebrou com suas frases espertas e cheias de conhecimento. Tentei desafia-la, vi Lorena sozinha, calada, quieta, e resolvi chegar perto. Não pensei que ela era tão inteligente, nada que aqueles olhos azuis não tivessem me dito, mas, pensei que seria fácil achar assunto.
Deitei na cama, pensando no quão louco eu estava, por pensar tanto nas propriedades do cigarro. Acabei pegando no sono, sem perceber que tinha deixado a luz acesa.
***
Abri os olhos, sentindo algo quente em minha nuca, algo semelhante á vapor. Virei rápido, tomei um susto ao ver o cão dos Parker. Ele estava sentado, me encarando, bafejando em minha nuca, como se estivesse me chamando.
– como você entrou aqui? – perguntei, escandalizado por ter sido acordado por um cachorro.
– au – respondeu, indicando a porta com o focinho.
– estava fechada – insisti – você, por um acaso, não sabe abrir portas, sabe?
Ele latiu, como se estivesse rindo de mim. Bufei, alem de me acordar, o animal ainda ria da minha cara.
– saia por onde entrou, tem um motivo para eu ter fechado a porta – resmunguei – não quero ser incomodado.
– Au – disse Ash, acho que era esse o nome.
Ele bateu a pata na escrivaninha, o relógio mostrava que era quase sete da manhã, as aulas eram ás sete e meia.
– Valeu – falei, admirado com as atitudes do cão – Valeu Ash.
Ele abanou o rabo, feliz, depois saiu do quarto, dando uma paradinha para olhar para mim, como se pedisse minha atenção. Fiquei observando-o, o cão empurrou a porta com a cabeça, e uma pequena parte se abriu, somente o suficiente para que ele saísse.
– uma portinha de cachorro – falei, dei uma risada incrédula – Beleza, vou tapar isso ainda hoje.
Levantei-me da cama, sonolento por ter sido acordado. Fui ao banheiro e fiz minha higiene matinal, tomei meu banho e sai do banheiro. Vesti minhas roupas, coloquei minha jaqueta e guardei meu chaveiro no bolso da mesma.
Sai do quarto, tinham alguns alunos no corredor dos quartos. Dirigi um aceno de cabeça á Lorena, que estava na porta do seu quarto, conversando com Jully. A garota corou, fitou o chão, mas retribuiu meu cumprimento com um ligeiro sorriso encabulado. Dei um meio sorriso ao ver sua reação, dirigi-me ás escadas e fui á sala de jantar. Alguns alunos estavam, tomando café por lá, inclusive um garoto novo, que conversava com Sky e Karen. Sentei em uma ponta da mesa, peguei uma xícara e enchi-a com café. Peguei um pedaço de pizza e mordi, estava com fome.
Claire apareceu, bailando como sempre fazia. Um fato intrigante, ouvi um som diferente no ar, algo que não tinha ouvido, começou quando ela chegou:
“pônei maldito, pônei maldito, La lala La lala lá...”
Olhei em volta, todos pareciam estar ouvindo, mas ninguém cantava a musica, aparentemente.
– que barulho é esse? – perguntou Claire, parando de bailar, encostando-se em uma cadeira vazia.
Um olhou para a cara do outro.
– nada – disse Bruna, fingindo não saber de nada.
Alguns assentiram, Claire deu de ombros, voltando sua atenção para um monte de papeis que trazia nas mãos. Abafei uma risada, limitei-me á comer minha pizza.
– eu trouxe seus horários de aulas – disse Claire.
A garota passou de um por um, entregando os papeis. Peguei o meu, a primeira aula seria Artes. Beleza, eu não tinha saco para matemática á essa hora da manhã.
– as aulas começam ás 7:30, e terminam ás 12:00 – disse Claire, entregando o ultimo papel em sua mão para Henri – a tarde será livre, mas teremos atividades extracurriculares. Cada dia, teremos uma diferente.
Baixei meu olhar para o papel em minhas mãos, ela disse a verdade, tinha uma lista com cinco atividades no fim da folha, cada atividade tinha uma hora de duração.
– então, Claire – começou Henri, dando um sorriso – o que você vai ensinar?
Claire piscou, voltando sua atenção ao garoto.
– nada, não vou gastar minha beleza ensinado – respondeu, sorrindo como se não fosse nada demais.
Bruna empertigou-se na cadeira, largando o copo de suco por um minuto.
– então Claire, o que você faz, exatamente? – perguntou com um tom de voz indagador.
– alem de embelezar a paisagem, nada – respondeu, dando um sorriso um tanto falso para Bruna.
– bem, Claire – disse Karen, dando um ligeiro sorriso ao falar – se não estiver faltando com respeito á sua alteza, o que você quis dizer ontem, quando disse que Johanna não tem idade suficiente para mandar em você?
Claire piscou, ligeiramente irritada.
– isso não vem ao caso – respondeu, deixando a mascara de boa menina cair em meio á mesa.
– ela quer dizer que ela tem 80 anos – disse Leonardo, aparecendo atrás da prima, falando bem alto.
Deixei cair minha pizza. Todos na mesa tiveram quase a mesma reação, Henri estava boquiaberto, Lee engasgou-se com seu refrigerante, Sky dava tapinhas em suas costas. Bruna dava um sorriso deliciado, como se estivesse adorando, e quisesse aproveitar cada segundo daquele momento.
– Leo, não precisava ser tão direto! – guinchou Claire, furiosa.
Leonardo riu, sentando em uma cadeira vaga na cabeceira da mesa.
– alguma hora eles descobririam, eu te fiz um favor – disse, dando um sorriso irônico á prima.
Claire discordava, seu rosto deixava bem claro o quando adoraria matar o primo naquele momento.
– então, como você tem essa aparência, se tem 80 anos? – perguntou Karen, um tanto curiosa.
– as células dela envelhecem quatro vezes mais devagar do que as de uma pessoa normal – respondeu Johanna.
Olhei para o lado, com aquela confusão, ninguém percebeu sua presença na outra cabeceira da mesa, assim como os outros professores, que prendiam o riso.
– digamos que a Claire é quatro vezes mais lerda que uma pessoa normal – disse Leo, indicando a prima com a faca.
Bruna riu alto, sem conseguir conter o riso. E não foi a única, eu limitei-me á permanecer perplexo.
– Leo! – gritou Claire, ainda mais furiosa.
Johanna riu, a prima bufou, encarando os primos com um olhar mortal.
– crescer com ela não foi fácil, só sua infância durou 48 anos – disse Johanna, ainda sorrindo.
– e a adolescência, 24 anos – completou Leo – foi muito bom quando eu passei dela.
Alguns ainda tentavam digerir a informação, Lee tinha se recuperado, mas ainda parecia estar com algo preso em sua garganta.
– tá dizendo que ela vai viver quatro vezes mais do que todos aqui? – perguntou Sky.
– ou mais, não se pode saber ao certo – respondeu Leo.
– ao chegar em certo ponto, o corpo dela vai parar de amadurecer. Talvez por volta dos 35 anos, só espero que a mente dela também evolua – disse Johanna – mas isso vai demorar quatro vezes mais.
Claire ainda estava furiosa, escutava tudo que era dito com uma careta indignada.
– mas ela vai poder morrer? – perguntou Stiles.
– de velhice, não. Nem por doenças – respondeu Leo – ela só vai morrer se sofrer um acidente gravíssimo, ou for assassinada.
– tipo, se cortarem fora sua cabeça? – perguntou Bruna, interessada nessa parte do assunto.
Leo assentiu, a garota abriu um lento sorriso, Claire lançou-lhe um olhar assassino.
– é um poder muito raro – disse Johanna.
– só existem três como a Claire no mundo, vivos – disse Leo, passando geleia no pão.
– e ela é a mais nova – completou Johanna, erguendo a xícara de café.
– e o mais velho, 150 anos – disse o professor novo, Gabriel – ele já parou de envelhecer.
Claire olhava para todos com um olhar de: “eu vou matar todos vocês, seus idiotas intrometidos”. Seus primos pereciam não ligar para isso, apenas comiam em meio á risadas e sorrisos discretos. Alguns de nós ainda estavam em choque, acho que a única que não estava pasma era Karen. Um som encheu o ar, algo parecido com uma buzina.
– suas aulas começaram, é melhor correrem – disse Johanna, lançando um rápido olhar á Claire, antes de olhar para nós.
Levantei, assim como todos. Saímos da sala de jantar, deu tempo de lançar um ultimo olhar á Claire, que estava ainda mais furiosa, como se esperasse nossa ausência para fazer uma confusão. Bruna deu um grande sorriso ao passar pela porta, que fechou-se com um estrondo atrás de nós. Segui pelo corredor, em direção á sala de aula.
E com certeza, esse foi o café da manhã mais entranho que eu já tomei.
POV Bruna Broedel
Eu acho que nunca ri tanto na minha vida.
Primeiro, a criatura chega, saltitando como um pônei maldito. A semelhança era tanta, que eu não resisti, e comecei á cantar a musica.
Depois, ela distribui os horários de aula. Descubro que ela não vai lecionar, o que me deixou muito contente. Depois, ainda descubro que ela não faz absolutamente nada nessa casa, ela é tão útil quanto um porta chapéus no meio da floresta.
E por ultimo, como se eu não tivesse tido alegrias suficientes por um dia, Leonardo Parker aparece, e diz que Claire tem, na verdade, 80 anos de idade!
– eu ainda não acredito – disse Stiles, ainda chocado.
– nem eu – confessei, rindo – mas, cá entre nós, eu adorei essa cena.
Alex riu, assim como Rick e Daniela, eu já estava rindo antes mesmo desse comentário. Lee andava pelo corredor, fazia uma cara pensativa.
– ela não fica velha, quer dizer que vai ficar gata para sempre – falou, dando um sorriso – que interessante.
Sky deu-lhe um chute na canela, Lee não pareceu se importar, ainda estava pensativo e com aquele sorriso idiota na cara, e Henri parou para pensar, entrando em seu raciocínio.
Eu nem liguei, estava ocupada demais, rindo.
Entramos na sala de aula, sentei em uma carteira qualquer, apenas deixando a mente vagar.
E com certeza, foi um café da manhã memorável.
POV Alex Jones
Sentei na cadeira, colocando os livros sobre a carteira. Bruna ainda ria, acho que nunca vi alguém tão feliz com a desgraça alheia. Stiles ainda estava pasmo, eu não podia culpa-lo, não é todo dia que a gente descobre que uma menina de vinte anos, tem 80. Rick e Daniela conversavam sobre algo que não pude ouvir, só conseguia distinguir o sotaque alemão que saia da boca de Daniela. Eu não ia me meter em sua conversa, logo, concentrei-me em fixar meu olhar na porta da sala, por onde um homem entrou.
– bom dia – falou, chamando atenção de todos – sou William Johnson, professor de Artes.
Ele sorriu e acenou para todos, dirigi-lhe um sorriso simpático. Devia ter uns trinta anos, tinha cabelos pretos e olhos azuis, seu rosto exibia uma barba bem aparada.
– uau – disse Sky, em algum lugar á minha esquerda.
O professor colocou dois livros em cima de sua mesa, puxou a cadeira e sentou, esquadrilhando a lista de chamada.
– Alex Jones – chamou.
– presente – respondi.
Ele anotou, e seguiu fazendo sua chamada. Não prestei muita atenção, apenas encarava minhas mãos, ou rabiscava no caderno.O professor terminou de fazer a chamada, colocou a caderneta dentro de uma gaveta em sua mesa.
– como hoje é o primeiro dia de aula, eu não vou passar assunto – começou, encarando todos nós – vamos apenas conversar sobre o que vocês já sabem sobre Arte.
Esperei, o professor ficou pensativo por uns três segundos.
– alguém aí conhece Michelangelo? – perguntou
Lorena levantou a mão em menos de dois segundos, fazendo o professor dar um pequeno sorriso satisfeito.
– seu nome? – perguntou
– Lorena – respondeu Lorena.
– muito bem, Lorena – disse o professor – conte-nos o que você sabe sobre ele.
– eu sei que ele foi um arquiteto, poeta, pintor e escultor. Nasceu em Caprese, na Itália. Viveu em cidades como Florença e Roma, no período renascentista – respondeu Lorena.
Achei melhor anotar o que ela disse, já que a garota parecia uma enciclopédia humana e ruiva.
– cite uma obra dele – disse o professor.
Lorena nem pensou.
– Pietá, em 1499 – respondeu – ótima escultura, um trabalho realmente impecável.
O professor deu um grande sorriso, Lorena corou, mas sorriu também.
– muito bom, parabéns – disse William – alguém mais sabe alguma outra obra dele?
Rick levantou a mão, William indicou-o com a caneta, mandando-o falar.
– tem também aquela pintura, Santo Antônio Atormentado por Demônios, de 1487-1488 – disse.
– exato, muito bom – disse o professor – você é?
– Rick – respondeu Rick.
– parabéns Rick – disse William – parabéns á você também, Lorena.
Ambos ficaram vermelhos, o professor estava sorridente.
– alguém pode citar outros artistas do renascimento? – perguntou o professor.
– Leonardo Da Vince, pintor, inventor, musico e muitas outras coisas – respondeu Sky.
– cite obras – disse William.
– Mona Lisa, o quadro mais famoso dele – respondeu.
– certo, muito bom – disse o professor.
Ele continuou fazendo perguntas, assim como Sky, Rick, Lorena e alguns outros continuaram respondendo, até que o sinal tocou novamente, indicando o fim da primeira aula.
– bom, isso foi tudo, por hoje – disse William, levantando da cadeira – podem ir.
Levantei, catei meus livros e sai da sala ao lado de Bruna.
– gostou da aula? – perguntei.
– um pouco – respondeu, dando um suspiro.
Continuei caminhando pelo corredor, foi quando percebi algo.
– esqueci qual vai ser a próxima aula, você ainda lembra? – perguntei
– parece que é inglês, também não lembro muito bem – respondeu.
– preocupada demais rindo da cara da Claire para prestar atenção no horário de aulas? – deduzi, dando um meio sorriso.
Bruna riu.
– exatamente – respondeu, ainda rindo.
Ri também, chegamos na sala de aula, surpreendi-me ao ver William sentado na mesa do professor.
– o senhor também é professor de inglês? – perguntei
– sou multi tarefas, não se surpreenda ao me ver na sala de língua estrangeira – respondeu, sorrindo.
Dei um sorriso discreto, sentei em uma carteira aleatória, Bruna sentou-se ao meu lado.
– olá de novo, mesmo esquema. Sem assunto, só conversa – disse William, sem formalidades.
E assim foi toda a aula, com Lorena, Sky e alguns outros alunos respondendo todas as perguntas do professor, e falando sobre alguns assuntos da matéria. Fiquei conversando com Bruna, e William não pareceu se importar com isso, pois não disse nada.
– podem ir, a aula acabou – disse o professor.
Levantei outra vez, assim como todos os alunos. Segui pelo corredor, seguindo para a sala três.
– literatura, agora falou minha língua – disse Stiles.
Daniela riu, assim como Rick e Bruna. Entramos na sala todos juntos, sentei em uma cadeira perto de uma das janelas enormes da sala. A professora entrou, tinha longos cabelos azuis, com uma tonalidade azul escura nas pontas dos fios.
– bom dia classe, sou, como vocês já devem saber, a senhorita Walker, professora de literatura – disse, dando um breve, porem simpático, sorriso.
Lee aprumou-se um pouco na cadeira, a professora era muito jovem, e pelo olhar dele, Lee parecia estar de olho.
– vamos começar com a chamada – falou, abrindo a caderneta – Alex Jones.
– presente – respondi, pela terceira vez no dia.
– Bruna Broedel – chamou.
– presente – respondeu Bruna, dando um rápido aceno de dedos para chamar a atenção da professora.
Ela continuou fazendo a chamada, perdi o interesse nos nomes quando ela chegou no garoto novo, Christopher, que estava sentado ao lado de Talita.
– bom, como é a primeira aula, vamos apenas comentar sobre livros que vocês já leram – disse a professora – quem pode começar?
Lorena levantou a mão, obviamente.
– que livro você gosta? – perguntou a professora.
– The Hunger Games – respondeu Lorena, um tanto tímida.
Karen deu um pulo na cadeira.
– eu amo esse livro! – exclamou.
A professora sorriu, observando a discussão começar espontaneamente.
– alguém aí curte Percy Jackson e Os Olimpianos? – perguntei.
– eu curto – respondeu Lorena.
– eu também – disse Bruna
– eu shippo Percabeth, e vocês? – perguntou Karen.
– também – respondi.
– o mesmo – disse Lorena.
– acho que todos shippam – disse Bruna – é perfeito.
Sorri, e foi assim pelo resto da aula. Conversamos sobre livros que gostávamos, e eu descobri que estava gostando dessa escola, teria bons amigos aqui.
POV Jully Blake
– recreio – disse Anah, espichando-se preguicosamente em sua cadeira.
– finalmente – suspirei.
Ela riu, pisquei três vezes para espantar o sono. Não que as aulas tivessem sido chatas, mas eu preferi ficar de fora das discussões nerd’s que rolaram.
– ainda faltam duas aulas de historia, com aquele professor gato – comentou Anah.
– sorte minha que é hora do intervalo, eu estou com fome – falei.
Lorena deu uma risadinha, ela estava um pouquinho mais solta hoje, depois de dar aquele show na aula de artes.
– estou gostando daqui, os professores são bem legais – comentou.
– os professores são bem gatos, você quer dizer – falei, levantando preguiçosamente da cadeira.
Lorena revirou os olhos, corando apenas por meu comentário.
– você só pensa nisso – comentou.
– vai dizer que você não pensa? – falei, meu olhar era indagador – que nem se abalou quando viu aquele gato chegando naquela moto linda?
Lorena abriu a boca para responder, mas outra pessoa juntou-se á nossa conversa.
– uma moto e tanto, assim como quem a dirigia – disse Larissa, chagando mais perto.
– viu? – perguntei á Lorena – todas acham a mesma coisa.
Ela revirou os olhos, Anah deu uma risadinha.
– todas tem razão, estamos rodeadas por gatos aqui – falei, levantando da cadeira.
– verdade – concordou Larissa.
Anah riu outra vez, fazendo Lorena ficar um pouco vermelha.
– vamos lá – disse Anah – vamos ver aqueles gatos enquanto eles comem.
Ri, mas concordei, estava com fome. Saímos da sala, dirigi um aceno gentil ao garoto novo, acho que era Christopher. O corredor estava um tanto calmo, já que todos falavam baixo, Anah e eu éramos as mais barulhentas.
– as duas ultimas aulas serão de historia, com aquele professor novo – comentou Lorena.
– isso renova minhas forças – comentou Larissa.
Rimos, passei por Karen e Sky, que discutiam sobre seus animais. Henry passou ao meu lado, parecia pensativo, mas isso não o impediu de dar uma piscadela para nós.
– ele é bonito – comentou Anah
– muito – concordei.
– quem aqui não é? – perguntou Larissa.
– concordo – disse Anah.
– idem – falei.
Lorena parecia distraída, apenas caminhava, como se pensasse em alguma coisa.
– o que foi? – perguntei.
– nada – respondeu, sacudindo um pouco a cabeça – só estava pensando um pouco.
Troquei um olhar com Anah, Lorena parecia estar bem séria, devia ser um assunto importante.
– o que achou das aulas até aqui? – perguntou Larissa.
– eu até gostei, nenhum dos professores é chato, ate onde eu vi – disse Anah
– realmente – falei.
– achei as aulas muito interessantes – comentou Lorena.
Revirei os olhos.
– claro, Lory – falei – você foi quem mais ganhou destaque.
Ela corou.
– Lory? – perguntou
Pisquei, foi involuntário, só achei que ela combinava com o apelido.
– posso chama-la assim? – perguntei
Ela corou, ficou sem graça, mas assentiu. Sorri, Lorena era muito tímida, mas era uma boa menina.
– acho que é por aqui – disse Anah.
Ela apontou para uma sala fechada, com um plaquinha de “reservado”acima da porta.
– não, pelo que eu me lembro, essa ai é restrita – falei, indicando a placa – você perdeu o tuor da Claire.
Ela fez uma careta para a porta.
– disseram o que é? – perguntou
Parei para pensar, acho que a gazela ambulante deve ter mencionado algo como...
– sala da família, ou algo assim – disse Larissa, antes que eu pudesse dizer alguma coisa – a própria Johanna nos disse isso, á Cindy e á mim, ontem.
Assenti, lembrando do momento em que Claire dissera isso.
– acho melhor irmos – disse Lory, dando um passo para trás, afastando-se da porta – se disseram que era particular, é por que é particular.
Revirei os olhos, por mais que eu concordasse, Lorena parecia seguir as regras ao pé da letra.
– ela tem razão – disse alguém, aparecendo atrás de nós.
Era Edward, pelo que eu pude captar, Lorena desviou o olhar de seu rosto, como se o estivesse evitando, após uma conversa desagradável.
– eu não entendi muita coisa com clareza, mas essa Johanna e esse Leonardo parecem muito rigorosos em relação á família – disse, lançando um olhar de esguelha á porta, antes de olhar para Lorena – não queremos violar as regras, queremos?
Ela não corou, como eu pensava, e isso me deixou surpresa. A garota encarou Edward, seu olhar nem um pouco tímido.
– não, não queremos – respondeu, sua voz estava firme.
Ele também pareceu surpreso, deu um sorriso deliciado e levemente desafiador.
– você é incrível – falou.
Agora sim, Lorena corou. E muito.
– sim, ela é – disse Larissa.
Edward piscou, desviando os olhos do rosto de Lorena por um segundo. Lorena, por sua vez, ficou ainda mais vermelha, mas deu um sorriso mínimo para Larissa.
– parece que ela não é única – disse Edward, dando um pequeno sorriso para Larissa.
Desviei o olhar da cena, encarando a porta por um segundo.
– o que será que tem aqui? – perguntei
Edward olhou para a porta, assim como as meninas.
– algo muito particular – disse Lorena.
– ou, muito suspeito – disse Edward.
Olhei-o.
– o que sugere? – perguntei, sarcasticamente.
Ele deu de ombros, fiquei interessada.
– uma bomba nuclear – chutou, dando um sorriso sarcástico – restos mortais de antigos alunos que perguntaram demais.
Contive um sorriso, assim como as outras meninas. Edward continuou com aquele sorriso.
– sabe, acho que, em algum lugar, dentro dessa casa/escola, tem vários e vários tipos de armadilhas e alarmes escondidos, tudo exclusivo para nos matar – falou, depois apontou para a porta – aposto que aí dentro, em um alçapão ou porão secreto, tem esqueletos de alunos, como nós. Aposto que um dia, no passado, um grupo, assim como o nosso, com duas garotas lindas e sarcásticas, uma garota genial, uma garota gentil e também linda, e um garoto bonito, desconfiado e esperto, entraram aí, e nunca mais saíram.
Rimos muito, apesar de ser uma tese valida, não deixava de ser ridícula.
– acho que, realmente, tem algo muito sinistro aí dentro – disse Edward, ainda sorrindo – algo que vai deixar a sociedade chocada, os lideres surpresos, as donas de casa assustadas, e, as pobres criancinhas, de cabelos em pé.
Rimos ainda mais, Edward parecia ter sempre uma piadinha na ponta da língua, mesclando com humor negro e seriedade.
Gênio.
Lorena foi a única que não riu muito, ela ainda olhava para a porta, pensativa.
– velhota – cantarolou alguém atrás de nós – oitenta nas costas, e continua burra como uma porta.
Olhei para trás, parando de rir por um segundo. Bruna, Daniela, Alex, Stiles e Rick caminhavam pelo corredor, a primeira ainda ria, fazendo Claire pagar por todos os seus pecados.
– acho que ela está exagerando – disse Lorena – não é bom falar das pessoas dessa forma.
Edward revirou os olhos e passou seu braço esquerdo por cima dos ombros de Lorena, que ficou semelhante á coloração de uma maçã madura.
– ora, minha cara – disse Edward, dando um meio sorriso para Lorena – eles só estão brincando, não há mal algum nisso.
Lorena desvencilhou-se de Edward no momento em que a porta foi aberta, exatamente, a porta trancada e restrita. Escondi-me na dobra do corredor, assim como os outros, mas estiquei o pescoço para ver.
Claire empurrou a porta com força, varando no corredor, correndo em direção ás salas de aula, desaparecendo de vista.
– Ops – disse Edward.
– eu disse – Lorena deu um passo para longe dele, que ainda tentava agarra-la – pobre Claire.
– eu me admiro da Bruna, que é tão legal – disse Larissa.
– ninguém conhece ninguém aqui, não realmente – disse Anah, sombriamente – como podemos saber se o Jack, o estripador, não veio morar conosco?
Edward parou de tentar encher o saco de Lorena, deu ás costas á nós, e parou em frente á porta. Fiquei observando, Edward estudou cuidadosamente a porta com o olhar, antes de rir e dar um leve escorão na porta, que abriu-se sem esforço algum.
– parece que a nossa respeitável senhora tem problemas de memória – comentou, dando outro de seus sorrisos sarcásticos.
Fui até ele, uma fresta da porta estava aberta, liberando um pequeno ponto de vista. Coloquei a mão na porta grossa de madeira, espiando um pouco.
– acho melhor irmos embora – disse Lorena.
Olhei para ela, a garota esfregava as mãos, nervosa.
– talvez seja melhor – falei, soltando a porta.
– besteira, precisamos saber com quem estamos lidando – disse Edward, olhando fixamente para a porta – eles podem ser loucos, assassinos ou coisas do tipo. Nunca estaremos seguros.
– besteira digo eu – disse Anah – eles não me parecem ser loucos.
Assenti, afastando-me da porta e de Edward.
Edward que ainda encarava a porta, inexpressivo.
– eu não quero mais segredos – falou, baixo, mas pude ouvir.
Troquei um olhar com Larissa, ela deve ter ouvido também, já que sua mutação permite que o faça.
– e, alem do mais – disse Edward, recuperando-se de seu leve surto – disseram para nunca abrirmos essa porta, mas, ela está aberta.
Faz sentido.
O garoto empurrou a porta, entrando na sala.
– vamos sair daqui, deixe-o sozinho – disse Lorena – é contra as regras, podemos ser expulsos.
Eu queria concordar, fazer o que ela disse, mas minha curiosidade era maior que minha razão, ou, a razão de Larissa, que entrou sem hesitar.
Anah me olhou, indecisa. Olhei para a porta novamente, mordendo o lábio.
– dois de nós já entraram – comentei.
– dois de nós que vão se ferrar – acrescentou Anah.
– exatamente! – disse Lorena, um pouco mais aliviada.
Expirei pesadamente, empurrando a porta.
– que se dane – resmunguei.
Entrei na sala, esperando pelo momento em que a tal bomba detonaria e me explodiria em mil pedaços.
O que não aconteceu, pelo contrario, o ambiente era calmo.
Calmo demais.
– acho que alguém se enganou – comentou Anah, entrando atrás de mim.
Edward também devia estar com essa sensação, já que não disse nada. Olhei em volta, observando a tal sala.
Era um salão grande e enfeitado, semelhante á uma sala de reuniões da era medieval. Estantes finas de madeira escura e brilhante abrigavam varias fotos de diferentes pessoas. Pratarias e louças finas e ornamentadas ganhavam seu destaque em prateleiras de mármore polido e bem ornamentado, assim como prêmios, diplomas, troféus e outros meios de se deixar os pais orgulhosos. Uma grande mesa de reuniões quebrava o estilo “casa da vovó” que tinha no ambiente, varias cadeiras cercavam a mesa, seis, ao todo. Um computador atual e bonito estava na cabeceira da mesa, como se fosse o lugar o chefe. Uma das cadeiras estava fora da posição, indicando que alguém sentara ali, recentemente.
– Claire – disse Larissa, completando meu pensamento.
Um baque na porta me fez ver minha vida passando na frente dos olhos, virei com tudo, esperando pela bola de fogo. Era só Lorena, que fechara a porta por dentro.
– já que estamos aqui, é melhor cuidarmos para não sermos pegos – falou, séria.
Edward abriu um largo sorriso, Lorena ignorou-o, seguindo para as prateleiras com fotos.
– esse lugar parece um quartel general, ou clube do livro mutante – disse Anah.
– bem melhor do que as suposições do nosso amigo preocupado aqui – falei, apontando para Edward.
Ele sorriu, aproximando-se de mim, tirando meu ar.
Hora da confissão: Edward é um gato.
– não fique desapontada, minha cara – falou, sorrindo daquela maneira tosca e sensual – pode ter uma alavanca em algum lugar.
– alavanca? Sério? – zombou Anah.
Larissa e eu rimos, Edward riu, mas foi uma risada breve.
– mais fotos – comentou Lorena – diferentes das da entrada da casa.
Larissa prestou atenção no comentário de Lorena, foi para as estantes e esquadrilhou as inúmeras fotos.
– esses são Leonardo e Johanna, reconheço das fotos que já vi – disse, pegando um porta retratos – com essa garota loira.
– ela acompanha todo o crescimento deles, e quase não muda – disse Lorena.
– Claire – afirmei.
Aproximei-me das fotos também, realmente, a mesma cara em todas as fotos. Carregando Leonardo e Johanna ainda pequenos, brincando com eles, rindo na piscina, brincando de guerra de travesseiros, explorando uma floresta e chorando por algum motivo.
– deve ser muito estranho para eles, crescer e deixar a prima muito mais velha para trás – comentou Anah.
– estranhos casos de família – disse Edward.
Todos estávamos em volta das fotos, todas elas na infância dos irmãos. Um homem de cabelos pretos, olhos azuis e expressão serena carregava um bebê, enrolado em uma manta cor de rosa claro. A criança estava dormindo, ainda vermelhinha e inchadinha, com certeza um recém nascido.
– é o mesmo cara da foto do saguão, que carregava a Johanna – disse Larissa.
– parece demais com eles para não ser da família – comentou Anah.
– com certeza o pai deles – completou Lorena.
Em outra foto, um garotinho de uns três anos, segurava o mesmo bebê da outra foto, ainda que um pouco mais velho, talvez aos dois meses de idade.
– Leonardo e Johanna – disse Larissa – como nas outras fotos que eu vi.
Outra foto exibia uma mulher, tinha longos e lisos cabelos negros, olhos azuis e de aspecto bondoso. Parecia com ambos os irmãos, mas não parecia com o homem.
– essa é Emily Parker, a mãe de Johanna e Leonardo – disse Lorena.
Olhei-a.
– como sabe? – perguntei.
Ela apontou para a base do porta retratos, tinha escritas de grafia elegante no dourado da moldura, dizia: Emily Parker, amada mãe, gentil cunhada.
– esse tipo de frase a gente coloca em túmulos – falei – não em um simples porta retrados.
– algo me diz que esse é um tipo de memorial – disse Edward – repararam que os pais dos irmãos aparecem em quase todas as fotos? É quase...
– doloroso – disse Lorena – como lembranças de um tempo...
– que não vai voltar, exatamente – completou Edward.
Fiquei olhando para os dois por um segundo, eles não pareceram perceber e estranha conexão que tiveram como Lary, Anah e eu percebemos.
– okay, isso foi sinistro – disse Anah.
Continuei olhando para as fotos, mesmo sendo em momentos felizes, me trouxeram uma sensação de nostalgia e tristeza. Era estranho olhar para aquela família, ver a felicidade deles sem pensar que eles deveriam estar mortos, ou, que todos morreríamos e a cabeça de vento da Claire ficaria viva.
– acho que a vida deles foi boa – comentou Larissa – só vejo sorrisos.
– e quem tiraria uma foto ao chorar? – perguntou Edward, revirando os olhos.
Ri, assim como Anah e Lorena, Larissa revirou os olhos.
– você sabe o que eu quis dizer – falou, cética.
Edward deu uma risada breve, dando sensualidade ao ato.
– essa aqui deixa a nostalgia – disse Lorena.
Ela estava diante de outra estante, com outras fotos, sem a presença do homem e da mulher, porem, continha Claire em algumas.
– alguém ficou formosa – comentou Edward.
Ele indicava uma garota de maiô, era Johanna. Seus cabelos estavam um pouco mais claros, devido ao sol da praia, ela olhava para o lado de forma casual, deixando a foto bonita.
– Leonardo também – comentei.
Também na praia, Leonardo sorria para a câmera. Usava uma camisa branca, sua mão estava no chapéu em sua cabeça, deixando a foto com uma presença enorme de sua beleza exuberantemente extraordinária.
E esse é Leonardo Parker, fazendo-me falar palavras enormes.
– não acha esse homem aqui muito familiar? – perguntou Lorena.
Olhei a foto que ela indicava, o rapaz era novo, seus cabelos estavam um pouco mais curtos, mas seu sorriso perfeito ainda era o mesmo.
– Gabriel – dissemos, Larissa, Anah e eu num uníssono.
Uma nova serie de fotos começou á ganhar destaque, com Gabriel no meio delas. Abraçando Johanna, jogando vídeo game com Leonardo, puxando a ponta da trança loira de Claire, pulando na piscina e molhando Johanna por inteira e outras cenas, inúmeras cenas.
– amizade antiga – comentou Larissa.
– e bem intima – apontei para um foto em que Gabriel beijava a bochecha de Johanna, em algum lugar do jardim.
Edward riu, observando a foto.
– ei, esse aqui também parece alguém que conhecemos – disse Lorena.
Ela apontava para outra foto, que reunia os três anteriores, um rapaz e uma moça, de mãos dadas.
– esse é o William? – perguntei, levando um choque – ele usava um colar de conchinhas?
– que estranho – comentou Anah
– nem tanto – interveio Edward.
Olhei-o, o garoto desviou o olhar.
Algo me diz que ele também tem um pertence suspeito.
– eles devem ter se conhecido na mesma época – disse Larissa.
– não, as fotos que Gabriel aparece são mais antigas – disse Lorena – observe como a barba de Leonardo cresce, na medida em que os cabelos de Johanna ficam mais longos, assim como os de Gabriel. As outras são mais recentes, á não ser que Johanna tenha cortado o cabelo, em vez de deixar crescer.
Todos nós olhamos para ela, Lorena corou.
– você é muito observadora – falei.
– isso é um defeito? – perguntou, tímida.
– não, em minha opinião, você não tem defeitos – disse Edward, provocando-a.
– tem sim, não vê que ela está quebrando as regras? – disse Anah.
Lorena pareceu mais aliviada, Edward fez uma careta de desgosto, chateado por ver que estávamos tentando dificultar seu trabalho.
– eles deviam formar um grupo, já que estavam todos juntos – comentou Larissa.
– como: A Sociedade do Anel? – perguntou Lorena.
Edward riu.
– bela analogia – falou.
– não foi uma analogia – retrucou Lorena – eles deviam fazer parte de alguma fraternidade, ou clube estudantil, por isso, estão sempre juntos.
– e também tem esse cara aqui – disse Anah, indicando um rapaz.
Tinha cabelos escuros, um castanho quase preto. Seus olhos eram de uma tonalidade castanha clara, quase mel, que ficava mais escuro em certas fotos. Em todas as imagens que ele aparecia, estava sempre sorrindo. Devia ser um rapaz legal, tão animado e espontâneo quanto Edward.
Irresistível.
– ele também deve ter sido do mesmo circulo que os outros – disse Edward.
– isso é meio obvio – disse Larissa, sem olhar para ele.
Todas as meninas encaravam fixamente o cara das fotos, ele era lindo. Não tanto quanto Leonardo, ou Gabriel.
Mas, ainda assim, lindo.
– que homem mais lindo – Lorena deixou escapar.
Eu acho lindo quando a grande massa, o povo, tem a mesma reação. Tipo agora, que todos nós, até mesmo Edward, olhamos para Lorena.
E garota corou, ainda mais do que antes.
– vocês mesmas disseram que eu devia me abalar quando visse um homem bonito – gaguejou, vermelha.
– e você se abalou? – perguntei
Ela assentiu, Anah deu um sorriso satisfeito.
– como foi? – perguntou Larissa.
– como um... – Lorena hesitou, baixando a cabeça para responder – terremoto. Esse é o homem mais lindo que eu já vi.
Dei-lhe um grande abraço, orgulhosa. Lorena ficou arfante, espantada por meu súbito ato, mas conseguiu sorrir e corar. Edward não encarava ninguém, apenas olhava fixamente para as fotos. Seu maxilar estava travado, ele estava estranho.
Coitado, devia estar chateado.
– olha só, essas fotos aqui – disse Anah.
Tinha um montinho de fotos, todas fora de suas molduras, empilhadas no cantinho da estante, como se estivessem escondidas. Peguei uma, um sensação de invasão de privacidade me tomou.
– acho que não devíamos ter entrado aqui, só acho – disse Anah, depois de cinco segundos de constrangimento.
Estava bem evidente, no papel colorido, que era um foto particular. O rapaz da outra foto, estava de bermuda de praia. Johanna, estava de maiô, um maiô lindo. Ambos estavam deitados na areia da praia, ainda que em posições diferentes. Johanna estava completamente deitada, acolhida nos braços fortes do rapaz. Ele olhava fixamente para seu rosto, observando cada linha do contorno da face do Johanna, enquanto ela, limitava-se á sorrir. O sol estava quase dando lugar á lua, a praia estava um tanto deserta, propiciando um cenário digno de filmes.
– vou chutar e dizer que ele conseguiu sair do campo da amizade – disse Edward.
– para não dizer o obvio – falei.
Larguei aquela foto, varias outras aguardavam-me. Peguei um delas, mostrava o jardim da casa, ambos estavam sentados na grama, juntos, outra vez. Outra foto mostrava-os em uma floresta, rindo de algo, juntos. Em outra fotografia, o rapaz carregava Johanna nos braços, rindo e estendendo-a para a câmera, como se ela fosse seu maior premio. Em outra foto, eles estavam unidos pelos lábios, juntos em um beijo.
– com certeza, ele venceu o campo da amizade – disse Larissa.
– Johanna é uma mulher de sorte – falei.
– e quanto á Gabriel? – perguntou Lorena.
Todos nós olhamos para ela.
– vocês viram o abraço caloroso que eles trocaram ontem, fora o carinho que ele parece ter por ela nessas fotos – explicou.
– ele pode ser só um amigo intimo – chutou Anah.
– ou, um delicioso e magnífico caso de Friendzone – disse Edward.
Ri, pobre Gabriel.
Em outra foto, apenas o rapaz aparecia, e dava um caloroso sorriso para a câmera. Virei a foto, tinha algo escrito á caneta no verso.
– “agosto de 2006, meu querido Nick” – li, depois virei a foto outra vez, para ver o rosto do rapaz.
Antes que eu pudesse registrar o que estava escrito no verso da foto, Edward me surpreendeu. O clique me assustou, olhei para Edward bem no momento em que ele guardava o celular no bolso da jaqueta. Levantei uma sobrancelha, por que diabos ele iria querer a foto daquele homem em seu celular?
– provas, poderemos precisar um dia – falou, dando de ombros.
Revirei os olhos, coloquei a foto no lugar e peguei outra. Nessa, Leonardo, Gabriel, William e o tal de Nick jogavam vôlei na quadra de esportes enquanto Claire jogava confetes nos quatro.
– vocês não deviam estar aqui – disse uma voz grave atrás de nós.
Soltei a foto, assim como Lorena e Anah. Edward virou-se para trás, rápido demais para um humano comum. Larissa soltou uma exclamação, sua mão agarrou o meu braço, como se quisesse chamar minha atenção. Virei, Leonardo Parker nos olhava.
– senhor Parker! – Lorena exclamou, vermelha, mas não de vergonha.
Ele andou até aquela mesa, pegou uma chave antiga que estava em cima dela, guardou no bolso da camisa e virou-se para nós. Não parecia com raiva, apenas, preocupado.
– essa área é restrita á alunos – falou.
– desculpe, a porta estava aberta, entramos sem querer – gaguejava Larissa, nervosa como Lorena – foi mal, a gente já estava saindo.
– estou vendo – disse Leonardo, levemente irônico – estavam com muita pressa, não é?
Larissa baixou a cabeça, Edward não dava uma só palavra, mas ficou ao lado de Lorena, um tanto protetor.
– desculpe, foi sem querer – falei, minha voz saiu fraquinha.
Ele suspirou, preocupado.
– não tem problema, eu não vou fazer nada com vocês – falou – não voltem á entrar aqui, você tiveram sorte por eu ter encontrado vocês, e não a Johanna. Ela sim ficaria nervosa.
Ele andou até as estantes com as fotos da adolescência deles, as que abandonamos á pouco. Sorriu um pouco ao ver a foto da irmã com o tal Nick, mas colocou-as de volta no lugar certo, escondidas no canto.
– posso perguntar uma coisa, senhor? – perguntou Larissa.
Leonardo assentiu, ela esfregou as mãos.
– por que essas fotos não estão com as outras, na entrada? – perguntou.
– porque, Johanna guarda aqui tudo que ela quer se distanciar, ou evitar – respondeu.
Fiquei pensativa, de todas as fotos, as que Nick aparecia estavam mais escondidas, ela devia ter um bom motivo para esconde-las ali.
– agora, eu os convido á se retirarem, e não voltarem – disse Leonardo, tapando a visão das fotos com o próprio corpo – vocês podem não ter a mesma sorte da próxima vez, é melhor evitarmos outro incêndio.
Reparei que ele disse “outro incêndio” no lugar de “um incêndio”. Fiquei intrigada, essa era uma historia que deveríamos investigar á fundo.
Lorena foi a primeira, só não saiu correndo porque Anah não permitiu, e segurou seu braço. Eu fui logo atrás das duas, com Larissa e Edward atrás de mim, com Leonardo fechando a trilha de enxeridos. Saímos da sala, Leonardo fechou a porta e trancou-a com uma chave, que logo guardou no bolso da camisa.
– muito bem, vocês perderam o intervalo todo onde não deviam – disse Leonardo, um pouco mais descontraído – as aulas recomeçam em dez minutos.
Gemi, estava com fome. Leonardo percebeu nossas caretas, pegou um pacote de salgadinhos de dentro da sua mochila e jogou em minhas mãos.
– comam isso, rápido – falou – e é melhor estarem prontos para a minha aula, amanhã vai ser um dia longo para vocês.
E foi embora, rindo. Virei para olhar para Edward, que dava um pequeno sorriso.
– então, satisfeito? – perguntei, cruzando os braços – poderíamos ter sido expulsos, corremos perigo de virar churrasquinho e anda por cima, não tinha nenhuma caveira no armário.
Ele pensou um pouco, semicerrei os olhos.
– descobrimos algo – disse.
– o que? – perguntou Larissa.
– Leonardo livrou nossa cara uma vez, isso, com certeza, garante que ele vai livrar de novo – falou.
Revirei os olhos, assim como Anah.
– legal, cara – falei, irônica – isso é um ponto á mais, caso resolvermos fazer outra besteira contra as regras da escola.
– admiro sua inteligência – zombou Larissa, dando um sorriso sarcástico para Edward.
Ele revirou os olhos.
– não foi só isso – disse Lorena.
Olhei para ela, a garota ainda estava muito nervosa.
– descobrimos outra coisa – falou.
– o que? – perguntou Anah.
– Johanna esconde lá tudo o que ela quer se afastar, ou seja, tudo que tinha naquela sala, tem um passado negro – respondeu.
Parei para refletir, Lorena tinha razão.
– quem ai sabe algo sobre aquele tal de Nick? – perguntou Edward, imitando a voz do professor William.
Sufoquei uma risadinha, mesmo sendo um assunto serio, Edward fazia ficar engraçado.
– eu não sei vocês, mas, acho que devíamos tentar descobrir mais sobre isso – disse Larissa.
– com certeza – concordou Edward.
– concordo – disse Anah.
– idem – falei.
Todos nós olhamos para Lorena, que ficou vermelha, outra vez.
– eu não vou concordar com isso – falou, gaguejando um pouco – isso é invasão de privacidade, nem devíamos ter mexido naquelas coisas.
Edward aproximou-se da garota, abraçando-a de lado.
– minha cara, Lorena – falou, sensualmente – você deveria tentar ter mais curiosidade.
– eu tenho, só não concordo em mexer em coisas que não são da minha conta – retrucou, tentando desvencilhar-se do abraço de Edward.
Ele riu, mas não deixou-a livrar-se do abraço. Lorena olhou para nós, em busca de ajuda. Dei de ombros, Larissa fingiu nem ter visto, Anah deu uma risadinha, mas não fez nada alem disso. A ruiva hesitou, Edward olhava fixamente para seu rosto, tentando leva-la para o nosso lado. Os dois trocaram um olhar, por um segundo, pude vê-los casando e tenho vinte filhos. Mas, a ruiva empurrou-o, envergonhada e relutante.
– tudo bem, eu concordo – falou – mas, nem contem comigo para infligir as regras outra vez.
Sorri, Anah e Larissa também. Edward deu uma risada/urro de alegria, pegou Lorena e girou-a nos braços.
– para, Edward! – guinchou.
– é Teddy – corrigiu, colocando-a no chão e sorrindo como se não houvesse amanhã.
– vocês serão melhores amigos – comentou Anah.
– por favor, não me diga que sua mutação é prever o futuro – implorou Lorena.
Anah riu, assim como Larissa e eu. Edward, ou Teddy, apenas trancou o queixo.
– não, eu posso controlar raios e fogo, mas, prever o futuro, essa não é muito a minha praia – respondeu Anah, tentando não rir.
Lorena expirou, aliviada. Teddy abraçou-a de lado outra vez, dando um sorriso sexy.
– eu vou fazê-la mudar de opinião á meu respeito – disse – é uma promessa.
Lorena desvencilhou-se dele, escondeu-se atrás de Larissa, usando seu corpo como escudo.
– não vai me convencer desse jeito – disse a ruiva, vermelha.
Teddy riu, mas parou de tentar agarra-la. Lorena saiu de trás de Larissa, aliviada.
– agora, como vamos descobrir alguma coisa? – perguntei – duvido que tenha uma pagina sobre isso no Wikipédia.
– e não podemos perguntar nada á ninguém – disse Larissa – nem mesmo á Claire.
Lorena pensou um pouco, esperamos.
– eu disse, nem contem comigo para invadir a vida deles – falou em tom categórico.
Expirei, frustrada. Devia ter uma maneira, algo não tão difícil assim.
– acho melhor prestarmos bem atenção nas pistas que tivemos, com certeza vamos achar algo – disse Anah.
O alarme soou, indicando o fim do intervalo.
– mas, não agora – disse Lorena.
– droga, nem tivemos tempo de comer – resmunguei, com fome.
Edward puxou o pacote de salgadinhos da minha mão, abriu-o e tirou um. Pisquei, peguei um salgadinho e comi, assim como as outras.
– vamos, terminamos isso no caminho – disse Anah.
– aquele professor gato nos espera – vibrei.
– assim como as outras alunas gatas dessa escola – completou Edward.
– isso aí você pode ficar só para você – disse Larissa, estremecendo.
Rimos, andando pelo corredor, dividindo um pacote de salgadinho, esquecendo momentaneamente o assunto em pauta.
Como amigos.
POV Talita Ferraz
Virei a esquerda, entrando no corredor das salas de aulas, como Sky tinha me ensinado no dia anterior á esse. Karen, Cindy, Sky e Lee vinham ao meu lado, como quando saímos da sala, ou, como quando entramos nela. Conversávamos sobre o intervalo, que tinha sido cômico, alguns minutos atrás.
– viu a cara que a Daniela fez quando o camaleão do Rick pulou no prato dela? – disse Karen
– acho que ela nunca tomou susto igual – disse Sky.
– deveras, com um animal pulando do lustre e aterrissando bem no meio de seus cupcakes, até eu ficaria, no mínimo, surpresa – falei.
– queria saber como foi que ele chegou no lustre – disse Cindy.
– camaleões são animais muito sorrateiros – disse Sky.
– mesmo assim, no lustre... – disse Cindy, fazendo uma careta engraçada.
Limitei-me á dar um sorriso, tinha sido uma cena engraçada. Cupcakes voando, camaleões andando de rapel no lustre, Rick pedindo desculpas por seu animal, Bruna rindo, Stiles engasgando-se com sua torta de maçã, Alex tentando fazê-lo respirar. Pelo visto, as refeições nesta casa eram sempre surpreendentes.
– será que é a sala certa? – perguntou Sky, apontando para a sala á nossa frente.
– se no folheto diz que teremos aula de história, e a porta exibe uma placa que diz: “sala de história” e o professor de história está lá dentro, e todos os outros alunos estão entrando nela, eu diria que é a sala certa, querida irmã – disse Lee, cheio de sarcasmo.
Faz sentido.
– muito engraçado – resmungou Sky.
Lee riu, evitei fazer o mesmo, ainda que tivesse graça.
– vai ficar bloqueando a porta ou vai entrar de uma vez? – perguntou alguém atrás de nós – tem uma fila aqui.
Olhei para trás, era um novato, um dos que chegou noite passada, o tal do Jost. Sky não ficou muito feliz, mas entrou, seguida por Karen. Entrei logo após Cindy, Lee ficou por ultimo. Sentei ao lado da janela, nem vi quem estava atrás de mim, mas devia ser Lee, senti o cheiro de seu perfume. Sky sentou na minha frente, com Karen ao seu lado. Cindy sentou ao meu lado, com Jost atrás dela, fechando o circulo á minha volta. Senti uma tensão perto de mim, olhei para trás, Lee estava distraído com seu celular, não era ele. Karen e Sky conversavam, ou seja, também não eram elas. Cindy encarava o quadro, distraída, mas não com o quadro em si, desconfio que sua distração tinha algo á ver com o professor bonito que estava escrevendo seu nome no quadro. Olhei para Jost, seu maxilar estava travado, ele olhava fixamente para a frente.
Temos um vencedor.
Mas o motivo, isso eu não pude descobrir logo de cara. Todos os alunos entraram na sala, Daniela foi a ultima, falando algo com seu sotaque alemão. O professor esperou todos sentarem, deu um sorriso modesto e encarou todos.
E com “modesto”, eu quero dizer: perfeito.
– bom dia – falou, que voz linda – sou seu professor de história, podem me chamar de Gabe.
– tudo bem, vou chama-lo de Gabe – cochichou Cindy, para mim, Karen e Sky – mas, bem que queria chama-lo de “meu amor”.
Precisei de toda minha concentração para não dar uma risada escandalosa, Sky também, mas Karen não deu essa sorte.
– algo engraçado? – perguntou Gabe.
– não, desculpe, professor – disse Karen, engolindo as risadas.
Ele também riu, mesmo não parecendo acreditar, deixou isso de lado. Cindy piscou para nós, enterrei meu rosto nos cabelos, escondendo minhas risadas silenciosas.
– bem, eu sei que hoje é a primeira aula, e que eu não deveria dar matéria logo de cara – começou Gabe – mas, eu prefiro deixar a aula livre para o fim do trimestre.
– que ótimo – resmungou Lee, atrás de mim.
Gabe não deu atenção, pegou um livro, que mais parecia um diário, e abriu-o.
– nos colégios normais, as aulas de história são sobre a história do mundo e seus conflitos, não é mesmo? – disse, sorrindo – só que eu não quero fazer isso, não logo de cara.
Fiquei um tanto curiosa, se não falássemos de história nas aulas, falaríamos do que?
– muitos de vocês, ou melhor, todos vocês, devem desconhecer sua verdadeira história – disse Gabe, andando de um lado para o outro na frente da sala – quando digo “verdadeira história”, eu não quero dizer: “história de vida”.
Estava começando á fazer sentido, e, ficar interessante.
– eu quero dizer, a história mutante – concluiu, lançando-nos um olhar serio e charmoso ao mesmo tempo, ainda que sem querer – desde o principio, dos pioneiros.
Lorena aprumou-se na cadeira, devia estar louca para saber algo que desconhecia. Ela não foi a única.
– quem aí chuta a idade do gene mutante? – perguntou Gabe
Lorena, Sky, Karen, Rick, Jost, Edward e quase a maioria da sala levantou a mão, fiquei na minha, já que nem seria chamada, entre tantos competidores.
– você, de suéter azul – disse o professor, apontando para Jost – seu nome?
– Jost Lancaster – respondeu.
– muito bem, Jost – disse Gabe, escorando-se na sua mesa – diga.
– dezessete anos – respondeu.
Eu lembro de ter ouvido isso em algum lugar, talvez na televisão, na entrevista que Johanna deu. Eu estava concentrada demais, sabendo que teríamos direitos, para prestar atenção nessa parte.
– na verdade, a descoberta do gene foi á dezessete anos. O gene, em si, é bem mais velho – disse Gabe.
– mas, a própria Johanna disse isso na entrevista – foi minha vez de intervir.
– disse que o gene tinha sido descoberto á dezessete anos, como eu acabei de citar, senhorita? – perguntou, apontando para mim.
– Talita, Talita Ferraz – respondi.
– muito bem, a resposta de ambos não deixa de estar certa – disse o professor – de fato, o gene foi descoberto á dezessete anos, quando alguns dos mais poderosos laboratórios começaram á usar-nos como tubos de ensaio. Crianças, jovens e adultos, com o gene mutante, ainda não descoberto, foram dissecados e estudados.
Lorena encolheu-se um pouco na cadeira, não entendi o motivo.
– o cientista Mark Harris, depois de matar quase vinte de nós, descobriu que tínhamos um gene modificado, o que antes, supunha-se que seria um gene á mais – disse, ainda escorado na mesa – melhor anotarem isso, é importante.
Todos apressaram-se para pegar seus cadernos, eu já ia fazer o mesmo, quando a porta se abriu, e um rapaz entrou.
– desculpe, professor – falou, a voz era calma, mas intensa, ao mesmo tempo – tive alguns contratempos, posso entrar?
– entra, você não perdeu muita coisa – respondeu Gabe, dando um sorriso simpático para o novato – qual é seu nome?
– Michael Rogers – respondeu, retribuindo o sorriso do professor.
Ele entrou por completo na sala, e pude vê-lo melhor. Tinha cabelos loiros, olhos de uma tonalidade azul bem clara, tinha um mínimo vestígio de barba, mas isso não o deixava estranho, pelo contrario, ele ficava ainda mais lindo. Sim, eu disse lindo.
– mais um para a coleção – comentou Sky.
– acho que todas nós concordamos com isso – disse Cindy.
Olhei em volta, acho que quase todas as meninas da sala estavam tão estupefatas quanto eu. Acompanhei-o com os olhos, Michael sentou-se na única cadeira livre da sala, entre Lorena e Stiles, bem no meu campo de visão. Ouvi cochichos encherem a sala, Michael não pareceu se importar, ou, não ouviu.
– continuando, assim que descobriram o gene, encobriram a história real por trás da descoberta. Não podiam dizer quantos de nós foram mortos no processo, logo, esconderam isso, junto com as fichas medicas dos pacientes. Os corpos foram desovados, e sua história, esquecida – contou Gabe, na mesma posição de antes – porem, uns sete anos depois da descoberta, a história veio á publico, pelas mãos do mesmo cara que descobriu o gene.
– o motivo? – perguntou Lorena, curiosa.
– Mark Harris podia locomover-se em questão de segundos – respondeu Gabe.
Lorena piscou, também fiquei confusa.
– ele também era uma mutante – afirmou Daniela.
– eu prefiro o termo GPM, mutante parece coisa de filme – disse Gabe – mas, sim.
– que cretino! – protestou Cindy – se o cara também era um GPM, como conseguiu fazer os tais experimentos contra sua própria raça?
Gabe deu de ombros, retomando sua caminhada pela sala.
– ele resolveu não revelar, e nem teve tempo – respondeu, olhando através do vidro da janela – Harris foi caçado, por esconder isso da sociedade.
– quer dizer que ele está morto? – chutou Rick.
– ninguém sabe ao certo, mas, ele nunca mais foi visto – respondeu Gabe.
Isso era compreensível, já que estava sendo caçado.
– continuando, depois disso, alguns grupos estudantis vieram á tona. Grupos compostos por mutantes, o maior deles, da nossa ilustre Johanna – disse Gabe, dando um sorriso ao pronunciar o nome – eu fazia parte, á um bom tempo.
Dessa eu não sabia, estava ocupada demais tentando entender minha vida, destruída por meu padrasto, para prestar atenção no noticiário.
– a lei foi criada, e entrou em vigor no ano passado, como vocês já sabem – disse Gabe – essa é a primeira parte da história mutante.
Ele parou de andar de um lado para o outro na sala, olhou para nós e respirou fundo.
– vocês são o resultado de um trabalho duro, uma batalha árdua e incansável, de pessoas que sabiam como se sentiam, que sabiam como seria seu futuro – disse Gabe – um esforço, o fruto de dificuldades, que foram vencidas.
– claro, mamãe deu duro para me parir – disse Lee.
Eu tentei não rir, mas não deu. A sala toda riu, Gabe sorriu para o chão, balançou a cabeça e voltou á olhar-nos.
– podem rir, caçoar, fazer piadas á vontade – falou – vocês não precisam ter as preocupações que tivemos, vocês tem quem os defenda. Não precisam ter medo, estão cobertos.
Isso calou a boca de Lee, e fez quem ainda estava rindo, parar na hora. Dei um sorriso para o professor, mesmo que aquela fosse nossa primeira aula, eu já sabia que seriamos bem tratados nessa escola, eles seriam a família que não tive.
O sinal tocou, dando o fim á aula. Alguns começaram á levantar, mas eu permaneci parada, pensando nas coisas que o professor tinha dito.
Tivemos muita carga, muito peso em nossos ombros, muita gente querendo nosso mal, mas, isso devia ter sido bem pior, se não fosse pelos grupos defensores. Devíamos nosso respeito á eles, que nem nos conheciam, e nos ajudaram tanto.
Mesmo que não tivesse muito sentido em tudo isso, na mutação, ou no gene modificado, éramos pessoas, e merecíamos viver em paz.
Tive certeza, naquele segundo. Não importa quanta coisa ainda vem, não importa quantas dificuldades ainda viriam, éramos um só, e tínhamos um ao outro.
Agora sim, dei um sorriso bobo.
Mas, alegre.
Imagens do Capítulo (Personagens dos POV'S)
Edward Howard (P/A: o/)

Bruna Pandofy
Continuo sem a foto :(
Alex Jones
Também não tenho a foto.
Jully Blake
Fala sério, também não tenho a foto
Talita Ferraz (Essa eu tenho! o/)
William Johnson

MANDEM A FOTO DO SEU PERSONAGEM, E MANDEM MAIS DE UMA, CASO EU NÃO CONSIGA ACESSAR UMA DELAS!
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